sábado, 31 de maio de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A CORAGEM E A VONTADE

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Dia Mundial das Comunicações Sociais

Dia 1 de Junho. A Igreja celebra mais um Dia Mundial das Comunicações Sociais e foi publicada pelo Papa Francisco, como é habitual, uma mensagem para este Dia. Nela o Papa traça um retrato da nossa época: cada vez estamos mais interligados, mas grande parte das vezes muito distantes uns dos outros. E coloca o dedo em várias feridas deste tempo: a banalização dos enormes contrastes entre ricos e pobres; a velocidade da informação que supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento; o desejo de conexão digital que tantas vezes acaba por nos isolar de quem está mais perto de nós; a exclusão de todos os que não têm acesso aos meios de comunicação social.
Na nossa época está a desenvolver-se uma nova cultura, favorecida pela tecnologia, e a comunicação é em certo modo ‘amplificada’ e ‘contínua’. Uma tal comunicação requer honestidade, respeito recíproco e compromisso para aprender uns com os outros, exige a capacidade de saber dialogar respeitosamente com as verdades dos outros.
Por isso o Papa convida cada católico a testemunhar "os valores nos quais acredita, a sua identidade cristã, a sua experiência cultural, expressa com uma nova linguagem, para se chegar à partilha".
Num outro passo da sua mensagem, o Papa Francisco reforça a dimensão do verdadeiro diálogo, mostrando mais uma vez a firmeza do seu pensamento: "Dialogar não significa renunciar as próprias ideias e tradições, mas à  pretensão de que sejam únicas e absolutas."
Em relação à  presença cristã no mundo da comunicação, o Papa Francisco torna claro que é mais importante o testemunho pessoal do que o bombardeio de mensagens piedosas. E cita Bento XVI, sobre a forma como deve ser feito o testemunho cristão. Diz o Papa que deve ser através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência.
Fonte: aqui


quinta-feira, 29 de maio de 2014

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O primeiro obstáculo sou eu!


A afirmação epigráfica é do Papa Francisco na ronda de questões lançadas pelos jornalistas aquando do regresso da Terra Santa. Ela encimou a resposta a uma pergunta em concreto sobre os obstáculos à reforma da Cúria Romana. Mesmo assim, ela dá-me azo a uma reflexão mais alargada, embora sem me afastar muito da temática daquele encontro com os jornalistas.

É óbvio que o Papa argentino, quando esclarece os jornalistas sobre o panorama político e social que contextualiza as eleições europeias, como aliás as grandes movimentações no mundo, tem como subjacente que o maior obstáculo às reformas é sempre o homem que se deixe dominar pelo “eu” eivado do egocentrismo, do egoísmo exacerbado, do egotismo.

Com a simplicidade já proverbial de Francisco, temos a resposta a uma pergunta sobre o crescimento do populismo manifestado nas recentes eleições europeias, estribada no facto de nos últimos dias ter tido tempo para rezar um pouco o Pai Nosso, mas não haver disposto de notícias. Mais: confessa que, ao ouvir falar de confiança ou desconfiança na e da Europa ou mesmo da saída do Euro, disto não entende nada. No entanto, não deixa de sublinhar aquilo que deve preocupar todas as pessoas, porque é extremamente grave – o desemprego, a palavra-chave do momento. E a sua grande causa explicita-se de forma muito simples: estamos num sistema económico múltiplo que se centra exclusivamente no dinheiro, quando o centro do verdadeiro sistema económico deve ser a pessoa humana – o homem e a mulher.

Ora, o grande obstáculo à centração do sistema económico no homem é o outro homem, aquele que pensa e diz coisa parecida com isto: o mundo sou eu, o Estado sou eu. Ah, pois, o grande obstáculo sou eu! Não haja a menor dúvida de que o enunciado hobbesiano do homem como lobo do homem tem plena atualidade no hoje do mundo. E os sinais não abrem para otimismos.

E o homem, enquanto obstáculo à humanização das estruturas e dos sistemas, à verdadeira reforma, para manter o status quo sistémico do “lucro pelo lucro”, ao mesmo tempo que faz o discurso da fala mansa da solidariedade e da repartição equânime dos sacrifícios, empreende várias medidas de descarte, que o Papa especifica: o descarte das crianças, como o indicam as taxas de natalidade na Europa; e o descarte dos idosos. E chega ao ponto de afirmar que, quando necessitam deles, remobilizam-nos para o trabalho, mesmo que estejam jubilados/reformados. Porém, na ancianidade, descartam-nos, recorrendo a situações de eutanásia, oculta em muitos países. E, ainda para mais, negoceia-se escandalosamente com lares de idosos, saúde e funeral.

Mas o descarte estende-se aos jovens, o que o Papa considera “gravíssimo”. E de cor lança dados sobre a desocupação juvenil: 40%, em Itália; 50%, em Espanha (mas, na Andaluzia e Sul de Espanha, 60%). E refere que este sistema económico desumano produz a geração jovem de nem-nem, isto é, de jovens que nem estudam nem trabalham. E assim se descarta toda uma geração.

Este é um quadro traçado por um Pontífice que diz não estar suficientemente informado, que mal teve tempo de rezar o Pai Nosso nos últimos dias e que não entende nada de confiança e desconfiança na e da Europa ou de vantagens e desvantagens da saída do Euro. Que diria se tivesse tempo, papéis e o conhecimento que talvez desejasse.

Mas a afirmação referenciada em epígrafe aplica-se a mais outros campos.

É o “eu” do homem pecador que impede a reforma diária da Igreja (como diziam os antigos Padres da Igreja, Ecclesia semprer reformanda est – a Igreja deve reformar-se sempre) e a sua purificação pertinente. E, como apostava Frei Bartolomeu dos Mártires, também os cardeais! Ficou célebre a sua sentença: eminemtissimi cardinales indigent eminentissima reformatione.

Por isso, em termos de reforma na postura, ao mesmo tempo que se faz uma opção de Igreja preferencial pelos pobres e se preconiza uma Igreja pobre e serva, surgem as contradições com a mensagem, destacando-se as que vieram para as pantalhas da comunicação social: a alegada festa opípara no dia das canonizações de João XXIII e João Paulo II e as questões económicas protagonizadas pelo cardeal Bertone, atualmente sob estudo. O Papa refere a advertência do Mestre sobre a inevitabilidade da existência dos escândalos. Todavia, evoca o trabalho levado a cabo na reformulação da missão e estratégia do IOR, acentuando que foram encerradas quase dois milhares de contas tituladas por pessoas e entidades que não tinham direito a elas, bem como o esforço de reordenamento das finanças vaticanas através da criação e entrada em funcionamento da Secretaria de Economia, que levará por diante as reformas aconselhadas pelas comissões de estudo das finanças. Mesmo assim, Francisco alerta para a necessidade de atenção à continuidade das reformas e à nossa condição de pecadores e de pessoas débeis.

