terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Apontamentos da vida e a vida em apontamentos


Faz hoje oito dias. Aquela experiência com os sem abrigo marcou-me.
Há um pormenor (para mim, 'pormaior'!) que não esqueço. Entre os voluntários, estava um miúdo (10-12 anos) que servia à mesa com uma serenidade e discrição impressionantes.
Fui informado que o pequeno acompanhava os pais no voluntariado, não porque os progenitores lho impusessem, mas porque ele fazia questão de os acompanhar.
É aquilo que dizemos milhões de vezes: "Casa de pais, escola de filhos". O exemplo é tudo.
Que exemplo de serviço aos outros dão os pais modernos???
 
No domingo passado, teve lugar no Centro Paroquial uma reunião de todos os grupos paroquiais. Rezou-se, fez-se um pequeno exercício para tomarmos consciência dos nossos conhecimentos (ou falta deles) em relação à Fé,  discutiu-se vivamente sobre a ação "Celebração do Dia do Diente e do Idoso" que, de acordo com os presentes terá lugar nesta comunidade paroquial em 18 de fevereiro.
Embora o Dia Do Doente seja  11 de fevereiro, achámos que não seria a data propícia, uma vez que tal dia, este ano, cai em plena época de Carnaval e as pessoas estão ocupadas com essa efeméride.
Foi viva e participada a reunião. As pessoas deram a sua opinião, ofereceram-se para colaborar e houve a garantia de ajudas em géneros para o lanche que será servido aos participantes.
Foi um belo momento de Igreja! Parabéns aos participantes.
Pode ver AQUI detalhes sobre a celebração do Dia do Doente e do Idoso nesta Paróquia.
Foto de Carlos Lopes.
Há dias, um professor do Ensino Superior esteve em Tarouca. Acompanhei-o numa visita ao Centro Paroquial. Ficou encantado com o que viu e sentiu. "Estão de parabéns a comunidade e os responsáveis", repetia convictamente.
E ia perguntando a si mesmo como quem expressa um desejo: "Quantas paróquias por aí fora têm estas condições para o trabalho pastoral!?"
Achou delicioso o contraste entre a construção nova e a reconstrução da Casa da Fonte, num plano bem concebido. Tirou fotos de pormenores. Então aquela parte da Casa da Fonte virada para o restante Centro Paroquial encantou-o.
Apreciou a Imagem de Santa Helena, uma obra de arte. Só discordou da sua localização. Quando, no fim da visita, lhe perguntei onde achava que a Imagem ficaria bem, respondeu sem pestanejar: "Entre as escadas de acesso à casa e o palco, frente ao edifício antigo."
Para mim, também foi sempre um dos locais favoritos...
 
Uma vaga de falecimentos atinge esta comunidade nesta altura. Aliás nota-se aqui uma constante ao longo dos anos. Pode haver algum tempo sem funerais, mas se aparece um, por norma, uma série deles vem a seguir...
A nossa prece por quem parte. O nosso respeito para com a dor de quem vê partir um ente querido.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Servindo os sem-abrigo

Uma vez que praticamente não tive férias, sentia-me cansado e com necessidade de arejar. Tirei 3 dias para ir até Lisboa com familiares e visitar outros familiares e alguns amigos.
Foram três dias 5 estrelas! A amizade, carinho e solicitude com que as pessoas visitadas me envolveram ficaram marcadas no coração.
Depois Lisboa é um mundo fantástico! Como cidade, monumentalidade, ambiente humano diversificado e plural. Liberta-nos do ram-ram do dia-a-dia e abre sempre perspectivas novas.
Além das visitas diurnas, à noite os meus familiares levaram-me a percorrer Lisboa. Tomar uma bebida neste e naquele bar, apreciar a cidade desde pontos panorâmicos - não esqueço o da Graça -, percorrer estas e aquelas ruas, admirar este ou aquele monumento.
Embora no meio da semana, não esqueco o movimento intenso que senti à noite na zona do Cais do Sodré. Bandos de jovens, barulhentos e de copo não mão, saltitavam de bar em bar, fazendo pausas na rua.
Lisboa é uma cidade com nível. Mesmo aquelas zonas, outrora degradadas, tem hoje um semblante novo, lavado, atraente.
Tive uma experiência nova. Numa das noites, um familiar meu convidou-me a ser voluntário numa assiciação que se dedica a apoiar os sem-abrigo. E lá fui. Trata-se de uma associação que vive do voluntariado. Total.
Foram 70 os sem-abrigo que foram atendidos naquela noite e naquela associação. Além do banho e da mudança de roupa, os sem-abrigo tiveram direito a uma refeição e a um pequeno almoço para o dia seguinte.
Qual foi o meu trabalho? Lavar pratos e copos (um copo partiu-se e deixou-me um dedo a sangar!) e ajudar a encher os saquinhos para o pequeno almoço.
No intervalo do serviço, vim até à sala e olhei aqueles rostos limpos dos sem-abrigos. De muitos desses rostos escorriam palpavelmente marcas de sofrimento. Havia gente muito nova. Uma ideia vivenciei nesses momentos: cada sem abrigo é uma pessoa, tão importante como o Papa Francisco, o presidente da República ou o homem mais rico do mundo. É UMA PESSOA!
Aquele beijinhos que uma senhora sem-abrigo me deu ao despedir-se, foi uma ternura de Deus que recebi.
Obrigado, familiares e amigos, pelo carinho, vivências e oportunidades que me proporcionastes!

domingo, 21 de janeiro de 2018

Discurso do Papa aos religiosos no Chile

Este discurso foi pronunciado pelo Papa na noite de segunda-feira, 16 de Janeiro, em Santiago, no Chile. O autor de "Atualidade Religiosa" diz: "Para mim, foi o discurso do dia, um dos melhores do Papa Francisco até hoje. Deixo-o aqui, na íntegra e sem qualquer edição, para que todos possam ler. É longo, mas compensa."
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Queridos irmãos e irmãs, boa-tarde!

