segunda-feira, 31 de março de 2008

O reforço da boa autoridade dos professores

O jovem Patrick Figueiredo, presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Santa Maria da Feira, defendeu que só o reforço da boa autoridade dos professores pode evitar novos casos (de indisciplina).
O mesmo jovem, em declarações à TSF, após referir um caso de grave indisciplina na sua actual escola, disse que já passara por quatro escolas e, em todas elas, assistiu a cenas de violência, quase.
Patrick Figueiredo adiantou que a violência é uma constante nas escolas e lançou um alerta: o mediatismo em volta daquela história ( o filme do YouTube que apresenta o incidente entre uma professora e uma aluna por causa de um telemóvel na Escola Carolina Michaelis) pode acabar por ser uma motivação para outros alunos agredirem os professores.
http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF190128

Só o senhor Sócrates e os responsáveis pelo seu ministério da educação é que não querem ver. Ou melhor, não lhes convém ver.
É mais fácil fazer charme, distrubuindo diplomas e computadores do que resolver os reais problemas do país.

Bispos vão a votos

Inicia-se hoje em Fátima e prolonga-se até 3 de Abril a assembleia da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Nesta assembleia haverá eleições para os órgãos próprios da CEF.

As eleições na CEP acontecem no final de um triénio (2005-2008) sob a presidência de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga. Os Bispos elegem ainda os responsáveis pelas nove Comissões Episcopais existentes.

Na comunicação social, tem-se falado em três possíveis futuros presidentes da CEF. D. Jorge Ortiga, actual presidente e Arcebispo de Braga, D. José Policarpo, Patriarca de Lisboa e D. Manuel Clemente, Bispo do Porto. Mas nestas coisas nunca se sabe bem e fazer prognósticos "só no fim", como dizia o João Pinto, antigo defesa - direito do F.C.Porto. Este assunto é tratado com muito recato e debatido serenamente no interior da própria Conferência Episcopal Portuguesa. Após a contagem dos votos entrados nas urnas, se saberá.

Claro que não invalida que os cristãos manifestem as suas preferências. Pessoalmente, gostaria que fosse D. Manuel Clemente. Bispo gerador de enorme empatia nos vários círculos em que se move, com muita facilidade de relação com a comunicação social, de formação profunda e enraizada, pessoa de consensos sem deixar de se bater por aquilo em que acredita.
Na minha humilde opinião, seria a pessoal ideal para levar em frente o desafio papal à Igreja Portuguesa: "É preciso mudar!"

Mas seja qual for o resultado da votação, torço e rezo pela fidelidade da Igreja ao Seu Senhor. Que o Espírito de Deus, fonte da Luz, da Sabedoria e do Discernimento, ilumime a mente e o coração dos Bispos.

Sorrir faz bem

Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga.

Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso PM fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes. O Primeiro-ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto.

Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema. O relatório diz: "Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado."

(Enviado por email)

Giovanni Paolo II

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domingo, 30 de março de 2008

PARABÉNS, TAROUQUENSE!

ADRTarouquense sobe à Divisão de Honra!



Ao vencer o Resende por 0-1, o Tarouquense assegurou a passagem à Divisão de Honra.

Parabéns à direcção, técnicos, atletas, sócios e simpatizantes! Torço por mais êxitos futuros.

ALELUIA!

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Pais especiais

Naquela família há regras muito claras que todos interiorizaram e cumprem, a começar pela distribuição das tarefas da casa. Os pais procuram assumir sempre o seu papal de pais e os filhos conhecem o seu.
Há da parte paterna a preocupação de aceitar a maneira de ser de cada um dos três filhos, respeitando a sua sensibilidade, sua peculiaridade, sua vocação.
Os jovens não são meninos mimados nem têm tudo, embora os pais até ganhem razoavelmente. Existe uma educação para o auto-domínio e para a poupança.
Entre todos há um verdadeiro clima de salutar convívio, digamos mesmo de encantamento. Mas cada um sabe ocupar o seu lugar.
Um dos filhos joga futebol numa equipa juvenil. Pelo respeito que esta opção do jovem merece, toda a família, quando há jogos, costuma participar na Missa vespertina. Ali os valores estão devidamente hierarquizados.
O pai preside à comissão de pais da escola onde os três estudam. Homem ordenado e de ideias claras, mantém com os professores e a direcção da escola uma relação correcta, embora sem nunca deixar de dizer aquilo que entende que deve ser dito, no respeito profundo pelo campo de intervenção de cada elemento. Junto dos outros pais é um inquietador, quer todos participem muito, que se interessem pela escola, que ajudem a construir um espaço escolar sempre melhor.
Estes pais contactam frequentemente os directores de turma de seus filhos e os catequistas. A primeira pergunta que fazem é sempre sobre o comportamento dos filhos. Depois é que vêm as questões relacionadas com o aproveitamento e com a vida escolar.
Os filhos sabem que a verdade naquela casa é inquestionável. Quantas vezes os pais chegam junto do director de turma ou do catequista e dizem o que o filho fez em pormenor. "É isso mesmo", respondem. "Como soube?" Que o filho lhe contara tudo em pormenor, bem ou mal que tivesse feito. Assim estavam ensinados.
Uma vez um dos filhos respondeu ao professor com um tom de voz menos aconselhável. Claro que contou aos pais, não foi preciso que o director de turma lhes comunicasse. Resultado, ficou de castigo e teve de ir pedir desculpa ao professor.
Uma das coisas que este pai costuma repetir exaustivamente aos docentes é que sejam implacáveis perante a má educação. Ele também o é em sua casa. E é por causa das questões de mau comportamento e de indisciplina que, uma vez por outra, mantém debates mais acalorados com a gestão da escola.
Toda a gente lhe conhece a tendência para a rosa, pois nunca escondeu as suas opções políticas. Mas é um profundo descontente com a política educativa deste governo, que costuma chamar de desgoverno.

sábado, 29 de março de 2008

2º Domingo da Páscoa – Domingo da Divina Misericórdia

"Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de terror. Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar se." (Act 2,42-47)

Temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha – com gestos concretos – a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.

D. Maria Cândida: 80 anos

Presidida pelo senhor Vigário Geral da Diocese,Cón. Joaquim Rebelo, em nome do senhor Bispo, foi celebrada hoje a Eucaristia de acção de graças pelos 80 anos de D. Maria Cândida. A Família há muito havia pedido esta Missa.
No final, o Vigário Geral entregou uma Bênção Apostólica que o Santo Padre lhe enviou. Estava muito feliz e comovida a senhora. É natural.
Familiares, alguns catequistas e catequizandos seus associaram-se à festa.

Transcrevo um post que publiquei sobre D. Cândida em 19 de Janeiro último.