Sobre a necessidade de purificação da Igreja, a dificuldade é a mesma – a condição de pecadores e de débeis dos homens da Igreja. Todavia, o fenómeno gravíssimo do abuso sexual de menores constitui por parte de clérigos, segundo o Papa, uma traição, que ele carateriza:

Atraiçoa o corpo do Senhor porque estes sacerdotes que devem conduzir este menino, esta menina, este rapaz, esta rapariga à santidade, e este menino e esta menina confiam. E estes sacerdotes, em vez de os encaminharem à santidade, abusam. E isto é gravíssimo. É como… Far-vos-ei uma comparação: é como uma missa negra, por exemplo: tu tens que levá-lo (ao menino) à santidade e leva-lo a um problema que vai durar toda a vida.

Assegura o Papa que, nestas coisas, não há “filhos de papá”. Todos têm de ser punidos – abusadores e encobridores – há, pois, vários casos sob investigação e deve prestar-se toda a colaboração às autoridades civis. Não deixa de sublinhar que se trata de um crime hediondo existente em muitos lugares, mas que lhe interessa sobremodo o que se passa em Igreja.

É também o homem manipulado pelo seu egotismo, pelos interesses, que se tem tornado o grande obstáculo à paz, à paz duradoura e também em Jerusalém. A isto, Francisco diz:

A Igreja Católica já estabeleceu a sua posição do ponto de vista religioso: a cidade da paz, das três religiões. Porém, as medidas concretas de paz devem resultar de negociação […] Creio que se deve negociar com honestidade, fraternidade e muita confiança. Necessita-se de valentia para isto e eu rezo muito para que estes dirigentes tenham a valentia de percorrer o caminho da paz.

Provavelmente será o ego histórico de homens que prefere a observância das regras burocráticas e rubricistas ou a multiplicação das comunidades sem a celebração eucarística a atender ao essencial e a, por exemplo, colocar com franqueza as cartas na mesa da discussão sobre a obrigatoriedade do celibato eclesiástico como condição de ingresso no sacerdócio na Igreja Latina. Se, como todos referem, se trata de questão disciplinar (e não dogmática), estude-se a sério e passem-se das palavras aos atos, evidentemente sem deixar de salientar as vantagens teológicas e espirituais da opção também por sacerdócio celibatário, tal como em Igreja há, tem havido e creio continuar a haver a abundância das pessoas (homens e mulheres) consagradas na observância dos valores evangélicos da pobreza, obediência e castidade

Evidentemente que o obstáculo à reforma contínua da Igreja e do Estado será sempre um ou mais “eus”.

2014.05.27
Louro de Carvalho

terça-feira, 27 de maio de 2014

É verdade


A Pia

Passei hoje pela minha terra natal. Além de visitar meu pai, estive no meu campito, no sítio da Pia,  para ver as arvorezitas. Durante muito tempo, esteve abandonado e as silvas cresceram loucamente até ao ponto de se tornar praticamente impossível penetrar naquele espaço. Sentia-me envergonhado com o ar abandonado do campito e resolvi, com o apoio e a generosa ajuda do compadre Teixeira, tratar do espaço. Destruído o matagal, tratada a terra, foram ali plantadas algumas árvores a quem tem sido dispensada atenção. Só que os velhos hábitos do terreno estão sempre a irromper. As plantas nocivas crescem a um ritmo infernal, enquanto as boas o fazem lenta e titubeantemente .
 Esta oliveira é uma desistente. 
Das que mais crescera, mas ao primeiro obstáculo, desistiu e foi-se. 
Bastou que um vento mais forte a tombasse, para ele deixar de quer viver.
 Este kiwi foi uma decepção. 
Parecia mostrar uma força de viver invencível 
e de um momento para o outro finou-se. 
Quem vê caras não vê corações...
 Este castanheiro  o rei do "poleiro". 
Cresce, cresce! Mas castanhas nem vê-las! 
Cresce-lhe o corpo mas diminui-lhe habilidade.
Muita parra e pouca uva...
 Valente! Esta promete um vagão de azeitonas. 
O melhor será negociar já com o exportador 
antes que me faltem celeiros para recolher tanto fruto!| 
Ahhhh
Está lindo o pequeno castanheiro e promete. 
Aguardo para ver de que qualidade são as suas castanhas. 
Serão longais? Pedrais? Judias? 
 Aleluia! Este meu limoeiro apresenta os primeiros limões da sua vida! Três. 
Vá, amigo, nada de desanimar! 
Espero que percas a vergonha e comeces a produzir como gente grande!
Alho, salsa e loureiro. Ingredientes da tradicional cozinha portuguesa. 
Loureiro já tenho...
 A figueirinha , embora novita, mostra a sua raça e diz ao que vem.
 É assim mesmo. amiga! 
De parasitas está o mundo cheio...
Esta desmiolada não tem vergonha. Só pensa nela! 
Três vezes que foi podada e não apanha juízo. 
Parece que quer levar os figos para o firmamento e deixar os mortais a penar...
Aterra, menina!
Valente, persistente, exemplar!
Foi arrancada e, por esquecimento, deixada abandonada.
Uma mão amiga replantou-a.
E ela agarrou-se à vida com todas as forças.
Esta nascente é de 8 ou de 80. Em pleno Inverno, 
uma bela belga de água. Mal sopram uns pingos de calor, 
vai-se até chegar a desaparecer quando mais era precisa. 
Cheira a falso amigo...
Flores. Um convite à festa, um hino à vida, uma força de esperança. 
Amigas árvores, amai a vida, porque no vosso campo há flores.
Um kiwi que é uma lição. Dos seus companheiros, bastantes secaram. 
Nas mesmas condições e passando os mesmos suplícios da sede, este vive e floresce. 
Dos fracos não reza a História...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pelourinho de Vila Nova de Souto d'El Rei


A antiga povoação de Arneirós é hoje uma aldeia integrada em Vila Nova de Souto d'el Rei, freguesia de Lamego. Chegou a ter a categoria de vila, como Couto dos Bispos de Lamego, criado pelo rei D. Dinis com territórios que até então pertenciam à Coroa, e extinto em 1836. Nunca teve foral, mas a sua equiparação a concelho garantiu-lhe o direito a levantar pelourinho, símbolo da relativa autonomia da jurisdição local.

Para onde é que isto vai?