Estou feliz por participar neste encontro convosco. Gostei do modo como o Card. Ezzati vos apresentou: «Aqui estão... aqui estão as consagradas, os consagrados, os presbíteros, os diáconos permanentes, os seminaristas…» Aqui estão. Fez-me recordar o dia da nossa Ordenação ou Consagração em que, depois da apresentação, dissemos: «Aqui estou, Senhor, para fazer a vossa vontade». Neste encontro, queremos dizer ao Senhor: «Aqui estamos» para renovar o nosso «sim». 

Queremos renovar, juntos, a resposta à vocação que um dia alvoroçou o nosso coração.

E, para isso, creio que nos pode ajudar a passagem do Evangelho que escutamos, compartilhando três momentos de Pedro e da primeira comunidade: Pedro e a comunidade abatidos, Pedro e a comunidade tratados com misericórdia e Pedro e a comunidade transfigurados. Jogo com o binómio Pedro-comunidade, porque a experiência dos apóstolos tem sempre estes dois aspetos: pessoal e comunitário. Andam de mãos dadas, e não os podemos separar. É verdade que somos chamados individualmente, mas sempre para ser parte dum grupo maior. Não existe a «selfie vocacional», não existe. A vocação exige que a foto te seja tirada por outrem; que lhe havemos de fazer? As coisas estão assim.

1. Pedro abatido e a comunidade abatida
Sempre gostei do estilo dos Evangelhos que não adornam, não mitigam os acontecimentos, nem os pintam fazendo-os mais belos. Apresentam-nos a vida como é e não como deveria ser. O Evangelho não tem medo de nos mostrar os momentos difíceis, e até conflituosos, por que passaram os discípulos.

Reconstituamos a situação. Tinham morto Jesus; algumas mulheres diziam que estava vivo (cf. Lc 24, 22-24). Os discípulos, mesmo tendo visto Jesus ressuscitado, tão grande é o acontecimento que precisarão de tempo para compreender o sucedido. Diz Lucas: «Era tão grande a alegria que nem queriam acreditar». Precisavam de tempo para compreender aquilo que tinha acontecido. A compreensão chegar-lhes-á no Pentecostes, com o envio do Espírito Santo. A irrupção do Ressuscitado levará tempo a penetrar no coração dos seus.

Os discípulos voltam para a sua terra. Vão fazer o que sabiam: pescar. Não estavam todos, apenas alguns. Divididos, fragmentados? Não sabemos. O que nos diz a Escritura é que, aqueles que estavam, não pescaram nada. Têm as redes vazias.

Entretanto havia outro vazio que pesava inconscientemente sobre eles: a perplexidade e o turvamento pela morte do seu Mestre. Já não está, foi crucificado. Mas não acabou só Ele crucificado, os próprios discípulos foram joeirados, tendo a morte de Jesus posto em evidência um torvelinho de conflitos no coração dos seus amigos. Pedro renegara-O, Judas traíra-O, os restantes fugiram e esconderam-se. Ficou apenas um punhado de mulheres e o discípulo amado. O resto, foi-se. Questão de dias, e tudo ruiu. São as horas da perplexidade e do turvamento na vida do discípulo. Nos momentos «em que está levantada a poeira das perseguições, tribulações, dúvidas, etc. por causa de factos culturais e históricos, não é fácil atinar com o caminho a seguir. Há várias tentações que caraterizam estes momentos: discutir ideias, não prestar a devida atenção ao caso, fixar-se demasiado nos perseguidores... e – creio que a pior de todas as tentações – ficar a ruminar a desolação».[1] Sim, ficar a ruminar a desolação. Isto é o que sucedeu aos discípulos.

Como nos dizia o cardeal Ezzati, «a vida sacerdotal e consagrada, no Chile, atravessou e atravessa horas difíceis de turbulência e desafios sérios. Juntamente com a fidelidade da imensa maioria, cresceu também a cizânia do mal com as suas consequências de escândalo e deserção».

Momento de turbulência. Sei da dor causada pelos casos de abuso contra menores e sigo com atenção aquilo que estais a fazer para superar este grave e doloroso malefício. Dor pelo dano e sofrimento das vítimas e suas famílias, que viram traída a confiança que depunham nos ministros da Igreja. Dor pelo sofrimento das comunidades eclesiais, e dor também por vós, irmãos, que, além do desgaste pela entrega, experimentastes o dano que provoca a suspeita e a contestação, que pode ter insinuado – em alguns ou muitos – a dúvida, o medo e a difidência. Sei que, às vezes, sofrestes insultos no metropolitano ou caminhando pela rua; que, em muitos lugares, se está a «pagar caro» andar vestido de padre. Por isso, convido-vos a pedir a Deus que nos dê a lucidez de chamar a realidade pelo seu nome, a coragem de pedir perdão e a capacidade de aprender a escutar o que Ele nos está a dizer, e não ruminar a desolação.

