segunda-feira, 30 de abril de 2007

Maio: escola da Mãe

Programa Pastoral 2006/07
Slogan de Maio/Junho:
COM A AJUDA
DE MARIA,
DIZER SIM
A DEUS
NO DIA-A-DIA



Maio: Mês de Maria!
Vamos aprender na Escola de Maria a:
- Escutar Deus
- Aderir a Ele pela fé
- Partir ao encontro dos irmãos como quem anuncia e serve
- Ter em nós os mesmos sentimentos que há no Coração de Cristo.


A Igreja precisa de outro empenhamento na acção sócio-caritativa

A pastoral social de uma forma geral nas dioceses “não é prioritária”, afirma o Pe. João Gonçalves, vigário-geral da Pastoral da diocese de Aveiro.
A evangelização, a liturgia, são as grandes áreas, “a parte social necessita de um maior arranque”, um impulso que a Encíclica Deus Caritas Est pode trazer, uma vez que sublinha o “fundamento do amor e a caridade organizada” como essencial para os cristãos.

Insegurança, um sinal dos tempos

Ontem visitei com outros amigos um amigo doente que vive nos arredores de uma cidade desta zona, num bairro de vivendas.
Logo que se tocou a campainha que dá acesso ao quintal da casa, apareceram dois grandes cães. Gosto muito destes animais, mas tenho por eles um respeitinho profundo. Será que fui mordido por algum em pequenito e ficou cá dentro este receio que ainda hoje me acompanha? Os donos da casa apareceram e muito simpaticamente garantiram que entrássemos sem receios.

Os cães eram enormes, revelavam estar muito bem tratados e conheciam regras de comportamento.

Mas o que me chamou a atenção foi o facto de um dos donos da casa nos ter dito que, naquele bairro, não havia vivenda que não tivesse um ou dois cães de guarda. E a explicação veio rápida: por um questão de segurança. E não estamos a falar de grandes urbes como Lisboa, Porto ou Setúbal. Tão só de uma cidade do interior.

É isto que me preocupa, a insegurança em que hoje se vive e que as estatísticas testemunham. Os assaltos e os roubos não cessam de aumentar em Portugal. Para onde vamos? Que democracia é esta que não garante a segurança das pessoas e dos seus bens?

Claro que assaltos sempre houve. Mas toda a gente recorda o tempo em que as pessoas não tiravam a chave da porta, nem quando saíam nem quando dormiam. Hoje a chava já não chega. Ele é alarmes, ele é fechaduras cada vez ais sofisticadas, ele é cães cada vez mais ferozes. Tristes sinais dos tempos!

Enquanto as desiguladades sociais continuarem a aumentar galopantemente entre nós, semeando na sua progressão manchas enormes de deserdados, famintos e marginalizados da vida e da sorte, estão criadas as condições para o aumento da violência.

Enquanto não nos decidirmos a apoiar incondicionalmente a família como "casa e escola de valores", a violência continuará a aumentar.

Enquanto não se prestigiar a escola e os que nela trabalham, de modo que aquela seja, não um mero local de entretenimento, mas um espaço exigente de aprendizagem e de crescimento na interiorização de valores, a violência aumentará.

Enquanto se continuar esta miserável poítica do abandono do interior, então este ficará menos protegido e mais entregue a si próprio, ao mesmo tempo que o cerco ao litoral irá criar focos imensos de deslocados e desenraizados que, de uma forma ou de outra, aumentarão o caudal da marginalidade nas grandes urbes e seus arredores.

É preciso que os agressores, invasores e ladrões sejam rápida e exemplarmente punidos por quem de direito e lhes seja proporcionado um amplo programa de recuperação.

É urgente fazer qualquer coisa. Uma sociedade assustada é uma sociedade potencialmente violenta.
A insegurança é inimiga do progresso e da convivência pacífica entre as pessoas.

Sinos da Igreja foram para restauro

Eles estavam mesmo a precisar. Um deles já não podia ser tocado, o grande não dobrava e o médio ameaçava cair, dado o estado em que se encontrva o cabeçalho.
Hoje partiram para as oficinas da empresa de Braga onde vão ser reparados.
Esperamos que, daqui a um mês, regressem ao seu lugar, airosos e bem-dispostos para continuarem a executar na perfeição a sua missão.

Após a sua reinstalação, proceder-se-á à mecanização dos toques. Cada vez há menos gente que saiba tocá-los, não aparece quem queira aprender e as pessoas que executam esse serviço, em virtude da idade, vão tendo mais dificuldade em fazer o trabalho.
Depois, uma vez mecanizados, é muito mais fácil. Basta carregar no botão.
Agradecemos, desde já, a ajuda que o Sr. Presidente da Câmara nos prometeu para a realização destas tarefas.
Foto do http://blogmiradouro.blogs.sapo.pt

domingo, 29 de abril de 2007

Reforma de Sócrates é a mais radical da União Europeia

Segundo a dirigente francesa, Nadja Salson, Reforma de Sócrates é a mais radical da União Europeia

A reforma das administrações públicas é um traço comum a muitos países da União Europeia, mas a representante da Federação Europeia dos Sindicatos da Função Pública (EPSU), Nadja Salson, não hesita em classificar a que está em curso em Portugal como a mais radical.

Em declarações ao Diário de Noticias, aquela dirigente francesa, que representa 215 sindicatos e 8 milhões de funcionários, considera que a simples ideia de colocar à força milhares de trabalhadores numa lista de excedentários com salário reduzido, seria impensável na França.
E pergunta: Será que o resto dos portugueses aceitam ter milhares de funcionários no desemprego técnico e a receber salário?

Nadja Salson considera que a intenção do Governo português só encontra algum paralelo no plano do Reino Unido, que pretende reduzir cerca de 50% dos funcionários estatutários nos próximos cinco anos, mas, ainda assim, com indemnizações negociadas.

Leitura semelhante faz o secretário nacional da Confederação dos Sindicatos Cristãos, Jean-Paul Devos, para quem o que está a acontecer em Portugal suscitaria uma revolução na Bélgica.
Aquele dirigente belga, habituado a uma cultura de discussão, negociação e compromisso, relata o modo como foram feitos alguns ajustamentos na administração pública do seu país.
Também tivemos uma situação de excesso de pessoal no Estado, mas a solução encontrada foi a das saídas voluntárias, em que os trabalhadores ficavam com 90% do salário e mantinham o estatuto.
Sobre a figura dos chamados supranumerários, Jean-Paul Devos sublinha que essa possibilidade está prevista na lei belga desde 1937, mas nunca foi aplicada

Domingo do Bom Pastor


"As minhas ovelhas escutam a minha voz.
Eu conheço as minhas ovelhas
e elas seguem-Me. "
Jo. 10, 27

É um Grupo excelente!


O nosso Grupo de Acólitos partirá amanhã para Fátima. Acompanhá-los-á o Diác. Amorim. Irão participar no Encontro Nacional de Acólitos.
É um Grupo excelente. São muito responsáveis, revelam gosto, postura e sensibilidade no desempenho do seu múnus.
Gosto muito deles. Espero que mais esta participação num grande evento reforce ainda mais o seu entusiasmo, dedicação e competência.
Que Cristo, a quem servem com desvelo nos Santos Mistérios, seja o Pastor das suas vidas e os conduza às pastagens verdejantes do Banquete da Salvação.

sábado, 28 de abril de 2007

É isso que vós sois: CAMPEÕES!

Terminou há poucos minutos o Festival da Canção Religiosa Jovem da Diocese de Lamego. Concorrerram 10 grupos, dos mais variados pontos da Diocese. O nosso Grupo de Jovens também concorreu.

Vencedor? Todos. Participar é a melhor forma de vencer. Cada um, nas mais variadas melodias e ritmos, comunicou-nos a urgência do amor, ao estilo de Jesus de Nazaré: "Amai-vos como Eu vos amei". Todos foram sérios e fizeram o melhor que puderam. Assim todos venceram.

Saúdo a alegria jovem que hoje o Auditório Municipal teve a honra de presenciar. Saúdo a plateia que enchia por completo o recinto, pela forma como soube estar, aplaudir, entusiasmar. Saúdo o Secratariado da Juventude e a Câmara Municipal porque tudo fizream em prol deste acontecimento. Saúdo todos os que, de uma forma ou de outra, ofereceram o seu contributo.

O meu abraço, do tamanho do mundo, vai para os meus "putos". Foram brilhantes, espectaculares, inexcedíveis. O vosso sorriso era mais brilhante e cativante no rosto cansado. Tudo fizestes para que todos se sentissem bem. Mais uma vez, o Grupo de Jovens de Tarouca revelou estofo de CAMPEÃO. É isso que sois, campeões.

Peço-vos que, na vossa Barca de navegantes, cedais sempre a almofada do vosso coração a Cristo. Ele gosta bué da vossa barquita. E com Ele cada serviço é um triunfo.

O vosso Kota ama-vos demais em Cristo

A todo o gás!

A nossa "malta da pesada" anda numa correrria! Eles são assim, não brincam em serviço. Quando é para trabalhar dão o seu melhor, até ao fim.
Oxalá que tudo corra bem! Que o Festival Diocesano da Juventude, que este ano se realiza na nossa terra, seja um êxito.
Eles trabalharam. Demais. Preocuparam-se com tudo. Investiram tudo.
Não é fácil, até porque este fim-de-semana Tarouca rebenta pelas costuras com várias actividades. Ele é a Feira das Profissões, ele é actividades nos Bombeiros e na Escola EB 2,3/S, ele é o futebol... Instalações para tudo não abundam. Houve necessidade de reinventar espaços, improvisar situações, resolver casos sobre a hora. Nada que derrube o indómito espírito dos jovens@navegantes. A começar pela leader. Fantástico!
Torço por eles, estou com eles, rezo por eles.

Mais de dois mil trabalhadores escravizados em La Rioja

São contas da justiça espanhola: perto de duas mil pessoas estão a ser exploradas na região espanhola de La Rioja, vítimas de uma autêntica escravatura. A maior parte dos trabalhadores são portugueses.

Ainda no mês passado as autoridades espanholas conseguiram libertar na mesma região 91 trabalhadores, a maioria portugueses. Na altura, 17 exploradores foram detidos, dos quais 13 tinham bilhete de identidade português.

O procurador-chefe do Tribunal Superior de Justiça de La Rioja (TSJR), Juan Calparsoro, apresentou os dados numa conferência de imprensa de divulgação dos dados do ano passado da Procuradoria de La Rioja (Memória da Procuradoria 2006), explicando que continua em curso uma investigação detalhada para clarificar dados sobre o tráfico ilegal de imigrantes e o abuso de pessoas com fins laborais.


O responsável acrescentou que foram já detectadas várias situações da captação de portugueses muito pobres, com problemas de droga e até deficiências físicas e mentais que estão a trabalhar em condições praticamente de escravatura.

O responsável judicial explicou que o assunto foi já analisado em reuniões entre as autoridades espanholas e portuguesas.

