segunda-feira, 30 de junho de 2014

domingo, 29 de junho de 2014

A família como preocupação sinodal e pontifícia

Em dois momentos bastante próximos, a temática da família vai ser estudada em duas assembleias gerais do Sínodo dos Bispos – uma extraordinária e uma ordinária – o que revela a momentosidade da instituição familiar e o melindre que a sua problemática representa para a Igreja Católica, no quadro dos desafios que o mundo contemporâneo lança àquela instituição que até há relativamente poucas décadas ninguém punha seriamente em questão.

O Papa Francisco, na linha das constantes preocupações dos seus predecessores, convocou em 8 de outubro de 2013 a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos a decorrer, no Vaticano, entre 5 e 19 de outubro de 2014, que incidirá sobre “os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, tema amplamente discutido na primeira sessão de trabalho do Santo Padre com o Conselho dos oito de cardeais. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Padre Frederico Lombardi, advertia então que “esta é a maneira pela qual o Papa deseja promover a reflexão e o caminho da comunidade da Igreja, com a participação responsável do episcopado de diferentes partes do mundo.”

A esse respeito a Secretaria Geral do Sínodo deu início à preparação dos trabalhos sinodais mediante o envio do Documento Preparatório, que suscitou uma vasta e diversificada resposta eclesial por parte do povo de Deus, não dada a conhecer por todas as conferências episcopais, diga-se em abono da verdade. O documento, publicado no mês de novembro de 2013, depois de dois capítulos de reflexão prévia sobre “o sínodo: família e evangelização” e “a Igreja e o evangelho sobre a família” (este desdobrado em “o projeto de Deus Criador e Redentor e o ensinamento da Igreja sobre a família”), apresenta um questionário estruturado em oito grupos de perguntas relativas ao matrimónio e à família e mais um epigrafado por “outros desafios e propostas”.

Os oito grupos de questões elencam-se segundo os seguintes subtemas, qual deles o mais candente: a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família; o matrimónio segundo a lei natural; a pastoral da família no contexto da evangelização; a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis; as uniões de pessoas do mesmo sexo; a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares; a abertura dos esposos à vida; e a relação entre a família e a pessoa.

Este ano, a 24 de junho, o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos apresentou o Instrumentum Laboris, que nasce das respostas ao questionário constante do aludido documento Preparatório.

Aquele Instrumentum, como documento de trabalho-base para a reflexão e chamariz para as intervenções dos padres sinodais, vem estruturado em três partes e retoma, em conformidade com uma ordem funcional à assembleia sinodal, a matéria do referido questionário. A primeira parte glosa a temática do Evangelho da família, entre desígnio de Deus e vocação da pessoa em Cristo, quadro em que se relevam o conhecimento e a receção dos conteúdos bíblicos e dos documentos do Magistério da Igreja, incluindo as várias dificuldades, entre as quais a compreensão da lei natural. A segunda aborda as várias propostas de pastoral familiar, os relativos desafios e as situações mais difíceis. E a terceira parte equaciona a problemática da abertura à vida e da responsabilidade educacional dos pais, que caraterizam o matrimónio entre o homem e a mulher (sem margem para dúvidas), com referência particular às situações pastorais que marcam a atualidade ambivalente, espelhada no mundo. Parece, mesmo por uma leitura apressada, a aprofundar quanto antes, que nenhum problema fica esquecido no documento de trabalho, inclusive os atinentes ao ponto do questionário referenciado como “outros desafios e propostas”, esperando-se que os bispos procedam a uma reflexão acurada sem preconceitos e usufruam da liberdade de intervenção sem inibições.

Na certeza de que as dificuldades não condicionam irreversivelmente a vida familiar e de que as pessoas não se encontram ante problemáticas inéditas, a Igreja constata de bom grado os claros impulsos que parecem induzir uma nova primavera para a família. Não é por acaso que se encontram testemunhos significativos em inúmeros congressos eclesiais, onde se manifesta nitidamente, sobretudo nas novas gerações, um renovado desejo de família e de vida familiar. Perante tal aspiração, a Igreja sente-se solicitada a oferecer “assistência e acompanhamento, a todos os seus níveis, em fidelidade ao mandato do Senhor de anunciar a beleza do amor familiar”. Em seus encontros com as famílias, o Papa encoraja o olhar com esperança sobre o próprio futuro, recomendando os estilos de vida pelos quais se gera, conserva e se faz prosperar o amor em família: pedir licença, agradecer e pedir perdão, não deixando que o sol se ponha sobre desavença ou incompreensão, e tendo a humildade do pedido de desculpa de um cônjuge ao outro. (cf “premissa” do Instrumentum Laboris).

Sendo assim e, de acordo com o texto da apresentação do documento de 24 de junho, “considerando a amplidão e a complexidade do tema, o Santo Padre definiu um itinerário de trabalho em duas etapas distintas no tempo e no escopo, que constitui uma unidade orgânica”: a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo, em 2014, constará de um trabalho em que os Padres sinodais avaliarão e aprofundarão os dados, os testemunhos e as sugestões das Igrejas particulares, com vista a enfrentar os novos desafios sobre a família (trabalho de avaliação, reflexão e aprofundamento – provavelmente ainda sem decisões resolutivas); e a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo, em 2015, mais representativa do episcopado, inserindo-se no precedente trabalho sinodal, meditará ulteriormente sobre as temáticas abordadas para encontrar adequadas linhas de ação pastorais (é o trabalho de conclusões e linhas de rumo).

Muitas expectativas estão criadas em torno dos trabalhos sinodais e do carisma lúcido e voluntarioso do Papa Francisco. São tantas e tamanhas as situações que pedem uma orientação eclesial caldeada pela exigência e pela abertura, que pode desenhar-se um sério risco frustracional (parodiando a nossa Presidenta do Parlamento) face às altas expectativas. Para que o eventual risco fique jugulado ou ao menos minorado, cada um dos peritos – em teologia, antropologia, sociologia, psicologia, gestão de afetos, ciências da saúde, etc. – caraterizados pela suficiente dose de boa vontade deverá oferecer os seus préstimos reflexivos a tempo e fora de tempo e os bispos, mormente os que tiverem assento nas assembleias sinodais agendadas, devem auscultar o genuíno sensus Christi et Ecclesiae, refletir em profundidade e usufruir do direito de intervir sem inibições, de acordo com a consciência do múnus e do sentido de serviço à humanidade.

A lei não tem de ser dura nem deixar de o ser; basta que seja feita para o homem e não vice-versa. E que a lei suprema seja já não a Salus Reipublicae, mas a Salus Animarum, não vertida em código de anátemas, mas em código de inclusão das bem-aventuranças.

A nós, que não temos competências do saber e da intervenção nas pantalhas da ciência e muito menos no areópago sinodal, resta-nos a poderosíssima arma da lex orandi de que é exemplo o final do Instrumentum Laboris:


Oração à Sagrada Família

Jesus, Maria e José,
em vós nós contemplamos
o esplendor do amor verdadeiro,
e dirigimo-nos a vós com confiança.

Sagrada Família de Nazaré,
fazei também das nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
nunca mais nas famílias se viva a experiência
de violência, fechamento e divisão:
quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado
conheça depressa a consolação e a cura.

Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar de novo em todos a consciência
da índole sagrada e inviolável da família,
a sua beleza no desígnio de Deus.

Jesus, Maria e José,
ouvi e atendei a nossa súplica.
Amém.
 