Gostaria de acrescentar ainda outro aspeto importante. As nossas sociedades estão a mudar. O Chile de hoje é muito diferente do que conheci no tempo da minha juventude, quando me estava a formar. Estão a nascer novas e variadas formas culturais, que não se enquadram nos contornos habituais. E temos de reconhecer que, muitas vezes, não sabemos como nos inserir nestas novas situações. Frequentemente sonhamos com as «cebolas do Egito» e esquecemo-nos de que a terra prometida está à frente, e não atrás. Que a promessa é de ontem, mas diz respeito ao amanhã. E então podemos cair na tentação de nos fecharmos e isolarmos para defender as nossas posições que acabam por ser apenas bons monólogos. Podemos ser tentados a pensar que tudo está mal e, em vez de professar uma «boa nova», tudo o que professamos é apatia e deceção. Assim, fechamos os olhos perante os desafios pastorais, pensando que o Espírito não tenha nada a dizer. Deste modo esquecemo-nos de que o Evangelho é um caminho de conversão, mas não só «dos outros», também nossa.

Gostemos ou não, estamos convidados a enfrentar a realidade como ela se nos apresenta: a realidade pessoal, comunitária e social. As redes – dizem os discípulos – estão vazias, e podemos compreender os sentimentos que isso gera. Regressam a casa sem grandes aventuras para contar; regressam a casa de mãos vazias; regressam a casa, abatidos.

Que resta daqueles discípulos fortes, corajosos, vivazes, que se sentiam escolhidos tendo deixado tudo para seguir Jesus (cf. Mc 1, 16-20)? Que resta daqueles discípulos seguros de si, prontos a ir para a prisão e até dariam a vida pelo seu Mestre (cf. Lc 22, 33), que, para O defender, queriam mandar vir fogo sobre a terra (cf. Lc 9, 54); que, por Ele, desembainhariam a espada e combateriam (cf. Lc 22, 49-51)? Que resta do Pedro que repreendia o seu Mestre dizendo-Lhe como é que deveria orientar a sua vida (cf. Mc 8, 31-33), o seu programa de redenção? A desolação.

2. Pedro tratado com misericórdia e a comunidade tratada com misericórdia
É a hora da verdade, na vida da primeira comunidade. É a hora em que Pedro se confrontou com parte de si mesmo: a parte da sua verdade que muitas vezes não queria ver. Experimentou a sua limitação, a sua fragilidade, o seu ser pecador. Pedro, o instintivo, o chefe impulsivo e salvador, com uma boa dose de autossuficiência e um excesso de confiança em si mesmo e nas suas possibilidades, teve que se curvar à sua fraqueza e pecado. Era tão pecador como os outros, era tão carente como os outros, era tão frágil como os outros. Pedro dececionou Aquele a quem jurara proteção. Hora crucial na vida de Pedro.

Como discípulos, como Igreja, pode acontecer-nos o mesmo: há momentos em que somos confrontados, não com as nossas glórias, mas com a nossa fraqueza. Horas cruciais na vida dos discípulos, mas é também nessas horas que nasce o apóstolo. Deixemos o texto levar-nos pela mão.
«Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?”» (Jo 21, 15).

Depois de comer, Jesus convida Pedro a passear um pouco e a única palavra é uma pergunta, uma pergunta de amor: Amas-Me? Jesus não censura nem condena. Tudo o que Ele quer fazer é salvar Pedro. Quer salvá-lo do perigo de ficar fechado no seu pecado, de ficar «a mastigar» a desolação, fruto da sua limitação; salvá-lo do perigo de desistir, por causa das suas limitações, de todas as coisas boas que vivera com Jesus. Quer salvá-lo do fechamento e do isolamento. Quer salvá-lo daquela atitude destrutiva que é o vitimizar-se ou, ao contrário, cair num «vale tudo o mesmo», acabando por fazer malograr qualquer compromisso no mais danoso relativismo. Quer libertá-lo de considerar quem se opõe a Ele como se fosse um inimigo, ou de não aceitar com serenidade as contradições e as críticas. Quer libertá-lo da tristeza e sobretudo do mau humor. Com esta pergunta, Jesus convida Pedro a auscultar o seu coração e aprender a discernir. Uma vez que «não era de Deus defender a verdade à custa da caridade, nem a caridade à custa da verdade, nem o equilíbrio à custa de ambas. É preciso discernir. Jesus quer evitar que Pedro se torne um veraz destruidor ou um caritativo mentiroso ou um perplexo paralisado»,[2] como pode acontecer connosco em tais situações.

Jesus interpelou Pedro sobre o seu amor e insistiu nisso até ele Lhe poder dar uma resposta realista: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo» (Jo 21, 17). E, deste modo, Jesus confirma-o na missão. Assim o faz tornar-se definitivamente seu apóstolo.
O que é que fortalece Pedro como apóstolo? O que é que nos mantém a nós como apóstolos? Uma coisa só: fomos tratados com misericórdia (cf. 1 Tim 1, 12-16). Fomos tratados com misericórdia. «Não obstante os nossos pecados, os nossos limites, as nossas faltas; não obstante as nossas numerosas quedas, Jesus Cristo viu-nos, aproximou-Se, deu-nos a mão e teve misericórdia de nós. (…) Cada um de nós poderá recordar, pensando em todas as vezes que o Senhor o viu, que olhou para ele, que se aproximou dele e o tratou com misericórdia».[3] E convido-vos a fazer o mesmo. Não estamos aqui por ser melhores do que os outros. Não somos super-heróis que, do alto, descem para se encontrar com os «mortais». Antes, somos enviados com a consciência de ser homens e mulheres perdoados. E esta é a fonte da nossa alegria. Somos consagrados, pastores segundo o estilo de Jesus ferido, morto e ressuscitado. A pessoa consagrada – e, quando digo «consagrados», penso em quantos aqui estão – é alguém que encontra, nas suas feridas, os sinais da Ressurreição. É alguém que consegue ver, nas feridas do mundo, a força da Ressurreição. É alguém que, segundo o estilo de Jesus, não vai ao encontro dos seus irmãos com a censura e a condenação.

