sábado, 29 de junho de 2013

O sétimo mandamento e a parábola de Francisco

A quem rouba pouco chamam-lhe gatuno e metem-no na cadeia; pelo contrário, a quem o faz em grande escala chamam-lhe grande financeiro e recebe todo o tipo de elogios e felicitações pelo seu espírito empresarial." Quem isto escreve é um filósofo espanhol que, embora ateu e anticlerical, muito estimo: Fernando Savater, que acaba de publicar um pequeno livro de reflexão sobre - é este o título - Os Dez Mandamentos no Século XXI.

Não roubar referia-se, antes de mais, ao sequestro de pessoas, ao roubo de outros seres humanos, frequente para arranjar escravos. Esse rapto continua hoje, sobretudo para conseguir órgãos. Mas também continuam os raptos dos opositores políticos e de bebés, como aconteceu na ditadura argentina, tanto mais horrorosos quanto foram praticados também por pessoas ligadas à religião, até de missa diária. Ora, "o corpo é a propriedade elementar que cada um de nós tem e ninguém quer ser utilizado, raptado ou manipulado por outros".
Há múltiplas formas de roubo: o roubo da dignidade, do tempo, de ideias. É impressionante o que se passa em situações de catástrofe, como terramotos e inundações: no meio do caos e da desordem, o saque em massa. É como se populações desfavorecidas pudessem, finalmente, participar no festim do capitalismo e do consumo.
Na realidade, quando falamos em roubo, referimo-nos, em princípio, a tirar às pessoas injustamente os bens que possuem e a que têm direito. Mas, em caso de necessidade, ainda se pode falar de roubo? Quem condenaria alguém por roubo, concretamente se se rouba a uma pessoa rica ou uma instituição endinheirada, para, numa situação de desespero, comprar um remédio ou pão para um filho esfomeado? "Há matizes morais e jurídicos que diferenciam quem rouba um pedaço de pão e quem tira a uma viúva o sustento com que alimenta os filhos." Lá está o carácter insaciável de algumas pessoas com quantidades de dinheiro suficientes para mais de dez vidas e que continuam a roubar. No entanto, só podemos comer três vezes ao dia e dormir numa cama de cada vez. "No fundo, há um limiar a partir do qual o dinheiro se transforma numa doença e não numa ajuda." Aí estão os especuladores gananciosos, que enriquecem utilizando mecanismos e sistemas que, embora não constituam delito no sentido estrito do termo, equivalem a roubar do ponto de vista moral: legalidade e moralidade não coincidem, "sobretudo em situações de penúria e escassez". Ora, no dia em que escrevo, leio, num documento divulgado pela organização não governamental Oxfam, que os paraísos fiscais ocultam 14 biliões (14 seguido de 12 zeros) de euros, que, se fossem taxados, poriam duas vezes fim à pobreza extrema no mundo.
E os impostos? Lá está o dito célebre: duas certezas na vida: morrer e ter de pagar impostos. A justificação destes só pode ser o bem comum e o bem-estar, como bens colectivos, segurança social, protecção no desemprego e na doença, garantidos pelo Estado. Se o Estado não cumpre os seus deveres, nomeadamente na sua função redistributiva, pode chegar-se a "uma forma legal de roubo".
O Papa Francisco não se tem cansado de insistir na necessidade de trazer a ética para a economia e para a finança. Na sua linguagem simples, evocou recentemente uma parábola para explicar a crise. Como se trata de uma "crise do homem, que destrói o homem, que despoja o homem da ética, tudo é possível, tudo se pode fazer, e vemos como a falta de ética na vida pública faz tanto mal a toda a humanidade". E vem a estória, contada por um rabino do século XII. Aquando da construção da Torre de Babel, era necessário fabricar tijolos do barro, meter-lhe palha, levá-los ao forno e, já cozidos, transportá-los para o alto. Cada tijolo era um tesouro, devido a todo o trabalho para o fabricar. Quando caía um tijolo, era um drama e o operário era castigado. Mas se caísse um operário nada acontecia.
"Isso é o que se passa hoje: se os investimentos nos bancos caem, é uma tragédia, mas se as pessoas morrem de fome, se não têm nada para comer nem têm saúde, não acontece nada. Esta é a crise actual."
Anselmo Borges, aqui

sexta-feira, 28 de junho de 2013

NOVENA E FESTA DE SANTA HELENA/2013



Veja o programa da novena AQUI.

Uma Mulher com letra grande!

 
É uma mulher especial esta de quem hoje vou falar. Chama-se Úrsula Von der Leyen, é ministra do Trabalho e Assuntos Sociais na Alemanha, e é admirada por conseguir conciliar o trabalho com a dedicação a uma família numerosa.
Esta alemã de 55 anos é mais que política. Os alemães chamam-na "a mãe da nação", pois tem sete filhos. Durante seus anos na política tem-se empenhado em demonstrar a grandeza dos filhos, as enormes vantagens das crianças na sociedade e tem lutado para abrir caminho às famílias que querem ter filhos numa Europa assolada por uma crise demográfica histórica.
Para além disso é uma mulher de fortes convicções religiosas. É cristã e praticante. Conta orgulhosa o importante que é tomar café da manhã todos os dias com seus filhos e rezar com eles antes de cuidar de suas obrigações no Ministério. Faz do mesmo modo à noite, antes de os seus filhos irem dormir.
Desde 2009 é ministra do Trabalho, mas a sua incansável luta pela família vem de antes, pois de 2005 a 2009, foi ministra de Família, Mulher e Juventude. Nesse cargo legislou a favor destes grupos e ajudou as famílias a conciliar melhor o cuidado dos filhos e o trabalho.
Úrsula também tem mostrado ao mundo a falácia de que não se pode ser mãe e progredir profissionalmente, sem que para isto se deva renunciar à família. Estudou Ciências Económicas e mais tarde fez doutoramento em Medicina, chegando a dedicar-se à investigação. Mais tarde mudou-se para os Estados Unidos devido a compromissos laborais do marido. Ali, dedicou-se a cuidar de seus filhos e à investigação e viu a importância de ajudar a família. A partir daí entrou na CDU alemã (partido democrata-cristão da Alemanha) e começou sua meteórica carreira política.
Fonte: aqui

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Perguntas Frequentes (eleições autárquicas)

Veja aqui

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. JOSÉ LEITE DE VASCONCELOS - Tarouca

AVISO
Matrículas - Ano Letivo 2013/2014

Ver aqui

Protestos populares

- Juventude Operária Católica solidária com greve geral
AQUI

Há povo e povo
AQUI

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Concelho de Tarouca: algumas ideias



Democracia. O melhor de todos os regimes políticos conhecidos. Mas "as mais belas rosas têm espinhos". Daí o especial cuidado em lidar com "rosa" para não ficarmos só na dor dos "espinhos".

A democracia não pode restringir-se só ao ato de votar que, sendo essencial, não esgota toda a riqueza e beleza da participação popular. Então há que fomentar a participação cívica dos cidadãos, nas vésperas de eleições e fora delas.
Instituir fóruns e congressos, generalistas ou temáticos, é uma forma de ouvir, auscultar, aprender e explicar que os agentes políticos deveriam fomentar, além, logicamente, dos contactos pessoais ou grupais.

Quando se escutam as pessoas, fica-se muitas vezes surpreendido com as ideias que apresentam,  as sugestões que indicam, os projetos que apresentam. Tantas vezes tão simples, mas de inegável valor, tendo em vista o bem-estar e progresso da comunidade!
Por outro lado, os agentes políticos  sabem que nem sempre as ideias que não merecem uma adesão popular intensa são de deitar fora. A multidão nem sempre consegue ver para além do imediatismo. São precisos projetos que antecipem o futuro. Então conjugar a visão consensual dos cidadãos com uma visão larga do futuro é arte política. A política também é uma arte...

Sem qualquer presunção, como humilde cidadão, e sem querer de modo algum apresentar exaustivamente - longe disso - as ideias para este concelho, aqui deixo algumas sugestões, como quem partilha.

- Fomentar a participação cívica dos cidadãos, de forma continuada, tendo consciência  que o povo é um livro aberto com que se aprende sempre.

- Estabelecer o acolhimento dos cidadãos pelos agentes políticos como regra de ouro da família concelhia.

- Valorizar e exponenciar as formas legais e institucionais de participação (câmara, junta, assembleia...)

- Manter com os cidadãos um clima de acolhimento, abertura e diálogo.

- Fazer resplandecer a verdade nas relações agentes políticos/ cidadãos, porque só "a verdade nos torna livres". Nada de mentiras, falsidades, meias verdades, promessas para não cumprir, sim pela frente/não por trás...

- Não confundir a diversidade, democraticamente necessária, com partidarite aguda sobreposta ao bem comum ou com relações pessoais deterioradas.
- Num concelho bastante ruralizado, apoiar, estimular e incentivar a agricultura:
  • Criação de um espaço de comércio onde os agricultores possam escoar os seus produtos. Tal espaço beneficiaria tanto os produtores como os consumidores. Não se esqueça que estamos perto de Lamego e da Régua...
  • Fomentar a introdução de novas culturas, rendáveis e facilmente comercializáveis. Fala-se, por exemplo, na cultura do mirtilo.
  •  Valorizar e modernizar as culturas tradicionais da região, perspetivando o seu comércio.
  • Motivar para o arrendamento de terras a prazo. Existem imensos campos abandonados e existe a necessidade de espaço para culturas rendáveis..
  • Favorecer a presença de técnicos no terreno, para apoio, ensino e valorização do agricultor como agente de mudança.
- Somos um concelho com uma riqueza turística imensa. Precisamos de valorizar económica e culturalmente esta riqueza.
  • Potencializar turisticamente os nossos rios.
  • Incentivar a criação de unidades hoteleiras e pousadas com qualidade.
  • Fomentar o turismo de habitação.
  • Organizar congressos temáticos sobre o património natural, histórico e construído.
  • Valorizar a cozinha e artesanato tradicionais.
- A parte edificada antiga das nossas povoações está a ficar abandonada e em ruínas. É preciso que seja estimulada, facilitada e rentabilizada a sua reconstrução. Por exemplo, oferecendo aos seus proprietários projetos grátis, isentá-los de taxas e impostos, eliminar burocracias e tempos de espera, facilitar os acessos. Com tal medida, oferecia-se um suplemento de alma às construtoras, criava-se emprego, preserva-se o património e dava-se vida a espaços que merecem tê-la. Uma vez devidamente restauradas, muitas dessas casas poderiam ser utilizadas para o turismo de habitação, rentabilizando-as economicamente.

