sábado, 31 de outubro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

QUANDO NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS «SALVOU» A DIOCESE DE LAMEGO

1. Neste dia 30 de Outubro, faz 243 anos que Nossa Senhora dos Remédios foi «usada» como grande «trunfo» para defender a continuidade da Diocese de Lamego, ameaçada de extinção.
 
2. Com efeito, a 12 de Novembro de 1869, saiu um decreto que suprimia algumas dioceses, entre as quais figurava Lamego.
O Bispo da altura, D. António da Trindade, que participou no Concílio Vaticano I, protestou logo «contra semelhante atentado». 
 
3. A 30 de Outubro de 1872, fez uma exposição ao governo em prol da manutenção da Diocese.
Entre os argumentos a que recorreu, apontou «o majestoso templo da Senhora dos Remédios», muito frequentado por fiéis que, «da cidade e de longínquas terras, vêm prestar culto à Virgem perante a Sua formosa imagem trazida de Roma».
 
4. O certo é que a argumentação foi convincente e, ao contrário do que sucedeu com outras, a Diocese de Lamego manteve-se.
 
5. O facto foi festivamente assinalado na cidade.
Em 1881, o município promoveu um solene «Te Deum» e criou o «Dia de Gala» da Diocese.
 
6. Reconhecido pelo empenho do Prelado, a Câmara atribuiu o título de «cidadão benemérito» a D. António da Trindade! 
Fonte: aqui

DIA INTERNACIONAL DA CONVENÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Patriarca de Lisboa aos políticos. Admiram o Papa? Façam o que ele diz

D. Manuel Clemente não se mostrou preocupado com a perspectiva de um governo de coligação com partidos de esquerda e acredita que Cavaco Silva tomou decisão em consciência.

O cardeal patriarca de Lisboa apela aos políticos que se dizem admiradores do Papa Francisco para agirem de acordo com os seus princípios. D. Manuel Clemente falou aos jornalistas numa conferência de imprensa para assinalar o fim do sínodo dos bispos sobre a família, onde também fez uma leitura ao actual momento da política portuguesa, após a indigitação de Pedro Passos Coelho para primeiro-ministro.
“[Cavaco Silva] tomou a decisão que devia tomar, ele é um protagonista muito importante da vida política. Há outros protagonistas - a Assembleia da República, os tribunais, as instituições em geral: tomem também as suas decisões em consciência e sempre tendo em vista o bem comum”, disse.
D. Manuel Clemente sustentou que aqueles que se dizem católicos, “em todas as forças políticas”, e os que confessam a sua admiração pelo Papa Francisco devem apresentar propostas inspiradas nestes valores.“Levem isso à consequência, na perspectiva partidária de cada um, que é legítima”, sublinhou.
O cardeal patriarca realçou que em todos os quadrantes tem havido pessoas que “valorizam muito o que o Papa Francisco tem dito, tem feito.Tomem mesmo em conta, em devida conta e aplicação concreta o que o Papa Francisco tem dito”, pediu o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Nesse sentido, recordou os “grandes princípios” da Doutrina Social da Igreja - dignidade da pessoa humana, bem comum, solidariedade e subsidiariedade - e da “ecologia integral” apresentada pelo Papa na sua encíclica ‘Laudato si’.
O presidente da CEP não se mostrou preocupado com a perspectiva de um governo de coligação com partidos de esquerda, observando que “a vida política portuguesa nos últimos 40 anos tem tido vários protagonistas de direita, de centro e de esquerda, faz parte da sociedade democrática”.
A Igreja Católica, prosseguiu, defende princípios de que não abdica, como a “dignidade de toda a pessoa humana, uma dignidade activa, a dignificação em condições de vida, a começar pela própria vida garantida em todas as suas fases”.
D. Manuel Clemente desejou que seja conseguido o “desenvolvimento integral” de todas as pessoas.
Fonte: aqui

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A carne processada e o cancro: a solução não pode estar na “temperança”?

A indústria da carne e seu impacto na saúde, no meio ambiente e... no nosso bom senso
Bacon
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de publicar um estudo em que indica que a carne processada (salsichas, linguiças, hambúrguer, presunto…) aumenta o risco de desenvolver câncer. O estudo coloca esse tipo de alimentos na mesma categoria do tabaco, do álcool e da poluição do ar.
A notícia, é claro, deu a volta ao mundo e muita gente se pergunta por que a OMS apareceu agora com este relatório: o que há por trás da tentativa de nos “proibir” de comer linguiça?
Não é bom virar os olhos diante de uma recomendação como esta. Mas é o caso de perguntar-nos o que mudou na carne processada para que ela seja agora considerada potencialmente cancerígena.
Não há nada de novo
Em 2013, a revista BMC Medicine publicou um estudo em que analisava a dieta de meio milhão de indivíduos. Em suas conclusões, a pesquisa informou que alimentos como bacon, salame, salsichas e, em geral, os processados industriais de carne, como hambúrguer, almôndegas e lasanhas pré-cozidas, por exemplo, estão associados a um risco maior de doenças cardiovasculares e câncer. Outros estudos revelam as quantidades de nitrito e nitrato que pode haver nas carnes processadas: estes dois elementos, utilizados na conservação das carnes, foram relacionados com casos de câncer tanto em animais (em laboratório) quanto em humanos.
O consumo exagerado
O grave problema que deve ser reconhecido a partir do estudo da OMS é o exagerado aumento do consumo de carne nos últimos anos, afetando não só a saúde das pessoas, mas também a do meio ambiente. A contaminação gerada pela indústria pecuária é semelhante à produzida pelo tráfego de veículos.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) já advertiu que, entre as mudanças necessárias para garantir um futuro mais seguro, é prioritário mudar os hábitos alimentares aumentando o consumo de vegetais, melhorando as práticas agrícolas e a gestão da água e diminuindo o consumo de carne e derivados lácteos.
A virtude da temperança
Os estudos demonstram, mais uma vez, a importância de uma das grandes virtudes cristãs: a temperança: “moderar a atração dos prazeres e procurar o equilíbrio no uso dos bens criados”.
A encíclica Laudato Si’, do papa Francisco, alerta que “o enorme consumo de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres da Terra, especialmente na África, onde o aumento da temperatura, unido à seca, provoca estragos no rendimento dos cultivos”.
A avidez do consumo leva a uma “produção de carne” inconsequente. O problema é também moral, já que nasce da perda do domínio da nossa vontade sobre os nossos instintos e ganâncias.
Por que não vamos à raiz do problema? Moderação e temperança é uma solução que nunca “sai de moda” no desfile de problemas da humanidade.
Fonte: aqui

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Luaty Beirão termina greve de fome. “Não vou desistir de lutar”


