domingo, 31 de agosto de 2008

Remar contra a maré

Aquela avó veio falar do baptismo do seu neto. Os pais da criança estão no estrangeiro e vinham passar férias. Queriam aproveitar para baptizar...
Disse que o filho e a companheira não estavam casados, viviam juntos há uns anos, até se davam bem, mas isso de casar ... não, não queriam...
A avó sublinhou que o filho era maior, que a vida que levava era lá com ele. Queria apenas que o netinho fosse baptizado, não queria que nada de mal acontecesse à criança.

Enfim, a lengalenga do costume. Os pais de hoje assumem-se como pais a prazo, só enquanto o filho (a) é menor. Depois desligam. "É lá com eles", dizem.
Deus não condena crianças, por isso nada de mal lhes pode acontecer. Agora os adultos são responsáveis pelos seus actos e terão que responder por eles diante de Deus.
Os pais de hoje! Se o filho ou filha vivem amancebados, isso nada lhes diz. Todos fazem o mesmo! Hoje é assim!
Pais que vão na corrente do mundo, sem coragem de navegar contra a maré em nome da sua fé e dos valores. Sim, as modas passam; os valores permanecem. Tanta preocupação com as modas, tanta despreocupação com os valores! E os valores estão sempre na moda, mesmo quando é outra a moda do mundo.
E já repararam numa coisa? Quanto maior é a libertinagem de comportamentos no namoro, mais aumentam os divórcios. Hoje, no namoro, não há limites, tudo é permitido. Depois o casamento é limitado e nada é tolerado. Por "dá cá aquela palha", separam-se.
Os jovens começam a namorar, logo a seguir vão passar férias juntos, dormem juntos e, um tempinho depois, vivem juntos. Sem qualquer preocupação com valores morais. O que interessa é gozar a vida. O resto são "velharias", coisas de outros tempos... E isto mesmo com jovens que se dizem católicos!!!
Não será a exigência pessoal no namoro o caminho certo para um matrimónio feliz, realizador, sem prazos de duração?

sábado, 30 de agosto de 2008

22º Domingo do Tempo Comum

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Frente a frente o Evangelho deste domingo coloca a lógica dos homens (Pedro) e a lógica de Deus (Jesus). A lógica dos homens aposta no poder, no domínio, no triunfo, no êxito; garante-nos que a vida só tem sentido se estivermos do lado dos vencedores, se tivermos dinheiro em abundância, se formos reconhecidos e incensados pelas multidões, se tivermos acesso às festas onde se reúne a alta sociedade, se tivermos lugar no conselho de administração da empresa. A lógica de Deus aposta na entrega da vida a Deus e aos irmãos; garante-nos que a vida só faz sentido se assumirmos os valores do Reino e vivermos no amor, na partilha, no serviço, na solidariedade, na humildade, na simplicidade. Na minha vida de cada dia, estas duas perspectivas confrontam-se, a par e passo… Qual é a minha escolha? Na minha perspectiva, qual destas duas propostas apresenta um caminho de felicidade seguro e duradouro?

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Mãe, já não tenho dores!

Ela deu um pulo assim que viu o cirurgião a sair da sala de operações.
Perguntou:
'Como é que está o meu filho? Ele vai ficar bom? Quando é que eu posso vê-lo?'
O cirurgião respondeu:
'Tenho pena. Fizémos tudo mas o seu filho não resistiu.
Sally perguntou:
'Porque razão é que as crianças pequenas têm cancro? Será que Deus não se preocupa? Aonde estavas Tu, Deus, quando o meu filho necessitava?'
O cirurgião perguntou:
'Quer algum tempo com o seu filho? Uma das enfermeiras irá trazê-lo dentro de alguns minutos e depois será transportado para a Universidade.'
Sally pediu à enfermeira para ficar com ela enquanto se despedia do seu filho. Passou os dedos pelo cabelo ruivo do menino.
'Quer um caracol dele?' Perguntou a enfermeira.
Sally abanou a cabeça afirmativamente. A enfermeira cortou o cabelo e colocou-o num saco de plástico, entregando-o a Sally.
'Foi ideia do Jimmy doar o seu corpo à Universidade porque assim talvez pudesse ajudar outra pessoa', disse Sally. 'No início eu disse que não, mas o Jimmy respondeu: 'Mãe, eu não vou necessitar do meu corpo depois de morrer. Talvez possa ajudar outro menino a ficar mais um dia com a sua mãe.'
Ela continuou:
'O meu Jimmy tinha um coração de ouro. Estava sempre a pensar nos outros. Sempre disposto a ajudar, se pudesse.'
Depois de aí ter passado a maior parte dos últimos seis meses, Sally saiu do 'Hospital Children's Mercy' pela última vez. Colocou o saco com as coisas do seu filho no banco do carro ao lado dela. A viagem para casa foi muito difícil. Foi ainda mais difícil entrar na casa vazia. Levou o saco com as coisas do Jimmy, incluindo o cabelo, para o quarto do seu filho. Começou a colocar os carros e as outras coisas no quarto exactamente nos locais onde ele sempre os teve. Deitou-se na cama dele, agarrou a almofada e chorou até que adormeceu.
Era quase meia-noite quando acordou e ao lado dela estava uma carta.
A carta dizia:
'Querida Mãe,
Sei que vais ter muitas saudades minhas; mas não penses que me vou esquecer de ti, ou que vou deixar de te amar só porque não estou por perto para dizer 'Amo-te'. Eu vou sempre amar-te cada vez mais, Mãe, por cada dia que passe.
Um dia vamos estar juntos de novo. Mas até chegar esse dia, se quiseres adoptar um menino para não ficares tão sozinha, por mim está bem. Ele pode ficar com o meu quarto e as minhas coisas para brincar. Mas se preferires uma menina, ela talvez não vá gostar das mesmas coisas que nós, rapazes, gostamos.Vais ter que comprar bonecas e outras coisas que as meninas gostam, tu sabes.
Não fiques triste a pensar em mim. Este lugar é mesmo fantástico. Os avós vieram ter comigo assim que eu cheguei para mo mostrar, mas vai demorar muito tempo para eu poder ver tudo. Os anjos são mesmo fixes. Adoro vê-los a voar.
E sabes uma coisa? O Jesus não parece nada como se vê nas fotos, embora quando o vi o tenha conhecido logo. Ele levou-me a visitar Deus! E sabes uma coisa? Sentei-me no colo d'Ele e falei com Ele, como se eu fosse uma pessoa importante. Foi quando lhe disse que queria escrever-te esta carta, para te dizer adeus e tudo mais. Mas eu já sabia que não era permitido.
Mas sabes uma coisa, Mãe? Deus entregou-me papel e a sua caneta pessoal para eu poder escrever-te esta carta. Acho que Gabriel é o anjo que te vai entregar a carta.
Deus disse para eu responder a uma das perguntas que tu Lhe fizeste, 'Aonde estava Ele quando eu mais precisava ?' Deus disse que estava no mesmo sítio, tal e qual, quando o filho d'Ele, Jesus, foi crucificado.
Ele estava presente, tal e qual como está com todos os filhos dele.
Mãe, só tu é que consegues ver o que eu escrevi, mais ninguém. As outras pessoas vêm este papel em branco. É mesmo fixe não é? Eu tenho que dar a caneta de volta a Deus para ele poder continuar a escrever no seu Livro da Vida.
Esta noite vou jantar na mesma mesa com Jesus. Tenho a certeza que a comida vai ser boa.
Estava quase a esquecer-me: já não tenho dores, o cancro já se foi embora. Ainda bem porque já não podia mais e Deus também não podia ver-me assim. Foi quando ele enviou o Anjo da Misericórdia para me vir buscar. O anjo disse que eu era uma encomenda especial! O que dizes a isto?'
Assinado com Amor de Deus, Jesus e de Mim.
(Enviado por email)

Crer em Deus faz bem à saúde

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Melhoramentos na Igreja Paroquial

Pintura do Túmulo Manuelino

O Túmulo Manuelino é um ex-libris da Igreja de Tarouca. Muitos turistas e estudiosos aqui se dirigem para o contemplar, observar e estudar.

Estava, contudo, em mau estado de conservação, sobretudo a pintura. Felizmente, apareceu um mecenas, o sr. António Lopes, que ofereceu o dinheiro para o restauro da pintura. A ele o nosso profundo agradecimento.

Contactado o IPPAR, este enviou-nos o Caderno de Encargos para restauro da pintura em causa. Em Maio de 2008, a Fábrica da Igreja convidou as doutoras Ana Patrícia Lourenço e Ana Carla Roçado a apresentarem uma proposta para a realização dos trabalhos, de acordo com o referido Caderno de Encargos. Esta foi enviada ao IPPAR que respondeu, dizendo que estavam “reunidas as condições para avançar desde já com o trabalho”.

Assim, na segunda metade de Agosto, iniciaram-se os trabalhos de conservação e de restauro da pintura mural do arcossólio.


