quinta-feira, 14 de novembro de 2019

No encerramento da Semana dos Seminários, celebra-se o III Dia Mundial dos Pobres

Resultado de imagem para D. Helder Câmara
D. Hélder Câmara
D. Manuel Martins
Padre Américo, fundador do Gaiato
Padre Pio de Pietrelcina
Papa João XXIII
Papa Francisco
Padre Aníbal Rebelo Bastos
P.e Daniel Comboni
Etc, etc, etc
Apenas um grupinho entre o infindável número de sacerdotes apaixonados pelos pobres e sofredores. Lute-se sem cessar contra a pobreza e a miséria, mas salve-se sempre o pobre.
Uma homenagem justa e grata a tantos e tantos sacerdotes que fizeram da dignidade humana um lema da vida, lutando por ela onde é especialmente espezinhada: pobres, doentes, marginalizados…
Neste Mês das Almas, é sempre bom recordar a cada homem e a cada mulher: "Desta vida, só levamos o que damos, nunca o que temos."

terça-feira, 12 de novembro de 2019

"Só é feliz quem segue a sua vocação"

Semana dos Seminários. Entrava numa das capelas da paróquia para a celebração da Eucaristia. Num dos bancos vi uma avó ajoelhada diante do sacrário. A seu lado, um netinho ajoelhava também. A mesma postura, a mesma elevação, a mesma serenidade. Encantador.
Hoje os avôs são "louquinhos" pelos netos. Ainda bem.
Resultado de imagem para avó e neto a rezar na Igreja
Levam-nos à escola, ficam com eles em casa na ausência dos pais, mimam-nos, dão-lhes prendinhas, fazem-lhes as comidas de que gostam, passeiam com eles, brincam, contam histórias… Tudo bonito.
Só que para muitos avós cristãos isso não chega. Falta o melhor. Falta Deus.
Os pais, refugiam-se nos muitos trabalhos. Andam muitas vezes demasiado ocupados com o mundanismo, esquecendo o importante: a educação cristã dos filhos, que passa, em primeiro lugar, pelo testemunho.
É nestas circunstâncias que os avós - pais duas vezes - devem levar muito a sério a educação cristã dos netos, que passa, desde o berço, pela abertura ao transcendente. Pela experiência de admiração e contemplação do divino. Pela oração. Pelo elementar conhecimento da História da Salvação.
Uma avó, que costumava ficar algumas noites com um netinho seu, contou-me que, ao adormecer o pequeno, lhe contava uma história bíblica. O miúdo ficava fascinado e queria sempre mais uma, afirmando: "Vovó, as tuas histórias são muito mais giras do que as do papá e da mamã!"
A voz de Deus escuta-se no coração. Como se pode ouvi-l'O  se não estamos habituados à sua voz? Se a voz de Deus é pura e simplesmente desconhecida? A habituação à voz de Deus começa a partir do berço.
"Só é feliz quem segue a sua vocação", diz o povo. Então se os pais e os avós querem filhos e netos felizes, habituem-nos a escutar a voz do Senhor, entusiasmem-nos a segui-la, ajudem-nos, seja qual for o caminho a que os Senhor os chame e não aquele que gostavam que seguisse.
E se Deus chamar o seu filho/neto ao sacerdócio e ele não escutar porque você não soube ser despertador?
Pense nisso.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Crise vocacional na Igreja

Há falta de vocações sacerdotais e de consagração em muitos locais do mundo. É o caso de Portugal.
Cada vez mais paróquia a cargo do mesmo pároco. Mosteiros e conventos que fecham. Casas religiosas que encerram.
Perante a crise, muitos pugnam pelo regresso de velhas e bafientas receitas que a História guarda no baú. Como se fosse possível o "tempo voltar atrás" ou como se quisessem guardar "vinho novo em odres velhos".
A mensagem bíblica aponta noutra direção. Para tempos novos, respostas novas. Ouçamos Cristo: «Quando vedes uma nuvem levantar-se do poente, dizeis logo: 'Vem lá a chuva'; e assim sucede. E quando sopra o vento sul, dizeis: 'Vai haver muito calor'; e assim acontece. Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?» (Mt 16,1-4)
"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas…" (Ap 2,7)


 Há sinais que apontam para respostas novas. O último Sínodo sobre a Amazónia propôs ao Papa que, para aquela zona do mundo, pudessem ser ordenados padres diáconos casados. O Papa anunciou em finais de outubro a reabertura de comissão para debater diaconado feminino.
A meu ver, falta ainda que a Igreja como um todo, valorize mais e mais a missão dos leigos e que estes queiram assumir o seu serviço na comunidade eclesial e no mundo. Nisso o Concílio Vaticano II foi claro. Penso que passará muito por este campo a Igreja dos tempos atuais e futuros.
Numa família, quando um familiar está doente, incapacitado, ausente, os outros membros, na medida do possível e sempre que possível, procuram supri-lo.
Leigos, que são Igreja pelo batismo, têm um enorme e belo desafio pela frente. Que tenham todo o apoio, confiança e incentivo da hierarquia. Que despertem para a sua nobre missão! Menos clericalização e mais comunidade.
Nesta Semana dos Seminários, temos consciência de que todos somos Igreja?
Se as vocações sacerdotais e de consagração são indispensáveis, também é indispensável a vocação laical.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

