sexta-feira, 31 de outubro de 2014

"É PARA O NOSSO MENINO"

- Para que é que queremos as coisas se não as usamos para ajudar!? - foi assim que aquela senhora começou o diálogo comigo, atirando de chofre a pergunta como quem responde.
Perante o meu aceno de concordância, acrescentou:
- Deste mundo só levamos o que damos, não o que temos.
Pois. Trata-se de uma viúva, doente, cuja reforma (a dela e a da parte do marido que lhe pertence) mal dá para a alimentação e os muitos remédios que precisa de tomar. Mas ela é assim. Generosa, otimista, preocupada com os outros e o bem comum.
- Ai, senhor padre, se eu pudesse... - fez uma pausa para deixar o coração voar. - Criaria emprego, pois custa-me tanto ver jovens e adultos sem trabalho!... Ajudaria tantas causas sociais, apoiaria tanta gente que precisa... Mas o Euromilhões nunca mais me sai! E olhe que eu jogo 4 euros em cada semana. Não posso mais. Tenho que levar as contas controladinhas.
Ri-me da espontaneidade sincera da senhora.
Depois abriu o seu porta-moedas e retirou uma nota. Estendeu-a na minha direção e acrescentou:
- É para o nosso 'menino'! Olhe que não quero o meu nome no nosso jornal. Ponha anónimo. "Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita." Não foi isso que o "Patrão" nos ensinou?...
Achei graça à palavra usada "Patrão".  Mas ela explicou que Deus é o melhor "Patrão", pois tudo Lhe pertence e nós somos apenas administradores  e que teremos que Lhe prestar contas. E sublinhou que é um "Patrão" maravilhoso pois paga muito além dos serviços prestados e dos trabalhos realizados...
Disse-lhe que cada oferta significa um milímetro no crescimento do nosso 'menino'.
Acenou com a cabeça longamente e disse:
- Sim, o Centro Paroquial é o 'menino' mais pobre da freguesia, já viu!? A criança tem uma família - melhor ou pior - que  sente a obrigação de cuidar dela. O Centro só pode crescer se não lhe faltar a ajuda caritativa e amiga de cada um de nós...
 Depois colocou a mão dela na minha, suspirou e continuou:
- Há tanta gente rica por esse mundo fora que podia ajudar estas causas sociais! Bem rezo para que Nosso Senhor torne o coração dessa gente mais solidário...
Caminhámos um bocadinho juntos até ao ponto do caminho em que os destinos nos separaram. Contou-me a história do penso que trazia na mão. Fora ao poleiro dar de comer  às galinhas. Sem mais nem menos, o galo saltou-lhe e deu-lhe uma valente picada na mão.
- Patife! Não me pica mais! Daqui a dias vem cá o meu filho e o patife do galo vai picar as paredes do pote! Vai dar uma valente cabidela! O senhor quer vir?
Despedimo-nos. Tinha andado uns passos, quando voltei a ouvir a voz da senhora:
- É só para pedir que diga à comissão que escusa de perder tempo a pedir à minha porta. Eu vou dando sempre que possa. É a nossa obrigação...
- Tá bem...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Portuguesa descobre como células cancerígenas infetam células normais

Veja aqui

100 euros são 100 euros…

Um casal de idosos, Manoel e Maria, ia todos os anos a um espetáculo aéreo no aniversário do Manoel. No 85º aniversário de Manoel, este vira-se para a mulher e diz:
- Maria, tenho 85 anos, quero andar de helicóptero, pode ser a última oportunidade que tenho!
- Mas Manoel, andar de helicóptero custa 100 euros, isso é muito dinheiro! A nossa pensão é muito pequena!
O piloto não conseguiu evitar ouvir a conversa e fez-lhes uma proposta:
- Oiçam, fazemos um acordo. Eu ofereço-vos uma viagem, desde que não deem um pio durante a mesma! Qualquer palavra ou grito que deem e o acordo acaba.
O Manoel e a Maria aceitaram e lá foram eles. O piloto subiu, desceu, virou o helicóptero ao contrário, zig zags, muitas manobras que fariam qualquer um gritar, mas nenhum deles abriu a boca!
Ao voltar para terra, o piloto mostrou-se muito admirado, e disse:
- Fabuloso, fiz manobras que fariam qualquer piloto da força aérea berrar, mas de vocês não ouvi nada! Parabéns! Prometido é cumprido, não cobro nada pela viagem!
Diz o Manoel:
- Eu estive para dizer qualquer coisa quando a Maria caiu do helicóptero, mas 100 euros são 100 euros…

terça-feira, 28 de outubro de 2014

"Quem é que, hoje, estaria disposto a dar a vida pelos valores europeus?


Os valores da Europa livre podem ter-se tornado abstracções para muitos dos seus cidadãos, mas há quem esteja disposto a dar a vida por eles, afirma o líder da Igreja Greco-católica da Ucrânia, Sviatoslav Shevchuk.

O responsável pela maior de todas as igrejas católicas de rito oriental defende a integração da Ucrânia na Europa e na União Europeia e explica que não teme que isso ameace os valores tradicionais daquele país.

"Não sinto medo, sinto esperança. Os valores europeus vão mudar a Ucrânia de muitas maneiras, mas nós podemos ajudá-los a redescobrir as raízes europeias da Europa", disse.

Em entrevista ao Crux, um "site" associado ao "Boston Globe" que acompanha a actualidade da Igreja Católica, Shevchuk recordou que centenas de ucranianos deram a vida por este sonho e perguntou: "Quem é que, hoje, estaria disposto a dar a vida pelos valores europeus? Por um salário melhor, ou por um iPhone, alguns dariam. Mas pelos valores? Tornaram-se uma coisa muito abstracta para eles, mas não para nós. Esta é uma luta não só pela nossa liberdade, mas pela Europa. Se para manter a conveniência económica alguns negócios desumanos prevalecerem sobre a dignidade humana, então os povos livres da Europa estarão em grande perigo".

Aos 44 anos, o líder, que é conhecido pelos seus fiéis como Patriarca, embora oficialmente o seu título seja Arcebispo-maior, recordou que sabe bem o que é não ser livre: "Vivi metade da minha vida na União Soviética. A outra metade, graças a Deus, tem sido vivida num país independente".

Sobre a revolta popular da praça Maidan que levou à queda do Governo pró-russo e desembocou no conflito com as milícias pró-russas no Leste do país, que perdura, Shevchuk reconheceu que a Igreja Greco-católica se tinha associado claramente aos pró-europeus.

"O que se passou no [movimento] Maidan mostra que já temos uma geração de pessoas livres. Há 23 anos recebemos a nossa liberdade externa. Foi uma oportunidade, uma possibilidade. Durante anos milhões de ucranianos passaram por um processo de liberdade e libertação interior, um crescimento moral e espiritual. Não é fácil ser livre de repente."