Electrificação
A electrificação da Igreja de Tarouca estava um perigo. Muito antiga, não oferecia condições mínimas de segurança. Fios sem protecção e velhas caixas de derivação a vaguearem por cima do tecto do templo punham este em constante sobressalto quanto à possibilidade de um incêndio destruidor.
Quando se procedeu à substituição do telhado e se pôde ver claramente a situação da electrificação, ficámos todos seriamente preocupados. Então o Conselho Económico fez um pedido urgente ao senhor Presidente da Câmara que, gentilmente, compreendeu a nossa apreensão e mandou rever toda a instalação eléctrica.
A ele e à Câmara Municipal o nosso sincero agradecimento.

Presidente da República preocupado com a onda de assaltos que se tem verificado no país

Penso que até ao momento só o CDS manifestou publicamente inquietação perante a onda de assaltos que tem varrido o país.
O PSD, como noutras matérias, é um mar de silêncio. Mas os sociais democratas escolheram uma líder ou uma monja contemplativa?
Os bloquistas, como de costume, revelam-se mais preocupados com questões fracturantes do que com os reais problemas do país.
O PCP, por mais estranho que pareça, detesta falar de problemas de segurança. Complexos da famosa "ditadura do proletariado"?
O governo e o partido que o apoio - PS - sempre lidaram mal com questões de autoridade.
E o senhor Sócrates, sempre tão hábil em propaganda, perde sistematicamente a voz quando questões graves preocupam os portugueses. Estranha doença, a deste senhor! Se for para distribuir computadores ou para anunciar projectos que ponham em alta o governo (mesmo que tardem ou não venham a concretizar-se), é perito em marcking, é mesmo inexcedível. Mas perante os graves problemas que o país enfrenta, emigra para o mundo do silêncio como se nada tivesse a ver com eles.

O Presidente da República, sempre tão comedido nas palavras e nas atitudes, veio a terreiro manifestar claramente a sua preocupação perante a grassante onde de assaltos que tem varrido o país. Finalmente!!!
«A onda de assaltos e crimes violentos que se tem vindo a verificar no nosso país é uma coisa muito séria. Todos nós esperamos que os criminosos não fiquem impunes."
«Os portugueses devem confiar nas forças de segurança e na polícia de investigação, mas é preciso uma concentração de meios e esforços, desenvolvendo uma estratégia adequada para enfrentar uma situação como esta."

Por seu lado, A psicóloga Cristina Soeiro, especialista em criminologia, explicou esta quarta-feira à TSF que os criminosos actuam porque têm a ideia de que o sistema é frágil.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Mãe, foi Deus que criou os dinossauros?

Naquela rua movimentada, a mãe, aparentando um elevado status social, caminhava com ar apreensivo, de telemóvel na mão. A par, ia uma criança que transportava na mão um dinossauro. No momento em que nos cruzámos, ouvi o pequenito disparar:
- Mãe, foi Deus que criou os dinossauros?
A mãe responde monossilabicamente, como que a arrumar a questão:
- Foi.
Mas o miúdo percebe a superficialidade da resposta e insiste:
- Achas mesmo que foi Deus que criou os dinossauros?
A resposta voltou monossilábica, distraída, a afugentar:
- Não.

Em tempos que já lá vão, os miúdos não tinham ambiente para fazer grandes perguntas aos pais. Aliás é conhecida a resposta que muitos davam: "línguas de perguntador". Felizmente mudou. Hoje os pais espicaçam a curiosidade natural dos petizes.
Eu sei que nem sempre é fácil responder. A vida, os problemas, o cansaço, o não domínio de certas matérias, a momentânea má disposição ... estorvam uma resposta à altura da curiosidade da criança. Aliás os pais não são Deus! Também têm limitações humanas.
Mas também é verdade que quando as crianças perguntam sobre religião, a grande maioria dos pais afasta a questão... E então se é em público!!!...

Deus ainda está muito longe da cidade dos homens. Estes tendem a escorraçá-l'O.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

De regresso

Uns breves dias de descanso com familiares. Dadas as circunstâncias, foi um tempo sereno em que privilegiamos mais o silêncio do que o barulho ou a excitação. Valeu a irrequietude salutar dos pequenos que foi salpicando as breves férias com momentos de aprazível descontracção.
Por razões compreensíveis, não estive tão atento como é costume ao que nos ia rodeando.

Gosto de dar longos passeios pela praia, pois sabe-se bem esse espaço de solidão no meio de multidões. Aprecio sentir o cheiro do mar e de contemplar a sua imensidão libertadora.

É-me muito gratificante reparar nos bons ambientes familiares que se podem observar. Famílias que conversam descontraidamente, que jogam, que brincam, que passeiam. Nunca me encho de reparar na nova atitude dos homens-pais. Há 30 anos, quase não via um pai a cuidar do filho bebé, a passear com ele ao colo ou pela mão e, muito menos, mudar-lhe a fralda. Hoje é frequentíssimo, felizmente.

A este respeito, chocou-me a atitude de um casal de meia idade com aspecto de "gente bem". Estavam ambos nas suas toalhas na praia bem apetrechada de gente. Ao lado, um jovem casal jogava à bola com os seus dois filhitos. Só que a malandra da bola foi bater no pé do homem de meia idade. Meu Deus, que sermão pregou, que ameaças proferiu, que insensibilidade revelou perante as desculpas que o jovem pai solicitamente apresentou! Confesso a minha revolta. Como é possível ser tão seco, tão maníaco, tão insensível? Parece que algumas pessoas só têm na cabeça a porcaria do dinheiro que lhe queimou completamente o coração.

O tempo esteve bom, embora a água se apresentasse mais fria do que é costume.

Foi muito interessante este convívio com familiares, sobretudo por durante o ano não tenho ocasião de privar com os meus sobrinhos. Os cunhados Ana e Armando, os manos Jacinta e Nuno e os sobrinhos Rita, Inês e André foram impecáveis. Tudo fizeram para que me sentisse bem. Aliás, como sempre. O meu profundo agradecimento.
Então o André, nos seus nove anitos, é o máximo. É um miúdo eléctrico, mas vivaço e de uma humildade estupenda. Gosta imenso de saber o porquê das coisas, de pregar partidas e tem um gosto especial pela história de Portugal. As primitas são também maravilhosas.

No regresso, como gostamos de fazer, subimos demoradamente pelo Alentejo. A todos fascina a imensidão da planície alentejana. Este ano, escolhemos o litoral alentejano, após visita ao Forte de S. Vicente.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

As razões que me levam a amar a Igreja


Creio que não posso escrever neste livro sobre as coisas que amo, sem falar também na nossa Igreja, sobre a minha querida Igreja. Compreendo que, ao fazê-lo, não estou muito na moda, porque hoje o habitual é falar dela, pelo menos, com desinteresse (e tantas vezes com ferocidade!), inclusive os crentes. Dizem que o sinal dos tempos é gritar: “Cristo, sim; Igreja, não”. Isso me parece tão sem sentido como dizer “quero a alma de minha mãe, mas a minha mãe, não”. Tenho pena de não entender aqueles que a insultam ou desprezam “em nome do Evangelho”, ou os que parecem sentir-se envergonhados da sua história e pensam que só agora ou no futuro vamos construir a “verdadeira e fiel Igreja”. Não sei; penso que, talvez quando já esteja no céu, hei-de sentir compaixão por isso tudo em que cá em baixo transformámos a Igreja; mas enquanto estiver na terra já tenho bastante trabalho em amá-la para ter ainda tempo de ficar a olhar os seus defeitos.
Vou ver se explico um pouco as razões pelas quais quero bem à Igreja. Para ser um pouco sistemático, vou reduzi-las a cinco fundamentais.

Como poderia eu não amar aquilo
porque Jesus morreu?
A primeira é que ela saiu do lado de Cristo. Como poderia eu não amar aquilo porque Jesus morreu? Como poderia eu amar a Cristo sem amar, ao mesmo tempo, aquelas coisas pelas quais Ele deu a Sua vida? A Igreja - boa, má, medíocre, santa ou pecadora, tudo isso junto - foi e continua a ser a esposa de Cristo.
Posso amar o esposo e desprezá-la a ela? Mas - dir-me-á alguém - como podes amar alguém que tantas vezes atraiçoou o Evangelho, alguém que tem tão pouco a ver com o que Cristo sonhou que fosse? Não sentes pelo menos “nostalgia” da Igreja primitiva? Sim, claro que sinto nostalgia daqueles tempos em que - como dizia Santo Irineu - “o sangue de Cristo estava ainda quente” e em que a fé era ardente e viva na alma dos crentes. Mas que é que justificaria que eu sentisse saudade da minha mãe jovem e sentisse menos amor por minha mãe velhinha? Poderia eu desprezar os seus pés cansados e o seu coração fatigado?
Ouço por vezes em alguns púlpitos e em algumas tribunas jornalísticas vozes demagógicas que nem têm o mérito de ser novas. As que falam, por exemplo, de que a Igreja é agora uma esposa prostituída. Recordo aquele disparatado texto que Saint -Cyran enviou a São Vicente de Paulo e que é - como certas críticas de hoje - um monumento de orgulho: - “Sim, eu reconheço que Deus me concedeu grandes luzes. Fez-me compreender que já não há Igreja. Deus fez-me compreender que há cinco ou seis séculos que não existe Igreja. Antes, a Igreja era um grande rio de águas transparentes; mas agora o que nos parece ser a Igreja é apenas lodo. A Igreja era a sua esposa. Actualmente é uma adúltera e uma prostituta. Por isso a repudiei e a quero substituir por outra que seja fiel”.
Fico, é claro, como São Vicente de Paulo, que, em vez de se pôr a sonhar passadas ou futuras utopias, se entregou à construção da sua santidade, e com ela, da Igreja.
Um rio de lama tem de ser limpo, e não apenas condenado. Sobretudo quando ninguém pode apresentar esse suposto libelo de repúdio que Cristo teria entregue à sua Igreja.