No caso mais recente, em Março, uma operação da Guarda Civil espanhola em várias localidades da região de Rioja conseguiu «libertar de um regime de escravatura encoberta» 91 trabalhadores, a maioria portugueses, detendo 17 exploradores dos operários, 13 destes portugueses.Operações idênticas foram levadas a cabo em 2006 e 2005, com dezenas de detidos.
TSF- 27 de Abril 07

sexta-feira, 27 de abril de 2007

O novo Catecismo da Igreja Católica nem sequer se refere ao Limbo

QUAL É O DESTINO DAS CRIANÇAS QUE MORREM POR BAPTIZAR?

Ao longo dos séculos muitas foram as respostas apresentadas pelos teólogos católicos, a mais famosa das quais a do Limbo, defendida desde Santo Agostinho, no século V. Segundo esta teoria, em virtude do pecado original, as crianças que morrem sem o baptismo estariam privadas da plena felicidade dos eleitos pela visão de Deus, face a face, mas gozando de uma felicidade natural.

A Igreja Católica quer agora acabar de vez com o conceito de Limbo - uma espécie de lugar de fronteira onde as crianças "não usufruem da presença de Deus, mas também não sofrem", conforme se lia no velho catecismo de São Pio X. A proposta foi apresentada ao Papa Bento XVI pela Comissão Teológica Internacional que esteve reunida no Vaticano entre os dias 2 e 6. Para esta comissão, as crianças que morrem sem o baptismo "ficam nas mãos de Deus misericordioso".

A ideia de Limbo, concebida para salvaguardar a necessidade do baptismo para a salvação eterna, nunca chegou a ser considerada pela Igreja como verdade de fé, e o novo Catecismo da Igreja Católica nem sequer se lhe refere.
http://www.padre-inquieto.blogspot.com/

quinta-feira, 26 de abril de 2007

POR QUE RAZÃO NÃO DIZEM OS POLÍTICOS A VERDADE AOS JOVENS?

Alguém já ouviu os políticos portugueses dizer aos jovens que têm que estudar, porque estudar não é exploração da mão de obra infantil? Desde o Presidente da Républica, passando pelo Governo e pelos Deputados, terminando nos partidos, ninguém vai ao fundo da questão. O que interessa é, como diz o povo, "passar a mão pelo pêlo", para cair nas boas graças dos jovens e assim obter mais uns votinhos...
Por que razão não propõem os políticos aos jovens o caminho da exigência? No tocante ao trabalho, aos valores, à cidadania, ao estudo, à vida?
Depois é o que se vê. Onde há muita "graxa", cheira a balofo e provoca azia. Daí o afastamente dos jovens da vida política.
Num país como o nosso, onde no passado ano, houve sete mil denúncias de pais agrdedidos pelos filhos (fora os casos em que a denúncia não foi feita...), que mensagem devem a Igreja e o Estado anunciar? "Paninhos quentes"? Enterrar a cabeça na areia como se nada se passassse? Que família queremos? Está visto que isto de "papás" e de "mamãs" não dá. Os filhos precisam mesmo é de pais e de mães!!!

"Sei de professores que sentiram inveja ao conhecerem a frase com que Nicolas Sarkozy sintetizou a noção de respeito e hierarquia moral que gostaria de implantar durante a sua muito provável Presidência da França. “Quero uma França em que os alunos se levantem quando o professor entre na sala de aulas”, disse ele. Julgo que a inveja destes professores, de diversas nacionalidades, reside na admiração da coragem de um discurso destes, por um candidato para quem as palavras têm valor e que não se permite fazer discursos balofos e mentirosos de falsas paixões. Também em Espanha, Esperanza Aguirres anunciou que vai proibir o uso do telemóvel na escola e banir as consolas de jogos. Duvido que alguém se interesse por isto em Portugal, com a ânsia de manter a popularidade entre os jovens e com o receio de que lhe chamem fascista. Na nossa escola, tal como a puseram e assim como está, não há o risco de o professor ter de se esforçar, nem se desfaz a comodidade da ausência de conhecimento, que corre paralelamente à indisciplina, tudo generosamente proporcionado por planos educativos baseados na pedagogia da banalidade e da vulgaridade."
Joaquim Letria in” 24 horas”

Casos nossos de cada dia

Criminalidade
A criminalidade violenta está a atingir proporções preocupantes. De acordo com os últimos dados oficiais da Polícia Judiciária, o número de inquéritos relativos a crimes que pressupõem o uso de violência, como raptos, sequestros e tomada de reféns, subiu 14 por cento entre 2005 e 2006.Os inquéritos sobre roubos, tráfico de pessoas, homicídios, ofensas à integridade física grave, detenção ou tráfico de armas proibidas também registaram subidas assinaláveis. No primeiro caso (roubos) entraram no ano passado 1951 inquéritos, contra 1603 em 2005; no segundo caso (homicídio consumado) foram registados no ano passado 236, mais trinta do que no ano anterior.Os crimes de ofensas à integridade física grave e tráfico de armas proibidas aumentaram, respectivamente, de 67 para 129 e de 111 para 115, entre 2005 e 2006. O documento da PJ aponta mesmo para uma "maior utilização da violência" na prática de crimes a "par de alguma generalização do uso de armas de fogo".

Para além desta criminalidade violenta, são cada vez mais os assaltos a bens, casas e pessoas, pelo que as populações vivem num clima de medo. Isso mesmo podemos constatar pelo que vemos, ouvimos e lemos na comunicação social e no contacto com as pessoas.
Sabemos que não é fácil controlar estes marginais. Mas talvez desse resultado obrigar a uma reeducação todos os que fossem apanhados. E sobretudo não descurar a educação para os valores das novas gerações. Já sabemos o resultado da falta de educação cívica e moral. Agora há que arrepiar caminho e ser mais exigente para com os desordeiros. Doutro modo é a liberdade de todos e de cada um que fica em causa. Pois haverá cada vez mais gente a ter saudade do antigo regime.

Sabemos também que a pobreza é "o caldo de cultura" que proporciona o surgimento de muitos fenómenos de marginalização. Ora, num país com 2 milhões de pessoas à beira da pobreza...
Para quando a mobilização de toda a sociedade no combate à pobreza? Por que rezão partidos políticos e governo não encabeçam um progrma de âmbito nacional para ajudar a debelar este flagelo?

Infelizmente, o 25 de Abril e o regime instaurado por ele não acabou com a pobreza em Portugal. Temos cada vez menos pessoas remediadas, um pequeno número de muito ricos, e uma multidão de homens e mulheres abaixo do nível mínimo de pobreza.

Claro que o 25 de Abril trouxe coisas positivas. Desde logo, a nobre e inaudita responsabilidade de vivermos em liberdade. Somos um povo que tem o futuro nas mãos, que pode decidir o seu caminho. E a liberdade não tem preço. É um valor inegociável. E é em liberdade que temos que nos educar para os valores, que temos que construir um país progressivo e solidário, que temos que corrigir assimetrias, que somos chamados a sermos criativos, dinâmicos, a pegar a sério neste país.

Uma maneira optimista de ver as coisas

O filho que muitas vezes não limpa o quarto e está a ver televisão?
Significa que está em casa.

A desordem que tenho que limpar depois de uma festa?
Significa que estivemos rodeados de familiares e amigos.

As roupas que me estão apertadas?
Significa que tenho mais do que o suficiente para comer.

O trabalho que tenho a limpar a casa?
Significa que a tenho.

As queixas que escuto acerca do governo?
Significa que tenho liberdade de expressão.

Não encontro estacionamento?
Significa que tenho carro.

Os gritos das crianças?
Significa que posso ouvir.

O cansaço no final do dia?
Significa que posso trabalhar.

O despertador que me acorda todas as manhãs?
Significa que estou vivo.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Capitães de Abril

O Público desta quarta, 25 de Abril, diz que os "Capitães de Abril não usaram o poder para fazer avançar a sua carreira militar". No corpo da notícia explica que "Uma análise quantitativa dos principais órgãos clandestinos do Movimento dos Capitães, antes do 25 de Abril e de alguns dos órgãos de poder político-militar que os "capitães de Abril" criaram, no período de transição para a democracia, tende a indicar que os vencedores não usaram a vitória em benefício das respectivas carreiras."Pois! Um tempo em que as causas valiam mais que as carreiras, num sector do Estado em que fazer carreira é importante. E não resisto a dizer que na Igreja, por vezes, também se esquecem as causas.
Obrigado! capitães de Abril.
http://nasacristia.blogspot.com

Momentos felizes

PARTILHAR O PÃO, PARTILHAR A AMIZADE

O P.e Costa Pinto convidou os sacerdotes deste arciprestado para uma refeição em casa de sua irmã, em Viseu. É aí que ele agora reside.
Eu e os colegas Matias, Armindo e Víctor lá fomos. Pena que os colegas Ramos e Seixeira, por motivos pastorais, não tenham podido ir também.
Foram momentos muitos óptimos. O P.e Costa Pinta, sua irmã e cunhado receberam-nos com imensa simpatia, ofereceram-nos uma agradabilíssima refeição e partilhamos experiências, boa disposição e casos da vida.
O lugar onde vivem é muito bonito, sossegado e com boas condições. Parabéns!
O meu agradecimento ao senhor "patriarca", sua irmã e cunhado pela maneira familiar, acolhedora e fraterna como nos trataram.

A INICIATIVA PRIVADA RECUPERA MONUMENTO

A Capela da Senhora de Nazaré, do Morgadio de Cravaz, propriedade de D. Fina, encontrava-se em mau estado de conservação. É um pequeno templo barroco muito interessante, não só a nível de talha dourada, como de pintura e azulejaria.
D. Fina e sua família deitaram mãos à obra e fizeram obras de beneficiação e de restauro. Durante vários meses, técnicos realizam competentemente o trabalho. O melhor que se pode dizer é aquilo que ouvimos alguém hoje referir: "Parece que está na mesma!" De facto, nestas obras o importante é conservar, restaurar. Não modificar. Está uma maravilha!
Às vezes dá a impressão que queremos que o Estado faça tudo. Somos uns estadodependentes. Ora aqui está como a iniciativa privada é capaz de se mobilizar para preservar o património. E não são nada baratas estas obras!
Parabéns à proprietária e sua família por possibilitarem que chegue às gerações futuras este pequeno, mas belo monumento.
Hoje foi a inauguração do monumento. Presidiu à Eucaristia o P.e João Carlos, do Seminário de Lamego, que se fez acompanhar por um seminarista. Estiveram também presentes o Pároco, o P.e Matias, o Diác. Amorim (pertence à família da capela), as irmãs, os artistas, a família e convidados. A cerimónia decorreu com dignidade e o presidente da assembleia comunicou-nos uma palavra oportuna sobre S. Marcos e sobre as vocações. O Pároco expressou a sua alegria pelo restauro da capela e felicitou a família.
Obrigado, D. Fina, pela cedência ao seu povo desta capela para os actos de culto. Sempre o faz com enorme disponibilidade.