III DIA MUNDIAL DOS POBRES

17 DE NOVEMBRO DE 2019
«A esperança dos pobres jamais se frustrará»
Resultado de imagem para dia mundial dos pobres
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O III DIA MUNDIAL DOS POBRES
1. «A esperança dos pobres jamais se frustrará» (Sal 9, 19). Estas palavras são de incrível atualidade. Expressam uma verdade profunda, que a fé consegue gravar sobretudo no coração dos mais pobres: a esperança perdida devido às injustiças, aos sofrimentos e à precariedade da vida será restabelecida.
O salmista descreve a condição do pobre e a arrogância de quem o oprime (cf. Sal 10, 1-10). Invoca o juízo de Deus, para que seja restabelecida a justiça e vencida a iniquidade (cf. Sal 10, 14-15). Parece ecoar nas suas palavras uma questão que atravessa o decurso dos séculos até aos nossos dias: como é que Deus pode tolerar esta desigualdade? Como pode permitir que o pobre seja humilhado, sem intervir em sua ajuda? Por que consente que o opressor tenha vida feliz, enquanto o seu comportamento haveria de ser condenado precisamente devido ao sofrimento do pobre?
No período da redação do Salmo, assistia-se a um grande desenvolvimento económico, que acabou também – como acontece frequentemente – por gerar fortes desequilíbrios sociais. A desigualdade gerou um grupo considerável de indigentes, cuja condição aparecia ainda mais dramática quando comparada com a riqueza alcançada por poucos privilegiados. Observando esta situação, o autor sagrado pinta um quadro realista e muito verdadeiro.
Era o tempo em que pessoas arrogantes e sem qualquer sentido de Deus espiavam os pobres para se apoderar até do pouco que tinham, reduzindo-os à escravidão. A realidade, hoje, não é muito diferente! A numerosos grupos de pessoas, a crise económica não lhes impediu um enriquecimento tanto mais anómalo quando confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas e a quem falta o necessário, acabando por vezes humilhados e explorados. Acodem à mente estas palavras do Apocalipse: «Porque dizes: “sou rico, enriqueci e nada me falta”, e não te dás conta de que és um infeliz, um miserável, um pobre, um cego, um nu?» (3, 17). Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada. Assim, as palavras do salmo não dizem respeito ao passado, mas ao nosso presente submetido ao juízo de Deus.
2. Também hoje devemos elencar muitas formas de novas escravidões a que estão submetidos milhões de homens, mulheres, jovens e crianças.
Todos os dias encontramos famílias obrigadas a deixar a sua terra à procura de formas de subsistência noutro lugar; órfãos que perderam os pais ou foram violentamente separados deles para uma exploração brutal; jovens em busca duma realização profissional, cujo acesso lhes é impedido por míopes políticas económicas; vítimas de tantas formas de violência, desde a prostituição à droga, e humilhadas no seu íntimo. Além disso, como esquecer os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos, muitas vezes instrumentalizados para uso político, a quem se nega a solidariedade e a igualdade? E tantas pessoas sem abrigo e marginalizadas que vagueiam pelas estradas das nossas cidades?
Quantas vezes vemos os pobres nas lixeiras a catar o descarte e o supérfluo, a fim de encontrar algo para se alimentar ou vestir! Tendo-se tornado, eles próprios, parte duma lixeira humana, são tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices deste escândalo. Aos pobres, frequentemente considerados parasitas da sociedade, não se lhes perdoa sequer a sua pobreza. A condenação está sempre pronta. Não se podem permitir sequer o medo ou o desânimo: simplesmente porque pobres, serão tidos por ameaçadores ou incapazes.
Drama dentro do drama, não lhes é consentido ver o fim do túnel da miséria. Chegou-se ao ponto de teorizar e realizar uma arquitetura hostil para desembaraçar-se da sua presença mesmo nas estradas, os últimos espaços de acolhimento. Vagueiam duma parte para outra da cidade, esperando obter um emprego, uma casa, um afeto… Qualquer possibilidade que eventualmente lhes seja oferecida, torna-se um vislumbre de luz; e mesmo nos lugares onde deveria haver pelo menos justiça, até lá muitas vezes se abate sobre eles violentamente a prepotência. Constrangidos durante horas infinitas sob um sol abrasador para recolher a fruta da época, são recompensados com um ordenado irrisório; não têm segurança no trabalho, nem condições humanas que lhes permitam sentir-se iguais aos outros. Para eles, não existe fundo de desemprego, liquidação nem sequer a possibilidade de adoecer.
Com vivo realismo, o salmista descreve o comportamento dos ricos que roubam os pobres: «Arma ciladas para assaltar o pobre e (…) arrasta-o na sua rede» (cf. Sal 10, 9). Para eles, é como se se tratasse duma caçada, na qual os pobres são perseguidos, presos e feitos escravos. Numa condição assim, fecha-se o coração de muitos, e leva a melhor o desejo de desaparecer. Em suma, reconhecemos uma multidão de pobres, muitas vezes tratados com retórica e suportados com fastídio. Como que se tornam invisíveis, e a sua voz já não tem força nem consistência na sociedade. Homens e mulheres cada vez mais estranhos entre as nossas casas e marginalizados entre os nossos bairros.
3. O contexto descrito pelo salmo tinge-se de tristeza, devido à injustiça, ao sofrimento e à amargura que fere os pobres. Apesar disso, dá uma bela definição do pobre: é aquele que «confia no Senhor» (cf. 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado. Na Escritura, o pobre é o homem da confiança! E o autor sagrado indica também o motivo desta confiança: ele «conhece o seu Senhor» (cf. 9, 11) e, na linguagem bíblica, este «conhecer» indica uma relação pessoal de afeto e de amor.
Encontramo-nos perante uma descrição verdadeiramente impressionante, que nunca esperaríamos. Assim faz sobressair a grandeza de Deus, quando Se encontra diante dum pobre. A sua força criadora supera toda a expetativa humana e concretiza-se na «recordação» que Ele tem daquela pessoa concreta (cf. 9, 13). É precisamente esta confiança no Senhor, esta certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança. Sabe que Deus não o pode abandonar; por isso, vive sempre na presença daquele Deus que Se recorda dele. A sua ajuda estende-se para além da condição atual de sofrimento, a fim de delinear um caminho de libertação que transforma o coração, porque o sustenta no mais profundo do seu ser.
4. Constitui um refrão permanente da Sagrada Escritura a descrição da ação de Deus em favor dos pobres. É Aquele que «escuta», «intervém», «protege», «defende», «resgata», «salva»… Em suma, um pobre não poderá jamais encontrar Deus indiferente ou silencioso perante a sua oração. É Aquele que faz justiça e não esquece (cf. Sal 40, 18; 70, 6); mais, constitui um refúgio para o pobre e não cessa de vir em sua ajuda (cf. Sal 10, 14).
Podem-se construir muitos muros e obstruir as entradas, iludindo-se assim de sentir-se a seguro com as suas riquezas em prejuízo dos que ficam do lado de fora. Mas não será assim para sempre. O «dia do Senhor», descrito pelos profetas (cf. Am 5, 18; Is 2 – 5; Jl 1 – 3), destruirá as barreiras criadas entre países e substituirá a arrogância de poucos com a solidariedade de muitos. A condição de marginalização, em que vivem acabrunhadas milhões de pessoas, não poderá durar por muito tempo. O seu clamor aumenta e abraça a terra inteira. Como escrevia o Padre Primo Mazzolari: «O pobre é um contínuo protesto contra as nossas injustiças; o pobre é um paiol. Se lhe ateias o fogo, o mundo vai pelo ar».
5. Não é possível jamais iludir o premente apelo que a Sagrada Escritura confia aos pobres. Para onde quer que se volte o olhar, a Palavra de Deus indica que os pobres são todos aqueles que, não tendo o necessário para viver, dependem dos outros. São o oprimido, o humilde, aquele que está prostrado por terra. Mas, perante esta multidão inumerável de indigentes, Jesus não teve medo de Se identificar com cada um deles: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Esquivar-se desta identificação equivale a ludibriar o Evangelho e diluir a revelação. O Deus que Jesus quis revelar é este: um Pai generoso, misericordioso, inexaurível na sua bondade e graça, que dá esperança sobretudo a quantos estão desiludidos e privados de futuro.