A Igreja e só ela me deu Cristo
A segunda razão por que amo a Igreja é porque ela e só ela me deu Cristo e tudo quanto eu sei dele. Através dessa imensa cadeia de crentes medíocres chegou -me a memória de Cristo e do Evangelho. Sim, por vezes foi maculado ao ser transmitido: mas tudo o que sabemos dele nos chegou através dela. Ela não é Cristo, bem sei. Ele é o absoluto, o fim; ela, apenas o meio. Inclusive, é certo que quando eu digo “creio na Igreja” o que estou a dizer é que creio em Cristo, que continua a estar nela; quando bebo um copo de vinho o que de facto bebo é o vinho e não o copo. Mas como poderia beber o vinho se não tivesse o copo? O cano não é a água que passa por ele, mas como o cano é importante!
O centro final do meu amor é Cristo, ela “é a câmara do tesouro, onde os apóstolos depositaram a verdade, que é Cristo”, como dizia Santo Irineu. Ela é “a sala onde o pai de família celebras as bodas do filho”, como escrevia São Cipriano. Ela é verdadeiramente - agora é o rio de Santo Agostinho que transborda “- a casa de oração adornada de visíveis edifícios, o templo onde habita a tua glória, a sede insubstituível da verdade, o santuário da eterna claridade, a arca que nos salva do dilúvio e nos conduz ao porto da salvação, a querida e única esposa que Cristo conquistou com o seu sangue e em cujo seio renascemos para a tua glória, com cujo leite nos amamentámos, cujo pão da vida nos fortalece, a fonte da vida com que nos sustentamos”.
Como poderia não amar eu quem me transmite todos os legados de Cristo: a eucaristia, sua palavra, a comunidade dos seus irmãos, a luz da esperança? A sua história, porém, é triste, está cheia de sangue derramado, de intolerância, de legalismo, de casamentos com os poderes deste mundo, de hierarcas medíocres e vendidos… Sim, é verdade. Mas também está cheia de santos.


Pesam muito mais os sacramentos
do que as cruzadas,
os santos
do que os Estados Pontifícios,
a Graça
do que o Direito Canónico.
E esta é a terceira razão do meu amor. Quando subo num comboio lembro-me sempre de que a história dos caminhos de ferro está cheia de acidentes. Mas nem por isso deixo de usá-los para me deslocar. “A Igreja — dizia Bernanos” — é como uma companhia de transportes que, há dois mil anos, transporta os homens da terra para o céu. Em dois mil anos teve muitos descarrilamentos, e uma infinidade de horas de atraso. Mas graças aos seus santos a empresa nunca faliu”. É verdade, os santos são a Igreja, são o que não nos deixa perder a confiança nela. Eu sei muito bem que a história não foi um idílio. Mas, no fim de contas, na hora de avaliar a Igreja, pesam muito mais os sacramentos do que as cruzadas, os santos do que os Estados Pontifícios, a Graça do que o Direito Canónico.
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Como temos os olhos doentes,
só vemos as zonas doentes da Igreja
Quero eu dizer com isto que amo a Igreja invisível e não a visível? De modo nenhum. Penso que Bernanos tinha razão ao escrever que “a Igreja visível é o que nós podemos ver da invisível.” Como temos os olhos doentes, só vemos as zonas doentes da Igreja. Não é mais cómodo? Se víssemos os santos, teríamos obrigação de ser como eles. È mais fácil “tranquilizar-nos” a olhar apenas as suas zonas obscuras, que ao mesmo tempo nos dá o prazer de as criticar e a tranquilidade de saber que todos são tão medíocres como nós.
Se não fôssemos tão humanos, veríamos mais os elementos divinos da Igreja, que só não vemos porque não somos dignos de os ver.
Atrevo-me a dizer um pouco mais: eu amo com maior intensidade a Igreja precisamente porque é imperfeita. Não que goste das suas imperfeições, mas porque penso que sem elas já há muito teria sido expulso dela. No final de contas, a Igreja é medíocre por estar formada de pessoas como nós, como tu e como eu. É isto que, definitivamente, nos permite continuar dentro dela.
E o que Bernanos dizia com fina ironia:
“Oh, se o mundo fosse a obra-prima de um arquitecto obcecado com a simetria ou de um professor de lógica, de um Deus deísta, a santidade seria o primeiro privilégio dos que mandam; cada grau da hierarquia corresponderia a um grau superior de santidade, até chegar ao mais santo de todos, o Santo Padre, é claro. Gostariam, porém, de uma Igreja assim? Sentir-se-iam bem dentro dela? Deixem-me rir. Em vez de se sentir bem, ficariam nessa congregação de super-homens a rodar o barrete entre as mãos, como um mendigo à porta do hotel Ritz. Felizmente, a Igreja é uma casa de família onde existe a desordem que há em todas as casas familiares, com cadeiras sem um pé, mesas manchadas de tinta, e onde os frascos de doces se esvaziam misteriosamente nas prateleiras, que todos conhecemos muito bem, por experiência própria”.
Felizmente na Igreja imperam as divinas extravagâncias do Espírito, que sopra onde quer. Graças a isso nós podemos agradecer a Deus todas as noites que não nos expulsaram da casa da qual todos somos indignos. Temos, é claro, de lutar por melhorá-la. Mas sem esquecer que sempre foi medíocre, sempre será medíocre, como nas casas há sempre poeira por mais cuidadosa que seja a sua dona.
Não se sabe por onde, mas o pó está sempre a entrar. E nós limpamos o pó em vez de estarmos a perguntar por onde é que ele entrou.
Rigorosamente falando, todas essas críticas que projectamos contra a Igreja deveríamos lançá-las contra nós mesmos. Vou dizê-lo em latim, com as palavras preciosas de Santo Ambrósio: “Non in se, sed in nobis vulneratur Ecciesia. Caveamus igitur, ne lapsus noster vultus Eclesiae fiat” ( a ferida da Igreja não está nela, está em nós mesmos. Tenhamos por isso cuidado, não aconteça que as nossas faltas se transformem na ferida da Igreja).
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A Igreja é a minha mãe
A quinta mais cordial das minhas razões é que a Igreja é – literalmente – minha mãe. Gerou-me e continua a amamentar-me. Gostaria de ser como Santo Atanásio, que se “agarra Igreja como uma árvore se agarra ao chão”. E poder dizer, como Orígenes, que “a Igreja arrebatou-me o coração. Ela é a minha pátria espiritual, a minha mãe e os meus irmãos”. Como envergonhar-me então das suas rugas quando sei que foram nascendo de tanto trabalho de nos dar à luz?
Espero, por todas essas razões, encontrar-me sempre nela como num lar aconchegado. Desejo - com a graça de Deus - morrer nela, como sonhava e conseguiu Santa Teresa. Será o meu maior orgulho na hora final.
Nesse dia gostarei de repetir um pequeno poema que escrevi há muitos anos, ainda seminarista. É um mau poema, mas conservo-o tal qual, porque creio que exprimia e exprime o que vai no meu coração:

Amo a Igreja, estou com as suas torpezas,
com as suas ternas e formosas colecções de loucos,
com a sua túnica cheia de manchas e pecados.
Amo os seus santos e os seus parvos,
amo a Igreja, quero estar com ela.

Ó mãe de mãos sujas e vestidos gastos,
cansada de nos amamentar,
cheia de rugas por dar à luz sem descanso.
Não temas nunca, mãe querida, que os teus olhos de velha
nos levem a outros portos.

Não foi a beleza que nos fez teus filhos.
Foi o teu sangue derramado.
Cada ruga da tua fronte nos apaixona
e o brilho cansado dos teus olhos atrai-nos para ti.
Hoje, cansados, sujos e com fome,
não esperamos palácios nem banquetes,
mas a tua casa, mãe, com uma pedra para nos sentarmos.