"Quem a vê caminhar parece uma rapariga nova, tal a agilidade com que se mexe. Sempre disponível para aquilo que se lhe pede. Acaba de ser nomeada Ministro Extraordinário da Comunhão. Foi uma alegria e tanto. Eu sei que ela o esperava há muito tempo, embora nunca mo tivesse dito. Durante a semana, substitui o sacristão. Vai buscar a chave, toca o sino, prepara o altar, preenche os papéis com as intenções da Missa, procura os devidos leccionários e faz a leitura. Claro que se topa alguém na assembleia que ela sabe que lê bem, vai desinquietar. Não é abocanhante.
Quando entro, já ela está a rezar há bastante tempo. Vai sempre à sacristia antes da Eucaristia com a pergunta sagrada: "Tá tudo bem? É preciso alguma coisa? "Terminada a Eucaristia, volta a colocar tudo no seu lugar, "porque a casa de Deus é para se manter arrumadinha". Se vê que estou com tempo, lá vem um desabafo, uma historieta, uma experiência. Mas se repara que estou com pressa, não me retém. Apenas pergunta: "Já posso fechar as luzes?" Saio da sacristia, e a voz dela acompanha-me: "Vá descansado, eu cá trato de tudo."
Ah! É catequista do 8º ano conjuntamente com outro catequista. Embora de idades muito díspares, entendem-se muito bem e os adolescentes gostam deles. Tem sempre uma história na ponta da língua para ilustrar um ou outro ponto da lição.
Anda agora feliz, mais do que nunca. Todos os dias vai rezar o terço com os idosos que estão no Lar e duas vezes por semana distribui a Sagrada Comunhão, com um consequente tempo de adoração.
Nos passeios dos vários grupos paroquiais - ela pertence a quase todos - é sempre uma fonte de alegria e de boa disposição. Em muitos deles, mormente de pequenos grupos, já vi muita gente de lágrimas nos olhos de tanto rir. Tem realmente uma graça imensa, espontânea, sem baixezas. Então a "história da porca", contada por ela, é de gritos.
Oitenta anos! E ainda pelo Natal distribuiu 200 boletins paroquiais de casa em casa, subindo e descendo escadas quando eram prédios. E comentava no fim: "Tou aqui fresca como uma alface."
No domingo do Mês em que o jornal está à venda, já nem lhe digo nada. Só aponto e ela acena com a cabeça. No fim, lá está, fora da porta da Igreja, no "negócio".
E pensar que esta senhora, "criou um bando de filhos", como ela diz! E pensar que ainda há 2/3 anos foi operada e já se falava do seu fim, tal a gravidade da doença! Trabalhou como uma dobadoira, passou aquelas que o diabo enrosta, mas não se queixa. Gosta demais de viver e transmite-o.
De quando em vez, acompanha-me à 3ª Missa (sim, porque as duas da Igreja ninguém lhas tira, chova ou neve). Na viagem conta-me e reconta-me peripécias da sua vida. Mas nunca deixa de referir o quanto amava o seu falecido marido.
Onde irá buscar tanta força para viver lutando com alegria? Saberão certamente. À fé. Pode exprimi-la aqui e ali em termos menos modernos, mas que é uma fé profunda, com razões de viver, isso é.
Um livro que se lhe dê, chama-lhe um rebuçado. Uns dias depois, lá aparece com o resumo. Claro, que nada lhe tira uns momentos diários de leitura bíblica..."

Que famílias temos hoje?

Crianças nascidas e criadas em família desestruturadas, onde falta aos pais um clima emocional e afectivo estável e estabilizador, normalmente são crianças e jovens problemáticos.

No nosso meio existe bastante emigração, as pessoas sentem necessidade de procurar melhores meios de vida. Muitas vezes os filhos ficam entregues aos avós, tios, amigos. Compreendemos que em muitos casos não há grandes alternativas. Mas sabemos também que uma criança ou um adolescente fora dos pais é como peixe fora de água. Tantos destes filhos revelam o seu vazio afectivo através de atitudes e comportamentos agressivos e de desleixo.

Se virmos bem, são as famílias menos estruturadas que mais filhos têm, as chamadas "famílias do ordenado mínimo". Muitos destes pais não trabalham - nem querem - são poços de vícios e consequentemente não são referências nenhumas para os - geralmente - muitos filhos que têm. Aliás, tantos deles que não educam nem permitem que se eduque! Se o estado lhes dá essas ajudas, não teria também o dever e o direito de obrigar essas famílias a frequentarem com aplicação cursos de cidadania, boas maneiras, saúde familiar, formação paternal, enquadramento familiar, educação dos filhos?

Assiste-se hoje a um relativismo moral que atravessa toda a sociedade. Parece que actualmente cada um faz as suas regras morais segundo as suas conveniências. Resultados? Mães solteiras, filhos "ilegítimos" de homens casados, divórcios sobre divórcios, ausência de princípios e valores que não se vivem nem se transmitem, falta de referências comportamentais. Se não existe a estaca firme e direita, a videirita tenderá a crescer rastejando...

Quantos pais se preocupam séria e permanentemente com o comportamento dos filhos na escola, na catequese, na rua? Quantos pais dormem tranquilamente enquanto os filhos andam na rua até altas horas da madrugada? Quantos pais se sentam ao pé dos filhos para os ouvirem, os ajudarem, os orientarem? É mais fácil dar coisas do que dar tempo e atenção!!! Quantos pais se organizam em associações para serem uma força de peso junto das escolas e da sociedade em defesa dos valores em que acreditam?

Quanto pais não mimam excessivamente os filhos e se tornam papás em vez de pais? Quantos pais não dão sempre razão ao menino(a)! E olhem que os filhos sabem jogar maravilhosamente com este aspecto!! Quantos pais educam para a exigência na comida, na bebida, nas novas tecnologias, no estudo, no vestir, nas tarefas de casa??? O menino quer, dá-se-lhe tudo. É assim que se educa? Amigos, a corda da vida sobe-se a pulso. E só lá chegarão os que estiverem treinados para o esforço.

E depois, quer queiram quer não, a ausência de Deus nas famílias é ocupada por alguma coisa, até porque a natureza tem horror ao vazio. Vejam o resultado. Quanto mais Deus é ausente da família, mais a família se ausenta de ser uma comunidade de amor e de vida.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Uma oração ao Deus que tudo pode...


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In Jornal da Beira


Pelos Jovens...

É emigrante. Passou por cá uns dias nesta altura da Páscoa. Como sempre o faz quando aqui vem, também desta vez pediu que na Eucaristia se pusesse esta intenção: "Pelos Jovens".

É uma pessoa que tem grande admiração, carinho e empenho pela juventude. Aliás, na emigração desenvolve algumas actividades com os mais novos.
Disse-me há tempos que ouve muita gente a dizer mal dos jovens, mas poucos os tentam compreender, ouvir, ajudar, entusiasmar, educar. "-Reza-se hoje pouco - foi dizendo - e pelos jovens muito menos." Citou-me então um pensamento que ouviu na sua juventude e que lhe ficou para sempre: "Antes de falares aos homens de Deus, fala a Deus dos homens."

Claro que essa pessoa vive preocupada com situações que envolvem o mundo juvenil e o degradam. E costuma enumerar: a droga, o sexo pelo sexo, a superficialidade de vida, o consumismo, a violência, a ausência de valores, o esquecimento de Deus, a falta de respeito, a degradação dos sentimentos...
Mas gosta sempre de ressaltar que o coração jovem é um coração bonito. Muitas vezes são mais vítimas de uma sociedade - a começar pela família - que lhe dá coisas, mas não dá atenção, formação, correcção, valores...

Rezar pelos jovens. o amigo visitante já pensou nisto?

Je chante avec toi liberté


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quinta-feira, 27 de março de 2008

Pecador arrependido

"Não me identifico porque tenho vergonha". Era assim que terminava aquela mensagem que me foi enviada por carta, pedindo o seu autor que a mesma fosse publicada no jornal da paróquia.
Parece-me interessante, dado que o autor pediu a sua publicação, que os caros visitantes tenham acesso a este testemunho. Todos lucraremos em deixar-nos interpelar por ele.
Obrigado a esta pessoa pela coragem do testemunho.
"Sou católico mais ou menos praticante. Vou à Missa quase todos os domingos, recebi todos os sacramentos que são exigidos pela Igreja a um católico, mas nem sempre tenho tempo nem tudo o convém a um bom católico.
Falta-me fé. Não arranjo tempo para quem precisa de mim, para dar atenção aos filhos, para visitar doentes, para oferecer um sorriso a quem está triste. E muito mais me falta…
Este ano não tive tempo para desculpar os meus pecados, nem para pedir perdão a Deus, porque no dia das confissões andei a trabalhar. Não arranjei um bocadinho de tempo para descarregar o lixo que se encontra na minha alma, nem para pedir ajuda, pois tive vergonha de falar com o sr. Padre.
No dia de Páscoa, na Eucaristia e no momento da Consagração, Deus olhou para mim e bateu-me na alma e eu não a pude abrir porque ela estava enferrujada.
No momento da comunhão, não sei o que me aconteceu. Quando passou por mim e eu não O recebi, senti tão grande angústia por ver passar ao lado o Amigo Ressuscitado. E eu neguei-o! Pedi-lhe perdão por não ser digno que ele entrasse na minha casa. Ainda me deu a tentação de O meter no meio do meu lixo. Desisti de O ofender mais, porque seria mais um pecado a juntar à lista de muitos.
Mas não desisti de amar e prometi-Lhe que vou limpar o entulho da minha alma para depois ir à procura do amor, porque Deus é Amor. Sofri tanto no domingo de Páscoa! Só Deus é testemunha.
Peço-lhe para publicar no Sopé da Montanha para que outros como eu sintam que não estão sozinhos. Deus, quando chega a hora, bate à porta.
Não me identifico porque tenho vergonha.
M.P.
Obrigado e desculpe.