- Dados os parcos recursos financeiros disponíveis, há que encarar a sério o campo social.
  • Colocar no terreno os recursos de pessoal e técnicos existentes (menos gabinete, mais terreno).
  • Ser rápido perante situações de pobreza ou doença.
  • Verificar quem realmente precisa de apoios sociais, de modo que sejam canalizados para quem precisa e não para aumentar a preguiça e a dependência.
  • Nunca permitir que um aluno deixe de concluir os seus estudos por falta de meios económicos.
  • Levar o concelho às escolas de modo a criar paixão por ser tarouquense.
  • Continuar a apoiar a 3ª idade, mas criar com entusiasmo e paixão espaços para os jovens. Felizmente, nesta terra, tudo o que vem da juventude é bem acolhido. Então os jovens, pelo fato de o serem e pelo impacto que têm na sociedade, só devem ter apoio, incentivo e possibilidade de dar vazão ao que podem oferecer em termos culturais, recreativos, solidários, criativos, desportivos.
  • Premiar, incentivando, os nossos melhores alunos, estudem onde estudarem.
  • Melhorar o acesso dos cidadãos à saúde. Por exemplo, acabar com o escândalo de pessoas que vão para a fila do Centro de Saúde às tantas da madrugada para terem acesso a uma consulta.
- Apoiar, incentivar e premiar toda a boa iniciativa vinda da sociedade civil, seja em que campo for. Um povo é tanto mais senhor quanto menos for a sua dependência em relação às entidades públicas.

- Facilitar e operacionalizar a ligação dos emigrantes à sua terra natal, estimulando o investimento das suas poupanças no progresso de Tarouca. Há que eliminar burocracias desnecessárias, diminuir tempos de espera, prestar-lhes toda o apoio possível.

- Incentivar a natalidade à semelhança do que se tem feito noutros concelhos. Medidas práticas, com alcance e eficazes.

- Tentar, por todos os meios legítimos e criativos, chamar investimentos para Tarouca. Será que uma grande superfície não era bem-vinda? Ao olhar para o que se passa, verificamos que os tarouquenses se despejam, sobretudo aos fins-de-semana, para as grandes superfícies de Lamego, Vila Real, Viseu... Será de admitir que o comércio tradicional não seria tão afetado como se diz...Além disso, fixavam-se capitais e criava-se emprego, tão necessário.

- Fomentar o convívio entre os cidadãos. Tanta vez que as nossas terras parecem um deserto!

- Organizar a participação dos vários grupos. Em certos dias, há uma multiplicidade de atividades, noutros não há nenhuma...

- Cuidar da redes de transportes, de modo que o concelho tenha, de forma razoável, um organização de transportes que satisfaça as necessidades dos cidadãos.

- Sendo o computador  um meio necessário para a vida diária das pessoas, levar cursos de informática gratuitos aos vários povos e a horas que lhes sejam convenientes.

- Promover concursos literários, históricos, científicos, ideias novas... com prémios capazes de galvanizar as pessoas.

- Otimizar recursos, estruturas e comparticipações, em diálogo com as pessoas e instituições.

- Implantar o saneamento básico onde ele ainda não exista.

"O que eu andei para aqui chegar...", diz a canção. O que Tarouca andou desde o 25 de Abril de 1974! Graças aos seus homens e mulheres. Graças aos agentes políticos que têm estado à frente dos nossos destinos coletivos.
O caminho percorrido é garantia do muito que todos juntos podemos caminhar.
Vamos em frente, porque há saudades do futuro.

terça-feira, 25 de junho de 2013

«Os jovens já não são os de antigamente»

Um texto a não perder... Uma análise crua sobre a realidade da Igreja e da adesão dos jovens a ela. Para ler com calma, reflectindo bem. 
 
Se não renovar a sua ligação com as novas gerações, a Igreja da Europa está naturalmente destinada a desaparecer. Sem jovens, com efeito, as paróquias morrem, por simples falta de reposição de gerações; sem paróquias, enfraquecem até ao esgotamento total as associações e os movimentos, que, apesar de todas as afirmações em contrário, continuam a encontrar precisamente aí os seus adeptos.

Se não mudar de rumo, a Igreja transformar-se-á numa presa que corre o risco de não fidelizar (jamais palavra alguma foi tão apropriada!) novos clientes. Nunca deveríamos esquecê-lo.

Contudo, as estratégias atuais para retomar o diálogo com os jovens não se revelam muito convincentes. Na verdade, não são eficazes. Ainda outro exemplo: a que critérios corresponde o horário das missas dominicais da maior parte das paróquias? Dá a impressão de que são os mesmos que foram adotados na sequência da introdução da missa em língua vernácula no pós-Concílio.

Ao mesmo tempo, porém, a sociedade mudou radicalmente, passando de um modelo substancialmente agrícola para um modelo pós-industrial: o mundo atual tornou-se assim mais noturno e menos fascinado pelas primeiras luzes da aurora, ou seja, um mundo que gosta de ir para a cama precisamente com as primeiras luzes da aurora. Sobretudo da aurora que separa ou une o sábado ao domingo. Qualquer um perceberá por si mesmo que há qualquer coisa, também nesse âmbito, que deveria mudar.

Chegados a este ponto, a interrogação é esta: o que está subjacente à pouca atenção prestada à realidade juvenil por parte da comunidade crente? O que é que a impede de se deixar levar por um profundo abalo interior e exterior, ao programar as suas atividades destinadas aos jovens? Como é que ela consegue continuar a dormir, enquanto o terreno do seu possível futuro se vai esboroando lentamente, pelo menos na Europa?

O ponto nevrálgico sobre o qual assenta toda esta questão diz respeito à elaboração falhada da distância efetivamente existente entre o jovem destinatário ideal das iniciativas eclesiais implementadas e o perfil real dos jovens de hoje, aqui sumariamente identificados como pertencentes à geração sem antenas para Deus. Uma distância ofuscada, aliás, pelo recente uso identitário da religião por parte dos próprios jovens, na esteira do modelo da pertença sem crença, ou seja, de um singular «Igreja sim, Cristo não».

Por isso, embora apercebendo-se dos comportamentos juvenis alheios a ritos em matéria de fé e de moral (et quidem de moral sexual), da sua deserção da missa dominical, do seu analfabetismo bíblico e teológico, na Igreja continuamos a tranquilizar-nos afirmando que os jovens já não são os de antigamente. Em suma, que passe a ser «normal» que os jovens não sejam normais. Que não haja nada de particularmente preocupante no desvio dos seus estilos de vida e de pensamento do cânone tradicional de sabedoria humana e cristã. Mas, depois, ficamos sem palavras – esta, sim, uma característica típica dos adultos contemporâneos – frente a comportamentos aterradores de que são protagonistas os próprios jovens.

É precisamente aqui que se deve identificar a raiz primordial daquela baixa qualidade de atenção de que parecem gozar os jovens de hoje por parte do mundo eclesial. E não só. Também há que ter em conta, de um modo mais geral, a permanente dificuldade e resistência de muitos crentes em se ajustar à realidade da mudança de época do nosso tempo.

A condescendente retórica de um mundo que está a mudar, aliás, um dado adquirido para toda a realidade viva, parece impedir, mais do que facilitar, a plena assunção do facto de que o mundo já mudou. E de modo radical! Isso impõe a necessidade de redefinir o perfil de um crente à altura da mudança ocorrida. Com efeito, se no passado podia ser suficiente a simples catequese sacramental e a frequência das «festas obrigatórias» para ter o título de «crente», tendo em conta que muitos dos comportamentos atuais (divórcio, aborto, etc.) eram perseguidos pela lei ou tecnicamente impossíveis (intervenções estéticas, mudança de sexo, etc.), e que também era tido em conta o caráter exemplar dos personagens públicos e a atitude digna da sociedade no seu conjunto, atualmente tudo isso já não é suficiente. Para «fazer» um crente é preciso mais do que isso. É difícil que tudo isto passe a ser uma opinião partilhada.

Como explicar, por outro lado, a extraordinária lentidão com que a comunidade eclesial se vê a si própria – e aqui não estamos a falar da invenção de novas formas e de novos movimentos, pois já os há em número suficiente – em relação à incredulidade que enforma a geração juvenil? Ou como justificar a surpreendente repetitividade de liturgias e de eventos que marca o ano pastoral das paróquias e dos oratórios, das associações e dos movimentos? Parece-nos estar a assistir a uma viragem de época de alcance singular: o Cristianismo, que graças à sua origem judaica rompera o conceito cíclico do tempo, típico da cultura grega, em favor de um futuro que apela sempre a coisas novas, está hoje cada vez mais dominado por aquilo que, com fina ironia, Nietzsche definia como o seu monótono-teísmo!

Os jovens – e que isto seja acolhido como verdade até ao limite máximo em que um conceito pode descrever a realidade – já não são os de antigamente, no que diz respeito à prática religiosa. Já não provêm de famílias que os tenham instruído o suficiente sobre os valores da sabedoria tradicional, já não frequentam as aulas de uma escola capaz de lhes transmitir o sentido global de uma formação humana e de um substrato cristão. Ninguém lhes deu testemunho da importância de uma vida de fé e de oração, de uma leitura constante do Evangelho, de uma atitude de humildade e de fraternidade. Já não são os de antigamente: a única ressurreição de que tiveram conhecimento foi a da bela morena Taylor da série televisiva Beautiful... Muito diferente da ressurreição de Jesus Cristo!