Agora, concluiu, não há volta a dar: "Agora ninguém abdicará da sua liberdade. A Ucrânia pós-soviética já não existe."

Até Kasper ficou desapontado com relatório intercalar
O Arcebispo-maior falou com os jornalistas pouco depois de ter regressado de Roma, onde participou no sínodo dos bispos sobre a família. Shevchuk revelou que o relatório intercalar do encontro, que causou muita polémica pela linguagem usada para se referir a uniões irregulares e homossexuais, deixou muitos bispos desapontados, incluindo o próprio Cardeal Kasper, considerado um dos líderes da ala liberal, e que fez parte do grupo de trabalho do bispo ucraniano.

"Considerámos que o relatório não reflectia as discussões mantidas durante a primeira semana. É difícil explicar como é que o documento surgiu, mas sentimos todos que ele não nos representava", disse.

Durante o sínodo houve muita especulação sobre qual terá sido a posição do Papa Francisco acerca dos temas mais polémicos, como o reconhecimento de alguns valores nas uniões de facto ou relações homossexuais, ou a admissão de pessoas em uniões irregulares aos sacramentos. O líder dos greco-católicos ucranianos, que conheceu bem o Papa quando estudou na Argentina, deu contudo uma indicação interessante.

"Sou professor de teologia moral, por isso pedi autorização para falar. Perguntei: devemos reconhecer a tendência homossexual como um valor em si? Como algo a ser partilhado e recebido? Na minha opinião: não. O que temos de valorizar é a pessoa humana e temos de ter noção de que esta tendência é causa de profundo sofrimento para a pessoa. De acordo com os ensinamentos tradicionais da Igreja, temos de tratar esta pessoa da forma correcta.”

"Foi esta a minha afirmação e o Papa olhou-me nos olhos e fez um sinal de concordância", diz Shevchuk.


Fonte: aqui

Cores do Douro

video

domingo, 26 de outubro de 2014

CAMINHADA SOLIDÁRIA CONTRA O CANCRO

Como são belos os corações que semeiam solidariedade!
  
Após a Eucaristia, celebrada no Centro Cívico, teve lugar a Caminhada. Seguiu-se uma Aula de Zumba no mesmo Centro Cívico.
Participação, alegria, bom ambiente humano. O amor tem destas belas coisas...




 Na tarde de 26 de outubro em Tarouca
Muita gente aderiu. De todas as idades. Maravilhosa atitude solidárias das pessoas!
Parabéns à Junta que organizou e à Câmara que apoiou.
Parabéns aos participantes.

sábado, 25 de outubro de 2014

Desigualdade económica é a maior fonte de medo nos países desenvolvidos

O abismo crescente entre ricos e pobres supera até mesmo o pavor do ebola e do Estado Islâmico

"Não recebestes o espírito de escravidão para recairdes no temor, mas o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!" (Romanos 8,15).

Se a sua única janela para o mundo fosse a televisão, seria compreensível que você achasse o ebola e o Estado Islâmico os dois maiores motivos de pavor existentes na atualidade.

E é isto, aliás, o que parece que os meios de comunicação querem nos convencer a pensar: que uma horda de fanáticos extremistas e um vírus letal estão prestes a matar todo mundo, muito embora as maiores ameaças físicas ao nosso bem-estar individual continuem sendo as doenças cardíacas, o câncer, os desastres de trânsito, a violência armada e os acidentes domésticos.

Apesar da mídia, porém, a população dos países mais desenvolvidos do mundo parece estar mais atenta à “realidade real” do que às realidades potenciais mais remotas. O Instituto de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos, entrevistou mais de 48.000 pessoas em 44 países pedindo que elas classificassem cinco grandes ameaças por ordem de importância: armas nucleares, aids e outras doenças, poluição e meio ambiente, ódio religioso e étnico e desigualdade econômica. Em outras palavras, o instituto perguntou aos entrevistados: o que é que mais preocupa você?

Os resultados variaram bastante de região para região e de país para país, mas é muito interessante observar que, na maioria das nações industrializadas ou pós-industriais, a desigualdade econômica foi apontada como a principal preocupação. Nos Estados Unidos, por exemplo, 27% por cento dos entrevistados indicaram a desigualdade como a maior ameaça da atualidade, com o ódio religioso e étnico em segundo lugar (25%), as armas nucleares em terceiro (23%), a poluição em quarto (15%) e as doenças em quinto (7%).

Estes resultados sugerem que, pelo menos nos países mais ricos, a população em geral entende com suficiente clareza os altos riscos decorrentes da desigualdade econômica: ela prejudica o bem-estar das famílias, mina o pacto social e ameaça a própria sobrevivência da democracia. Em comparação com a relativamente pequena chance de morte por ataque terrorista ou pelo ebola, os riscos da desigualdade econômica são perceptivelmente muito maiores.

Na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, o papa Francisco escreveu que enquanto os problemas dos pobres não forem radicalmente resolvidos mediante a rejeição da absoluta autonomia dos mercados e da especulação financeira, bem como mediante o combate às causas estruturais da desigualdade, não haverá solução para os problemas do mundo. A desigualdade é a raiz dos males sociais.

Quais são os "males sociais" a que o Santo Padre poderia estar se referindo? Além da pobreza em si, temos o aborto, procurado de modo desproporcional pelas mulheres economicamente mais marginalizadas; as dependências e vícios de todo tipo, que se enraízam com mais força na falta de esperança dos mais pobres; o colapso do casamento, que, nos países ricos, já é o melhor indicador independente de empobrecimento, especialmente para as crianças; a depressão e o suicídio, em especial entre os jovens; e uma série de outros males, incluída a ascensão de movimentos radicais e da violência política.

A desigualdade econômica pode ser encarada de duas maneiras: na renda e na riqueza. Há uma ligação íntima entre as duas, é claro, e, da perspectiva de qualquer dessas medidas, a realidade no mundo desenvolvido é sombria. Citando mais um exemplo dos Estados Unidos: a diferença de renda entre os mais ricos e o restante da população daquele país é hoje a maior já verificada desde 1928, o ano anterior ao do início da Grande Depressão.


Entre 1966 e 2011, a renda real norte-americana, ou seja, a renda ajustada pela inflação, foi crescendo a uma média anual de 59 dólares no caso de 90% da população. Durante o mesmo período, a renda real dos 10% mais ricos subiu a uma média anual de 116.000 dólares; a dos milionários que compõem o 1% mais rico da população subiu em média 628.000 dólares; e a dos multimilionários que constituem 0,01% dos norte-americanos teve um aumento médio anual, durante esse período, de nada menos que 18 milhões de dólares. Nos últimos cinco anos, praticamente todos os ganhos de renda nos EUA se concentraram entre os 10% mais ricos, sendo que só a parcela do 1% mais privilegiado do país ficou com 81% de todo o crescimento. Durante esse mesmo período, a renda familiar média dos norte-americanos caiu de forma constante ano após ano, passando de 53.644 dólares em 2008 para pouco mais de 51.000 dólares em 2012.