Se anunciamos Cristo Ressuscitado, por que levamos a Cruz na visita pascal?

Alguém me fez esta pergunta. Curiosamente, hoje encontrei uma resposta a questão semelhante no blog do senhor Reitor do Seminário. Porque concordo totalmente, aqui transcrevo a explicação.
"O cristianismo é, geneticamente, paradoxal. Ele oferece Deus no Homem, o Eterno no Tempo.
Na visita pascal, anunciamos a ressurreição e transportamos o Crucificado.

Antes de mais, é muito difícil figurar um corpo ressuscitado. Nem os discípulos reconheceram Jesus: era o mesmo mas com uma configuração diferente.
Tem muito sentido transportar a Cruz em dia de Páscoa porque o que ressuscita é o mesmo que morre; o que volta à vida é o mesmo que dá a vida; se não morresse não ressuscitaria; o grão de trigo, para dar fruto, tem de morrer.

Não é, pois, em vão que Jürgen Moltmann usa paradoxais expressões como «ressurreição do Crucificado» e «cruz do Ressuscitado».
O mistério de Cristo é sempre global, não se pode segmentar ou clivar. Foi a pensar n'Ele que von Balthasar escreveu que «a verdade é a totalidade». Jesus integra a glória no sofrimento e eleva o sofrimento à glória.
Eis, por isso, a maior fonte de esperança para quem sofre: Ele sofre connosco, nós sofremos com Ele. Nós podemos vencer o sofrimento e a própria morte. Com Ele. Só com Ele. Sempre com Ele."

quarta-feira, 26 de março de 2008

Aquela senhora impressionou-nos

Ontem, na visita ao Centro de Deficientes Profundos, houve uma situação que nos impressionou vivamente. Aquela mãe junto da cama da sua filha que está completamente dependente.
Aquela filha havia completado o seu curso superior, era chefe no Agrupamento de Escuteiros da sua comunidade, casara e tudo parecia sorrir-lhe.
Um parto. Depois uma intervenção cirúrgica melindrosa. Por fim, a dependência total. Exibe apenas uma vida vegetativa.
Aquela mãe está ali, junto da cruz de sua filha. Voluntária naquela casa. Disponível para ajudar e apoiar também outros deficientes.
Mostrou-nos uma foto do tempo em que a sua filha fora chefe de escuteiros. Como uma lembrança boa que ajuda a mitigar o presente carregado de sofrimento.
Mas, acima de tudo, impressionou-nos o ar sereno que emana daquele rosto. Aquele olhar calmo, embelezado por um cabelo branquinho, é um mar de doçura. Nem ponta de revolta se detecta naquele rosto bonito!
Penso que sei donde lhe vem tanta serenidade perante anos e anos de cruz. Da sua fé profunda, convicta, enraizada. Senti que ela sabe ler a cruz da filha, que é sua também, à luz do Mistério Pascal de Cristo. E confesso que mais uma vez me senti pequenino perante tão magnificente demonstração de fé.
Ao vê-la e ouvi-la, passaram, rápidas mas vivas, imagens de pessoas que na nossa comunidade nos transmitem a mesma mensagem pascal de esperança. Entre muitas outras, D. Cândida e D. Carolina.

Centro de Deficientes Profundos - alguns olhares












terça-feira, 25 de março de 2008

No Centro de Deficientes Profundos

Um grupo de jovens ( grupo de jovens, escuteiros, coral, acólitos, crismandos), e alguns catequistas da Paróquia dirigiram-se na tarde deste dia a Viseu, ao Centro de Deficientes Profundos, situado na Quinta de Santo Estêvão, que é propriedade da União das Misericórdias Portuguesas.
Os cinquenta tarouquenes foram gentilmente recebidos pelo Provedor Lucílio Teixeira, nosso conterrâneo e igualmente Provedor da nossa Santa Casa da Misericórdia.
Depois, divididos em 2 grupos e tendo como guias duas técnicas superiores da instituição, fomos ao encontro dos irmãos deficientes profundos. Foi uma visita demorada e enriquecedora. As palavras tornam-se menos relevantes quando os casos, na sua flagrante realidade, invadem os nossos olhos e se aninham na alma.
Após uns instantes iniciais de algum retraimento, a nossa gente aproximou-se dos doentes, fez festinhas, sorriu, falou. Como alguém dizia, os nossos olhos são educados para admirar o belo. Por isso, ali é preciso despertar o olhar do coração, porque só esse é capaz de captar a beleza que foge ao olhar do corpo.
Contactámos com o mais fundo da pequenez humana. Gente que nasceu com deficiências profundas, que ficou assim em virtude de uma grave doença infantil, que sofreu um desastre de automóvel, que foi atropelada, que foi vítima de uma queda (telhado, árvore...), que ficou assim após uma intervenção cirúrgica, etc.
As situações são as mais diversas. Pessoas que têm alguma mobilidade - uma delas agarrou-se a gente do nosso grupo e fez a visita connosco - pessoas que dizem umas palavras, pessoas que não falam nada. Pessoas totalmente dependentes para tudo, pessoas ligadas a máquinas, pessoas sem qualquer capacidade de mobilidade...
Como muitos deles apreciam uma carícia, uma festinha! Parecia que um sol lhe inundava a alma e se reflectia no rosto. "- São ciumentos, dizia a guia. - Se fazemos um carinho a um, temos que fazer a todos."
Calou fundo em todos a excelência das condições físicas e humanas que envolvem estes deficientes. Sentia-se um carinho enorme de todos os funcionários por aqueles doentes. Admirámos a sua dedicação e competência.
O Provedor teve a amabilidade de nos receber depois no salão nobre onde deu explicações referentes ao funcionamento da Casa e nos falou dos doentes. Ofereceu-nos um bonito quadro pintado por uma deficiente que será colocado na sala de jovens no futuro Centro Paroquial. Espontaneamente, muitos jovens pediram para irem dar um beijinho de agradecimento à autora do quadro. Bonito. O Pároco, em nome do grupo, agradeceu ao Provedor, técnicas e demais funcionários.
Após um lanche, que simpaticamente o Provedor quis oferecer aos seus conterrâneos, dirigimo-nos ao Centro de Actividades Ocupacionais que visa prestar apoio no âmbito da reabilitação aos deficientes. Espaço moderníssimo, com os mais actualizados meios de recuperação. Os jovens, até para aliviar a pesada sensação da visita aos deficientes, divertiram-se um pouco. Num departamento, havia uma mini-piscina em que a água eram umas bolinhas macias. Já estão a ver a cena. Os mais pequenitos descalçaram-se e toca a "mergulhar", felicíssimos. Bom, e eu que estava a delirar com as brincadeiras dos miúdos, quando dei conta estava lá dentro também. Os bons patifes dos jovens agarram-me e... catrapuz!
Após a despedida, passámos pelo Fórum de Viseu. Visitaram-no e ofereci-lhes um gelado.
Regressámos então à nossa terra, num ambiente de boa disposição e alegria como só os jovens são capazes.

Parabéns às pessoas que foram pelo porte que tiveram. Fantástico!
Obrigado ao Provedor, técnicas superiores e demais funcionários que tudo fizeram para nos sentirmos integrados. Não esqueceremos tanta fidalguia no trato.

Entre as pessoas que ali prestam voluntariado, estava um grupo de jovens de uma paróquia que ali foi passar uns dias.
Ficou o desafio aos nossos.