A derrota do sistema. A vitória de Marinho. A subida dos partidos anti-Europa. O pavor dos extremismos. E o medo de não perceber para onde é que isto vai.
  Ler mais: aqui

domingo, 25 de maio de 2014

Eleições Europeias: só cerca de 34% de votantes


3085 freguesias apuradas num total de 3092
 (Fonte  aqui)

1. Assina-se o baixo número de votantes que coloca Portugal entre os países europeus onde a abstenção foi maior.
2. Somando os brancos e os nulos, temos uma percentagem superior à quarta força política mais votada.
3. Existe um forte desencanto com os políticos que só aparecem na altura das campanhas eleitorais e que prometem uma coisa e depois fazem outra. Nota-se que, cada vez mais, os cidadãos confiam menos nos políticos.
4. A reforma do sistema político está por realizar. Interesses políticos instalados permanecem surdos aos apelos dos cidadãos que, de múltiplas formas, se fazem ouvir. Parece que só não os quer ouvir quem devia fazê-lo.
5. A campanha eleitoral é demasiado maçadora, repetitiva e enfadonha. Como dizem os mais novos, "não há pachorra!"
Ataques e mais ataques. Parece um lavadoiro! Confunde-se tudo e mais parecia uma campanha para as legislativas do que para as europeias. Ora se os portugueses pouco sabem sobre a Europa e os políticos não elucidam, que se quer depois? Indiferença...
6. A derrota do PSD/CDS era espectável, dadas também as medidas impostas pela troika e que o governo destes partidos teve de aplicar.
7. O PS ganhou as eleições, mas quer a vitória quer a diferença para a atual maioria são muito curtas, sinal de que o país ainda não esqueceu a "herança de Sócrates" e a atual direção do partido não dá  grande confiança aos eleitores. Face à austeridade e ao desemprego, era suposta uma vitória folgadíssima.
8. O BE continua a descer nas eleições. Parece esfumar-se cada vez mais a ideia do BE como a voz da contestação. Parece que, em cada ato eleitoral, a gente lusa se afasta do projeto político bloquista.
9. Contestação por contestação, pensarão os eleitores, é preferível o PC, mais organizado, mais enraizado, com uma história de alguma coerência, goste-se ou não do projeto comunista. Além disto, não sendo um partido assumidamente europeísta, recolhe votos de muita gente descontente com a Europa.
10. O Partido da Terra beneficiou imenso com o seu cabeça de lista, Dr Marinho e Pinto, figura mediática em cuja contestação muitos cidadãos se reviram. Falar claro e olhos nos olhos tem os seus frutos. Não alinho com os que acusam este eleito de populismo. Ele apenas deu voz ao descontentamento popular, sem papas na língua, para dizer o que devia ser dito. Resta agora saber qual o seu projeto político e como se bate por ele. Contestar assertivamente é bom, mas construir é ótimo e desejável.

sábado, 24 de maio de 2014

Santa Helena vista por radioamador



A atividade das radiocomunicações feita pelos radioamadores tem vários cambiantes. Pode operar-se desde casa, no conforto do lar, colocando os radioemissores em cómodas secretárias e ante­nas montadas a preceito, ou tro­car por ida às serras, pontos altos, de onde a propagação em fre­quências muito, muito elevadas, se faz quase só em linha reta.
Porque a Serra da Estrela, lu­gar habitual de onde faço concur­sos tem, ainda, muita neve, no passado fim de semana, dias 5 e 6, sábado e domingo, desloquei- me, pela primeira vez, para um lugar suficientemente alto e perto de Viseu, escolhendo o santuário de Santa Helena, logo a seguir a Várzea da Serra, cortando à direi­ta no Mezio, depois de Castro Daire, andando mais 10 quilóme­tros em direção ao topo da mon­tanha.
A indispensável energia elé­trica foi cedida pela Comissão Pa­roquial que gere o Santuário.
Na tarde de domingo, depois de ter acabado o concurso, apro­veitei para desfrutar de toda a beleza que o local oferece, espraiando o olhar desde os confins da serra da Nogueira e do Marão, a Norte, até à meridional serra da Lousã.
Devo acrescentar que desde o topo do santuário descem três pistas de "Downhill", viradas a Tarouca, onde os ciclistas treina­ram durante todo o dia para as provas a contarem para o campeonato internacional, que vai de correr neste lugar nos dias 3 e 4 de maio próximo.
Na encosta do monte, uma bem posicionada carreira de tiro aos pratos, onde se exercitam atiradores nacionais e muitos outros vindos da vizinha Espanha.
Aproveitando o tempo soalheiro, apareceram muitos peregrinos e outros  excursionistas para visitarem o lugar, trocando, e a meu ver bem, os abafados centros comerciais urbanos pelo respirar do ar puro deste local de oração e recolhimento, onde o es­pírito se eleva a Deus numa co­munhão e simbiose entre os ele­mentos da natureza.
Da rádio, a razão primeira des­ta crónica, fica a satisfação de ter podido comunicar em boas condi­ções de propagação das ondas eletromagnéticas, com outros ra­dioamadores em VHF/UHF Very high Frequency, Ultra High Frequency) ligando diretamente este lugar a pontos tão distantes como Madrid, Barcelona e, por dutos marítimos, para as ilhas Canárias, a mais de 1500 KM!
De Portugal, vários participan­tes, desde o Porto, até Faro, uns desde suas casas (Q.TH) e outros que também subiram montes em busca de uma participação mais apurada, no desejo de estar só mas em comunhão com todos.
Lá voltaremos no primeiro fim de semana de maio, dias 3 e 4.
Adelino Francisco, editor da QSP e radioamador CT1AL, in Notícias de Viseu

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Los responsables de "Somos Iglesia", excomulgados

Por celebrar misas privadas en su casa, sin presencia de sacerdotes

Leia aqui

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Escolarização, trabalho e população


A situação

A LBSE (Lei de Bases do Sistema Educativo), na sua versão de 1986, fixa como escolaridade obrigatória o 9.º ano de escolaridade (9 anos de ensino básico) e define como idade-limite da obrigação de frequentar a escola os 15 anos de idade (vd Lei n.º 46/86, de 14 de outubro, art.º 6.º/1.4); e, na sua versão de 2009, fixa como obrigatória a escolaridade de 12 anos (9 anos de ensino básico e mais 3 anos de ensino secundário) e como idade-limite para a obrigação de frequência escolar os 18 anos de idade (vd Lei n.º 85/2009, de 27 de agosto, art.º 2.º/1.4).

Os governos das últimas décadas, nas suas opções programáticas, preconizam a qualificação dos portugueses, mormente dos trabalhadores. Os alunos frequentam as escolas e multiplicam-se – em escolas, empresas e centros de formação – os cursos profissionais, os cursos de educação e formação, os cursos de educação e formação de adultos de certificação escolar ou de dupla certificação (escolar e profissional), os cursos de aprendizagem, os cursos de aprendizagem em alternância, os centros de novas oportunidades (CNO), o sistema de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC) e, agora, os centros para a qualificação e o ensino profissional (CPEQ). E todos propalam a produtividade e a competitividade no trabalho e, a par da formação de emprego, com vista ao trabalho por conta de outrem, muitos exaltam e enaltecem, como solução, o autoemprego, o empreendedorismo.