In Razões para o amor

Padre há 29 anos

Faz hoje 29 anos que fui ordenado sacerdote na Sé Catedral por D. António Xavier Monteiro, então Arcebispo-Bispo de Lamego a cuja memória presto homenagem de gratidão e admiração.
29 anos! Parece que foi ontem. Como o tempo corre!
Obrigado, Senhor, pela vocação, fruto do teu imenso amor.
Desculpa-me, Senhor, as minhas faltas, lacunas, pobrezas e pecados.
A Ti, Deus Santo, entrego o meu presente e o meu futuro. Quero ser um humilde e pobre altifalante do teu amor sem limites pelo homem, pelo homem de hoje.

Continuo a gostar muito de ser padre. Só não gostava de ter tantos limites para que a Palavra de Deus ecoasse mais cintilante na mente e no coração das pessoas.

Bodas de Ouro Sacerdotais do nosso Bispo

O senhor D. Jacinto celebra hoje as suas Bodas de Ouro Sacerdotais.
Parabéns, senhor Bispo!
Às 16 horas, na Sé, o nosso Bispo presidirá a um solene pontifical onde serão ordenados dois novos sacerdotes.
Parabéns, jovens colegas!
Sei que a melhor prenda que o coração do pastor diocesano pode receber é exactamente esta: ordenar dois novos padres.
Se Deus quiser, lá estarei também para representar esta comunidade paroquial e testemunhar a comunhão com o nosso Prelado. Para participar humildemente na festa da diocese que assim vê nascer dois novos presbíteros para o serviço da Igreja. Para agradecer a Deus o dom do nosso Bispo e com ele proclamar a alegria do serviço, nem sempre isento de sofrimento, mas carregado de esperança.
Estou consigo, Senhor Bispo!

Assunção de Nossa Senhora

Bendita és tu, Maria!
Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu…
Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…

Maria é a imagem da Igreja.
Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo.
E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.

Rezar por Maria. Frequentemente, ouvimos a expressão: “rezar à Virgem Maria”… Esta maneira de falar não é absolutamente exacta, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito: só Deus atende a oração. Os nossos irmãos protestantes que, contrariamente ao que se pretende, por vezes têm a mesma fé que os católicos e os ortodoxos na Virgem Maria Mãe de Deus, recordam-nos que Maria é e se diz ela própria a Serva do Senhor.
Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”

Rezar com Maria. Ela está ao nosso lado para nos levar na oração, como uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual nós a honramos hoje, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz: “Eis o teu Filho!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus.

Rezar como Maria. Aprendemos junto de Maria os caminhos da oração. Na escola daquela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do Espírito Santo, avançamos nos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se acção de graças no eco ao Magnificat. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Magalhães - o mais escandaloso golpe de propaganda do ano

Os noticiários de ontem abriram com pompa e circunstância anunciando o lançamento do "Primeiro computador portátil português", o Magalhães.

Na realidade, só com muito boa vontade é que o que foi dito e escrito é verdadeiro. O projecto não teve origem em Portugal, já existe desde 2006 e é da responsabilidade da Intel. Chama-se Classmate PC e é um laptop de baixo custo destinado ao terceiro mundo e já é vendido há muito tempo através da Amazon.

As notícias foram cuidadosamente feitas de forma a dar ideia que o Magalhães é algo de completamente novo e com origem em Portugal. Não é verdade. Felizmente, existem blogues atentos. Na imprensa escrita salvou-se, que eu tenha dado conta, a notícia do Portugal Diário: "Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto." Pelos vistos, o jornalista Filipe Caetano foi o único a fazer um trabalhinho de investigação em vez de reproduzir o comunicado de imprensa do Governo.

31 Julho 2008 (enviado por email)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Obrigado, Senhor, pela vida, dom do teu amor

Neste dia, Senhor, quero dizer-te obrigado pela vida, dom do teu amor.

Sinto a falta do beijinho especial que a minha Princesa me dava neste dia.


Eu sei, Senhor, que ela está bem no Teu amor imenso. Sei isso. E vou cantando baixinho:


Como a mãe abraço o filho, adormecido,
Tu nos tomas e agasalhas,
Nós teus filhos!

Muito obrigado!

Um obrigado profundo a todos as pessoas que, durante estes dias de dor pela passagem de minha mãe para a vida eterna, tiveram gestos, palavras e presenças de solidariedade e de amizade para com a família.
Ao senhor Bispo, ao senhor D. António, ao senhor Vigário Geral, ao pároco da minha terra, a todos os colegas e amigos sacerdotes que tão bela e fraternalmente manifestaram de várias maneiras a sua solidariedade, o meu profundo reconhecimento.
Aos meus familiares e conterrâneos que tão nobremente souberam estar presentes junto de nós, a nossa gratidão.
A todos os amigos, de longe ou de perto - alguns vindos de muito longe mesmo - um bem-haja profundo.
A todas as pessoas que, não podendo estar presentes, fizeram sentir de múltiplas formas a sua solidariedade e amizade, muito obrigado.

Um obrigado imenso
Faço-o com o coração nas mãos. Obrigado, comunidade paroquial de Tarouca! Eu não merecia tanto carinho, tanta amizade, tanta dedicação, tanta presença!
Como posso esquecer o coral, o grupo de jovens, os escuteiros, os catequistas, o GASPTA, os Conselhos económico e pastoral, os acólitos, ministros da comunhão, e todas as outras pessoas da comunidade! Que presença maravilhosa, numerosa e operante!
Obrigado às entidades que se fizeram representar. Caros Bombeiros, fostes fantásticos! Obrigado. Ao senhor Presidente da Câmara, ao senhor Presidente da Junta, à senhora Presidente do Conselho Executivo da minha escola, à Santa Casa da Misericórdia, ao seu médico de família, digo, sensibilizado, muito obrigado.
A todos os meus amigos que marcaram presença e aos que, não o podendo fazer, me fizeram chegar a sua solidariedade, muito obrigado.
Rezarei por todos. E a todos digo: gosto muito de vocês!

Há quem parta, ficando; há que fique partindo

Minha mãe partiu no domingo para a casa do Pai.

Inesperadamente. Uma hora depois de ter sorrido e acariciado os netitos, foi encontrada por estes no cais de partida para os braços do Pai.

Nesse domingo, acabara de chegar da Eucaristia em Santa Helena, quando repara no telemóvel. E ali estava a notícia: nossa mãe faleceu! Parecia brincadeira de mau gosto! Ou seria que não estava a compreender a mensagem!? Liguei. A confirmação veio entre lágrimas. Fulminante. Parecia que o coração ia estoirar. Procurei serenar e deixar que o meu pensamento voasse até Deus para lhe dizer um breve, sentido e profundo obrigado pela mãe extraordinária que me havia dado.

A tarde e a noite de domingo, segunda e terça foram dias marcados pela emoção e pelo sofrimento a que a certeza da Ressurreição deu sentido.

Minha mãe partiu. Mas ficou. No testemunho e entrega de uma vida que sempre falou muito mais pelo testemunho do que pelas palavras, como se estas indissessem o encanto de viver servindo sempre, incondicionalmente, até ao limite humano.

Partiu como viveu. Em plena discrição, sem dar nas vistas, serenamente. Agarrada ao seu terço.

Afinal aquele coração, que exames médicas e pareceres dos clínicos indicavam ser fantástico, traiu-a. Talvez para mostrar melhor esse outro coração que nunca se cansou de amar intensamente. Mas esse ninguém o mata. Está nos seus familiares e amigos e, sobretudo, navega no mar imenso da ternura de Deus.

Obrigado , princesa! Estarás pertinho de mim, porque imersa em Deus.

Obrigado, princesa! Foste um espírito franciscano no teu desprendimento, no teu amor à natureza, no teu amor a Deus e ao próximo.

Perdoa, mãe, por tanto que deste sempre e por tão pouco que te dei.

Como eu te amo!

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À NOSSA AVÓ

Em homenagem à nossa avó que era bondosa, carinhosa, amorosa, gentil e alegre. Ela ficará sempre no nosso coração.

~---------------------------------------------------------------------


A nossa avó

É a melhor flor do nosso jardim.

Que sempre nos ama,

Com ou sem fim.

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Aqui ao nosso lado,

Nunca desistiu de sonhar.

Agora a guiar-nos

O mundo vai encantar.

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A nossa avó,

É uma pessoa que nunca esqueceremos.

E no nosso coração

Sempre a amaremos.


sábado, 9 de agosto de 2008

XIX Domingo Comum

Veja as leituras deste domingo e os comentários em:
http://www.agencia.ecclesia.pt/cal/54/noticia.asp?jornalid=54&noticiaid=21742

COMEÇA A SEMANA NACIONAL DAS MIGRAÇÕES
(Carregue com o rato no texto para o ver maior.)

A importância que a 'virgula' tem

Onde colocaria a “Virgula” nesta frase?

'Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de rastos à sua procura.'

99% das mulheres colocam a vírgula a seguir a MULHER.

99% dos homens colocam-na a seguir a TEM.

É tramado… né?!

(enviado por email)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos de Pequim 2008

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Os Fuwa são as mascotes oficiais dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e representam a mensagem de amizade, paz e boa vontade da China para as crianças do mundo inteiro.
Cada mascote das Olimpíadas de Pequim tem um nome rítmico de duas sílabas, uma forma tradicional na China de expressar afecto pelas crianças. Beibei é o piexe, Jingjing é o panda, Huanhuan é a chama olímpica, Yingying é o antílope tibetano e Nini é a andorinha. Juntando os nomes - Bei Jing Huan Ying Ni – resulta “Pequim dá-lhe as boas vindas”. Esta eleição tem a ver com as cores dos cinco anéis olímpicos: preto, vermelho, amarelo, verde e azul; e com os cinco elementos tradicionais chineses: o metal, a madeira, o fogo, a água e a terra. Uma das tradições da Antiga China consistia em transmitir os melhores desejos através de símbolos e sinais. Por isso mesmo, cada mascote simboliza um desejo diferente que se quer transmitir a todos os continentes: prosperidade, felicidade, paixão, saúde e boa sorte.
http://www.h2onews.org/index.php?lang=pt&section=

AOS MIGRANTES


Jovens Migrantes — Protagonistas da Esperança

- De 10 a 17 de Agosto decorre a Semana Nacional de Migrações

- Em 12 e 13 de Agosto, Peregrinação Nacional dos Migrantes (emigrantes e imigrantes) a Fátima

- 17 de Agosto, 94º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

A globalização da Sociedade humana veio acelerar e facilitar a mobilidade das pessoas que permite uma interculturalidade cada vez mais abrangente por motivos laborais, turísticos, académicos, sociais, políticos, etc.
Não há pequena aldeia ou lugar turístico do mais longínquo interior que não tenha contactos, mais ou menos habituais, com pessoas de outro país, de outra língua, de outra cultura, de outro estilo de vida.
As férias, os interesses múltiplos, as curiosidades culturais mais diversas trazem gente que, se cruza connosco todos os dias, que nos faz perguntas, que nos pede informações, que nos solicita acolhimento, que se admira dos nossos hábitos, que partilha connosco a sua vida. Muitos destes são jovens trabalhadores, estudantes, turistas e até “vagos” — imigrantes das novas gerações que, por qualquer razão, vivem entre nós ou partilham, connosco, os mesmos bens e condições.
A Igreja é chamada, por vocação e missão, a acolher, a inserir, a integrar, a partilhar, a com-viver. A Igreja é Comunidade inter e multicultural que olha cada pessoa como filha de Deus, nossa irmã, parceira e companheira na vida, chamada à mesma dignidade e à mesma alegria de viver os mesmos valores e com os mesmos direitos. Mais ainda. A Igreja é a instituição que dá o alerta para os direitos dos (e-i)imgrantes, que denuncia todos os possíveis sinais de discriminação ou injustiças no acolhimento, na inscrição, na integração, na participação ou no relacionamento. Nesta coerência, a Igreja nunca pode aceitar que, por quaisquer diferenças, a pessoa do migrante seja posta num outro lugar que não aquele a que, como pessoa, tem direito.
Neste ano 2008,o tema do 94º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado é: “Jovens migrantes: Protagonistas da Esperança”. É um tema muito caro à Igreja, muito “nosso". Porque são jovens e porque são protagonistas da Esperança. Sejamos criativos, na pastoral da proximidade, da relação e do acolhimento para que seja assim. Qualquer (e-i)migrante, sobretudo se é jovem, deverá encontrar, em cada Comunidade Cristã, um “espaço” de inserção e um apoio, concreto e visível, para uma integração completa. Sentindo-se irmãos numa família de acolhimento alargada, os jovens sentir-se-ão implicados a ser participantes na construção global de uma casa comum, também eles protagonistas de uma Boa Nova que é universal: na origem, no destino e no conteúdo. Não há muitas outras maneiras de combater as múltiplas violências que muitas formas de ‘apartheid’ vão criando. O
Ilídio Pinto Leandro, Bispo de Viseu

Uma acção muito aplaudida

GOE termina sequestro com tiros
É com este título que o Correio da Manhã online se refere à maneira como ontem terminou o assalto a uma dependência do BES em Lisboa.
Li os imensos comentários que os leitores fizeram a esta notícia. A esmagadora maioria louva e enaltece a acção policial.
Pessoalmente nunca achei que o problema estivesse nas forças policiais. Felizmente o país tem profissionais competentes.
Para mim o problema sempre esteve do lado dos políticos. São estes que publicam leis que defendem os agressores e desprotegem as vítimas; são os políticos que não deixam as forças de segurança actuar; são anda os mesmos que não protegem os agentes policiais como era sua obrigação; são ainda os políticos que não dão às forças de segurança os meios para uma acção mais eficaz; por fim, são os políticos que não controlam as entradas de indivíduos perigosos, não contribuem para a integração de quem chega, não resolvem o problema económico-social, não implantam uma educação para os valores, não protegem a família, gerem mal situações sociais explosivas, como arrebanhar casos difíceis num mesmo bairro, falta de critérios na atribuição do rendimento mínimo garantido. Além disso, ao permitirem o disparar da desigualdade social e ao não controlarem o desemprego, ateiam o fogo da marginalidade.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"Confio na Polícia!"... "São casos pontuais!"...

Mais um assalto. Com infinda cobertura televisiva. Desta vez o alvo foi uma dependência do BES em Lisboa. Os assaltantes fizeram cinco reféns, libertando três durante a tarde. Por fim, a polícia tomou de assalto as instalações, libertou os dois reféns e prendeu os assaltantes.
Li e ouvi que os dois assaltantes eram brasileiros. No noticiário da noite da SIC, o comentador referia claramente que os assaltos com maior violência realizados neste país nos últimos tempos foram conduzidos por brasileiros, ucranianos e romenos, gente de leste. E quando o jornalista lhe perguntou se isso não seria racismo, respondeu que não, era a verdade.
Claro que já estou a ouvir o Ministro da Administração Interna: "Confio na Polícia!"... "São casos pontuais!"... E di-lo com aquela cara de mau e de importante - só se for para atemorizar os portugueses ou a polícia, porque aos gatunos não consegue, como se tem visto. É a cassete do costume. Não sei se neste caso foi exactamente isto que disse, mas andará por lá perto. Realmente a insegurança aumenta, afecta, destrói. Não adiantam as estatísticas que a seu belo prazer o senhor Ministro apresenta. Vivemos num país inseguro. Isso é trágico. E o que se tem feito para inverter a situação???
Claro que do Primeiro-Ministro, nem palavra, como é costume. Se fosse para apresentar promessas, com toda a pompa e circunstância, ai aí ele aparecia, sem dúvida. Como se trata de problemas reais, fica caladinho. Da oposição, já nem falo, porque pura e simplesmente não existe.
Tenho para mim, como aliás o referi por diversas vezes neste blog, que o Partido Socialista lida mal com a autoridade. Em relação à autoridade familiar, estamos conversados. O importante para esta gente é emperrar, embaraçar, desmoronar o que ainda resta da família tradicional. Em relação à autoridade dos professores, as posições do actual governo são pura e simplesmente lastimáveis. Quanto à autoridade policial, o caso não melhora. Não foi Mário Soares que disse que não gostava de polícias? Não foi o actual Ministro da Justiça que, quando foi Ministro da Administração Interna no anterior governo socialista, soltou a célebre frase: "Esta não é a minha polícia?" Quanto às leis aprovadas - não esquecer que o governo tem uma maioria absoluta no parlamento a apoiá-lo - o sentido é sempre o mesmo: proteger os infractores, desprotegendo as vítimas.
Realmente o PS tem um problema genético no que toca à autoridade. Mete-lhe confusão que a haja! Ah! A não ser na que ele exerce. Aí, aí de quem lhe toque! Relembro só um caso. Pensem no que sucedeu àquele professor colocado na Direcção Regional de Educação do Norte... São bem conhecidos dos portugueses os tiques de autoritarismo do nosso Primeiro...
Se o governo é a calamidade que é, se a oposição não quer existir, então tem razão aquele amigo que há tempos sugeria: " Nas próximas eleições, portugueses todos às urnas. Mas votem todos em branco! Só assim os políticos serão obrigados a entender a linguagem do povo."

Já viram algum filho de político desempregado?

Ao ler hoje o jornal SOL online, deparei-me com este comentário a uma notícia. A pessoa que comentou coloca devidamente "o dedo na ferida". Com a devida vénia, aqui o partilhamos com os nossos amigos.

