terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Dizer «obrigado» no último dia do ano

«Se a tua única oração na vida for "obrigado", isso bastará (Mestre Eckhart)».  A
gratidão não é apenas uma atitude de louvor, é também o elemento básico de uma verdadeira crença em Deus.
Quando inclinamos as nossas cabeças em sinal de gratidão, reconhecemos que as obras de Deus são boas. Reconhecemos que não podemos salvar-nos por nós próprios. Proclamamos que a nossa existência e todas as coisas boas que ela tem, não vêm do nosso expediente, fazem parte da obra de Deus. A gratidão é o aleluia à existência, o louvor que ressoa através do Universo, como um tributo à presença de Deus, constante entre nós, incluindo neste momento.
Obrigado por este novo dia.
Obrigado por este trabalho.
Obrigado por esta família.
Obrigado pelo nosso pão de cada dia.
Obrigado por esta tempestade e pela humidade que ela traz à terra seca.
Obrigado pelas correções que me fazem crescer.
Obrigado pelas flores silvestres que dão cor à ladeira.
Obrigado pelos animais de estimação que nos unem à natureza.
Obrigado pela necessidade que me mantêm vigilante em relação à tua generosidade na minha vida.
Sem dúvida, a gratidão ilimitada salva-nos do sentimento de autossuficiência, que nos leva a esquecermo-nos de Deus.
O louvor não é uma virtude ociosa na vida. Diz-nos: «Lembra-te de Quem és devedor. Se nunca tiveres conhecido a necessidade, nunca virás a conhecer Quem é Deus nem quem és tu.»
A necessidade testa a nossa confiança. Dá-nos a oportunidade de permitir que os outros nos apoiem nas nossas fraquezas, dando-nos conta que, no fim, só Deus é a medida da nossa plenitude.
Quando conhecemos a necessidade, somos melhores seres humanos. Pela primeira vez, conhecemos a solidariedade para com os mais pobres dos pobres. Fazemos nossa a dor do mundo e devotamo-nos a trabalhar em favor daqueles que sofrem.
Finalmente, é a necessidade que nos mostra que é preciso muito pouco para se ser feliz.
Mal percebemos todas estas coisas, encontramo-nos face a face, tanto com a Criação, como com o Criador. É um momento de aleluia em que descobrimos Deus e a sua bondade para connosco.
Aprendamos a vir à oração com um coração de aleluia, para que ela possa ser sincera.
Joan Chittister
In O sopro da vida interior, ed. Paulinas, aqui

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Bom Ano de 2014 para todos!


Dia Mundial da Paz: «Fraternidade» exige fim da corrupção, da exclusão e da perseguição religiosa

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO 
PARA A CELEBRAÇÃO DO
XLVII DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2014
 
 
FRATERNIDADE,
FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ 
Leia aqui
 
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Guilherme d’ Oliveira Martins e Marcelo Rebelo de Sousa consideram que a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz “obriga” à compreensão do outro, ao “combate” à exclusão e está escrita de forma muito “direta” e “concreta”.
“É uma mensagem que abrange diversos domínios porque põe a tónica na fraternidade. A fraternidade não é uma palavra abstrata, obriga a um sentido de compreensão dos outros, da diversidade, da globalização, da paz, do combate contra a corrupção, contra a exclusão”, revela Guilherme d’Oliveira Martins.
O presidente do Centro Nacional de Cultura considera que se deve dedicar uma leitura “muito atenta” à mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz porque é um texto “muito cuidado” e “bastante inovador”, uma vez que Francisco “procura aproximar-se das pessoas e dos problemas concretos”.
A noção concreta de fraternidade “exige uma responsabilização das pessoas, uma responsabilização dos povos”, acrescenta.
À Agência ECCLESIA o responsável explica o que considera serem os “domínios” de preocupação da mensagem: “O Papa é muito claro ao dizer que é indispensável percebermos que o agravamento das desigualdades tem-se feito à custa da especulação e da utilização indevida dos recursos”.
Da leitura da mensagem, Guilherme d’Oliveira Martins assinala também a preocupação com os “riscos graves” perante a “crise financeira e as suas repercussões”, com as “desigualdades” que se agravaram: “É uma acusação muito forte uma vez que o mercado, só por si, não encontrou solução para os problemas da economia global e tem uma consequência possível relativamente à paz”.
Para Marcelo Rebelo de Sousa a mensagem para o Dia Mundial da Paz distingue-se pela linguagem “muito direta” e pela “preocupação” do Papa Francisco em ser entendido por todos, “sem tirar nada de fundamental do conteúdo”: “Há o assumir que hoje comunicar é diferente do que era noutros tempos.”
“Há um estilo diferente, uma preocupação pela simplificação linguística, os parágrafos e os períodos são mais curtos, as ideias são mais concretas”, exemplifica.
Estes apelos “muitas vezes pungentes” à paz e ao trabalho pela paz a 1 de janeiro “é um dos princípios evangélicos fundamentais para os cristãos”.
O professor universitário assinala a necessidade da mensagem pela Paz, num tempo sem guerras regionais ou blocos opostos, pela “pulverização de conflitos que justificam um número sem precedente de refugiados, ações intensas, sociedades dizimadas” que continuam sem “uma solução à vista”, principalmente no Médio Oriente, na Ásia e África.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, existe um apelo “universal”, “global” que coincide, no tempo, “com a situação da Igreja Católica, ou mais genericamente as igrejas cristãs” estarem a sofrer “perseguições intensas nos últimos anos”.
“A Igreja Católica não quer pôr-se em bicos dos pés e fazer disto um caso mas não pode ignorar. Ao mesmo tempo que apela e se trabalha pela paz, tem a noção exata que existem muitos cristãos a ser objeto de uma perseguição fundamentalista”, acrescenta o comentador político sobre a mensagem “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”, do Papa Francisco, para 1 de janeiro de 2014.
Fonte: aqui

domingo, 29 de dezembro de 2013

Mais de 70% dos portugueses continua a associar a felicidade, à vida em casal e em família!