Como não assinalar que as Bem-aventuranças, com que Jesus inaugurou a pregação do Reino de Deus, começam por esta expressão: «Felizes vós, os pobres» (Lc 6, 20)? O sentido deste anúncio paradoxal é precisamente que o Reino de Deus pertence aos pobres, porque estão na condição de o receber. Encontramos tantos pobres cada dia! Às vezes parece que o transcorrer do tempo e as conquistas da civilização, em vez de diminuir o seu número, aumentam-no. Passam os séculos, e aquela Bem-aventurança evangélica apresenta-se cada vez mais paradoxal: os pobres são sempre mais pobres, e hoje são-no ainda mais. Mas, colocando no centro os pobres ao inaugurar o seu Reino, Jesus quer-nos dizer precisamente isto: Ele inaugurou, mas confiou-nos, a nós seus discípulos, a tarefa de lhe dar seguimento, com a responsabilidade de dar esperança aos pobres. Sobretudo num período como o nosso, é preciso reanimar a esperança e restabelecer a confiança. É um programa que a comunidade cristã não pode subestimar. Disso depende a credibilidade do nosso anúncio e do testemunho dos cristãos.
6. Ao aproximar-se dos pobres, a Igreja descobre que é um povo, espalhado entre muitas nações, que tem a vocação de fazer com que ninguém se sinta estrangeiro nem excluído, porque a todos envolve num caminho comum de salvação. A condição dos pobres obriga a não se afastar do Corpo do Senhor que sofre neles. Antes, pelo contrário, somos chamados a tocar a sua carne para nos comprometermos em primeira pessoa num serviço que é autêntica evangelização. A promoção, mesmo social, dos pobres não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho; pelo contrário, manifesta o realismo da fé cristã e a sua validade histórica. O amor que dá vida à fé em Jesus não permite que os seus discípulos se fechem num individualismo asfixiador, oculto nas pregas duma intimidade espiritual, sem qualquer influxo na vida social (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 183).
Recentemente, choramos a perda dum grande apóstolo dos pobres, Jean Vanier, o qual, com a sua dedicação, abriu novos caminhos à partilha promotora das pessoas marginalizadas. Jean Vanier recebeu de Deus o dom de dedicar toda a sua vida aos irmãos com deficiências profundas, que muitas vezes a sociedade tende a excluir. Foi um «santo da porta ao lado» da nossa; com o seu entusiasmo, soube reunir à sua volta muitos jovens, homens e mulheres, que, com o seu empenho diário, deram amor e devolveram o sorriso a tantas pessoas vulneráveis e frágeis, oferecendo-lhes uma verdadeira «arca» de salvação contra a marginalização e a solidão. Este seu testemunho mudou a vida de muitas pessoas e ajudou o mundo a olhar com olhos diferentes para as pessoas mais frágeis e vulneráveis. O clamor dos pobres foi ouvido e gerou uma esperança inabalável, criando sinais visíveis e palpáveis dum amor concreto, que podemos constatar até ao dia de hoje.
7. «A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora» (ibid., 195), é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos. É neles que a caridade cristã encontra a sua prova real, porque quem partilha os seus sofrimentos com o amor de Cristo recebe força e dá vigor ao anúncio do Evangelho.
O compromisso dos cristãos, por ocasião deste Dia Mundial e sobretudo na vida ordinária de cada dia, não consiste apenas em iniciativas de assistência que, embora louváveis e necessárias, devem tender a aumentar em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade. «Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação» (ibid., 199) pelos pobres, buscando o seu verdadeiro bem. Não é fácil ser testemunha da esperança cristã no contexto cultural do consumismo e do descarte, sempre propenso a aumentar um bem-estar superficial e efémero. Requer-se uma mudança de mentalidade para redescobrir o essencial, para encarnar e tornar incisivo o anúncio do Reino de Deus.
A esperança comunica-se também através da consolação que se implementa acompanhando os pobres, não por alguns dias permeados de entusiasmo, mas com um compromisso que perdura no tempo. Os pobres adquirem verdadeira esperança, não quando nos veem gratificados por lhes termos concedido um pouco do nosso tempo, mas quando reconhecem no nosso sacrifício um ato de amor gratuito que não procura recompensa.
8. A tantos voluntários, a quem muitas vezes é devido o mérito de ter sido os primeiros a intuir a importância desta atenção aos pobres, peço para crescerem na sua dedicação. Queridos irmãos e irmãs, exorto-vos a procurar, em cada pobre que encontrais, aquilo de que ele tem verdadeiramente necessidade; a não vos deter na primeira necessidade material, mas a descobrir a bondade que se esconde no seu coração, tornando-vos atentos à sua cultura e modos de se exprimir, para poderdes iniciar um verdadeiro diálogo fraterno. Coloquemos de parte as divisões que provêm de visões ideológicas ou políticas, fixemos o olhar no essencial que não precisa de muitas palavras, mas dum olhar de amor e duma mão estendida. Nunca vos esqueçais que «a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual» (ibid., 200).
Antes de tudo, os pobres precisam de Deus, do seu amor tornado visível por pessoas santas que vivem ao lado deles e que, na simplicidade da sua vida, exprimem e fazem emergir a força do amor cristão. Deus serve-se de tantos caminhos e de infinitos instrumentos para alcançar o coração das pessoas. É certo que os pobres também se aproximam de nós porque estamos a distribuir-lhes o alimento, mas aquilo de que verdadeiramente precisam ultrapassa a sopa quente ou a sanduíche que oferecemos. Os pobres precisam das nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor...
9. Por vezes, basta pouco para restabelecer a esperança: basta parar, sorrir, escutar. Durante um dia, deixemos de parte as estatísticas; os pobres não são números, que invocamos para nos vangloriar de obras e projetos. Os pobres são pessoas a quem devemos encontrar: são jovens e idosos sozinhos que se hão de convidar a entrar em casa para partilhar a refeição; homens, mulheres e crianças que esperam uma palavra amiga. Os pobres salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto de Jesus Cristo.
Aos olhos do mundo, é irracional pensar que a pobreza e a indigência possam ter uma força salvífica; e, todavia, é o que ensina o Apóstolo quando diz: «Humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus» (1 Cor 1, 26-29). Com os olhos humanos, não se consegue ver esta força salvífica; mas, com os olhos da fé, é possível vê-la em ação e experimentá-la pessoalmente. No coração do Povo de Deus em caminho, palpita esta força salvífica que não exclui ninguém, e a todos envolve numa verdadeira peregrinação de conversão para reconhecer os pobres e amá-los.
10. O Senhor não abandona a quem O procura e a quantos O invocam; «não esquece o clamor dos pobres» (Sal 9, 13), porque os seus ouvidos estão atentos à sua voz. A esperança do pobre desafia as várias condições de morte, porque sabe que é particularmente amado por Deus e, assim, triunfa sobre o sofrimento e a exclusão. A sua condição de pobreza não lhe tira a dignidade que recebeu do Criador; vive na certeza de que a mesma ser-lhe-á restabelecida plenamente pelo próprio Deus. Ele não fica indiferente à sorte dos seus filhos mais frágeis; pelo contrário, observa as suas fadigas e sofrimentos, para os tomar na sua mão, e dá-lhes força e coragem (cf. Sal 10, 14). A esperança do pobre torna-se forte com a certeza de que é acolhido pelo Senhor, n’Ele encontra verdadeira justiça, fica revigorado no coração para continuar a amar (cf. Sal 10, 17).
Aos discípulos do Senhor Jesus, a condição que se lhes impõe para serem evangelizadores coerentes é semear sinais palpáveis de esperança. A todas as comunidades cristãs e a quantos sentem a exigência de levar esperança e conforto aos pobres, peço que se empenhem para que este Dia Mundial possa reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade. Acompanhem-nos as palavras do profeta que anuncia um futuro diferente: «Para vós, que respeitais o meu nome, brilhará o sol de justiça, trazendo a cura nos seus raios» (Ml 3, 20).
Vaticano, na Memória litúrgica de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2019.
Francisco