Como seria de esperar, os números da desigualdade na riqueza acumulada acompanham os da desigualdade na renda. De acordo com estudos mencionados pela Bloomberg BusinessWeek, o 1% mais rico entre os lares americanos possui 40% dos ativos financeiros. Prosseguindo a pirâmide, os próximos 9% mais ricos possuem 35% da riqueza, o que significa que, na soma, 75% dos ativos ficam nas mãos de 10% da população. Sobra assim 25% de toda a riqueza para o restante 90% dos domicílios. A riqueza do extremo topo da pirâmide (0,01% da população dos EUA) quadruplicou desde o início da década de 1980. Hoje, as 16.000 famílias mais ricas do país possuem juntas 6 trilhões de dólares em ativos. A riqueza desse 0,01% da população é maior, portanto, do que a soma dos dois terços inferiores da pirâmide juntos.

Destacar estas estatísticas não implica uma inveja pecaminosa nem uma condenação do capitalismo por atacado. É preciso reconhecer que, entre 1930 e 1970, os Estados Unidos desfrutaram de um dinamismo capitalista robusto, atingindo o seu ápice de igualdade econômica e vivendo a maior expansão da classe média de toda a história da humanidade (é digno de nota, ainda, que boa parte dessa expansão foi favorecida por programas do governo focados em previdência social, eletrificação rural, regulamentação hipotecária e infraestrutura rodoviária, por exemplo).

A desigualdade econômica incomoda ainda mais os norte-americanos porque muitos deles já viveram ou conhecem alguém que viveu uma época diferente, em que havia bons empregos com garantias para os trabalhadores, em que as famílias que podiam comprar uma casa, um carro e pagar a faculdade de três ou quatro filhos ao mesmo tempo, em que a pensão previdenciária era suficiente para uma aposentadoria tranquila.

Mas aqueles dias já se acabaram, graças à globalização, à financeirização da economia, à automação, entre outros fatores. É possível frear ou mesmo reverter esse crescimento da desigualdade sem causar um mal fundamental à própria economia, mas essa tarefa cabe ao governo, que em si mesmo já é objeto de medo para muitos norte-americanos de hoje. Ainda assim, a Doutrina Social da Igreja cobra exclusivamente do governo a responsabilidade de garantir o bem comum, e o bem comum exige que o governo incentive os melhores aspectos do capitalismo, que levam à criatividade e ao crescimento, diminuindo ao mesmo tempo os aspectos ruins, que, se não forem combatidos, resultam em exploração e injustiça e, portanto, ferem a liberdade e a dignidade humanas.

Com a Centesimus Annus, o papa João Paulo II pediu um capitalismo que opere dentro de um "marco jurídico sólido, que o coloque a serviço da liberdade humana em sua totalidade e que o veja como um aspecto particular desta liberdade, cujo núcleo é ético e religioso...". Tal marco reconheceria que, embora certo grau de desigualdade seja natural no sistema capitalista, o grotesco desequilíbrio entre os poucos que são ricos e os muitos que são pobres precisa ser corrigido.

Na ausência de tal marco, há realmente muito a se temer. Inclusive, ou talvez principalmente, por parte dos ricos.
  
Fonte: aqui

Uma primavera "franciscana" em Madrid


Carlos Osoro, novo arcebispo de Madrid, com o Papa Francisco 
(foto reproduzida daqui)

O arcebispado de Madrid vive este sábado uma mudança importante: Carlos Osoro Sierra toma posse formal do cargo de arcebispo de Madrid, substituindo no lugar o cardeal Antonio María Rouco Varela.

Ordenado padre na diocese de Santander em Julho de 1973, bispo de Orense desde 1997 e, depois, arcebispo de Oviedo (2002) e de Valência (2009), Carlos Osoro significa uma mudança “franciscana” na diocese da capital espanhola. É essa a chave de leitura dos jornalistas Jesús Bastante e José Manuel Vidal, do sítio Religión Digital, que publicaram dois livros com biografias de Rouco e Osoro.
Carlos Osoro é, além de “boa pessoa”, alguém que trará “a primavera do Papa a Madrid”, por ser alguém com um perfil muito semelhante ao de Francisco – próximo dos outros, preocupado com o acolhimento de todos, mesmo de quem pensa diferente. Na altura da sua nomeação para Madrid, ele prometeu entregar-se “sem impor”, bem como falar “com todos” e sair pelas ruas. “Não sei fazer outra coisa”, disse.
E isto não acontece apenas desde que o Papa foi eleito: “Não se acomodou à linha de Francisco, sempre foi assim, um pastor com uma descomunal capacidade de trabalho e uma enorme proximidade das pessoas”, diz Jesus Bastante, autor de Carlos Osoro, el peregrino.
Nomeado arcebispo de Madrid no final de Agosto, quando o seu antecessor desejava ainda continuar por mais algum tempo, Carlos Osoro é um bispo preocupado em estar sobretudo com os que mais sofrem, implicado nas questões sociais (é muito crítico, por exemplo, dos desalojamentos que tem havido em Espanha). Sente que “a sociedade actual está ferida e quer uma Igreja ao lado das pessoas que sofrem”, diz o autor do livro.
O novo arcebispo, que considera que o mundo e a Igreja vivem um tempo de mudança históricachegou a estar noivo e a pensar seriamente em constituir família. “Talvez por isso entende mais e melhor a vida actual”, comenta Jesús Bastante.
Preocupado em fazer pontes com todos os sectores e “estar com todas as sensibilidades eclesiais e sociais” – mesmo a nível político – também aqui se poderá notar uma mudança de paradigma clara em relação ao seu antecessoracusado de se ter colado – e à hierarquia espanhola – a um partido concreto da paisagem política do país, o Partido Popular.
Essa é precisamente uma das diferenças claras entre Osoro e Rouco: este último, retratado por José Manuel Vidal en Rouco – la Biografia No Autorizadaé caracterizado como tendo conseguido a “cota máxima de poder jamais aplicada à Igreja espanhola”.
Homem “fisicamente débil, inclusive com certas debilidades psicológicas, sem carisma”, o até agora arcebispo de Madrid é alguém “sem grandes qualidades, mas que soube retirar o máximo partido da estratégia e do poder”, analisa o director de Religión Digital. “Intelectualmente, é um homem preparado, ou pelo menos passou semore por ser um grande intelectual, mas um intelectual sem obra, um canonista”, acrescenta Vidal.
A sua colagem a um partido político e a sua oposição a várias medidas do Executivo do Partido Socialista levaram-no a liderar várias manifestações nas quais encenava anualmente uma demonstração de poder do “músculo da Igreja espanhola contra o Governo socialista”.
Será um legado que levará gerações a corrigir, considera Vidal na entrevista em que analisa a liderança de Rouco. E, não por acaso, a sua sombra continuará ainda presente: Rouco decidiu continuar a viver no palácio arquiepiscopal de Madrid, enquanto Carlos Osoro viverá no bairro de Chamberí, num andar das Irmãzinhas dos Pobres, utilizando depois para o trabalho um gabinete no paço episcopal.
Fonte: aqui


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

É preciso "fazer" dos santos notícia. "Ou só consegue fazer dos malandros?"