Humano, sensível, presente

Há dias, meu Deus! Manhã com cinco aulas. Almoçar à pressa, porque é urgente resolver um assunto numa repartição pública. Há que ser rápido, porque às três chega o Diác. Amorim para irmos participar nas exéquias solenes por Mons. Russo. Regressar a toda a pressa, agora na companhia dos colegas e amigos, padres Matias, Armindo e Víctor, porque há uma reunião na escola. Está na hora do jantar? Pois, mas é preciso deslocar-me a uma povoação para resolver uma situação inadiável. Valeu a simpatia do sr Quim Silva e família que fizeram questão que "lanchasse" com eles. Há que dar corda aos sapatos, porque a reunião do Conselho Económico é às 20,30 horas. Finalmente, aqueço a sopita.
Umas horas de trabalho me esperam ainda. É preciso organizar para o jornal uma entrevista que ao mesmo concedeu o Director do Centro de Saúde - demorou duas horas!!! Ah! E duas cartas urgentes que amanhã, mesmo feriado, tenho que fazer chegar em mão ao seu destinatário!? Mais um bocado. Pronto. Dia encerrado. Pois, pois... E a resposta que urgentemente, tenho que enviar, via email, para a empresa que vem tratar dos sinos?! Estica-te, moço! E não refiles nem resmungues! Para quê? As paredes não ouvem.

Estico-me na cadeira e deixo que transcorra o filme do dia. Parei a fita quando me aparece D. Jacinto a presidir às exéquias. E senti-me feliz pelo meu Bispo. Apareceu ali todo, na sua humanidade profunda, deixando que ela falasse e nos falasse. Com controle, claro. Mas a emoção estava lá.
Obrigado, senhor Bispo! Por ser assim. Humano, sensível, presente. Por nos ensinar que o coração também tem direito a tempo de antena, por não formalizar a sua intervenção, por no-la oferecer quente, bonita, próxima.
Ao espelho do seu coração, consegui ver mais claramente o irresistível amor do Ressuscitado.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Conselho Económico trabalha em comunhão


Acabou agora a reunião do Conselho Económica desta comunidade paroquial. Houve debate, por vezes mais aceso, partilha de ideias, marcação de trabalhos e distribuição de tarefas. Mas reinaram sempre a paz, a procura de consensos, a transparência. Na verdade, sinto que este grupo de 19 homens é de uma grande generosidade e que se preocupa seriamente.
Falámos do Centro Paroquial, da TNS para a substituição do telhado da Igreja, da aparelhagem sonora da Igreja, da mecanização dos sinos e restauro dos mesmos, da arborização do espaço de Santa Helena, da preparação da festa de Santa Helena, dos trabalhos a executar, do arrumo da carrinha, de trabalhos de conservação a realizar em Santa Helena, dos dinheiros da paróquia... enfim, de tudo. Com clareza, com frontalidade, com verdade. Sem trunfos na manga, sem manhosices.

Alegra-me saber que cada um procura dar o seu melhor para que o Conselho Económico trabalhe em comunhão. E queremos que cada vez mais seja assim.

De facto, no Conselho Económico, o espírito tem que ser o de serviço. Sem procurar aplausos fáceis nem glórias efémeras. Não é fácil, porque, tantas vezes, as críticas chovem, impiedosas, injustas. Mas sinto que esta gente interiorizou já que não há serviço sem cruz.

Vamos para a frente, amigos. Todos juntos. Em comunhão. É que quem não vive para servir não presta para viver.

Um abraço em Cristo.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Faleceu o Vigário-Geral da nossa Diocese

Hoje, às 7,30 horas, no hospital, faleceu Mons. Eduardo Russo, que era o Vigário-Geral da Diocese de Lamego. Ainda na sexta-feira, trabalhara normalmente, embora a saúde, de há uns tempos para cá, se tenha vindo a deteriorar.
Várias vezes esteve entre nós, a última das quais no ano passado para presidir à celebração do Crisma.
O Senhor chamou-o a Si. Foi a sua Páscoa, o seu ressurgimento para a vida que não acaba.
Paz à sua alma.
Amanhã, haverá exéquias na Sé às 16horas.

domingo, 22 de abril de 2007

Eu também gostaria de ajudar

- Posso falar consigo em privado?
- Claro. Vamos lá.
- Olhe, na última reunião vi-o muito preocupado com aquela situação de pobreza de que nos falou. Via-se na sua cara que estava a sofrer muito.
Se não se importa, eu também gostaria de ajudar. Não é muito, é o que posso de momento. Faça favor.
Sabe uma coisa? Muito obrigado pela sua sensibilidade, por nos ensinar a preocuparmo-nos com quem precisa.
Não disse nada. Ouvi. Era uma senhora com dificuldades. Eu sei. Mas da sua penúria foi capaz de partilhar com quem está em grande dificuldade. Apenas fiz uma festinha e disse muito obrigado.
Em casa abri o envelope. Era muitíssimo para as suas posses. E senti-me pequenino perante a generosidade enorme daquela senhora. Já o enviei ao destinatário, que os pobres não podem esperar, ou melhor, estão cansados de esperar.
Há tanta gente de coração maravilhoso! Que nobreza de gesto! Que encanto de palavras!
Podemos ter belas cerimónias, ricos discursos teológicos, aprazíveis instalações, mas se não tivermos caridade nada somos. Caridade à maneira bíblica.

Deveria o baptismo passar para uma idade em que fosse a própria pessoa a pedir o seu baptismo, realizando depois o seu trajecto catecumenal?

É claro que o tempo da cristandade passou. Perante este facto, parece-me que:

- O baptismo deveria passar para uma idade em que fosse a própria pessoa a pedir o seu baptismo, realizando depois o seu trajecto catecumenal.
- Só em casos em que os próprios pais oferecessem garantias claras de educação na fé do seu filho, a Igreja deveria aceitar o baptismo de crianças.

- Estamos a cair na disfunção: termos enorme percentagem de baptizados e cada vez menos gente que assume e vive a sua fé. Cristãos apenas porque têm o nome nos livros de baptismo.

- Um problema cada vez mais complicado é o dos padrinhos. Em virtude da avalanche de divórcios e de outras situações, há menos pessoas que não cumprem os requisitos da Igreja para serem padrinhos.E o mundo de problemas que isto acarreta a quem tem que tomar posições!??? Acho que o verdadeiro padrinho/madrinha é a comunidade paroquial que acolhe no seu seio aqueles que o Espírito de Deus regenera pela água. Não seria de "deixar cair" o padrinho?

- A actuação dos párocos é muito disforme, o que gera confusão na mente dos crentes. Se uns baptizam tudo e não são exigentes quanto aos padrinhos para não terem problemas, outros procuram cumprir e explicar. Só que o mau é aquele que exige...Os bispos deviam estar muito mais atentos a esta problemática. Por mim, penso que os filhos não escolheram os pais que têm, mas os padrinhos podem e devem ser escolhidos.

- Baptismos, casamentos e funerais, são para muitos meros actos sociais, e cada vez menos celebrações da fé. Em muitossssss destes casos, a Igreja é apenas um número da festa social. Podemos realmente falar da "paganização do baptismo"...

- Assistimos hoje, mormente entre a classe média, ao "socialmente correcto". O filho/a tem que fazer alguma coisa em matéria religiosa para não se sentir mal ao pé dos outros. Mas nada de compromissos. Só o mínimo indispensável.Penso que não é pelo facilistimo nem pelo porreirrismo que vamos lá. Também lá não iremos seguramente pelo legalismo e pela intransigência ultra-ortodoxa.

Só há um caminho: "A verdade vos tornará livres." (Jesus Cristo)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

CENTRO PAROQUIAL: sonho, necessidade e imperativo


O Centro Paroquial Santa Helena da Cruz resultará da reconstrução e ampliação da Casa da Fonte (logo por trás da Igreja). Por se encontrar em área sujeita ao parecer vinculativo do IPPAR, o Estudo Prévio foi analisado por este organismo, tendo dele recebido parecer favorável em 24 de Outubro de 2005. Visto tratar-se de uma obra da Igreja, precisou também do parecer favorável da Diocese de Lamego, o que aconteceu em Dezembro de 2005. Tendo em vista o protocolo assinado em 17-2-02, visando a comparticipação estatal, foi aprovado o Estudo Prévio pela CCDR em 28 de Fevereiro de 2006, com a indicação de algumas "pequenas alterações". Aceites estas, houve que fazer o Projecto de Execução, que teremos que entregar na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

Hoje, foi-me entregue este Projecto, que meti na Câmara, seguindo agora os trâmites normais.O processo leva o seu tempo. Estamos todos desejosos por começar, mas não podemos "pôr o carro à frente dos bois"…

Esta parte dos "papéis e das burocracias" é a mais complicada. Ninguém se apercebe do trabalho, canseiras e ansiedade que gera. E depois ainda se ouve: "As obras não abançam por culpa do padre!" Enfim, é "comer" de todos os lados.

O Centro Paroquial é aqui uma enorme necessidade. Temos 350 catequizandos, grupo de jovens, escuteiros, GASPTA, irmandades, associações, reuniões várias... mas não temos instalações! É preciso andar com "um chapéu" na mão a pedir que nos emprestem uma salinha para a catequese...

É um sonho. Não vejo a hora de poder começar. E a comunidade também. Penso que ficará um belo e acolhedor espaço, mesmo ao pé da Igreja, com salas para catequese e reuniões, zonas para a juventude, estacionamento, local de encontro, de formação e de convívio das famílias.

Coloco no Coração de Deus este sonho.Que o Espírito ilumine os decisores e anime toda a comunidade à volta deste projecto que se quer unificador.

Um obrigado ao Engº Américo por todo o empenho. Saúdo também os outros técnicos que têm colaborado, bem como o Conselho Económico.

De olhar voltado para o nosso país


De 16 a 19 de Abril de 2007, reuniu, em Fátima, a 165ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). No Comunidado final, afirma-se que a Assembleia aprovou o seguinte documento, que se divulga nesta data:
- “Nota Pastoral Desenvolvimento e Solidariedade”.

Este documento, situado no âmbito das comemorações dos 40 anos da encíclica “Populorum Progressio”, de Paulo VI e dos 20 anos da encíclica "Sollicitudo Rei Socialis”, de João Paulo II, apresenta a análise dos nossos bispos sobre a situação social do Portugal presente. Os sublinhados são da minha responsabilidade.