O rapper e ativista angolano Luaty Beirão, internado sob detenção numa clínica de Luanda, terminou a greve de fome de protesto, mas avisou que não vai desistir de lutar pelo fim da “greve humanitária e de Justiça” em Angola.
“Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve. Sem resposta quanto ao meu pedido para aguardamos o julgamento em liberdade, só posso esperar que os responsáveis do nosso país também parem a sua greve humanitária e de justiça“, afirma Luaty Beirão, na carta enviada pela família à Lusa e na qual anuncia o fim da greve de fome, que na segunda-feira completou 36 dias.
O músico e ativista, que também tem nacionalidade portuguesa, é um dos 15 angolanos em prisão preventiva desde junho, sob acusação de atos preparatórios para uma rebelião em Angola e de um atentado contra o Presidente da República.
Os restantes 14 aguardam julgamento no hospital-prisão de São Paulo, em Luanda, tendo Luaty Beirão pedido anteriormente para sair da clínica privada onde se encontra por precaução para se juntar aos colegas, em solidariedade.
“À sociedade: Não vou desistir de lutar, nem abandonar os meus companheiros e todas as pessoas que manifestaram tanto amor e que me encheram o coração. Muito obrigado. Espero que a sociedade civil nacional e internacional e todo este apoio dos media não pare”, escreve Luaty Beirão na mesma declaração, sob o título “Carta aos meus companheiros de prisão”.
O ativista angolano reclamava excesso de prisão preventiva, exigindo aguardar julgamento – entretanto marcado para 16 de novembro, em Luanda, – em liberdade, como prevê a lei angolana para este tipo de crime.
Na carta, a que a Lusa teve acesso, Luaty Beirão, que assina com os heterónimos musicais “Brigadeiro Mata Frakuzx” ou, mais recentemente, “Ikonoklasta”, um dos rostos de contestação ao regime angolano, reconhece o apoio, nacional e internacional, pela “libertação” destes ativistas.
“No nosso país muita coisa mudou e outras lamentavelmente se repetem. Soube dos limites serem ultrapassados, com mamãs espancadas e vigílias à porta de igrejas, reprimidas cobardemente. Isto expôs a fragilidade de quem nos governa. E a prepotência, incompetência e má-fé demonstradas na gestão do nosso processo, trouxeram-nos até aqui. Cada decisão contra, acabou por resultar a favor de mais e maior atenção. Ainda assim, a força parece desproporcional”, escreve Luaty Beirão.
Dirigindo-se diretamente aos restantes 14 ativistas detidos, atira: “Não vejo sabedoria do outro lado. Digo-vos o que disse noutras situações semelhantes: Vamos dar as costas. E voltar amanhã de novo. Vou parar a greve”.
Criticando a forma como este processo foi gerido pelas autoridades angolanas, Luaty Beirão afirma que “de todos os modos a máscara já caiu” e “a vitória já aconteceu”.
“E o mérito a seu dono: foi o próprio regime que, incapaz de conter os seus próprios instintos repressivos, foi, a cada decisão, obviando a vã promessa de democracia, liberdade de expressão e respeito pelos direitos humanos”, afirma o ativista.
Acrescenta que os que contestam o regime angolano, liderado desde 1979 por José Eduardo dos Santos, já não são “arruaceiros” ou “jovens revús [revolucionários]“, nem sequer “estamos sós”.
“Em Angola, somos todos necessários. Somos todos revolucionários. Foi assim que o nosso país nasceu, mas, desta vez, lutamos por uma verdadeira transformação social, em paz”, concluiu a carta, assinada por Luaty Beirão.
Fonte: aqui

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Padre português explica documento final do sínodo em que participou como perito



bispos sobre a família na qualidade de perito em pastoral familiar e sublinha os principais pontos a reter do documento final.
O paDuarte da Cunha foi escolhido pelo Papa para participar no sínodo dos dre Duarte da Cunha, que é secretário da Confederação das Conferências Episcopais Europeias, com sede na Suíça, foi um dos escolhidos pelo Papa Francisco para participar no sínodo dos bispos sobre a família na qualidade de perito, tendo marcado presença em todo o processo.
À Renascença, o sacerdote destaca aquilo que entende serem os pontos principais do documento final, que se encontra dividido em três secções.
Que leitura é que faz deste documento?
Eu sublinharia, do primeiro capítulo, uma grande crítica ao individualismo, num momento em que o mundo todo tende para o individualismo, a família surge como antídoto e, ao mesmo tempo, ameaçada por este individualismo.
No segundo capítulo, focaria a questão da família como uma vocação, quer a vocação do marido e da mulher, que têm a vocação para casar-se, quer a vocação que a própria família tem a ser neste mundo, um sinal de amor e de aliança e, por isso, também a ser aquilo que o capítulo explica, ícone da Santíssima Trindade.
E no terceiro capítulo, diria que a grande força é a insistência na importância do acompanhamento, o acompanhamento dos jovens que se preparam para o casamento, acompanhamento dos casais nos primeiros anos, casais com dificuldades, com filhos doentes, ou com idosos, ou em situações de crise, ou divorciados, ou recasados, portanto acompanhar as pessoas.
Também foi essa terceira parte que suscitou mais apreensões, tendo em conta os votos contra...
A terceira parte era muito pastoral, mas, como se foi vendo ao longo de todo este processo sinodal, pastoral e doutrina - ou pastoral e teologia - não podem estar separados. Por isso é claro que, quando se chegou a esse ponto, do que é que vamos fazer, havia questões que não se podem fazer ou outras que se devem fazer por causa daquilo que é a mensagem de Jesus Cristo, aquilo que Jesus Cristo nos ensinou e aquilo que a Igreja sempre nos transmitiu.
E houve alguns pontos em que não era claro se aquilo que a gente estava a propor era só para agradar ao mundo de hoje ou se era exactamente em fidelidade a Deus. Esse foi o ponto de discussão e de debate e que se viu, claro, também pela votação. Há pontos que ainda vão continuar a ser debatidos e discutidos.
Como foi a experiência de participar no sínodo?
Foi muito interessante ver como tudo funciona. Houve oportunidade para falar com gente de todo o mundo, foi muito interessante. Depois, o documento final. Ver como as coisas se fizeram, como as sensibilidades dos bispos foram sendo provocadas. Em certo sentido, vamos vendo como a Igreja é feita através de homens e Deus passa através desses homens. Ás vezes, não percebemos bem como, mas, depois, olhamos para os resultados e pensamos: 'Uau! Deus esteve aqui presente'".
Fonte: aqui

domingo, 25 de outubro de 2015

O Sínodo dos Bispos e as situações regionais de conflito


O Sínodo dos Bispos de 2015 decorreu em torno do tema “A vocação e a missão da família na igreja e no mundo contemporâneo”. No entanto, os padres sinodais tiveram que ter em linha de conta, além das famílias atingidas por marcas situacionais diversas da proposta eclesial e feridas pelo sofrimento, todas as famílias e pessoas que passam por situações de sofrimento, exclusão ou ataques à sua dignidade. O princípio “Deus ama-te como és, embora não se conforme” parece constituir uma velha-nova regra de ouro que decorre o mistério de Deus Amor e Pai misericordioso que chama insistentemente e não sabe abandonar.

Esta postura dos Bispos insere-se na esteira daquela visão humanista da Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo, a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II:

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história.”.

É uma visão humanista assumida pelo Concílio e pelo Pontífice que promulgou as suas deliberações plasmadas nos 16 documentos conhecidos de todos, embora provavelmente pouco lidos e relidos. Tanto o Papa Paulo VI como os diversos padres conciliares manifestaram a disponibilidade de escutar o Espírito e o que Ele diz à Igreja, bem como o que o Espírito fez dizer a outros homens que não tiveram oportunidade de conhecer por dentro a dimensão eclesial.

Assim, já Publius Terentius Afer, no prólogo da sua comedia palliataAdelpfoi: “Homo sum, et humani nihil a me alienum puto” (Sou homem, nada do que é humano me é estranho).

Nesta linha de pensamento, preocupação, sintonia e reflexão, o areópago de mais alto nível eclesial de funcionamento periódico não pôde deixar se ter, na sua oração, palavra e mensagem, a calamitosa situação que se vive no e a partir do Médio Oriente, África e Ucrânia. Isto transpareceu em algumas das declarações dos intervenientes nas conferências de imprensa que o diretor deste pelouro na Santa Sé promoveu a um ritmo quase diário.