"Os maiores inimigos da estabilidade do povo português estão em Belém, em São Bento e na Assembleia da República. Fora os outros que estão em casa a gozar o subsídio de reintegração e a reforma choruda que lhes dá para levarem a vida que quiserem sem preocupações nenhumas. E nós ? Nós temos que fazer das tripas coração todos os dias para irmos conseguindo pagar os empréstimos bancários. Estamos a vida inteira nas mãos dos bancos e quando finalmente conseguirmos pagar tudo...estamos prontos a esticar o pernil. É a sina do tuga.
A melhor profissão em Portugal é ser politico. Já agora, já viram algum filho de politico desempregado ? Conhecem algum licenciado filho de politico que esteja entre os milhares de licenciados desempregados ? Conhecem algum filho de politico inscrito nos centros de desemprego ? A politica em Portugal é a carreira que leva à boa vida. Para quem está lá e para os familiares, amigos, afilhados, etc.
E nós é que os sustentamos e ajudamos a engordar as respectivas contas bancárias..."
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=104634&tab=community

Um homem, um crente e um bispo fantástico!

Foi hoje a sepultar em Aveiro D. Manuel de Almeida Trindade, que fora bispo daquela diocese.
Não tive a dita de conhecer pessoalmente o senhor D. Manuel, nem sequer de alguma vez o ter ouvido falar em presença, mas habituei-me a admirar este grande Bispo por tudo o que li e ouvi dele e acerca dele.
A primeira pessoa que me falou do falecido Bispo Emérito de Aveiro foi Mons Reitor Carlos Resende que tinha sido seu colega em Roma, no tempo em que ambos aí frequentaram a Universidade. Mons. Resende falava com muita simpatia e admiração de D. Manuel e contagiou-me.
Recordo-me do tempo em que assumiu a Presidência da Conferência Episcopal Portuguesa e da sua postura durante o PREC, no após-25 de Abril. Sempre lúcido, projectando luz, sabendo bem o que queria, congregando a todos e sempre.
Porque esteve desde a primeira hora nos trabalhos do Concílio Vaticano II, era um admirador da doutrina conciliar e transmitia-a admiravelmente. Como poucos no seu tempo!
D. Manuel passou a emérito aos 70 anos de idade, quando ainda lhe faltavam 5 para a idade canónica do pedido de resignação. Até nisso foi grande! Sabendo-se cansado, pensando que a diocese que amava precisaria de alguém mais fresco para responder aos novos desafios, teve a grandeza humilde de pedir a resignação, demonstrando assim não estar agarrado a lugares, mas disponível para servir de outra maneira.
Após a resignação, escreveu o livro "Memórias de um Bispo", que li e reli com imensa satisfação. Penso que é uma obra indispensável para se conhecer a fundo o cristianismo em Portugal no século XX.
Obrigado, senhor D. Manuel. Agora que está na Igreja da eterna Luz, temos a certeza que será junto do Altíssimo um intercessor pela Igreja peregrina que tanto e tão bem amou.
Nos Braços de Deus o deixamos.

O milagre das mãos vazias

Ouvimos muitas vezes dizer que “ninguém dá o que não tem”. Mas creio que é mais verdadeira a afirmação de Urs von Balthasar quando escreve que “o privilégio do cristão é poder dar mais, infinitamente mais, do que aquilo que possui”. Vou ver se consigo explicar-me. Lembro ainda bem quanto me escandalizou, nos meus anos de estudante de teologia, a conferência de um sacerdote, um apóstolo brilhante e muito conhecido então — que nos dizia que não era preciso sermos santos para sermos eficazes apostolicamente. A ideia pareceu-me então disparatada, e continua a parecê-lo no tom em que aquele conferencista o dizia: como se a inteligência, a técnica oratória, a picardia pudessem substituir a santidade e o amor. Nunca acreditei nem na inteligência nem na técnica referidas ao mundo da graça. São o que a forma é para o pudim: se este for feito com ovos podres, ninguém o conseguirá comer por melhor que a forma seja. Sempre me interessará mais a carga interior daquilo que se diz do que os adjectivos que o ornamentam. Embora pense que uns conteúdos sérios exigem do orador ou do apóstolo que tome muito a sério os métodos de transmissão. Sabendo, porém, que são apenas isso: simples métodos.
Há na ideia, no entanto, uma parcela de verdade, e muito mais ainda na fórmula de Balthasar. Trinta anos de ministério ensinaram-me que cada um pode dar muito mais do que pessoalmente possui. E isto por uma razão elementar: a rigor, no mundo da graça nenhum homem dá nada. Deus é o único que pode dar, só ele. A experiência de qualquer sacerdote ou de qualquer cristão é que, se ele não puser demasiados obstáculos, Deus dá através de nós coisas que nós nem conseguimos sonhar. E o que Bernanos chamava “o doce milagre das mãos vazias”, através das quais pode passar a torrente de Deus.
No terreno sacramental isto é por demais evidente: que são as minhas mãos para absolver, a minha palavra para consagrar? Alguém “funciona” dentro de mim para que isso “saia”, como o vinho da garrafa sem ela o ter gerado ou fabricado.
Mas também se dá o mesmo noutros terrenos mais misteriosos: que cristão não semeou esperança nos dias em que a julgava perdida? Quantas vezes demos alegria a alguém e nos afastámos depois de pensar que éramos nós quem mais precisava dela?
Acontecem por vezes coisas misteriosas. Um dia aproxima-se alguém de ti, e declara-te que há vinte anos se alimenta de uma frase que tu disseste. Perguntas de que frase se trata, e quando a escutas ias jurar que nunca te passou pela cabeça, que a disseste casualmente. Repara como a flecha foi directa ao alvo que dela precisava.
Qualquer sacerdote sabe que algumas vezes preparou uma conferência ou uma homilia com todo o cuidado, e depois, ao falar, sobe-lhe aos lábios uma frase na qual nem sequer pensara. E logo se verifica que era dessa que algum ouvinte estava a precisar.
Veio uma vez um desconhecido agradecer-me um artigo que o ajudou a resolver em casa uma crise muito séria. E eu nem me lembrava de ter escrito artigo algum sobre esse tema. Terei eu um anjo da guarda que escreve e assina artigos que eu não elaborei? Ou escrevia eu doutra coisa, e aquela família — que precisava de uma resposta — encontrou-a onde o autor nem pensara? Vamos lá sabê-lo?!
Não sei se tudo isto será heresia. A mim, pelo menos, ajuda-me. Se tivesse de esperar por ser santo para começar a falar de Deus às pessoas, ainda agora estava calado. Se só pudesse escrever sobre a alegria, quando tudo corre bem, passaria a maior parte da vida em jejum de escrita. Compreendo que tenho obrigação de ter as mãos cheias, porque Deus o merece, mas não desanimo quando as vejo vazias. Encanta-me a ideia de ser uma trombeta através da qual alguém, mais poderoso do que eu, está a soprar. E de tantas graças passarem pelas minhas mãos... alguma ficará comigo.
O nosso problema está então em sermos bons transmissores, tornar-nos transparentes, para que possa ver-se através de nós o Deus escondido que levamos dentro. E depois partilhar sem mesquinharias o pouquinho que temos — essa migalha de fé, essa gota de esperança, esses gramas de alegria sabendo que não faltará quem venha multiplicá-la como o pão do milagre. Seguros de que a pequena chama de um fósforo pode atear uma grande fogueira. Não porque o fósforo seja importante, mas porque a chama é infinita.
In Razões para o amor

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Até as feras sabem preservar uma amizade...

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Como é possível?


(enviado por email)