Frente a estes jovens, a comunidade dos crentes é chamada a transformar-se, a fazer-se solidária com os jovens casais com cada vez mais dificuldades em serem iniciados ao humano e ao Evangelho, e com os mestres únicos da nossa escola primária, cada vez mais oprimidos pelo mito do desempenho.

Não se trata, certamente, de atribuir culpas ou de fazer juízos, mas de ler a realidade que está à vista de todos. Os jovens mudaram porque o mundo mudou; o Ocidente mudou, a família mudou, a escola mudou...; porque não havia de mudar também a Igreja?

O passo a dar pode ser facilmente enunciado em termos teóricos: consiste em transformar as comunidades eclesiais – de modo particular as paróquias, mas também, em certa medida, as associações e os movimentos – em «lugares» onde se aprenda a acreditar e onde se aprenda a rezar. Lugares onde se possa decidir crer. Lugares onde se gere a fé. Lugares à medida daqueles laboratórios da fé, desejados por João Paulo II. Lugares em que os próprios jovens possam confrontar a sua ignorância em relação ao Jesus do Evangelho e ao Evangelho de Jesus, e as suas pretensões infantis em relação à existência e à Igreja; lugares de repouso, de liberdade, de passagens e de paisagens a contemplar, a admirar, a interrogar e a pôr à prova; lugares onde elaborar o mal-estar cultural que atormenta as pessoas; lugares facilmente transitáveis, subtraídos à mania clerical da diaconia a todo o custo, em favor de um simples seguimento.

Trata-se, em suma, por parte dos adultos crentes, de tomar consciência de que, para os jovens de hoje, a fé é uma língua estrangeira. E cada um sabe como é difícil aprendê-la em idade madura, e como pode ser igualmente complicado ensiná-la a quem já não é criança. É este o desafio: a fé já não é uma opção hereditária, mas uma decisão que deve ser preparada e promovida.

À luz das reflexões conduzidas até aqui, não parece haver outros caminhos a percorrer. Como é óbvio, ninguém tem, a esse respeito, receitas prontas, no horizonte não se destaca nenhum padre tipo Harry Potter que, com uma poderosa varinha mágica, abra «novos céus» e «nova terra» para a pastoral dedicada aos jovens. Tal facto, porém, não exonera ninguém do trabalho de procurar «provas partilhadas», de perscrutar a tradição, mas, sobretudo, de experimentar novos caminhos. Seguindo, no entanto, uma trajetória precisa: não se tratará de concentrar a atenção apenas numa ação especificamente projetada para os jovens. É antes o tecido quotidiano, ferial, ordinário de toda a comunidade cristã que deverá testemunhar uma generosa abertura e atenção em relação aos mesmos, a partir dos cânticos e dos horários da missa, de um renovado investimento da sua presença na universidade e nos locais de trabalho, de uma renovação das dinâmicas culturais que apoiam o anúncio, do assumir aquela emergência educativa para a qual Bento XVI apelou vigorosamente à opinião pública.
Armando Matteo, In A primeira geração incrédula, ed. Paulinas, aqui

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A missão da Igreja



O Papa Francisco já por diversas vezes usou esta expressão: «A igreja não é uma ONG». As "ONGs" (Organizações não governamentais) têm por objectivo acudir a necessidades muito concretas, sobretudo materiais, de sociedades ou grupos de pessoas com determinadas carências: falta de alimentos, de água, de escolas, de cuidados de saúde, etc..
Com dezenas de milhares de Centros de Apoio Social, hospitais, escolas, etc., a Igreja pode ser vista por muitos como uma grande empresa de serviços sociais. E pior ainda, se os seus agentes se esquecem do seu objectivo principal: levar o Evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas.
A frase do Papa Francisco, que já tinha sido usada pelos seus antecessores, merece, por isso, reflexão. Não se trata de abandonar o empenho na transformação social, que hoje vemos como parte integrante da evangelização. Trata-se, sim, de não esquecer a sua principal missão.
«Que missão é que tem este povo?», perguntava o Papa no passado dia 12 de Junho. E respondia: «Aquela de levar ao mundo a esperança e a salvação de Deus: ser sinal do amor de Deus que chama todos à amizade com Ele; ser fermento que faz fermentar toda a massa, sal que dá sabor e preserva da corrupção, luz que ilumina."
A missão do Povo de Deus é levar ao mundo a certeza de que Deus nos ama a todos e nos foi preparar um lugar para depois de alguns anos neste mundo podermos viver com Ele no Reino dos Céus.
Foi nesta Fé que viveram os santos e muitos dela deram testemunho no próprio martírio. Mesmo os santos que se dedicaram predominantemente ao serviço dos pobres, como Teresa de Calcutá ou o Padre Américo, nunca esqueceram esta dimensão espiritual.

Fonte: aqui

domingo, 23 de junho de 2013

SANTUÁRIO DE SANTA HELENA

 

CARACTERIZAÇÃO DO IMÓVEL

No topo do Monte de Sta. Helena ergue-se uma capela de nave única, pequena e singela, com fachadas percorridas por embasamento de can­taria de granito, rematadas por cornija e beirada simples. Fachada principal voltada a Norte em alvenaria de granito, finalizado em empena com cruz latina.

Zona Envolvente

O Santuário de Sta. Helena encontra-se num lo­cal isolado, no topo de um monte com 1162m de altitude e funciona como primeira barreira de progressão da influência marítima do Atlântico para o interior centro.

Daqui, podemos vislumbrar o Vale do Varosa, as cidades de Tarouca, Lamego, Vila Real e as Serras do Marão, das Meadas e da Estrela.

A ladear a capela, encontramos um pequeno complexo, que serve de dormitório na semana da novena, um altar exterior com cobertura para as missas em honra de Sta. Helena e uma praça de grandes dimensões.


Não se sabe muito acerca da fundação deste templo. Segundo a lenda, uma nobre dama de Tarouca recebeu a notícia do falecimento do seu amado esposo nas cruzadas, na defesa dos luga­res Santos. Chorando pelo seu infortúnio e, depois de casada em segundas núpcias, é confrontada com o regresso do seu primeiro marido. Não su­portando a vergonha, retira-se para aqui, lugar ermo, propício à meditação, e com autorização do Abade, manda construir o templo.

Mas provavelmente a sua fundação está associa­do às Vias Sacras, que ocorriam na encosta íngre­me e que se iniciavam na Igreja Paroquial de S. Pedro de Tarouca, e ao aumento das invocações Marianas, que se foram interiorizando na popula­ção. Assim, passou-se a venerar a Nossa Sra. das Dores e Sta. Helena da Cruz.

sábado, 22 de junho de 2013

Aprender com os japoneses

 
O Japão tem cerca de 128 milhões mas possui a segunda maior economia do mundo em PIB nominal e a terceira maior em poder de compra, além de ser o único país asiático membro do G8. Para além disso conta com a maior expectativa de vida do mundo.
E tem coisas que nós só ganharíamos se as imitássemos. Deixo aqui alguns exemplos:
1. As crianças japonesas limpam as suas escolas todos os dias, por 15 minutos, juntamente com os professores, o que levou ao surgimento de uma geração de japoneses modestos e entusiastas da limpeza.
2. Qualquer cidadão japonês que tenha um cão, é obrigado a usar sacos de pano especial para apanhar os dejectos do animal. O desejo de manter a limpeza e a higiene faz parte da cultura japonesa.
3. O Japão não tem recursos naturais, como petróleo ou minas, está exposto a centenas de terremotos por ano mas, ainda assim, conseguiu tornar-se a terceira maior economia do mundo.
4. Esse país da tecnologia impede o uso de telemóveis em comboios, restaurantes e todos os lugares onde perturbe o sossego dos demais.
5. Os japoneses não têm empregados domésticos. Os pais são responsáveis pela casa e pelos filhos. E todos ajudam nos diversos serviços domésticos.
6. As escolas procuram educar o carácter dos alunos, obrigando-os a cumprir os deveres cívicos, e não se ficam apenas no transmitir de conhecimentos.
7. No Japão não se permitem atrasos como no nosso. Eles apreciam o valor do tempo, são híper pontuais, à escala do minuto e segundo.
8. Ali, as crianças em idade escolar lavam os dentes e usam fio dental, após as refeições na escola, para aprenderem a manter a sua saúde oral desde pequenos.
9. E os alunos terminam as refeições em meia hora para garantir uma boa digestão. E são os próprios alunos que servem os companheiros, revezando-se em pequenos grupos.
Fonte: aqui

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Catequista de seus pais

 
Terminou mais um ano de catequese. Muitos catequistas sentirão que o seu esforço foi um trabalho que valeu a pena. Outros – penso que poucos – acharão que foi inútil ou quase.
Hoje não é fácil falar das coisas espirituais. Mas o nosso mundo precisa que se semeie muito trigo, porque o joio aparece em todo o lado.
E há belos exemplos de que vale a pena semear a palavra de Deus. Conheci vários moços que parecia não ligarem nada ao que se dizia na catequese. O seu comportamento era mesmo perturbador. E depois de amadurecerem tornaram-se cristãos exemplares.
O caso que para aqui trago hoje é diferente. Um moço que deu nas vistas logo nos primeiros anos pela seriedade com que vivia as sessões de catequese. O problema era que raramente ia à Eucaristia. E o catequista, dando-se conta disso, chamou-o à atenção. E foi ele mesmo catequista dos pais.
Tratava-se de um casal que pouco ligava às coisas de Deus e da Igreja. E o miúdo teve uma conversa com os pais:
– Se não me deixam ir à Missa também não vou à catequese.
– Tens de ir à catequese porque nós também fomos, quando éramos da tua idade.
– Mas a catequista disse-me que era obrigatório ir à Missa.
– Quem manda em ti somos nós, não é a catequista.
Chegado o próximo domingo, o miúdo diz ao pai:
– Se não me deixa ficar para a Missa, escusa de me levar à catequese.
E o pai conversou com a mãe e resolveram deixar ficar o miúdo até ao fim da Eucaristia. Uma vez por outra, os pais começaram a ir também. Resolveram confessar-se e acompanharam o filho na primeira comunhão. Atrás da Missa veio a oração. E, agora crescido, são os pais a lembrá-lo que faltar à Eucaristia é um pecado grave.
Fonte: aqui

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tanta informação e tão má alimentação!