Jesus Cristo não Se apresenta, aos seus, sem chagas; foi precisamente a partir das suas chagas que Tomé pôde confessar a fé. Estamos convidados a não dissimular nem esconder as nossas chagas. Uma Igreja com as chagas é capaz de compreender as chagas do mundo atual e de assumi-las, sofrê-las, acompanhá-las e procurar saná-las. Uma Igreja com as chagas não se coloca no centro, não se considera perfeita, mas coloca no centro o único que pode sanar as feridas e que tem um nome: Jesus Cristo.

A consciência de ter chagas, liberta-nos. É verdade; liberta-nos de nos tornarmos autorreferenciais, de nos considerarmos superiores. Liberta-nos da tendência «prometeica de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a um certo estilo católico próprio do passado».[4]

Em Jesus, as nossas chagas ficam ressuscitadas. Tornam-nos solidários; ajudam-nos a derrubar os muros que nos encerram numa atitude elitista, incitando-nos a construir pontes e ir ao encontro de tantos sedentos do mesmo amor misericordioso que só Cristo nos pode dar. «Quantas vezes sonhamos planos apostólicos expansionistas, meticulosos e bem traçados, típicos de generais derrotados! Assim negamos a nossa história de Igreja, que é gloriosa por ser história de sacrifícios, de esperança, de luta diária, de vida gasta no serviço, de constância no trabalho fadigoso, porque todo o trabalho é “suor do nosso rosto”».[5] Vejo, com certa preocupação, que há comunidades que vivem acometidas pela ânsia de constar no cartaz, ocupar espaços, aparecer e se mostrar, mais do que pela vontade de arregaçar as mangas e sair para tocar a dolorosa realidade do nosso povo fiel.
Como nos interpela a reflexão deste Santo chileno, que advertia: «Por isso, serão métodos falsos todos os que são impostos pela uniformidade; todos os que pretendem encaminhar-nos para Deus, fazendo-nos esquecer os nossos irmãos; todos os que nos levam a fechar os olhos ao universo, em vez de nos ensinar a abri-los para elevar tudo ao Criador de todas as coisas; todos os que nos fazem egoístas e nos dobram sobre nós mesmos».[6]

O povo de Deus não espera nem precisa de nós como super-heróis, espera pastores, homens e mulheres consagrados, que conheçam a compaixão, que saibam estender uma mão, que saibam parar junto de quem está caído e, como Jesus, ajudem a sair desse círculo vicioso de «mastigar» a desolação que envenena a alma.

3. Pedro transfigurado e a comunidade transfigurada
Jesus convida Pedro a discernir e, assim, começam a ganhar força muitos acontecimentos da vida de Pedro, como o gesto profético do lava-pés. Pedro, que resistira a deixar-se lavar os pés, começava a compreender que a verdadeira grandeza passa por se fazer pequenino e servidor.[7]
Como é grande a pedagogia de nosso Senhor! Do gesto profético de Jesus à Igreja profética que, lavada do seu pecado, não tem medo de sair para servir uma humanidade ferida.

Pedro experimentou, na sua carne, a ferida não só do pecado, mas também das suas próprias limitações e fraquezas. Mas descobriu em Jesus que as suas feridas podem ser caminho de Ressurreição. Conhecer Pedro abatido para conhecer Pedro transfigurado é o convite a deixar de ser uma Igreja de abatidos desolados para passar a uma Igreja servidora de tantos abatidos que convivem ao nosso lado. Uma Igreja capaz de se colocar ao serviço do seu Senhor no faminto, no preso, no sedento, no desalojado, no nu, no doente... (cf. Mt 25, 35). Um serviço que não se identifica com o assistencialismo nem o paternalismo, mas com a conversão do coração. O problema não está em dar de comer ao pobre, vestir o nu, assistir o doente, mas em considerar que o pobre, o nu, o doente, o preso, o desalojado têm a dignidade de se sentar às nossas mesas, sentir-se «em casa» entre nós, sentir-se família. Este é o sinal de que o Reino de Deus está no meio de nós. É o sinal duma Igreja que foi ferida pelo seu pecado, foi cumulada de misericórdia pelo seu Senhor, e foi tornada profética por vocação.

Renovar a profecia é renovar o nosso compromisso de não esperar por um mundo ideal, uma comunidade ideal, um discípulo ideal para viver ou para evangelizar, mas criar as condições para que cada pessoa abatida possa encontrar-se com Jesus. Não se amam as situações nem as comunidades ideais, amam-se as pessoas.

O reconhecimento sincero, contrito e orante das nossas limitações, longe de nos separar de nosso Senhor, permite-nos retornar a Jesus, sabendo que, «com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta cristã, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece. (…) Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual».[8] Como nos faz bem a todos deixar que Jesus nos renove o coração!

Ao início deste encontro, disse-vos que vínhamos renovar o nosso «sim», com garra, com paixão. Queremos renovar o nosso «sim», mas um sim realista, porque apoiado no olhar de Jesus. Convido-vos, quando voltardes para casa, a preparar no vosso coração uma espécie de testamento espiritual, no estilo do cardeal Raúl Silva Henríquez expresso nesta linda oração que começa dizendo: «A Igreja que eu amo é a Santa Igreja de todos os dias... a tua, a minha, a Santa Igreja de todos os dias...

Jesus, o Evangelho, o pão, a Eucaristia, o Corpo de Cristo humilde em cada dia. Com os rostos dos pobres e os rostos de homens e mulheres que cantavam, que lutavam, que sofriam. A Santa Igreja de todos os dias».