Às quartas-feiras, milagre

Naquela tarde, o amigo Jacinto perguntou a Gabriela um dos pequenos personagens dum romance de Gerard Bessiere:
— Que fizeste hoje na escola?
Fiz um milagre — respondeu a menina.
— Um milagre, como?
— Foi na Catequese.
— E como fizeste o milagre?
— A nossa professora é uma jovem que está muito doente. Não pode fazer nada sozinha: só falar e rir.
— E que aconteceu?
— A Catequista falava dos milagres de Jesus. E os meninos disseram: não é verdade que haja milagres, porque, se os houvesse, Deus já te teria curado a ti.
— E ela que disse?
Disse: sim, Deus também faz milagres para mim. E os meninos disseram: que milagres faz?
— E depois?
— Depois, ela disse: o meu milagre sois vós. Porquê? perguntámos-lhe. E ela disse: porque às quartas-feiras me levais a passear, empurrando o meu carrinho de rodas. Vês? Fazemos milagres todas as quartas-feiras à tarde. Ela disse também que haveria muitos mais milagres, se a gente quisesse fazê-los.
— Tu gostas de fazer milagres?
— Sim. Tenho vontade de fazer muitos. Primeiro, pequenos. Quando for maior, vou fazer milagres grandes.
— Todas as quartas-feiras?
— Quero fazê-los todos os dias, toda a vida.
— Não te parece que a vida é também um milagre?
— Não — disse Gabriela —. A vida é para fazer milagres.
Gabriela tem razão, a vida é para fazer milagres, quartas, quintas e domingos. A vida não é para nos sentarmos à espera de que Deus faça milagres espectaculares; não é para nos limitarmos a confiar que Ele resolva os nossos problemas; mas, sim, para começarmos a fazer esse milagre pequenino que Ele pôs já nas nossas mãos — o milagre de nos querermos bem e de nos ajudarmos uns aos outros. Que será mais milagroso; restituir a vista a um cego, ou a felicidade a um amargurado? Mais prodigioso multiplicar os pães, ou reparti-los bem? Mais assombroso transformar a água em vinho, ou o egoísmo em fraternidade? Se os homens se dedicassem a construir milagres pequeninos metade do tempo que gastam a sonhar com os espectaculares, certamente o mundo caminharia já muito melhor.
E o milagre de amar, todos o podem fazer, pequenos e grandes, pobres e ricos, sãos e doentes. Fixai bem isto: podem privar um homem de tudo, menos da sua capacidade de amar. Um homem pode sofrer um acidente e nunca mais poder andar. Mas não há nenhum acidente que nos impeça de amar. Um doente mantém íntegra a sua capacidade de amar: pode amar o paralítico, o moribundo, o condenado à morte. Amar é uma capacidade inseparável da alma humana, que mesmo o mais miserável dos homens conservará.
Só no inferno não se poderá amar. Porque o inferno é isso mesmo: não amar, não ter nada a partilhar, não ter a possibilidade de se sentar junto de alguém para lhe dizer: ânimo!
Mas enquanto vivemos não há cadeia que maniete o coração, salvo, claro está, a do próprio egoísmo, que é como uma antecipação do inferno. “Os verdadeiros criminosos — dizia Follereausão os que passam a vida a dizer eu e sempre eu”.
Ao contrário, onde se ama, já se começou a construir o céu a golpes de milagres. Em definitivo, os milagres, para Jesus, eram antes de tudo “os sinais do reino”. E que melhor sinal de um reino de amor que começar a querer-nos bem aqui, com amores pequeninos como o da Gabriela e suas companheiras de escola?!
In Razões para o amor

Ano Paulino: importante entrevista

Vale a pena ler esta entrevista com o Bispo D. Anacleto Oliveira.
Em pleno Ano Paulino, ajuda imenso a compreender esta figura imensa e incontornável do cristianismo.
A actualidade de Paulo é incontestável.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Desde os dez euros até ao vaso rachado

O rapazinho de 8 anos
Um rapazinho de 8 anos queria ganhar 100 euros e rezou durante duas semanas a Deus.
Como nada acontecia, ele resolveu mandar uma carta para o Todo-Poderoso com seu pedido.
Os CTT receberam uma carta endereçada a 'Deus-Portugal' e resolveram entregá-la ao Primeiro Ministro.
O Ministro José Socrates ficou muito comovido com o pedido e resolveu mandar uma nota de 10 euros para o garotinho, pois achou que 100 euros era muito dinheiro para uma criança tão pequena. O rapazinho recebeu os 10 euros e imediatamente sentou-se para escrever uma carta de agradecimento:
-'Querido Deus: Muito obrigado por me mandar o dinheiro que eu pedi. Contudo, notei que por alguma razão, o Senhor mandou-o através do 1º Ministro José Socrates e, como sempre, aquele malandro ficou com 90% do que era meu!'

Vaso Chinês
Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspensona extremidade de uma vara que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada do rio até casa, enquanto o rachado chegava meio vazio.
Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água. Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer. Depois de dois anos, reflectindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho:
'Tenhovergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até a sua casa...'
A velhinha sorriu:
"Reparaste que lindas flores há somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todos os dias, enquanto a gente voltava, tu regava-las. Durante dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa."
Cada um de nós tem o seu próprio defeito. Mas é o defeito que cada um de nós tem, que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante. É preciso aceitar cada um pelo que é... E descobrir o que há de bom nele.

(enviado por email)

Em que lotaria jogamos?

Todos sabem que os portugueses são apaixonados pelo jogo: euromilhões, totoloto, totobola, lotaria, o bingo, a roleta … tudo isso está a levar boa parte dos sonhos e do dinheiro dos portugueses. As coisas andam mal, e uns mais e outros menos, todos acreditamos na mágica solução da “sorte grande” para sair de apuros.
Eu acho a lotaria estupenda, entendida como jogo. Quem não sonhou, na segunda quinzena de Dezembro, com todas as coisas bonitas que iria fazer com a sorte grande? Quem não sonhou já com as coisas maravilhosas que faria caso saísse o euromilhões?

O preocupante é o sonho convertido em febre, ou confundir a esperança com a sorte. Ou, o que é pior, mergulhar nas lotarias do dinheiro, e esquecer todas as demais lotarias com prémios muito mais suculentos e seguros.

A lotaria de viver, por exemplo. Saiu-nos a todos desde o dia em que a bola da existência caiu sobre nós. Viver bem é estupendo; mas eu acho ainda mais estupendo o simples facto de viver. No dia do nosso nascimento saiu-nos a “sorte grande”, saímos da pobreza absoluta do nada, entrámos na maravilha do tempo e do sangue. Absurdo é haver gente que gira pelo mundo sem se ter dado ao trabalho de consultar a lista dessa lotaria de viver, para verificar que está lá o seu nome.

A lotaria de amar é ainda mais fecunda, e tem prémio duplo: a possibilidade de amar e a de ser amado. Quem saberia dizer qual dos dois é o maior? Nesta lotaria nem é preciso comprar bilhete: basta ter coração, e não o deixar endurecer demasiado pelo egoísmo. É um sorteio com muitas pequenas alegrias que, além disso, saem em todos os números.

A lotaria da esperança é um pouco mais ladeira acima. Para jogar nela temos de ter os olhos limpos e alguns quilos de coragem perante a adversidade. Mas está também ao alcance de todos. Em geral esta lotaria não distribui prémios grandes; tem de ganhar-se cada dia, com pequenas aproximações que dão para continuar a comprar esperanças para o dia seguinte.

Vem depois a lotaria do acreditar. Acreditar, se for possível, em alguém. Ou, pelo menos, em algo que, se for límpido, leva a acreditar nesse Alguém, que eu escrevo com maiúscula. Esta lotaria não se compra.É um dom. Mas um dom oferecido a todo aquele que o busca com boa vontade. Essa é que é uma boa “sorte grande”. Não resolve os problemas. Mas dá força para os resolver.
Todas estas lotarias estão aí à disposição de toda a gente. E saem a todos os que jogam. Oferecem-se a ricos e pobres, mais aos pobres do que aos que se rebolam em riqueza.
O que espanta é que não haja filas nas agências de recolha.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

UMA FÁBULA MODERNA

Uma galinha achou alguns grãos de trigo e disse aos vizinhos: “Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém me quer ajudar a plantá-lo?”
“Eu não, estás parva !” - disse a vaca.
“Nem eu, tenho mais que fazer !” - emendou o pato.
“Eu também não” - retorquiu o porco.
“Eu muito menos” - completou o bode.
“Então, eu mesma planto”, disse a galinha. E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu, com grãos dourados.

“Quem me vai ajudar a colher o trigo?” - quis saber a galinha.
“Eu não, já tenho o rendimento mínimo garantido” - disse o pato.
“Não faz parte das minhas funções. Só se pagares algum sem recibo” - disse o porco.
“Não, depois de tantos anos de serviço”, - exclamou a vaca.
“Eu arriscava-me a perder o fundo de desemprego” - disse o bode.
“Então, eu mesma colho” - disse a galinha, e colheu o trigo, ela própria.


Finalmente, chegara a hora de amassar o pão.
“Quem me vai ajudar a cozer o pão?” - indagou a galinha.
“Eu fugi da escola e não aprendi essas merdas ! Ganho bem com a passa !” - disse o porco.
“Eu não posso pôr em risco o meu subsídio de doença” - continuou o pato.
“Caso seja sozinho a ajudar, é discriminação” - resmungou o bode.
“Só se me pagarem horas extra” - exclamou a vaca.
“Então, eu mesma faço” - exclamou a pequena galinha.


Cozeu cinco pães e pô-los a todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver. De repente, toda a gente passou a querer pão, e pediu um bocado. A galinha disse simplesmente:
“Não! Vou comer os cinco pães sozinha”.
“Lucros excessivos, sua agiota!” - gritou a vaca.
“Sanguessuga capitalista!” - exclamou o pato.
“Eu exijo direitos iguais!” - bradou o bode.
O porco grunhiu: - A Paz, o Pão, Educação, são para todos! Direitos do Povo!