***

Não contentes com tudo isto, os padres sinodais, no termo dos trabalhos da XIV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos optaram por uma declaração pública ao mundo sobre a situação

Que se vive no Médio Oriente, na África e na Ucrânia.

Situam-se na condição de reunidos em torno do Sucessor de Pedro e agregam a esta declaração todas as outras personalidades que trabalharam no sínodo: os delegados fraternos, os auditores e as auditoras e os restantes colaboradores.

Além da verificação que fazem das realidades dramáticas, da oração que exercitam, dos apelos que lançam, dos agradecimentos que tecem, das convicções que exprimem e dos ensinamentos que formulam, os participantes no Sínodo confiam à Sagrada Família de Nazaré – Jesus, Maria e José – que experimentou o sofrimento, as suas intenções em relação às famílias em dificuldade, de modo que, em breve, o mundo se torne uma única família de irmãos e irmãs.

É certo que o seu pensamento se dirige, em especial, a todas as famílias do Médio Oriente, vítimas de inauditas atrocidades resultantes de sanguinários conflitos em curso desde longa data e cujas condições de vida se agravaram nos meses e semanas mais recentes – mas sem deixar de exprimir a sua solicitude para com todas aquelas que estão envolvidas por vicissitudes similares.

Porém, os Bispos não se limitam a uma referência genérica. Pelo contrário, especificam a enumeração pormenorizada dos factos iníquos: o uso de armas de destruição em massa; os assassinatos indiscriminados, as decapitações, o rapto de seres humanos, o tráfico de mulheres, o alistamento de crianças, as perseguições por motivos religiosos e étnicos, a devastação de lugares de culto, a destruição do património cultural e outras inumeráveis atrocidades. Tudo isto obrigou, segundo os Bispos, milhares e milhares de famílias a fugir das suas casas e a procurar refúgio noutros lugares, muitas vezes, em condições de extrema precariedade.

Os autores da solene declaração reconhecem que “atualmente estas famílias estão impedidas de regressar e de exercer o seu direito a viver em dignidade e segurança na sua própria terra”. Em violação flagrante dos direitos humanos, estas famílias estão impedidas de contribuir “para a reconstrução e para o bem-estar material e espiritual dos seus países”, o que configura a proibição do exercício dos direitos cívicos, económicos e sociais em oposição à consecução do bem comum e uma inibição de as pessoas cumprirem os seus deveres para consigo próprias, para com as suas famílias e para com as comunidades que integram.

Os Bispos sublinham o “dramático contexto” em que “são continuamente violados os princípios da dignidade humana e da convivência pacífica e harmoniosa entre as pessoas e os povos”; e mais do que isso, está em causa a sonegação clamorosa dos “mais elementares direitos elementares” como são os direitos “à vida e à liberdade religiosa”, bem como “o direito humanitário internacional”. Trata-se de situações inaceitáveis neste terceiro milénio de cristianismo e de civilização a que o iluminismo teima em não chegar.

Face a este contexto, os Bispos reunidos em assembleia sinodal exprimem a sua proximidade solidária e orante junto dos patriarcas, bispos, sacerdotes, consagrados e fiéis, bem como a todos os habitantes dos países do Médio Oriente. Além disso, em concreto: pedem a libertação de todas as pessoas sequestradas; e querem que as suas vozes se unam ao grito de tantos inocentes:

Não mais violência, não mais destruições, não mais perseguições! Cessem imediatamente as hostilidades e o tráfico das armas!

Oxalá que, tal como Deus os ouve, também os decisores escutem a sua voz e os humilhados ouçam o grito destes senadores da Igreja, servindo-lhes de refrigério e de alimento da esperança.

***

Mas os Bispos não se limitam à verificação da realidade, à oração solidária e ao grito de pacificação. Têm também uma palavra de gratidão para com todos aqueles países que se disponibilizaram efetivamente a acolher os refugiados, designadamente a Jordânia, o Líbano, a Turquia e numerosos países europeus. E, ao mesmo tempo, lançam um novo apelo à Comunidade internacional para que faça com que se ponham de parte “os interesses particulares” e se busquem soluções com recurso aos “instrumentos da diplomacia, do diálogo e do direito internacional”.

Por outro lado, afirmam a sua convicção de que a paz no Médio Oriente não se obterá com “escolhas impostas pela força”, mas com “decisões políticas respeitadoras das particularidades culturais e religiosas de cada uma das Nações e das várias realidades que as compõem”.

Talvez tenha sido este um dos mais graves erros do dito Ocidente ao querer impor nalguns países um regime democrático concebido, gizado estruturado à maneira dos países que se autoproclamam livres e democráticos.

Afirmam-se outrossim os Bispos convictos de que “a paz é possível” e de que “é possível acabar com as violências que, na Síria, no Iraque, em Jerusalém e em toda a Terra Santa, envolvem cada vez mais famílias e civis e inocentes e agravam a crise humanitária”. E creem e ensinam que a “reconciliação é fruto da fraternidade, da justiça, do respeito e do perdão”.

Talvez aqui pudesse ser colhida a lição do exemplo de Timor-Leste, que no seguimento do termo da guerra civil e da independência, propôs e conseguiu, pelo menos, em muito grande parte, o desígnio nacional da reconciliação.

Para sustentarem as suas convicções atinentes à fraternidade, justiça, respeito e perdão – fatores e fautores da paz – citam as palavras do Papa Francisco em Jerusalém, a 26 de maio de 2014, dirigidas a “todas as pessoas e comunidades que se reconhecem em Abraão: respeitemo-nos e amemo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs! Aprendamos a compreender a dor do outro! Ninguém instrumentalize pela violência o nome de Deus! Trabalhemos em conjunto pela justiça e pela paz!”.

Firmam-se também nas palavras de Bento XVI no n.º 19 da sua exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente, de 14 de setembro de 2012: “Possam os judeus, os cristãos e os muçulmanos entrever no outro crente um irmão a respeitar e a amar, para darem – em primeiro lugar nas suas terras – um bom testemunho de serena convivência entre filhos de Abraão”. 

Por isso, os Bispos reunidos em sínodo só podem ter um “único desejo”, igual ao das demais pessoas de boa vontade, que fazem parte da grande família humana: que se possa viver em paz.

Por fim, os padres sinodais, a partir de Roma, tornam extensivo o seu pensamento e oração – com igual preocupação, solicitude e amor – a todas as famílias que se encontram envolvidas em situações semelhantes noutras partes do mundo, referindo, em especial, a África e a Ucrânia. E declararam expressamente que as tiveram muito presentes durante os trabalhos da assembleia sinodal, do mesmo modo que as famílias do Médio Oriente. Também por elas pedem “o retorno a uma vida digna e tranquila”.

***

Supondo que esta oportuna declaração sinodal teria sido mais completa, se no alinhamento das várias declarações de Francisco, tivesse incluído também o reparo sobre a exploração que determinados intermediários fazem incidir sobre refugiados e migrantes, frustrando-lhes a esperança, conduzindo-os à desagregação familiar, à invalidez e à morte, bem como sobre a postura de pensamento e de ação de algumas forças políticas, dirigentes governativos e agentes de autoridade em diversos países da União Europeia contra os migrantes e refugiados, incluindo as instituições europeias que andam de cimeira em cimeira enquanto as pessoas sofrem.

E os que sofrem estão demasiado tempo à espera.

E o Reino de Deus, que não é deste mundo, prega-se neste mundo a todos, mas dirige-se sobretudo aos excluídos, aos não reconhecidos, aso deixados à sua sorte.

Bem-aventurados os que estão em saída a lutar pela paz e pela justiça!