"Evoquemos a parábola dor rico avarento e do pobre Lázaro a que faz referência o papa Paulo VI na sua encíclica. Ela retrata muito do que acontece no nosso país onde a pobreza atinge 21% da população. Muito se tem falado da sua erradicação. Alguns especialistas consideram possível atingir, ao menos parcialmente, esse objectivo. Porém, ainda não se encarou a sério esse problema.
Os sintomas parecem apontar o sentido contrário
. Pensemos na exclusão social, no desemprego e no emprego precário, na desertificação do interior, no envelhecimento da população, no isolamento dos idosos, nas deficiências do sistema de saúde, no desenraizamento dos imigrantes, entre outros. Todos eles são problemas complexos e multifacetados que requerem uma abordagem abrangente. Não podem ser equacionados apenas sob o prisma económico, esquecendo a sua componente humana, social e ética.
O consumismo, a globalização, a deslocalização de empresas, a corrupção, o tráfico de pessoas humanas, de drogas e de influências são fenómenos que contribuem para ampliar a distância entre os ricos e os pobres.
Basta pensar que uma escassa minoria da população é detentora da grande parte dos recursos.
Para alcançar um desenvolvimento equilibrado e integral não se pode esquecer a educação, sector que se tem vindo a degradar. Precisa, urgentemente, de ser reabilitado. As novas gerações, garantia do desenvolvimento futuro, precisam de ser educadas para os valores humanos, cívicos e morais, suporte básico do desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade. Entre os valores a promover, destacam-se: o valor da vida desde o seu início até à morte natural; o valor do matrimónio e da família, célula base de uma sociedade equilibrada, capaz de propiciar desenvolvimento harmónico e integral às novas gerações.

Finalmente, dentro do quadro do desenvolvimento propiciado pela solidariedade, queríamos por em evidência a importância do voluntariado. Antes de mais, deixamos uma palavra de louvor e de incentivo ao muitos milhares de voluntários que, ultrapassando a concepção economicista do trabalho e da vida, disponibilizam o seu saber, as suas competências e o seu tempo ao serviço de instituições de saúde, de solidariedade, de serviço cívico ou outros, dando um sentido de valor às suas próprias vidas e ajudando milhares de crianças, de jovens ou de idosos a superar os obstáculos do percurso vital.
Deixamos aqui um desafio a todas as pessoas que têm disponibilidade de tempo e coração generoso a que exercitem a solidariedade, individualmente ou integradas em grupos organizados ou instituições.

Se, como disse Paulo VI, o desenvolvimento é o novo nome da paz, a solidariedade, no dizer de João Paulo II, é o caminho para o desenvolvimento.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Em nome da verdade

Desde a anterior vereação que, neste concelho, Câmara e Igreja mantêm uma estreita colabroração, no total respeito pelo âmbito de actuação de cada uma. Felizmente, o elenco camarário, chefiado pelo Presidente Mário Ferreira, tem mantido, ao longo dos anos, uma relação de cooperação com as paróquias, dentro de um espírito de seriedade, compreensão e ajuda.
Sempre que, como presidente da Fábrica da Igreja desta Paróquia, o procurei e conversei com ele sobre os assuntos mais pendentes, recebi uma palavra clara, sem subterfúgios. Estilo, é possível, é possível; não é, não é; ou então, vamos esperar algum tempo.

Hoje procurei-o na companhia do Presidente da Junta. É preciso rever a situação dos sinos da Igreja Matriz, das estruturas que os sustentam, da mecanização dos mesmos, já que actualmente não há pessoas para os utilizarem manualmente. O presidente da Junta tinha-se disponibilizado. Só que o orçamento apresentado pelas firmas que vieram ver a situação é demasiado elevado para a disponibilidade da Junta. Então fomos colocar o problema ao Presidente da Câmara. Que sim, senhor. A Câmara cobria a parte do orçamento que a Junta não pode comportar.
Foram ainda analisadas a TNS para a substituição do telhado do referido templo e outras situações inerentes a outros templos da Paróquia. Isto de ter muitos povos, muitas capelas é no que dá... Em todas as situações, houve enorme receptividade do edil tarouquense. Ah! Há muito pouco tempo, o Presidente da Câmara havia garantido a verba para a total substituição da instalação sonora da Igreja.

Penso que é este bom relacionamento entre instituições que gera o melhor clima para a resolução de problemas do foro eclesial e comunitário. Sem subserviências, sem anulação da opinião própria, sem amenismos.
Em nome da comunidade cristã a que presido, não posso deixar de exprimir o meu reconhecimento ao Presidente da Câmara e à Câmara por toda a solidariedade manifestada ao longo de todos estes anos. Em nome da verdade.

Dois gestos extraordinários

A imprensa não enxerga, ou faz que não enxerga, eventos nobres. A maior parte dos jornalistas não aprecia nem dá relevo aos valores espirituais que vão surgindo.Exemplo flagrante são dois gestos insólitos e belos, ocorridos no fim do mês de Março.

Em S. Martinho do Campo (Santo Tirso) deflagrou um grande incêndio numa fábrica de têxteis. Vários operários ficaram feridos gravemente, mas um deles, homem de extraordinária coragem e solidariedade, não vendo fora da fábrica alguns companheiros, reentrou para ajudar a salvá-los, mas o fogo já não o deixou sair. Morreu.Extraordinário exemplo de heroísmo e abnegação!Entretanto, o novo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, sentindo a dor profunda dessa família enlutada, confortou esses familiares telefonicamente e deslocou-se a S. Martinho do Campo para presidir ao funeral daquele operário herói, consolando todos os participantes com palavras de fé e de esperança,O povo daquela freguesia, e o de outras das redondezas que tiveram conhecimento, sentiram a alegria da presença reconfortante do seu Bispo, o Pastor que sofre com o sofrimento do seu redil.E nós, atentos a estes testemunhos, sentimos a alegria de ser dirigidos por um Pastor de coração compassivo.Nenhum jornal divulgou estes gestos. Mas temos de estar atentos ao que de belo vai ocorrendo à nossa volta para aprender esta solicitude evangélica e transmitir estas mensagens, para transformação deste mundo insensível num mundo fraternalmente solidário.Dois exemplos: um homem que sacrifica a vida para salvar outros e um Bispo que ensina a amar e a confortar irmãos que sofrem.
Mario Salgueirinho

Carroça Vazia


quarta-feira, 18 de abril de 2007

Palavra de Vida, com Vida, para a Vida


"Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas acções não sejam denunciadas.

Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas acções são realizadas em Deus."

(Jo 3, 20-21)

Dá que pensar!


“Há tempos, a Associação promoveu dois cursos, um de canalizadores e outro de carpinteiros. Já se haviam firmado protocolos com entidades públicas e privadas, tendo em vista a parte prática do curso. Só não houve pretendentes. Apareceram apenas três inscrições em cada curso. E olhe que cada formando tinha garantido o ordenado mínimo e subsídio de refeição! E havia grandes possibilidades de empregabilidade após o curso.” – Disse o Presidente da Associação Empresarial de Tarouca ao Sopé da Montanha.

Dá que pensar! Então as pessoas queixam-se que não há emprego e não aproveitam estas oportunidades que dão garantias de empregabililade? Com estas regalias todas!? Como é possível?
E, felizmente, hoje estas profissões já têm ordenados interessantes. Trabalho não falta nestas áreas. Quem quiser mesmo trabalhar, só em “biscates” após o horário de trabalho, ganha muito dinheiro.
Somos um país de títulos. O que conta é ter um “canudo”, mesmo que se fique no desemprego ou se tire um curso para o qual não se tem vocação. O importante é ser médico, advogado, arquitecto ou engenheiro. Isso é que dá prestígio e deixa os paizinhos de “papo cheio”.

Parece-me que a questão é exactamente ao contrário. Toda a gente deveria estudar o máximo para ser bom naquilo que faz. Por que não há-de haver um “Dr.” que seja mecânico, electricista, pedreiro, agricultor, costureira?
Quando visitei os países escandinavos, eu e os outros companheiros ficámos de boca aberta quando a guia nos foi indicando que tal condutor do autocarro era licenciado nisto, que o garçon do restaurante tinha uma licenciatura naquilo, que o cobrador do parque turística era formado naqueloutro…E ninguém chamava ninguém pelo título académico, mas pelo nome.
Temos hoje muita gente que não quer nada, que se arrasta na vida, sempre disponível para cair nas garras da degradação. Temos outros que mendigam, através da malfadada “cunha” um emprego aqui ou acolá. Temos outros que se fiam na emigração, levados pelo sonho do parente ou vizinho que aqui aparecem nas férias em brutas máquinas. Temos alguns que trabalham, lutam, se esforçam, mas que são ultrapassados na vida pelo tráfego de influências. Temos um pequenino grupo que se lança, que aposta, que cria.

Dois colegas de Faculdade haviam-se licenciado em História. Claro, no fim da linha, apareceu-lhes o desemprego. Que fizeram? Pediram ajuda aos pais e começaram a fabricar e a vender “Tortas” numa acanhada lojinha da sua cidade. O negócio rapidamente prosperou, porque se dedicaram com empenho ao trabalho, e hoje dão donos da principal doçaria da sua cidade. Estes dois jovens, além da universidade, haviam frequentado, desde pequenos , a “faculdade da família”, onde se aprende a ser homem e mulher, onde se lançam as forças estruturantes da criatividade, do desenvolvimento de potencialidades.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Econtro de catequistas

Na noite de hoje, realizou-se uma reunião de catequistas da Paróquia. Não estiveram todos. Uns comunicaram atempadamente que não podiam estar por razões inadiáveis; outros provavelmente tiveram receio da trovoada que nessa hora se fez sentir por estas bandas e alguns ter-se-ão esquecido.
Foi um momento de oração, reflexão, partilha, de se acertarem detalhes, tendo em vista a realização do plano anual da catequese.
Fálámos sobre o curso arciprestal de catequistas que decorreu na Quaresma, partilhámos as dificuldades e as situações que nos vão aparecendo, fizemos alguns reajustes, demos apoio uns aos outros.
Realmente, não é fácil, dadas as instalações muito precárias, o elevado número de catequizandos - 350 -, alguma falta de compromisso por parte dos pais, a dificuldade em comunicar Deus a crianças e jovens muito voláteis, sem capacidade de concentração, bastante apegados ao materialismo e imediatismo.
Aflige-nos a falta de prática cristã. Mas se os pais não praticam... É que "casa de pais, escola de filhos". Muito se tem feito para ajudar os mais novos neste campo. Missa das Crianças, novas tecnologias na Eucaristia, animação da celebração em termos que procuramos ser os mais adequados... Mas se há catequese, ainda vão indo; se não há catequese, quase nenhum.
Tanto se tem falado e escrito nesta comunidade acerca da Eucaristia! Os resultados parecem desanimadores.
Como muito bem dizia um dos elementos do grupo, o que vale é a fé. É por causa de Cristo que aqui estamos.É por Ele que vale tudo. É n'Ele que confiamos. Sabemos que a nós só nos compete semear. Sempre! A Ele pertence colher.
Catequistas amigos, obrigado pela vossa disponibilidade, perseverança, entrega e generosidade.