Oito novas aventuranças da família
 
1. Bem-aventuradas as famílias que entendem a sua missão, como uma arte de hospitalidade. Em família, não somos donos de nada, nem de ninguém: somos elos de uma corrente, companheiros. Acolhamo-nos, portanto, uns aos outros, na gratuidade, desinteressadamente e só assim, a família se tornará «porto de abrigo» para todas as marés.
2.  Bem-aventuradas as famílias que diariamente combatem o analfabetismo dos afetos.Sejamos, em família, artesãos do afeto, num amor que nos aceita por inteiro, que abraça o que somos e o que não somos, o que nós já fomos e aquilo em que nos tornámos. Mesmo se as panelas ou os pratos andarem lá em casa pelo ar, ninguém se deite nem adormeça, sem primeiro fazer as pazes!
3. Bem-aventuradas as famílias que compreendem a importância do inútil.Não deixemos que nenhum membro da família se torne descartável, pelo facto de não ser útil ou lucrativo! Estar juntos, em casa, sem fazer nada, é tão necessário, como trabalhar, para ganhar o pão de cada dia. Os mais novos e os idosos, que não fazem nada, fazem-nos mais falta, do que o trabalho que nos dão! Saibamo-los ouvir e aprender com eles e seguir em frente, com sabedoria!
4. Bem-aventuradas as famílias que cultivam uma arte da lentidão.Na pressão de decidir, precisamos de uma lentidão, que nos proteja das precipitações mecânicas, de gestos cegamente compulsivos, de palavras fatais ou banais. Rezar, juntos, em família, também nos modera a pressa e nos modela na arte do amor paciente de Deus para connosco!
5. Bem-aventuradas as famílias que não deitam fora a caixa dos brinquedos.Em família, brincar é uma coisa tão necessária e tão importante como trabalhar e falar a sério! Brinquem a sério! A sério, brinquem mais uns com os outros.
6. Bem-aventuradas as famílias que arriscam fazer bom uso das crises.Mudar de vida, não significa tornar-se outro, ou, pior ainda, partir para outra… (outra pessoa, outra experiência…). Quanto mais conscientes dos nossos entraves, limites e contradições, mas também das nossas forças e capacidades, tanto mais poderemos dar-nos conta de quem somos e do lugar que ocupamos, na vida dos outros! A crise não se destina a afundar, mas a aprofundar a relação!
7. Bem-aventuradas as famílias que se assumem como um laboratório para a alegria,uma escola do sorriso, um ateliê para a esperança, uma fábrica para o abraço e para a dança. Aquilo que mais pesa na vida é não receber um sorriso, é não se sentir querido. Em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, na maledicência, no lamento, cresçamos na alegria, na simplicidade, na gratidão e na confiança.
8. Bem-aventuradas as famílias que vivem abertas às surpresas do futuro e põem a sua confiança em Deus.O «sim» do amor, dado, pelo casal, e para sempre, «na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida» conta com a graça do Sacramento do Matrimónio. Esta graça, não é uma decoração para uma cerimónia bonita; é para tornar fortes os casais, para os fazer corajosos, a fim de que possam seguir em frente! Mas se o sonho do casamento se tornar um pesadelo, se algum de vós se sentir rejeitado, tende ainda esta confiança: Deus não desiste de nenhum de vós; o seu amor por cada um de vós não volta atrás!
Todas estas bem-aventuranças, não são mais do que o desenvolvimento daquela outra que não é nova, mas é para todos e é para sempre: “Felizes os que reconhecem o Senhor, felizes os que seguem os seus caminhos” (Sal127/128).
Fonte: aqui

sábado, 28 de dezembro de 2013

QUANTAS PESSOAS TRABALHAM NA SUA CÂMARA MUNICIPAL?

Veja aqui


Colocando o rato em cima de um concelho, aparece a informação relativa ao mesmo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Santa Casa da Misericórdia de Tarouca: Comemorações do 330º Aniversário



Foi na noite deste dia 27 de dezembro, no Auditório Municipal, com a presença de bastante público.
 

"Com meu dinheiro, faço coisas nas quais acredito”.

Aonde chegou a humanidade para que um acto que deveria ser repetido à exaustão, se torne único e extraordinário....!?!

O que era para ser unicamente uma atitude pessoal ganhou o mundo graças a uma turista do Arizona que registou com a câmera de seu celular e postou no Facebook a imagem de um ser humano agindo com humanidade.

Estranho mundo esse nosso...

O que deveria ser corriqueiro casou espanto e admiração...

Foram mais de 400.000 compartilhamentos.

Tudo começou quando o Larry DePrimo um policial de Nova York de 25 anos fazia sua ronda normal pela 7º Avenida na altura da Rua 44...

DePrimo, observou sentado numa calçada um morador de rua que tremia de frio...

Sem ter com que se cobrir e descalço o homem tentava se aquecer mantendo-se encolhido e silencioso.

Diante da cena, o jovem policial se aproximou olhou, deu meia volta, entrou uma loja e com o dinheiro que carregava em seu bolso, comprou um par de meias térmicas e uma bota de inverno – gastou 75 dólares.

De volta à presença do morador de rua, DePrimo, lhe entregou as meias e as botas.

O homem, segundo DePrimo, deu um sorriso de orelha a orelha e lhe disse:

“Eu nunca tive um par de sapatos em toda a minha vida”.

No entanto, o gesto não se conclui na entrega do presente...

Percebendo que o morador de rua tinha dificuldade em se mover, o policial se agachou, colocou as meias, as botas, amarrou os cadarços e pergunto: ficou bom?

A resposta foram dois olhos felizes, lagrimejados e um novo sorriso.

Ao se despedir, DePrimo perguntou se o homem queria um copo de café e algo para comer...

“Ele me olhou e cortezmente declinou a oferta. Disse que eu já havia feito muito por ele”.

Aqui deveria ser o fim da cena.

O pano cairia e todos iriam para casa...

Mas não foi.

Jennifer Foster, autora da foto, foi para casa abriu seu computador e postou em sua página a foto e escreveu o seguinte texto, dirigido ao Departamento de Policia de Nova York.

“Hoje, me deparei com a seguinte situação. Caminhava pela cidade e vi um homem sentado na rua com frio, sem cobertor e descalço. Aproximei-me e justamente quando ia falar com ele, surgiu por trás de mim um policial de seu departamento.O policial disse: ‘tenho umas botas tamanho 12 para você e umas meias. As botas servem para todo tipo de clima. Vamos colocar’?”
“Afastei-me e fiquei observando. O policial se abaixou, calçou as meias no homem, as botas e amarrou seus cadarços. Falou alguma coisa a mais que não entendi, levantou e falou, cuide-se”.

“Ele foi discreto, não fez aquilo para chamar a atenção, não esperou reconhecimento, apenas fez”.

“Se foi sem perceber que eu o olhava e que havia fotografado a cena. Pena, me faltou coragem para me aproximar, lhe estender a mão e dizer obrigado por me fazer crer que a policia que sonho é possível”.

“Bem, digam a ele isso por mim”.

Jennifer Foster.

Em poucas horas, o texto e a foto de Jennifer pipocaram por todo o território americano e por boa parte do mundo.

Larry DePrimo, soube por um colega que lhe telefonou para contar...

Quando voltou ao trabalho e se preparava para sair às ruas foi chamado por seus superiores, ouviu um elogio, recebeu abraços de seus companheiros e quando seu chefe lhe disse que o departamento iria lhe ressarcir o dinheiro gasto de seu próprio bolso, Larry recusou e disse: “Não senhor, obrigado. Com meu dinheiro, faço coisas nas quais acredito”.
(Recebido por email)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Espanha: INTERROMPEM A MISSA DO GALO PARA PROTESTAR CONTRA A LEI DO ABORTO

Trotesta contra la reforma del aborto, a las puertas de la catedral

"Aborto libre y gratuito" y "Fuera rosarios de nuestros ovarios" fueron algunos de los lemas que corearon las personas que interrumpieron la misa y que también llevaban pequeñas pancartas con consignas en contra de la nueva ley del aborto.

Veja aqui.

Agora os extremismos invadem as igrejas? Querem protestar? Têm a rua. Que respeito merece esta gente que não respeita os mais lídimos e profundos sentimentos dos outros?
Invadir lugares sagrados? Mas quem faz isso são as ditaduras. Logo aqui se vê o grau de cidadania e democraticidade existente no seio destes movimentos arrivistas...
Para já não falar naquilo que entendo ser a sem-razão para o protesto. A VIDA NÃO SE DISCUTE. ACEITA-SE. É dom de Deus.
A vida humana é sagrada desde a sua conceção até à morte natural. Por isso, ninguém é dono da vida de outro ser, quer ele exista no ventre materno, quer seja velhinho.

Natal adocicado de conto de fadas não existe no Evangelho, diz Francisco

 
Veja aqui

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Então e eu, toda a gente Me esqueceu?


Natal de quem?
 
Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou p’ra ver
Que prendas vou ter.
- Que prendas terei?
- Não sei, não sei... 
--
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu? 
---
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
- Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente! 
---
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.
---
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu? 
---   
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar 
--
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
---
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
Foi este o Natal de Jesus?!!!
João Coelho dos Santos
(in Lágrima do Mar – 1996)
Fonte: aqui

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Considerações em torno do Natal



A propósito do Natal, várias considerações se fazem de diversas proveniências. Assim:

O papa, na sua catequese do passado dia 18 de dezembro, considera, em primeiro lugar que, “se no Natal Deus se revela não como alguém que está no alto e que domina o universo, mas como Aquele que se abaixa, que desce sobre a terra pequenino e pobre, significa que para sermos semelhantes a Ele não devemos colocar-nos acima dos outros mas, ao contrário, abaixar-nos, pormo-nos ao seu serviço, tornarmo-nos pequeninos com os pequeninos, pobres com os pobres”. Ora, se o cristão “não quer humilhar-se não aceita servir”, mas, pelo contrário, “se vangloria em toda a parte”, concluiremos que “ele não é cristão, mas pagão”, porque “o cristão serve, abaixa-se”. Depois, vem a segunda consideração papal: “se, através de Jesus, Deus se comprometeu com o homem a ponto de se tornar como um de nós, quer dizer que tudo o que fizermos a um irmão ou a uma irmã, a Ele o fazemos. Foi o próprio Jesus quem no-lo recordou: quem alimenta, acolhe, visita e ama um destes mais pequeninos e mais pobres entre os homens, ao Filho de Deus o faz”.

Esta é assim uma visão da História bem diferente daquela que os anais da convenção registam, sobretudo se arredarmos da historiografia aquelas dimensões que ultrapassem a mundividência positivista, como seja a vertente providencialista (reservando a Deus o papel de comando e controlo dos factos), a vertente de missão universalista de pendor espiritual reservada a um povo entregue a uma liderança carismática (visível em Pessoa, Vieira ou Bandarra e Manuelinho de Évora), uma vertente popular visível em Fernão Lopes ou uma vertente proletária em que o chefe sonha, comanda, mobiliza à força e controla, mas quem dá corpo à obra é o povo anónimo, a arraia miúda, os trabalhadores explorados e mal pagos (presente, por exemplo, na obra de Cesário Verde ou na de Saramago).

Se analisarmos as versões nacionalistas da historiografia, veremos a escrita da História ancorada na perspetiva dos vencedores – heróis, inteligentes, estrategas ou bafejados pela sorte divina – ficando reservados aos vencidos os atributos da cobardia, da traição, da fraqueza ou da imbecilidade.

Anselmo Borges, no DN de 21 de dezembro, cita um testemunho de Kant, de poucos dias antes da morte, a 12 de fevereiro de 1804, que, na opinião do teólogo filósofo, diz bem da grandeza de homem daquele filósofo: "Senhores, eu não temo a morte, eu saberei morrer. Asseguro-vos perante Deus que, se sentisse que esta noite iria morrer, levantaria as mãos juntas e diria: Deus seja louvado!”. E Borges interroga-se se o que é mais importante e decisivo não é a dignidade e a felicidade de todos. E assegura-nos que o desígnio do papa será congruente com aquele postulado: “renovar a Igreja, evangelizá-la, para ela poder, por palavras e obras, evangelizar o mundo: levar a todos a notícia boa e felicitante do Deus de Jesus Cristo”.

Recordando a recente, primeira e extensa exortação apostólica (de 24 de novembro), entende o articulista que o programa do pontificado franciscano é simplesmente o Evangelho. E enuncia o método mais adequado, alcandorado ao patamar de caminho iluminado e iluminante: “ler o mundo a partir de baixo, dos pobres, dos excluídos, e agir em consequência, isto é, colocando-se no seu lugar e, a partir desse lugar, que é o lugar de Deus, cumprir a sua missão”. Para que todos possam realizar a dignidade de homens e mulheres e alcançar a alegria e a felicidade, para lá do consumismo materialista reinantes, "Deus quer a felicidade dos Seus filhos também nesta Terra, embora estejam chamados à plenitude eterna", escreve Francisco.

Impõe-se, nesta ótica, a leitura da História, segundo a missão da Igreja, a partir dos não vencedores, ou seja, a partir das vítimas, dos perdedores dos menos expostos na ribalta dos acontecimentos. Porém, isto implica a revolução das mentalidades, o apuramento das consciências, o alargamento do horizonte, ou seja, a metanoia ou conversão, na linha da boa nova evangélica.

Então, o centro da discussão em Igreja não será nem a Igreja em si nem os dogmas nem as leis (temas que terão a sua importância, mas que não podem ser o essencial), mas Cristo, o Evangelho e as pessoas. É necessário que a Igreja saiba o que dizer de si própria, o que terá de dizer ao mundo e o que terá de perceber do mundo. Isto porque tem de o conhecer, interpretar e transformar (no entendimento de Pio XII) segundo o coração de Deus.

"Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses” – diz-nos Francisco – “deixa de haver espaço para os outros, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do Seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes". E, em tom esclarecedor, acrescenta que "uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela." E arrisca: "Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas fora a uma Igreja doente pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta" (…) "sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida", como aponta o Cisto compassivo – Misertus est eis” (Mt 9,36); misereor super turbam (Mc 8,2).

E Francisco ambiciona: "Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual do que à sua autopreservação." Para tanto, o papa, na linha de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, propõe uma “eminentissima reformatio” que a todos convoque: "uma corajosa reforma, que toque tanto o espírito como as estruturas”.

Dom Manuel Rodrigues Linda, o novo bispo das Forças Armadas e de Segurança assume, no último n.º do semanário digital Ecclesia (19 de dezembro), um tom muito contundentemente critico, ao afirmar que “é necessário ter preocupação pelas pessoas que vivem sob um império que não tem bandeira, nem território mas ‘capital e capitais’ chamado Fundo Monetário Internacional (FMI)”. E vai à raiz do problema quando explicita a razão da crise de brutais consequências: “O povo sabe que este império (FMI) possui uma lei fundamental que aplica no mundo, ‘chapa cinco’, desde os anos sessenta”, que “esmaga os salários para ‘recapitalizar’ as empresas ou os donos” (interroga-se).

Segundo o prelado, o FMI, “em nome de uma deusa estranha chamada ‘competitividade’, acha inconcebível que se aumente 15 euros no salário mínimo”, salientando que os grandes consideram “crime de lesa-majestade que um qualquer gestor de pacotilha, colocado à frente das empresas públicas pelos ‘bons serviços’ prestados ao ‘partido’, aufira menos de sete, dez ou quinze mil euros por mês, ou mais! Ou trinta ou quarenta mil!” – acrescenta explicando que “quem manda aqui é um ‘império’ sem bandeira nem território, mas com capital e capitais”. “E as pessoas? E o povo, meu Deus?” – questiona-se o antístite. E relê nas recentes estatísticas a crueza de seus dados: que Portugal foi o país da Europa que mais viu agravar-se o fosso entre ricos e pobres; que estes o são cada vez mais e que aqueles prosperam a olhos vistos; que estão a matar a classe média; que nunca se viu por aí tantos automóveis ‘topo de gama’ ao passo que o resto dos concessionários quase não se estreia nas vendas”, refere entre outros exemplos.

O bispo nega ainda que esta situação seja nova porque, também há dois mil anos, um outro império, o romano, já “era especialista em tirar”, não propriamente “aos pobres para dar aos ricos” (foi Marx um dos primeiros a falar assim), mas “tirar a todo o mundo escravizado para dar aos cidadãos romanos da urbe.