2015.10.24 – Louro de Carvalho

sábado, 24 de outubro de 2015

O NASCIMENTO DE UM LICEU - LICEU DE LAMEGO


De  Armando Rica

Completam-se, no presente, 135 anos desde a data em que foi publicado o decreto que viria a instituir, definitivamente, o Liceu de Lamego.
Este facto relevante justifica, cremos, deixar nesta pequena publicação uma abordagem, embora sucinta e de leitura rápida, sobre as origens e os primeiros passos do Liceu de Lamego, cujas raízes devem ser encontradas nas antigas “Aulas Secundárias de Lamego” que funcionavam nos antigos Seminário e Paço Episco­pal.
Também se incluem algumas notas genéricas sobre o ensino liceal em Portugal.
Lamego, 2015

“Ando na catequese, não preciso de ir a Moral”


Ouve-se, por vezes, e com alguma frequência, tanto por parte de pais como de alunos, afirmações do tipo: “Ando na catequese, não preciso de ir a Moral”; “Já fiz a comunhão, para quê frequentar a aula de Religião?”
Ora bem, existe alguma confusão e até mesmo ignorância relativamente a esta matéria. EMRC e Catequese, embora operando sobre a mesma realidade não são a mesma coisa, não são alheias e uma não exclui nem supõe a outra, quando muito, completam-se. Vejamos então o domínio específico de uma e de outra.
A EMRC é:
- Disciplina escolar, como as outras:
• com a sistematização e o rigor das outras disciplinas.
• com a seriedade e profundidade (na apresentação da mensagem cristã)
• em diálogo interdisciplinar (e não como um acessório)
- Tem por objectivo ajudar a compreender a mensagem cristã em relação:• aos grandes problemas existenciais
• às diferentes visões do mundo presentes na cultura (dadas pelas outras disciplinas)
• aos problemas morais fundamentais da humanidade
O Papa João Paulo II afirmou, a propósito desta disciplina, que o Ensino Religioso Escolar (EMRC) constituía um contributo valioso para a construção da Europa, cuja matriz é cristã. A pessoa humana está no seu centro e, como tal, deve formar personalidades ricas em interioridade, dotadas de força moral, abertas à justiça, solidariedade e paz, capazes de orientar bem a sua liberdade. A disciplina de EMRC tem por meta a formação integral e deve realizar-se de acordo com as finalidades da Escola. A EMRC deve promover o conhecimento da fé cristã, segundo os métodos e finalidades da Escola (acto de cultura), dar a conhecer o património do cristianismo, de forma documentada, em diálogo aberto, garantindo o carácter científico do processo didáctico próprio da Escola. Deve também levar à redescoberta da matriz cristã da Europa, evidenciar as realizações históricas da fé cristã: espirituais, éticas, filosóficas, artísticas, jurídicas e políticas
A CATEQUESE, por sua vez, tem como finalidades:• a iniciação ou amadurecimento da Fé pessoal ou comunitária,
• a busca das razões de pertença a uma comunidade,
• a experiência de comunhão, confessante e celebrativa da fé.
A sua linguagem é própria da comunidade eclesial: símbolos da fé, publicamente confessados e professados, com terminologia própria, celebrativa e ritualizada. A sua metodologia encontra-se integrada e articulada com o processo de evangelização e de pastoral da comunidade eclesial.
Sintetizando diríamos que: A EMRC tem por finalidade o conhecimento do fenómeno da religião; a Catequese, o acto de fé.
A EMRC ensina aquilo em que a Igreja acredita, a Catequese ensina a acreditar no que a Igreja ensina.
A EMRC fornece um conhecimento, um saber teórico; a Catequese propõe uma experiência, uma sabedoria prática.
A EMRC faz uma interpretação racional e histórica; a Catequese faz uma proposta de vida.
A EMRC elabora os seus saberes com a ajuda dos instrumentos próprios da pesquisa científica; a Catequese é uma sabedoria imediata (não lhe falta o momento da mediação cognoscitiva, mas esta não é decisiva para a fé: o fiel não acredita porque conhece, mas sabe acreditando).
Exemplificando: A propósito do tema “Oração”. Na aula de EMRC o professor fala aos seus alunos do que significa orar para os cristãos; na Catequese, o catequista ensina não só, o significado da oração como igualmente ensina a orar.
Na Catequese há endoutrinamento, na EMRC, não.
Na EMRC a qualificação profissional do professor é garante da sua competência e da sua presença na escola.
Fonte: aqui

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Depois da infidelidade, é possível salvar o casamento?

Há uma maneira de encontrar a cura para esta dor, segundo os especialistas
Couple in crisis - pt
Veja aqui

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Site de relacionamentos só para católicos

Plataforma quer ajudar católicos a encontrar par para casar.
Marta e António Pimenta de Brito são o casal criador do 'Datescatolicos'



Chega esta quinta-feira a Portugal o primeiro site de relacionamentos só para católicos. A plataforma Datescatolicos fica online às 12h00 e foi criada por Marta e António Pimenta de Brito, um casal português que pretende ajudar todos os católicos que procuram uma cara-metade para casar.

Marta, de 33 anos, e António, de 34, conheceram-se em 2010 depois de Marta pedir a uma amiga para lhe ajudar a arranjar um marido. Acabaram por ficar noivos em março do ano seguinte e casar em julho. Inspirados na própria história, querem agora ajudar todas as pessoas que querem casar mas ainda não encontraram o par perfeito.

"Há muita gente que quer casar e não encontra ninguém. Temos recebido mensagens de pessoas de idade viúvas ou divorciadas, mas a grande maioria são jovens solteiros", revelou Marta Pimenta de Brito ao Correio da Manhã.
Veja o site de relacionamentos só para católicos
Inscrição implica questionário de inspiração cristã
Quem quiser inscrever-se no Datescatolicos tem de pagar uma inscrição de cinco euros mensais e responder a um questionário de inspiração cristã. As perguntas serão relacionadas com os valores de cada um.

"O valor da inscrição e o questionário servem de proteção mas também são necessários por ser uma plataforma complexa e muito moderada. O que está por trás a nível técnico é muito dispendioso", explicou a criadora do site.

No perfil, cada utilizador poderá dizer qual é a cor dos olhos, a altura, publicar várias fotos e até partilhar com os restantes utilizadores quais são os santos que mais o inspiram. Apesar de ainda não estar online, a plataforma de relacionamentos só para católicos já tem mais de 1200 pessoas interessadas.

Para o futuro, o casal planeia organizar encontros offline entre os utilizadores do site. Segundo os exemplos que têm de outros países em que a ideia já foi colocada em prática "há até quem arranje padrinhos de casamento entre utilizadores do site que acabam por tornar-se amigos".

Conhecer católicos de outros países
O facto de já existirem sites como este na Alemanha – país pioneiro tem
plataforma de relacionamentos católicos há 10 anos –, Suíça, Áustria, Croácia, Hungria, Letónia, Lituânia, República Checa, Eslováquia e Eslovénia vai possibilitar que os utilizadores portugueses possam encontrar par romântico no estrangeiro.