Os números da vida e a vida em números

Centenários aumentam
O crescimento da população de idosos é um fenómeno mundial que está a ocorrer a um nível sem precedentes. Segundo as estatísticas oficiais, em 1950 existiam 204 milhões de idosos no mundo, número que triplicou em 2000, a um ritmo constante de mais 8 milhões de pessoas idosas por ano, com idades superiores a 65 anos. As projecções indicam que, em 2050, a população idosa será próxima dos mil milhões de pessoas, valor equivalente à população infantil dos zero aos 14 anos registada nessa altura. O número de pessoas com 100 anos de idade ou mais aumentará 15 vezes, passando de 145 mil pessoas em 1999 para 2,2 milhões em 2050.

Violência nas escolas
No último ano, houve 390 queixas de maus tratos a professores. Segundo o barómetro DN/Marktest, 94% dos portugueses consideram que o governo deve reforçar a autoridade dos professores e conselhos directivos para fazer face à violência sobre os docentes.O mau comportamento dentro da sala de aula é também uma preocupação dos inquiridos, que – quando questionados sobre a necessidade de existir um reforço da autoridade para fazer face à indisciplina dos alunos –, consideram (em 93,8% dos casos) que deve existir uma intervenção do Governo. Ou seja, "a resolução destes problemas é um anseio da comunidade como é dos professores", diz João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação. "É preciso que haja uma alteração do estatuto do aluno para que se dê mais autoridade à palavra do professor e exista mais respeito por ele."

segunda-feira, 16 de abril de 2007

DIA MUNDIAL DA VOZ

Hoje, 16 de Abril, é o Dia Mundial da Voz

Ana Mendes, terapeuta da fala, explicou que «uma voz saudável é a pessoa sentir-se bem com a própria voz», sendo que existem alguns sintomas de uma voz com problemas, como rouquidão, fadiga vocal ou falta de clareza e projecção.
No caso dos sintomas de uma voz pouco saudável permanecerem mais de dez dias, a APTF aconselha a consultar um terapeuta da fala ou um otorrinolaringologista.

Lembre-se!
  • Uma palavra fora da boca é como uma pedrada fora de mão.
  • Antes que fales pensa no que dizes.
  • Quem muito grita pouca razão tem.
  • Que ninguém perca pela tua língua.
  • Nem tudo o que se ouve, se deve contar.
  • Quem não sabe guardar um segredo não merece ser teu amigo.
  • Não faças da tua lingua uma "lixeira".

PARA BRINCAR

Um marido, cansadíssimo de ouvir a esposa, que o atormentava dia e noite com as mais variadas e por vezes disparatadas conversas, depois de recorrer a todos os meios plausíveis ao seu alcance, vira-se para Nosso Senhor e pede:

- Senhor, dai tento na língua à minha mulher!

O Senhor responde-lhe:

- Olha, meu filho, mesmo que lhe tirasse metada da língua, ainda ficaria com material suficiente para reconstruir as Torres Gémeas.

Economia portuguesa continua "anémica"

Um estudo da consultora SaeR mostra que a economia portuguesa continua "anémica", incapaz de se aproximar dos seus parceiros comunitários e de criar postos de trabalho.
Na apresentação do relatório trimestral referente ao mês de Março da SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco, o consultor José Poças Esteves adiantou à agência Lusa que, embora a economia portuguesa esteja "a reanimar e a crescer", o ritmo continua a ser insuficiente para haver a criação "líquida" de postos de trabalho.
O mesmo especialista acrescenta que apesar da dinâmica externa, a fraqueza da procura interna (consumo e investimento) impede Portugal de se aproximar dos seus parceiros da zona euro, numa altura em que os esforços para reduzir o défice público, a tendência de alta das taxas de juro e o elevado desemprego e endividamento dos portugueses estão a limitar os factores internos de crescimento da economia portuguesa.

No mesmo relatório, a SaeR alerta ainda para o facto de um abrandamento mais forte do que o esperado ou até uma eventual recessão nos EUA poderem impor um abrandamento económico ao resto do mundo, num período em que "há razões adicionais para uma atenção acrescida dos riscos".Com a crise no sector imobiliário norte-americano paira uma "nuvem cinzenta" sobre os EUA, a qual pode criar "forte instabilidade bolsista e resultar numa recessão", acrescentou Poças Esteves.As questões geopolíticas, sobretudo à volta do Irão, podem agravar ainda mais essa instabilidade e vir a reflectir-se posteriormente em Portugal.

A SaeR considera que as reformas estão a avançar em Portugal a um ritmo lento, o que que vai dificultar um desempenho consolidado da economia portuguesa.
Poças Esteves defendeu ainda que são necessários no nosso país despedimentos na Administração Pública, recusando-se no entanto a avançar qual o número de trabalhadores que deveriam deixar de trabalhar para o Estado.Por último, o analista lembrou ainda que o importante é que a Administração deixe de swe um entrave à eficiência das empresas e passe a ser uma alavanca.


In Diário DiarioEconómico.con, 16 de Abril de 2007

domingo, 15 de abril de 2007

Aniversário do Papa


O Papa Bento XVI festeja hoje o seu 80º aniversário.

Saúdo-o com consideração, desejo-lhe todas as felicidades e exprimo a minha comunhão com aquele que recebeu de Cristo o serviço de confirmar os irmãos na fé.

Asas da Montanha

É urgente que os leigos acordem para a sua missão eclesial

“Jesus disse-lhes de novo: ‘A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». (Jo 20, 21)

Cada baptizado é um enviado. Ora se todos somos baptizados, todos somos igualmente enviados. Cada um segundo os carismas que Deus lhe concedeu e segundo o serviço a que Deus o chama pela Igreja.
Sempre me impressionou a passividade da maioria dos nossos leigos. Para muitos, desde que “assistam à missa” e paguem a côngrua, pronto, acham que já cumpriram o seu dever. O resto é com os padres e “com os que andam à volta deles.”
Os leigos são uma maioria esmagadora na Igreja. Os leigos também são Igreja. É igualmente dirigida a eles a Palavra do Senhor: “ Eu vos envio a vós.”

Somos o povo de Deus em comunhão. Neste povo de Deus, há uma igualdade fundamental (todos filhos do Pai do Céu) e uma diversidade funcional (há diversidade de dons e serviços em ordem à edificação do Corpo Místico de Cristo).
É urgente que os leigos acordem para a sua missão eclesial. “Deixem de ser consumidores de religião” e se tornem apóstolos, enviados, testemunhas.
Nalguns fóruns, discute-se muito padres, bispos, a hierarquia, mas silêncio absoluto em relação ao papel dos leigos na vida da Igreja. E o que mais chama a atenção é que a grande maioria das pessoas que por lá anda são leigos. Parece que estão mais interessados naquilo que compete à hierarquia do que a eles!

O Decreto sobre o apostolado dos leigos (APOSTOLICAM ACTUOSITATEM) é um belíssimo documento conciliar que os leigos deviam conhecer, assimilar e viver.
O último referendo sobre o aborto, fala-nos eloquentemente do estado do laicado em Portugal. Por um lado, temos cristãos comprometidos, que anunciam coerentemente a sua fé, “dão a cara” pelos valores do Evangelho, estão em comunhão operante com a hierarquia. Por outro lado, temos uma enorme multidão laical, adormecida e entorpecida, que vive desfasada da Igreja, descomprometida, indiferente, amorfa, que não leva para a vida os valores evangélicos, que deixa a sua fé nas paredes das igrejas ou nos recintos dos santuários, esquecendo que é próprio dos leigos a secularidade. Viver no meio do mundo como sal, fermento e luz.

sábado, 14 de abril de 2007

Ricos cada vez mais ricos, Pobres cada vez mais pobres

Enquanto os 10% de portugueses mais ricos são cada vez mais ricos, os 10% de portugueses mais pobres estão cada vez mais pobres.
Os dados estão aí, claros, contundentes, envergonhantes: 2 milhões de portugueses no limiar da pobreza.

O combate efectivo à pobreza deveria ser o verdadeiro desígnio nacional. Parece que a comunicação social teima em distrair-nos do que realmente interessa. Telenovelas, futebol e escândalos é trio mágico da distracção.
Mas claro, a comunicação social estás "nas mãos" de quem? Dos grandes grupos económicos ou do Estado. Alguém se apercebe de algum descontentamento por parte dos ricos em relação à actual maioria que governa o país? Parece que nunca estiveram tão bem. O descontentamento brota só dos mais pobres. O que é estranho. Não se diz este governo socialista?

A Igreja vai desenvolvendo acção sócio-caritativa como pode. Instituições como a CARITAS e as MISERICÓRDIAS, as paróquias através dos lares de idosos e do apoio às crianças, grupos paroquiais, voluntariado, acção individual e outras atestam a presença efectiva do Mandamento Novo, numa dinâmica evangélica de "não saber a esquerda o que faz a direita". E que assim seja cada vez mais.
Penso é que falta, entre outras, uma maior intervenção profética neste campo, sobretudo por parte da hierarquia. Tudo muito calado ou semi-calado...

Portugal - o país da União Europeia com maiores níveis de desigualdade

As populações mais pobres foram as que mais empobreceram nos últimos anos, indiciando um falhanço das políticas sociais dirigidas a este sector populacional, segundo dados apresentados hoje na conferência «Compromisso Cívico para a Inclusão», promovida pela Presidência da República.
De acordo com um estudo sobre a «distribuição do rendimento, desigualdade e pobreza em Portugal», apresentado por Carlos Farinha Rodrigues, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, a taxa de pobreza é maior depois de contabilizadas as transferências sociais.
Um dado que deixou «esmagado» Daniel Bessa, presidente da Escola de Gestão do Porto, que moderou o primeiro painel da conferência que hoje reúne em Santarém cerca de um milhar de pessoas, num evento que culmina o Roteiro para a Inclusão, iniciado em Maio de 2006 pelo presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
«Fiquei esmagado com a evidência do relativo fracasso das políticas de transferências sociais», disse Daniel Bessa perante o dado de que a taxa de pobreza é em Portugal superior à média europeia quando se contabiliza o efeito das transferências sociais (20 contra 16%).
A taxa de pobreza antes da aplicação dessas transferências e do valor das pensões é praticamente idêntica à média europeia (42 contra 43%), tal como acontece quando se soma o valor das pensões (26 por cento em ambos os casos).
«Gostava de saber quanto custam essas políticas, cujo mau resultado está à vista», afirmou Daniel Bessa.

Segundo os dados apresentados por Farinha Rodrigues, Portugal continua a ser o país da União Europeia com maiores níveis de desigualdade (41% contra os 31% da média comunitária a 25) e maiores níveis de pobreza.
«Não sendo novos, são dados que não podem deixar de nos envergonhar», disse o investigador, realçando a evidência da «ineficiência» das políticas sociais no combate às situações de pobreza.
Farinha Rodrigues não deixou de relativizar os dados apresentados, sublinhando que, a par da taxa elevada e da persistência da pobreza, há também uma melhoria significativa dos níveis de vida das populações.
Frisando que a pobreza «não é uma fatalidade», o docente do ISEG defendeu a necessidade de «políticas sociais efectivas», com a melhoria do modelo de desenvolvimento, que reduza a exclusão, e políticas sociais «activas, com medidas concretas para a inclusão».
A conferência «Compromisso cívico para a inclusão» decorre ao longo de todo o dia no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém, sendo encerrada pelo ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e pelo presidente da República, Cavaco Silva.
Diário Digital / Lusa

sexta-feira, 13 de abril de 2007

"Há tanta gente a sofrer mais do que eu!"