Na reclamação sobre a situação evocada e sob a égide do Menino que chegou “fraco e indefeso”, mas “meigo e amigo de todos”, nesta «normalidade anormal», impõe-se que haja Natal de e da humanidade, como anunciaram os anjos aos pastores de Belém pela noite adentro "Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que será a de todo o povo: nasceu-vos um Salvador", com o hino espetacular “Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis” (Lc 2,14)!
Louro de Carvalho

OS PADRES E OS AVIÕES


Dizem que as comparações são odiosas. Mas também haverá comparações hilariantes.
Em qualquer caso, as comparações podem ajudar a pensar.
Só que algumas, de tão inesperadas, serão mesmo desconcertantes.
Há poucas horas, vi comparar as notícias às pastilhas elásticas.
Mastigam-se rapidamente e depressa se deitam fora. Pouco impacto acabam por ter.
Mas o que convocou mais a minha atenção foi quando, há poucos dias, vi comparar os padres aos...aviões.
É que, dizia o articulista, só se fala dos padres quando caem.
Esquecemos que, afinal, o avião é o meio de transporte mais seguro.
Mas as viagens que terminam com êxito não são notícia!
Fonte: aqui

domingo, 22 de dezembro de 2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

Ceias e concerto de Natal

Santa Casa
Dia 20 de dezembro. Festa de Natal na Lar da Santa Casa.
 
Após uma tarde recreativa, muito bem passada e participada, teve lugar a Eucaristia dinamizada pelo coral da instituição. Seguiu-se o jantar durante o qual foi premiada a funcionária que, este ano, perfaz 25 anos de bom e efetivo serviço. Este convívio à mesa correu bem, dentro dos parâmetros de simplicidade e elegância a que a Santa Casa já nos habituou.

Bombeiros
 
Dia 21 de dezembro. Festa de Natal nos Bombeiros.
Após uma tarde recreativa, muito bem passada e participada, concluída com uma projeção onde foram visionadas cenas marcantes da vida da corporação neste último ano, seguiu-se a atribuição de  reconhecimento de mérito a alguns bombeiros pela assiduidade e afinco demonstrados nas atividades deste ano. 
Teve então lugar o jantar.  Este convívio à mesa correu bem, dentro dos parâmetros de bom gosto e de voluntariado que é apanágio da casa.
Um grupo musical divertiu os presentes pela noite fora e foi entregue uma lembrança de Natal a cada bombeiro e seus filhos.
 
Concerto na Igreja
A escola de Música, sob a orientação do prof. Telmo, com apoio do Grupo de Jovens, ofereceu na noite de 21 de dezembro um concerto de músicas natalícias na Igreja Paroquial.
Os pais e amigos dos jovens cantores marcaram uma assinalável presença e as pessoas vieram do templo satisfeitos.

"Não estou muito contente com a reacção de importantes sectores na hierarquia da Igreja"

Manuel Pinto, docente da Universidade do Minho
"Não estou muito contente com a reacção de importantes sectores na hierarquia da Igreja".
"Alguns bispos aparentam a dificuldade de encaixar ou de digerir o que tem acontecido e os reptos que tem sido lançados, com argumentos como 'isto já é o que nós fazemos' ou 'isto é o que a Igreja sempre disse'".
"São formas - um pouco caprichosas, às vezes - de não agarrar esta oportunidade de a Igreja se abrir mais e assumir gestos que possam localmente repercutir este entusiamo e esta adesão, este novo momento que a Igreja vive. Não vemos muito as coisas a agitarem-se. Espero que se acorde e que sejamos capazes de ser dignos do Papa que temos".

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!

Gosto muito:

Humilde, inteligente e maduro

Colheita de Sangue



Irá decorrer no próximo dia 29 de dezembro, domingo, no Salão da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tarouca, das 9h00 às 12h30.
Participe!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Entrevista ao Papa Francisco ao Jornal La Stampa

 
"O Natal para mim é esperança e ternura...". Francisco relata ao La Stampa o seu primeiro Natal como bispo de Roma.
Veja aqui a entrevista.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A ministra da defesa da Alemanha tem 7 filhos



Tem nome de general da Wehrmacht, mas Úrsula Von der Leyen é capaz de ser a coisa mais fofa inventada pela Alemanha depois dos Playmobil. Esta política da CDU prepara-se para liderar o ministério da Defesa e, no governo anterior, foi Ministra do Trabalho e Assuntos Sociais. Nesse cargo, destacou-se na defesa da família e das crianças numa sociedade marcada pelo envelhecimento e por uma taxa de natalidade que parece o Mad Max. Neste ponto, porém, o seu exemplo é mais importante do que qualquer política. É que Úrsula Von der Leyen tem sete filhos. O futuro está aqui, o futuro da Europa tem de passar por Úrsula.  
Não, não estou a dizer que as europeias devem ter sete filhos. Não, a mulher não pode voltar ao cargo de coelhinha parideira dos sonhos molhados do salazarismo. Mas é preciso encontrar um novo equilíbrio entre pais, mães e sociedade em geral. Não sei se repararam, mas nós, europeus, estamos a morrer. E não me venham com a conversa da crise, porque o inverno demográfico começou muito antes de 2008. Tal como Von der Leyen tem defendido, o problema é mental e cultural. Para começar, importa anular a falácia que coloca o papel de mãe em confronto com o papel de mulher de sucesso. Apesar dos sete filhos, esta Merkel gira é obviamente uma mulher de sucesso. Para compreendermos este ponto, talvez seja interessante colocar a Europa debaixo da outra perspectiva ocidental. Devido a uma deslocação profissional do marido, Úrsula viveu uma temporada nos EUA. Nas entrevistas de emprego, os americanos perguntavam-lhe sempre sobre actividades extra CV, se trabalhava em associações voluntárias, se tinha filhos. Resultado? "Deram-me cargos por ter filhos", diz Úrsula. "Na Europa só me dariam esses cargos se não tivesse filhos".
Ela tem razão. Conheço demasiadas portuguesas que sofreram dois tipos de ameaça: foram intimadas a não engravidar pelo patrão ou mesmo pela chefe de repartição pública, ou foram despedidas depois do nascimento do bebé. Um dia destes, irei obrigar todas estas pessoas a prestar declarações em on, porque esta vergonha tem de acabar. Estes chefes são os grandes coveiros do país. Não, os grandes carrascos de Portugal não são os governos, os sindicatos e corporações. O grande sacaninha da pátria é mesmo aquele chefe, privado ou público, que diz a uma rapariga de 28 anos "olhe, não queremos cá bebés, está bem?". Além de imoral, o sacaninha é burro. Como bem explica Úrsula Von der Leyen, uma mulher com vários filhos é provavelmente o melhor trabalhador do mundo. Educar várias crianças ao mesmo tempo cria um cérebro flexível, rápido, eficiente e maduro emocionalmente. Escrevi há pouco que "Úrsula tem sucesso apesar dos filhos". É uma imprecisão. Esta mulher tem sucesso porque tem filhos.
Henrique Raposo
Expresso, Terça, 17 de Dezembro de 2013
(Li aqui)

Assim não, senhores professores!



A cidadania e o direito à indignação não podem estar em causa numa sociedade democrática. Nunca.
Tal como na manifestação dos polícias ocorrida há tempos, também não concordo com certas posturas dos professores em manifestação contra a prova de avaliação.
O que lemos, vimos na TV e ouvimos na rádio não abona nada a causa dos docentes.
Assim perdem a razão. Estas atitudes vistas pelos alunos são indecentes. Que autonomia têm para se impor com os alunos, depois de verem este espetáculo nas televisões? Degradante.

Vejam o que esta avezinha é capaz de fazer... Maravilhoso!