"Basta escolherem ficar visíveis para utilizadores de outros países", acrescentou Marta Pimenta de Brito.
Fonte: aqui



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O actor perdido na personagem


Estamos perante um daqueles casos em que a provocadora tese de Nietzsche, "não há factos, só interpretações" parece mais consistente do que nunca. Mas como acontece com todos os processos dramáticos, também neste folhetim da formação de governo, o bom actor é aquele que representa suficientemente bem para ser convincente, mas preserva, ao mesmo tempo, a distância crítica bastante para não se confundir com a sua personagem ao ponto de perder a chave de regresso à sua própria pessoa. Ao fechar a porta ao diálogo com a Coligação de direita, na base de alegadas divergências políticas, António Costa (AC) parece cada vez mais perdido dentro do personagem que construiu para se esconder da sua derrota eleitoral de 4 de Outubro: o pacificador das esquerdas. O personagem que tomou conta de AC é um futuro primeiro-ministro capaz de sarar um século de feridas entre mancheviques e bolcheviques, com algumas reuniões amenas e sorrisos amáveis. O problema é que a distância entre a direita e o PS, em Portugal e nas respectivas famílias europeias, é de quantidade, enquanto a diferença com os partidos à sua esquerda é de visão do mundo. É ontológica. Tem muito sangue, suor e lágrimas pelo meio. As esquerdas de que AC se sente tão próximo, são feitas de fibras, memórias, sonhos, visões de futuro para a Europa que não permitiriam sobreviver mais de um semestre a um governo minoritário do PS. O AC que pediu maioria absoluta na campanha eleitoral parecia perceber isto. O personagem em que AC se refugiou desde a derrota eleitoral, contudo, parece acreditar no milagre da "facilitação" (uma palavra querida do PSD) à esquerda. O PR vai seguir o guião constitucional. Vamos ver se o PS ajuda o seu líder a sair do transe em que parece mergulhado, ou se, pelo contrário, a hipnose se torna inquietantemente contagiante.
Viriato Soromenho Marques, DN 2015.10.20, aqui

"Dê-me a mão!"


Já lá vão muitos anos. Acompanhava então um grupo de pessoas que peregrinavam até Fátima.
No autocarro, havia falado com os peregrinos sobre promessas, sacrifícios violentos, velas, etc. Senti que as pessoas me ouviram e percebi gestos de assentimento.
Disse-lhes então que o grande sacrifício que Deus nos pede é a conversão, mudança de vida, para pautarmos a nossa existência pelo ar fresco e novo do Evangelho. É Jesus quem nos desafia: "Convertei-vos e acreditai no Evangelho".
Em Fátima, já noite entradota, passava pelo recinto na companhia de um grupo de jovens. A certa altura apercebi-me de uma senhora que, no sentido Cruz Alta - Capelinha das Aparições,  caminhava ajoelhada. Ao aproximarmo-nos, dei conta que era uma das do nosso grupo. Fiz sinal aos jovens para seguirem em frente e dirigi-me à referida senhora, reconheço que com alguma impetuosidade:
- Então foi isso que falámos no autocarro? Acha que é isso que Deus quer?
A pessoa olhou para mim com ar dorido, continuou a caminhar de joelhos e murmurou:
- Dê-me a mão!
E assim fiz. Sem mais palavras. Com um misto de sentimentos: misericórdia e alguma revolta.
Quando chegámos à Capelinha, cada um esteve um tempo em oração. Não me recordo o que então disse à Mãe diante da sua Imagem. Só sei que, ao sairmos, a senhora com um profundo e feliz sorriso me disse:
- Pronto, agora estou bem. Obrigado.


*Muitos referem Igreja como incentivadora de tão brutais sacrifícios físicos. Outros acusam  a hierarquia da Igreja de não atuar, não esclarecer, não formar. Não é isso.
A Igreja, na fidelidade ao Evangelho, fala de conversão, mudança de vida, no sentido de conformarmos a nossa existência com a Palavra e a Pessoa de Jesus Cristo. É certo que a conversão exige esforço, continuidade, perseverança. Esse é o sacrifício libertador a que somos chamados. Por exemplo, se uma pessoa é alcoólica, e segue numa linha de conversão, claro que para se libertar do vício vai passar por sacrifícios que sente na pele.


*Vindos do fundo dos tempos, persistem nos genes de muita gente, rastos de uma religião sacrificial, ligados a antigas religiões pagãs, que se manifestam em sacrifícios físicos brutais para agradar à divindade. E nem 21 séculos de cristianismo conseguiram ultrapassar esta realidade.


*Cada pessoa é um mistério. "O coração tem razões que a razão desconhece."  Cada pessoa tem a sua idiossincrasia, os seus sentimentos, a sua psicologia religiosa. Muitas vezes, estes aspetos situam-se à margem das normas, diretrizes, orientações da organização religiosa a que pertence e realizam-se numa maneira especial de encontro com Deus.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Quero pagar o mal com o bem

O Juiz do Tribunal Superior, Carl Fox, que tem leucemia e necessita de uma doação de medula óssea, recebeu recentemente uma carta de um detido que ele ajudou a colocar atrás das grades. O preso, Charles Alston de 62 anos, escreveu a Fox oferecendo-se para ser seu doador. Fox foi o procurador federal durante o seu julgamento.
Em virtude do risco de doenças infecciosas, os presos não estão autorizados a estar no registo de doadores, de modo que Alston ficou incapacitado de ser doador de Fox. O juiz, no entanto, ficou tocado pelo seu gesto. "Ele tinha todos os motivos para me odiar, considerando onde ele está e a sentença que lhe foi dada", disse Fox emocionado.
Este juiz da Carolina do Norte – Estados Unidos – foi diagnosticado com cancro no sangue em abril. Desde então vem procurando um doador para realizar o transplante de medula óssea. A carta do detido Charles Alston, enviada há tempos, foi uma surpresa bem-vinda para Fox em meio duma batalha contra a doença. Na carta, Alston escreveu:
"O senhor foi o procurador federal durante o meu julgamento, onde recebi uma sentença de 25 anos… Não há ódio em meu coração contra si… Eu sei que você está precisando de um doador de medula óssea. Eu posso não ser compatível, mas estaria disposto a fazer o sacrifício, se necessário."

Alston, que está a cumprir a sua sentença de 25 anos por assalto armado ao Franklin Correctional Center, na Carolina do Norte, disse ainda que rezava para que Deus lhe desse uma recuperação total.
"Eu tinha um enorme ódio ao Sr. Fox, por me ter condenado por todo este tempo. Mas eu comecei a ir muito à igreja e pensei que devia fazer bem a quem me quis fazer mal".
Fonte: aqui

domingo, 18 de outubro de 2015

Uma boa semana, especialmente para si!

Sorria à vida! Não deixe que os contratempos lhe machuquem o coração.


"Quero cantar, ser alegre,
Não me deixo entristecer.
Quem é triste morre cedo,
Inda não quero morrer."
(Francisco de Lacerda)





sábado, 17 de outubro de 2015

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lucílio Teixeira recebeu a Medalha de Ouro do Município: Homenagem ao Homem, Autarca e Provedor












Por unanimidade da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal de Tarouca, foi atribuída a Medalha de Ouro do Município ao cidadão Lucílio Teixeira, antigo Presidente da Câmara de Tarouca e ex-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tarouca.


Começou por usar da palavra o P.e Doutor Vitor Carvalho para falar sobre "CIDADANIA". Disse que " cidadania é uma consciência bem formada e a formar-se" e que "só é livre quem é responsável por si e pelos outros. Quem não cumpre os seus deveres deixa de ter direito aos seus direitos."
Uma vez que "o ser humano não é descartável, e que há "seres humanos a quem não dão direito de ser cidadãos", lembrou que a "casa da humanidade é o mundo", por isso, "cidadania é cuidar da humanidade, urgindo "trabalhar o presente e preparar o futuro."
"Cidadania é conhecimento, educação, caridade", salientando os males que atentam contra a cidadania, como " a indiferença" e o "egoísmo".  " Cidadania é avessa ao vazio", por isso, ao "homem light" que o nosso tempo patenteia. Acrescentou ainda que "falar bem também é cidadania".
Referiu-se ao Céu como a "pátria plena da cidadania, do bem e do bem comum".
Por fim, sublinhou que cidadania é também " gratidão e reconhecimento".