Jovens.
Nunca como hoje os jovens tiveram tanta informação sobre a correta alimentação na escola, na comunicação social...  Nunca como hoje se alimentaram tão erradamente.


- Não gostam de peixe. Alguém comentava "parece que nasceram dentro de algum talho!"
- Detestam legumes. Excetuando certas saladas (certas...) que alguns ainda vão debicando, nada de couves, feijões, grelos, espigos, e outras verduras....
- Comem pouca fruta. Quando se oferece algum género de fruta a jovens, o mais certo é ouvir um"não gosto".
- Encharcam-se de doçuras. Gelados, chicles, pastilhas, bebidas açucaradas, coca-cola, doces (certos doces, especialmente se não forem os tradicionais). Até há poucos anos, quase não se ouvia falar de jovens com diabetes. Hoje, os casos são mais do que muitos.
- Acham o vinho uma bebida "careta". Mas embalam minis atrás de minis e bebidas de enorme poder alcoólico destrutivo à luz da night.
- Detestam gorduras. Se o bife tem um niquinho de gordura, é logo uma berraria contra a mãe. Mas empanturram-se de pizas, hamburguers, lasanha, massa com carne picada,  etc, etc. Comidas  saturadas de gordura.

Ciência e vivência
A vivência tem mais força do que a ciência no tocante aos comportamentos. Se desde o berço, a criança não é educada para a pluralidade de sabores e para o equilíbrio alimentar, não será o conhecimento que sobre a matéria a escola oferece que ira modificar convenientemente a sua postura em relação aos alimentos.
Também nesta matéria, "casa de pais, escola de filhos".
Os pais precisam de compreender que educar por amor é muitas vezes dizer não. Por mais que custe, por mais exagerada que seja a reação dos filhos.

O Grupo e a moda
Conheço um jovem que, em criança, comia de tudo, era um pequeno que se alimentava corretamente. Hoje é muito "esquisito". Já não gosta disto, não gosta daquilo...
Pois, nesta idade o grupo é o modelo, a referência. Se os do seu grupo acham certas comidas "caretas", ele também acha e não as come.
Como nos penteados, nas roupas e na linguagem, também nas comidas há modas. Certos pratos pura e simplesmente não estão na moda e como tal, são rejeitados pelos jovens.  E nisto, não vejo mal nenhum. Desde que as comidas da moda sejam adequadas à saúde.
Por outro lado, a arte culinária experimenta progressos que a globalização potencia. Ora conhece-se a atração dos jovens pelo novo, pelo experimentalismo. Também aqui, nada a opor. Desde que se trate de alimentação equilibrada.




quarta-feira, 19 de junho de 2013

Carta aberta ao Professor Nuno Crato


"Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz



 Caro Professor Nuno Crato,

Acredite que é com imenso desgosto que lhe escrevo esta carta aberta.

Habituei-me, durante anos, a ler e a concordar com o muito que foi escrevendo sobre o estado do ensino em Portugal. Dos manuais desadequados à falta de exames capazes de avaliar o real grau de aprendizagem dos alunos; do laxismo instituído à falta de autoridade dos professores; do absoluto desconhecimento do que se passava nas escolas, por parte do Ministério da Educação à permanente falta de materiais e condições nas escolas. Durante anos, também eu me revoltei com a transformação da escola pública em laboratório de experiências por parte de políticos, pedagogos e supostos especialistas em educação. Foi por isso com esperança que me congratulei com a sua nomeação para Ministro da Educação do actual governo.

Por isso, Professor Nuno Crato, me surpreende que, à semelhança dos seu antecessores, não tenha sido capaz de resistir à tentação de transformar os seus colegas de profissão nos maus da fita, mandriões, calaceiros, incapazes de trabalhar míseras 40 horas por semana. Surpreende-me e entristece-me.

Sabe, Professor Nuno Crato, sou filho de professores e durante a minha infância e adolescência habituei-me a compartilhar o meu tempo, os meus livros, os meus cadernos e muitas vezes o meu almoço e o meu lanche, com os milhares de crianças que, ao longo de anos de esforço e dedicação, eles ajudaram a educar pelas aldeias mais recônditas do nosso país. Habituei-me a aguardar pacientemente a sua chegada tardia, os trabalhos para corrigir, as aulas para preparar, para que restasse um pedaço de tempo para uma história, uma conversa, um mimo. Nunca lhes pressenti na expressão uma nota de arrependimento, antes de felicidade, por um trabalho que adoravam fazer e que eu adorava que fizessem. E, não imagina o orgulho que sentia quando nos cruzávamos com muitos dos seus ex-alunos e lhes via no rosto uma expressão doce de eterna gratidão - Se não tivesse sido o Senhor Professor ...não sei o que teria sido de mim!

Depois, casei-me com uma professora e voltei a ter de me habituar a compartilhar o meu dia-a-dia, o meu computador, os meus tinteiros, os meus dossiers, o meu papel, as minhas canetas, com milhares de outras crianças e adolescentes. Voltei a ter de me habituar a aguardar a sua chegada tardia, os trabalhos para corrigir, as aulas para preparar. Com a diferença de agora, a tudo isso, se somarem milhares de páginas de legislação para ler, a grande maioria escrita num português que envergonharia os meus pais e grande parte dos seus ex-alunos; dezenas de relatórios para redigir; novas metodologias de ensino para estudar; manuais diferentes de ano para ano para analisar; telefonemas para pais de alunos problemáticos a efectuar; acompanhamento de alunos com dificuldades, reuniões de pais, reuniões de avaliação, reuniões de preparação, reuniões de grupo, assembleias de escola, visitas de estudo, estudo acompanhado, aulas de substituição, vigilância de exames. Confesso que ao longo dos anos, fui conseguindo roubar à escola, um pouco de tempo para mim. Mas, mesmo desse tempo roubado a custo, muito era passado a falar da desmotivação generalizada causada pelo desleixo, pela falta de objectivos, pela ausência de meios, pela violência, pela falta de autoridade, enfim, por tudo aquilo que o Professor Nuno Crato tão bem descrevia nas suas análises.

Durante estes muitos anos a viver com professores, nunca me passou pela cabeça perguntar-lhes quantas horas trabalhavam. Mas, fazendo um esforço de memória, sou capaz de contabilizar os milhares de horas que o seu trabalho para a escola roubou à minha família. Os milhares de refeições em conjunto que não se realizaram, os milhares de conversas que não pudemos ter, os milhares de madrugadas passadas em claro, os milhares de filmes que não vimos juntos, os milhares de musicas que não ouvimos, os milhares de livros que não lemos, os milhares de passeios que não demos.

Não sei se esses milhares e milhares de horas perfazem as tão badaladas 40 horas de trabalho por semana que agora se discutem, mas sei que se fosse professor estaria a favor dessas 40 horas de trabalho semanais, desde que realizadas integralmente na escola, sem nunca mais, ter de trazer trabalho para casa, de gastar uma gota de tinta do tinteiro da minha impressora, de ocupar um byte de memória do meu computador, de usar uma folha da minha resma de papel, de ocupar a minha sala com trabalhos de alunos, de perder as minhas noites, os meus fins-de-semana, os meus dias de descanso com a preparação de aulas, reuniões ou relatórios. Se assim for, pelo menos, numa coisa os professores passarão a ser efectivamente iguais a todos os outros funcionários públicos, que deixam o seu trabalho e os seus problemas laborais na porta de saída da repartição.

Infelizmente não acredito que assim seja e o que acontecerá é que os milhares de professores, mal pagos, mal amados, maltratados, continuarão a acumular às 40h que agora se pretendem instituir, milhares e milhares de horas de trabalho gratuito roubadas às suas famílias, ao seu descanso, ao seu lazer, pelo simples motivo de se orgulharem de ensinar e não permitirem que os mesmos políticos, pedagogos e supostos especialistas em educação instalados no Ministério há anos, destruam a essência da sua profissão.

Caro Professor Nuno Crato, é por isto que os seus colegas de profissão estão em greve e não entender isto é não entender nada sobre educação. Por isso, não se admire se um destes dias forem eles a fazer aquilo que o professor tanto prometeu, mas não teve coragem de cumprir: implodir o Ministério da Educação em defesa da educação em Portugal.
João A. Moreira, em 14.06.13

terça-feira, 18 de junho de 2013

SOMOS IGREJA

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A vitória de ninguém


A greve é um barómetro da saúde da democracia. Reprimir por via legal ou coerciva o direito à greve só as ditaduras o fazem.