2014.06.27 
Louro de Carvalho 

sábado, 28 de junho de 2014

Benefícios do Mirtilo


  • Devido à sua riqueza em anti-oxidantes, previnem doenças cardiovasculares, vários tipos de cancro (nomeadamente o cancro do cólon), atenuam processos relacionados com o envelhecimento (como cataratas e doença de Alzheimer) e outras alterações do sistema nervoso (excelente antídoto para a depressão);
  • Alivia sintomas de infecções urinárias e renais, impedindo a fixação e o desenvolvimento da E. Coli, bactéria preferencialmente causadora de infecções no tracto urinário;
  • Apresenta um efeito inibitório na agregação plaquetária inibindo assim a formação de coágulos sanguíneos;
  • Ajudam a combater a memória de curto prazo e reforça a memória dos idosos;
  • Protegem contra a degeneração relacionada com o envelhecimento das vistas, melhorando a visão nocturna e reduzindo a vista cansada devido às concentrações muito elevadas de antocianinas que possuem, sendo excelentes para prevenir cataratas e retinopatias dos diabéticos;
  • Reduz inflamações do aparelho digestivo e regula o trânsito intestinal devido à sua riqueza em fibras e propriedades anti-sépticas, apresentando propriedades laxantes quando consumidos em fresco e auxiliam o tratamento da diarreia quando consumidos em seco;
  • Indicados para dietas para hipertensão arterial, pela ausência de sódio e colesterol.
  • Fortes propriedades anti-inflamatórias pela sua riqueza em antocianinas;
  • Ajudam a baixar o nível do mau colesterol (LDL);
  • Protege a pele dos radicais livres, ajuda a fixar a vitamina A e acelera a cicatrização. (Fonte: aqui)
O MIRTILO está na moda. Há quem o veja como um produto agrícola por excelência, tendo em conta o alto rendimento que a sua exportação acarreta.
Não faltam pessoas que tentam a cultura deste arbusto, até tendo em conta os subsídios ao seu cultivo, dentro de parâmetros que envolvem determinada área de terreno e outras condições.
Há quem fale que, a breve prazo, a demasiada oferta de mirtilo leve à baixa do preço e consequente abandono desta cultura, como sucedeu com outras.


Penso que a falta de orientação dos responsáveis pela agricultura portuguesa tem sido um velho e incorrigível pecado. Os governos tinham obrigação de fazer muito mais, sobretudo no aconselhamento das pessoas no tocante às culturas a explorar.


É claro que há zonas do país onde é fácil, visto serem locais para a cultura de produtos de excelência com mercado garantido. Penso no vinho e no azeite do Alto Douro e do Alentejo. Penso no vinho verde da zona minhota...
E nesta nossa região? Batatas e milho ...está visto que não compensam. Pomares? Vinho? São um risco, tendo em conta o escoamento e o preço pago ao agricultor. Que resta? Que sugerem os responsáveis pela agricultura aos agricultores desta região?


Por estranho que pareça, foi a primeira vez que vi os frutos do mirtilo. E já provei...
Obrigado, prima Teresinha, pela lembrança.

Decálogo de um santo

Decálogo da Quotidianidade
Angelo Giuseppe Roncalli (S. João XXIII)
i - Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.
ii - Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, ser cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.
iii - Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.
iv - Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos.
v - Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.
vi - Hoje, apenas hoje, farei uma boa acção, e não direi a ninguém.
vii - Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.
viii - Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado; talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão.
ix - Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.
x - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

«Sophia é símbolo de uma portugalidade de excelência»

Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) e responsável pela Capela do Rato, em Lisboa, considera que Sophia de Mello Breyner Andresen é símbolo de “uma portugalidade de excelência”.

O sacerdote e poeta madeirense falou à Agência ECCLESIA a respeito da trasladação do corpo da escritora para o Panteão Nacional, uma cerimónia marcada para 2 de julho cujo percurso, desde percurso o Cemitério de Carnide, em Lisboa, inclui uma passagem pela Capela do Rato, onde será celebrada Missa, e pela Assembleia da República.
Numa altura em que Portugal precisa “de símbolos, de mulheres e de homens que corporizem um ideal de nação”, o padre Tolentino Mendonça entende que a distinção é “absolutamente” certa.
Em declarações publicadas nas mais recente edição do Semanário ECCLESIA, cujo dossier temático é dedicado a Sophia de Mello Breyner, o poeta e ensaísta diz que a vida desta escritora foi marcada por uma “perceção profunda daquilo que os portugueses são como povo” e ao mesmo tempo por uma “grande abertura ao mundo”.
Toda a sua “criação poética” deixa transparecer uma mensagem de “empenhamento no mundo, uma grande atenção ao real”, o que “num tempo em que faltam mestres de humanidade, do que é ser pessoa”, representa “um legado incalculável”, acrescenta.
O capelão da Capela do Rato acredita que a trasladação de Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional pode servir de inspiração para várias “gerações”, dado que “a sua obra é um legado profético, sempre desafiador”, que aponta para o “futuro” e tem um caráter “absolutamente transversal”.
“Sendo um clássico da nossa língua, Sophia tem um discurso legível para todos, desde um operário a um intelectual, todos são capazes de entender o significado e a força da sua palavra”, realça o padre Tolentino Mendonça.
Quanto ao significado da Eucaristia na Capela do Rato, que vai anteceder a transladação do corpo da poetiza para o Panteão Nacional, 10 anos após a sua morte, o sacerdote recorda o papel que aquele espaço desempenhou para “uma geração” de católicos, como a de Sophia, que lutou “contra o Estado Novo, a guerra colonial e contra a posição da Igreja nesse contexto”.
“A Capela do Rato também é um lugar de cultura. E nesse sentido, penso que é uma grande alegria e o reconhecimento que nos reunamos naquele espaço para celebrar uma oração em memória da grande poetisa”, complementa.
Segundo o responsável católico, o facto de Sophia de Mello Breyner Andresen ter assumido uma posição critica face ao posicionamento da hierarquia católica perante o regime de Salazar não marcou de forma negativa a sua relação com a fé.
“É muito clara a pertença espiritual de Sophia de Mello Breyner ao espaço cristão e católico e essa foi uma linha persistente na sua vida, sobre isso não há dúvidas”, sustenta.
José Tolentino Mendonça destaca a forma “ativa” como a poetisa viveu a sua condição católica, sobretudo numa época em que o Concílio Vaticano II (1962-1965) deixava antever uma maior “abertura” da Igreja ao mundo, aos “leigos”, e também exortava à “construção de um mundo justo”.
“No fundo, essa viragem eclesiológica que o Concílio inaugura vai ser depois corporizada também por tantos leigos e pastores no interior da Igreja Católica, e na Igreja portuguesa, que vão viver a sua fé de uma forma desassossegada. Mas bendita da fé que é vivida de uma forma desassossegada”, conclui o diretor do SNPC.
Fonte: aqui

quinta-feira, 26 de junho de 2014

quarta-feira, 25 de junho de 2014

7 conselhos para ser um bom pai

É preciso aprender de Deus Pai, pois todo pai tem n'Ele não apenas um modelo, mas uma fonte de graças para realizar sua missão
São muitos os homens que gostariam de ser bons pais, mas não sabem o que é preciso fazer para conseguir isso e, ainda que hoje em dia haja muitas ferramentas para educar os filhos, nem sempre se tem o tempo ou o dinheiro necessários para adquiri-las.

O que fazer, então?

Basta usar o método de aprendizagem mais antigo e simples que existe: aprender de Deus Pai, pois todo pai tem nEle não somente um modelo a seguir, mas também pode lhe pedir a graça de poder imitá-lo em suas qualidades paternas. Algumas delas são as seguintes:

1. Ame incondicionalmente seus filhos

Deus nos ama como somos, com todos os nossos defeitos, vícios e pecados -  o que não significa que Ele os aprove (Ele quer que os superemos), mas que nem por isso deixa de nos amar. Pais, peçam ao Pai que lhes comunique um amor incondicional aos seus filhos, para aceitá-los como são.

2. Expresse seu amor aos seus filhos

Ao longo da Bíblia, vemos que Deus sempre exprime seu amor por nós. Pais, peçam ao Pai que não lhes permita "dar por descontado" que seus filhos sabem que vocês os amam, mas que os inspire a dizer isso a eles e, sobretudo, a demonstrá-lo.

3. Conheça bem seus filhos

Jesus disse que o Pai sabe do que precisamos. Mas como Ele sabe? Porque está sempre prestando atenção em nós. Pais, peçam ao Pai que os livre de ignorar seus filhos e os ajude a dedicar mais tempo a conhecê-los e descobrir suas qualidades e defeitos, para, assim, incentivá-los a desenvolver os primeiros e dominar os segundos.

