segunda-feira, 24 de março de 2008

Quando esta geração, que se insurge contra os professores, que os agride e insulta estiver no poder, que vai ser de nós?

É grave, muito grave aquilo que o filme do YouTube revela. Uma aluna a agredir uma professora!

Pensemos então:
1. Naturalmente que o governo tem muita responsabilidade no actual estado da situação. Não tem feito outra coisa excepto denegrir, expor e menosprezar os docentes. Ora se quem tem obrigação ética de os defender se porta assim, que podemos esperar de adolescentes, tantos deles provenientes de famílias desestruturadas ou ausentes!?
2. Claro que hoje não se pode educar como há 30 anos. O mundo mudou, há que saber dar respostas pedagogicamente relevantes aos novos desafios. E isto parece-me válido para pais, professores e sociedade.
3. Pais que não educam para os valores que estruturam a dignidade humana; Pais que são papás e não pais! O seu menino é o "não me toques", tem sempre razão, os outros é que são culpados, porque o menino é o máximo!...
4. Professores que ainda não compreenderam que a verdadeira autoridade não é a que é imposta, mas a que se conquista.
5. Um governo que governa para as estatísticas, sem preocupação pela qualidade e pela formação integral dos alunos. Um governo que ainda não compreendeu que o ataque aos professores, descarado e atrevido, é um tiro no próprio pé.
6. Os políticos que, procurando por todos os meios as boas graças dos meninos( ai os votinhos no presente e no futuro...), não têm coragem de lhes dizer que o estudo, esforço e disciplina não são "exploração da mão de obra infantil".
7. Uma sociedade que não cessa de apelar constantemente ao facilitismo que irá desaguar no descontentamento, insatisfação e revolta, porque depois a vida é mesmo exigente.
8. Depois temos crianças e adolescentes que entram para a escola de manhã, têm um intervalo ao meio da manhã (WC, fila para tirar a senha, fila para o bufete...), surgindo o intervalo do almoço (outra vez a fila...) e à tarde até às 17/17,30h repetem o mesmo programa da manhã. Que tempo têm estes alunos para a brincadeira? Para a socialização? Para o extravasar de emoções? Claro, se o não fazem no recreio, vão fazê-lo para a sala de aulas...
9. Então as aulas de substituição são mesmo desumanas! Já viram o que é uma turma ver chegar um estranho para dar uma aula? Nem o nome sabe dos alunos! É como um cisco na vista! Um corpo estranho.
10. Por último, nos países-referência do senhor Sócrates, as aulas terminam às 15 horas!!!!
( Um comentário ao post "Alguém explica aos alunos como é que se deve estar na escola?", in http://www.padre-inquieto.blogspot.com/)

Fomos perdendo a autoridade. Depois, perdemos as referências e os valores. Está tudo perdido?
Não. Se houver atenta reflexão. E rápida inflexão.

E esta inflexão tem que começar pelo governo. Ontem já era tarde. Desde o malfadado Estatuto do Aluno até aos novos ditames legais, parece que se pode aplicar ao governo o ditado popular: "Cada cavadela sua minhoca..."
Hoje anda na comunicação social outro assunto relacionado com a educação. A contratação pelas escolas de polícias e guardas reformados . E a pior suspeita: como "bufos" do ministério! Será verdade? Aguardemos.

A família tem que dar uma volta enorme. Assim não vai lá! Assim todos perdemos. Razão tinha João Paulo II. "Família, torna-te aquilo que és!" Casa e escola de valores, de referências, de exigência, de são crescimento interior.

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