Pinto Monteiro pede autoridade para os professores

O Procurador-Geral da República está contra violência e o “sentimento de impunidade” nas escolas.
O mais recente caso de violência escolar, em que uma aluna da escola Carolina Michaelis no Porto agrediu uma professora por causa de um telemóvel, leva o Procurador-Geral da República (PGR) a retirar uma conclusão: “Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas”. O que, “até agora, raras vezes, tem acontecido”, diz Fernando Pinto Monteiro.

O responsável máximo pela investigação criminal em Portugal, em declarações ao Diário Económico, garante que “nalgumas escolas formam-se pequenos ‘gangs’ que depois transitam para ‘gangs’ de bairro, armados e perigosos”.

Pinto Monteiro considera que a violência escolar funciona, em alguns casos, como uma espécie de “embrião” para níveis mais graves de criminalidade.

Ao contrário do Governo que insiste em desvalorizar o mediático caso da aluna do Porto filmada por colegas enquanto agredia a sua professora de francês, Pinto Monteiro considera que a violência nas escolas “existe e tem contornos preocupantes”.

Esta não é a primeira vez que o Procurador-Geral da República se pronuncia sobre a violência nas escolas. Em Novembro, em entrevista à revista “Visão”, Pinto Monteiro disse estar a par de que “até a senhora ministra da Educação” minimiza a dimensão da violência nas escolas. Ainda assim, insistia o PGR, “mesmo que seja um miúdo de 13 anos, há medidas de admoestação a tomar. Se soubessem a quantidade de faxes que eu recebo de professores a relatarem agressões...”.

As declarações do Procurador-Geral da República têm sido insistentemente desvalorizadas pelo Governo que, aliás, considera que “os dados oficiais apontam para uma diminuição” da violência física e verbal nas escolas.

Lisboa e Porto são as zonas mais violentas

Lisboa e Porto. Estas são as áreas metropolitanas que, de acordo com os últimos dados do Ministério da Educação, registaram mais episódios de violência escolar no ano lectivo 2006/2007. No ranking das regiões, Lisboa lidera com 56,3% de ocorrências registadas pela Direcção regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo. Em segundo lugar surge o Porto, com 25%. Apesar de registar uma taxa de apenas 8,6% (a terceira mais elevada), o Algarve é no entanto a região do país com maior número de ocorrências por mil alunos: 4,26. Em Lisboa, este número desce para os 3,38 e no Norte para 1,36.

De acordo com o Observatório da Segurança em Meio Escolar, a região Centro é a que regista menos violência nas escolas: 4,6% do total das ocorrências, o que equivale a apenas 0,56 por cada mil alunos.

O que dizem ministra, ex-ministros e comentadores

sobre o caso

Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação - “É um oportunismo político estarem a misturar o Estatuto do Aluno, que é um quadro de regras que permite às escolas prevenir e agir, com este caso de indisciplina.”

Couto dos Santos, Ministro da Educação 1992-1993“ - Lamento que os professores tenham vindo a perder autoridade. O que tem muito a ver com o comportamento dos pais dos alunos, que acham que os filhos têm sempre razão.”

Roberto Carneiro, Ministro da Educação 1985-1991 - “Os miúdos chegam às escolas sem socialização. A escola não pode fazer o que os pais não fazem em casa. Tem que haver regras e elas têm que ser respeitadas pelos alunos.”

Deus Pinheiro, Ministro da Educação 1985-1986 - “Hoje em dia, os meninos vivem numa redoma. Tolera-se-lhes tudo. Os meninos têm que aprender a respeitar a escola em todos os sentidos. O mal é o facilitismo que está instalado”

Veiga Simão, Ministro da Educação 1970-1974 - “Nos anos 70 os casos de indisciplina eram resolvidos nas escolas. Os professores eram muito respeitados. Eram uma autoridade por si próprios. Há uma crise de autoridade na sociedade.”

Marcelo Rebelo de Sousa, Comentador“ - [Maria de Lurdes Rodrigues] transformou os professores num bode expiatório, disse que não havia violência e perdeu nas propostas de aproximar os pais às escolas.”

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/politica/pt/desarrollo/1103850.html

Ilusões desiludidas

Um profissional criou expectativas de progressão na carreira, porque foi competente no seu trabalho, deu o seu melhor. Depois, viu-se suplantado pelo poder da "cunha" ou porque o chefe pensou de outra maneira.
Um aluno esforçou-se, até achou que fez um belo exame. Depois a desilusão. Nota baixa.
Um agricultor olhou para a sua vinha ou pomar que tratara com dedicação e zelo. Pensava que iria ter excelente colheita. Mas uma valente trovoada trouxe a desilusão.
Aquele casal que levara uma vida certinha, parecia que tudo corria sobre rodas. Um dia, a casa veio abaixo. Um deles diz para o outro: "Já não sinto nada por ti".
Aqueles pais criaram o filho e educaram-no o melhor que souberam. O rapaz até correspondia. Feliz, educado, trabalhador. No coração dos pais, a enorme ilusão de um futuro risonho. Um dia uma maldita companhia levou-o ao precipício da droga.
Alguém se apaixona e vive intensamente esse amor. O outro, a outra até parece corresponder. A situação prolonga-se. Um dia surge a declaração. E a resposta tão ansiada foi uma desilusão. Que só gostava dele, dela, como amigo, amiga, mais nada.

Enfim, casos como estes aparecem aos montes todos os dias. E deixam verrugas de sofrimento em muita gente.

Há que não ser refém da desilusão. Libertar a alma, respirar fundo, olhar em frente. Mesmo carregando a ferida que só o tempo cura. Nenhuma situação merece o preço do aniquilamento de quem sofre. Aliás, podemos aprender sempre, mesmo com as situações mais dolorosas, amadurecendo e crescendo por dentro.
Muita gente reage ao infortúnio fechando-se, cismando, cismando. tantas vezes auto-destruindo-se. Há que olhar em frente, recomeçando sempre, acreditando. E se enfrentássemos o futuro como Sexta-Feira Santa o faz em relação ao Domingo de Páscoa? Na certeza da vitória da esperança.

Bento XVI baptiza ex-muçulmano

No sábado, na vigília pascal, Bento XVI também cumpriu a tradição e baptizou sete adultos, um dos quais um antigo muçulmano.
Magdi Allam, natural do Cairo, é editorialista do Corriere della Sera e um dos maiores críticos do islão.
Numa carta que dirigiu ao seu diário, ontem publicada, Allam afirma que, muito para além do terrorismo, "a raiz do mal é inerente a um islão psicologicamente violento e historicamente conflituoso".
Lembrando que no passado foi um "muçulmano moderado", o editorialista, de 56 anos, afirma que "se libertou do obscurantismo de uma ideologia que legitima a mentira e a dissimulação, a morte violenta (...) e a submissão à tirania".
Allam, que tem protecção policial, por causa das ameaças de morte que os seus artigos já lhe valeram, lamentou que "milhares de muçulmanos convertidos sejam obrigados a esconder a sua fé por medo de serem mortos pelos terroristas islâmicos". E considerou que ao aceitar baptizá-lo publicamente Bento XVI "está a lançar uma mensagem explícita e revolucionária a uma Igreja que até agora foi muito prudente na conversão dos muçulmanos".

Apenas dois reparos:
1. A maior mesquita da Europa situa-se em Roma, sede do cristianismo.
2. Na Arábia Saudita, sede do islamismo, a Igreja não tem autorização para construir uma igreja. E os 900 mil católicos que aí vivem são obrigados a praticar o culto às escondidas.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O país de Sócrates está a arder...

Mortes. Assaltos todos os dias. Roubos em série, ofensas físicas e psicológicas. Tudo por todo o país, embora logicamente com mais incidência nos grandes centros urbanos.
Ainda nesta Páscoa, uma família muito amiga viu a sua casa assaltada nos pouquíssimos dias em que veio à terra. Quando se ouve falar nestes crimes, pensa-se que só acontece aos outros. Mas quando nos batem à porta ou à dos nossos amigos, a coisa pia mais fino... Sente-se na carne a insegurança, a revolta, a injustiça!