O secretário da Confederação das Conferências Episcopais Europeias considera ser urgente a criação de uma "rede de boas notícias". O alerta é deixado no Congresso da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã, que decorre em Terras de Bouro, Braga.

É preciso "fazer" dos santos notícia! O repto é lançado pelo padre Duarte Cunha que aponta a urgência de uma "rede de boas notícias" numa Europa em que a comunicação social está, cada vez mais, focada em pormenores.

"Eles conseguem que a Europa seja uma Europa de visão larga ou focam apenas pequenos pormenores, ou como dizem os italianos de ‘fait divers’? Conseguem mostrar o que vai sendo construído? Ou limitam-se a manter a lógica desconstrutiva que divide tudo e não procura a síntese? Por outras palavras, eles procuram fazer dos santos notícia? Ou só conseguem fazer dos malandros notícia?", questiona o secretário da Confederação das Conferências Episcopais Europeia, lamentando que, nos dias que correm, questões como a família não centrem as atenções dos media.

Num mundo tão virtual, a imprensa - lembra o Padre Duarte Cunha - tem na comunicação da "presença humana" o seu principal desafio quer a nível local, nacional e continental.
Fonte: aqui

Mudança da Hora – 26 Outubro 2014


No dia 26 de Outubro de 2014, tem início o período de “Hora de Inverno”.
Os relógios irão ser atrasados 60 minutos às 2h00 da madrugada de Domingo em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, passando para a 1h00

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Peço-lhe que responda a este inquérito...


Carro do Ano 2015 em velocidade cruzeiro

Avaliação dos candidatos já começou
 
Seat Leon, foi carro do ano em 2014 

2015 - candidatos
Fonte: aqui
Qual destes será o vencedor?

terça-feira, 21 de outubro de 2014


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Para que serviu o Sínodo dos Bispos sobre a Família? – A libertação da palavra e algumas perplexidades

Análise 


(foto Vatican.va, reproduzida daqui)

O Sínodo dos Bispos sobre a Família não acabou. Terminou apenas mais uma etapa. Vale a pena olhar para o caminho já percorrido na preparação do Sínodo “a sério” – o de Outubro do próximo ano, após o qual o Papa redigirá uma exortação apostólica sobre o tema – bem como para algumas perplexidades destas duas semanas de debate.

A primeira pergunta é: será que alguém entende bem o que se passou nestes 15 dias? Provavelmente, poucas pessoas arriscarão uma leitura clara e isso não se deverá fundamentalmente à confusão de notícias surgidas nas duas últimas semanas. A babel informativa reflecte, em grande parte, a pluralidade e diversidade de pontos de vista que apareceram na aula sinodal, as tensões entre diferentes protagonistas e as visões diversificadas sobre o que deve ser o olhar da Igreja acerca da família no mundo de hoje.
Essa é uma primeira observação: o apelo do Papa a que os bispos falassem frontalmente parece ter tido consequência, a avaliar por aquilo que se passou pelo menos na primeira semana e muitos bispos aceitaram mesmo libertar a palavra. Mas há outra evidência: é natural, perante um acontecimento que tantas expectativas gerou, que surjam muitas opiniões a tentar marcar terreno. Como é positivo, para a Igreja Católica, que a dinâmica de um Sínodo – normalmente pouco acompanhada pela comunicação social, por se arrastar durante duas ou três semanas de debates mais ou menos cifrados para o grande público – seja seguida com tanta atenção. Isso deve-se ao Papa Francisco, ao processo por ele lançado e à forma como ele desejou que o debate se fizesse – aberto, sincero, participado pelo maior número.
Mas essa atenção redobrada surge também (sobretudo?) pelo assunto escolhido, que não deixou de lado nenhuma das questões difíceis que o tema família implica. É que foi por causa das questões ligadas à moral e à ética familiar que, nas últimas quatro décadas, se deu o grande afastamento de muitos católicos em relação à estrutura eclesiástica ou, mesmo, à comunidade eclesial ou à questão de Deus. Foi por aqui que se deu o que muitos chamam de “cisma silencioso”. Seria por aqui, portanto, que a atenção de muitas mulheres e homens se poderia de novo reconciliar ou reaproximar da Igreja.

A repetição mecânica

Houve outro apelo do Papa no início da assembleia: o de levar para o Sínodo a realidade das igrejas particulares – que é como quem diz, a realidade das famílias no mundo inteiro. A resposta a esse apelo pode não ter sido tão clara. Essa falha tinha já sido notada antes no Instrumentum laboris, o documento de trabalho inicial, que era uma decepção em diversos pontos e levava mesmo à sensação de déjà vu, como notava o jesuíta Thomas Reese. Pior ainda é que esse documento de trabalho não recolhia, em diferentes pontos, aquele que era o sentir dominante das respostas chegadas a Roma: a doutrina da Humanae Vitaea encíclica de Paulo VI sobre a regulação dos nascimentos, publicada em 1968, “nunca funcionou e não é realista pensar que possa continuar a ser defendida, as pessoas já nem se lembram da encíclica e muitos dizem mesmo que não é para respeitar”, como me referia um responsável do secretariado do Sínodo, em Março, depois de chegarem a Roma respostas de todo o mundo ao questionário inicial. Aliás, várias conferências episcopais, entre as quais a alemãtinham feito notar esse desfasamento entre o ensino da Humanae Vitae e a vida e prática de tantos católicos, pedindo uma mudança doutrinal nessa matéria.