No uso da palavra, o Dr. Domingos Nascimento, Presidente da Assembleia Municipal, após agradecer a exposição do P. Vitor e a presença das pessoas, disse que "abraço de humanidade, equidade e felicidade humana são o novo conceito de desenvolvimento", salientando que "Tarouca é grande quando consegue congregar o trabalho de muitas e trabalhar em prol de todos".
Referindo-se ao homenageado, Lucílio Teixeira, frisou que ele "soube sair de si para se unir aos outros", tornando-se na "personagem mais relevante do Concelho na 2ª metade do século XX". Cidadão ativo, construtor de mudanças físicas e psico-sociais, pessoa de convicções, capaz de ver mais longe do que a sua época, contundente, combativo, de vincada personalidade, disponível para chamar a todos a uma intervenção mais ativa. Para acrescentar: "Mudar é dar vida à esperança."


O Dr. Carlos Andrade, em representação da União das Misericórdias, salientou os traços que o homenageado deixou no contexto da União das Misericórdia: pessoa disponível e confiável. Falou ainda das várias tarefas que Lucílio Teixeira desempenhou ao serviço da União das Misericórdias, das obras de que foi responsável, da competência revelada.


O Presidente da Câmara, Valdemar Pereira, disse que, mais de metade dos 70 anos de vida do homenageado, "foi dedicada à causa pública". Depois de salientar a importância da estabilidade familiar para a estabilidade no exercício de cargos públicos, referiu que Lucílio Teixeira "viu para além do horizonte e pôs em prática o seu projeto". Nos 12 anos de executivo (2 como vereador), quase todo o concelho recebeu saneamento e abastecimento de água, que não são "obras eleitoralistas", porque estão enterradas. A (então) vila expandiu-se para oeste e o Castanheiro do Ouro desenvolveu-se imenso. Para não falar das acessibilidades, como a construção da 329.


Por fim, o homenageado, Lucílio Teixeira, começou por afirmar que em "Tarouca vale a pena viver, pelo desenvolvimento e pela abertura de mentalidades". Referindo-se a combates políticos de outros tempos, salientou que então a luta era cara a cara, ao contrário do que hoje acontece em que a luta é pelas costas.
Disse que é preciso "esperar pela nossa vez", pois "as pessoas apressadas podem atropelar outros", frisando que "temos que pensar nos outros para os podermos ajudar", já que é preciso "arrancar com um processo de envolvência social", inserindo pessoas numa dinâmica de trabalho.
Agradeceu à família, a todos as pessoas que com ele trabalharam na Câmara, a começar pelo Prof. António João, aos políticos, àqueles que com ele trabalharam na direção da Santa Casa, aos funcionários com quem lidou, da Câmara e da Santa Casa. Neste contexto, referiu a importância de ser reconhecido o mérito profissional dos colaboradores, desde que com sentido de justiça e equidade.
Por fim, partilhou a homenagem com as instituições que serviu.

José Sócrates libertado


Juiz Carlos Alexandre muda medida de coacção aplicada ao ex-PM e ao amigo de longa data Carlos Santos Silva. Estão proibidos de se ausentarem do país.
A partir de hoje, José Sócrates pode sair quando quiser de sua casa. Apenas está impedido de sair do país.

Veja aqui.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Cardeal-patriarca preocupado com «instabilidade»

O cardeal-patriarca disse seguir com “preocupação construtiva” o atual momento político português e considera "mais natural” que o acordo surja entre os partidos da coligação (PSD/PP) e o PS, que compõem "uma grande maioria no próximo Parlamento".
“O que sobretudo me preocupa é que, se alguma instabilidade continuar, possa pôr em causa alguma consolidação que efetivamente se tem feito, atendendo aos dados que vão sendo publicados nacional e internacionalmente. Acredito que, quer relação a essas forças quer em relação às outras duas forças [Bloco e CDU] que têm agora mais expressão parlamentar, vingue o interesse nacional”, revelou D. Manuel Clemente à Rádio Renascença, esta quarta-feira à noite.
O prelado português recordou o resultado das eleições legislativas de 04 de outubro e assinalou que juntando a coligação ao PS “isto forma uma grande maioria no próximo Parlamento”.
“Parece-me mais natural que o acordo surja dentro deste conjunto do que fora deste conjunto”, observou.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa recordou que nos últimos anos, desde que Portugal pediu assistência internacional, “houve um caminho que se seguiu e que estava mais ou menos enquadrado por um acordo que tinha na base três forças políticas (PS; PSD; CDS/PP), com divergências quanto aos ritmos, mas uma base comum de entendimento nacional e internacional”.
Fonte: aqui

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

17 de outubro - Dia Mundial para a Erradicação da Miséria

Papa associa-se a Dia Mundial
para a Erradicação da Miséria


O Papa associou-se hoje no Vaticano ao Dia Mundial para a Erradicação da Miséria, que se celebra a 17 de outubro, e defendeu os direitos “fundamentais” de todos os seres humanos.
“Este dia propõe-se aumentar os esforços para eliminar a pobreza extrema e a discriminação, assegurando que cada um possa exercitar plenamente os seus direitos fundamentais”, disse Francisco, durante a audiência pública que decorreu na Praça de São Pedro, perante cerca de 30 mil pessoas.
“Estamos todos convidados a tornar nossa esta intenção, para que a caridade de Cristo chegue e alivie os irmãos e irmãs mais pobres e abandonados”, acrescentou.
Para assinalar esta data, a EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza está a organizar a campanha nacional ‘A pobreza não…’, que pretende sensibilizar para “as múltiplas questões da pobreza”.
Ainda hoje, o Papa enviou uma mensagem aos participantes no III Fórum Mundial do Desenvolvimento Económico Local, que decorre em Turim, considerando “urgente e indispensável” a concretização da ‘Agenda 2030’, da ONU.
“A medida e o indicador mais simples e adequado para o cumprimento da nova agenda para o desenvolvimento será o acesso efetivo, prático e imediato, para todos, aos bens materiais e espirituais indispensáveis”, precisou.
Entre esses bens estão a habitação, o trabalho digno, a alimentação, a água potável, a liberdade religiosa e a “liberdade de espírito e de educação.
Segundo o Papa, a única forma de atingir estes objetivos é “trabalhar a nível local”.
“As recorrentes crises mundiais demonstraram que as decisões económicas que procuram promover o progresso de todos através da criação de novos consumos e do aumento permanente do lucro são insustentáveis para o próprio andamento da economia global”, alertou.
Nesse sentido, falou mesmo de decisões “imorais” que deixam de fora das preocupações económicas a questão do que é “correto” e do “bem comum”.
Francisco apela por isso à criação de economias e empresas “livres” da ideologia, de “manipulações” políticas e da lei do “lucro a todo o custo”, para que possam estar “verdadeiramente ao serviço de todos e reintegrem os excluídos na vida social”.
Fonte: aqui

Saiba quem são os 24 candidatos a CARRO DO ANO 2016


Veja  aqui

Seminário "AVC... E AGORA?..."

SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE TAROUCA
O cartaz e o programa provisório do Seminário "AVC... E AGORA?...", onde se irá abordar temas relacionados com a prevenção e os cuidados a ter pós AVC.


Ver aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vamos ter um governo de esquerda?