4. Dê aos seus filhos apenas o que lhes convém

São Tiago disse que não recebemos tudo o que pedimos porque pedimos mal (cf. Tiago 4, 3). Isso significa que Deus não nos dá aquilo que não nos convém. Pais, peçam ao Pai prudência e sabedoria para não ceder diante de todos os pedidos dos seus filhos, mas saber dar a cada um somente aquilo que contribuir para seu verdadeiro bem.

5. Cultive a proximidade e a comunicação

Jesus afirmou que, ainda que todos o abandonassem, Ele nunca estaria sozinho, porque o Pai estava com Ele (cf. João 16, 32). Pais, peçam ao Pai que os ajude a manter a proximidade, não só física, mas de comunicação com seus filhos, para conhecer suas alegrias, tristezas, dificuldades, projetos e amizades.

6. Apoie seus filhos

Em todo momento, Jesus se sentiu apoiado pelo seu Pai. Pais, peçam ao Pai que os livre de passar o tempo todo criticando seus filhos, jogando-lhes na cara o que fazem de errado; que os ilumine para saber incentivar seus filhos naquilo que eles fazem bem e para fazê-los sentir que vocês valorizam suas qualidades e estão orgulhosos deles.

7. Conduza seus filhos ao bem

O Pai enviou Jesus ao mundo para nos trazer o maior bem possível: a salvação (cf. João 3, 16-17). Pais, peçam ao Pai a graça de compreender que sua maior vitória será ensinar seus filhos a dar-se, não só a receber; a servir os outros, não a ser servidos; a desfrutar a vida de maneira generosa, não egoísta, descobrindo a alegria de usar seus dons em benefícios de outros.
Fonte: aqui

terça-feira, 24 de junho de 2014

«Estima» pelos sacerdotes

O bispo da Guarda convidou as suas comunidades a fazerem da jornada mundial de oração pela santificação do clero, na próxima sexta-feira, uma oportunidade para manifestarem “a sua estima” pelos sacerdotes que servem a diocese.

D. Manuel Felício realça os "párocos” que desempenham as missões “que lhes estão confiadas” com “um notável esforço".
 Numa altura em que os sacerdotes são “particularmente necessários”, em que “diminuem em número ou as suas forças também diminuem, pelo avanço da idade ou pela doença”, aponta o prelado, é preciso “dar graças a Deus” por todos quantos de forma “generosa” se entregam “à missão sacerdotal”.
De acordo com o bispo da Guarda, “o poder e a força da Graça de Deus são visíveis na vida e na ação dos sacerdotes que dedicada e generosamente muitas vezes vão além dos limites das suas forças físicas e mesmo do que socialmente é espectável”.
No entanto, só através da “oração intensa e fervorosa dos fiéis” é que eles podem alcançar a “santificação ardentemente desejada por Cristo”.
D. Manuel Felício espera “que a próxima solenidade do Coração de Jesus seja oportunidade bem aproveitada por todas e cada uma das paróquias e comunidades para motivar a oração constante e fervorosa pelo dom do Ministério Sacerdotal”.
Fonte: aqui

Finalmente, um ato de reconhecimento!
Não é todos os dias que se vê um Bispo a reconhecer publicamente o trabalho dos seus párocos! Quando algum morre, lá surge uma palavra de reconhecimento. Acho muito mais belo e oportuno que esse reconhecimento seja feito em vida!
Neste campo, confesso que esperava mais do nosso Papa Francisco! Mas o tempo ainda é pouco...
Por norma, o discurso, já batido, é na linha da exigência. Os padres devem ser isto, aquilo, aqueloutro... Um ideal de padre só compatível com seres angélicos, quando os padres são feitos do mesmo barro que os outros seres humanos.
Olhemos para Cristo e para os apóstolos que escolheu. Pedro negou-O; Judas traiu-O; João e Tiago buscavam "tacho"... Apesar disto, algum foi corrido por Cristo!? O Senhor sabia que o plano do Pai não consistia na escolha de seres angélicos, mas na escolha de humanos, calejados por faltas e limitações.
E é a estes escolhidos que Jesus convida: "Vinde e descansai um pouco". Esta atenção, reconhecimento e humanidade de Cristo deveria ser um claro desafio à postura dos nossos bispos.
Os párocos, com todas as suas limitações, são, na minha modesta opinião, os trabalhadores mais importantes da vinha do Senhor. Eles sentem diariamente o "cheiro das ovelhas"!
Dos leigos recebem, bastas vezes, ingratidão, incompreensão, não colaboração, indiferença. As comunidades tanto exigem isto como o contrário disto. Tanto criticam por fazer como não  fazer. Tanto reclamam por ser assim como por ser assado...
Que ao menos experimentem a presença, a defesa e o reconhecimento recriador do seu Bispo!
Assim, obrigado, D. Felício!

Solução baseada apenas na “tirania dos números”

O bispo do Porto considera que a decisão do Governo
em fechar mais 311 escolas do primeiro ciclo no país
é uma solução baseada apenas na “tirania dos números”
e que revela a falta “de uma cultura de visão para o futuro”.

Em entrevista concedida hoje à Agência ECCLESIA, D. António Francisco dos Santos, responsável por uma das dioceses mais atingidas pela decisão do Ministério da Educação, sublinha que mais do que “medidas tomadas por inércia” é preciso encontrar soluções para “as causas” que estão por detrás do fecho destas escolas.
Entre elas, aponta o prelado, estão problemas como “a baixa da natalidade” e o “abandono das terras”, sobretudo no “interior” do país, devido à inexistência de “ideias criadoras de emprego”.
“Não há escolas porque não há crianças, mas isto acontece porque a montante não tem havido um projeto impulsionador de uma transformação do país que leve as pessoas a fixarem-se com motivações, com trabalho, com esperança, com sonhos”, com uma perspetiva de vida integrada “no todo nacional”, sustenta o bispo do Porto.
Para o antigo presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã, esta decisão vai reforçar a necessidade das populações em centrarem-se “nos grandes espaços demográficos das cidades”, deixando os restantes territórios cada vez mais “despovoados”.
Algo que é ainda mais difícil de entender porque surge “quase na eminência do novo ano letivo”, ou seja, muitas famílias “nem estão preparadas” para reorganizarem a sua vida.
Em causa está também a “liberdade” das comunidades e das famílias escolherem a solução mais conveniente para as suas crianças e jovens.
“Não pode ser só o Estado a decidir o encerramento das escolas sem ouvir inclusivamente as instituições locais, que podiam proporcionar respostas de escolas particulares que fossem ir ao encontro da realidade local”, sobretudo nas regiões do interior, “que são as mais desfavorecidas”, complementa D. António Francisco dos Santos.
A missiva do Governo dedicada ao “processo de reorganização da rede escolar para 2014/2015” refere que as crianças das 311 escolas em questão vão ser integradas em “centros escolares ou outros estabelecimentos de ensino com melhores condições”
O gabinete do ministro Nuno Crato frisa que na base desta estratégia estiveram, entre outros pontos, a intenção de “reduzir os riscos de abandono e insucesso escolares, mais elevados em escolas com menores recursos e alunos”.
Assegura ainda que durante o processo foram salvaguardadas “questões como a distância para a escola de destino e tempo de percurso, as condições da escola de acolhimento, o transporte e as refeições”.
“Nos casos em que não foi possível garantir essas condições, foram mantidas em funcionamento as escolas em causa com uma autorização excecional”, realça o comunicado do ME.
Na lista fornecida pelo Governo, os distritos de Viseu (57 escolas), de Aveiro (49) e do Porto (41) estão entre as regiões mais abrangidas pela reorganização da rede escolar nacional.
Fonte: aqui

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O futuro religioso daqueles 25 Adolescentes ficou-me "a moer o juízo"