Pergunto-te: Como é a Igreja que tu amas? Amas esta Igreja ferida, que encontra vida nas chagas de Jesus?

Obrigado por este encontro. Obrigado pela oportunidade de renovar o «sim» convosco. A Virgem do Carmo vos cubra com o seu manto.

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Obrigado!
Fonte: aqui

sábado, 20 de janeiro de 2018

Três dias para três mensagens do Papa no Chile


Perdão, dignidade e esperança. Três palavras que guiam os passos do Papa Francisco num programa de encontros, celebrações e gestos durante os três dias da visita ao Chile, em três regiões do país. Em qualquer dos momentos, a determinação do Papa foi a mesma: convocar todos, as várias culturas e os diferentes valores de um povo para a construção de um amanhã reconciliado. E sempre nessas três etapas: a partir do perdão, não abdicando da dignidade e num horizonte marcado pela esperança. Assim aconteceu quando se referiu aos casos de abusos sexuais por parte de membros do clero, no encontro com quem está preso, aproximando-se de povos e culturas indígenas, nos protagonismo dado aos jovens do país e sempre que colocou na sua voz os “gritos dos pobres” que esperam justiça. Ontem como hoje!
Os casos de abusos sexuais por parte de membros do clero é uma ferida aberta na Igreja Católica, nomeadamente no Chile. O Papa disse-o. Assumiu-o! E tratou de indicar como ultrapassar um drama pelo qual sente “vergonha”, pede perdão e deseja ver resolvido. Após incluir o tema no primeiro discurso em terra chilena, foi no encontro o clero e consagrados que se deteve no assunto para apontar soluções: “peçamos a Deus que nos dê a lucidez de chamar a realidade pelo seu nome, a valentia de pedir perdão e a capacidade e aprender a escutar o que Ele nos está a dizer e não a permanecer na desolação”.
Perdão, dignidade, esperança…
Vale apena revisitar o discurso a 500 reclusas, os momentos de improviso do Papa, as referências ao tango argentino e a citação bíblica que se transformou em sentença popular, rapidamente dita em coro quando o Francisco começou a enunciar o seu enunciado: “Quem não tem pecado… que atire a primeira pedra!”.
Na prisão de Santiago, o Papa falou também da necessidade de pedir perdão, num primeiro momento. Ma foi aí que elevou mais alto a sua voz contra quem atenta contra a dignidade de mulheres e homens: “Estar privado da liberdade não é o mesmo que estar privado da dignidade. A dignidade não se toca, por nada. Cuida-se, protege-se, acaricia-se”. Depois, indicou a esperança, como nas várias ocasiões e circunstâncias, para insistir na reinserção de todas as mulheres que tinha diante de si. “Exijam isso a vós mesmas e à sociedade”.
Os passos do Papa, na permanente proximidade aos povos e culturas indígenas, mantiveram essa mensagem, num horizonte mais largo: tecer a unidade no país. Não com o acentuar distâncias entre ricos e pobres, povos autóctones e novos senhorios comerciais, culturas nativas e as que chegam de fora, tradições étnicas e instituições globais que se instalam na região. A harmonia acontece quando “cada parte souber partilhar a sua sabedoria com as outras”.
Em cada viagem do Papa, há sempre gestos, palavras, mensagens que a deixam na história. A que realizou ao Chile, a primeira etapa da quarta visita do Papa à América Latina,  tem no casamento que fez abordo do avião um episódio que vai permanecer na memória de todo o mundo; e, para os chilenos e povos da região, não vão desaparecer facilmente da memória as palavras do Papa sobre os casos de abuso sexual no país por parte de membros do clero. Mas a presença de Francisco é muito mais do que isso. E mesmo que as referências imediatas a um programa de três dias no Chile remetam para casos particulares, as três mensagens essenciais – o perdão, a dignidade e a esperança – provocam transformações de fundo, com consequências imediatas e sobretudo com manifestações mais distantes no tempo. E são essas as que vão permanecer na história. Do Papa, dos chilenos e de quem segue os seus passos.
Paulo Rocha, Agência Ecclesia, aqui

O meu 'vizinho'

20 de janeiro, é Dia do meu Vizinho.

Provérbios:
* Deus nos livre  dos maus vizinhos ao pé da porta.
* Cada um de nós só é bom enquanto os vizinhos quiserem.
* Má vizinhança à porta é pior que lagarta na horta.
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À luz destes provérbios, eu tenho o melhor vizinho do mundo.
Aliás somos velhos conhecidos. Nasci numa paróquia em que São Sebastião é o padroeiro. Sou de uma diocese em que o padroeiro principal é São Sebastião. Passei por uma paróquia onde o padroeiro é  São Sebastião. Há 27 anos que São Sebastião é meu vizinho.
Damo-nos maravilhosamente bem. É discreto, compreensível, não faz barulho em casa que incomode, sempre disposto a ajudar, não é embirrento, bom conselheiro, com uma história de vida que nem lhes digo nem lhes conto!... Marcada pela inteligência, pela coragem, pelo testemunho. Fantástica!
Como não é de muitas falas, não sei o que ele pensa de mim como vizinho. Mas sabe que sou seu amigo e o admiro.
Peço-te mais uma vez que intercedas por mim junto d'AQUELE de quem deste tão belo testemunho durante a tua passagem por este mundo.
E porque testemunhaste tão belamente uma vivência comunitária, peço, amigo mártir Sebastião,  por esta paróquia, pela minha família e amigos, pela Igreja e pelas pessoas de todo o mundo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