Pintaram faixas e cartazes dizendo “Injustiça” e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades, como as claques dos clubes de futebol.
QUERO OS MEUS DIREITOS!
INJUSTIÇA!
A ROUBAR O PÂO AO POVO
FASCISTA .
(enviado por email)

A vergonha de ser cristão

Conta-me um companheiro que, quando no mês passado visitava o Egipto, com a sua equipa, para fazer diversas filmagens, foram recebidos no Cairo pelo director geral da Televisão Egípcia. Depois de lhes conceder todas as facilidades, aquele director geral despediu-se dando a cada um um exemplar do Alcorão, não sem antes ter beijado respeitosamente a portada do livro. “Que Alá vos proteja no vosso trabalho”, acrescentou. E fez tudo aquilo - continua o meu companheiro - com um respeito, uma naturalidade, que o grupo de ocidentais, na maioria não crentes, sentiu-se sinceramente emocionado. Digam-me agora se são capazes de imaginar qualquer dos Directores da nossa televisão a fazer um gesto semelhante. Ou digam-me se lhes cabe na cabeça que o Director comercial de qualquer das grandes firmas ofereça uma Bíblia aos visitantes estrangeiros. Digam-me ainda mais isto: fá-lo-ia com essa espontânea sinceridade um dos nossos bispos a uns desconhecidos? Receio que todos encontremos milhentas razões para nos justificar: “Que vão eles pensar de nós?” “Quando muito vão-se rir do presente! “.
A verdade é que o que mais surpreende numa viagem ao Oriente é a absoluta naturalidade com que o religioso se insere na vida dos crentes. A minha primeira lembrança dos países árabes é a de um muçulmano prostrado no aeroporto do Cairo, fazendo as suas orações no cimento da pista, insensível ao rugir dos aviões. Vi amigos judeus profundamente crentes que, também com plena naturalidade e sem escrúpulos, cumpriam em público algumas prescrições da sua religião, que para um não judeu resultavam profundamente ridículas, mas que feitas com aquela naturalidade se tornavam até comovedoras.
Nas ruas da India podem encontrar-se dúzias de gurís a exibir a sua nudez ou a encerrar-se na contemplação, sem a curiosidade dos turistas e dos fotógrafos lhes provocar o menor embaraço. Entre nós é muito diferente: oscilamos entre o orgulho agressivo de ser católico e a vergonha de o mostrar em público. Contava-me um amigo meu há poucos dias que, numa dessas longas esperas do aeroporto, decidiu rezar o terço. Mas a mulher dizia-lhe: “Passa as contas dentro do bolso, para não se rirem de nós”. E o meu amigo respondeu: “Se aquele parzinho não tem vergonha de beijar-se em público, porque me hei-de eu envergonhar de rezar o terço?”
Houve tempos no ocidente em que o exibicionismo contava mais do que a própria fé. Não faltava quem convertesse a crença numa certa agressividade. Devemos reconhecer que alguma descrença de hoje pode ter origem nos excessos do passado. Pessoas que se viram obrigadas a ir à missa diariamente nos colégios, ou a rezar o terço “à força”, respondem hoje que fizeram na juventude actos religiosos que chegam para toda a vida.
Agora, porém, emigrámos para o hemisfério da “vergonha”. Há jornais que ignoram as notícias religiosas, ou só as dão quando são estrambóticas, porque pensam que tudo isso é coisa de padres. Há donos de salas de cinema que ficam aterrados com a ideia de exibir um filme religioso — que além do mais já só quase existem nas filmotecas — com medo de ganharem fama de beatos. Há universitários que morreriam de vergonha, se tivessem de confessar que vão à Missa aos domingos. Padres, até, que procuram falar daquilo “de que a gente fala”, porque falar num café de assuntos religiosos é coisa que não dá. Suponho que isto é, em parte, a velha lei do pêndulo, e que esta “moda da vergonha” passará quando nos dermos conta de como é ridícula. De qualquer modo, é um sinal bem triste da nossa covardia colectiva.
Observe-se, porém, que não estou a pedir que voltemos ao “orgulho exterior” de ser católicos, mas simplesmente que o sejamos com espontaneidade e o expressemos naturalmente. Não se trata de converter os cristãos em “doentes” de futebol, que só sabem falar do seu clube, mas em pessoas de quem a fé saia pelas obras como a respiração sai dos pulmões.
E claro que temos de começar por ter o coração muito em Deus para falar bem dele. O cristão é apóstolo, não um charlatão de feira. Tem de começar por cumprir o conselho de Von Hugel: — “Quando o cristianismo é odiado pelo mundo, a tarefa própria do cristão não é mostrar eloquência de palavra mas grandeza de alma. Por isso não fales muito das coisas grandes: deixa-as crescer em ti”.
Quando tiverem crescido suficientemente, a fé sairá pelas nossas palavras como as rosas brotam das roseiras.
In Razões para o amor

domingo, 3 de agosto de 2008

Parábolas refrescantes para esta quente semana de Agosto

E o profeta continuava a gritar...
Certo dia chegou um profeta a uma cidade, e começou a gritar, em plena praça, que era preciso inverter a marcha do país. O profeta gritava, gritava, e uma considerável multidão acudiu a escutá-lo, mais por curiosidade do que por interesse. O profeta punha toda a sua alma nas palavras, exigindo a mudança dos costumes. Mas os dias passavam, e eram cada vez menos os curiosos que rodeavam o profeta. Nem uma só pessoa parecia disposta a mudar de vida. O profeta, porém, não desanimava, e continuava a clamar. Até que um dia já ninguém ficou na praça a escutá-lo. Passavam os dias. O profeta continuava a gritar. Ninguém o escutava. Por fim, alguém se aproximou e lhe perguntou:
- Porque é que continua a gritar? Não vê que ninguém está disposto a mudar?
“Continuo a gritar — respondeu o profeta — porque, se eu me calasse, eles me teriam mudado a mim”.

A moral desta parábola parece-me bastante simples e muito oportuna: não devemos trabalhar porque esperamos que vamos conseguir um fruto, mas porque é o nosso dever, porque acreditamos no que estamos a dizer. Como é evidente, todo aquele que proclama uma ideia o faz para que ela penetre nos seus ouvintes: mas aquele que desanima porque os seus pensamentos não são ouvidos ou seguidos, é porque não tem fé suficiente no que pensa e no que faz. A utilidade, o puro fruto, não pode ser o único critério das nossas acções. E sobretudo se esses frutos se esperam no imediato, já estamos a preparar o desalento. Mudar o mundo é, além disso, muito difícil. Quase impossível. E por isso, o semeador não costuma chegar a ver o fruto da sementeira, porque no mundo as mudanças de tudo o que é acidental são rápidas ao passo que os corações mudam com travão e por vezes com marcha-atrás. Isto o pode entender todo aquele que contemple de olhos abertos quão lentamente muda o seu coração, quanto nos custa a todos evoluir, e quão devagar cresce em nós a maturidade e a paz da alma. Mas nada disto detém o verdadeiro profeta ou o autêntico trabalhador. Não se é autêntico nem verdadeiro, se não se é obstinado e paciente.

O velho Bayacid
O velho sufi Bayacid, diz-se — contava aos seus discípulos: “Quando eu era jovem, era revolucionário, e a minha oração consistia em dizer a Deus: “Dai-me força para mudar o mundo”. Mais tarde, à medida que fui ficando adulto, dei-me conta de que não tinha mudado uma só alma. Então a minha oração começou a ser: “Senhor, dai-me a graça de transformar os que estão em contacto comigo, ainda que seja só a minha família”. E agora, que sou velho, começo a entender como fui estúpido. E a minha única oração é esta: “Senhor, dai-me a graça de me mudar a mim mesmo”. Penso que se tivesse rezado assim desde o princípio não teria malbaratado a minha vida”.

Esta segunda parábola nem precisa de comentário. Talvez, de reafirmação. É que este mundo está cheio de reformadores que nem sequer começaram por reformar-se a si mesmos. Como ser pacifista, se não se respira paz? Como falar de liberdade, se não se é espiritualmente livre? Como pregar o amor, se não se ama? Que sentido tem exigir justiça com palavras agressivas e injustas? Como esperar respeito dos filhos, se não os respeitamos? Como exigir dos pais, quando não somos exigentes connosco mesmos? Receio que muitas das nossas petições de mudança do mundo não passem de um alibi para disfarçar o nosso fracasso na hora de nos mudarmos a nós mesmos, e que uma alta percentagem das acusações de desonestidade que fazemos aos outros não passe de um auto-engano para não nos olharmos no espelho da nossa própria desonestidade. Além disso a única maneira de mudarmos os que nos rodeiam é conseguir que a nossa mudança irradie. Um homem em paz consigo mesmo não precisa de falar de alegria, porque a revelará em todas as suas palavras. Um ser humano com verdadeira fé nas suas ideias pregá-las-á sem abrir os lábios, simplesmente vivendo.É claro que é óptimo que nos preocupemos com a transformação do mundo. Contanto que não seja uma desculpa para nos dispensarmos de cultivar o nosso próprio jardim. Porque no dia em que o nosso jardim melhorar, já o mundo terá começado a ser melhor.
In Razões para o amor