Esta falha na atenção à multifacetada realidade familiar continuou nos últimos dias, quando os grupos de trabalho“corrigiram” o sentido do relatório intercalar, apresentado segunda-feira.
O caleidoscópio de que se compõe hoje a realidade familiar já não se compadece com a repetição mecânica de uma doutrina. Antes exige um questionamento de várias regras – desde logo, a questão da contracepção e planeamento familiar, verdadeira pedra no sapato de uma moral católica que deve antes acentuar as dimensões evangélicas da responsabilidade, liberdade e felicidade. E pede uma grande criatividade pastoral, na linha do acolhimento e da misericórdia, sobre as quais o Papa vem insistindo e que, no evangelho de Jesus, têm uma clara primazia sobre a regra e a lei.
Várias intervenções na aula sinodal – de casais convidados, bispos ou cardeais – apontaram nesse sentido, mas o tom dominante, no final, terá sido ainda o da repetição doutrinal. E isso não chega. Um bispo africano perguntava (ver de novo o vídeo já referido): o que dizer a um africano casado com várias mulheres, coisa normal na sua cultura, que depois se converte ao cristianismo? Não se pode apenas dizer-lhe que escolha uma mulher e rejeite as outras, sugeria o mesmo bispo.
Ou seja, há perguntas com resposta difícil – também em questões como a maternidade e paternidade responsáveis, a pastoral com divorciados, a violência doméstica ou a homossexualidade, entre outras questões – às quais não se pode responder apenas com a mecânica tradicional. E foi para encontrar respostas a essas perguntas que o Papa convocou este Sínodo extraordinário. Caso contrário, deveria perguntar-se se valia a pena 253 pessoas gastarem 15 dias em Roma apenas para repetir o que a doutrina católica vem dizendo nas últimas décadas...

Já descobrimos tudo?

Nesta sexta-feira, na conferência de imprensa diária, o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, disse duas coisas essenciais para este debateA primeira: “A verdade não é um sistema, mas uma pessoa, Cristo. O Evangelho não muda, mas devemos perguntar-nos se já descobrimos tudo.” Ou seja, não são apenas os católicos "progressistas" que querem mudanças, pois há cardeais e bispos a chamar a atenção para as mesmas coisas. E a segunda, com o exemplo de um dos temas em aberto, o da homossexualidade, para referir que nem tudo é apenas preto ou branco e dando o exemplo de homossexuais com uma relação duradoura e fiel ou de outros que mudam de parceiro com frequência: são casos diferentes que, por isso, não devem ser colocados ao mesmo nível, exemplificava. Para concluir que o importante é a palavra “exclusão” não integrar o léxico da Igreja.
É certo que, para aumentar a confusão acerca do que verdadeiramente se estava a passar, o Vaticano também deu uma ajuda. Uma das notícias divulgadas pelo Serviço de Informação dizia, segunda-feira passada, que o relatório intercalar tinha sido bem acolhido pela assembleia. O que não terá sido bem o caso.
O relatório intercalar, é verdade, trazia um tom novo em diversos aspectos de linguagem que terá assustado muitos participantes da assembleia (e não faltaram erros de tradução a agravar as tensões, numa pecha infelizmente já habitual em textos do Vaticano). E isso voltou a insuflar as expectativas – muitos chegaram a dizer que a Igreja tinha mudado a doutrina sobre a homossexualidade, o que era um manifesto exagero, lendo o texto com atenção. Mas o mesmo relatório não mudava a linguagem, por exemplo, em relação à questão da contracepção, onde é urgente acabar com a distinção entre métodos “naturais” e “artificiais” e colocar o acento na paternidade e maternidade responsáveis (ideia que defendi há dias no debate de actualidade religiosa na Rádio Renascença )
Uma outra nota à margem: espanta ouvir agora um dos mais importantes cardeais da Cúria – Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – queixar-se da suposta “censura” a que posições como as suas teriam sido sujeitas no processo do Sínodo.
É que, durante 30 anos, poucos eram os cardeais ou bispos preocupados com tantos e tantos crentes que se queixavam de se sentir desprezados e marginalizados na Igreja. Agora que, felizmente, aparecem vozes diferentes e opiniões diversas sobre tantos temas, já pode haver queixas da suposta censura – como se fosse possível uma estrutura do Vaticano censurar um dos maiores responsáveis da Santa Sé... Aliás, Müller não se poupou a esforços para vincar a sua posição, quer com a publicação do livro Permanecendo na Verdade de Cristo:Matrimónio e Comunhão na Igreja Católica, quer através de entrevistas e declarações várias, quer mesmo tornando conhecidos comentários seus, pouco abonatórios, sobre o relatório intercalar do Sínodo.
Felizmente, o debate sobre temas como a da possibilidade da comunhão para os divorciados esteve bem vivo, com o cardeal Walter Kasper, autor da conferencia do consistório de Fevereiro a pedido do Papa, a responder também aos argumentos críticos dos seus colegas cardeais.
Finalmente, uma questão semântica: muitos comentadores, jornalistas e mesmo pessoas da Igreja falavam desta assembleia como o sínodo da família. A linguagem, por vezes, cria a realidade – ou, pelo menos, altera-a. Esta assembleia era um sínodo de bispos sobre a família, no qual participavam 14 casais, sim. E pode acrescentar-se que, se os bispos são famílias uninominais, então todas as realidades da família que hoje existem deveriam ter sido chamadas e tidas em conta na aula sinodal. Mas o dia-a-dia da vida das famílias – afectos, tensões, gestão de contas, educação dos filhos, vida escolar e tantas outras coisas – estão ausentes da experiência quotidiana dos bispos. E esse é um dado a ter em conta. Estamos, por isso, muito longe ainda de poder falar de um sínodo da família – e a semântica não é de somenos, neste como em outros casos.
De resto, o sínodo, como a procissão, ainda vão no adro. Temos pela frente, pelo menos, mais um ano de debates, de expectativas insufladas ou retraídas, de muito caminho para fazer. O próximo ano será crucial, com as conclusões do Sínodo de 2014 e as respostas a um segundo questionário a serem de novo discutidas, como recorda o arcebispo de Manila (Filipinas), Luis Antonio Tagle numa entrevista a La VieMas, seguramente, a dinâmica posta em marcha pelo Papa já não voltará atrás. 
Fonte: aqui