D. Deolinda Ribeira, 83 anos, é a "Madrinha" do nosso grupo paroquial ORAÇÃO E AMIZADE. Ela reza e oferece-se pelo grupo, este reza por ela e, com ela, por todos os doentes.
De há uns anos para cá, raramente sai de casa, pois a falta de saúde não lho permite. Enquanto pôde, era presença assídua nos actos da comunidade, sabendo sempre oferecer uma palavra de incentivo e de carinho aos outros. Pessoa sensível e de coração puro, aderia às iniciativas e apoiava-as sem nunca regatear a sua contribuição, que, aliás, sempre apresentava com enorme delicadeza.
Hoje fui visitá-la. Como sempre, vim edificado. Apesar das limitações físicas, continua encantadora, com enorme gosto de viver, sempre optimista, encarando a vida com uma grande esperança que lhe advém de uma fé profunda. Afirma com um sorriso a bailar-lhe nos lábios: "Nem me posso queixar muito. Há tanta gente a sofrer mais do que eu!..."
Falou-me com empenho do Centro Paroquial. Quis saber como estavam as coisas. Disse-me que pedia ao Senhor que a não levasse sem antes ter visto "a realização desta grande paixão do nosso pároco". E como sempre faz, também este ano entregou a sua contribuiçãozinha, mas que não queria que o seu nome aparecesse no jornal. Já lera no Evangelho como "Nosso Senhor nos manda..."
Falámos muito do livro bíblico que anda a ler, o Eclesiástico, sobre o qual pediu a minha ajuda para melhor poder compreender algumas passagens.

"ESPAÇO IGREJA" NAS ONDAS DA RÁRIO

Em cada sexta-feira, das 14 às 15 horas, a Rádio Riba-Tavora - Espaço Santa Helana - ( www.rrt.pt.vu) transmite, a parir de Tarouca, "Espaço Igreja".
Normalmente, sou eu quem marca presença no referido programa. Em tempos de muito trabalho pastoral, como a Quaresma, o Diác. Amorim, a Ir. Teresa ou a Dra. Laida fazem o favor de me substituir.
Hoje voltei. Confesso que já sentia falta daquele espaço. Muitas vezes, levo pessoas comigo. Já lá estiveram representantes de todos os povos e de todos os grupos da Paróquia, além de outra gente que acho ter algo de interessante a comunicar. Mas hoje fui sozinho.
Falei do sentido da Páscoa, da Palavra de Deus que o próximo domingo nos propõe, de questões relacionadas com a educação dos mais novos, das habilitações de Sócrates, do derrotismo nacional.

No tempo de estudante de Teologia, saiu a célebre Exortação Apostólica EVANGELII NUNTIANDI do Papa Paulo VI. Era vice-reitor do Seminário Maior o Senhor Dr. Jacinto Botelho, hoje Bispo de Lamego, que nos ia falando com entusiasmo deste documento papal. Recordo que referia amiúde que, segundo o pensamento do Papa, a comunicação social era o púlpito dos tempos modernos.
Guardei e deixa amadurecer a ideia. Sinto que Paulo VI tinha razão.Por isso, dentro das minhas muitas limitações, procuro estar presente nesse "novo púlpito dos tempos modernos." Criei um jornal mensal "Sopé da Montanha" que dirijo, oriento o Boletim Paroquial "Apelo", trouxe para as celebrações as novas tecnologias, tenho um programa semanal numa rádio local, Criei o site da Paróquia ( http://paroquiadetarouca.no.sapo.pt/), possuo agora este blog, participo noutros blogues e foruns dos quais destaco : ( http://www.paroquias.org/forum/index.php).
Sempre nesta preocupação: anunciar Cristo. Só Ele. Na certeza de que a Igreja existe por causa de Cristo. Quem me dera ser melhor e saber mais para O poder anunciar condignamente. Confio na obra da Sua Graça. Sempre.

Deixo aqui o meu obrigado ao D. Jacinto por me ter motivado, enquanto estudante, para estas lides pastorais.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Saber lidar com as crianças

O Trabalho do menino é pouco,
mas quem o despreza é louco
Popular

Dois factos.
Uma colega de escola contou-me que tem dois filhos, o miúdo de 9 anos e ela de 13. Como moram numa aldeia, os filhos, nas férias, ajudaram os avós, executando algumas tarefas consentâneas com a idade, como guardar as cabras, colocar as batatas nos regos, etc. Referiu ainda a colega que os pequenos realizavam essas tarefas com satisfação.
No 1º dia de aulas do 3º período, a professora pergunta aos alunos se tinham trabalhado nas férias. Todos disseram que não. À noite, ao saber do que se passara na escola, a minha colega pergunta ao filho:
- Claro que tu disseste que tinhas trabalhado…
- Estás maluca, mãe! Depois todos me gozavam.
Isto passou-se numa aldeia…


Há dias, um paroquiano contou-me que tem uma pequenita de 4 anos. Em cada fim-de-semana, ele e a esposa oferecem à petiza duas moedas de um euro cada um.
Quando vão às compras ou a alguma grande superfície comercial, a criança, como todas as outras, não resiste às seduções do mercado. Se lhe aparece algo que lhe prende a atenção, volta-se para o pai ou para a mãe e pergunta quantas moedas são precisas. Os progenitores usam palavras e o gesto dos dedos para ela compreender. Então conta as moedas. Se vê que não dá, apenas diz: “As moedas não chegam.” E seguem em frente.
Muitas vezes acontece que, ao cantar as moedas, ela dá conta que tem as suficientes. Mas depois responde: “Dá, mas só fico com duas. Não quero.” “Pronto, filha, tu é que sabes”, respondem os pais.
O pai contou-me que descobriu este método no escutismo e que o tem aplicado com óptimos resultados. Nunca a miúda fez cenas nos locais comerciais.
É um trabalho de casa educativo, paciente, baseado na verdade. A pequena confia absolutamente nos pais e estes tudo fazem para merecer a confiança da filha.
Além disso, habitua-se a ter com o dinheiro uma relação racional, ao mesmo tempo que vai descobrindo o seu valor e a necessidade de se saber controlar.

A minha Betânia

Hoje, após a Eucaristia, jantei em cada de paroquianos. É assim há muitos anos. Sempre que posso, fico e janto em casa de algumas famílias. Essas famílias são a minha Betânia.
Sinto-me bem. Em família, acolhido, presença amiga. Em casa do Diác. Amorim, de Manuel Teixeira, de Vinício Félix, José Oliveira, Antonino Ribeiro, Amândio Correia, José Américo, Vítor Cardoso, Lelo Sarmento, João Oliveira, José Duarte e outras, o Pároco é sentido como um membro da família. Conversamos, rimos, partilhamos. Sem nunca sentir qualquer constrangimento sobre o meu múnus sacerdotal.
Além disso, esta relação empática permite-me a oportunidade de estar com outras pessoas que visitam essas famílias. O padre próximo dos seus paroquianos, disponível para todos, sendo que todos compreendem que o sacerdote também precisa de calor humano. Também é gente.Como a gratidão é a memória do coração, Deus e eles sabem como lhes estou grato

Director da Renascença diz ter sido pressionado por assessor do primeiro-ministro

Responsável adiantou não ter recebido uma "ameaça formal" de processo judicial, mas admitiu que "a hipótese foi referida"

O director da Rádio Renascença admitiu hoje ter sido pressionado pelo gabinete do primeiro-ministro para que não voltasse a transmitir a notícia divulgada pelo jornal Público sobre a licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente. Segundo disse Francisco Sarsfield Cabral à saída de uma audição na entidade reguladora dos media, as pressões, dirigidas directamente ao director de Informação, foram feitas através de um telefonema de um assessor do primeiro-ministro. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) está hoje a ouvir os directores e jornalistas envolvidos no artigo publicado a 31 de Março pelo semanário Expresso sobre tentativas de condicionamento dos media pelo Governo, tendo agendado para a próxima quarta-feira uma audição com o assessor do primeiro-ministro David Damião. O artigo do semanário, intitulado "Impulso Irresistível de Controlar", refere que, após o noticiário das oito da manhã da Renascença do dia 22 de Março, "os assessores do primeiro-ministro despertaram para um frenesi de telefonemas. A rádio dava eco à notícia do jornal Público que levantava dúvidas em torno da licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente". "Entendemos que o Público tinha feito uma investigação [sobre a licenciatura de José Sócrates] que merecia respeito", defendeu Sarsfield Cabral, acrescentando que "não se tratava de jornalismo de sarjeta, mas de jornalismo sério, que levantava dúvidas", e que "a Renascença tinha todo o direito e obrigação de fazer eco dessas dúvidas". Os telefonemas do gabinete do primeiro-ministro referiam ter como objectivo fazer "um protesto indignado, considerando que [as dúvidas] se tratava de calúnias", referiu o director da Renascença. As audições que a ERC está a realizar ficam, para Francisco Sarsfield Cabral, aquém do que deviam, já que a entidade reguladora "só chamou os meios de comunicação que deram a notícia". O conselho regulador da ERC devia ouvir, nomeadamente, aqueles que não deram notícia, "para saber se não a deram por existirem pressões", defendeu. Os directores do Público e da SIC Notícias foram também ouvidos hoje pela ERC, tendo José Manuel Fernandes afirmado que os jornalistas daquele jornal foram pressionados pelo gabinete do primeiro-ministro.