O aluno que deixou em silêncio o professor universitário


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Papa que revoluciona o modo de dizer



Foi a 13 de Março: apareceu na varanda da Basílica de São Pedro, no Vaticano, e anunciou de onde veio. "Irmãos e irmãs, boa noite. Como sabeis, o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma, mas os meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase ao fim do mundo." Chegou de longe para ficar perto: com um registo humilde e imprevisível, Francisco aproximou a Igreja Católica de crentes e não crentes. Esta terça-feira, o Papa faz 77 anos.

No início do 2013, poucos tinham ouvido falar nele. Hoje, é a personalidade do ano da revista "Time" e a pessoa mais comentada nas redes sociais. Os primeiros nove meses de pontificado do Papa Francisco ficaram marcados por inúmeros gestos de simplicidade e humildade, de aproximação às pessoas com palavras simples e fáceis de entender. Aos 77 anos, que celebra esta terça-feira, usufrui de uma enorme popularidade.

Para o director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja, cónego João Aguiar Campos, é na forma de comunicar do Papa que está uma chave do fenómeno. "Este Papa comunica ele todo. Não usa só palavras, mas comunica com gestos: sobretudo o que ele diz traz uma profunda simplicidade e autenticidade. Aproxima-se, usa metáforas e desafia os outros a aproximar-se. Ele é um homem que toca, que aspira, que vive, que não tem medo. Aliás, recomendou aos demais 'o cheiro das ovelhas' e tudo isso se nota."

Para o cónego João Aguiar Campos, a mudança na receptividade à mensagem é operada não tanto pelo conteúdo, mas pela forma. "Estamos numa mudança de estilo, pura e simplesmente. Ele é um Papa de continuidade. Todos os Papas são de continuidade, nesta perspectiva. A Igreja tem uma história de dois mil anos, não faz saltos, não faz erupções nem cortes na sua história. Mas acho importante realçar isto da continuidade, porque o Papa Francisco está a revolucionar o modo de dizer, mas não vai revolucionar tudo", aponta o também presidente do conselho de gerência do Grupo Renascença Comunicação Multimédia.

Os gestos do Papa carregam uma mensagem forte. Logo no início do pontificado, há uma série de acções que transmitem a humildade que o caracteriza. Depois do conclave, já eleito, decide evitar o carro oficial e junta-se aos outros cardeais no autocarro. No dia seguinte, vai pagar a conta à pensão onde tinha estado hospedado. Dispensa o calçado vermelho e continua a usar uma cruz de metal, recusando a cruz de ouro e pedras preciosas. Prefere viver na Casa de Santa Marta, uma residência, em vez dos mais confortáveis aposentos oficiais do Papa.

"Não há melhor comunicação do que o testemunho e o Papa é de uma franqueza, de uma naturalidade que demonstra de uma forma marcante. Ele faz uma espécie de 'bypass' a qualquer máquina de comunicação que possa estar montada", considera Manuel Pinto, professor da comunicação da Universidade do Minho. "O Papa mudou a própria figura do Papado. O ter uma vida próxima de uma pessoa normal, com gestos e linguagem de qualquer pessoa, não instaura desde logo uma separação."

Comunicados substituídos por telefonemas
D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal, lembra um episódio que ilustra a forma distintiva que o Papa tem de comunicar. Em meados de Novembro, foi noticiado o despedimento de um jornalista italiano numa rádio católica devido a críticas que fez a Francisco. No seguimento do caso, o repórter acabou por receber uma chamada de apoio do próprio Papa.

"É de registar aquele gesto que Francisco teve com o jornalista que teria escrito um artigo desfavorável: o Papa agradeceu a ajuda que o repórter lhe tinha dado com aquele texto, quando outras pessoas, noutros tempos, poderiam esperar um comunicado da sala de imprensa", refere o bispo emérito de Setúbal.

"Este Papa tem realmente encantado a Igreja. Só tenho medo, sem querer escandalizar ninguém, que o Papa passe à história como um Papa que fez coisas bonitas, invulgares, extraordinárias, mas que não sejamos capazes de apanhar as suas palavras, os seus gestos, como alertas, gritos de atenção do Espírito Santo relativamente à Igreja que Jesus quer e à Igreja que devemos ser", considera ainda D. Manuel Martins.

Manuel Pinto também espera que a mensagem não se perca pelo caminho. "Não estou muito contente com a reacção de importantes sectores na hierarquia da Igreja", afirma.

"Alguns bispos aparentam a dificuldade de encaixar ou de digerir o que tem acontecido e os reptos que tem sido lançados, com argumentos como 'isto já é o que nós fazemos' ou 'isto é o que a Igreja sempre disse'", prossegue o docente da Universidade do Minho. "São formas - um pouco caprichosas, às vezes - de não agarrar esta oportunidade de a Igreja se abrir mais e assumir gestos que possam localmente repercutir este entusiamo e esta adesão, este novo momento que a Igreja vive. Não vemos muito as coisas a agitarem-se. Espero que se acorde e que sejamos capazes de ser dignos do Papa que temos", acrescenta Manuel Pinto.

"Ele não se coloca diante do capitalismo como um ideólogo, mas como alguém sensível"
O Papa tem sido extremamente crítico das consequências do capitalismo e da "idolatria do dinheiro". Considera a fome "um escândalo global", equipara as consequências das "guerras financeiras" às dos conflitos armados e, na sua primeira exortação apostólica, diz que o "dinheiro deve servir e não governar". "Assim como o mandamento 'não matar' põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer 'não a uma economia da exclusão e da desigualdade social'. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento de um idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na bolsa. Isto é exclusão", escreveu o Papa.
Para Manuel Pinto, Francisco pretende evidenciar que "não podemos tolerar um capitalismo desgovernado, com uma agenda que pretende levar para a frente os interesses de uma parte da sociedade, desprezando muitas vezes o interesse das maiorias". "Faz-nos perceber que alguns dos problemas do mundo não resultam apenas de deficiências pontuais, mas são muitas vezes estruturais de um sistema que marginaliza sobretudo os mais pobres e que não dá oportunidade a todos. Ele não se coloca diante do problema do capitalismo como um ideólogo ou um político, mas como alguém que é sensível e que deita a mão aos dramas provocados pelo capitalismo. Não se limita a acolher as pessoas que estão nas periferias, mas procurando ir às raízes do que faz crescer a pobreza", aponta o docente de comunicação da Universidade do Minho.
Para o bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, o problema do sistema é "uma questão de filosofia económica que só terá solução quando houver uma revolução de mentalidades". "O Papa está sempre a chamar atenção para isto, que é causa da pobreza, e foi até muito longe quando justificou a possibilidade de uma certa violência por parte daqueles que têm fome, que é devida ao sistema económico que vivemos e que impera sobre o nosso mundo", considera o bispo emérito.

"À Igreja compete descobrir quais são as causas da fome e denunciar as causas dessa fome. O Papa, para desagrado de muita gente, tem denunciado o capitalismo, a que chama mesmo 'capitalismo selvagem', que é a causa primeira, não sei por quanto tempo, desta pobreza que o nosso mundo vive, que Portugal vive e que a Europa vive", continua D. Manuel da Silva Martins. "Esquecemo-nos, às vezes, do conselho de São Paulo, de que a Palavra de Deus não está comprometida com nada nem com ninguém, e esquecemo-nos de denunciar as causas destas agressões aos direitos da pessoa humana."

Um ideal de justiça
O Papa tem feito, desde o início, um esforço para chamar a atenção para os mais marginalizados. Começou por fazê-lo numa visita à ilha italiana de Lampedusa, onde criticou a "globalização da indiferença" e lamentou a perda da capacidade de chorar com o sofrimento dos outros. Na sua primeira deslocação oficial fora de Roma, o Papa quis chamar a atenção para os milhares de imigrantes, oriundos sobretudo de África, que muitas vezes morrem a tentar chegar a Itália.