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Bodas de Prata Matrimoniais

5 de novembro. Capela dos Esporões. O Miguel e a Daniela celebraram os seus 25 anos de Matrimónio.
Havíamos conversado. Não queriam nada de espectacular. Tudo muito simples, familiar, próximo. Na missa semanal na capela dos Esporões. "Mas se não der, vamos a outro lado onde haja Eucaristia nesse dia", afirmaram.
Assim foi. Com a presença dos familiares que puderam marcar presença e com as pessoas que foram à Eucaristia.
A coordenadora do Coral das 11h, com um grupinho de pessoas, apareceram. Uma surpresa para o casal. A mãe do "noivo" proclamou a Leitura.
Na breve homilia, o pároco falou da beleza do namoro na vida de todo o casal; da importância do serviço de todos para o bem da família onde não há senhores nem servos, mas a dignidade da pessoa humana que o amor conjugal enleva; da fundamentalidade de Deus origem e fonte de todo o amor. Amor conjugal sem Deus e sem serviço à comunidade transforma-se em charco de água estagnada que apodrece…
No final, todos cumprimentaram o casal em Bodas de Prata e entoou-se o Parabéns a Você, que se veio a repetir em relação ao Armindo, presente na celebração, e que fazia anos de nascimento.
Cerimónia simples, acolhedora, bonita.
Parabéns a este casal. Que nunca se esqueça de lutar por ser feliz.
Como é bom celebrar um amor sem prazos de duração!

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Na Igreja: OS ULTRA-CONSERVADORES E OS FUNDAMENTALISTAS


Resultado de imagem para liturgia antiga
Não é só a Religião Islâmica que tem fundamentalistas. No Catolicismo também os há. Com uma diferença: os fundamentalistas católicos não usarão  armas nem o terrorismo dos atentados e das guerras… Refiro-me a católicos.
É um dos assuntos que mais me preocupa nos tempos atuais. A existência de grupos ultraconservadores e, pior ainda, fundamentalistas. Julgam-se os "os bons católicos". Os outros são hereges, comunistas, marxistas, maçons, mundanos, infiéis. São grupos aguerridos e que fazem das novas tecnologias o seu campo de batalha. Grupos pequenos, mas que querem fazer passar a mensagem de que são a maioria.
Perdoem-me a impressão. Mas tudo aquilo que Jesus condenou nos fariseus do seu tempo, revejo na atuação destes pequenos grupos.
Com a devida vénia, transcrevo um texto que aborda este tema, de premente atualidade. Peço a sua leitura.

"O substantivo ou adjectivo, como lhe quiserem chamar, não é da minha autoria. Chamam-se ultras àquelas pessoas que, por algum motivo e em determinado aspecto, são extremistas ou radicais. Ouso chamar ultras àqueles católicos de uma ala extremamente conservadora e que têm atacado veementemente o Papa Francisco e grande parte das suas opções, posturas, discursos e documentos, indiciando que estão contra a doutrina e contra a Igreja. 
Os ultras são, na sua maioria, gente que gosta de se pensar como uma elite. Cardeais, ou parecidos, que adoram longas caudas e longas vénias, vestes bordadas e de marca, autênticos príncipes e princesas da Igreja instituição. Padres e quase padres, ou leigos que parecem mais que padres, e citam de cor o catecismo, Tomás de Aquino, documentos e papas de séculos passados. Os argumentos são quase sempre citações ou passagens da história caducada. Também citam a Bíblia, como arma de arremesso, porque a Bíblia diz assim e assado. Porém, apenas utilizam passagens e versículos que justificam, literalmente, as suas investidas. Parece gente formada. Mas é mais enformada que formada. Mais manipulada que formada. Aliás, utiliza muito esse estratagema da manipulação. E segue líderes interesseiros que não estão dispostos a perder o seu status quo. Gente que se acha dona do Espírito Santo e sabe a vontade de Deus, em primeira mão. 
Arrogam-se o direito de atacar quem quer que tenha opinião diferente da sua ou que ponha em causa a pretensa doutrina ou as normas morais. Nem que seja o Sumo Pontífice. Ou seja, o responsável máximo da mesma Igreja que tanto defendem. São integristas, donos da verdade, e veem inimigos em tudo e em todos. Porque todos os outros são impuros. Não fazem parte do grupo dos puros. Vade retro. 
São católicos que estagnaram numa fase da história da Igreja que já lá vai, mas que querem ressuscitar. Na esperança de que haja uma nova ressurreição. Não a de Jesus. Mas a da Igreja que desfaleceu. Gente que não quer ver os sinais dos tempos e se sente ofendida que alguém o faça. Gente que se acha a mais católica do mundo e que faz juras de fidelidade à mãe Igreja. Na sua boca, fica-se, muitas vezes com a sensação de que é Deus que serve a Igreja e não a Igreja a Deus. 
Gente que me faz lembrar os fariseus hipócritas do tempo de Jesus que viviam para cumprir coisas, rituais, preceitos, sem que isso interferisse realmente no mais íntimo das suas vidas, o coração. Conjunto de gentes que gostam de se chamar comunidades, embora sejam mais guetos fechados sobre si mesmos, que vivem mais para manter as crenças dogmáticas do que a simplicidade da fé e do amor salvador e misericordioso de Deus. Gente que é capaz de adorar a Deus, mas não tenho a certeza de que O amem."
Fonte: aqui