E perguntamos para onde vai o dinheiro dos nossos impostos se nem a segurança nos garantem! E perguntamos o que tem sido feito para inserir a segunda geração de imigrantes. E perguntamos onde estão os empregos. E perguntamos como é possível aumentarem exponencialmente certas fortunas quando 18% da população vive à boca da pobreza. E perguntamos por onde andam os valores cívicos e familiares. E perguntamos que faz o governo e os políticos em prol da família, da sua promoção, da sua formação.


O mundo escolar atravessa a crise que todos sabemos. Professores agredidos, maltratados, desrespeitados. Alunos que batem em funcionários. Uma política educativa de estarrecer... A escola, mais como entretenimento do que lugar de aprender a aprender. Armazém de alunos.
Somos um país angustiado, triste, pessimista.
O povo está descapitalizado, os ordenados não sobem em paralelo com o custo de vida, o desemprego não pára, a emigração silenciosa aumenta, uma parte substantiva das famílias não funciona, as forças da autoridade têm pouco campo de acção para actuar, a saúde e a justiça estão como estão, as desigualdades sociais medram como silvas, perdeu-se o respeito (mormente para com os mais velhos e superiores), a segurança dos cidadãos preocupa (ouve-se falar, neste aspecto, da brasileirização de Portugal), os valores são confundidos com modas...

Já uma vez escrevi, que o PS lida mal com a autoridade. Mário Soares não gostava de polícias, um ministro actual, que o fora também no consulado de Guterres, disse publicamente que aquela não era a sua polícia. A autoridade dos professores foi atirada à lama pelo actual governo e o papel da família tem sido desvalorizado.

Em tempo de Páscoa, valha-nos a esperança. Que este povo pegue em suas mãos o seu futuro. Que se faça ouvir. Que os valores autênticos da Portugalidade venham ao de cima.

E já agora, uma questão: já viram que, à medida que cresce o vazio de Deus na vida das pessoas, as chagas sociais aumentam? Porquê?

Quando esta geração, que se insurge contra os professores, que os agride e insulta estiver no poder, que vai ser de nós?

É grave, muito grave aquilo que o filme do YouTube revela. Uma aluna a agredir uma professora!

Pensemos então:
1. Naturalmente que o governo tem muita responsabilidade no actual estado da situação. Não tem feito outra coisa excepto denegrir, expor e menosprezar os docentes. Ora se quem tem obrigação ética de os defender se porta assim, que podemos esperar de adolescentes, tantos deles provenientes de famílias desestruturadas ou ausentes!?
2. Claro que hoje não se pode educar como há 30 anos. O mundo mudou, há que saber dar respostas pedagogicamente relevantes aos novos desafios. E isto parece-me válido para pais, professores e sociedade.
3. Pais que não educam para os valores que estruturam a dignidade humana; Pais que são papás e não pais! O seu menino é o "não me toques", tem sempre razão, os outros é que são culpados, porque o menino é o máximo!...
4. Professores que ainda não compreenderam que a verdadeira autoridade não é a que é imposta, mas a que se conquista.
5. Um governo que governa para as estatísticas, sem preocupação pela qualidade e pela formação integral dos alunos. Um governo que ainda não compreendeu que o ataque aos professores, descarado e atrevido, é um tiro no próprio pé.
6. Os políticos que, procurando por todos os meios as boas graças dos meninos( ai os votinhos no presente e no futuro...), não têm coragem de lhes dizer que o estudo, esforço e disciplina não são "exploração da mão de obra infantil".
7. Uma sociedade que não cessa de apelar constantemente ao facilitismo que irá desaguar no descontentamento, insatisfação e revolta, porque depois a vida é mesmo exigente.
8. Depois temos crianças e adolescentes que entram para a escola de manhã, têm um intervalo ao meio da manhã (WC, fila para tirar a senha, fila para o bufete...), surgindo o intervalo do almoço (outra vez a fila...) e à tarde até às 17/17,30h repetem o mesmo programa da manhã. Que tempo têm estes alunos para a brincadeira? Para a socialização? Para o extravasar de emoções? Claro, se o não fazem no recreio, vão fazê-lo para a sala de aulas...
9. Então as aulas de substituição são mesmo desumanas! Já viram o que é uma turma ver chegar um estranho para dar uma aula? Nem o nome sabe dos alunos! É como um cisco na vista! Um corpo estranho.
10. Por último, nos países-referência do senhor Sócrates, as aulas terminam às 15 horas!!!!
( Um comentário ao post "Alguém explica aos alunos como é que se deve estar na escola?", in http://www.padre-inquieto.blogspot.com/)

Fomos perdendo a autoridade. Depois, perdemos as referências e os valores. Está tudo perdido?
Não. Se houver atenta reflexão. E rápida inflexão.

E esta inflexão tem que começar pelo governo. Ontem já era tarde. Desde o malfadado Estatuto do Aluno até aos novos ditames legais, parece que se pode aplicar ao governo o ditado popular: "Cada cavadela sua minhoca..."
Hoje anda na comunicação social outro assunto relacionado com a educação. A contratação pelas escolas de polícias e guardas reformados . E a pior suspeita: como "bufos" do ministério! Será verdade? Aguardemos.

A família tem que dar uma volta enorme. Assim não vai lá! Assim todos perdemos. Razão tinha João Paulo II. "Família, torna-te aquilo que és!" Casa e escola de valores, de referências, de exigência, de são crescimento interior.

Anda nas bocas do mundo. Será que toca consciências?

Tem corrido mundo aquele filme do YouTube que mostra a agressão de uma aluna a uma professora, que pretendia (legitimamente, aliás) retirar-lhe o telemóvel, dentro de uma aula.

Uma docente tenta manter a dignidade numa sala de aula, tirando o telemóvel a uma aluna. Só que esta resiste (igualando-se à docente) e luta com ela. Tudo sob urros, apupos e algazarra da plateia (composta por alunos) e devidamente filmado (por outro telemóvel).
Este lamentável episódio tem merecido a reprovação geral da sociedade. Só que não é único. Este foi filmado e revelado. E pus a nu o grave problema da indisciplina que percorre as escolas portuguesas.

A tão pró-governamental CONFAP ( Confederação Nacional das Associações de Pais ) alude à "actual «crise da autoridade» e à «crise da educação» com que a sociedade se debate. E lança «um apelo a todos os pais para que exerçam o seu poder paternal junto dos seus filhos, educando-os no sentido da responsabilidade e do comportamento que devem ter em sala de aula, o seu local privilegiado de aprender».
E agora a Associação de Pais do Porto solicita um inquérito rigoroso ao comportamento de roda a turma.

Crescemos na escolarização, mas estamos a regredir, pavorosamente, na educação. Como é possível ensinar num ambiente destes? Há quem opine e fale da falta de jeito da professora. Uma professora é uma professora, não é uma lutadora. Será que um professor tem de estar preparado fisicamente (e não apenas intelectualmente) para leccionar?
Como é possível que se deixe levar um telemóvel para a sala de aula? Alguém explica aos alunos como é que se deve estar na escola? Como é que se deve tratar os professores? A excitação do ambiente dá que pensar. É pesada, de facto, a cruz dos professores.
Onde estão os pais? Onde estão as famílias?

HOMENS ASSIM NÃO MORREM

Estava a celebrar a Eucarista. Viria a celebrá-la por palavras, pela vida, com o sangue.
D. Óscar Romero caiu a 24 de Março de 1980, faz hoje 28 anos.
É um herói para muitos. É um santo para todos.
Fez como Jesus. Defendeu os pobres. Foi corajoso. Não tergiversou nem desistiu.
Um homem assim morre? Não. Sobrevive na própria morte.

http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt/

domingo, 23 de março de 2008

Em Visita Pascal


Após a Eucaristia, iniciou-se a Visita Pascal. Onze grupos foram enviados, em nome da comunidade, a anunciar de casa em casa Jesus Cristo Ressuscitado, o VIVENTE.
Cada família receberá o boletim paroquial com a mensagem que o Conselho Pastoral, no âmbito do plano pastoral paroquial, achou por bem enviar.
Parabéns pela vossa disponibilidade, pela vossa alegria, pelo vosso serviço.