Para D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal, a viagem a Lampedusa foi uma primeira prova da "comunhão que ele tem com o mundo que sofre". "Ele pediu ao mundo que não deixasse que a insensibilidade se globalizasse. Tem a coragem de dizer que prefere uma Igreja acidentada no mundo dos homens do que uma Igreja bem tratada, bem guardada e bela. Isto significa que, para ele - como foi para Jesus -, a Igreja tem de estar no mundo, tem de sofrer com os que sofre, alegrar-se com os que se alegram", aponta.

Para o bispo-eleito das Forças Armadas, D. Manuel Linda, "o Papa não governa a Igreja por decreto, mas faz revolução a partir do exemplo da sua vida". "Pelos vistos, a maioria das pessoas, mesmo as que estão fora da Igreja, dão-lhe crédito. É sinal então de que há uma espécie de perspectiva geral de moral, de justiça, que continua a influenciar os comportamentos e as mentes das pessoas. Claro que depois esta visão de justiça pode não ser seguida porque outros factores intervêem - as leis das economia, por exemplo, que são leis absolutamente injustas", acrescenta D. Manuel Linda.

"Mas está aí colocada a justiça que o Papa encarna, pelo menos como ânsia, como uma perspectiva de aspiração, como esperança. Na proximidade com o humilde, com o pobre, com aquele que efectivamente precisa, o Papa está a ser uma espécie de voz de consciência audível, que vem de encontro a uma estrutura que existe em todo o ser humano, que é a ideia de justiça", aponta o bispo-eleito das Forças Armadas.

A humildade e proximidade de Francisco são características destacadas por outras confissões religiosas. O rabino Eliezer Shai di Martino sublinha "a capacidade que o Papa possui de falar aos pobres": "É uma coisa de que gostei muito e que me toca pessoalmente". Para o líder da comunidade islâmica em Portugal, Abdul Karim Vakil, trata-se de um Papa que segue "de facto as pisadas de Cristo". "A forma como se tem comportado mostra aquela pobreza, sem ostentação, de um homem simples e isso é digno da nossa admiração."

"Tirar o melhor que há em nós"
A exortação apostólica de Francisco, que agitou o mundo, vai além de considerações sobre o sistema económico e financeiro. Parte do texto é dirigido à própria Igreja: no seu modo directo e simples, o Papa lamenta quem evangeliza com "cara de funeral", porque constata na alegria uma característica inerente aos cristãos. E pede mais: diz que prefere "uma Igreja acidentada, ferida e manchada por sair à rua em vez de uma Igreja enferma pela reclusão".
Para Manuel Pinto, este é um dos pontos centrais da mensagem do Papa: a defesa de uma Igreja que seja "como um hospital de campanha, enlameada por sair à rua" em vez de "ficar centrada em si mesma". A freira e missionárioa Irene Guia, do Sagrado Coração de Jesus, contribui para o hospital de campanha solicitado por Francisco e mencionado por Manuel Pinto: ajuda há anos os mais necessitados e fá-lo no terreno.

"A Igreja só pode ser universal se for missionária. Nas últimas décadas, a Igreja voltou a meter-se para dentro. O que o Papa está a dizer, em relação ao acolhimento de pessoas em sofrimento pela sua não plena comunhão com a Igreja, é dar uma orientação completamente diferente", refere Irene Guia.

"O que vemos em Jesus é o grande consolador, o compassivo. Creio que este é o valor máximo que o Papa tem dado ao mundo: que as pessoas encontrem descanso na Igreja, porque são acolhidas, porque encontram compaixão", considera a freira e missionária. "Há uma alteração, não da doutrina, mas do paradigma e da maneira de fazer."

No início de Novembro, o Papa Francisco interrompeu uma audiência geral no Vaticano para consolar um homem doente que aparentemente sofre de neurofibromatose, que se caracteriza pelo aparecimento de tumores benignos na pele. "Vermos o Papa a abraçar e a agarrar corpos distorcidos, deformados, e que depois os vemos passados dias a deixarem de se esconder é das melhores recuperações de seres humanos que tenho visto", aponta Irene Guia. "Acho que este Papa vai ter um impacto muito grande. Está a conseguir tirar o melhor de nós."
Fonte: aqui

Sono ou meditação?

Foto do Record 
Já repararam no treinador Paulo Fonseca?
Que soneira! Ou meditação?

Papa Francisco faz hoje 77 anos



Parabéns, Papa Francisco!
Ao irmão na fé, ao pastor e guia, ao Pedro dos nossos dias, àquele que nos confirma na fé e na fidelidade a Cristo, muitos parabéns!
Obrigado por existir e ser como é.
Obrigado por esta brisa imensa e intensa que despoletou na Igreja e no mundo.
Continue a desafiar-nos, a desinstalar-nos, a pôr-nos a caminho.
Os homens e mulheres de boa vontade -seara gigante - estão com o Papa.
Um prece humilde e confiante ao Deus de bondade pelo nosso Bom Papa!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Papa garante que não é marxista



(Carregue com o rato no texto para ler melhor)


Recorte é  do "i". 
Visto aqui

“Quando não há profecia, a força cai sobre a legalidade”

O Papa Francisco alertou hoje no Vaticano para os riscos do “clericalismo” na vida das comunidades católicas e pediu que estas sejam uma voz profética para a sociedade.
“Quando não há profecia no Povo de Deus, o vazio que fica é ocupado pelo clericalismo”, disse, na homilia da missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta.
Segundo o Papa, o excesso de preocupação com o que é “legal” leva as pessoas a centrarem-se no presente, esquecendo “a memória da promessa” de Deus e o “futuro esperançoso”.
Francisco afirmou que o profeta é capaz de “olhar para o seu povo, sentindo a força do Espírito, para lhe dizer uma palavra que o ajude a levantar-se, a continuar a caminhar rumo ao futuro”.
“O profeta é um homem dos três tempos: promessa do passado, contemplação do presente, coragem para indicar o caminho para o futuro”, precisou.
O Papa recordou que na Bíblia “nem sempre o profeta é recebido” e muitas vezes é mesmo “rejeitado” por dizerem “a verdade”.
“Quando não há profecia, a força cai sobre a legalidade”, observou.
Francisco convidou à oração, no tempo de preparação para o Natal, para que “não faltem profetas” na Igreja.
“Que não nos fechemos na legalidade que fecha as portas. Senhor, liberta o teu povo do espírito do clericalismo e ajuda-o com o espírito da profecia”, concluiu.
(agência ecclesia)

“Que a esperança e a ternura do Natal do Senhor nos sacudam da indiferença”



Papa Francisco:
“O Natal fala de ternura e de esperança. Deus, ao encontrar-se connosco, diz-nos duas coisas. A primeira é: tenham esperança. Deus abre sempre as portas, nunca as fecha, é o pai que nos abre as portas. A segunda: não tenham medo da ternura."

domingo, 15 de dezembro de 2013

Um programa de sucesso?

O Primeiro-Ministro continua a apostar na afirmação de que o programa de ajustamento negociado com a TROIKA está a ser cumprido e que o país, a quem foram pedidos muitos sacrifícios, está no caminho certo.

Como, se as metas do défice nunca forma atingidas, a dívida pública, em vez de diminuir ou, ao menos, estancar, aumenta, o desemprego aumentou (pequenos sinais de recuo podem não ser definitivos), o mal-estar social se agravou, os impostos subiram brutalmente, os salários baixaram pesadamente e as pensões se abalam estrondosamente face ao futuro? E a educação, a saúde e os apoios sociais reduziram-se à expressão mais simples. A emigração, designadamente a de quadros, tornou-se sangria coletiva. Temos hoje um governo dual e cerca de dez milhões e meio na oposição.