sábado, 2 de novembro de 2019

COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS

A imagem pode conter: planta, flor, ar livre e natureza
Há pessoas que "habitam" sempre dentro de nós, porque hoje somos. Outras há, que passaram por nós e que sempre " vão ficar".
 
Que é morrer
senão erguer-se nu ao vento...

e fundir-se com o sol?
Que é deixar de respirar
senão libertar o sopro
das incessantes marés
para poder elevar-se e expandir-se
e buscar Deus sem barreiras.
Se verdadeiramente quereis contemplar
o espírito da morte,
abri de par em par o vosso coração
ao corpo da Vida.
Porque a vida e a morte
são uma só coisa,
como são uma só coisa
o rio e o mar.
E como as sementes
que sonham debaixo da neve
o vosso coração sonha com a primavera.
confiai nos sonhos,
porque neles se oculta
a porta da eternidade.

 
Khalil Gibran, in O Profeta

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

ESTÁ A DECORRER NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA A APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA DO GOVERNO

Entre muitas questões, gostaria de focar algumas:...
A imagem pode conter: interiores
1) ---Quando vão ser dadas aos trabalhadores do sector privado as mesmas regalias e condições que têm os que trabalham no sector público? Não são todos portugueses? Sinto que a situação presente - que me parece vai continuar - é uma escandalosa situação de desigualdade.
Porque recebem 635,00 como ordenado mínimo os trabalhadores da função pública e 600,00 os do sector privado? Porque trabalham só 35 horas semanais os trabalhadores do sector público e 40 horas os do sector privado? Porque têm regalias da ADSE, para eles e para os filhos, os trabalhadores do sector público e não têm acesso a essas regalias os do sector privado?
Não quero dizer que os funcionários públicos têm culpa. De modo nenhum. A maior parte dos trabalhadores do sector público também são mal pagos. A maior parte não recebe mais do que o salário mínimo. Só quero dizer que, mesmo assim, os trabalhadores do sector privado ainda estão pior, porque trabalham mais horas, recebem ainda menos do que os do sector público e não têm as regalias e facilidades da ADSE.
2).---Está previsto e prometido o aumento do ordenado mínimo para 750,00 até 2023. Recebendo 600, 00, se o casal paga 300 ou 400 euros de renda de casa, e tem que sustentar mulher e filhos, o que lhe sobra?
Bem é preciso aumentar-se o ordenado mínimo para todos os trabalhadores (do público e do privado) porque existe no país uma desigualdade escandalosa nos proventos das pessoas que trabalham. Na mesma empresa, há quem ganhe milhões e quem ganhe tostões!
Tal aumento, dizem, depende da evolução da economia.
Se a economia não crescer, vai tudo ficar na mesma? Em minha opinião, pouco rigorosa, a solução está na redução gradual dos vencimentos dos "administradores e dos engenheiros" para se poder aumentar um pouco os salários dos demais trabalhadores.
E porque não? - pergunto - fazer os trabalhadores participantes dos lucros das empresas, por vezes fabulosos?
O que acontece é que as pequenas empresas e as instituições sociais, com rendimentos diminutos, não vão poder garantir esses aumentos, e pode ser a sua morte. Mais uma vez, os grandes a matar os pequenos.
3).-----Quando se fala em falta de verbas para resolver os problemas da saúde, do ensino, dos transportes, etc. , porque se desbaratam essas verbas em despesas sumptuárias e propagandisticas, se dão livros e creches gratuitos aos filhos dos ricos e dos muito ricos, que não precisam delas, se dão privilégios exagerados aos políticos, subvenções vitalícias aos políticos reformados, e se dão milhões aos partidos para eles gastarem em cartazes e lembranças?
As despesas com os ministros, com os deputados, com os partidos, com os consultores são exageradíssimas.
Segundo li no "Público", só o Parlamento gasta 83 milhões de euros em 2019. E para subvenções aos partidos, vão 25,3 milhões.
Porque não imitamos os países ricos como a Dinamarca, a Suécia, a Suiça ou a Inglaterra?
O que eu estranho é que, esperando-se que os partidos da esquerda pusessem em questão tais despesas, não o fazem. Ninguém o faz. Talvez porque todos beneficiam delas.
4) ----No que toca à saúde e ao Serviço Nacional de Saúde, seria certamente muito bom que não houvesse uma saúde para os ricos e outra para os pobres e que todos tivessem acesso à saúde em iguais condições. Porém, as coisas só são teoricamente assim. Quem não tem a ADSE nem pode ter um bom seguro de saúde (só o podem ter os ricos), tem de esperar anos e anos para fazer uma simples operação às cataratas. Está sujeito a esperar por uma consulta de especialidade, anos e anos, com risco de chegar tarde de mais.
Quando os serviços públicos não são capazes de satisfazer as necessidades dos doentes, em tempo útil, o Estado tem obrigação de pagar essas consultas e intervenções cirúrgicas em clínicas privadas. O mesmo se diga de internamentos urgentes, para não terem de ficar amontoados nos corredores dos hospitais. Porque não o faz?
Desculpem, os meus amigos, de me intrometer em assuntos que não conheço a fundo, nem são da minha competência.
Vejam nisto apenas a manifestação do meu desagrado.
Eu sei bem como vivem as pessoas idosas das aldeias, com uma pensão paupérrima. Algumas, já vi eu em farmácias a não levantar os medicamentos que o médico lhes receitou, por não terem com que pagá-los! Gente que trabalhou no duro a vida inteira e tanto deu ao seu país. É muito triste! É escandaloso!
Joaquim Correia Duarte, in Facebook

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Quando a estupidez não tem limites...