Na manhã da Páscoa


Manhã fria, esta de Páscoa. Mas as pessoas acorreram. Após a procissão da Ressurreição, teve lugar a Eucaristia solene, com a Igreja à cunha. Havia no ar um clima indizível de alegria que só mesmo a Páscoa é capaz de suscitar no coração das pessoas.

CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!

Cristo “passou pelo mundo fazendo o bem” e , por amor,deu-se até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O.

Uma Santa Páscoa para todos os amigos, para todas as pessoas de boa vontade, para todos os que me dão a honra da sua visita.

ceia

Vigília Pascal. A grande festa, a mãe de todas as vigílias e a fonte de todas as liturgias. A Igreja estava “compostinha”, mas longe do que seria desejável para tão grande festa.
Nenhum baptismo. A Vigília Pascal é uma altura baptismal por excelência. Era assim no princípio. Quando nos disporemos a ser cristãos do essencial? Muitos transformam o Baptismo numa mera questão social. O que conta é o jantar, as prendas, o enxoval, o dar nas vistas, o fazer a vontade a este e àquele… Vivência da fé? Opção pelos valores da fé? Colocar em primeiro lugar os interesses da comunidade? Acolher as datas sugeridas? Tomar consciências das implicações eclesiais que o baptismo comporta? Está quieto!!! E é pena. Já há quem fale – e não sem razão, a meu ver – na paganização do baptismo…
A cerimónia foi longa. Desde a bênção do Lume Novo à entrada da Igreja, passando pelo anúncio da Luz Nova na Igreja apagada, continuando pelo precónio, alegre anúncio da Ressurreição, pelas leituras e salmos do Antigo Testamento, pelo momento festivo do Glória em que os sinos e as campainhas anunciam ao mundo a Vitória do Crucificado, seguindo-se depois o canto das ladaínhas, a bênção da água , a renovação das promessas do baptismo, desembocando na liturgia eucarística, seguida do rito da comunhão, e terminando na bênção solene, houve sempre serenidade e participação da comunidade.


“A gratidão é a memória do coração”
Deixo aqui o meu reconhecimento ao coral, aos leitores, aos acólitos, ao sacristão, ao Diácono, ao GASPTA, à Banda de Música, à equipa que fez a montagem e a projecção da liturgia, às pessoas que tratam dos altares, a todos os que, de uma forma ou de outra, deram o seu contributo à comunidade. Os jovens foram maravilhosos em tudo. E, ao olhar para a nossa caminhada quaresmal, não posso esquecer a presença de vários grupos de catequese que, ao domingo e de acordo com o plano pastoral, ajudaram a comunidade na vivência litúrgica desta época tão especial da vida da Igreja. Na pessoa da nossa estimada D. Alda, chefe do grupo de catequistas, saúdo com amizade todos os catequistas e todas as crianças e adolescentes. Também não esqueço o grupo de adultos que, ao longo do tempo quaresmal, na Eucaristia das oito, ofereceram esse mesmo contributo.

Que Cristo Ressuscitado, o Senhor da nossa fé, a todos recompense, ilumine e seduza para a maravilha do anúncio da Boa Nova.

sábado, 22 de março de 2008

Sábado Santo: E quando a morte vier, eu me sinta adormecer, no calor dos vossos braços.

Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem. Entre elas encontrava-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo que tinha mandado escavar na rocha. Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro. (Evangelho de S. Mateus)

Sobre o monte Calvário desceu, com a tarde, um profundo silêncio. A dor já não tem lágrimas, nem palavras, enquanto, envolvido no branco lençol, o corpo do mais insigne dos filhos do homem é deposto no sepulcro escavado na rocha. José de Arimateia, o bom discípulo, cumpre os últimos gestos de piedade humana e de religiosa devoção para com o Mestre. Agora o Rei dorme, vigiado pelos guardas, mas não está sepultada com Ele a destemida esperança. Sim, porque depois do Seu profundo tormento e de Se ter oferecido em expiação, Ele verá a luz. E terá a uma longa descendência (cf. Is 53,10-11).
No coração da noite, a semente prepara-se para brotar; o ar perfuma-se de uma nova primavera: eis o pressentimento ardente de Maria Madalena e da outra Maria... que numa santa ansiedade aguardam no jardim.

Deus Pai,
Tu quisestes que fôssemos
baptizados na morte
do Teu Filho Jesus,
nosso Salvador:
concede-nos um sincero arrependimento,
afim de que passando com Ele na morte,
possamos renascer na alegria
para uma vida nova.
Isto Te pedimos por meio D'Aquele
que por nós
morreu, foi sepultado e ressuscitou,
Jesus Cristo Nosso Senhor. Amen.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Sexta-Feira Santa: a nossa Via-Sacra

Muita gente, embora sinta que menos do que no último ano! O percurso é íngreme. Muitas vezes, dava a ideia que os queixos tocavam nos joelhos. O coração batia mais forte. Os músculos rangiam. As pernas suplicavam por descanso.
Mas fomos. Com ordem, com serenidade, com mútua ajuda. Rezando, cantando, meditando. Os nossos escuteiros ajudaram. Os nossos jovens foram inultrapassáveis. Tudo prepararam com cuidado, a todos ajudaram com alegria. Não faltaram mesmo os garrafões de água e a serena solicitude. Os responsáveis pelos cantos e leituras fizeram bom trabalho.
Ao ver as pessoas a ajudar-se, a apoiar-se, a incentivar-se, pensei comigo: "Meu Deus, que maravilha seria se na vida, tantas vezes caminho íngreme, as pessoas se apoiassem assim!"
Custou-me muito, embora menos do que no ano passado. Bom sinal. Claro que recorri a um bastão, gentilmente cedido pelos escuteiros, que ajudou bastante. Obrigado, árvore amiga, porque um braço teu foi meu cireneu.
Terminámos no altar campal de Santa Helena. O friozito da serra fez-nos companhia, mas não nos fez debandar antes do terminus da celebração. "Que o Espírito Santo, ó Deus, nos areje o coração e nos catapulte para a Montanha do Vosso Amor! Que vivamos de acordo com a fé que professamos."
Seguiu-se a saudação individual da Cruz. Regressámos cansaditos, mas felizes.
Parabéns às crianças que participaram. Quanta força senti ao olhar aqueles rostos bonitos, cansaditos mas alegres, dos queridos saltariquentos!
Parabéns a todos os idosos. Vi gente com 80 anos e que aguentou toda a caminhada. Fantástico!
Parabéns àquelas pessoas que, embora fragilizados por problemas cardíacos ou dos ossos, não deixaram de marcar presença edificante.
Parabéns a todos que caminharam. O esforço era patente nos rostos, mas a alegria, essa era imensa.
Parabéns a todos pelo sereno silêncio meditativo a que o dia convida.
Um abraço do tamanho do mundo para todos os jovens que prepararam e dinamizaram a celebração. Só vós mesmo! Sois fantásticos. Como eu vos quero! Como nos apresentastes belamente o rosto jovem do Salvador! Obrigado, amigões.
A Via-Sacra é importante. Mas a Eucaristia dominical é muito, muito mais. Espero que toda a gente tenha pensado nisto e faça um esforço de conversão e de mudança.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Sexta-Feira Santa

O Senhor salvou-nos porque nos tem amor.

Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
«Eli, Eli, lema sabachtani!», que quer dizer:«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»
Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
«Está a chamar por Elias».
Um deles correu a tomar uma esponja, embebou-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram:
«Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O».
E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
(Evangelho de S. Mateus)

Missa vespertina da Ceia do Senhor

Hoje, Quinta-Feira Santa, na Missa da Ceia do Senhor, contemplamos e celebramos três aspectos:
A instituição da eucaristia
A instituição do sacerdócio ministerial
O serviço fraterno da caridade
1. A instituição da eucaristia
Irmãos, o que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: "Isto é o meu corpo que é pora vós. Fazei isto em minha memória". Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei em minha memória". Todas as vezes, de facto, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha. (Cor 11, 23-26)
2. A instituição do sacerdócio ministerial
"Fazei isto em minha memória."
3. O serviço fraterno da caridade
Era antes da festa da páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: "Senhor, tu me lavas os pés?" Respondeu Jesus: "Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás". Disse-lhe Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!" Mas Jesus respondeu: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo". Simão Pedro disse: "Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça". Jesus respondeu: "Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos". Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: "Nem todos estais limpos".
Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: "Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz". (Jo 13, 1-15)

Tríduo Pascal

O Tríduo pascal não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as palavras de Santo Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado. O Tríduo pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro a Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida.”