Isto é de tal modo evidente que o Tribunal de Contas vergasta o legislador na fiscalização abstrata da constitucionalidade (preventiva ou sucessiva) em um sem número de diplomas legislativos (incluindo o chumbo de três orçamentos do estado) e outro tanto na fiscalização concreta. O n.º 1 do artigo 381.º do novo CPP já foi declarado inconstitucional por oito vezes em resultado do recurso por não aplicação por parte dos tribunais de instância e de recurso. Dizem os especialistas próximos da governança que não foi a norma considerada inconstitucional, mas apenas a sua interpretação. Ora, o que vale a lei, se a sua interpretação que leva à aplicação a torna ineficaz?

O FMI reconhece que o programa foi mal concebido. O governante mor atém-se à alegação de que ele não fora mal desenhado, mas que fora mal calibrado, porque aquando da sua elaboração não se sabia do verdadeiro défice de 2010, quando a DGO e o INE, publicaram estatísticas uns meses antes! E os propagandistas eleitorais do governo afirmavam que queriam ir além da troika, não sendo necessário cortar subsídios ou reformas nem aumentar impostos, bastava cortar as gorduras do Estado. Mais: os negociadores do PSD até clamavam que foram eles os autores da bondade do programa.

E agora o Tribunal de Contas vem referir que o governo deu pouca informação e faz muitas previsões erradas. Por outro lado, sabe-se que o PREMAC (programa de redução e melhoria da administração central) não foi cumprido: do número dos dirigentes da administração central a reduzir, ficámos por metade; mas, do número de funcionários a eliminar, chegámos a mais do dobro.
E que tal, em que ficamos?

Louro de Carvalho

sábado, 14 de dezembro de 2013

FEIRA DE LIVROS USADOS

Estamos todos convidados para mais esta realização de"Coisas de Tarouca"!

. Estão expostos, para venda, mais de dois mil livros;
. Um grande espólio de livros de literatura portuguesa;
. Um grande espólio de livros de literatura infanto-juvenil;
. Um grande números de livros de BD;
. Livros técnicos;
. Raridades!!
. Livros, a partir de 50 cêntimos.

E ainda... um chá! Ou uma taça de Murganheira!
E muita simpatia!


Quadro Comunitário de Apoio

A convite da autarquia, várias pessoas  reuniram-se hoje na Câmara por causa das candidaturas ao Quadro Comunitário de Apoio (CREN).
A reunião  deteve-se em dois tópicos: agricultura e turismo.

1. Saliente-se a abertura do novo executivo camarário para o diálogo com a população. Aquilo que é de todos merece a participação de todos. A isto chama-se vivência cívica e participação democrática.

2. Ouvir para decidir. Reunir para obter consensos e alargar horizontes. É preciso escutar? Sem dúvida. É preciso decidir? Claramente.

3. Estes encontros permitem que as pessoas se juntem para refletir, partilhar, esclarecer-se e esclarecer. Em ordem à ação.

4. Nem só de grandes projetos se faz a vida das comunidades. Tantas pequenas coisas que, pensadas, estruturadas e interligadas, podem contribuir para a melhor qualidade de vida dos cidadãos, fomentado o emprego, a fixação das gentes, o florescimento da economia local.

5. Penso que é de continuar nesta linha, com encontros temáticos, setoriais ou globais. Todos juntos temos mais força e vamos mais longe, fornecendo a quem tem que decidir opções mais alicerçadas e consistentes.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Idosa comemorou o seu centenário na Santa Casa da Misericórdia de Tarouca




Ontem, dia 11 de dezembro, na Santa Casa da Misericórdia de Tarouca, foi dia de festa. A D. Olímpia do Rosário Espírito Santo, natural de Quintela, freguesia de Tarouca, comemorou o seu centenário, rodeada de familiares, técnicos e direção da instituição e de alguns autarcas, que fizeram questão de marcar presença.

 Na tarde comemorativa registou-se uma celebração eucarística, seguida de uma sessão solene, na qual foi homenageada a D. Olímpia e o trabalho meritório da Santa Casa da Misericórdia de Tarouca, pela excelência de serviços que tem prestado no concelho, a nível social. Na ocasião, o Vice Presidente da Câmara Municipal de Tarouca, em representação do Município, acompanhado pelo Presidente da Assembleia Municipal, evidenciou a emoção sentida pela jovialidade e vontade de viver da centenária, atestando que a sua longevidade se deve, também, “aos serviços prestados pela Santa Casa da Misericórdia de Tarouca que são fundamentais para todo o concelho, uma vez que tem uma vasta abrangência social”, garantindo que esta instituição “terá que ser um parceiro estratégico para a autarquia para garantir um trabalho de excelência e proximidade com a população”.

 A aniversariante, conhecida por todos pela sua lucidez e autonomia, irradiou alegria e boa disposição, durante toda a cerimónia, contagiando todos os presentes e comprovando que a idade é um posto e que está pronta para viver mais uns anos com a mesma força e vontade.

Gabinete da Cultura, turismo e comunicação, Câmara Municipal de Tarouca

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Para a Revista Time Papa é a pessoa do ano

    Grande notícia... Embora não surpreenda muito. É bom que assim seja, para que todos os que não admiram o Papa e estejam teimosamente saudosos do passado, se vão vergando ao insondável tsunami provocado pela acção do Espírito Santo... Parabéns ao Papa Francisco e à nossa Igreja Católica.

Papa é a "pessoa do ano" para a revista "Time"
Declaração do Director da Sala de Imprensa perante a pergunta colocada esta manhã:
«O que pensa sobre a escolha do Papa Francisco como "Personalidade do Ano" feita pela revista estadunidense Time?
O diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, escreveu:
"O fato não me surpreende, dada a ressonância e a atenção vastíssima da eleição de Papa Francisco e do início do novo pontificado. É um sinal positivo que um dos reconhecimentos mais prestigiosos no âmbito da imprensa internacional seja atribuído a quem anuncia no mundo valores espirituais, religiosos e morais e fala eficazmente em favor da paz e de uma maior justiça
Quanto ao Papa, de seu lado, não busca fama e sucesso, porque realiza o seu serviço para o anúncio do Evangelho do amor de Deus para todos. Se isto atrai mulheres e homens e dá-lhes esperança, o Papa fica feliz. Se esta escolha de “homem do ano” significa que muitos entenderam – ao menos implicitamente – esta mensagem, disso ele certamente se alegra"». 
Fonte: aqui

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sobre a novel revolução franciscana

Ouvi com atenção o programa "prós e contras" da RTP1 (2013.12.09) em torno da revolução franciscana sob o pretexto da exortação apostólica Evangelii Gaudium, do papa Francisco, publicada na sequência da última assembleia do Sínodo dos Bispos realizada em 2012, ainda no pontificado de Bento XVI.