Ora, a leitura dos resultados, como adiante veremos, permite interrogarmo-nos sobre o que efetivamente se passa. As crianças, adolescentes e jovens têm efetivamente frequentado a escola até aos 15 anos de idade, desde 1986 (27 anos)? Se sim, deveriam ter concluído o 9.º ano de escolaridade, ou seja, ter concluído o ensino básico. Se não, como ou porque é que não tiveram sucesso, uma vez que a retenção é uma medida extraordinária e todas as pressões têm sido feitas e todos os expedientes têm sido usados para o sucesso estatístico? As diretivas escolares estão a abarrotar de medidas de acompanhamento dos alunos e de recuperação e/ou desenvolvimento das aprendizagens. Terão os frequentadores da escola procedido ao seu abandono ou saído dela precocemente, com a negligência ou a cumplicidade de quem? Os poucos alunos abrangidos por regimes especiais de currículos adaptados e currículos alternativos ou não deviam contar para as estatísticas de insucesso ou serem tidos como dotados da escolaridade. Quanto ao ensino secundário, as facilidades oferecidas para a sua frequência já eram quase uma conquista antes da alteração à LBSE de 2009, que veio a impô-lo.

No entanto, as desconfianças e as dificuldades existem e talvez tenham até aumentado. Quanto a desconfianças, as empresas não creem nas competências fornecidas pela escola. É vulgaríssimo tecerem-se as mais rasgadas loas ao sistema de ensino antigo (mais valia a 4.ª classe antiga que o 9.º ano de hoje), chegando até a dizer-se que foi pena acabarem, no âmbito da revolução abrilina com o ensino técnico-profissional das antigas escolas industriais, comerciais e agrícolas. Ao contrapor-se a existência hoje de cursos profissionais, logo objetam que estes cursos são muito teóricos, como se os de antigamente fossem sempre exemplares. O próprio Presidente da Comissão Europeia, um português, disse maravilhas do ensino que frequentou no liceu a que entregou parte do prémio que recentemente lhe fora atribuído. Quanto a dificuldades, elas são múltiplas. Por um lado, a massificação e democratização do ensino trazem mais dificuldades e mesmo alguma degradação, mercê das diversas heterogenias. Por outro lado, parece que tudo se exige da escola, mesmo o que sociedade e família não podem, não sabem ou não querem dar. E o hipercriticismo de alunos e pais, aliado a falsa devoção pedagógica de quem entende dever imolar-se pelos alunos, em nome de teorias psicopedagógicas falsas ou parcelares, provocou a instalação e o avanço da preguiça escolar, da indisciplina e mesmo da violência. Não se estuda nem se deixa estudar, não se aprende nem se deixa aprender. Tudo se espera do professor, que, muitas vezes, se vê torpedeado por bloqueios, falta de autoridade e também falta de motivação. A falta de autoridade do professor acompanha o que eu designo por “arrapazamento” do Estado. E o preconceito subvalorizou os cursos profissionais e técnico-profissionais de 1983, da reforma de Mário Soares-José Augusto Seabra, até 1989.

Mas há outras variáveis. Muitas escolas programam o ensino em função dos recursos humanos existentes e não em razão do mercado ou da necessidade de formação. As altas classificações são a única pedra de toque para ingresso em determinados cursos superiores, excluindo-se outros critérios que deveriam ser relevantes, como, por exemplo, as relações interpessoais, a formação cívica e a capacidade de aculturação. Os detentores de cargos públicos desfazem das iniciativas de antecessores, perdendo-se tempo no seu desmantelamento, sem que se encontrem sucedâneos melhores. Assiste-se à castração dos projetos de escola pela sonegação da loada autonomia, não autorização de criação de cursos, funcionamento de turmas ou pela exigência de números mínimos. E funciona a guerra emulatória entre direções gerais, bem como a discussão de competência para a lecionação de cursos: escolas, empresas, centros de formação…

Outros fazem questão de clamar que os portugueses trabalham pouco ou trabalham com falta de qualidade! Mas nada fazem para inverter a situação, se ela é verídica. Conhecem-se situações de falta de cumprimento de escolaridade. E que fazem as entidades responsáveis pelo cumprimento das obrigações escolares: Instituto de Emprego e Formação Profissional, Serviços da Segurança Social, Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, Ministério Público, autarquias, empresas e serviços junto de quem solicitam emprego…?

 

Os resultados

E os resultados, que sintetizo, veem-se (vd Público, de 20-5). Portugal é o pior dos 28 países da UE no tocante à escolarização: 70,6% dos trabalhadores por conta própria não passam do ensino básico e só 40% da população completou o secundário, contra a média da UE de 75,2%.  

Quanto a tempo de trabalho e resultados, “trabalhamos muito mais horas, porém, estamos em 21.º lugar em termos de produtividade e isso deve-se às baixas qualificações dos portugueses”.

Ainda há muito que fazer no país, sobretudo em matéria de educação, segundo o que refere a demógrafa Maria João Valente Rosa no retrato de Portugal na Europa do Pordata, base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que compara os indicadores portugueses com os dos 28 países-membros da UE. A mencionada demógrafa sustenta que “Portugal é o terceiro país com níveis de abandono escolar mais elevados, apesar dos progressos significativos das últimas décadas”. E pior do que Portugal, com uma taxa de abandono escolar entre os 18 e os 24 anos de 19,2%, só a Espanha e Malta (23,5% e cerca de 20%, respetivamente), que encabeçam uma lista cuja média se situa nos 11,9%. Entre os 25 e os 64 anos, só 40% dos portugueses têm o ensino secundário completo, pelo que não se estranha que, num quadro onde se mede a percentagem de trabalhadores por contra própria sem o secundário completo Portugal, lidere pelas piores razões – 70,6%, contra a média de 24,3%, como se referiu. Dos trabalhadores por conta de outrem, 50,4% dos portugueses não completaram o secundário, contra 17,9% da UE.

O problema era crónico. Com taxas de analfabetismo terríveis, só em 2008 é que a população sem qualquer nível de escolaridade ficou abaixo da população com o ensino superior”, segundo a demógrafa, para quem, porém, a situação portuguesa se torna mais grave se nos lembrarmos de que os 15,1% dos portugueses que têm o ensino superior estão “em boa parte a ser empurrados para fora do país” pela crise. E, ao verificar que Portugal se destaca pelo número de retenções em anos de escolaridade, entende que “somos obrigados a concluir que algo está mal na escola portuguesa” e opina que “tanto como prolongar a escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, o país devia repensar o seu sistema de ensino”.

As falhas nas qualificações dos portugueses são a chave de explicação de outro dos indicadores em que Portugal fica desconfortável: a produtividade laboral por hora de trabalho, pois, tendo 100 como valor de referência, Portugal fica-se pelos 65: “Nós trabalhamos muito mais horas, porém, estamos em 21.º lugar em termos de produtividade”, o que, na opinião da demógrafa, se deve-se às baixas qualificações: quase 71% dos trabalhadores por conta própria têm apenas o ensino básico. E não é o volume populacional que justifica a improdutividade ou o desempenho insuficiente, como defendem alguns, já que “somos o 11.º país da União em termos populacionais”; quase tantos como a Bélgica e o dobro da Dinamarca e Finlândia. E, em termos territoriais, somos o 13.º. Ou seja, “o máximo que poderíamos dizer é que somos um país médio no contexto da União Europeia”, esclarece.