«Esta economia mata»

«Esta economia mata»
D. Manuel Linda, Bispo das Forças Armadas e de Segurança


Segundo ele próprio me contou, um amigo meu começou a sentir um incómodo numa perna, cada vez mais acentuado: primeiro era um ligeiro torpor, depois passou a dor e dificuldade de «fazer força» nela, até chegar a uma certa paralisia. Recorreu a um médico privado, com boa fama, que lhe pintou a coisa de negro: que isso teria a ver com a coluna, que poderia ser degenerativo, que não esperasse recuperação. E mandou-lhe fazer exames, muitos exames.
Vendo a coisa mal parada devido ao volume dos meios de diagnóstico e ao que isso lhe custaria, o meu amigo, prudentemente, recorreu ao médico de família que o encaminhou para um ortopedista das consultas externas. Como era previsível, este preceituou-lhe uma bateria de exames. Obviamente, tudo isto demorou muito tempo. Tanto que o primeiro médico esqueceu.
É neste contexto que o meu amigo se lembrou de um acidente de trabalho, sofrido alguns anos antes. Acudiu ao médico da empresa que o encaminhou para a seguradora.
Qual não é o seu espanto quando viu que o médico que o atendeu, afinal, era o primeiro a quem tinha recorrido. Mas, passado tanto tempo, o clínico não reconheceu o antigo paciente. Era a mesma pessoa, embora a postura tivesse mudado do dia para a noite: enquanto, na clínica privada, era todo sorrisos e simpatia, agora, na seguradora, usou de uns modos tão exasperados e de uma cara tão furiosa que mais fazia lembrar dois inimigos, frente a frente, que as circunstâncias obrigassem a confrontar e digladiar.
Porém, a grande surpresa viria de seguida. Com toda a convicção sentenciou que isso não era nada, que qualquer pessoa sente as pernas cansadas, que nada provava a relação causa-efeito do tal acidente, enfim, que a seguradora não iria fazer nada por esse caso. E o meu amigo teve de recorrer ao tribunal de trabalho que lhe atribuiu uma elevada percentagem de invalidez.
O que mais chama a atenção neste caso é a camisa-de-forças em que o médico se encontra: por um lado, ele precisa de ganhar a vida e de procurar trabalho onde lho dão; mas, como assalariado, a seguradora só o contrata enquanto lhe der lucro. E o lucro, neste caso, passa por evitar, a todo o custo, qualquer possível gasto com os segurados ou assumir responsabilidades que conduzam a indemnizações.
Evidentemente, este caso funciona apenas como exemplo. Porque a realidade da economia, pelo menos nas grandes multinacionais, faz-se quase sempre dessa forma: gestores e outros quadros elevados são pagos a peso de ouro para «declararem guerra» ao consumidor e lhe extorquir o máximo em troca dos serviços ou produtos tão mínimos quanto possível.
Ah, grande Papa Francisco! Como é verdadeira essa frase que, só por si, já poderia marcar a grandeza de um pontificado: “Esta economia mata”! Mata os que estão por baixo, os pobres, os que não têm forças para se defenderem deste novo monstro que declarou guerra à pessoa concreta, pois só lhe interessam os números dos balancetes e o «índice de desempenho» dos que são pagos para lhe fazerem o jogo.
Até quando?
Fonte: aqui

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Quem será o próximo Bispo do Porto?


Como sabemos, D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, faleceu de  morte súbita em 11 de setembro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco fulminante.
Quem lhe sucederá?
Segundo o Público (aqui) e o Observador (aqui), o novo Bispo do Porto deverá ser conhecido ainda este mês.
Ambos os jornais avançam com três nomes: D. Virgílio Antunes (bispo de Coimbra e antigo reitor do Santuário de Fátima); D. Manuel Linda (bispo das Forças Armadas), e D. António Augusto de Azevedo (bispo auxiliar do Porto), enviados pelo Núncio Apostólico para Roma, Congregação para os Bispos a quem compete emitir um parecer que será depois avaliado pelo Papa Francisco, detentor da última palavra na escolha do futuro líder da Igreja do Porto.
Com mais de dois milhões de habitantes, espalhados por 477 paróquias de 26 concelhos, a diocese do Porto é a maior do país.


Nestas coisas, os jornais nem sempre acertam. Circula até que, para alguém não ser nomeado para tal ou tal diocese, é suficiente que apareça nos jornais...
Dado o secretismo que envolve todo o processo, o mesmo é objeto de muitas especulações. Muitas vezes as fontes contactadas pela comunicação social falam mais do que acham, do que gostavam, do que ouvem...
Sendo assim, resta aguardar para ver.
Em Setembro de 2015, o próprio Papa insistiu na necessidade de tratar estes processos com mais celeridade. Tudo em nome de uma maior “proximidade e prontidão” na resposta do Vaticano às igrejas locais.
Só que pelos casos pendentes em Portugal, parece que o Papa não foi escutado. Não sei o que se passa noutras zonas do mundo, sei que neste país, por norma,  demora uma eternidade a substituição de um Bispo diocesano.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Queiramos ou não, a política e os políticos mexem com a nossa vida