A propósito da Profissão de Fé que ontem celebrámos em Tarouca, deixo aqui o testemunho do P.e Justino, Pároco de Vila Nova de Paiva.
Também me "ficam a moer o juízo" preocupações iguais!!!
"Ontem foi um dia pleno. De manhã celebramos, com 15 Adolescentes, os seus familiares e amigos, a Festa da Profissão de Fé, depois de seis anos de Catequese. Tudo muito bem organizado, bem celebrado, bem cantado e bem fotografado. E agora, vamos ter mais sangue novo na Eucaristia ou seguem o exemplo dos pardais, mal toca o sino fogem, em revoada, para longe do campanário? Nunca as Catequeses estive...ram tão bem organizadas, nunca tivemos tão ilustres catequistas e nunca geraram tantos pagãos. Nascem e vivem sem tomarem o chá religioso. A maior parte das famílias vivem como se Deus não existisse e não se importam se os filhos vão ou não à Eucaristia. Está a crescer uma juventude incrédula. Não negam Deus nem a Igreja mas vivem como se não existissem. E saíram das nossas Catequeses!...Que falta fazem as Avós! Eram as Mestras da Catequese, da boa educação, do respeito...mas aferrolharam a sua sabedoria nos Lares.. .
Mas o futuro religioso daqueles 15 Adolescentes ficou-me a moer o juízo."
In facebook

DESMESURA

Há uma desmesura em torno do futebol.
Espera-se demais do futebol. Sofre-se demais com o futebol. Gasta-se demais com o futebol.
Quando a expectativa é grande, a decepção arrisca-se a não ser pequena. 
Até parece que esta segunda-feira acordou cinzenta e não por causa das nuvens.
Ponhamos o futebol no seu devido lugar. É um desporto que envolve muitos praticantes e incontáveis espectadores.
Tem, portanto, o seu espaço e o seu tempo.
Mas não deve ocupar todo o espaço da vida. Nem todo o tempo do mundo!
Fonte: aqui

domingo, 22 de junho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

Tarouca: Encontro da Cidadania Política


21 de junho, Auditório Municipal de Tarouca. A Assembleia Municipal organiza o Encontro da Cidadania Política, com a participação ativa de todas as forças políticas.

A forma tradicional de fazer política está esgotada .
Os cidadãos querem participar livremente sem aderir a partidos ou outras organizações. Por isso, este Encontro, com a colaboração de todos os eleitos, independentemente ...da sua força partidária.
A Assembleia Municipal de Tarouca abre as portas para a participação de todos os cidadãos.
  O Congresso da Cidadania Política oferece ao cidadão uma forma de participar na construção do seu futuro.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Papa Francisco e o Batismo

Que mudou?
Eu gosto muito do Papa Francisco.
Muita gente, dentro e fora da Igreja, o admira.
Há muitas pessoas que se ficam pelos seus gestos carregados de humana proximidade, por frases suas, muitas vezes retiradas do contexto, e que circulam pelas redes sociais. Mas conhecer os seus escritos, penetrar na sua mensagem toda, quem o faz?

Em relação aos batismos, o Papa não fez nada nem disse nada que não esteja dentro da doutrina da Igreja. Nem outra coisa seria de esperar...
Não havia na lei da Igreja proibição de batizar uma criança filha de pais recasados ou em união de facto. Até porque ninguém os pais... O que havia e há é a prática pastoral de ajudar a refletir os pais que vivem "juntos" e não estão casados catolicamente, quando podiam estar,  propondo-lhes - não impondo - que repensem a sua situação diante da Igreja antes de pedir a entrada na Igreja para o seu filho.
Certamente haveria casos de paróquias mais "papistas que o Papa", onde porventura houvesse uma interpretação rigorista da lei da Igreja. Mas uma andorinha não faz a Primavera...

E EM RELAÇÃO AOS PADRINHOS, QUE MUDOU O PAPA FRANCISCO?
Nada, nada, nada. Mantêm-se as diretrizes da Igreja, tal como estavam.

OS RECASOS OU EM UNIÃO DE FACTO JÁ PODEM COMUNGAR?
Certamente este assunto será debatido nos dois próximos sínodos sobre a Família. Mas até ao momento, o Papa  não fez qualquer alteração à disciplina da Igreja.

ATITUDE...

video

quarta-feira, 18 de junho de 2014

domingo, 15 de junho de 2014

Permaneço entre vós

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa 
 
Poema «Permaneço entre vós», 1938, estrofes 1-10 
«Mostrou-me depois um rio de água viva, […] que saía do trono de Deus e do Cordeiro» (Ap 22,1)
 
Tu ocupas o Trono
À direita do Pai (Sl 110 [109],1; Ap 5,7),
O Trono do Reino
Da glória eterna,
E desde o princípio
És de Deus o Verbo
(Jo 1,1).

Dominas e reinas
Do Trono supremo (Ap 5,13);
Na tua forma humana,
Corpo transfigurado,
Desde que na Terra
Cumpriste a tua obra (Jo 17,4; 19,30).

Daí me vem a Fé,
Diz-mo o teu Verbo,
E porque acredito
Sou também feliz (Jo 20,29);
Daí me acompanha
Toda a esperança.

Onde permaneces
Estão também os teus (Jo 17,24); 
E o Céu bendito
É a minha pátria;
E o Trono do Pai
É também o meu (Ap 3,21).

O Senhor eterno,
Criador de tudo,
Três vezes Santíssimo,
Abraçando todos,
É Senhor dum Reino
Sem ser deste mundo (Jo 18,36).
  
O meio do paço
Da alma humana
É morada perfeita
Da Santa Trindade (Jo 14,23),
Seu Trono celeste
Na Terra dos homens.

O Filho de Deus,
E Filho do Homem (Jo 5,27),
Salvou do Demónio
Tal Reino divino
E deu o seu Sangue
Por nosso resgate (Ap 12,10-11).
  

O seu Lado aberto (Jo 19,34)
Reúne esse Reino
Do Céu e da Terra
E é Fonte de Vida
Para todos nós,
Fonte de água viva (Jo 7,38).

O Coração de Jesus
É Coração da Trindade,
É centro e convergência
De todos os corações;
Porque nos oferece a vida
Da própria Divindade (Jo 6,40). 

A sua força oculta
Nos atrai todos a Si (Jo 12,32) 
E no coração do Pai
Nos dá a sua morada;
E nos leva na torrente
Do seu Espírito Santo.
Fonte: aqui

sábado, 14 de junho de 2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Papa Francisco abre porta a renúncia e sublinha que «pobreza e humildade estão no centro do Evangelho»

O papa Francisco concedeu uma entrevista de mais de uma hora ao jornalista português Henrique Cymerman, que vai ser transmitida esta sexta-feira na SIC ("Jornal da Noite"), seguida de debate na SIC Notícias.
A conversa, que decorreu na segunda-feira, no Vaticano, é publicada hoje no jornal "La Vanguardia", de sediado em Barcelona, de que Cymerman é correspondente, bem como em sites italianos.
Apresentamos excertos da entrevista, em que o papa diz ao jornalista português que a ele se deve «boa parte» da realização da oração pela paz que no domingo reuniu no Vaticano o papa Francisco, os presidentes de Israel e da Palestina e o patriarca ecuménico Bartolomeu.
A perseguição aos cristãos, os fundamentalismos, a segurança pessoal, a pobreza e humildade, o dinheiro e a guerra, o judaísmo, a relação com as Igrejas ortodoxas, a relação entre fé, ciência e ateísmo, o pontificado de Pio XII e uma eventual renúncia são alguns dos temas da entrevista.
O trabalho de síntese, extraído do site "Vatican Insider", é assinado pelo jornalista Andrea Tornielli.

Cristãos perseguidos
«Os cristãos perseguidos são uma preocupação que me toca de perto como pastor. Sei muitas coisas sobre estas perseguições que não me parece prudente contar aqui, para não ofender ninguém. Mas há lugares nos quais é proibido ter uma Bíblia ou ensinar o catecismo ou andar com uma cruz. O que quero tornar mais claro é isto: estou convencido de que a perseguição contra os cristãos é hoje mais forte do que nos primeiros séculos da Igreja. Hoje há mais cristãos mártires do que naquele tempo. E não é fantasia, são os números.»

Fundamentalistas
«[A violência em nome de Deus] é uma contradição. Não corresponde ao nosso tempo, é algo de antigo. À luz da perspetiva histórica devemos dizer que nós, cristãos, por vezes, praticámo-la. Quando penso na Guerra dos Trinta Anos, era violência em nome de Deus. Hoje é inimaginável, certo? Por vezes chegamos, através da religião, a contradições muito sérias e muito graves. O fundamentalismo, por exemplo. Nas três religiões [monoteístas] temos os nossos grupos fundamentalistas, pequenos em relação a todo o resto. Um grupo fundamentalista, mesmo se não mata ninguém, mesmo se não atinge ninguém, é violento. A estrutura mental do fundamentalismo é violência em nome de Deus.»