Tal como forçar a adesão à greve por via de piquetes violentos. Entre um extremo e outro joga-se hoje um sindicalismo moderno mas também um poder político de bom senso.
A greve dos professores mostra que nenhuma das partes está à altura das responsabilidades. Foi a vitória de ninguém. Mais de 22 mil alunos e famílias sofrem um claro prejuízo sobre o qual nenhuma das partes pode cantar vitória. Uns e outros estão a levar o caos às escolas e não a paz social. Não estão a escolher a melhor maneira de defender uma escola pública universal e inclusiva.
Eduardo Dâmaso
Fonte: aqui

segunda-feira, 17 de junho de 2013

D. Manuel Clemente compreende protestos dos professores mas pede que tenham em conta «todos os fatores»

Administrador apostólico do Porto deseja que o problema seja olhado «em termos de sociedade»

D. Manuel Clemente, administrador apostólico da diocese do Porto e patriarca de Lisboa disse hoje compreender a “preocupação” dos professores, mas apela “às consciências” para que o problema seja resolvido “em termos de sociedade” e do “bem comum”.
“Acompanho com muita atenção e compreendo que para muitos professores, e até para a generalidade da classe, este tempo seja um tempo de preocupação, mas temos de olhar isto em termos de sociedade e em termos de bem comum, e portanto o apelo que eu faço é às consciências”, disse D. Manuel Clemente,
O administrador apostólico do Porto fez um apelo aos professores, às organizações sindicais e às famílias para “manterem a calma, o discernimento e terem todos os fatores em conta”.
“Faço um apelo para que tenham em conta todos os fatores. Com certeza que querem ver os seus direitos defendidos, mas também os direitos das famílias, os direitos dos alunos, os direitos dos jovens que neste momento com uma ansiedade acrescida” devem ser tidos em conta, disse D. Manuel Clemente.
Os sindicatos dos professores convocaram para esta segunda-feira, primeiro dia de exames para os alunos do ensino secundário, uma greve nacional em protesto contra medidas que o governo quer impor, nomeadamente a mobilidade especial e aumento de horário de trabalho.
D. Manuel Clemente pronunciou-se sobre esta greve à margem da bênção da primeira pedra da residência para adultos e jovens com deficiência, no Porto, um novo projeto social que vai ter capacidade para acolher 17 utentes em lar e mais 30 utentes em Centro de Atividades Ocupacionais e que deverá estar concluído em 2015.
In agência ecclesia

sábado, 15 de junho de 2013

El miedo al Papa y el miedo a los pobres

Veja aqui
 
Basta ver alguns blogues e sites tradicionalistas para facilmente nos apercebermos que o Papa Francisco  não é dos seus amores...
Aliás, embora menos salientado na comunicação social, o Papa tem advertido contra certos grupos restauracionistas.
Não me refiro só aos grupos fundamentalistas existentes no seio da Igreja. Também  os conservadores, sempre tão exímios no "culto da personalidade" no tocante ao Papa, andam bem mais modestos e cautelosos. Sinal de que algo não lhes está a cair bem...
Nestes 3 meses de Papa, Francisco tem-se centrado e concentrado no Evangelho. Não cessa de falar de Jesus, do que disse e fez Jesus. E se está identificado com Jesus, eu sinto-me identificado com o Papa.

ESPERANÇA


sexta-feira, 14 de junho de 2013

"...cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós, leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo"


Casa de pais, escola de filhos


Um dia uma Mãe disse-me:
«Estava eu na cozinha a preparar a refeição, quando ouço a minha filha aos gritos, a ralhar com alguém: – Vais levar umas palmadas! És muito mau!
Pensei que a miúda estava a querer bater no irmão mais novo, ainda bébé, que chorava convulsivamente. Afinal a Rita ralhava com o seu boneco e atirou-o contra a mesa do quarto, quebrando estrondosamente... uma peça de porcelana.
Entrei, ralhei com ela e ameacei bater-lhe. A pequena disse-me que o boneco não lhe tinha deixado vestir o casaco, por isso tinha berrado com ele e o tinha atirado contra a parede».
Aquele episódio tinha aberto os olhos àquela mãe. Tinha de ter mais cautela como lidava com as pessoas de casa.
As crianças aprendem o mal e o bem na família. As palavras e as atitudes agressivas marcam profundamente os filhos. Uma criança tratada com carinho será carinhosa. Ameaçada com berros e pancada, irá um dia fazer da mesma forma.
Não mais esquecerei aquela entrevista radiofónica com crianças maltratadas na família. Um deles dizia que queria ser grande para fazer como o pai, que batia na mulher e nos filhos.
Do trato nervoso com as crianças só há que esperar jovens rebeldes e mal educados. Afinal como diz a palavra «mal-educado». Não se educa bem se não for com carinho. A disciplina é fundamental mas inculca-se com persistência e amor.
A boa ou má educação é sobretudo a de casa. A outra terá os seus efeitos positivos ou negativos mas menos essenciais.
Fonte: aqui

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Eleições autárquicas em dia 29 de Setembro.

A marcação da data das eleições tem que se verificar, com a publicação do decreto, até ao dia 11 de Julho, e a apresentação das candidaturas tem que ocorrer até ao dia 5 de Agosto.

Veja aqui

El golpe maestro del Papa Francisco

AQUI

QUO VADIS, PETRUS? (Pedro, onde vais?)

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

AZAR


Jornada Mundial da Juventude



Está tudo a postos para a 28.ª Jornada Mundial da Juventude, que será realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 28 de julho, e vai ter a presença do Papa Francisco.
Estas Jornadas são o maior encontro internacional de jovens com o Papa. Criadas pelo Papa João Paulo II, em 1984, a primeira edição foi realizada em Roma, em 1986. Na última realização, em 2011, o evento reuniu mais de dois milhões de pessoas em Madrid, na Espanha. Agora esperam-se mais de 2 milhões e meio de pessoas.

Os símbolos da Jornada são a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora. A cruz de madeira de 3,8 metros foi construída no Vaticano e colocada como símbolo da fé católica. Em 1984, João Paulo II entregou a Cruz de Cristo à juventude e pediu que os jovens a levassem a diante como forma de evangelizar. Em 2003, o Papa deu o segundo símbolo de fé aos jovens, o ícone de Nossa Senhora. No Brasil, estas imagens passaram por mais de 250 dioceses, hospitais, escolas, presídios e comunidades paroquiais.
Uma das marcas da organização das JMJs é o trabalho voluntário. Eles são chamados de diocesanos, nacionais ou internacionais. O Rio de Janeiro teve mais de 84 mil inscritos. Destes, 60 mil voluntários foram seleccionados, sendo 7.500 estrangeiros. A única exigência é ser maior de 18 anos. Eles podem actuar na hospedagem, nos aeroportos e rodoviárias, nos pontos de informação, na organização dos eventos de massa, nos actos culturais, na liturgia, nas catequeses, na tradução, nos serviços de saúde (apenas brasileiros), nos sectores administrativos, na comunicação e no auxílio aos portadores de necessidades especiais.
Para cada Jornada, o Papa sugere um lema. Este ano, ele convida os jovens a despertarem novos discípulos de Jesus: "Ide pelo mundo e fazeis discípulos entre todas as nações". Cada edição tem também um hino e uma oração oficial.

Fonte: aqui

O futuro dos idosos



O Instituto Nacional de Estatística confirmou há dias que a esperança média de vida à nascença em 2012, face a 2011, aumentou para 79,78 anos, sendo de 76,67 anos para os homens e de 82,59 anos para as mulheres.
Este aumento já tinha levado o governo em novembro a cortar 4,78% nas pensões a partir de janeiro deste ano por via da introdução do factor de sustentabilidade.
Para compensar este corte, os beneficiários da Segurança Social podem optar por ficar mais tempo ao serviço, fazer mais descontos ou reforçar os descontos para regimes complementares.
 Assim, de acordo com a actual fórmula de cálculo, um trabalhador que se reforme em 2013 e tenha uma carreira contributiva entre 15 e 25 anos de serviço poderá optar por trabalhar mais 14 meses e meio de forma a evitar o corte de 4,78% no valor da sua pensão.
No caso de carreiras contributivas mais longas, os meses necessários para compensar o corte são inferiores: 10 meses no caso de carreiras entre os 25 e os 34 anos, sete meses, entre 35 e 39 anos, e 5 meses para carreiras com mais de 40 anos.
A falta de nascimentos está a pôr em causa a capacidade de a Segurança Social pagar pensões a tantos idosos. Este é reverso da medalha, que nos últimos decénios até se tem tornado mais bonita. Nunca os idosos – na sua grande maioria – tiveram em Portugal uma vida tão boa, embora seja a fase etária onde há mais pobreza. Hoje os cuidados de saúde, a habitação e a alimentação são bem melhores que há uns anos atrás. Mais: a sociedade está mais atenta aos direitos dos mais velhos. Mas há nuvens negras no horizonte. E Deus queira que não venham estragar o que já está feito!
  
 

Fonte: aqui

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O 10 de Junho não é só um feriado para nós. É também um feriado sobre nós, sobre Portugal



Tirando as cerimónias e discursos oficiais, além de mais um estendal de condecorações, que vestígios há de uma paragem para reflectir?

No limite, cada um vai meditando sobre si e sobre os seus. Os problemas de cada um já são suficientemente aflitivos. Pouco — ou nenhum — espaço sobra, assim, para... a comunidade.

2. Somos um país pequeno, mas que, mesmo assim, não cabe em si.
Conseguimos dar novos mundos ao mundo e, apesar disso, não resolvemos os problemas que asfixiam o nosso viver colectivo.
Temos passado, mas parece que não temos memória. Guardamos a história, mas não aparentamos ter muita vontade de continuar a fazer história.
A síntese angustiada de Pessoa mantém-se pertinente: «Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez. Falta cumprir-se Portugal».

Hoje, voltam a dizer-nos que somos um país adiado, mas, nesse caso, já o somos há muitos séculos.

3. Não somos perfeitos. Às vezes, até nos mostramos contrafeitos.

Temos defeitos. Eis o nosso drama, eis também a nossa sorte. Se não fossem os nossos defeitos, o que nos motivaria? Se tudo já estivesse feito (e bem feito), que futuro nos restaria?

Houve algum momento em que Portugal não esteve em crise? Em que altura não se disse que vinham aí tempos difíceis?

A tudo temos sobrevivido. Temos sobrevivido à realidade, cruel. E temos sobrevivido aos diagnósticos, nada estimulantes.