domingo, 19 de outubro de 2014

Agridoce da vida

Agridoce foi este meu fim-de-semana.  O estar com as pessoas em diversas situações diferentes, as várias atividades em que participei e/ou presidi, deixaram-me na alma agradabilidade e cansaço.
Agridoce foi o último sábado. As Eucaristias - uma das quais com crianças - e uma longa reunião do Conselho Pastoral à noite.  Se todas as Eucaristias são especiais, então aquela com as crianças é especialíssima, desafiante, exigente. Cansa-me mesmo, mas deixa-me feliz.  Semear a vivência de Deus em corações bonitos, mas de crianças do nosso tempo com pouquíssimo poder de concentração e com poucos ou nulos hábitos de participação.
O agridoce da reunião do Conselho Pastoral.  Feliz pela participação das pessoas que foram eleitas pelos seus povos e grupos. Feliz pela diversidade de opiniões, vivências e opções. Feliz por caminhos percorridos por todos e pela convergência no essencial. Inquieto porque é preciso ir mais além, resolver situações, acrescentar criatividade, crescer em acolhimento e em dinâmica apostólica. Mas as limitações inerentes à nossa condição de pessoas e a falta de tantos meios cortam asas.
Este domingo, além das Eucaristias da manhã, houve terço e Missa em Santa Helena, seguidos de um tempo de oração na Igreja com o Grupo Oração e Amizade. Além, é claro, das pessoas que atendi e das que procurei para resolver situações correntes.
Mas o agridoce que tem acelarado na minha vida tem a ver com o Centro Paroquial. Parece uma fixação que me acompanha dia e noite! 
Doce é a esperança, o sonho, a galvanização que esta obra me incute. Havemos de lá chegar! A ajuda bondosa e gratuita de Deus não falta. ELE nunca falha. Mas a unidade, generosidade, empenho e dinamismo da comunidade e dos amigos desta comunidade, esses aparecerão, porque há muita gente boa. E, como diz o povo, "quem dá aos pobres, empresta a Deus". E quem mais pobre do que aquele nosso menino que é completamente incapaz de crescer um milímetro sem o trabalho e a ajuda de todos nós!?
Azedas são as dificuldades que uma obra, mormente sob administração direta, acarreta momento após momento. Ouvir, unir, procurar a logística, buscar meios económicos... Sim, sobretudo a parte económica é muito preocupante.
Depois, há algo que me pacifica, que me ajuda. Esta luta diária nada tem a ver com interesses egoístas, não é para mim, pois pessoalmente não preciso do Centro Proquial para nada. Quem precisa é a comunidade. Então as minhas preocupações desaguam no belo, advindo dinâmica da doação, da entrega, do despojamento, do amor.

Aprovado o Plano Pastoral Paroquial

Veja  aqui



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sabia que mais de 800 milhões de pessoas vivem numa situação denominada “insegurança alimentar”?

Isto significa que mais de 800 milhões de pessoas não usufruem de uma alimentação saudável, de qualidade ou em quantidade suficiente para suprir suas necessidades. 

 Ontem, 16 de outubro, foi Dia Mundial da Alimentação e da Luta Contra a Fome.

O tema do Dia Mundial da Alimentação 2014: “Alimentar o Mundo, cuidar o planeta” tem, como objectivo fundamental, sensibilizar para a importância da agricultura familiar e dos pequenos agricultores. Centra a atenção mundial no relevante papel da agricultura familiar e na erradicação da fome e da pobreza, na promoção da segurança alimentar, na melhoria da nutrição e da qualidade de vida, na gestão dos recursos naturais, na protecção do meio ambiente e no desígnio do desenvolvimento sustentável, em particular nas zonas rurais. A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano 2014 como “Ano Internacional da Agricultura Familiar”. Este é um sinal claro de que a Comunidade Internacional reconhece a importante contribuição dos agricultores familiares e da segurança alimentar familiar. Paralelamente, o Parlamento Europeu declarou 2014 como o “Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar” , tendo por objectivo promover a tomada de decisões vinculativas, com vista à resolução do problema do desperdício alimentar existente na Europa. De acordo com um estudo publicado pela Comissão Europeia, antes da entrada da Croácia na EU, a produção anual de resíduos alimentares nos 27 Estados-Membros rondava os 89 milhões de toneladas, podendo mesmo chegar aos 126 milhões de toneladas em 2020, caso não sejam implementadas medidas preventivas urgentes. Trata-se de uma problemática de consequências graves no âmbito ético-social, ambiental e económico (a produção destes alimentos envolve gastos em terrenos, energia e água, recursos humanos, etc.), à qual nem todos estão sensíveis. Na Europa, o desperdício de produtos hortofrutícolas próprios para consumo ronda os 30%. Em Portugal, de acordo com dados estatísticos do ano passado, cerca de um milhão de toneladas de alimentos por ano, ou seja, 17% do que é produzido, vai para o lixo. São números preocupantes, sem dúvida. Mas são, sobretudo, números que todos devemos combater. De empresas ao consumidor comum, é urgente uma mudança de mentalidades que deverá começar na despensa e no frigorífico de cada um. O objectivo é claro: alertar para a necessidade urgente da redução imediata do desperdício alimentar. A mudança está em cada um, nomeadamente, não comprar em demasia, não ter excesso de produtos no frigorífico, ter atenção aos prazos de validade, não confeccionar refeições em excesso, utilizar, sempre que possível, os produtos da época. O Dia Mundial da Alimentação foi criado com o fim último de promover a discussão e a reflexão acerca de assuntos como fome e segurança alimentar, evocando temas que nos fazem pensar na população carente, sua segurança alimentar e nutrição. Enquanto, para muitos de nós, a dificuldade reside em escolher o que vamos comer, muitas pessoas não têm acesso a qualquer tipo de alimento. Sabia que mais de 800 milhões de pessoas vivem numa situação denominada “insegurança alimentar”? Isto significa que mais de 800 milhões de pessoas não usufruem de uma alimentação saudável, de qualidade ou em quantidade suficiente para suprir suas necessidades. A alimentação adequada é um direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana, consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), no seu artigo 25º, “toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação (…)”, devendo o poder público adoptar as políticas e acções que se considerem necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população. Entende-se por segurança alimentar uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. Uma realidade que, infelizmente, não é vivenciada por uma parte, cada vez maior, da população portuguesa e por grande parte da população mundial. Aproveite e reflicta acerca dos seus hábitos alimentares, no desperdício e de que forma pode contribuir para mudar o contexto da alimentação mundial. Pequenas atitudes fazem a diferença e tornam o mundo melhor. 
Fonte:aqui

 FAO
Papa condena especulação 
com preços dos alimentos
O Papa Francisco apelou ao fim da especulação financeira com os preços dos alimentos e ao combate ao desperdício, como forma de superar o problema da fome no mundo.
“Quem sofre com a insegurança alimentar e a subnutrição são pessoas e não números: precisamente pela sua dignidade de pessoas, estão acima de qualquer cálculo ou projeto económico”, escreve, numa mensagem enviada ao diretor-geral da organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, divulgada hoje pelo Vaticano.
O Papa sustenta que para vencer a fome não basta atender às situações de emergência, mas é preciso “mudar o paradigma das políticas de ajuda e de desenvolvimento”, para além de “alterar as regras internacionais” em matéria de produção e comercialização de produtos agrícolas.
“Até quando se vão continuar a defender sistemas de produção e de consumo que excluem a maior parte da população mundial até das migalhas que caem das mesas dos ricos?”, questiona.
Nesse sentido, a mensagem pontifícia defende que “chegou o momento de pensar e decidir a partir de cada pessoa e comunidade e não desde a situação dos mercados”.
Francisco sustenta, a respeito da celebração do Dia Mundial da Alimentação, que “a enorme quantidade de alimentos” que se desperdiçam, os “produtos que se destroem” e a “especulação com os preços em nome do deus lucro” são um dos “paradoxos mais dramáticos” dos dias de hoje.
“Apesar dos avanços que se verificam em muitos países, os últimos dados continuam a mostrar uma situação inquietante, para a qual contribuiu a diminuição geral da ajuda pública ao desenvolvimento”, acrescenta o texto.
A FAO propôs este ano uma reflexão sobre a agricultura familiar e o Papa convida a comunidade internacional a “reconhecer cada vez mais o papel da família rural e a desenvolver todas as suas potencialidades”.
Francisco lamentar que “as normas e iniciativas” em favor da família estejam muito longe de responder às “exigências reais”, pedindo que as reflexões deem lugar a decisões “concretas”.
O texto recorda as vítimas dos conflitos e da crise global, que atinge em particular os pobres, sublinhando ainda a importância de “preservar a criação” como um bem de que depende “a vida da família humana”.
In agência ecclesia

Que horror, temos um Papa que acredita no Evangelho!