Revolução
Para mim, a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que elas têm a dizer ao dia de hoje. Não há contradição entre ser revolucionário e voltar às raízes. Mais ainda, creio que o modo de fazer verdadeiras mudanças é partir da identidade. Nunca se pode dar um passo na vida se não a partir do que o precede, sem saber de onde venho, que nome tenho, que nome cultural ou religioso tenho.»

Segurança pessoal
«Sei que me pode acontecer alguma coisa, mas está tudo nas mãos de Deus. Recordo que no Brasil me prepararam um papamóvel fechado, com vidro, mas eu não posso saudar um povo e dizer-lhe que o amo dentro de uma lata de sardinhas, mesmo que seja de cristal. Para mim isso é um muro. É verdade que me pode acontecer alguma coisa, mas sejamos realistas: na minha idade não tenho muito a perder.»

Igreja pobre e humilde
«A pobreza e a humildade estão no centro do Evangelho, e digo-o num sentido teológico, não sociológico. Não se pode entender o Evangelho sem a pobreza, que no entanto é diferente do pauperismo. Acredito que Jesus queira que os bispos não sejam príncipes, mas servidores.»

Idolatria do dinheiro e guerra
«Está provado que com a comida que sobra poderíamos dar de comer a quem têm fome. Quando vê a fotografia de crianças desnutridas em diversas partes do mundo, mete as mãos entre a cabeça, não se percebe. Creio que vivemos num sistema mundial que não é bom, No centro de todo o sistema económico deve estar o homem, o homem e a mulher, e tudo o mais deve estar ao serviço do homem. Mas nós pusemos o dinheiro no centro, o deus dinheiro. Caímos num pecado de idolatria, a idolatria do dinheiro.
A economia move-se pelo afã de ter mais e, paradoxalmente, alimenta-se uma cultura do descartável. Descartam-se os jovens quando se limita a natalidade. Descartam-se também os idosos porque deixaram de servir, não produzem, são uma classe passiva... E descartando os jovens e os idosos, descarta-se o futuro de um povo porque os jovens impulsionam fortemente para a frente e porque os idosos nos dão a sabedoria, têm a memória desse povo e devem transmiti-la aos jovens.
E agora também está na moda descartar os jovens com o desemprego. Preocupa-me muito o índice de desemprego dos jovens, que em alguns países ultrapassa os 50 por cento. Alguém me disse que 75 milhões de jovens europeus com menos de 25 anos estão sem trabalho. É uma barbárie. Nós descartamos toda uma geração para manter um sistema económico que já não se aguenta, um sistema que para sobreviver deve fazer a guerra, como sempre fizeram os grandes impérios. Mas como não se pode fazer a terceira guerra mundial, fazem-se guerras regionais. O que é que significa isto? Significa que se fabricam e vendem armas, e assim as contas das economias idólatras, as grandes economias mundiais que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente que se recuperam.
Este pensamento único tira-nos a riqueza da diversidade de pensamento e, portanto, de um diálogo entre as pessoas. A globalização bem entendida é uma riqueza. Uma globalização mal entendida é aquela que anula as diferenças. É como uma esfera, com todos os pontos equidistantes do centro. Uma globalização que enriquece é como um poliedro, todos unidos para cada um conserva a sua particularidade, a sua riqueza, a sua identidade. E isto não acontece.»

Divisões entre Catalunha e Espanha
«Todas as divisões me preocupam. Há a independência por emancipação e há a independência por secessão. As independências por emancipação, por exemplo, são as americanas, que se emanciparam dos estados europeus.
As independências dos povos por secessão são um desmembramento por vezes muito óbvio. Pensemos na antiga Jugoslávia. Obviamente, há povos com culturas tão díspares que nem com cola se podem unir. O caso jugoslavo é muito claro, mas eu pergunto-me se é assim tão claro para outros casos, para outros povos que até agora têm estado unidos. É preciso estudar caso a caso. A Escócia, a Padânia, a Catalunha. Haverá casos em que serão justas, outras em que não serão. Mas é preciso que a secessão de uma nação sem que tenha havido um antecedente de união forçada seja considerada com pinças e analisada caso a caso.»

A oração pela paz no último domingo
«Sabe que não foi fácil, porque estava a par disso e a si se deve grande parte do êxito. Sentia que era algo que nos escapava a todos. Aqui, no Vaticano, 99 por cento das pessoas dizia que não se iria concretizar, e depois aquele 1 por centro foi crescendo. Sentia que estávamos a ser impelidos para uma coisa que não nos tinha ocorrido e que, aos poucos, foi tomando corpo. Não era, de todo, um ato político - e isso eu percebi-o desde logo -, mas um ato religioso: abrir uma janela ao mundo.»

Viagem à Terra Santa
«Decidi ir porque o presidente Peres [de Israel] me convidou. Eu sabia que o seu mandato terminava esta primavera, e assim vi-me, de alguma forma, obrigado a ir antes. O seu convite precipitou a viagem, não tinha pensado fazê-la.»

Judeus e cristãos
«Não se pode viver o seu cristianismo, não se pode ser um verdadeiro cristão se não se reconhece a sua raiz judaica. Não falo de judaísmo no sentido semita de raça, mas em sentido religioso. Creio que o diálogo inter-religioso deve aprofundar isto, as raízes judaicas do cristianismo e o florescer cristão do judaísmo. Percebo que é um desafio, uma batata quente, mas pode fazer-se como irmãos. Eu rezo todos os dias o Ofício Divino [Liturgia das Horas] com os salmos de David. A minha oração é judaica, e depois tenho a Eucaristia, que é cristã.»

Antissemitismo

«Não saberei explicar porque acontece, mas creio que está muito unido, em geral, e sem que haja uma regra fixa, à direita. O antissemitismo aninha-se solidamente melhor nas correntes políticas de direita do que de esquerda, não é? E ainda continua. Inclusive, temos quem negue o Holocausto, uma loucura.»

Arquivos do Vaticano e Pio XII
«[A abertura dos arquivos] trará muita luz. Sobre este assunto o que me preocupa é a figura do papa Pio XII, o papa que liderou a Igreja durante a Segunda Guerra Mundial. Há que recordar que antes ele era visto como o grande defensor dos judeus. Escondeu muitos nos conventos de Roma e de outras cidades italianas, e também na residência de verão de Castel Gandolfo. Aí, no quarto do papa, na sua própria cama, nasceram 42 bebés, filhos de judeus e de outros perseguidos lá refugiados.
Não quero dizer que Pio XII não tenha cometido erros - também eu cometo muitos -, mas o seu papel deve ser lido no contexto daquele tempo. Teria sido melhor, por exemplo, que não falasse, para que não fossem mortos mais judeus, ou que o fizesse?
Quero também dizer que por vezes fico com alguma urticária existencial quando vejo que todos atacam a Igreja e Pio XII, esquecendo-se as grandes potências. Sabe que conheciam perfeitamente a rede ferroviária dos nazis para transportar os judeus aos campos de concentração? Tinham as fotografias. Mas não bombardearam estas linhas ferroviárias. Porquê? Seria bom falar de tudo um pouco.»

Pároco ou chefe da Igreja?
«A dimensão do pároco é a que mais mostra a minha vocação. Servir as pessoas sai-me de dentro. Apago as luzes para não gastar demasiado dinheiro, por exemplo. São coisas de pároco. Mas sinto-me também papa. Ajuda-me a fazer as coisas com seriedade. Os meus colaboradores são muito sérios e profissionais. Tenho as ajudas necessárias para cumprir o meu dever. Não se deve jogar ao papa pároco; seria imaturo. Quando chega um chefe de Estado, tenho de recebê-lo com a dignidade e o protocolo que merece. É verdade que tenho os meus problemas com o protocolo, mas é preciso respeitá-lo.»