Porém, no atinente à população, Portugal é o país com menos filhos por mulher (1,28 contra os 1,58 da média da UE). A França, de recente forte investimento na natalidade, sobressai com 2,01 filhos por mulher em idade fértil, seguida da Irlanda e Reino Unido, não podendo afirmar-se que a nossa baixa natalidade o seja por opção deliberada. No último inquérito à fecundidade, o INE mostra que as pessoas têm em média 1,03 filhos, mas desejariam ter 2,31 filhos, residindo o grande óbice nos “custos financeiros”. No concernente à população idosa, Portugal é o 6.º país com mais idosos por cada 100 jovens: 129,4 (115,5 na UE a 28). No quadro das despesas das famílias em saúde no total de despesas, Portugal surge em 1.º lugar: os portugueses gastam 5,8% do seu orçamento em Saúde, face a uma média de 3,5%. Porém, no campo da Saúde, um indicador coloca Portugal ao nível dos países da Europa do Norte: a mortalidade infantil, fixa nos 3,4 por mil, abaixo dos 3,8 da média da UE. “É uma das taxas mais baixas do mundo”, sublinha a referida investigadora, “e isso torna-se ainda mais relevante se nos recordarmos de que em 1960 éramos os piores”.

Quanto à capacidade de enfrentar despesas inesperadas, quase 36% (muitas) das famílias se dizem sem essa capacidade. Porém, a média da UE é de 40,2%, enquanto Espanha Grécia ultrapassam essa linha. Porém, se olharmos para o ano de 2007, temos o dobro das famílias portuguesas em tal situação, o que mostra o grande impacto da crise na situação das famílias.

 

Concluindo

Muito a fazer nos campos da educação e formação, na valorização do trabalho e na natalidade!

2014.05.20
Louro de Carvalho

 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Devolvem sofá com 30 mil euros


Os meios de comunicação trouxeram a notícia. Três estudantes norte-americanos deram uma lição de honra ao devolverem um sofá que haviam comprado, depois de descobrirem que havia dinheiro escondido no mesmo.Na mobília, que custara 20 dólares (pouco acima dos 14 euros) numa loja de usados do Exército da Salvação, alguém havia escondido num dos braços vários envelopes que, no conjunto, continham cerca de 30 mil euros.
"Eram envelopes e mais envelopes. Pusemos todo o dinheiro em cima da cama e começámos a contá-lo e a gritar. De manhã, os nossos vizinhos disseram que pensavam que nos tinha saído a lotaria", contou Cally Guasti, ao Telegraph.
Depois da inusitada descoberta, Cally, Reese Werkhoven e Lara Russo pensaram no que deviam fazer com o dinheiro. A decisão foi unânime: contactar o anterior proprietário, tanto mais que o nome constava no recibo do depósito.
Quando ligaram, atendeu uma senhora de 91 anos que contou a história do sofá. Num momento em que teve problemas de saúde, alguém da família dela resolveu ‘livrar-se’ da mobília velha.
Os três estudantes resolveram devolver o sofá com o dinheiro, tanto mais que a nonagenária "precisava muito dele". "No fundo, não era nosso. Se algum de nós o tivesse usado, não nos sentiríamos bem. Seria errado", argumentou Cally Guasti.
Fonte: aqui

terça-feira, 20 de maio de 2014

A despedida do padre


Vamos rir e descontrair. Tristezas não pagam dívidas. Dizem que a troica se foi embora… Não dei pela diferença.

No jantar de despedida, depois de 25 anos de trabalho à frente da paróquia, o padre discursa:
- A primeira impressão que tive desta paróquia foi com a primeira confissão que ouvi. A pessoa confessou ter roubado um aparelho de TV, dinheiro dos seus pais, a empresa onde trabalhava, além de ter tido aventuras amorosas com as esposas dos amigos. Também se dedicava ao tráfico de drogas e tinha transmitido uma doença venérea à própria irmã. Fiquei assustadíssimo. Com o passar do tempo, entretanto, conheci uma paróquia cheia de gente responsável, com valores e comprometida com a sua fé.
Atrasado, chegou então o Presidente da Câmara para prestar a homenagem ao Padre. Pediu desculpas pelo atraso e começou o discurso:
- Nunca vou esquecer o dia em que o Padre chegou à nossa paróquia. Como poderia? Tive a honra de ser o primeiro a confessar-me...
Seguiu-se um silêncio assustador...

Moral da história: NUNCA SE ATRASE!
Mas quando se atrasar... FIQUE DE BOCA FECHADA!
Li aqui

segunda-feira, 19 de maio de 2014

OS 23 PARA O MUNDIAL 2014


Veja aqui

Os privilégios dos políticos e o Túnel do Marquês

Foto: Inquilinos do Túnel do Marquês!

INDECOROSO
acerca da sustentabilidade das reformas...

 VERGONHA é comparar a Reforma de um Deputado com a de uma Viúva.

VERGONHA é um Cidadão ter que descontar 35 anos para receber Reforma e aos Deputados bastarem somente 3 ou 6 anos conforme o caso e que aos membros do Governo para cobrar a Pensão Máxima só precisam do Juramento de Posse.

VERGONHA é que os Deputados sejam os únicos Trabalhadores (???) deste País que estão Isentos de 1/3 do seu salário em IRS.

VERGONHA é pôr na Administração milhares de Assessores (leia-se Amigalhaços) com Salários que desejariam os Técnicos Mais Qualificados.

VERGONHA é a enorme quantidade de Dinheiro destinado a apoiar os Partidos, aprovados pelos mesmos Políticos que vivem deles.

VERGONHA é que a um Político não se exija a mínima prova de Capacidade para exercer o Cargo (e não falamos em Intelectual ou Cultural).

VERGONHA é o custo que representa para os Contribuintes a sua Comida, Carros Oficiais, Motoristas, Viagens (sempre em 1ª Classe), Cartões de Crédito.

VERGONHA é que s. exas. tenham quase 5 meses de Férias ao Ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa mesmo que muitos se declarem não religiosos, e uns 82 dias no Verão).

VERGONHA é s. exas. quando cessam um Cargo manterem 80% do Salário durante 18 meses.

VERGONHA é que ex-Ministros, ex-Secretários de Estado e Altos Cargos da Política quando cessam são os únicos Cidadãos deste País que podem legalmente acumular 2 Salários do Erário Público.

VERGONHA é que se utilizem os Meios de Comunicação Social para transmitir à Sociedade que os Funcionários só representam encargos para os Bolsos dos Contribuintes.

VERGONHA é ter Residência em Sintra e Cobrar Ajudas de Custo pela deslocação à Capital porque dizem viver em outra Cidade.

VERGONHA é os privilegiados, de que se fala, não pensarem na existência dos inquilinos do Túnel do Marquês!

VERGONHA é comparar a Reforma de um Deputado com a de uma Viúva....

VERGONHA é um Cidadão ter que descontar 35 anos para receber Reforma e aos Deputados bastarem somente 3 ou 6 anos conforme o caso e que aos membros do Governo para cobrar a Pensão Máxima só precisam do Juramento de Posse.