Perdoem-me a linguagem do título deste post. Mas fiquei absolutamente indignado, revoltado, inquieto. A leitura deste post causou em mim estas reações. Como reagiria se o caso se passasse comigo?…
Não sei o nome das pessoas, nem do colega que os atendeu, nem da terra onde tal aconteceu. Nada interessa para o caso. Só interessa mesmo o caso.
Ora leiam então:
"Baptizado diferente
Senhor padre tal, que era eu, olhe, nós queríamos baptizar a nossa filha, mas queríamos algo diferente! Sabe, assim, usarmos uma música que costumamos colocar à Matilde, à noite, para a embalar. Tínhamos pensado em balões. Azul-turquesa clarinho, porque ela gosta muito dessa cor e nós também. Pelo menos ao fundo da Igreja, para se notar que é uma festa. Que é a festa da nossa menina. Para não ser só água, tínhamos pensado em colocar umas flores por cima daquele recipiente, que não nos recordamos como se chama. Pia baptismal, interrompo. Claro que queremos fazer uma coisa mais nossa. Mais familiar. Pouca gente. Apenas familiares e amigos. Quando lhes perguntei quantos seriam esses poucos familiares e amigos, responderam que não chegariam aos cento e cinquenta. Portanto, pouca gente, como é óbvio. Até tínhamos equacionado a hipótese de ser na igreja tal, que é muito bonita. Não que esta não seja. Mas, está a ver, era mais familiar. Só que acho que não cabemos lá. Porque são poucos, obviamente, penso eu. Ahhh, já nos íamos esquecendo. Estávamos a pensar em fazer a leitura de uns poemas em vez dos textos habituais, misturada com música clássica. Conhecemos um grupo que não é muito caro e que era capaz de ficar bem. Que acha, padre? Claro que não achei nada. Achei muita coisa e nada ao mesmo tempo. No meio de tudo aquilo, não encontrei nada. Nem o baptismo encontrei."
Fonte: aqui

terça-feira, 22 de outubro de 2019

"Não se preocupe, senhor Padre!"


Resultado de imagem para padre doente e assembleia
O Padre ia receber uma intervenção cirúrgica e avisou as pessoas do facto. Tratava-se de um povo pertencente à paróquia que ele serve. O sacerdote acrescentou que não seria possível, na sua ausência, haver Missa nos povos, apenas na Igreja Paroquial.
É então que surge, bela e nobre, a reação da assembleia. "Não se preocupe, senhor Padre! Primeiro está a sua saúde. Nosso Senhor não vai ficar abandonado. Enquanto o senhor não puder estar connosco, nós nos reuniremos, à hora do costume, para rezar o terço, proclamar as Leituras da Missa, fazer a Oração dos Fiéis. O Ministro Extraordinária da Comunhão dar-nos-á a Sagrada Comunhão. Depois quem puder vai à Igreja Paroquial. E esteja certo, rezaremos por si. "
A solidariedade, amizade, carinho, dedicação, interesse daquela gente para com o seu Padre é admirável.
Sem egoísmos e tradicionalismos ocos e legalistas.
Sem reclamações, má língua ou queixumes.
Com postura humanamente nobre.
E, acima de tudo, com fé. "Nosso Senhor não vai ficar abandonado."
Também na nossa diocese, cada vez mais se vai tornando impossível celebrar a Eucaristia de povinho em povinho. Por falta de sacerdotes, por cansaço de alguns, por doença de outros.
E se fosse o povo de Deus, atento, generoso, crente, caritativo, a tomar a iniciativa? "O senhor padre anda tão cansado, doente, esgotado, nós faremos a Celebração, preparando-a. Nós dispensamo-lo desta e daquela reunião, desta e daquela obra, desta e daquela iniciativa, deste e daquele trabalho… Nós faremos."
Também nisto é preciso desclericalizar a Igreja que todos somos pelo Batismo.
 Vós, leigos, também sois Igreja. O Espírito Santo também trabalha em vós.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Pai abandonado pela mulher, cuida sozinho dos cinco filhos




Ouvi referência a esta situação em casa de uma família amiga. Quando cheguei a casa, fiz consultas na internet sobre este caso.
Confesso que dormi mal... O rosto daquelas crianças e a confiança carinhosa do pai mexeram comigo.
Não condeno a mãe. Quem sou eu para julgar?
Admiro aquele pai, como admiro qualquer pai ou mãe que vai em frente, pese a desistência do cônjuge.
Sinto o agradável perfume do humanismo de tanta gente que, sabendo da situação desta família, se dispôs logo a ajudar.
Esta família, pobre de recursos materiais, revela uma riqueza humana, afetiva e efetiva, maravilhosa.
E porque o homem quer e Deus não falha, aposto todas as fichas na felicidade destas seis pessoas.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O SUCESSO ELEITORAL DO P.A.N. E A SUA EXPLICAÇÃO!!!

Nenhuma descrição de foto disponível.Existe um enorme equívoco nas leituras que se fazem do PAN. O seu sucesso não está relacionado com ecologia, está relacionado com a solidão.
O factor que levou o PAN ao Parlamento não foi a preocupação ecologista dos portugueses, foi a solidão das famílias e dos indivíduos nas nossas cidades. A pequenez das nossas famílias cria um vazio que é preenchida por cães e gatos. É só isto.
Numa sociedade de filhos únicos como a nossa, não há irmãos, não há primos. Mas há cães e gatos. Se não há crianças, também não há netos. Mas há cães e gatos.
O PAN vem desta absurda solidão familiar que se vive em Portugal, não vem da ecologia. Já agora, os cães também ocupam o vazio dos divórcios (segunda taxa mais alta da Europa).
A humanização dos animais, uma marca ocidental, é fortíssima em Portugal, porque nós somos uma das sociedades mais velhas, uma das sociedades com mais divórcios, e uma das sociedades com menos filhos.
Alerto há anos, aqui e na Renascença, contra os perigos do animalismo, precisamente porque vejo – há anos – a ascensão deste animalismo que humaniza cães e gatos como uma das marcas da decadência da família.
A família humana, diga-se.A ascensão do PAN é um indicativo da fragmentação total da família em Portugal. O PAN é mesmo um reflexo indirecto do nosso imenso e total fracasso colectivo. Somos um país sem filhos, sem irmãos, sem primos, sem netos, país de gente separada e solitária, um país onde a velhice pode ser uma tortura.
Henrique Raposo, Radio Renascença