A frase é referida pelo padre Adolfo Nicolás, prepósito-geral da companhia de Jesus, em entrevista a Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, no passado dia 8 de outubro, e postada em [http://www.ihu.unisinos.br/noticias/536058-e-preciso-ouvir-o-mundo-senao-o-mundo-nao-nos-ouvira-entrevista-com-adolfo-nicola, acedido a 16-10], com tradução de Moisés Sbardelotto.

E a exclamação transcrita em epígrafe integra um quadro caricatural que o entrevistado viu em Espanha e que representa um padre desesperado, com as mãos na cabeça: “Que horror, temos um papa que acredita no Evangelho!”. A caricatura espelha bem a tensão existente entre a linha do Papa argentino, a da refontalização necessária da Igreja e aplicação das atitudes evangélicas aos tempos e homens de hoje nos diversos recantos do mundo, e a atitude conservadora da defesa de uma Igreja que acumulou pelos séculos todo um complexo de tesouros de coisas novas e velhas e que pretende tornar-se equipolente ao denominado “depósito da fé”.

O Papa quis e pediu que falassem claro, com liberdade e franqueza, na escuta daquilo que o Espírito tem a dizer à Igreja. E falaram os bispos, os cardeais, os peritos e os casais convidados. Produziram um relatório intercalar sobre os assuntos discutidos na primeira semana dos trabalhos do Sínodo.

Uns, agora, dizem que o relatório não corresponde à verdade; outros clamam que não reflete o pensamento e a posição do conjunto dos padres sinodais; outros levaram a mal o facto de o terem conhecido pela comunicação social (não apreciando a linha de transparência sinodal e vaticana); e outros ainda se queixam de que não foram tidas em conta as vozes dos tidos por mais conservadores. Por seu turno, o grupo de padres sinodais próximos de quem elaborou o relatório explica que se trata de um mero documento de trabalho, que tem em vista fazer o ponto de situação das matérias discutidas – relatio disceptationum (relatório dos debates) – ou dar conta do andamento dos trabalhos da assembleia do sínodo, muito longe de conclusões finais, faltando ainda percorrer metade do percurso sinodal. Do sínodo há de surgir um relatório final com sugestões de decisão para o Santo Padre considerar com inteira liberdade. Por outro lado, deve ter-se em conta que, a seguir a esta assembleia de 2014, outra está convocada para daqui a um ano, a qual se destina a aprofundar as matérias ora debatidas e a reexaminar nas igrejas locais, com base no aludido relatório final, e a oferecer a resposta doutrinal e pastoral aos problemas suscitados pelo mundo (que “é preciso ouvir”, senão “não nos ouvirá”) e assumidos no debate.

Ninguém, por menos habituado que esteja ao fenómeno, deve escandalizar-se com os momentos de tensão, mesmo quando o cardeal Müller, o Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, disser e tornar a dizer que o relatório é uma vergonha. Aquilo que os crentes devem aceitar é o produto final dos concílios e dos sínodos – depois de aceite e mandado publicar pelo Sumo Pontífice. Não é cada ponto de discussão nem a forma do debate que fará doutrina ou norma pastoral. Todos os concílios foram palco de acesas discussões e lugar de desemboco de grandes lições de teologia. Foi assim já no Concílio de Jerusalém, como se pode ler no livro dos primórdios da vida da Igreja nascente, o livro dos Atos dos Apóstolos (15,6-29).

Foi a grande assembleia dos líderes das comunidades cristãs, em Jerusalém, que discutiu a questão da necessidade de impor ou não a circuncisão aos cristãos de proveniência pagã.  Quando o Evangelho foi  anunciado aos não judeus  e estes fizeram a sua opção de fé em Jesus Cristo e, depois  de  batizados, passavam a  conviver  com os cristãos de origem judaica, que eram circuncidados, surgia o problema da desigualdade de situações perante a Lei de Moisés. Alguns dos cristãos provenientes do judaísmo entendiam que os gentios que se tornassem cristãos precisavam da circuncisão. Por isso, se desencadeou a magna reunião de Jerusalém para decidir. Entre os presentes, são mencionados: Paulo, Barnabé, Tiago, Simão, os apóstolos e presbíteros.

A fórmula da declaração da decisão tomada é usada até hoje nas decisões conciliares: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós......” (cf. At 15,28): “De facto, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso, além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas. Fareis bem preservando-vos destas coisas. Passai bem.” (At 15,23-29).

Ora, o Papa crê no Evangelho da misericórdia, e bem: “vai em paz e não tornes a pecar” (Jo 8,8); “a tua fé te salvou, vai em paz” (Mc 5,34; Lc 17,19); “em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entrarão primeiro do que vós no reino de Deus” (Mt 21,31); haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se (Lc 15,7). Mas este evangelho também nos dá conta de disputas elucidativas. Leia-se, por exemplo: Mt 18,1-5; Mc 9,33-37; Lc 7,36-50; 9,54;15,25-32; Jo 7,25-53. E o que é de aceitar é a conclusão formulada por Jesus ou sob a sua autoridade.

A pari, seria bom que os padres sinodais cressem, com o Papa, ao menos no Livro dos Atos dos Apóstolos, onde se veem sérias discussões, a presença da Mãe de Jesus, eleições, união, partilha de bens (por entrega direta aos apóstolos ou por coleta), ensino, oração, pregação, “Fração do Pão”, assistência às mesas, martírio e conclusões – tudo sob a assistência do Espírito. Por outro lado, o Livro dos Atos compendia a pregação de Pedro, que assume o essencial do quérigma, expande o anúncio da Boa Nova aos gentios, testemunha a unidade, a solidariedade e o martírio, bem como todo o furor missionário de Paulo e companheiros.