VERGONHA é que os Deputados sejam os únicos Trabalhadores (???) deste País que estão Isentos de 1/3 do seu salário em IRS.

VERGONHA é pôr na Administração milhares de Assessores (leia-se Amigalhaços) com Salários que desejariam os Técnicos Mais Qualificados.

VERGONHA é a enorme quantidade de Dinheiro destinado a apoiar os Partidos, aprovados pelos mesmos Políticos que vivem deles.

VERGONHA é que a um Político não se exija a mínima prova de Capacidade para exercer o Cargo (e não falamos em Intelectual ou Cultural).

VERGONHA é o custo que representa para os Contribuintes a sua Comida, Carros Oficiais, Motoristas, Viagens (sempre em 1ª Classe), Cartões de Crédito.

VERGONHA é que s. exas. tenham quase 5 meses de Férias ao Ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa mesmo que muitos se declarem não religiosos, e uns 82 dias no Verão).

VERGONHA é s. exas. quando cessam um Cargo manterem 80% do Salário durante 18 meses.

VERGONHA é que ex-Ministros, ex-Secretários de Estado e Altos Cargos da Política quando cessam são os únicos Cidadãos deste País que podem legalmente acumular 2 Salários do Erário Público.

VERGONHA é que se utilizem os Meios de Comunicação Social para transmitir à Sociedade que os Funcionários só representam encargos para os Bolsos dos Contribuintes.

VERGONHA é ter Residência em Sintra e Cobrar Ajudas de Custo pela deslocação à Capital porque dizem viver em outra Cidade.

VERGONHA é os privilegiados, de que se fala, não pensarem na existência dos inquilinos do Túnel do Marquês!

(Recebido por email)

domingo, 18 de maio de 2014

17 de maio: sem troika, mas com rédea


Há oito dias, o governo assinalou, em Conselho de Ministros alargado aos Secretários de Estado e, em parte, à Comunicação Social (realmente um megacomício legal, mas ilegítimo), a fabulosa decisão da saída limpa do programa de ajustamento. Alguns dos nossos policratas pré-saudaram o dia de hoje – 17 de maio – como o dia da restauração da soberania, o dia da independência – o novo 25 de Abril. Acabara a colonização europeia; tornáramos a ser um povo livre… Que discurso miserável, por clara inobservância da verdade!

Até alguém instalou algures em contexto de sede partidária relógio de contagem decrescente para o dia da saída da troika (segundo Portas, de recuperação: de salários, progressivamente; de pensões, substancialmente; e de rendimento, necessariamente com prudência orçamental e determinação política), que me faz lembrar os relógios do programa “pólis”, da era de Guterres.

Quase paralelamente ao referido solene megacomício de rosto protoinstitucional, soube-se que o FMI lançara alertas sobre o rumo não sustentável da economia e das contas e que não abre mão de compromissiva carta de conforto da parte do Estado português sobre a disciplina orçamental e da dívida. O próprio primeiro-ministro anunciou para hoje a aprovação, em Conselho de Ministros extraordinário, de um documento com as medidas de médio prazo. O Ministro das Finanças de Merkel saudou o feliz dia da tríplice recuperação apregoada por Paulo Portas. Durão Barroso ficou feliz por Portugal, que afinal cumpriu, mas acenando com o espantalho de possíveis decisões do Tribunal Constitucional (TC) a contragosto do governo. Marques Mendes, só cá entre nós, acha (é o seu “achismo”) que de facto o TC exagera. E Santana Lopes preconiza a abolição da fiscalização preventiva da constitucionalidade dos normativos legais.

Já todos falaram das novidades gravosas inscritas no DEO. O PIB decresceu e o ritmo das exportação abrandou; o défice orçamental contrai à custa de habilidades financeiras e burocráticas; a dívida aumentou em termos percentuais com relação ao PIB; e, se o TC inviabilizar o orçamento do estado e orçamento retificativo, teremos mais impostos.

Nas vésperas do dia em que se assinala o fim oficial do programa de ajustamento financeiro, um representante da Comissão Europeia avisa que, se o governo não tiver juízo, scilicet, se ceder a tentações de facilidades eleitoralistas e não cumprir o compromisso orçamental e da dívida, não bastará mesmo um programa cautelar, mas será necessário um segundo resgate. É mais um sintoma da índole de limpeza do fim do programa! A troika vai-se embora, mas não diz “adeus” a Portugal. Continua a fazer avaliação periódica de 180 em 180 dias (em vez de 90 em 90 dias). Quer dizer, ficamos sem troika, mas continuamos freados pela rédea e pelo cabresto!

***

Hoje, o Governo reafirmou o compromisso de redução do défice até 2018 e da continuidade do ritmo das reformas nos próximos anos, mas assegurou que as principais medidas concretas apresentadas no âmbito da “estratégia de reforma de médio prazo” não vão além de 2015, o último ano da legislatura. O documento aprovado na manhã de hoje no Conselho de Ministros extraordinário denomina-se “Caminho para o Crescimento” e constitui-se como agregador das diversas reformas já feitas, as que se encontram em execução e as que terão de ser feitas nos próximos anos. É um “piscar de olho” aos parceiros europeus e aos investidores internacionais, redigido em português e em inglês, mas onde o Governo não assume compromissos concretos para lá de 2015. A exceção acontece nos objetivos para o défice e para a dívida, que vão até 2018, e já constam do Documento de Estratégia Orçamental (DEO) apresentado no fim de abril.

As “principais medidas previstas” formam uma lista que o Governo entende não ser exaustiva e que gravita em torno de três eixos ou metas globais: para “fomentar a competitividade”; para “promover o capital humano e o emprego”; e para “racionalizar o setor público”.

Ademais, o que o Governo assume para depois de 2015, ano de eleições legislativas, são objetivos abrangentes já conhecidos, como: redução da dívida tarifária até 2020; aumento do crescimento das exportações; implementação do novo quadro comunitário de apoio (Portugal 2020); continuidade da Estratégia Nacional para o Mar, aumentando o peso do setor no PIB até 2020; e garantia da aplicação do Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas.

***

Todavia, em resposta aos jornalistas que o confrontaram com o facto de Passos Coelho ter prometido a apresentação da estratégia de médio prazo e o documento conter apenas medidas até 2015, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares esclareceu que o documento “claramente tem um fôlego de médio prazo” e que “coisa diferente é o anexo onde vêm as medidas previstas”, já que o Governo apenas se compromete com as medidas que pode executar “no seu mandato” e o executivo que sair das próximas legislativas “terá de elaborar o seu roteiro”. Além do horizonte da legislatura, mantêm-se as “intenções e os objectivos a alcançar”.

Por seu turno, no prefácio do documento, Passos Coelho elogia o esforço dos portugueses e os resultados que o Governo alcançou e diz apostar nesta “ambiciosa estratégia de médio prazo com convicção e credibilidade”, advertindo que “há, no entanto, ainda muito a fazer. Reformar é uma tarefa contínua; a disciplina orçamental uma responsabilidade diária”.