Mudanças e projetos
«Não sou nenhum iluminado. Não tenho nenhum projeto pessoal, simplemente porque nunca pensei que ficaria aqui, no Vaticano. Todos o sabem. Cheguei com uma pequena mala para voltar logo para Buenos Aires. O que estou a fazer é cumprir o que os cardeais refletiram nas congregações gerais, isto é, nas reuniões que antes do conclave tínhamos todos os dias para discutir os problemas da Igreja. De lá saem reflexões e recomendações.
Uma muito concreta foi de que o futuro papa deveria poder contar com um conselho externo, ou seja, um grupo de conselheiros que não vivesse no Vaticano. O conselho dos oito cardeais é composto por membros de todos os continentes e tem um coordenador. Reúne-se aqui a cada três meses. Agora, a 1 de julho, teremos quatro dias de reuniões, e vamos fazendo as mudanças que os próprios cardeais nos pediram. Não é obrigatório que o façamos, mas seria pouco prudente não escutar aqueles que conhecem as situações.»

A relação com os ortodoxos
«A ida a Jerusalém do meu irmão Bartolomeu I foi para comemorar o encontro de há 50 anos entre Paulo VI e Atenágoras. Foi um encontro após mil anos de separação. A partir do Concílio Vaticano II a Igreja católica fez esforços para se aproximar, e o mesmo da parte da Igreja ortodoxa. Com algumas Igrejas ortodoxas há mais proximidade do que com outras. Desejei que Bartolomeu estivesse comigo em Jerusalém, e lá nasceu o projeto para que estivesse presente também na oração no Vaticano. Para ele foi um passo arriscado, porque lho podiam atirar à cara, mas havia que abraçar este gesto de humildade, e para nós é necessário porque é inconcebível que estejamos divididos como cristãos, é um pecado histórico que temos de reparar.»

Fé, ciência, ateísmo
«Houve um aumento no ateísmo no período mais existencial, talvez por influência de Sartre. Mas depois deu-se um passo à frente, em direção à procura espiritual, o encontro com Deus de mil maneiras diferentes, e não necessariamente ligadas às formas religiosas tradicionais.
O confronto entre ciência e fé atingiu o auge no Iluminismo, mas hoje não está tão na moda, graças a Deus, porque todos nos demos conta da proximidade que existe entre uma coisa e outra. O papa Bento XVI tem um bom magistério sobre a relação entre ciência e fé. Em geral, a maior parte dos cientistas são muitos respeitosos da fé e o cientista agnóstico ou ateu diz: "Não ouso entrar nesse campo".»

Os chefes de estado e a política
«Vêm muitos chefes de estado e é interessante a variedade. Cada um tem a sua personalidade. Chamou a minha atenção um elemento transversal entre os políticos jovens, sejam do centro, de esquerda ou de direita. Talvez falem dos mesmos problemas, mas com uma nova música, e agrada-me, dá-me esperança porque a política é uma das mais altas formas de amor, de caridade. Porquê? Porque conduz ao bem comum, e uma pessoa que, podendo fazê-lo, não entra na política para servir o bem comum, é egoísmo. Quem usa a política para o bem próprio, é corrupção. Há cerca de 15 anos os bispos franceses escrevera, uma carta pastoral, uma reflexão com o título "Réhabiliter la polique" ("Reabilitar a política"). É um belo texto, faz compreender todas estas coisas.»

Renúncia de Bento XVI
«O papa Bento realizou um gesto muito grande. Abriu uma porta, criou uma instituição, a dos eventuais papas eméritos. Há 70 anos não havia bispos eméritos. Hoje, quantos há? Bom, como vivemos mais tempo, chegamos a uma idade em que não podemos andar para a frente com as coisas. Eu farei o mesmo que ele, pedirei ao Senhor que me ilumine quando chegar o momento e me diga o que devo fazer. Ele certamente mo dirá.»

Retiro para repouso
[Tem um espaço reservado numa casa de retiros em Buenos Aires (diz jornalista)]. Eu teria deixado o arcebispado no fim do ano passado e havia já apresentado a renúncia ao papa Bento XVI quando atingi os 75 anos. Escolhi um quarto e disse: quero vir viver aqui. Trabalharei como padre, ajudando nas paróquias. Esse ia ser o meu futuro antes de ser papa.»

Campeonato mundial de futebol
«Os brasileiros pediram-me neutralidade (ri-se) e cumpro a minha palavra porque Brasil e Argentina foram sempre antagonistas.»

Como gostaria de ser recordado
«Não pensei nisso, mas agrada-me quando alguém recorda outra pessoa e diz: "Era um bom homem, fez o que podia, não foi assim tão mau". Com isso me conformo.»
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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Alexandre Soares dos Santos recebe Prémio Fé e Liberdade

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O Instituto de Estudos Políticos (IEP), da Universidade Católica Portuguesa, vai atribuir o Prémio Fé e Liberdade a Alexandre Soares dos Santos, anterior presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins.
A distinção vai ser entregue a 24 de junho, durante o Fórum Político do Estoril, que reúne dezenas de oradores nacionais e estrangeiros sob o tema "Reavaliando a 3.ª vaga de democratização", por ocasião dos 40 anos do 25 de abril (1974) e os 25 anos da queda do Muro de Berlim (1989).
A sessão, que à semelhança das conferências decorre no Hotel Palácio Estoril, terá como anfitrião o padre José Tolentino Mendonça, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
O moderador será Alejandro Chafuen, presidente da Atlas Economic Research Foundation (Washington, EUA) e membro da direção do Acton Institute for the Study of Religion and Liberty (Grand Rapids, EUA).
Elísio Alexandre Soares dos Santos (1934), que já foi considerado a pessoa mais rica em Portugal,  vai ser apresentado por Manuel Braga da Cruz, anterior reitor da Universidade Católica.
Quando anunciou, em setembro de 2013, que a partir de novembro desse ano ia deixar o cargo no grupo, Alexandre Soares dos Santos revelou que pretendia dedicar-se à presidência do conselho de administração da sociedade Francisco Manuel dos Santos e da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
O programa do encontro prevê a presença de personalidades anteriormente distinguidas com o prémio: Mons. João Evangelista, fundador da Associação Cristã de Empresários e Gestores (Acege), Maria Barroso, da Fundação Pro Dignitate, e Mário Pinto, do IEP.
João Salgueiro, Guilherme d'Oliveira Martins, Jaime Gama, Francisco Pinto Balsemão, Francisco Assis, Paulo Rangel, Henrique Monteiro, Henrique Raposo, José Manuel Fernandes, Miguel Monjardino e Fernando Ulrich são alguns dos intervenientes anunciados para o Fórum Político do Estoril, que decorre entre 23 e 25 de junho.
Fonte: aqui

Prémio Fé e Liberdade para Soares dos Santos gera indignação
Frei Bento Domingues, o catedrático José Mattoso e o musicólogo Rui Vieira Nery são algumas das mais de 30 pessoas que manifestaram "indignação" pela atribuição do prémio "Fé e Liberdade" a Alexandre Soares dos Santos, ex-presidente do grupo Jerónimo Martins.
Em documento enviado à reitoria da Universidade Católica Portuguesa (UCP), os subscritores referem que foi com "grande perplexidade, tristeza e indignação" que tiveram conhecimento de que o Instituto de Estudos Políticos da UCP deliberou atribuir o prémio "Fé e Liberdade" a Elíseo Alexandre Soares dos Santos, designado "um dos homens mais ricos de Portugal".
Enfatizam que esta denúncia não é movida por "qualquer ressentimento contra a pessoa" em causa, mas pelo "dever" de, em consciência, tornar audível a voz dos cristãos que não querem - não podem - silenciar" a sua indignação.
"Um prémio tem um valor simbólico e testemunhal, pelo que, nas presentes circunstâncias, ocorre perguntar: O que é que se pretende enaltecer? Que valores merecem apreço explícito por parte da UCP? Quais os conceitos de fé e de liberdade que estão implícitos nesta atribuição?", questionam os subscritores, entre os quais constam os jornalistas Jorge Wemans e António Marujo e a professora universitária Isabel Allegro de Magalhães.
A carta de protesto lança ainda uma série de dúvidas sobre o que se pretende distinguir na personalidade de Alexandre Soares dos Santos.
Uma colossal fortuna pessoal? Uma forma de enriquecimento baseada nos ganhos do capital e sua acumulação? Práticas de exploração do trabalho humano (baixos salários, horários excessivos, precariedade nas relações laborais)? Expedientes fiscais para fugir aos impostos?.Um modelo de economia que permite o desemprego massivo, a grande concentração do património individual e correspondente poder político, com risco para a democracia e para a coesão social?, lê-se no documento a que a agência Lusa teve acesso.
Notando que a decisão vai também contra aquilo que tem sido o ensinamento e os apelos mais recentes do papa Francisco, os subscritores gostariam de ver a UCP empenhada na denúncia de "uma economia que mata", em especial pelo que produz "de grande pobreza, desemprego maçiço, excessivas e crescentes desigualdades, riscos ecológicos sérios", naquilo que é uma das maiores ameaças à liberdade e à democracia.
A Lusa tentou obter um comentário junto da reitoria da UCP, mas até ao momento não foi possível obter um esclarecimento por parte da reitora Maria da Glória Garcia.
O Instituto de Estudos Políticos (IEP), da UCP, atribuiu o Prémio Fé e Liberdade a Alexandre Soares dos Santos, devendo a distinção ser entregue a 24 de junho, durante o Fórum Político do Estoril, que reúne dezenas de oradores nacionais e estrangeiros.
Fonte: aqui