Somos, enfim e como afirmava o Padre Manuel Antunes, uma excepção.


  Constituímos um paradoxo vivo. Somos «um povo místico mas pouco metafísico; povo lírico mas pouco gregário; povo activo mas pouco organizado; povo empírico mas pouco pragmático; povo de surpresas mas que suporta mal as continuidades, principalmente quando duras; povo tradicional mas extraordinariamente poroso às influências alheias».

4. Seja como for, continuamos a sentir Portugal, a fazer Portugal e, não raramente, a chorar Portugal.
Tantas vezes, são essas lágrimas que nos identificam e pacificam. Aquilo que soa a desespero acaba por saber a esperança.

Apesar das tardes sofridas, acreditamos sempre que uma manhã radiosa voltará a sorrir.

É por isso que nunca desistimos de nós. É por isso que, não obstante as nuvens, há sempre um Portugal a brilhar em milhões de corações espalhados pelo mundo!
 
João Teixeira, facebook
 

«Vencemos ou vencemos».

Aqui respira-se um ar contagiante de vitória
Com Pinto da Costa a seu lado e um cartaz gigante com uma imagem de Paulo Fonseca em fundo,
o novo técnico definiu-se como «um treinador com ambição».

Paulo Fonseca é novo treinador do FC Porto, tendo assinado um contrato válido para as próximas duas épocas. O novo técnico promete «trabalho» na equipa azul e branca e assume que na casa portista só há um caminho: «Vencemos ou vencemos».
«É uma honra poder representar o campeão nacional. Não podia estar mais satisfeito. Estou fortemente motivado para continuar esta senda de vitórias e os adeptos do FC Porto podem acreditar que vou fazer de tudo para continuarmos a vencer», avisou Paulo Fonseca em declarações ao Porto Canal, acrescentando estar «preparadíssimo para encarar o espírito do FC Porto, porque aqui vencemos ou vencemos».
O técnico e o presidente portista colocaram o "preto no branco" cerca das 13h30 desta segunda-feira. Paulo Fonseca destacou que foi «fácil» o entendimento com os portistas.
«Foi fácil chegar a um entendimento. Temos alguma ansiedade mas tenho gerido bem este momento», destacou o treinador que tem uma cláusula de rescisão fixada em 15 milhões de

«Tenho ambição. Gosto, geralmente, de ter equilíbrio nas minhas equipas. Temos de gerir o jogo com bola. Essa, parece-me, uma das marcas da minha equipa. Quero os meus jogadores instalados no meio-campo adversário. Quero ter uma equipa dominadora e altamente pressionante. Para tal, quero uma equipa solidária».
Na sua apresentação, Paulo Fonseca não escondeu que no FC Porto se respira «um ar de vitória».
«Nesta casa, o compromisso com a vitória é permanente e respira-se um ar contagiante de vitória. Estou preparado e motivado para me deixar contagiar por esse espírito e dar continuidade à senda de vitórias do FC Porto», observou o novo técnico dos tricampeões nacionais.
Natural do Barreiro mas nascido em Moçambique, Paulo Fonseca, 40 anos, levou o Paços de Ferreira ao terceiro lugar da Liga portuguesa, após ter orientado o Desportivo das Aves, o Pinhalnovense, o Odivelas, o 1.º de Dezembro e ainda os juniores do Estrela da Amadora.
Como jogador Paulo Fonseca chegou a pertencer aos quadros do FC Porto mas foi emprestado ao Leça. O novo técnico dos campeões nacionais destaca que confia mais no «treinador Paulo Fonseca do que no jogador Paulo Fonseca».
«A verdade é que acredito mais no Paulo Fonseca treinador do que acreditava no jogador. Faltava alguma coisa para poder representar o FC Porto como jogador, agora parece ser o momento ideal para chegar a esta posição.»

Fonte: aqui

domingo, 9 de junho de 2013

Reuniu o Arciprestado Armamar-Tarouca


O Sr. D. António José da Rocha Couto, Bispo da Diocese de Lamego procedeu à redução do número de Arciprestados que compõe a Diocese, que, de 14, passam a ser apenas 6.

Esta reconfiguração do tecido arciprestal da Diocese de Lamego ocorre para permitir que os Arciprestados que, até agora, contavam com um número muito reduzido de sacerdotes, possam permitir a sua integração em zonas pastorais mais amplas, “em ordem a possibilitar encontros mais proveitosos de estudo, programação, avaliação, oração e comunhão sacerdotal”, lê-se no Decreto episcopal datado do passado dia 08 de Dezembro.

Esta decisão é o culminar de um processo de estudo e de reflexão, que envolveu, não só os Arciprestados, mas também os vários órgãos consultivos da Diocese.

Importa salientar que a redução do número de Arciprestados corresponde à fusão de alguns deles, e não à sua supressão. Com esta medida, não se pretende eliminar Arciprestados, mas simplesmente juntá-los em áreas geograficamente maiores, permitindo que a Nova Evangelização na Diocese possa contar com mais recursos, não só pelo maior número de sacerdotes que os integram, mas também com uma maior envolvência dos leigos nos vários órgãos arciprestais.

Os novos Arciprestados que resultam desta alteração são: Armamar-Tarouca; Castro Daire-Vila Nova de Paiva; Cinfães-Resende; Lamego; Mêda-Penedono-S. João da Pesqueira-V. N. de Foz Côa; Moimenta da Beira-Sernancelhe-Tabuaço.

Para além da reorganização do Mapa Arciprestal, foram ainda aprovados pelo Sr. D. António Couto os novos Estatutos do Arciprestado, que, entre as novidades, preveem a criação, em cada um deles, de Escolas de vivência da fé, que modo a facultar a todos os cristãos adultos a formação necessária para aprofundar e amadurecer a própria fé. Uma especial referência merece, ainda, a criação, em cada Arciprestado, do Conselho Pastoral Arciprestal, onde se prevê a participação activa dos leigos na Nova Evangelização que o Sr. D. António Couto deseja realizar em toda a Diocese de Lamego.

Após o processo de consultas tendo em vista a nomeação, por parte do Sr. Bispo de Lamego, dos novos Arciprestes de cada um dos espaços agora reorganizados, foi nomeado Arcipreste de Armamar-Tarouca o P.e Artur Mergulhão. O Vice-Arcipreste é o P.e Armindo Almeida.
 
REUNIÃO
Na Casa Paroquial de São Martinho das Chãs, Paróquia de que o atual Arcipreste é Pároco, reuniram os sacerdotes que trabalham no Arciprestado de Armamar-Tarouca. Presidiu o senhor Bispo, estando igualmente presente o Vigário Geral. São 16 os sacerdotes que integram o atual Arciprestado.
Após um momento de oração, o Arcipreste, P.e Artur Mergulhão, saudou o Prelado e todos os presentes. Procedeu-se à eleição do Secretário e do Tesoureiro, bem como dos dois representantes do Arciprestado no Conselho Presbiteral. Também foi indicado por unanimidade o representante deste Arciprestado (leigo) junto do Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil.
Foram entregues os novos Estatutos do Arciprestado para estudo individual dos mesmos e posterior análise em grupo.
A Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa merece do Arcipreste uma breve exposição. Também o Prelado se pronunciou sobre o conteúdo da mesma.
Foi igualmente abordada a reorganização das funções pastorais da Cúria Diocesana, feita pelo Senhor D. António Couto, Bispo da Diocese de Lamego.
Especial atenção mereceu do Bispo e dos presentes a Escola da Vivência da Fé, tendo sido apresentados alguns testemunhos.
Falou-se também de aspetos organizativos do novo Arciprestado e da calendarização de algumas atividades.
Foram ainda transmitidas informações do último Conselho de Arciprestes.
Encerrada a reunião, teve lugar um lanche ajantarado com que o P.e Mergulhão presenteou os presentes. Foi um bom e são momento de convívio.
Parabéns ao Arcipreste pela maneira como acolheu os colegas, preparou e orientou os trabalhos. Foi bom sentir a disponibilidade de todos os presentes em dar o seu melhor para levar em frente as novas propostas pastorais e organizativas do senhor Bispo.

sábado, 8 de junho de 2013

A crise em acção

 
Portugal está a sofrer fortemente com a crise e os portugueses estão muito pouco satisfeitos com a vida, segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) feito em 36 países.
O índice desse estudo é composto por 11 indicadores específicos sobre das condições materiais de existência (habitação, rendimento, emprego) e de qualidade de vida (comunidade, educação, meio ambiente, envolvimento cívico, saúde, satisfação com a vida, segurança e o equilíbrio trabalho-vida).
A baixa classificação de Portugal no ranking de bem-estar volta a ser motivada pelas fracas pontuações nos indicadores de envolvimento cívico, comunidade, rendimento, emprego e, sobretudo, pelo grau de satisfação com a vida, indicador subjectivo aos qual os portugueses dão a mais baixa nota – pior avaliação, tal como na edição passada, só fazem os húngaros.
E os portugueses têm razão para se sentirem mal. As certezas de um presente difícil e as incertezas de um futuro que parece não ser melhor não são nada promissoras.
Estamos todos a pagar o desgoverno das últimas décadas, como é do conhecimento geral.
Entretanto, pior estão os que já eram pobres ou agora estão desempregados. Basta ler o
estudo promovido pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome em parceria com a Universidade Católica. Um dado perturbador diz respeito ao facto de mais de um quarto dos inquiridos (26%) afirmar ter tido falta de alimentos ou sentido fome alguns dias por semana, nos seis meses prévios ao inquérito, 14% dos quais pelo menos um dia por semana. No inquérito feito dois anos antes, 'apenas' tinham sido 16% a responder afirmativamente a esta questão. Mais ainda: 39% dos inquiridos afirmou ter passado um dia sem comer expressamente por "falta de dinheiro".
Fonte: aqui

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Passeio: "proporcionar momentos recreativos e culturais aos tarouquenses"

 
PASSEIO A VILA NOVA DE CERVEIRA - 5 DE JULHO DE 2013

Vimos por este meio informar que esta Autarquia irá realizar um Passeio a Vila Nova de Cerveira, no dia 5 de Julho de 2013.