Nada percebo de jogos, estratégias, métodos e jogos políticos. Mas como cidadão, preocupa-me o bem comum, o interesse do país, o bem-estar dos portugueses. Com a CEP partilho "a 'preocupação' de todos os que querem o “bem do país”, deixando votos de que “se procure que aconteça a estabilidade governativa, naturalmente com a toda a responsabilidade daqueles que vão assumir o Governo”.
No plano democrático, não receio um governo de esquerda. Há velhos papões que já não papam nada. Os tempos mudaram e a situação é diferente. Não concordo com muitas intervenções de partidos da direita que continuam a "ghettizar" o PCP e o Bloco como se ainda vivêssemos em 1975, quando esquerda e direita mutuamente se "ghettizavam".
 Estamos em 2015 e a situação é outra. O PCP e o BE são partidos perfeitamente enquadrados no nosso sistema político e agem dentro das regras democráticas e constitucionais.
Isto não quer dizer que concorde com o ideário desses dois partidos. Nada disso. Em muitas coisas divirjo profundamente, a começar pela sua matriz ideológica.
Mas o fato de não temer minimamente um governo de esquerda, não me deixa sossegado em relação ao futuro do país. Como irá reagir a União Europeia de que somos parte integrante? Como irão reagir os credores? Qual a postura dos empregadores nacionais? E os investidores estrangeiros, como se portarão? Como vai ficar a nossa dívida externa? E se o descontrolo das contas públicas obriga a nova intervenção externa com todo o cortejo de sofrimentos que muito bem conhecemos? E a subida de impostos provocada pela despesa social?
Temos o caso do Syriza, na Grécia. Depois da radicalização inicial com inevitáveis confrontos com a Europa, houve novas eleições. Agora o Syriza, despido dos elementos mais radicais que se afastaram, voltou a ganhar as eleições. Mais realista, o governo grego está a encontrar pontos de convergência com a Europa de que faz parte. Há quem fale num Syriza social-democrata...
A coligação PSD-CDS venceu as eleições com maioria relativa. A possibilidade do próximo Governo vir a ser formado pelos partidos da esquerda parece estar a ganhar fôlego. Se acontecer, será uma novidade em Portugal. Mas na Europa há vários exemplos de governos liderados por partidos que não ganharam as eleições. Dinamarca, Luxemburgo e Bélgica são alguns exemplos. Por sinal,  países pequenos como o nosso, embora com um nível de vida muito superior.
Ninguém dá o que não tem. O problema dos partidos de esquerda é querem dar o que não há para dar. Muita ênfase na distribuição da riqueza e menor preocupação com o aumento da riqueza nacional, investimento produtivo, incentivo ao patronato. Só uma economia progressiva permitirá melhor distribuição da riqueza.
Claro que não acredito no coletivismo, estilo Coreia do Norte. Nem imagino sequer o PC e o BE a querem conduzir o país nesse sentido e segundo esse estilo. O país democrático jamais o toleraria.
Há ainda a questão do PS. Será que, ao encostar-se assim à esquerda, não correrá o risco que correu o seu correspondente grego, o PASOK? Aliás são já conhecidas as posições de alguns socialistas que discordam abertamente de um governo do PS em coligação ou com o apoio dos comunistas e bloquistas. Não haverá jogos de interesses, conseguindo António Costa transformar um derrota eleitoral numa vitória governativa e assim tentar escapar à inevitável confrontação dentro do seu partido?
Pelo menos penso que, com um governo apoiado pelo PC, diminuirão muitos as greves constantes que se verificam nalguns setores de atividade como os transportes públicos. Mas isso sou eu a pensar.
Vamos ver. Têm a palavra o Parlamento e o Presidente da República. Os cidadãos aguardam atentos e vigilantes. O país tem pressa! Tudo pode acontecer.
O atual presidente da República, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com Mário Soares, nunca caiu nas graças da comunicação social. Algumas posições não me têm agradado - o fato de chamar Passos Coelho, após as eleições, para desenvolver diligências com vista a avaliar a possibilidade de constituir uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade, foi uma delas. Penso que em primeiro lugar devia ter ouvidos todos os partidos com assento parlamentar. Mas a História fará justiça. Dentro do seu estilo e maneira de ser, Cavaco ajudou muito o país.

domingo, 11 de outubro de 2015

Um exemplo que vem da Missa no Lar




Como de costume, na tarde do último sábado fui celebrar Missa ao Lar da Santa Casa da Misericórdia de Tarouca.
Também como é costume, encontrei as duas ministras extraordinárias da Comunhão a preparar a celebração com a assembleia.
Conheço o processo. Estas duas senhoras preocupam-se em conhecer as leituras da Missa. Depois escolhem os cânticos de acordo com as referidas leituras. E, garanto, sempre com fina sensibilidade. Depois tiram fotocópias dos cânticos e distribuem pelas pessoas que, na assembleia, sabem ou podem ler. Tem então lugar o ensaio antes da Eucaristia. Não sem antes se preocuparem com  os leitores, as velas, as alfaias sagradas... tudo. Nota-se a empatia entre as duas senhoras e a assembleia.
Muitas vezes ouvem-se referências à Missa apenas centradas no padre. Porque fala bem ou não diz nada; porque demora muito ou é breve de mais; porque sorri ou é carrancudo; porque fala da Palavra de Deus ou é moralista; porque canta bem ou não canta; porque fala ao coração ou é teórico; porque atrai ou afasta....
Esta gente vê a Missa como um espetáculo em que o padre é (ou não é) o artista. Nada mais errado. A Missa não é um espetáculo, é uma CELEBRAÇÃO. Uma assembleia celebrante, presidida pelo ministro ordenado, louva, bendiz e aclama o seu Senhor e seu Deus.
A beleza da celebração eucarística tem muito a ver com a participação dos membros da assembleia, onde todos são chamados a ser participantes e não espetadores.
Quando cada um dá o que pode para que a celebração decorra com beleza, encanto e participação, então a Missa torna-se a festa do povo de Deus.
Aquela assembleia tão simples, maioritariamente formada por velhinhos, muitos deles em cadeiras de rodas, é  participativa, viva, bela. Graças ao trabalho dos leigos que a dinamizam e preparam a Eucaristia.
Pode ser assim em todas as igrejas e capelas por esse mundo fora. Basta que os leigos queiram exercer a sua vocação batismal.

sábado, 10 de outubro de 2015

Jogos Florais do Vale do Varosa 2015


Veja aqui:
- Regulamento
- Prémios
- Dados do concorrente
- Cartaz



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Centro Paroquial Santa Helena da Cruz






Vamos lá ver se conseguimos terminar em 2016...
Era tão bom!

Assim Deus nos ajude e a ajuda das pessoas e das instituições não nos falte!

Avistando do Centro Paroquial





quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Ter fé é também agradecer

Tinha estado comigo havia poucos dias. Estava à espera do primeiro filho. Agora vi-a já a sair da Missa. Que teria acontecido?
Em poucas palavras fiquei esclarecido. E edificado! O marido tinha ficado em casa com a criança. Iria a outra missa. Ela não podia deixar de agradecer a Deus tudo ter corrido bem.
– Quase que nem senti as dores! E a criança é perfeitinha!!!...Habituado a que muitos casais deixem a missa logo após o casamento, sempre senti uma simpatia diferente pelos casais jovens que continuam a ser fiéis aos seus deveres religiosos após o casamento. E agora esta lição:
– Não podia deixar de agradecer a Deus...
Há muita gente que só se lembra de Deus quando precisa d’Ele. Por isso um exemplo assim é luz que não deve ficar debaixo dum alqueire.
Fonte: aqui

Só nestas alturas é que se lembram de nós!