Jornal de Notícias, 12-4-07

Os preços em Espanha e em Portugal


Milhares de portugueses, sobretudo os que vivem próximo da raia, são atraídos pelas compras em Espanha. Os preços são mais baixos e ainda há o bónus de se encher o depósito do carro com menos euros. Um cenário alicerçado numa política de impostos menos agressiva do Estado espanhol no IVA e no ISP. Preços mais baixos, para salários mais altos em 2006, o salário mínimo de um português rondava os 437 euros, em Espanha os 631 euros. Jorge Passos, empresário de Viana do Castelo e membro do Conselho Nacional da Associação das PME Portugal, elaborou um estudo que revela uma realidade incontornável os preços dos bens de primeira necessidade em Espanha são muito atraentes em relação aos praticados em Portugal.A discrepância do IVA e, no caso dos combustíveis, do ISP (imposto sobre produtos petrolíferos), estão a cavar um "fosso" cada vez maior entre o custo de vida português e espanhol, e, consequentemente, a arrastar milhares de consumidores para o país vizinho. O empresário efectuou, em Junho de 2006 e de novo em Janeiro deste ano, um estudo com base num cabaz de 77 produtos alimentares, de higiene pessoal e geral, bebidas e parafarmácia. Passos levou em conta um universo de cerca de 80 mil habitantes dos concelhos da raia minhota, entre Caminha e Melgaço. E concluiu que, se um agregado familiar comprar o cabaz que seleccionou, uma vez por mês, em território espanhol (em super ou hipermercados de referência), pode poupar cerca de 151 euros. "Notei, do primeiro para o segundo estudo, um agravamento globaldo preço do cabaz na ordem dos 30%. E de 35,5% se incluirmos a gasolina", diz Jorge Passos. No primeiro estudo, a diferença do preço do cabaz entre Portugal e Espanha situava-se nos 116 euros. Seis meses depois, em Janeiro deste ano, o empresário concluiu que a vantagem de comprar em Espanha já atingia os 151 euros. Mas Jorge Passos fez mais. Supôs que uma família portuguesa com residência em zona de fronteira, ao deslocar-se a Espanha para comprar o cabaz, aproveitaria para abastecer o automóvel. Nesse acaso, a poupança ascenderia, segundo o estudo efectuado em Janeiro deste ano, a 171 euros mensais - 20 por via do preço mais baixo dos combustíveis. Numa análise aos produros do cabaz - que inclui 46 produtos de mercearia, 19 de higiene e limpeza, oito bebidas e quatro artigos de parafarmácia e afins -, o empresário concluiu, por exemplo, que no caso dos produtos para bebés a diferença de preços é "brutal". A explicação reside na percentagem de IVA 4% em Espanha, contra 21% em Portugal. Na maioria dos outros bens do cabaz, os espanhóis cobram 12% de IVA, enquanto o Estado português cobra 21%. Passos concluiu, por outro lado, que se apenas 10% das famílias da região por si estudada fizessem compras em Espanha, isso resultaria numa "transferência de cerca de 1,2 milhões de euros por mês" para os comerciantes do país vizinho. E lembra que, se a mesma estimativa se fizer para as regiões fronteiriças de Chaves, Quintanilha, Vilar Formoso, Monfortinho, Badajoz e Vila Real de Santo António, serão "quase 11 milhões de euros de compras mensais em Espanha que podiam ser feitas em Portugal".


03.04.2007 - Jornal de Notícias

Empresa de transportes poupa 450 mil euros por ano com gasóleo espanhol

A "João Pires - Internacional Transportes" faz questão que os números sejam divulgados e até já os fez chegar, através de duas cartas, em Maio do ano passado e em Janeiro deste ano, ao ministro da Economia em números redondos, a transportadora revela ter obtido uma poupança média de cerca de 450 mil euros ao fim de um ano a abastecer a sua frota de 120 camiões nos postos de combustíveis de Espanha. Em 2006, esta empresa, sedeada em Vila Nova de Cerveira, a pouco mais de cinco quilómetros de território espanhol, desde que abriu a ponte internacional sobre o rio Minho, consumiu, segundo revelou, ao JN, o seu proprietário, João Pires, quase sete milhões de litros de gasóleo, mas apenas 850 mil litros foram comprados em Portugal. O grosso do combustível, cerca de seis milhões de litros, foi atestado pela sua frota no país vizinho, o que lhe permitiu poupar quase meio milhão de euros. A estratégia de gestão de João Pires alterou-se desde que, em 2005, o preço dos combustíveis começou a subir de forma desenfreada, mas a alteração só foi radical mais recentemente, depois dos aumentos verificados no IVA e no ISP em Portugal. "Tivemos de reforçar a nossa política de compras de combustíveis em Espanha, sob pena de perdermos competitividade no mercado e conduzirmos a empresa a situações de prejuízo que poderiam ser fatais para a sua continuidade", afirma o proprietário. Em 2004, a João Pires abasteceu cerca de 62% do total do gasóleo consumido nesse ano em Portugal; em 2005, foram 45%; e no ano passado já foram apenas 12,5%. Em Espanha, compraram 84% do gasóleo consumido em 2006.
03.04.2007 - Jornal de Notícias

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Entrevista do Primeiro-Ministro à RTP

Por afazeres pastorais, só consegui presenciar os últimos minutos da entrevista do Primeiro-Ministro à RTP.
Que pensam os amigos da entrevista?
Da parte que ouvi, sinceramente não gostei. Mas falta-me a visão global da entrevista. Por isso, penso que não será muito ético pronunciar-me.

As criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá. A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa. A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate. A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha. A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente. A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando. A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua. Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher. Desperta. É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares. A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada. A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira. A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca». Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu». A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias». Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos. Miguel Carvalho, in Visão

Novas tecnologias ao serviço da Eucaristia


Numa das últimas reuniões do Conselho Pastoral da Paróquia, o representante de um dos povos apresentou uma “queixa” de pessoas que referiam que gostavam de participar mais na Eucaristia, mas não tinham acesso às letras dos cânticos. Referiu também que havia gente que não respondia porque não sabia … Apresentou o caso do Credo, do glória e outras respostas. Logo alguém, no mesmo Conselho, respondeu que isso era desculpa de quem não queria participar, mas estava sempre disposto a criticar.
Eu é que não fiquei descansado. Durante umas noites, dormi mesmo mal. O que mais quero é uma assembleia participante e participativa. Perguntava-me como dar a volta… Então veio-me a ideia de recorrer às novas tecnologias. Falei com amigos entendidos nesse ramo, consultei o Conselho Económico e toca a dar corda aos sapatos. Comprei um computador e um projector para a Igreja e os meus amigos afixaram a tela provisória e o projector. Tudo foi estudado de forma a não chocar com a arquitectura do templo. Procurou-se a maior discrição, para que o centro fosse a Eucaristia e não as novas tecnologias. E no Natal passado, tudo começou a funcionar.

Em cada semana, apresento o esquema da projecção: disposição dos slides, leituras, imagens, duas ou três ideias fortes da homilia (uma vez ou outra, foi mesmo toda projectada), respostas da Missa, comunicações à comunidade. Como existe a Eucaristia das Crianças, tenho que apresentar duas alternativas. Depois, gravo na pen e levo ao Zé Américo. Ao mesmo tempo, os responsáveis dos corais enviam-lhe os cânticos por email, até ao meio da semana. O Zé faz então a distribuição: envia o material para o Chefe Vítor, responsável pela projecção na Missa das Crianças, que trabalha a visualização do material enviado; em relação às outras duas Eucaristias, o Zé trabalha com o Grupo de Jovens.
É um processo que não é simples, bastante trabalhoso e que não admite falhas dos intervenientes. Felizmente, tudo tem corrido bem. Todos eles são espectaculares.
Sinto que se tem conseguido o objectivo: favorecer ao máximo a participação da comunidade, com total discrição, porque o importante é a Eucaristia.
Muitas vezes, ao fim da Comunhão, faz-se a projecção de um “mini-filme” cuja mensagem julgo importante para a comunidade e em sintonia com a Palavra da Eucaristia.

Tem valido a pena todo este trabalho, todo este entusiasmo, toda esta persistência? Tem aumentado a participação da comunidade? Analisaremos na próxima reunião do Conselho Pastoral.
“E a fé da Igreja é essencialmente uma fé eucarística e alimenta-se, de modo particular, à mesa da Eucaristia” (Sacramento da Caridade). Por isso, tudo o que fizermos pela Eucaristia é sempre pouco. Ela é fonte e ápice da vida da Igreja.

Aprende-se muito junto à cama de um doente

Como é costume na Quaresma, também este ano o Pároco e o GASPTA (Grupo de Acção Sócio-Caritativa da Paróquia) visitaram os doentes desta comunidade paroquial. Em alguns povos, também ministros extraordinários da comunhão nos acompanharam. Visitámos 40 acamados. Claro, sem contar os do Lar e os do Hospital. A grande maioria deles quis confessar-se após a visita.
Como alguém disse, os doentes são uma verdadeira “universidade de vida”. Eles chamam-nos ao fundamental. Tantas vezes distraídas, as pessoas acabam por não dar importância ao que realmente importa.
Com os doentes aprendemos a importância de um sorriso, a delicadeza de um gesto; com os doentes, descobrimos como sabe bem uma boa brincadeira, como é fundamental haver quem saiba escutar; com os doentes, saboreamos a vida e tomamos consciência da nossa fragilidade; com os doentes, sentimos Deus que nos toca, nos abraça, nos conforta. Ali, junto à fragilidade, tantas vezes quase total, ressoa o dom da fé que dá sentido ao sofrimento, reforça a coragem interior e prepara caminhos de ressurreição.
Quem visita doentes, tantas vezes fica edificado pela coragem e a determinação de muitas esposas, maridos, filhos, pais em relação aos seus doentes. Quanto carinho! Quanta solicitude! Quanto desprender-se de si mesmo em favor de quem sofre.
Retenho no coração o testemunho daquela esposa que há muitos anos tem o marido na cama, completamente dependente dela. O carinho com que fala ao marido, o esmero com que o trata, o imolar-se no altar do serviço quando ela mesma é doente. E sem queixumes, sem azedume. Apenas pede a Deus que lho conserve por muitos anos. E como não recordar aquela doente que diz com o sorriso a bailar-lhe nos lábios: “Os meus filhos podem vir cansadinhos do trabalho, mas todos os dias por aqui passam. Estou muito agradecida ao Senhor pela maravilha de filhos que Ele me deu.” E de tantas pessoas sofredoras a quem a solicitude familiar dá razão para continuarem a lutar pela vida. “Os meus filhos estão longe, mas não há dia nenhum em que, pelo menos, um deles me não telefone. E enquanto eu sentir aquelas vozes quentes de amor quero continuar a viver.”
“Agora já não sirvo para nada, só para dar trabalho”, diziam alguns. Servem, sim senhor. E muito! Enquanto houver alguém que fique feliz por os ver, vale a pena viver. Enquanto a fé elevar ao Pai uma um hino de louvor ou uma prece sentida pelos outros, continuarão a ser esteios do mundo. Enquanto forem catedráticos a oferecerem lições ao mundo no altar do sofrimento, vale a pena viver.
Obrigado, irmãos doentes, por tanta serenidade, por tanta fé, pelo gosto com que nos acolhestes, pelas mensagens que nos transmitistes, pelos sorrisos que nos encheram a alma, pela oportunidade que nos destes de aprender convosco. Parabéns a todos os que tratam dos doentes e a eles dão, bastantes vezes, mais do que aquilo que podem. Convosco, aprendemos que só “serve para viver quem vive para servir”. Um bem-haja sentido aos membros do GASPTA pela companhia amiga e, sobretudo, pela forma edificante como souberam estar junto dos doentes, ouvindo, fazendo sorrir, compreendendo, estimulando. Mais do que a prendinha que entregaram a cada doente, valeu a entrega pessoal.