Desde a afirmação de Francisco como ícone do obscurantismo por um conhecido jornalista, com base na episódica concessão de indulgência plenária aos peregrinos ao santuário da Penha nas celebrações presididas pelo cardeal Dom Manuel Monteiro de Castro e da suspeita de acusação, por um elemento da Associação República e Laicidade, de ultrapassagem dos limites da separação da Igreja e Estado, beliscando a laicidade, à expressão clara da metafórica revolução espiritual com consequências visíveis sobre a economia e a política, decorrentes do facto do seguimento radical de Jesus Cristo, condenado por motivos religiosos, contrários ao judaísmo em voga, e por motivos políticos de insurreição contra as normas imperiais - tudo se afirmou. São positivas muitas das asserções produzidas: que Jesus trouxe ao mundo a novidade da horizontalidade do amor ao próximo; que o propósito de Francisco, cristão como é, seria querer a conversão de cardeais, bispos e cristãos, almejar colocar as mulheres em lugares cimeiros de decisão, com as consequências que daí advierem; que o papa, com a matriz da teologia da libertação no que ela tem de melhor, pretende ser a voz de todos aqueles que não têm voz, em razão da exclusão forçada, da pobreza, da doença, da velhice, do desemprego; que suas afirmações – como por exemplo, que esta economia mata, que não se pode aceitar a ditadura de uma economia sem rosto, baseada no mercado desenfreado, desviada dos pressupostos da ética antropológica – comportam riscos se forem utilizadas abusivamente por alguns poderes políticos. Mas também foi sugerido que Sua Santidade é um novo e autêntico intérprete da realidade, que deve ser ouvido pelos poderes, que se espera que ele erga a sua voz em grandes areópagos internacionais como a ONU, que ele não tem excessivas preocupações com o seu futuro ou que não teme pela sua vida. E foi deixada uma advertência: que, se é válido o aviso de que não se pode aceitar a crença vaga e  ingénua na economia que não preserva a dignidade humana, também se deve ter como aviso a afirmação análoga de que se não pode aceitar a crença vaga e ingénua na política que não seja serviço à mesma dignidade humana.
Ora, sobre tudo isto, parece-me acertado referir que a diversidade de opiniões sobre o perfil deste papa assenta na existência duma imprensa amiga que ele tem desde o momento da sua eleição, em diferentes visões da Igreja e do mundo, e em diversas expectativas criadas à sua volta. Por outro lado, não se pode pegar na laicidade ou secularismo para calar ou condicionar a voz dos homens e mulheres da Igreja, nem esperar da Igreja soluções políticas ou económicas. No entanto, o facto de a Igreja não ambicionar ter um programa político que se corporize num regime ou sistema de governança a seguir por este ou aquele estado e de não se esperar que ela apresente soluções para o descalabro económico, a iniquidade política ou as injustiças sociais não a iliba de responsabilidades na matéria nem a inibe de apresentar propostas e diretrizes epistemológicas para a solução dos problemas à escala local regional e mundial, lá ou cá onde os homens vivam na carne e na alma situações aviltantes ou dificuldades lancinantes. Não se pode confundir política com intervenção partidária. Se política é a intervenção na pólis  (à grega) ou na civitas  (à romana), ela comporta a definição de linhas de rumo para a comunidade. E não vale refugiarmo-nos, quiçá hipocritamente, na despretensiosa intervenção cívica para negarmos a responsabilidade política. Laicidade e secularismo não equivalem a confinação a espaço de mera consciência individual ou de sacristia de grossas paredes (no sentido positivo, secular é aquele que vive no mundo e com ele se compromete; laico ou leigo é o membro do povo – se o povo for crente, como é que há de ser este membro do laós?). Separação das igrejas e estados não pode significar silenciamento mútuo nem de uma das partes; se significa independência, também pode, na linha da definição de laicidade positiva proposta por Bento XVI e por Sarkozy, facultar audição mútua e cooperação!
Finalmente, acompanho o lamento do sacerdote jesuíta que lamenta o drama de não se ter lido a espantosa encíclica de Bento XVI "Caritas in Veritate" (Creio que ainda estamos a tempo) ou o seu discurso no parlamento berlinense. É que este papa, revolucionando mentalidades, palavras e atitudes está na linha da sucessão papal na refontalização e no diálogo com a modernidade. E, sobretudo, não se pode deixar de afirmar a atitude profética da denúncia do descarte dos sem vez e sem voz, do anúncio esperançoso do mundo que há de vir com a solução dignificante dos problemas humanos e o compromisso radical com todos os filhos de Deus, sejam eles quem forem, estejam eles onde estiverem.
Louro de Carvalho

No dia dos Direitos Humanos

"Hoje celebra-se o dia mundial dos Direitos Humanos. Veja aqui.

Um bom pretexto para falar aqui de  aspetos de elevada importância. Não cuidem que vou falar da fome no mundo, da guerra em alguns lugares da terra, do tráfico humano, da violação de crianças e da violência doméstica, da insegurança... Obviamente, que são assuntos que merecem o meu maior respeito e reflexão profunda. Não será para agora" (aqui).

 Assisti ontem ao programa de Fátima Campos Ferreira, Prós e Contra, «A Revolução do Papa Francisco». Confesso que não me encheu as medidas, pois esperava muito mais.
 "No referido programa, o professor Freitas do Amaral afirmou, estamos a regredir, já estamos ao nível do Estado Novo, daqui a dias estamos ao nível da Primeira República, a seguir à Monarquia e depois vamos chegar até à Idade Média? – De facto, estamos a regredir e a tratarmos as pessoas desta forma, temo que já estejamos ao nível da escravatura e a violar os Direitos Humanos de forma despudorada e com a maior das insensibilidades" (aqui) . 

1. Os idosos. Grande parte deles trabalhou imenso e durante muitos anos. Só muito poucos tem uma reforma condigna. A maioria usufrui reformas baixíssimas que a crise deixa mais baixas ainda. Alguns tiram à boca para poderem comprar os remédios; outros, já nem isso...
Esta gente que deu a este país tudo, recebe agora do país a dependência. Sim, dependência dos filhos e/ou da solidariedade social para poder sobreviver. E porque não têm voz nem vez, sofrem calados e sofredores a injustiça. 
Enquanto isto, um grupo privilegiado tem reformas de luxo, ofensa ao sofrimento rastejante da maioria!  Penso que nenhuma reforma deveria ultrapassar os dois mil euros. Assim os que têm menos poderiam receber um pouquinho mais. A um rico, cinco euros nem "aquenta, nem arrefenta", mas a um pobre...

2. Como é que a sociedade barafusta, insurge-se, exige, escreve, manifesta-se contra os maus tratos aos animais, mas permanece insensível, impávida, calada, indiferente aos milhares e milhares de pessoa que vivem na rua? Querem melhor exemplo de maus tratos? É lógica, compreensível, humana a preocupação com os animais. Mas é ilógica, incompreensível e desumana a indiferença perante a exclusão social de pessoas.
Como é que a sociedade, os sindicatos, os partidos, as associações patronais, ficam calados ao verem um velho ou uma criança a vasculhar no lixo algo para comer?
Se aparece um cão ou um gato abandonados, ui, gritaria imensa! Mas se aparece uma pessoa a dormir num contentor, num saco de cartão ou embrulhado num cobertor na rua, nem notícia é, nem comentário merece! Que miserável falta de humanismo! Parece que estamos a reviver o fim do Império Romano...

3. Gostei de ver ontem, no programa acima referido, o desejo de mais intervenção proféticas por parte da hierarquia da Igreja portuguesa. Vários assinalaram este facto.
Há muito me parece que a Igreja portuguesa meteu a "profecia na gaveta". E não mostra garra, audácia, para acompanhar o ritmo de Francisco. Continua agarrada a velhas temáticas, velhas linguagens, velhos interesses, muito fechada sobre si mesma, pouco disponível para as periferias. Mais reativa do que pró-ativa.
Já Bento XVI dizia que a Igreja não deve ficar só na prática da solidariedade, mas empenhar-se profundamente nas questões atinentes à justiça social. Isto exige profecia, saída da "caixa de comodidade", ousadia. E aqui os pobres só têm que ocupar o 1º lugar das suas preocupações.