***

Voltando a Adolfo Nicolás, cuja entrevista é um comentário ao decurso dos trabalhos sinodais, o conhecido como “papa negro” começa por assentir que o sínodo pode, segundo a intenção papal, ser lido como o cumprimento do Concílio Vaticano II:Há muitas forças que se afastaram um pouco, distantes do modo de pensar das pessoas, e Francisco está ciente disso”. Por isso, “quer que o Concílio seja uma realidade e não haja mais esse para a frente e para trás (…), mas que a Igreja vá em frente, porque a humanidade vai em frente e não se pode esperar”. E assegura que, tal como o Pontífice citou o Concílio duas vezes na homilia de abertura do Sínodo, também nas apresentações dos Padres sinodais recorrem as referências conciliares.

Assim, o jesuíta-mor acredita que se trata de um retorno muito sólido ao Concílio. E explicita o seu pensamento: fala-se da Igreja, de estarmos num mundo imperfeito, da luta das pessoas, dos problemas das famílias e dos matrimónios; e veem-se pastores preocupados com a situação real, não com ideias abstratas. A questão já não reside no modo de comunicar ou forçar as pessoas a seguir uma vida ou outra, mas como escutar.

Embora haja muitas resistências (ampliadas por boatos), parece que as situações mais problemáticas estarão a ser enquadradas em termos da lei da gradualidade, segundo a qual, “é preciso ser positivo e ver as coisas boas, mesmo que a forma não seja perfeita”, não se podendo buscar apenas o perfeito ou nada”. Pelos vistos, o Papa segue a linha inaciana do crescimento gradual, não repentino (“o mundo não é preto e branco”). Assim, embora não se tenha ouvido isto na aula sinodal, “é melhor um casal que se quer bem do que um casal em que não há amor, não há nada, mesmo que tenham sido completados todos os ritos da Igreja”. Nicolás conta que, no tempo em que estava na Ásia, “sempre ouvia repetir que, para a mentalidade ocidental, europeia, o perfectum é quando tudo é perfeito; ao invés, se houver um defeito qualquer, já não é bom, é malum”. E contrapõe que, “se há algo de bom que pode crescer, é preciso alimentá-lo, alimentar a vida em todos os campos”.

E abona a sua posição com a asserção do cardeal Martini, que poderia constituir um grande contributo para o sínodo – “a pergunta sobre se os divorciados podem fazer a comunhão deveria ser invertida: como a Igreja pode chegar a ajudá-los, com a força dos sacramentos?”.

Não pode continuar a suceder que se tire um remédio a quem mais dele precisa: quem chegou a divorciar-se terá sofrido dificuldades, sofrimentos… e depois recebe a marginalização.

E não é necessário mudar a doutrina: “o problema não é doutrinal, mas de acompanhamento”. Os nossos princípios vêm daquilo que Cristo proclamou. “No entanto, como alguns na Aula explicaram muito bem, sempre há um espaço para a interpretação, e esse espaço é pastoral. Os exegetas fazem um grande serviço à Igreja, mas disseram a sua palavra e estão um pouco exaustos. A questão continua sendo pastoral. Não se trata de redefinir nada, mas de encontrar uma linguagem, uma experiência diferente”.

O Papa vem advertindo: não carreguem sobre as costas das pessoas “pesos insuportáveis”(cf Mt 23,4). É preciso criar uma linha de maior abertura, flexibilidade: “não falar de princípios, mas encontrar a realidade, acompanhar as pessoas”. Estar à escuta do Espírito “é toda a vida inaciana”. A Inquisição não ficou contente com Santo Inácio de Loyola, “examinaram-no oito vezes”. Quem ouve o Espírito não está vinculado a normas dos homens. Os inquisidores “viam um homem livre”, o que não era bom. O Espírito sopra onde quer e quem ouve a sua voz, mas não sabe donde vem nem para onde vai (cf Jo 3,8). E isso dá uma enorme liberdade.

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Sabe-se agora que a assembleia, embora ainda marcada por perplexidades no seio dos círculos menores ou grupos linguísticos, concluiu revisão do relatório intercalar e vai publicar todas as propostas – que vão manter a dialética entre a linha da doutrina e encorajamento às famílias cristãs e apostólicas e a linha da misericórdia a aproximação às situações problemáticas, não assumíveis doutrinalmente, mas profundamente humanas. O cardeal arcebispo de Viena D. Christoph Schönborn disse que o Sínodo tem procurado “acompanhar” a história das pessoas no momento atual, seguindo as indicações do Papa: ‘não julgar, acompanhar’ a história da família”, uma forma de pensar que não é “relativismo”.

Embora o respeito pela pessoa não signifique aceitação de todos os comportamentos humanos, o arcebispo de Viena, mostrando-se “muito impressionado” pelo interesse mediático que esta assembleia sinodal provocou, defendeu a importância de “um alargamento da visão da família” e de ver o seu “papel fundamental”, para lá das “questões morais”. O Papa, segundo as palavras de Schönborn, não pediu para ver “tudo o que não funciona” na família, mas quis, “antes de tudo, mostrar a beleza e a necessidade vital da família”. Assim, convidou-nos a ter um olhar atento sobre a realidade”.

Por seu turno, o porta-voz do Vaticano, padre Lombardi, confessou aos jornalistas que a decisão de publicar as propostas dos diferentes grupos linguísticos revela “um caminho de abertura e transparência”. As ‘centenas’ de propostas e as mais de 260 intervenções nas sessões gerais, durante a primeira semana, levarão à publicação do chamado ‘relatório do Sínodo’, documento conclusivo da assembleia extraordinária convocada pelo Papa – documento cujo texto final dificilmente será conhecido ou publicado no sábado, mas que será objeto de reflexão nas Igrejas locais, com vista aos trabalhos do próximo sínodo dos bispos.

O diretor da sala de imprensa da Santa Sé revelou, ainda, que o Papa reforçou a equipa de redação deste relatório final com a nomeação do cardeal sul-africano D. Wilfrid Fox Napier e do arcebispo australiano D. Denis Hart. Estes juntam-se a outros seis responsáveis nomeados anteriormente pelo Papa – os cardeais Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, e Donald W. Wuerl, arcebispo de Washington (EUA); D. Victor Manuel Fernández, reitor da Pontifícia Universidade Católica da Argentina; D. Carlos Aguiar Retes, bispo de Tlalneplanta, no México, e presidente do CELAM – Conselho Episcopal Latino-Americano; D. Peter Kang U-Il, bispo de Cheju e presidente da Conferência Episcopal da Coreia; e o padre Adolfo Nicolás, prepósito-geral da Companhia de Jesus.

O Vaticano vai publicar ainda a tradicional mensagem final da assembleia sinodal, este sábado, da responsabilidade de outra equipa de redatores, após ter sido aprovada pelos participantes.

***

Nada se oculta. Vêm à tona as perplexidades, as hesitações, os maus humores, a doutrina, tal como as esperanças, as misericórdias, a magnanimidade de Deus e a sua compaixão pelos dramas dos seus filhos – os pródigos e os “mais velhos”.

2014.10.16

Louro de Carvalho