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Francisco, um Papa que incomoda

Resultado de imagem para Francisco, um Papa que incomoda
[...] Atualmente, existe um forte grupo que se opõe à Igreja de Francisco. Leigos, teólogos, bispos e cardeais, que gostariam da demissão do papa ou, pelo menos, que ele logo desaparecesse da cena da Igreja na espera um novo Conclave ao qual caberia mudar o curso atual da Igreja.
(…)
As críticas endereçadas a Francisco têm duas dimensões: uma teológica e outra de natureza mais sócio-política; embora,  essas duas linhas frequentemente convirjam entre si.


Veja AQUI

Para onde caminhas CGD?

"CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS...
A INJUSTIÇA SOCIAL
Nenhuma descrição de foto disponível.
Um destes dias, fui à máquina da CGD com a caderneta para transferir uma pequena ajuda para uma instituição inte...rnacional que ajuda os pobres, nos países onde a miséria dói e a fome mata.
A máquina disse-me que, com a caderneta, já não podia fazer mais nada (nem levantar nem transferir dinheiro) a não ser actualizar a mesma caderneta.
A mim, que tenho cartão multibanco, não faz grande diferença, mas aos pobres e idosos que só têm e só sabem usar a caderneta, faz uma enorme diferença. Para qualquer assunto, têm que entrar na Caixa, esperar pela vez, e pagar ( e muito!!!) o serviço que lhes prestam, nomeadamente levantar o dinheiro que é deles e de que precisam para as suas despesas diárias.

Pensando nos idosos, fiquei revoltado por este abuso da Caixa.
Hoje, mais revoltado fiquei, ao saber que a Caixa vai aumentar as comissões de manutenção das contas aos clientes mais pobres, a partir de Janeiro e, IMAGINE-SE!, vai conceder uma bónus de 30% na manutenção das suas contas aos clientes que têm grandes saldos na sua conta e que auferem acima de 2.250,00 de pensão de reforma.
Um banco público, que devia estar ao serviço dos cidadãos?
Um banco público que teve no ano passado lucros multiplicados por 10, na ordem dos 496 milhões?
Porque emprestou e empresta a Caixa quantias fabulosas a Gerardos e C.ª , não cobra as dívidas aos seus grandes devedores, e depois explora assim os pobres deste país?
Os grandes devedores da banca passeiam-se por aí, em carros de alta gama, a rir-se de tudo e de todos...e nada lhes acontece!
Outra coisa me dói ainda.
Então, os portugueses trabalhadores e poupados colocam as suas poupanças na banca, na ideia de que lá estão mais seguras, para quando precisarem delas, a banca "governa-se" com esse dinheiro dos pobres, empresta-o sabe-se lá a quem e como, recebe certamente grandes juros, e não divide esses juros com os donos do dinheiro?
Tratando-se de um banco público, que devia ser uma referência aos bancos privados, como é possível que os nossos governantes pactuem com isto?
Isto é que é o socialismo?...
O que é, é uma vergonha sem classificação!
Desculpem o meu desabafo, mas não aguento ficar calado."
Fonte: aqui

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Eleições legislativas 2019: notas e opinião


Resultado de imagem para eleições legislativas 2019
Ocorreram em 6 de outubro as eleição para a Assembleia da República. A nível nacional, O PS venceu com 36,65% dos votos entrados nas urnas.

No Concelho de Tarouca e na União de Freguesias Tarouca/Dalvares, o PSD ganhou, respectivamente, com  com 39,43 % e 39.97% dos votos expressos.
Notas:
- Neste momento, faltam quatro deputados por eleger, uma vez que ainda não estão contados os votos dos portugueses nos consulados.

- Em 7 de outubro,  Portugal acordou com um PS mais forte, uma direita derrotada, PAN em grande e três estreias na Assembleia da República: Iniciativa Liberal, Livre e Chega. Cada um destes partidos elegeu um deputado.

- Dúvidas que ficam da noite eleitoral: Geringonça 2.0? Rio fica? Quem manda no CDS?

- Catarina Martins já disse que o Bloco está “preparado para negociar uma solução que ofereça estabilidade para o país”, seja através de uma negociação que inclua as suas prioridades já no Programa de Governo ou realizando “negociações ano a ano para cada orçamento”. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, preferiu não dar garantias, disse que a CDU irá determinar a sua posição caso a caso e que não haverá nova geringonça. “Não haverá repetição da cena do papel”, disse, em alusão à assinatura dos acordos bilaterais há quatro anos, que Bloco e PCP assinaram separadamente. O PAN já disse que não quer participar numa solução desta natureza.

- Partido Ecologista Os Verdes fica com apenas um deputado.

- Na geringonça, o PS subiu muito em relação às legislativas de 2015, mas a CDU e o Bloco baixaram a votação, tendo a CDU perdido 5 deputados, e mantendo o Bloco o mesmo número de deputados.

- CDS teve pior resultado de sempre e Cristas abandona liderança.

- O PSD de Rui Rio obteve o pior resultado do partido em legislativas dos últimos 20 anos, mas apenas em percentagem, já que conseguiu eleger mais deputados do que Pedro Santana Lopes em 2005.

- PSD vence legislativas no distrito de Viseu, embora eleja o mesmo número de deputados do que o PS: quatro.