Reconhecendo, à La Palisse, que “os tempos difíceis passam, mas os países fortes perduram”, afirma que “Portugal foi determinado e soube reerguer-se”. E sentencia: “Devemos prosseguir os esforços para garantir uma economia equitativa, equilibrada e dinâmica, geradora de emprego, e que privilegie a excelência e a inovação, mas acompanhada por uma verdadeira rede de proteção social, sob a forma de um Estado social justo e eficiente”. Como crer nisto?

Também Carlos Moedas afirma que o documento integra um acervo de medidas e reformas já apresentadas para diversas estratégias setoriais, e até o guião da reforma do Estado. E justifica a elaboração da versão inglesa sob o título de The road to growth com o facto de estes planos já conhecidos, em boa parte, pelos portugueses serem “praticamente desconhecidos fora de fronteiras, pelos parceiros internacionais e os investidores”. E adita que “podíamos acabar o programa de ajustamento dizendo que o trabalho estava feito. Mas não o podíamos parar”. Uma parte do documento configura uma retrospetiva das medidas cumpridas (e não das que precisam de concretização) durante os três anos da troika. Antes de identificar a sua estratégia global para o lançamento das “bases sólidas para o crescimento”, o Governo recua no tempo para reler os “antecedentes da crise”. E Moedas conclui que “aquilo que realmente é fundamental é que haja uma irreversibilidade de todas estas reformas estruturais. Em Portugal ninguém quer voltar para trás. Os portugueses não querem voltar para trás”, mas também é imperioso compreender que o Governo precisa de “falar para o mundo” e explicar a sua estratégia.

***

Dada a premência da matéria e a importância estratégica do momento, não posso passar em silêncio a posição de vários dos responsáveis católicos e especialistas que a Agência Ecclesia questionou e que assentam na afirmação de que “o programa de assistência económica e financeira a Portugal, que se conclui hoje, deixou um país mais pobre e ainda sujeito a riscos”. Trata-se de entidades com a autoridade que lhes advém dos relevantes cargos que ocupam e/ou do significativo teor da intervenção intelectual sobejamente reconhecida. 

Assim, o presidente da Cáritas Portuguesa opina que “foi um tempo violentíssimo para as pessoas que já viviam em situações vulneráveis e arrastou para a pobreza gente que nunca pensaria chegar à condição de privação de bens básicos para a sua subsistência”.

Por seu turno, D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, faz o balanço dos três anos de troika advogando que se impõe como necessário “recuperar um ambiente de sobriedade”, na vida pessoal e coletiva, evitando “desperdícios e desigualdades sociais, escandalosas”.

O Professor Adriano Moreira, subscritor do ‘manifesto dos 70’ apelando à reestruturação da dívida, especifica que não se exige o “perdão”, mas “a extinção da ganância”, sublinhando que “o credo do mercado precisa de ser limitado e regulado por uma ética”. Para o especialista, “há muito sacrifício que ainda vai ser enfrentado”, pois o país assiste à saída dos “empregados da troika”, e não ao fim da vigilância internacional ou da austeridade. É o que eu digo: ficamos sem troika, mas não sem rédea e cabresto, ou seja, somos travados na mesma, mas de longe!

Na ótica do economista João César das Neves, docente da Universidade Católica Portuguesa, a ‘saída limpa’, editada pelo Governo após a última avaliação da troika, comprova a “rápida” recuperação do país, o que permite pensar em “exemplo de sucesso”. Porém, o professor não deixa de alertar para algum excesso de otimismo por parte de alguns nesta fase.

Também Graça Franco, diretora de informação da Rádio Renascença, destaca a “apetência” dos mercados pela dívida portuguesa, observando, no entanto, que “essa apetência pode desaparecer de um momento para o outro”, levando a aumento das taxas de juro. A especialista recorda ainda os números ligados ao desemprego em Portugal, um problema “gravíssimo”, advertindo que haverá “pessoas que ficaram de fora do mercado de trabalho com esta crise e que não vão voltar a ele”, o que, “do ponto de vista da estrutura social, é muito grave”.

O sociólogo João Peixoto, coordenador do projeto de investigação ‘Regresso ao Futuro: a Nova Emigração e a Relação com a Sociedade Portuguesa’, rotula de “trágico” o impacto dos últimos anos no plano demográfico, induzindo uma “mudança de paradigma” do ângulo dos fluxos migratórios, a evocar a década de 60 do século XX. “Hoje não temos excesso de população na agricultura, não temos população iletrada, antes pelo contrário. Se as saídas na altura provocavam preocupações, hoje provocam outras, talvez maiores”.

***

Se eu fosse supersticioso, sugeriria que fizessem figas para que este dia de libertação não redunde em PREC (processo de retração económica continuada). Como não o sou, postulo juízo e negociação aguerrida dos governantes e trabalho com oração e posição crítica dos portugueses.

2014.05.17

Louro de Carvalho

sexta-feira, 16 de maio de 2014

" Que projetos acalenta a Paróquia?"

Nesta semana cruzei-me com uma pessoa desta comunidade tarouquense com quem dá gosto trocar dois dedos de conversa, pois, não tendo grandes estudos, é alguém que gosta de sonhar e perspetivar a sua terra. Não se perde com as miudezas tão comuns aos mortais, mas procura ver ao longe e ao largo.
Nem sempre estamos de acordo, pois alguns dos projetos que propõe parecem-me verdadeiramente irrealistas. Mas reconheço-lhe a importância de esvoaçar do imediatismo mesquinho para a amplitude que enquadra o concreto e imediato.
Às tantas, durante a conversa, lança-me a pergunta: " Que projetos acalenta a Paróquia?"
"Então, o senhor sabe..." - respondi como quem quer mais ouvir do que falar.
"Bem, não bata mais no ceguinho... Bem sabe que apareço poucas vezes na Igreja. Não que o senhor não tenha razão, mas..."
E expus:
- Concluir a 2ª parte do Centro Paroquial;
- Realizar obras de restauro no interior da Igreja das quais o templo está carente;
- Construir a capela do Castanheiro do Ouro;
- Em Santa Helena  muito que fazer e em Cristo Rei também;
- A casa paroquial necessita de obras de restauro.
- As capelas dos povos  vão precisando de alguma conservação...
Ele ia acenando em sinal de concordância. Mas Santa Helena! E falou entusiasticamente do hotel, do campo de golf, dos bangalôs,  da arborização, do parque das merendas e de convívio, da melhoria das estruturas religiosas, etc, etc.
Pois - e nisso concordámos claramente - mas o grande problema é o económico. É que sem ovos não se fazem omeletas. E com a crise, as coisas pioram. Menos apoio estatal, menos vontade de as empresas se envolveram em projetos,  menos colaboração das pessoas...
"Somos uma paróquia com muita gente, aqui e no estrangeiro. Se fôssemos mais generosos e cultivássemos mais o sentido do bem comum, muito se poderia fazer, sem estarmos sempre à espera de apoios do estado..."- disse o meu amigo, soltando um suspiro profundo.
Falámos ainda de outros projetos, para mim prioritários (ele torceu o nariz!). Têm a ver com as gentes. Os compromissos litúrgicos, pastorais e sócio-caritativos. A atenção da comunidade a cada pessoa e de cada pessoa à comunidade. O crescimento e amadurecimento na fé, a dinâmica no apostolado, a consciência de ser Igreja por parte de cada e de todos os batizados...