Quinta-Feira Santa - Missa Crismal

Como por essas dioceses fora, também na Sé Catedral da nossa diocese se celebrou a Missa Crismal na qual participei, presidida pelo Sr. Bispo. Nela os sacerdotes - várias dezenas - renovaram as promessas feitas no dia da sua Ordenação.
Hoje, de facto, a liturgia recorda a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a celebração desta manhã foram abençoados os óleos sagrados do Crisma, dos catecúmenos e dos enfermos.

Na Basílica de S. Pedro, Vaticano, Bento XVI presidiu à Missa Crismal. Na homilia, afirmou que “o sacerdote deve ser uma pessoa recta, vigilante, íntegra. A tudo isso, pode-se acrescentar o serviço. A palavra servir comporta muitas dimensões: celebrar a Liturgia e os Sacramentos, mas também intimidade e familiaridade com Deus, obediência, liberdade, comunhão; é anunciar a Palavra de Cristo de modo justo, em união com seu Corpo Místico”.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Última sondagem em análise

Concorda com o jejum e a abstinência quaresmais?
Sim -38%
Não -30%
Não tenho opinião - 20%
São obsoletos - 0%
Ajudam-me a caminhar para Cristo - 14%
1. Respeitando logicamente a opinião das pessoas que tiveram a amabilidade de deixar a sua opção, que agradeço, mas questiono-me sobre este dado: muita gente diz não ter opinião. Que se passa? Certamente alguns, porque não são cristãos, foram fiéis ao seu sentir. Mas também poderá haver gente que se diz crente. E, nesta caso, é mais difícil compreender a opção. Falta de evangelização? Relativismo moral? A resposta mais fácil? Não poderá haver uma fuga para a frente em relação ao compromisso?
2. Em relação à maioria que respondeu "sim", pergunto-me: será porque entende que, pelo jejum e abstinência, se sente mais livre e despojado para ser solidário com o irmão que precisa? Será porque vê nestes meios um modo de libertação de tanto supérfluo que nos absorve? Será somente por uma questão tradicionalista e legalista?
3. Sinto-me mais identificado com os que disseram " Ajudam-me a caminhar para Cristo". É essa a função principal da Quaresma: uma caminhada, onde a Palavra de Deus, a oração, a renúncia que conduz à caridade, a exigência pessoal me levam a parecer mais com o único Salvador, Jesus Cristo, o Senhor.
4. Respeito os que disseram "não". Tê-lo-ão feito sinceramente. E volto à carga. Se o disseram porque não têm fé, até compreendo. Mas se se trata de crentes, então tudo se torna mais confuso. O que é amar? Não é sair de nós para ir ao encontro dos outros? Amar não é renunciar? Alguém pode seguir a Cristo se não renunciar a uma certa forma mundana de viver, sem remar contra a corrente? Claro que tal não se reduz a um tempo, mas deve ser sempre um apelo. Contudo, o espaço quaresmal convida-nos fortemente a este despojamento.

Judas ... nos nossos dias

Naquele tempo, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes:
«Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?»
Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata.E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar.
(...)
Ainda Jesus estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O». Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe:
«Salve, Mestre!».
E beijou-O. Jesus respondeu-lhe:
«Amigo, a que vieste?».
Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-n’O. Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe uma orelha. Jesus disse-lhe:
«Mete a tua espada na bainha, pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada.
(...)
Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para Lhe darem a morte. Depois de Lhe atarem as mãos, levaram-n’O e entregaram-n’O ao governador Pilatos. Então Judas, que entregara Jesus,vendo que Ele tinha sido condenado, tocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
«Pequei, entregando sangue inocente».
Mas eles replicaram:
«Que nos importa? É lá contigo».
Então, arremessou as moedas para o santuário, saiu dali e foi-se enforcar.
Mt 26 – 27)

O dinheiro, sempre o dinheiro!
Ontem como hoje. O dinheiro compra consciências, vende consciências, mente, corrompe, esmaga, deturpa, aliena, mata.
Quando deixamos que o dinheiro seja o "deus" das nossas vidas, tornamo -nos insensíveis, escravos com objectos de luxo, perdemos o coração, despimos os valores, somos seguidos e admirados pelo que temos e não pelo que somos, semeamos vazios abismais que procuramos calar com mais dinheiro... O dinheiro deixa as pessoas por dentro mais negras do que matas após violento incêndio.

A traição é um acto abominável
Um beijo traiu, entregou, condenou. Um gesto de carinho, de intimidade, de familiaridade foi transformado por Judas numa aberração monstruosa.
E hoje? Quantas falinhas mansas com as mais perversas intenções! Quantos lobos com pele de cordeiro! Quanta disponibilidade aparente para ouvir e ajudar empurrada pela pela danada vontade de conhecer para denunciar, condenar, amesquinhar, roubar, subir na vida! Quantos segredos comunicados entre juras de fidelidade e depois comunicados na praça pública! Quantas palmadinhas nas costas movidas pelo mais vil dos intentos!

O remorso sem humildade leva à autodestruição
Judas sentiu remorsos pelo crime cometido. Pedro também. Pedro teve a humildade de olhar para Jesus e desse olhar veio purificado, perdoado, refeito. Judas não teve essa disponibilidade interior. Não aguentando mais as facadas do remorso, terminou com a vida.
Quando nos fechamos no nosso pecado, incapazes de esvoaçar até à graça de Deus, somos como balões que, não aguentando mais a pressão do ar, estoiram. Precisamos de redescobrir a pedagogia do regresso, à imagem do filho pródigo que encetou o regresso à misericórdia do Pai.
Mas o pior mesmo é nem sentir remorso pelo mal que se pratica. Uma consciência de pedra, insensível, que perdeu toda a dignidade... O nosso tempo é muito propício a duas realidades: perda de consciência e relativismo moral. Hoje parece que cada pessoa fabrica e desfabrica os valores conforme interesses, preconceitos, manias, estados de alma. Quando tal acontece, somos como rocha enorme que desanda pela montanha abaixo. Imparável, destruidora, aniquilante.

terça-feira, 18 de março de 2008

O traidor identificado

Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: "Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará". 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando.
23Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: "Senhor, quem é?" 26Jesus respondeu: "É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho". Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
27Depois do pedaço de pão, satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: "O que tens a fazer, executa-o depressa". 28Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: "Compra o que precisamos para a festa", ou que desse alguma coisa aos pobres. 30Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31Depois que Judas saiu, disse Jesus: "Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: 'Para onde eu vou, vós não podeis ir’".
36Simão Pedro perguntou: "Senhor, para onde vais?" Jesus respondeu-lhe: "Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde". 37Pedro disse: "Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!" 38Respondeu Jesus: "Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes".
(Jo 13, 21-33.36-38)


ANÚNCIO DESCONCERTANTE

O anúncio da traição foi desconcertante para o grupo de discípulos. Independentemente de qualquer cultura, a traição é sempre um acto abominável. De modo especial, entre pessoas cujas vidas foram postas em comum, e nas quais se deposita toda confiança. Isto explica a surpresa dos discípulos quando Jesus anunciou que um deles haveria de traí-lo. E essa surpresa foi maior, quando o traidor foi identificado com Judas, filho de Simão Iscariotes.


ALGUÉM DE CARÁCTER DUVIDOSO

O evangelista João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma manifestação da personalidade malsã deste discípulo. Os evangelhos, em geral, referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar o Mestre por um punhado de dinheiro.

JUDAS ESPERAVA TIRAR PARTIDO DO REINO A SER INSTAURADO POR JESUS

Entretanto, é possível suspeitar de outras razões desta atitude tresloucada. Será que Judas entendeu, de fato, o projeto de Jesus? Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para aceitar Jesus tal qual se apresentava? Estava disposto a seguir um Messias pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino incompatível com a violência e a injustiça? Judas esperava tirar partido do Reino a ser instaurado por Jesus. Vendo frustrado o seu intento, não teria tido escrúpulo de traí-lo?