Os meios pequenos, e ainda mais os do interior, raramente fazem parte do menu da comunicação social.
Política, desporto, música, teatro, fama, riqueza e poder, escândalos, crimes e quejandos encharcam os meios de comunicação social. Notícias, entrevistas, comentários, reportagens...
Mas levar os portugueses a Portugal e Portugal aos portugueses não faz parte da ementa comunicativa.
A não ser que... haja tragédia. Aí sim, aparecem, bisbilhotam, esmiuçam...
Se prestarmos atenção àquilo que a comunicação social diz das nossas terras, concluiremos que são horríveis, pois só o horrível aparece.
Mas não é verdade, nem de perto nem de longe. As nossas gentes são boas, generosas, laboriosas, sãzinhas. A exceção apenas confirma a regra.
Uma comunicação social ao serviço da verdade não ocultará tragédias, mas também não ocultará o que de bom e de belo germina e cresce nas terras do interior.
E o público, consumidor de comunicação, tem direito à verdade toda.


Uma senhora amiga costuma dizer que vê muitas telenovelas e explica porquê. Para ver misérias, tragédias, doenças, escândalos, guerras e guerrinhas, não vale a pena. Já bastam os males que lhe batem à porta.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

E agora?

A propósito das eleições legislativas no dia de São Francisco


Veja aqui

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Cavaco convida Passos a procurar "solução governativa" estável

Portugal precisa de um Governo "estável" para os próximos anos e “este é o tempo do compromisso”, apelou o Presidente da República, num recado aos partidos da coligação PSD/CDS e ao PS.


                                                          
O Presidente da República convidou o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, a "avaliar as possibilidades de constituir uma solução governativa" que assegure um executivo "estável e duradouro".
"Tendo em conta os resultados das eleições para a Assembleia da República, em que nenhuma força política obteve uma maioria de mandatos no Parlamento, encarreguei o Dr. Pedro Passos Coelho de desenvolver diligências com vista a avaliar as possibilidades de constituir uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do país", afirmou o chefe de Estado, numa comunicação ao país.
A declaração de Cavaco Silva foi feita depois de uma reunião com o líder do PSD e ainda primeiro-ministro, Passos Coelho, com vista à formação do novo Governo, a sequência das eleições legislativas de domingo.
"Este é o tempo do compromisso"
O chefe de Estado referiu que “o pais tem à sua frente um novo ciclo político”, depois da vitória sem maioria absoluta da coligação PSD/CDS, “em que o diálogo deve estar sempre presente”, sublinhou.
“Cabe aos partidos políticos que elegeram deputados à Assembleia da República revelar abertura para um compromisso que, com sentido de responsabilidade, assegure uma solução governativa consistente. Que fique claro: nos termos da Constituição, o Presidente não se pode substituir-se aos partidos no processo de formação do Governo e eu não o farei”, disse Cavaco Silva.
O Governo a empossar pelo Presidente da República, salientou, "deve dar garantias formais de que respeitará os compromissos internacionais e as grandes opções estratégicas do país desde a instauração do regime democrático e sufragadas, nestas eleições, pela esmagadora maioria dos cidadãos", garantindo a manutenção na NATO, na União Europeia e na zona euro. Cavaco afasta assim a possibilidade de uma aliança PS com os partidos mais à esquerda.
Portugal precisa de um Governo "estável" para os próximos anos e “este é o tempo do compromisso”, apelou o Presidente da República, num recado aos partidos da coligação PSD/CDS e ao PS.
“Portugal necessita, neste momento da nossa história, de um Governo com solidez e estabilidade. Este é o tempo do compromisso. O país tem à sua frente um novo ciclo político em que a cultura do diálogo deve estar sempre presente. Confio que as forças partidárias vão colocar em primeiro lugar o superior interesse de Portugal.”
A coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) venceu as eleições legislativas de domingo com 38,55% (104 deputados), mas perdeu a maioria absoluta.
O PS conseguiu 32,38% (85 deputados), o BE subiu a terceira força política com 10,22% (19 deputados) e a CDU (PCP/PEV) alcançou 8,27% (17 deputados). O PAN vai estrear-se no Parlamento, com um deputado (1,39% dos votos). Estão por atribuir ainda quatro mandatos, referentes aos círculos da emigração.
Fonte: aqui

Diz o papa Francisco: “o diálogo é o nosso método”. Será?

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Há espaço para um diálogo sereno, esclarecedor e construtivo sobre a possibilidade ou não de os divorciados recasados acederem aos sacramentos? Será possível dialogar sem ceder à tentação fácil de catalogar uns de conservadores e outros de  progressistas? Ou pior, de chamar fariseus a uns e apóstatas, hereges a outros? Sim, é possível. Pelo menos  assim acreditam dois bispos Franceses, — Marc Aillet e Jean-Paul Vesco, bispos de Bayonne, Lescar e Oloron, e de Oran, respectivamente — que aceitaram debater publicamente as suas concepções sobre a família e as suas divergências. O debate teve lugar em 2 de Outubro, no contexto da quinta edição dos Estados gerais do Cristianismo, entre 2 a 4 Outubro, em Estrasburgo, França. Quando há um ano, na abertura da Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, o Papa pedia aos padres sinodais para falarem claro e da necessidade de dizerem tudo o que sentiam com parrésia (com franqueza), Francisco esperava tudo, menos o de transformar a discussão num campo de batalha. E, em boa verdade, o que se tem vindo a assistir, na generalidade dos casos, é precisamente isso.~


Não temos a pretensão de sermos os intérpretes das intenções do Papa, mas facilmente se intui que a exposição do cardeal Kasper sobre a família, no consistório extraordinário do ano passado, tinha como objectivos agitar  as águas, abrir internamente um amplo debate sobre a família e, em particular, sobre questão dos divorciados recasados. Como afirmou o cardeal Maradiaga, “o cardeal Kasper recebeu uma ordem do Santo Padre no sentido de dar uma «sacudidela» teológica a muitos que, no melhor dos casos, apenas conseguiriam repetir o que se disse na Familiares Consortio”.


Uma das notas características do pontificado do Papa Francisco, que vem emergindo cada vez com maior evidência, é precisamente a do diálogo. No discurso aos bispos estadunidenses,  o papa foi muito claro ao afirmar que o “caminho a seguir é o do diálogo: diálogo entre vós, diálogo nos vossos presbitérios, diálogo com os leigos, diálogo com as famílias, diálogo com a sociedade. Não me cansarei jamais de vos encorajar a dialogar sem medo”. “O diálogo é o nosso método, não por astuciosa estratégia, mas por fidelidade Àquele que nunca Se cansa de passar e repassar pelas praças dos homens até às cinco horas da tarde a fim de lhes propor o seu convite de amor”. Convidando o episcopado norte-americano a não ter “medo de efectuar o êxodo que é necessário em cada diálogo autêntico. Caso contrário, não é possível entender as razões do outro, nem compreender profundamente que o irmão que devemos encontrar e resgatar, com a força e a proximidade do amor, conta mais do que as posições que, apesar de certezas autênticas, julgamos distantes das nossas”. E advertiu que “a linguagem dura e belicosa da divisão não fica bem nos lábios do pastor, não tem direito de cidadania no seu coração e, embora de momento pareça garantir uma aparente hegemonia, só o fascínio duradouro da bondade e do amor é que permanece verdadeiramente convincente”.

Se pensarmos bem, talvez até cheguemos à conclusão que a agitação dentro e fora da Igreja, a propósito do Sínodo da família, se deva ao facto de não de se terem criado instâncias de diálogo abertas e transparentes, onde posições seriamente divergentes pudessem ser expressas em clima de liberdade e serenidade.
Fonte: aqui