Este passeio surge no âmbito do plano de atividades dos Serviços de Ação Social da Câmara Municipal de Tarouca, pretendendo-se, mais uma vez, proporcionar momentos recreativos e culturais aos tarouquenses que por razões de índole socioeconómica, jamais poderiam aceder.

Nunca desistir

Encontrei estes dados na internet e achei que os devia dar a conhecer aos leitores. É que eles são a prova de que vale a pena apostar naquilo que gostamos e achamos válido para nos realizar.

*A super estrela, Michael Jordan, quando criança foi expulso da equipe escolar de basquete.

*Winston Churchill repetiu o sexto ano. Mas foi primeiro ministro da Inglaterra aos 62 anos de idade, após ter uma vida muito dura. 
     


*Albert Einstein não falou até os 4 anos de idade e aprendeu a ler aos 7. Sua professora o qualificou como "mentalmente lerdo". Foi expulso da escola. Também não foi aceite no Ensino Politécnico de Zurich. Mas tornou-se num génio, admirado por todos.

*Em 1944, Emmeline Snively, diretora da agência de modelos Blue Book Modeling, disse à candidata Norman Jean Baker (Marilyn Monroe) : "Seria melhor que fizesses um curso de secretaria ou buscasses um bom marido".

*Ao rejeitar um grupo de rock inglês chamado The Beatles, um executivo de Decca Recording Company disse: "Nós não gostamos desse grupo".

*Quando Alexander Graham Bell inventou o telefone, em 1876, buscou quem financiasse o seu projecto. O Presidente Rutheford Hayes disse: "É um invento extraordinário, mas quem vai usar isso?"

*Thomas Edison fez 2000 experiências até inventar a lâmpada. Um jovem repórter perguntou o porquê de tantos fracassos. Edison respondeu: "Não fracassei nem uma única vez. Inventei a lâmpada. Acontece que foi um processo de 2000 etapas".

*Aos 46 anos, depois de perder progressivamente a audição, o compositor alemão Ludwig Van Beethoven ficou completamente surdo. E foi assim sem ouvir que compôs boa parte de sua famosa obra. Incluindo 3 sinfonias , em seus 6 últimos anos.

Muitos outros casos há que nos levam a dizer que desistir é próprio de quem não acredita em si mesmo
.


Fonte: aqui

quinta-feira, 6 de junho de 2013

D. António Couto em entrevista: “Perdemos Cristo e o seu estilo de vida”


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“Construir a Casa da Fé e do Evangelho”
 
VL: O Senhor D. António está há cerca de ano e meio entre nós. Esse período de tempo permite-lhe ter já uma radiografia da nossa diocese, das suas gentes e das suas realidades?
 
D. António: Eu sei que fazer uma radiografia é coisa rápida. Sim, já fiz várias radiografias da vida da nossa diocese de Lamego. Mas confesso que não levo as radiografias muito a sério. Nem as radiografias nem as fotografias. Não é por acaso que, tendo eu embora corrido já muitos mundos, nunca quis ter máquina fotográfica, e nunca tirei fotografias. Tenho uma série de álbuns, que os amigos me oferecem, para eu lá colocar as minhas fotografias. Mal eles imaginam que estão todos vazios! Gosto de ver as pessoas, as paisagens, os monumentos demoradamente, como quem ama. É isso, ao vivo, que eu gosto de reter. Sou entranhadamente um homem da Bíblia, e sei, portanto, o valor das dimensões do tempo. Veja-se só o tempo que Deus levou a dizer-se a nós: milhares de anos. Deus é o melhor pedagogo que conheço, e é o meu modelo de pedagogo. O tempo que Deus levou e leva a dizer-se a nós! Porque nos respeita e não quer atropelar o nosso ritmo. Somos lentos. Vejamos o tempo que passamos na escola! Eu ando por Lamego apenas há um ano e quatro meses. Convenhamos que é demasiado pouco tempo para conhecer as paisagens humanas, sócio-culturais, espirituais e geográficas de Lamego, na sua riqueza e variedade.
 
VL: As visitas pastorais são uma constante na vida de um Bispo diocesano. Como tem visto a diocese através das mesmas? E, sobretudo, que ecos ou consequências da crise económica na vida da nossa gente?
 
D. António: As Visitas Pastorais são um meio privilegiado para contactar com as pessoas e instituições da nossa Diocese. Gosto de ir, ver e visitar o mais possível. Tenho ido a povos isolados e envelhecidos, profundamente marcados pela interioridade e desertificação. É com alegria e grande emoção que oiço os mais idosos expressar a sua alegria, e dizer que não se lembram, em toda a sua vida, de um bispo ter ido visitá-los lá na sua pequena aldeia, que eles amam. Até ao presente, visitei as zonas pastorais da Pesqueira e da Mêda. Estou agora a visitar a zona pastoral de Tarouca. Em toda a parte, tenho encontrado gente boa, simples e acolhedora. Que nem por isso se perde em queixumes. É gente crente. Sinto-me muito bem no meio de gente assim, e é um privilégio poder partilhar algum do tempo que Deus me deu com esses meus irmãos e irmãs. Dói-me o que a eles também dói: ver escolas fechadas, poucas ou nenhumas crianças e jovens. Alegro-me com o sentido muito vivo de Deus que esta gente simples e boa manifesta. Não posso esquecer o grande sentido de festa e de convívio com que esta bela gente me tem envolvido. Gostaria de me demorar mais tempo entre as pessoas das paróquias e lugares que tenho visitado. Mas lá está sempre o imperativo de Jesus: «Vamos a outros lugares, a fim de pregar também ali, pois foi para isso que eu vim» (Marcos 1,38).

 VL: A missão do Bispo é vasta e abrange diversas áreas. Qual delas, olhando a nossa realidade, necessita maior atenção?
 
D. António: Sem dúvida, sempre a Evangelização. Paulo VI disse- -o, em 1975, com meridiana clareza: «Evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda» (Evangelii Nuntiandi, n.o 14). Se evangelizar é a marca mais profunda da nossa identidade, então será sempre por aí que temos de ir em primeiro lugar. Há uma segunda tarefa que a primeira exige: dotar a Diocese dos meios necessários para que se possa levar para a frente a prioridade da Evangelização. Vai nesse sentido a reorganização dos Arciprestados e dos Serviços Diocesanos. Sim, é mesmo necessário, é prioritário, colocar a nossa Diocese em estado permanente de Evangelização. É a nossa maneira de viver. Por mim, sinto com toda a clareza que estou sempre a dever o Evangelho a alguém!
 
 VL: E em que ponto se encontra essa dinâmica?
 
D. António: Sim, e sem equívocos: pretendo envolver no serviço do Evangelho todas as nervuras da nossa vida Diocesana: sacerdotes, diáconos, consagrados, todos os fiéis leigos, crianças, jovens, adultos, idosos, todas as estruturas, instituições e movimentos laicais. Em que ponto estamos:
1) foram reformulados e constituídos os Arciprestados e o Conselho de Arciprestes, e dotados de novos Estatutos, que imprimirão novo vigor e nova dinâmica à acção pastoral das paróquias, do arciprestado e da diocese, de modo a impregnar de Evangelho todos os interstícios da nossa vida eclesial; a reformulação dos arciprestados não é visível apenas nas alterações das fronteiras; vai afectar também a alma da vida paroquial, arciprestal e diocesana;
2) foram actualizados os Estatutos do Conselho Presbiteral, que está a ser construído, para reunir ainda este ano;
3) foram elaborados os Estatutos do Conselho Pastoral, e aguarda-se que do chão arciprestal surjam os primeiros nomes para se começar a dar-lhe rosto; a formação deste Conselho e o seu funcionamento traduzirão a indispensável participação dos fiéis leigos na vida pastoral da diocese;
4) os serviços pastorais diocesanos foram reformulados, de modo a terem um âmbito ao mesmo tempo mais vasto e mais fundo; terão correspondentes no chão arciprestal, da zona pastoral e, sempre que possível, paroquial; neste momento, estamos na fase de encontrar no terreno os rostos necessários em ordem ao seu pleno funcionamento;
5) estão já a funcionar em diferentes lugares da diocese as escolas de vivência da fé, indispensáveis para que todos possamos ter um conhecimento mais aprofundado da nossa fé cristã e possamos, por isso, sentir a alegria de sermos cristãos;
6) preparam-se as chama- das «avalanches de evangelização», que, pela mão dos jovens e de quem quiser juntar-se a eles, levarão a pessoa de Jesus Cristo pessoa a pessoa, casa a casa, rua a rua, atravessando todos os recantos da nossa diocese.
 
VL: Referiu as escolas de fé como um meio a implantar. Concretamente, como descrever estas escolas?
 
D. António: As «escolas de vivência da fé», que queremos espalhadas em todos os arciprestados, zonas pastorais e até, quando possível, nas paróquias, não são universidades. São laboratórios de vida cristã. Sim, lá se aprendem e se aprofundam dados fundamentais da fé cristã, mas vão requerer também as mãos, os pés, o coração, a inteligência e a imaginação dos participantes. Não se destinam a ensinar só a teoria. Nelas, se deve ensinar e aprender a viver como cristãos. O seu objectivo é ajudar as pessoas a esclarecer a sua fé e a vivê-la com muito mais entusiasmo e alegria.
 
VL: Nesta missão evangelizadora, os sacerdotes são cooperadores do bispo. Diante da realidade que já conhece, a diocese de Lamego tem os padres de que precisa?
 