Quando se fala de política e de políticos, há muita gente que põe cara de enjoada  e mostra-se enfastiada com o assunto, destilando o chavão: "Eles são todos iguais, o que querem é tacho."
Queiramos ou não,  a política e os políticos têm um papel fundamental no nosso viver coletivo e na vida de cada um.
Os que se afastam da política deixam  que muito da sua vida seja decidido pelos que participam. É muito fácil ficar no sofá ou na mesa do café a carregar nos políticos e políticas.  Mas isto leva a alguma coisa? Nada. Então o importante é a participação cívica através dos vários meios que, felizmente, a democracia põe à disposição dos cidadãos.
Foi ontem eleito o novo líder do PSD. O Dr. Rui Rio,  ex-autarca do Porto, foi eleito com 54% dos votos dos militantes do seu partido. A oposição tem assim um rosto novo. O atual governo, apoiado parlamentarmente pelos partidos de esquerda - a chamada "geringonça" - tem que lidar agora com um novo líder da oposição. Em democracia tão importante é quem governa como quem está na oposição.
O novo presidente do PSD prometeu "uma oposição firme e atenta, mas nunca demagógica ou populista".
Sabendo que há assuntos nacionais que requerem uma maioria qualificada e que esta precisa de contar com o PSD, concluímos como esta eleição partidária pode ser - ou não - importante para o futuro do país.
Além disso, quanto mais forte e decidida for a oposição, mais obrigado está o governo a 'dar corda aos sapatos', o que bem preciso é.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Livros em cima da mesa de cabeceira


OS DESPOJOS DO DIA
Durante um passeio pelo campo, após trinta anos de serviço em Darlington Hall, Stevens, o mordomo perfeito, reflecte sobre o passado, num esforço de se convencer de que serviu a Humanidade servindo um «grande homem», Lord Darlington.
Mas as recordações suscitam-lhe dúvidas quanto à verdadeira «grandeza» de Lord Darlington e dúvidas ainda mais graves quanto à natureza e ao sentido da sua própria vida...
Os Despojos do Dia é um estudo psicológico magistral e um retrato de uma ordem social e de um mundo em extinção, insular, pós-Segunda Guerra Mundial.
«Os Despojos do Dia é um livro de sonho. Uma comédia de costumes que evolui magnificamente até se tornar um estudo profundo e tocante sobre a personalidade, a classe e a cultura.»
Autor
Nascido em Nagasáqui, Japão, em 1954, Kazuo Ishiguro vive na Grã-Bretanha desde os cinco anos de idade. Descrito pelo New York Times como «um génio extraordinário e original», é autor de seis romances, cinco dos quais editados pela Gradiva - Os Despojos do Dia (1989, vencedor do Booker Prize), Os Inconsolados (1995, vencedor do Cheltenham prize), Quando Éramos Órfãos (2000, nomeado para o Booker Prize), Nunca me Deixes (2005, nomeado para o Booker Prize) e O Gigante Enterrado (2015) - além do livro de contos Nocturnos (2009).
Em 1995 foi feito Oficial da Ordem do Império Britânico, por serviços prestados à literatura, e em 1988 recebeu a condecoração de Chevalier de L'Ordre des Arts et des Lettres da República Francesa.
Fonte: aqui

                                              
Com É no peito a chuva, o novo trabalho, Gonçalo Naves, agora com 20 anos e a cursar o terceiro ano de Direito, vai evidenciando os meandros e perplexidades de uma dicotomia campo/cidade construída por personagens que surgem e se vão, como o camião do lixo madrugador, ou a locomotiva que o não é.
Fonte: aqui

São estes os meus dois atuais companheiros de mesa de cabeceira. Muitos distintos no estilo, na linguagem, na temática. Mas cada um com um sabor próprio e o seu poder enriquecedor do espírito.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

As florestas podem ser as centrais elétricas do futuro

São muitos os cientistas e as empresas que lutam para encontrar fontes de energias limpas que permitam manter os fornecimentos que necessitamos e, ao mesmo tempo, não ameacem a integridade do planeta. Para além das já conhecidas energias solar, eólica e das tradicionais, abrem-se agora novas possibilidades com as tecnologias mais disruptivas. Uma delas é a proposta de um grupo de estudantes que inventaram um sistema para conseguir energia elétrica através das plantas. Javier Rodríguez, um estudante de Nanociência e Nanotecnologia da Universidade Autónoma de Barcelona ​​e Pablo Manuel Vidarte e Rafael Rebollo, estudantes de Engenharia Multimédia da La Salle Universitat Ramon Llull, são os arquitetos desta ideia, oriunda da Arkyne Technologies, uma empresa que tem dois deles como cofundadores. A sua carta de apresentação é o Bioo Lite, um vaso que gera energia suficiente para carregar um smartphone através da porta USB que ele incorpora.
O sistema aproveita a matéria biológica que as plantas descartam durante a fotossíntese para obter energia a um custo mínimo. Na mesma linha, o seu novo produto é Bioo Pass Wifi, uma planta que oferece acesso imediato à Internet sem precisar de passwords, basta aproximar o telemóvel. O objetivo da Arkyne Technologies é inovar no campo das energias renováveis, onde ainda há um longo caminho a percorrer. Usando os seus sistemas, Vidarte e os seus parceiros asseguram que uns 100 metros quadrados de alface (para além de proporcionar umas boas saladas) seriam suficientes para suprir as necessidades energéticas de uma casa de família. O espaço necessário seria muito menor se, em vez de uma vegetação baixa, contássemos com árvores. "A nossa proposta é uma simbiose entre tecnologia e natureza. Em vez de destruirmos as florestas poderíamos transformá-las nas centrais elétricas do futuro", diz Vidarte.
Fonte: aqui

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

sábado, 6 de janeiro de 2018


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Parabéns, pai!