Recordar é viver


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Notícias de toda a parte


Azeite – Na última campanha, "o Alentejo produziu 64 mil toneladas de azeite, o que representa 71% do volume de 90 mil toneladas produzido em Portugal", disse à agência Lusa Henrique Herculano, do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL).
Tendo em conta que uma tonelada de azeite virgem extra indiferenciado pode valer cerca de dois mil euros, as 64 mil toneladas produzidas no Alentejo poderão ter rendido "um volume de negócios estimado em 128 milhões de euros, considerando apenas a venda de azeite a granel e excluindo o valor acrescentado pelo embalamento e pela marca e toda a economia adjacente ligada a factores de produção e serviços", 

Os bancos da Suíça vão passar a efectuar a troca automática de informações bancárias, para fins fiscais, com os outros membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Este é o fim do segredo bancário na Suíça, anunciou a OCDE.
A troca de informações só entra em vigor em 2017. 

Transfusões de sangue – Uma equipa de investigadores da Universidade de Stanford, nos EUA, liderada por Tony Wyss-Coray, descobriu que a injecção repetida de sangue de um rato jovem de três meses num de 18 meses pode melhorar as suas capacidades de aprendizagem e memória. E vão fazer experiências para ver se o mesmo acontece com as transfusões de sangue jovem nos humanos.
Os investigadores aqueceram o sangue jovem antes de injectá-lo nos ratos mais velhos, a fim de alterar a estrutura de proteínas, o que permitiu travar os efeitos prejudiciais da idade no nível estrutural, molecular e funcional do cérebro. 

Interdição de idosos – Há cada vez mais idosos declarados incapazes pela Justiça de gerir a sua pessoa e património. Os processos quase triplicaram em 10 anos, sobretudo por causa do aumento de diagnóstico de doenças mentais.No ano de 2012 foi ultrapassada a fasquia dos dois mil processos de interdição e inabilitação – 2103 no total – o que representa um aumento de 11,3% em relação a 2011. Mas o mais significativo é que o número tem vindo a aumentar a ritmo idêntico desde 2002, segundo estatísticas da Direcção-Geral de Política de Justiça.

Violência domésticaO único crime que não baixou em Portugal em 2013 foi o de violência doméstica, tendo-se registado 40 vítimas mortais, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna.

400 novos casos de pobreza por mêsA Assistência Médica Internacional (AMI), contabilizou em média, 409 casos de pobreza por mês em 2013, ano em que 4912 pessoas procuraram pela primeira vez os apoios sociais da instituição.

Crianças vítimas de negligência Em 2013, mais de 12 mil crianças foram sinalizadas no ano passado pelas comissões de protecção por situações de negligência, o que representa mais de um terço das 35.766 situações de perigo identificadas.
Fonte: aqui

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Novos ditos populares

1. Austeridade é quando ...
   " O Estado nos tira dinheiro para pagar as suas contas até deixarmos de ter dinheiro para pagar as nossas ".
2. País desenvolvido...
   "Não é onde o pobre tem carro, é onde os políticos usam transporte público ”.
3. Os partidos...
   "Tomaram conta do Estado e puseram o Estado ao seu serviço.”...
4. O maior castigo...
   "Para quem não se interessa por política é que será governado pelos que se interessam.”
5. O cigarro adverte...
  "O governo faz mal à saúde !”

6. Errar é humano...
   "Culpar outra pessoa é política.”

terça-feira, 13 de maio de 2014

13 Maio: NOSSA SENHORA DE FÁTIMA


No ano 1917, quando o mundo se debatia ainda nas violências e atrocidades da guerra, a Virgem Maria apareceu seis vezes em Fátima a três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco. Por meio deles, a Santa Mãe de Deus recomendou insistentemente aos homens a firmeza da fé e o espírito de oração, penitência e reparação. O culto de Nossa Senhora de Fátima, depois de ter sido aprovado pelo Bispo da diocese e mais tarde confirmado pela Autoridade Apostólica, foi especialmente honrado com a peregrinação do papa Paulo VI ao local das aparições no ano 1967 e João Paulo II nos anos 1982 e 1991. (aqui)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

"Cheiro a ovelhas."

Há dias, os cónegos Senra Coelho e José Traquina foram nomeados pelo Papa bispos auxiliares. O primeiro, de Braga; o segundo, de Lisboa.
Nestes dois nomeados há um facto que de imediato me chamou a atenção. Ambos têm uma longa história como párocos. Exerceram outros serviços nas suas dioceses de origem, mas foram realmente párocos, não ocasionalmente, mas durante muito tempo.
Penso que há aqui um dedo claro do Papa Francisco que quer pastores com "cheiro a ovelhas."
Mais do que burocratas que procuram habilmente "subir" na estrutura da Igreja, ziguezagueando ao sabor das suas pretensões; mais do que intelectuais que  têm "muito cheiro a livros", mas pouco "a ovelhas", o que o Papa pretende - e muito bem - é que os pastores tenham "cheiro a ovelhas". E os sinais parecem claros...

domingo, 11 de maio de 2014

Festa do Emigrante em Tarouca


Jogos de futebol, projeção do filme "A Gaiola Dourada", Missa junto ao Monumento ao Emigrante e animada  belamente animada pelo Grupo Coral Português de Engadina - Suiça, almoço-convívio e Noite do Emigrante, foram alguns dos acontecimentos que tiveram lugar durante a Festa dos Emigrantes, promovida pela Câmara Municipal, nos dias 9 e 10 de maio.


A Festa do Emigrante tem total cabimento num concelho marcado por forte corrente migratória. Isto parece-me inquestionável.
Mas algumas questões se levantam, uma vez que a referida festa já se realiza há alguns anos nesta data.
- Será a melhor altura para a sua realização? Atendendo aos participantes, parece que não, pois o grupo é pequeno, embora muito participativo e simpático.
- Não deverá a Eucaristia ser celebrada com a comunidade ao domingo? Residentes e emigrantes são um só povo, uma só comunidade. A gratidão e a estima mútuas seriam mais exponenciadas.
- Tratando-se dos emigrantes do CONCELHO, não teria mais sentido fazer esta festa,  sucessivamente, nas várias freguesias?  Pelo menos a Eucaristia... É que todas as freguesias têm um grande número de emigrantes. A rotatividade evitava a monotonia e aproximava as pessoas, transmitindo melhor a ideia de uma solidariedade ativa.


Certamente que quem de direito vai refletir sobre a situação e o debate contribuirá para encontrar as melhores saídas. Aguardemos.