Alexandre Soares dos Santos: "Sou católico, crente, praticante"
Veja aqui

Novena e Festa de Santa Helena


quarta-feira, 11 de junho de 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, dia do Anjo de Portugal

SOBRE NÓS           
1. O 10 de Junho não é só um feriado para nós. É também um feriado sobre nós, sobre Portugal.
 
Tirando as cerimónias e discursos oficiais, além de mais um estendal de condecorações, que vestígios há de uma paragem para reflectir?
 
No limite, cada um vai meditando sobre si e sobre os seus. Os problemas de cada um já são suficientemente aflitivos. Pouco — ou nenhum — espaço sobra, assim, para a comunidade.
 
 2. Somos um país pequeno, mas que, mesmo assim, não cabe em si.
 
Conseguimos dar novos mundos ao mundo e, apesar disso, não resolvemos os problemas que asfixiam o nosso viver colectivo.
 
Temos passado, mas parece que não temos memória. Guardamos a história, mas não aparentamos ter muita vontade de continuar a fazer história.
 
A síntese angustiada de Pessoa mantém-se pertinente: «Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez. Falta cumprir-se Portugal».
 
Hoje, voltam a dizer-nos que somos um país adiado, mas, nesse caso, já o somos há muitos séculos.
 
 3. Não somos perfeitos. Às vezes, até nos mostramos contrafeitos.
 
Temos defeitos. Eis o nosso drama, eis também a nossa sorte. Se não fossem os nossos defeitos, o que nos motivaria? Se tudo já estivesse feito (e bem feito), que futuro nos restaria?
 
Houve algum momento em que Portugal não esteve em crise? Em que altura não se disse que vinham aí tempos difíceis?
 
A tudo temos sobrevivido. Temos sobrevivido à realidade, cruel. E temos sobrevivido aos diagnósticos, nada estimulantes.
 
Somos, enfim e como afirmava o Padre Manuel Antunes, uma excepção.
 
Constituímos um paradoxo vivo. Somos «um povo místico mas pouco metafísico; povo lírico mas pouco gregário; povo activo mas pouco organizado; povo empírico mas pouco pragmático; povo de surpresas mas que suporta mal as continuidades, principalmente quando duras; povo tradicional mas extraordinariamente poroso às influências alheias».
 
 4. Seja como for, continuamos a sentir Portugal, a fazer Portugal e, não raramente, a chorar Portugal.
 
Tantas vezes, são essas lágrimas que nos identificam e pacificam. Aquilo que soa a desespero acaba por saber a esperança.
 
Apesar das tardes sofridas, acreditamos sempre que uma manhã radiosa voltará a sorrir.
 
É por isso que nunca desistimos de nós. É por isso que, não obstante as nuvens, há sempre um Portugal a brilhar em milhões de corações espalhados pelo mundo!

A CAMINHO DO DESERTO?           
Deserto.
É nesta palavra que muitos pensam quando pensam em Portugal.
Uma parte do país já não tem pessoas. Outra parte do país tem cada vez menos pessoas.
O interior, nos últimos tempos, perdeu 200 mil pessoas e 7 mil serviços públicos.
Estamos a fazer o contrário de d. Sancho. Estamos a despovoar, a desertificar.
Não precisamos de ir para longe para ver o deserto. O deserto está cada vez mais perto!
Fonte: aqui

Trabalhar, sonhar e projetar Santa Helena

Veja aqui

domingo, 8 de junho de 2014

sábado, 7 de junho de 2014

A propósito do perfil de líder


Já algumas vezes me tentei a refletir sobre o tema referenciado em epígrafe, face à forma como os colégios eleitorais, de grande ou pequena extensão, catapultam para a liderança das organizações algumas figurinhas que nem Deus gostaria de ter no paraíso nem Lúcifer toleraria nas profundezas. 

Porém, sucede o governante-mor, exercendo uma liderança política de forma desviante, nos quer entreter a desferir doestos contra o tribunal constitucional, designadamente a exigir maior escrutínio a um órgão de soberania, pelos vistos não eleito, sobre opções tão importantes como as orçamentais, dizendo mesmo que a sua escolha deveria ser melhorada e exigindo ineditamente uma aclaração (que foi excluída recentemente do código do processo civil) sobre alguns pontos do último acórdão. Pensava que a eleição de 10 dos juízes por maioria de dois terços dos deputados e subsequente cooptação de mais 3 pelos eleitos era democraticamente mais segura que a metodologia de escolha dos membros do governo.

Sem me pronunciar, de momento, sobre a necessidade ou conveniência de uma episódica revisão constitucional, entendo que as metodologias consagradas na lei fundamental não devem ser postas em causa só porque as decisões de um órgão de soberania, sobretudo o que tem a missão de ajuizar da constitucionalidade das leis, não agradam ao governo. Que diria o primeiro-ministro se o cidadão comum ou os académicos, maxime os constitucionalistas se lembrassem de exigir uma diferente metodologia constitucional de composição e nomeação do governo ou de eleição do parlamento, quando nos sentimos excessivamente ludibriados, prejudicados e vilipendiados pela governança? Como reagiria se lhe exigíssemos uma aclaração das medidas decididas e implementadas?

A pari, termos de inferir, pelos factos, que a liderança do Partido Socialista não está a seguir uma rota mais aceitável, embora a contrario. É certo que o PS ganhou claramente, em pouco tempo, duas eleições, autárquicas e europeias. No entanto, as autárquicas não deram uma maioria confortável aos socialistas, apesar do sofrimento provocado pela governança, se tivermos em conta o crescendo do fenómeno dos independentes (genuínos ou resultantes de dissidências) e a feição específica do poder local, bastante centrado no perfil pessoal dos candidatos. Por outro lado, nas eleições europeias, a maioria governamental apanhou a derrota estrondosa, a que se equipara, pouco mais ou menos, uma tímida vitória relativa tangencial do PS. Será meramente conjetural o que se possa dizer sobre e eventual deslocação de votos: abstenção, MPT, CDU, votos nulos e brancos?