A minha modesta opinião:
1. O povo disse, está dito. Felizmente que, em democracia, quem manda é o povo. É soberano.
2. A abstenção está muito alta. 45,5%. Isto obriga as forças políticas a repensar-se  e a repensar… Que motivos levam quase metade dos cidadãos eleitores a não votar? Mas também interroga os cidadãos que deixam nas mãos dos outros a decisão do seu futuro. Falta cidadania aos cidadãos…
3. Se se somarmos os votos brancos e nulos, temos 4,2%. Mais do que a votação do PAN que elegeu 4 deputados! Dá que pensar.
4. Em relação às legislativas de 2015, o PSD perdeu 7 deputados; a CDU, 5;  o CDS, 15. Os derrotados da noite eleitoral. O PS ganhou 21 e o PAN 3. Claramente os vencedores.
5. Clara e definitivamente. Não me identifico com as ideias da extrema-direita. Agora não aceito a bagunça que vai na comunicação social por causa da eleição, por parte do Chega, de um deputado. Em democracia, o povo é soberano, repito. Se ninguém questiona a presença da extrema-esquerda  no Parlamento, por que motivo se questiona a presença da extrema-direita?  Não são portugueses todos os cidadãos portugueses? Ou para a comunicação social há portugueses e portuguesitos?
6.  Os animais devem ser protegidos. Ninguém é obrigado a ter animais. Se os tem é para os respeitar com a dignidade que toda a criatura merece. Mas a idolatria dos animais, não. O animalismo, glorificação dos animais, transformados em deuses, não. Por isso interroga-me a alta votação no PAN. Que caminhos estamos a trilhar?  A ecologia não é hoje, felizmente, a bandeira de um só partido, mas a preocupação de todas e, acima de tudo, da sociedade. Está em causa o nosso destino colectivo.
6. Ninguém dá aquilo que não tem. A votação esmagadora nos partidos que  sublinham ideias distribucionistas sem sublinharem devidamente a obtenção de meios para a obtenção de riqueza, pode custar caro a curto/longo prazo. Temos essa experiência.  Acumulação de riqueza nas mãos de alguns, enquanto outros vivem à margem, nunca. Criação de riqueza para acelerar o elevador social, sempre.
7. Os valores contam pouco para os eleitores. Os partidos fracturantes  são premiados. E isto representa uma corrida para o abismo social se não invertermos a tendência. 

sábado, 5 de outubro de 2019


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Sínodo especial sobre a Amazónia

Resultado de imagem para Sínodo especial sobre a Amazónia
De 6 a 27 de outubro decorre no Vaticano uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazónica. “Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral” é o tema que será objeto de reflexão e que tem vindo a ser preparado localmente nos últimos anos.
O padre português Sérgio Leal participará como assistente da Secretaria Geral do Sínodo e revela as suas expectativas.
Aqui

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Muita gente em Tarouca pelo S. Miguel


A imagem pode conter: 2 pessoas, multidão, árvore, céu e ar livre
Entre  20 e 29 de setembro, decorreram as Festas de São Miguel, que são as Festas do Concelho. Por isso o Dia de S. Miguel, 29 de setembro, é o feriado municipal. Só que este ano calhou ao domingo…
Em  20 de setembro, pelas 21h00, foram oficialmente inauguradas as Festas de S. Miguel 2019. Pelas 22h00, o Centro Cívico da cidade de Tarouca recebeu o espetáculo dos Reis da Música Nacional, que contou  com as atuações de Edmundo Vieira, Irmãos Verdades, Bruna, Sérgio Rossi e Romana.
A 21 de setembro, pelas 21h30, sobiu ao palco a Orquestra Vale Varosa e, pelas 23h00, começou mais um Varosa Moments na Casa do Paço de Dalvares, numa noite especialmente dedicada aos jovens.
No dia 22, pelas 15h00, o destaque foi para o Cortejo Histórico e Etnográfico, que percorreu as principais ruas da cidade. Palas 20h00, teve lugar o Encontro de Bandas Filarmónicas no Centro Cívico de Tarouca.
De 23 a 26 de setembro, a partir das 21h30, a animação seguiu com os Grupos Art Music, Diatónicos, Nelo Silva & Cristiana e Arkadia.
Os Função Pública trouxeram o seu espetáculo a Tarouca em 27 de setembro, pelas 22h00.
Nas vésperas do Dia de S. Miguel, atuação do Grupo Kalhambeque e, pelas 23h59,  grandiosa partida de fogo de artifício piromusical. Às 2h00 a festa continuou com o DJ Eduardo Patrão.
No dia 29 de setembro, a Feira Anual de S. Miguel que decorreu durante todo o dia, com muita música e animação à mistura. Atraiu  centenas de visitantes, até porque foi domingo… As festividades encerraram com a atuação, pelas 21h30, da Orquestra Fénix.
Destaque ainda para a IV edição do Sabores do Varosa que, de 20 a 29 de setembro, trouxe ao Centro Cívico da Cidade de Tarouca os sabores típicos da região.
Paralelamente decorreu o programa desportivo, com a realização do III Torneio Internacional de Andebol Juvenis Masculinos, nos dias 13, 14 e 15 de setembro; 21 de setembro, Varosa Cup; 28 de setembro, XV Quadrangular de Futsal Cidade de Tarouca; 28 e 29 de setembro, VI Torneio de Ténis da Associação da Juventude do Concelho de Tarouca; 29 de setembro, I Jogo Tarouquense Época 2019/2020.

Nesta altura, dois pratos tradicionais tarouquenses consolam os apreciadores. A marrã e o basulaque. Realce-se o impacto que o basulaque tem tido depois de um tempo em que permaneceu num certo limbo. Trata-se de uma iguaria tipicamente do povo de Tarouca. Mesmo os outros  povos da freguesia não cultivam este prato. Claro que é preciso manter-lhe a dignidade, na fidelidade à confecção que era feita nas casas tradicionais tarouquenses.
A Festa de S. Miguel tem, tradicionalmente, um caráter civil. Assim, exceptuando a Missa e a exposição da Imagem de S. Miguel, nada mais há no aspecto religioso.

domingo, 29 de setembro de 2019

É católico? Então esteja com aquilo que a Igreja ensina!|

São Miguel, Arcanjo

A imagem pode conter: 1 pessoa, texto
Que S. Miguel que hoje celebramos e S. Francisco de Assis nos entusiasmem e voltemos o coração para CRISTO, em Igreja, com a Igreja e pela Igreja!

sexta-feira, 27 de setembro de 2019


terça-feira, 24 de setembro de 2019

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Festas de S. Miguel - Tarouca

A imagem pode conter: 7 pessoas, multidão e noite
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, multidão e ar livre
Desde o dia 20 de setembro que estão a decorrer em Tarouca as festas de S. Miguel.
O Dia de São Miguel - 29 de setembro - é o feriado municipal.
Tradicionalmente estas festividades revestem um carácter civil. Religiosamente apenas há a Eucaristia no dia 29 e a exposição da Imagem de S. Miguel.
Pode ver  AQUI várias fotos das festividades.