Pelos teus 87 anos de vida!
Pelo pai que tens sido e que continuas a ser. O patriarca da família, fautor de união.
Sempre viveste para a tua família e sempre acolheste cada um como único.
Parabéns pelo carinho que devotas aos teus netos e bisnetos e pela simpatia enorme com que eles te envolvem.
Parabéns pelo "computador" vivo que continuas a ser. Datas, episódios, pormenores, acontecimentos, nada te escapa.
Parabéns pelo ser humano livre que és. Nunca te conheci outro vício que não fosse o teu empenho pela família.
Obrigado por tudo. Obrigado por tanto!
Obrigado ainda, e acima de tudo, pela tua fé que sempre transmitiste aos teus. Na verdade, de cada um de nós foste o verdadeiro e principal catequista. Como cada pai e cada mãe deveria sê-lo sempre!

Faça de 2018 o ano de boas e belas amizades!

- Respeite o outro como ele é.
- Ajude-o a melhorar a partir daquilo que ele é.
- Saiba usar de bondade para com as falhas do outro. Afinal perfeito só Deus....
- Não faça de um problema um muro que separa, mas uma oportunidade de diálogo e de estreitamento da amizade.
- Não seja orgulhoso nem convencido. Ninguém é dono da verdade.
- Aprenda a perdoar. O ódio, o rancor, a vingança, a indiferença são como as silvas. Crescem de tal maneira que transformam um coração belo e humano num silvado .
- Também na amizade, a humildade é a rainha das virtudes.
- Telefone, visite, comunique. Deixe a sua presença aparecer junto do amigo.
- Diga repetidamente à pessoa amiga que gosta dela.
- Não se intrometa na vida do amigo. Amigo não domina, não impõe, não abespinha. Amigo oferece-se, partilha, está na hora certa.
- Seja franco e leal. A amizade alimenta-se da verdade, da fidelidade, da franqueza.
- Saiba pedir desculpa quando falhou, seja que falha for.
- Não engane um amigo. A traição é algo que nunca deveria tolerar a si mesmo. Quem sai por baixo é quem trai.
- Lembre-se que a verdade é inseparável da caridade. Pense, por isso, no que diz e como o diz.
- Não apareça só quando precisa. Apareça antes quando o amigo precisa.
- Não diga ao amigo que está farto das mesmas desculpas. Ele pode fartar-se da sua arrogância e convencimento.
- Antes de apontar defeitos ao amigo, examine com seriedade os seus defeitos. Verá que tem muitos mais do que pensava.
- Não seja "cismático". Isto de estar sempre a lembrar ao amigo aquilo em que falhou é miopia crónica de alma. Confie no futuro e abra-se ao novo da confiança.
- Não faça da defesa o ataque. A amizade não é um jogo de futebol. Isto de atacar os outros para esconder erros próprios, é cobardia.
- Nunca se permita que o seu amigo saiba de uma traição sua por meios externos. Seja corajoso e digno. Encare os seus erros de frente.
- Não crie falsas espectativas. Não diga sim, quando no coração tem um não.
- Se acreditam, rezem juntos. A oração é o cimento mais forte das verdadeiras amizades.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

" Que balanço gostarias de fazer do ANO DE 2018 em 31 de dezembro futuro?"

Nos últimos momentos de 2017 e nos primeiros de 2018, uma questão invadiu o meu espírito:
" Que balanço gostarias de fazer do ANO DE 2018 em 31 de dezembro futuro?"
E porque sonhar não paga impostos, aqui deixo o meu ano imaginado...


- O ano de 2018 ficará conhecido na História como o Ano da Ciência. De facto foram notáveis os progressos científicos em vários níveis da atividade humana.  Desde logo na Medicina. Para doenças que infernizavam a vida de tanta gente como o cancro, a sida e outras, foi descoberta a cura. Igualmente foram fantásticas as descobertas noutras áreas de atividade que propiciam um desenvolvimento nunca vista na economia e nas relações humanas.
- Houve investimentos estrageiros e nacionais de tal forma importantes que o desemprego baixou para níveis residuais, os salários subiram substancialmente e o repovoamento do interior do país começou a ser uma realidade.
- Não aconteceram incêndios significativos e a pluviosidade regressou a valores anuais normais.
- Há muitos anos que não se via uma coisa destas: nenhum atentado terrorista teve lugar na Europa ou noutra parte do mundo.
- Finalmente foi assinado um tratado envolvendo todos os países que detinham armas nucleares para pôr fim a tal armamento.
- Realizaram-se progressos notáveis na pacificação do Médio Oriente. De tal maneira que hoje  é um insulto chamar àquela zona de "barril de pólvora."
- Líderes políticos vistos até este ano como "perigosos" para a paz mundial como Donald Trump, Putin e o líder da Coreia do Norte, são hoje considerados e respeitados como fautores de paz.
- O Sínodo dos Bispos sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional» foi uma autêntica lufada de ar fresco para a vida da Igreja. Dele saíram propostas tão belas, novas e com tanto sabor a Evangelho que tudo será bem diferente de agora em diante.
- Não houve em Portugal casos de violência doméstica, nem assaltos, nem outra forma de violência. De tal forma que o ano de 2018 é apelidado como o Ano da Paz em Portugal.
- Durante este ano registou-se um movimento de fundo em direção a Deus por toda a Europa que redescobriu as suas raízes cristãs, trazendo consigo uma leveza e alegria que há muito andavam afastadas da alma europeia.
- As relações entre as pessoas distenderam-se, as amizades fidelizaram-se e guiaram-se pela verdade e compreensão. A confiança regressou e o ambiente humano e social é agora mais saudável.
- Por cá, deram-se passos definitivos e seguros para o restauro da Igreja Paroquial e a construção da Capela do Castanheiro do Ouro.


Sonho? Idealismo? Mas o sonho comanda a vida. Tenho saudades do futuro.