Perante o epifenómeno, António Costa desafia a liderança socialista e postula eleições diretas, em que ele se apresentará como candidato, e, consequentemente, congresso extraordinário onde o líder eleito apresentará a sua moção estratégica e a escolha de personalidades para os diversos órgãos estatutários do partido. A isto, António Seguro e o aparelho, na sua insegura liderança, respondem das piores formas: abespinhamento pela “afronta”, depois de o partido ter capitalizado duas vitórias eleitorais sucessivas; resposta negativa aos desafios de Costa; entrincheiramento do “líder” no seu reduto aparelhístico; lançamento, não previsto estatutariamente, de eleições primárias para o cargo de primeiro-ministro (eleições que nem não constam do ordenamento constitucional nem podem confundir-se com as primárias americanas e francesas para presidente, não para primeiro-ministro), quiçá a privilegiar o estatuto dos simpatizantes, sem pôr à disposição do cargo de secretário-geral; declaração de renúncia ao cargo atual, no caso de perda das primárias; e, agora com as declarações de Passos Coelho, solicitação da intervenção de Cavaco Silva, por estar em causa o regular funcionamento das instituições democráticas. Quererá o líder, pressionado pelo desequilíbrio clientelar partidário, que a coligação PSD/CDS ganhe eleições legislativas antecipadas ao seu partido fragilizado por um não descolamento de que o líder e o aparelho são os principais responsáveis, agravado pela teimosia das estruturas em não ler os sinais do susodito epifenómeno? Um político amigo do partido e do povo não deveria aceitar, facilitar e até promover a clarificação no interior do partido, incluindo a liderança? Quererá antes, como Pôncio Pilatos, persistir na atitude de não atar nem desatar, e deixando que a coligação que nos sugou até ao tutano ganhe tempo para, com a invasão propagandística do eleitorado, abocanhar nova legislatura?

***

E aqui importa esclarecer o perfil e o papel do líder, não propriamente do líder empresarial ou de uma ONG, mas da ação política, partidária e potencialmente governativa. A empresa tens fins empresariais, nomeadamente o lucro, que desejavelmente deveria circunscrever-se ao domínio do “lucro justo” e não o do lucro desenfreado. A ONG tem habitualmente o contributo da dedicação voluntária e o da afeição solidária, que, ultrapassando as meras relações hierárquicas e/ou laborais, lhe emprestam um capital de humanidade não facilmente inventariável na empresa ou na política.

José Gil, no seu artigo de índole ensaística publicado na revista Visão, desta semana, dissertando sobre “o que é um líder?”, deixa alguns avisos sobre o perfil de Seguro, de quem diz que “é mais um seguidor, boa pessoa, comum, sempre politicamente correto”. E acrescenta que “terá muitas qualidades políticas, mas não as de um líder”. Por mim, entendo que o enunciado deveria ser formulado de outro modo: Seguro poderá ter grande conhecimento de ciência política, sobretudo no aspeto teorético, e até muita capacidade de trabalho político, mas não tem capacidade de liderança, nem mesmo qualidades políticas, pois estas são essencialmente de condução/liderança.

No entanto, o artigo do filósofo reveste-se de pertinência e oportunidade. Sem pôr de parte a parametragem da liderança baseada nos estudos, mormente americanos – de que resultam elencos de características baseadas na personalidade, “com traços essencialmente psicológicos” como extroversão, empatia, firmeza de vontade, além de outros – opina que deve pôr-se o acento naquilo “que faz do líder um dispositivo muito particular de forças”. E justifica a sua asserção ao afirmar que o que torna um indivíduo em líder político “é um certo jogo de forças que se estabelece entre ele e os que o ouvem e seguem na ação”, que passa pelo “poder oratório” e pela “capacidade em atrair”.

Reclama o articulista para a liderança “uma presença intensiva”, entendida como força “tão poderosa e plástica” que funcione como “um foco atrator, transdutor e emissor de energias”, de modo que se forme “um plano único de forças convergentes para um fim”, não pela via da “obediência e submissão”, mas pela via – digamos – da auscultação, avaliação das situações e diálogo com vista à tomada de decisões concertadas e ações consequentes. Assim, na asserção de Gil, o líder “é a voz do povo que com ele se sente identificado”, o que pressupõe “um dom poderoso de comunicação e contágio”, que “provoca adesões cada vez mais alargadas”. Por outro lado, o filósofo alude a outra caraterística, pouco evocada: “o líder é um ser habitado” […] “Desaparece como pessoa para ganhar uma identidade superior que oferece certeza, segurança e confiança. Está sempre acima se si”.

E José Gil não encontra estas qualidades em Seguro; e tem razão. Por melhores que sejam as pessoas, elas têm de ser avaliadas como as árvores – pelos frutos, pelos resultados. E os frutos-resultados não são apetecíveis, convincentes na atual liderança socialista.

***

Se é verdade o que foi referido a propósito da liderança do ainda maior partido da oposição, também não temos terreno que leve acreditar na bondade de uma reentrega do poder aos seus atuais detentores do poder executivo. E não é preciso afastarmo-nos das caraterísticas apontadas acima.

Para fazer vingar as sucessivas medidas políticas que induziram o empobrecimento generalizado do país, o conflito intergeracional, o enfraquecimento da classe média, a depauperação da administração pública, o descarte de trabalhadores, etc., os líderes da governação usaram os recursos de persuasão adequados aos fins, mas sem atenção aos meios. Escudando-se no documento de ajustamento negociado com as instâncias internacionais, fizeram, ao arrepio do concertado pré-eleitoralmente, a campanha da inevitabilidade, da honra dos compromissos assumidos (Coitadinhos de nós, devedores, face aos nossos generosos credores!) e responsabilizaram os portugueses pela dívida externa que o desgoverno da República, a delapidação e o descalabro empresarial (leia-se bancário, financeiro…) provocaram. E valeu tudo: cortes cegos, aposentações forçadas, rescisões amigáveis claramente induzidas, impostos brutalmente aumentados, contribuições agravadas, a par de taxas e tarifas incomportáveis – tudo a coberto de uma propalada reforma do Estado, que não se fez.

Estes líderes fizeram-se pessoas bem vulgares, pela promessa do que sabiam não poder cumprir, pela mentira, pela inabilidade de inventar ou reinventar medidas políticas adequadas, pela incapacidade de negociar em nome de Portugal com as instâncias internacionais, acentuando a componente mutualista da dívida soberana, pela inépcia comunicativa, pela mentira, pelo desrespeito aos órgãos de soberania, pela arrogância, pela impunidade da fraude, pelo compadrio sempre negado… Estes líderes não atraíram, a não ser pela força, pela mentira, pela inculcação da divisão, pela invocação do estado de necessidade. Estes líderes foram impiedosamente apupados em público e até acharam graça; não souberam estar “acima de si”; não estiveram “habitados”; nunca deixaram de ser o Pedro, o Paulo o Miguel, a Maria; nunca souberam ser a voz do povo. Nem sei se os quereria para liderarem empresa minha!

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Porque o líder tem de ser: pessoa curiosa, ouvindo pessoas que estejam fora do círculo do “sim, senhor primeiro-ministro”, para não se tornar arrogante ou enrocado no seu castelo de marfim; pessoa criativa, sonhando e fazendo (e levando a fazer) o que ninguém imaginaria, administrando as mudanças que lhe surjam como desafio e aquelas que ele, no seu papel visionário, entender dever provocar; pessoa comunicativa, sabendo expor as suas ideias (inéditas ou concertadas com as dos cooperadores) e atrair os outros, cada vez em maior número e qualidade, para as suas causas; pessoa de caráter, sabendo discernir entre o certo e o errado e tendo a coragem de sempre seguir e fazer o que é certo, sem alguma vez faltar à verdade e sem abusar do poder; pessoa corajosa, assumindo a coragem, e não a presunção, de se sentar à mesa para falar e negociar; pessoa convicta, sentindo a sinceridade e a paixão por aquilo que lhe é dado fazer, levando por diante sem desfalecer as iniciativas que houve por bem tomar; pessoa carismática, sendo inspirador de confiança segura, provocando as pessoas a segui-lo inabalavelmente e fazendo render ao serviço da comunidade os seus talentos; pessoa competente, tendo a noção clara do que está empreendendo, da sua validade e interesse para a comunidade e para os fins para que tende, e cercando-se de colaboradores que saibam sempre o que estão a fazer, que não sejam capazes de o trair ou enganar pela adulação; pessoa de senso comum, longe de qualquer egoísmo ou egocentrismo, mas com atenção à comunidade, universo da sua liderança; e, sobretudo, pessoa que saiba enditar-se com as crises.

É que, segundo Luís Piovenaza, os líderes não nascem líderes, fazem-se: a liderança é lapidada em tempos de crise. Onde estão esses líderes, que, em vez de se deixarem arrastar por ela, saltem por cima da crise!

2014.06.05
Louro de Carvalho