D. António: Um bispo que vive e sente a causa do Evangelho nunca estará satisfeito com o que faz e com a rede de cooperadores que tem. Porque tem de pensar mais fundo e mais longe. Portanto, a diocese de Lamego tem os padres que tem, e, por eles e com eles, dou graças a Deus. Mas tenho de pedir sempre a todos mais empenho, mais amor, mais alegria, mais confiança, mais ousadia.
 
VL: O Instituto Superior de Teologia Douro e Beiras chegou ao fim. Pode dizer-nos onde vão continuar a sua formação os nossos seminaristas e em que moldes?
 
D. António: Os bispos das quatro dioceses (Viseu, Guarda, Lamego e Bragança-Miranda) cujos seminaristas frequentavam o Instituto Superior de Teologia Douro e Beiras, logo que se aperceberam de que o instituto estava em fim de linha, reuniram-se e uniram-se. Decidiram caminhar juntos para o futuro, dadas as afinidades que unem este bocadinho de interior. Neste sentido, e ponderando sempre as questões à volta da mesa, facilmente verificaram que tinham de se aproximar do Porto ou de Braga, onde funcionam os dois Núcleos mais próximos da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. O problema não se punha tanto na adesão ao Núcleo do Porto ou de Braga da Faculdade de Teologia. Eram necessárias instalações nas proximidades dos referidos Núcleos, capazes de albergar os seminaristas das quatro dioceses nas condições que um seminário requer. Feitas as necessárias diligências nos dois lados, e analisadas as respectivas propostas, tratava-se de optar pelo lugar mais vantajoso. Braga, com o empenho pessoal do Senhor Arcebispo, ofereceu-nos muito boas condições. De novo à volta da mesa, vimos que se impunha, neste momento, que a nossa opção fosse por Braga. Teremos instalações próprias, com toda a autonomia, a dinâmica do Seminário é nossa (das quatro Dioceses), com o apoio logístico da Arquidiocese.
 
VL: Em muitas intervenções, o Sr. D. António convidou-nos a olhar para a comunidade cristã de Jerusalém. O que perdemos desde então?
 
Perdemos Cristo e o seu estilo de vida.
 
VL: Os Bispos portugueses divulgaram uma nota com vista à renovação da pastoral. Como agir local- mente para implantar as orientações ali definidas?
 
D. António: As orientações formula- das na Nota Pastoral da CEP são absolutamente claras. É só preciso conhecê-las. Claro que os primeiros responsáveis pela sua implementação são os nossos padres em trabalho pastoral. Peço a todos que leiam a Nota Pastoral, comecem eles por viver as orientações lá apresentadas, e que as apresentem ao povo de Deus que apascentam. Mas as orientações não oferecem dúvidas. Indico algumas, a título de exemplo: intensificar a oração pessoal e comunitária, dar a todas as acções litúrgicas a dignidade que lhes é devida, valorizar a celebração dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, criar grupos de escuta e partilha da Palavra de Deus, criar escolas de vivência da fé e da comunhão, dar uma perspectiva missionária a todos os itinerários de catequese e de formação cristã, viver ao estilo de Cristo, dando um testemunho humilde, atento, comovido, próximo e acolhedor, profético e evangelizador, sair para o átrio deste mundo, e não fechar-se em si…
 
VL: Que postura, por parte dos agentes de pastoral, para implantar um ritmo eclesial onde a evangelização recupere o seu dinamismo e entusiasmo?
 
D. António: Quase todos os nossos grupos organizados (catequese, grupo coral…) trabalham dentro da igreja (edifício). São precisos grupos que tenham a sua acção fora da igreja (edifício): evangelização, caridade, acolhimento, visitação, proximidade… A Igreja começou no meio das casas; para o meio das casas deve voltar. Com determinação, simplicidade, verdade e coragem. E Cristo no coração. É urgente uma Igreja atenta às pessoas e comovi- da com as pessoas, ao estilo de Jesus. Cristãos que dêem testemunho de Cristo, vivendo uma vida boa e bela, de tal modo bela, que não possa ser explicada senão porque Cristo morreu e ressuscitou.
 
VL: O Senhor Bispo participou, recentemente, no Sínodo sobre a nova evangelização. Como sentiu a Igreja ali presente?
 
D. António: A Igreja do Sínodo mostrou-se uma Igreja entusiasmada, humilde e sempre à procura dos melhores caminhos para levar Cristo aos homens deste tempo. E descobriu que não é com estratégias novas que se vai lá. É com a vida. Porque o Evangelho não é um produto para colocar no mercado das religiões. Posso dizer, sem medo de me enganar, que o estilo de Igreja que vi no Sínodo, no testemunho ousado dos Padres Sinodais, dos consagrados e dos fiéis leigos que lá estiveram, revê-se agora no estilo de vida e de Igreja patente nas palavras e atitudes do Papa Francisco.
 
VL: A Igreja e o mundo em geral não cessam de olhar o Papa Francisco, enaltecendo gestos e divulgando palavras. Que podemos esperar deste Papa sul-americano?
 
D. António: Podemos esperar ver mais de perto a maneira de viver e de fazer de Jesus e da Igreja do Cenáculo, e que a Conferência Episcopal da Argentina já tinha afirmado em 2009, ao escrever no n.º 17 da Carta Pastoral Misión Continental: «Importa considerar em primeiro lugar o que é preliminar a qualquer programa de acção. Antes da organização de tarefas, importa considerar “como” as vou executar, o modo, a atitude, o estilo. Desta maneira, as tarefas serão ferramentas de um estilo de comunhão, cordial, discipular, que transmite o fundamental: a bondade de Deus». Aí está como a Igreja não é uma ONG. Uma Igreja mais transparente, leve, pobre e humilde, fraterna e acolhedora, deixa ver melhor os traços do rosto de Jesus Cristo. Penso que o Papa Francisco não nos vai deixar adormecer descansados.
 
VL: Muito se tem falado da reforma da Cúria romana. Passará isso, também, por uma maior autonomia e responsabilização dos Bispos, quer a nível local, quer ao nível das Conferências Episcopais?
 
D. António: Penso, sobretudo, numa maior Cristonomia, que se traduz em gestos novos, porque convertidos, de Oração, Comunhão e Missão. De resto, o Papa Francisco não se cansa de repetir que quer bispos, padres, consagrados e fiéis leigos muito mais Evangelizadores e muito menos Funcionários, Administradores ou Gestores. Esta leveza Evangelizadora (sem ouro, prata, cobre, alforge, duas túnicas…) deve perpassar a Cúria Romana, mas também todas as Igrejas particulares.
 
VL: Natural de Marco de Canavezes, aqui perto, viveu muito mais tempo em zonas litorais. Como vê este nosso interior e quais as suas potencialidades?
 
D. António: Paisagens fantásticas. Óptima gastronomia. Gentes de grande singeleza e extremamente acolhedoras. O turismo está a descobrir estas belezas, e pode desenvolver-se muito mais. Gosto dos microclimas que o sol e o chão e as pessoas vão desenhando, desde a vinha, à oliveira, à castanha, à amêndoa, à maçã, batata, cereja, sabugueiro…
 
VL: A área de estudo e investigação do D. António é a Sagrada Escritura. Como estamos de conhecimentos bíblicos na Igreja portuguesa? Já agora, neste campo, que iniciativas gostaria de ver concretizadas na nossa diocese?
 
D. António: A Escritura Santa é um terreno simultaneamente árduo e belo, como o chão da Palestina. O seu conhecimento tem crescido em Portugal nos últimos anos, sobretudo devido aos estudos especializados levados a efeito no estrangeiro por padres e leigos. Mas há ainda muito a fazer. Falta levar, de forma proveitosa, a Escritura Santa ao Povo de Deus, que tem direito a este alimento espiritual. Para isto é necessário que os padres se empenhem em estudá-la e saboreá-la, de modo a tornarem-se aptos a servir este alimento na celebração dos Sacramentos, mas também em pequenos grupos de estudo e partilha da Palavra de Deus.
 
VL: A vida académica continua presente, nomeadamente através da ligação à UCP. Tem saudades de uma dedicação a tempo inteiro à área do ensino?
 
D. António: Gosto de ensinar o que sei e amo. E penso que contribuí alguma coisa para que várias gerações de estudantes sintam hoje mais gosto em ler a Escritura e saborear a Palavra de Deus. Sim, sinto uma certa pena de não poder hoje dedicar tanto tempo ao ensino. E sei que os meus alunos sentem pena também. Sobretudo os mais velhos, reformados de profissões liberais, que tenho no Porto e em Braga, e que bem gostavam de me ver lá mais vezes. E são mais de cem! O que não posso mesmo é deixar de estudar e ler todos os livros que vão aparecendo. Se passar um dia sem ter lido nada, fico doente. Em cada dia que passa, tenho de descobrir alguma coisa nova. Normalmente é de noite que me dedico à leitura e à escrita. Vivo disto. Faz parte de mim. Mas também gosto de levar a Escritura às pessoas simples. É o que faço mais agora. E também me deleito.
 
VL: Na sessão que marcou o primeiro ano de presença entre nós, D. António disse-nos que a missão do Bispo, à imagem de St. Agostinho, deveria ser primeiramente ensinar. Sente que os Bispos são ouvidos?
 
D. António: Sim, ensinar a Palavra de Deus, com o Livro ou o rolo sobre os joelhos, como Santo Agostinho. Sim, penso que este devia ser o trabalho fundamental do bispo. Sem burocracias nem diplomacias. Era, afinal, o que fazia Jesus. E era ouvido. Se os bispos não são ouvidos, é porque não falam como Jesus, mas como os escribas (Marcos 1,22), isto é, sem autoridade e sem dizer nada.
 
* Entrevista ao Sr. D. António Couto, Bispo de Lamego, conduzida pelo Pe. Joaquim Dionísio, Director do Jornal Voz de Lamego e publicada na edição deste jornal a 04/06/2013.
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