A primeira entre as sete maiores maravilhas do mundo


E a primeira entre as sete maiores maravilhas do mundo,
é… a Ressurreição!
Jesus ressuscitou
e não voltará a morrer.
A Páscoa de Jesus,
é a maravilha maior,
a notícia mais surpreendente,
a realidade mais comovedora,
o acontecimento mais retumbante da história,
porque a fraqueza do amor,
derrubou para sempre o poder fatal da morte.

terça-feira, 10 de abril de 2007

A eloquência do silêncio

Tanto em Santa Helena como em Cristo Rei, decorrem trabalhos de beneficiação dos respectivos espaços. Ontem, de tarde, fui a Santa Helena. Hoje, pensava deslocar-me a Cristo Rei. Mas apareceu um funeral e a visita ficou adiada.Gosto da serra. Faz-me sentir mais livre e mais liberto. Venho sempre melhor do silêncio da serra.Então ontem, em Santa Helena, o silêncio era total, intenso, abrangente. Sentei-me no Calhau do Farol e deixei que o meu olhar se embriagasse na ampla beleza da paisagem que me invadiu de mil cores e infindas sensações. Fiquei assim largo tempo e só acordei quando os mais lábios balbuciaram: "Como Deus é grande! Fantástico Artista que nos deixou este quadre sem preço!"Desci e fui até ao altar campal. Ripei do terço e rezei ali, passeando para cá e para lá. Tive a sensação que os penedos, as giestas, as urzeiras, as nuvens que se moviam lentamente no céu azul tão à mão, a brisa que continuamente saltaricava, acompanhados pelo chilrear apressado dos pássaros, rezavam muito melhor do que eu. Não lhe ouvi a voz, mas senti-lhe a alma. Por escutei melhor.Desci e, sentindo que o Sol quentinho me saudava amavelmente, pois obrigara a brisa a ficar quietinha nas paredes da Capela, pensei: " Numa sociedade sressada, de corre-corre, sovada pelo barulho, alienada de si, arrastada pelo factuo que desilude e esvazia, por que não procuram as pessoas estes ambientes tão propícios ao encontro consigo próprias, tão renovadores do ar da alma?"

LEI DO ABORTO PROMULGADA

O Doutor João António disse tudo. E, como sempre, muito bem. Por isso, com a devida vénia, transcrevo.

"Previsível: o senhor Presidente da República promulgou a lei do aborto.
Não era obrigado a promulgá-la. Mas quis promulgá-la.
A promulgação foi acompanhada de uma recomendação à Assembleia da República.
Quem lê a recomendação, fica com a ideia de que o Chefe de Estado não se revê na lei mas fica igualmente com a impressão de que ele mesmo sabe que tal recomendação não vai ser seguida.
Como fizera o Gen. Ramalho Eanes em 1984, também agora se aprova uma lei com uma argumentação contra a mesma lei.
Se o referendo não foi vinculativo e se a lei não é correcta, porquê promulgá-la?
O senhor Presidente da República seguiu a indicação de cerca de 20% dos eleitores. Podia seguir os ditames da sua consciência.
É certo que vetar não adiantaria muito. Apenas adiaria a sua aprovação. Mas marcava-se uma posição.
Respeitamos a decisão presidencial. Mas, com todo o respeito, discordamos profundamente dela.
Este não é um bom dia para o nosso país: para o seu presente e para o seu futuro.
Esperança, porém. Mesmo sem o suporte da lei, vamos continuar, sem crispação e na máxima paz, a trabalhar em prol da vida. De todas as vidas!"
http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt/

Terceiro Período Lectivo e as Aulas de Substituição

As escolas reabriram hoje para iniciar o último período escolar.
Foi bom voltar a encontrar os colegas, funcionários e os meus queridos alunos do 2º ciclo.
Gosto de ensinar e de aprender com os meus alunos com quem tenho uma boa relação pedagógica, empática, próxima, no respeito pela especificidade de cada um. Gosto de trabalhar e de conviver com os colegas com quem sempre aprendo. Gosto da minha escola e das funções que me têm atribuído, mormente o jornal escolar.
Não gosto das aulas de substituição. Acho-as deprimentes. E sei que os professores com quem contacto, maioritariamente pensam assim. Mesmo que a Senhora Ministra dê o facto como pacífico. Mas ela sabe que não é. Por baixo da paz da cinza, o lume continua vivo.
Uma escola não é uma fábrica, nem os alunos peças da máquina. Uma fábrica não pode parar. Perante a ausência de um funcionário, alguém tem que o substituir. Só que, quando se trata de pessoas, a coisa soa mais fino…Que diria a Senhora Ministra ou o Senhor Primeiro-Ministro se tivessem que ser operados ao coração e, na hora, aparecesse, não uma equipa de cardiologistas, mas de oftalmologistas? Uma turma é um grupo específico de crianças, adolescentes ou de jovens, com a sua idiossincrasia, dentro da qual e com a qual se estabelecem formas de estar muitos próprias. Quando um estranho entra, é como se um cisco entrasse na vista. É uma invasão, com todas as consequências que de tal se inferem. Um professor desconhecido, que nem caras nem nomes conhece…
Depois, que sentido têm um professor que se profissionalizou no 2º ciclo ter de ir fazer uma substituição numa turma do 12º ano, ou vice-versa? Que plausibilidade há no facto de um professor de Matemática ter de dar uma aula de substituição de Português ou de Educação Física?
Estamos a falar de crianças e de jovens que precisam de brincar, de aprender através da socialização. Uma criança começa as aulas às 9 horas – a maior parte delas de 90m -, tem ao meio da manhã um recreio maior, mas que precisa de usar para ir ao wc, tirar a senha, ir ao bufete e outras coisas próprias da vida escolar. Que tempo lhe sobra para brincar? Vem depois o almoço e precisa de esperar na fila para entrar para o refeitório para depois poder comer… Que tempo sobra? E de tarde, repete-se a mesma cena até às 17.30 horas.
Se o estudante não teve tempo para espairecer, diluir tenções, esvaziar emoções, relaxar, então vai fazê-lo na aula, diminuindo a capacidade de concentração, a predisposição para a aprendizagem e aumentando a indisciplina. Por isso os resultados não melhoram, pelo contrário.
Quem foi estudante, sabe compreender a importância do “furo”. Quantos o aproveitavam para pôr a conversa em dia, ir até à biblioteca, realizar tarefas de casa, tirar dúvidas com colegas, estudar com amigos, libertar energias com o desporto. Mas se querem ocupar os “furos”, haverá certamente outras formas mais sensatas e mais humanas de tratar alunos e docentes. Exemplo, seria a existência de salas de estudo, com a presença de 2 ou 3 docentes de áreas diversas, onde os alunos pudessem estudar, sozinhos ou em grupo, tirar dúvidas, consultar a biblioteca ou as novas tecnologias…
Aliás muitos pais, que de início bateram palmas às medidas ministeriais, estão a “cair na real” e a aperceber-se da perversidade destas e outras medidas. Se o estudante acompanha este ritmo intenso, chega a casa, não tem paciência para a família e carrega ainda mais o ambiente familiar; se não tem estofo para acompanhar este ritmo, fica revoltado, desinteressado e as consequências a nível comportamental e familiar são previsíveis. Já diz o sábio bíblico: “Há tempo para tudo…” Demos tempo para os alunos brincarem para eles se darem tempo para aprenderem. A escola não pode ser um espaço de “entreter os meninos”, tem que ser espaço de exigência no crescimento. Para isto, os alunos precisam de disponibilidade interior, de se sentir desempoeirados e serenos.
Quanto ao facto do trabalho dos professores, só um dado: são dos grupos mais consumidores de consultas psiquiátricas. Porque será?

MAIS ADRENALINA E MENOS NAFTALINANA


Na Exortação Apostólica Pós-Sinodal “SACRAMENTUM CARITATIS”, Bento XVI, no nº 83 refre-se aos “… valores fundamentais como o respeito e defesa da vida humana desde a concepção até à morte natural, a família fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher, a liberdade de educação dos filhos e a promoção do bem comum em todas as suas formas.(230) Estes são valores não negociáveis.” Logo mais à frente acrescenta: “ …Os bispos são obrigados a recordar sem cessar tais valores; faz parte da sua responsabilidade pelo rebanho que lhes foi confiado.(232)”
No nº 89 O Papa frisa: “Precisamente em virtude do mistério que celebramos, é preciso denunciar as circunstâncias que estão em contraste com a dignidade do homem, pelo qual Cristo derramou o seu sangue, afirmando assim o alto valor de cada pessoa.”
(Os sublinhados são nossos)

Uma das acusações mais repetidas contra a Igreja durante a vigência do Estado Novo foi a de cumplicidade, vivida através do silêncio e de um certo olhar menos simpático para com aqueles católicos que ousaram levantar a voz contra o então “politicamente correcto”. Após o 25 de Abril, a hierarquia da Igreja sempre foi levantando a sua voz, apontando caminhos, denunciando desvios, quase sempre numa óptica de esperança que emana do Evangelho. Acontece que, após as últimas eleições legislativas, o silêncio parece estar a ser o “eclesiasticamente correcto”. Será por nada haver a dizer? Será porque tudo caminha conforme a mensagem do Evangelho? Será por alguma conveniência? E de facto, é mais que necessário que a voz dos pastores se faça ouvir. Perante um governo arrogante, que não dialoga nem se explica e que trata por “conservadores” os que dele discordam ou o contestam; perante as fábricas que diariamente despejam no desespero multidões; perante um futuro sem perspectiva, nem para os mais velhos cujas reformas estão atribuladas, nem para os mais novos sobre quem paira desde logo a espada do desemprego; perante uma função pública, “bode expiatório” de todas as desgraças deste pais; perante a lástima a que chegou a educação, é importante que a Igreja seja voz e vez daqueles que não têm voz nem vez. Há hoje, por parte de quem nos governa, uma lógica de intimação que urge denunciar.
Para a actual maioria, dialogar é reunir com as pessoas e dizer: “Isto é assim. Quem não estiver bem que se mude.” Nem Salazar diria melhor… O medo, fruto da arrogância sem limites daqueles que deveriam ser os servidores da causa pública, campeia hoje. O desespero, a falta de esperança, o pessimismo, a incerteza (será que os pobres e idosos vão continuar a ser penalizados por serem doentes? Há gente que gasta toda a reforma em medicamentos…
E porque perguntar não ofende, face à desfaçatez com que os políticos têm tratado a dignidade da pessoa humana e à falta de «sensibilidade social» demonstrada no mais variados sectores, porque anda tão calado D. Januário Ferreira? Porque é que o Senhor Patriarca que chamou – e bem – a atenção dos portugueses para a obrigação cívica e moral de serem pagos os impostos, não fala agora? E o Senhor Presidente da Conferência Episcopal? Se nem a Igreja dá voz e vez às pessoas que as não têm, então quem o fará?

De facto, como diz o padre José Maia, “A Igreja precisa de «mais adrenalina», porque já basta de «naftalina para conservar o antigo», e de «eleger causas e processos pastorais para intervir mais», seja no anúncio da mensagem de amor e perdão, seja na denúncia profética das situações.