E PEDRO?

Uma coisa é certa: Judas estava longe de sintonizar com Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. Só que este recuou e se converteu à misericórdia do Senhor.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Maria ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos.

1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. 2Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.
3Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo. 4Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: 5"Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para as dar aos pobres?" 6Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. 7Jesus, porém, disse: "Deixa-a; ela fez isto em vista do dia de minha sepultura. 8Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis".
9Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus havia ressuscitado dos mortos. 10Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11porque, por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus. (Jo 12, 1-11)

1. Há olhos que vêm o mal onde ele não existe, porque o coração está turbo. "Falou Judas Iscariotes: "Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para as dar aos pobres?" Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela."

2. Há pessoas que encharcam as campas dos seus mortos com velas e com flores, quando em vida não se lembraram deles... "Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo."

3. Há gente que enche a boca com os pobres, mas nada faz para aliviar a pobreza. " Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres"

4. Há grupos e pessoas que se valem da pobreza alheia para aumentar e alardear a sua riqueza. Em tempos de crise, há quem enriqueça desmesuradamente. "Judas era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela."

5. Há gestos de amor que enobrecem que os pratica e dignificam quem os recebe. O Mestre revelou aos seus discípulos o valor simbólico do gesto de Maria. Ela estava antecipando o que deveria acontecer no sepultamento de Jesus, ungindo o corpo que seria colocado no túmulo. Afinal, havendo de padecer a morte dos pobres, sem nem mesmo ter um túmulo para ser sepultado, Maria estava suprindo o gesto de piedade de que seria privado.

6. Há pessoas que não toleram que ninguém brilhe mais do que elas. Se tal acontece, há que destruir, caluniar, matar... "Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, porque, por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus. "

domingo, 16 de março de 2008

Obrigado, irmãos pequenitos!

Eucaristia das 11 horas. Muita gente. No primeiro banco, mesmo em frente ao altar, um grupinho de crianças. Portaram-se lindamente.
Mas o que me impressionou foi o momento da comunhão. Depois de comungarem, ajoelharam, olhitos fechados, mãos cruzaditas e uma paz imensa e serena naqueles rostitos lindos. Como os jovens gostam de dizer, "estavam noutra". Que magia de momento!
No fim, partilhei com a comunidade a impressão maravilhosa que os pequenitos me deixaram. Que bom seria que os adultos mantivessem pela vida fora a frescura natural desta vivência! Que acolhessem assim o Senhor, saboreassem a beleza desta Visita, soubessem ajoelhar diante d'Ele para poderem estar sempre de pé diante dos homens e das coisas!
Obrigado, irmãos pequenitos, por este testemunho de fé pura, por este momento encantado, por esta lição de bem receber.
Entre tanto que vivi e aprendi e pelo qual louvo o Senhor, este momento marcou-me indelevelmente.

Os jovens, quando querem, entusiasmam mesmo!


Domingo de Ramos. Dia Mundial da Juventude, com o tema: "Recebereis a força do Espirito Santo, sereis minhas testemunhas até ao fim dos tempos." Assinalámos a data na Missa do 3º domingo do mês, em Santa Helena.

Apesar de ser uma tarde de domingo, os jovens marcaram presença. E que presença! Alegres, participativos, presentes. A sua maneira de estar, participar e cantar marcaram as muitas pessoas presentes.
Esta comunidade nunca esteve de pé atrás quanto à participação dos jovens. Pelo contrário, aprecia-a e deseja-a. E, naturalmente, eu fico contente por ser assim. No fim da Eucaristia, um homem dizia que havia sido fantástico, que os jovens, quando querem, entusiasmam mesmo. E uma senhora que viera de longe e partcipara na cerimónia com familiares, disse aos jovens e a a mim que iam felizes pela forma maravilhosa como a juventude desta paróquia soube estar e dinamizar a celebração.

Nem sempre sinto o que hoje senti. Tantas vezes o padre prepara a celebração e depois as coisas não saem tão bem como se desejava. Confesso que a homilia desta Missa me levou muito tempo a preparar. Mais do que a das outras Eucaristias. Mas sinto que correu tudo bem e que as pessoas gostaram. A juventude de hoje. A marca de certo intimismo e individualismo. Possibilidades e inconvenientes. O testemunho do Evangelho, realçando o contacto pessoal. A centralidade de Cristo na vida e na evangelização. O tipo de discurso e linguagem muito próximo dos receptores, sentindo a sua adesão, expressa na expressão do rosto e nos sorrisos.

Também os escuteiros, esgotadas pelo acampamento na Régua, onde ficaram em 2º lugar nos jogos - parabéns, 1006! - marcaram presença.

Domingo de Ramos: Dia Mundial da Juventude

O tema do Dia Mundial da Juventude: "Recebereis a força do Espirito Santo, sereis minhas testemunhas até ao fim dos tempos"

Domingo de Ramos

Com o Domingo de Ramos, damos início à Semana Santa ou Semana Maior em que celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É o seu Mistério Pascal, centro e cume do ano litúrgico.

Domingo de Ramos. O povo que aclama Jesus quando entra na cidade de Jerusalém, é o mesmo que, passado muito pouco tempo, o quer ver morto numa cruz… Jesus não era o salvador político, o salvador que viria elevar o povo judeu à categoria mais elevada, Jesus não era o político que viria restaurar a força militar do povo Judeu. Jesus é um salvador diferente. O seu reino não é deste mundo. A Paixão, morte e sofrimento de Jesus são a maior lição e prova de Amor. Jesus anunciara: “Ninguém tem mais amor do que aquele que dá a sua vida pelo irmão.” Este sofrimento de Cristo é a única forma que Deus tem para nos fazer entender o seu infinito Amor por nós. A vida que temos muitas vezes também é marcada por dificuldades enormes. A nossa vida muitas vezes também está marcada por uma pesada cruz. Quer queiramos, ou não, temos de carregar a nossa cruz, importa que seja carregada com generosidade e confiança n'Aquele que tudo pode.
Podem muitas vezes faltar-nos a coragem e a força, mas contamos sempre com Deus e com a sua ajuda que, com humildade, constantemente deveremos pedir. Por mais que queiramos não conseguimos entender muito bem os nossos sofrimentos e o sofrimento de Deus. Porque tem Jesus de sofrer se é Filho de Deus? Por mais que nos esforcemos não somos capazes de entender o porquê dos nossos próprio sofrimento. Ou o sofrimento que consideramos injusto. Só olhando para a cruz de Cristo surgirá uma pequena luz para entendermos os nossos próprios sofrimentos e dificuldades. Jesus sofre para nos mostrar o quanto nos ama. O quanto fica triste quando o rejeitamos ou vivemos longe d’Ele.
Sofre porque ama… sofre para nos salvar!

Durante esta semana Santa olhemos com amor a cruz! Queiramos descobrir o infinito amor que levou Jesus a dar a vida por nós… esta semana santa seja para todos uma SANTA SEMANA!
(A Rede na Rede)

sábado, 15 de março de 2008

Inauguração da Variante Oeste

A alegria do perdão de Deus

Realizou-se na tarde deste dia a Comunhão Pascal da Paróquia e o Jubileu das Almas.
Alguns acontecimentos não favoreceram a concentração e provocaram a dispersão. A inauguração da Variante Oeste, o funeral, a saída dos escuteiros para um acampamento, a sementeiras ... Tudo aliado à perda de consciência de pecado e consequente desvalorização do Sacramento da Misericórdia de Deus e ao respeito humano.
Fiquei feliz por tanta gente que se abeirou da Confissão e sentiu a graça e a misericórdia de Deus a inundarem-lhe a vida. Pensei em tantos e tantas que teimam em esquecer o Amor misericordioso de Deus, atrofiados na auto-suficiência, na vergonha e no relativismo.
Senti na alma, como disco em rotação contínua, o desafio de Bento XVI: "É preciso mudar!" Como? O quê? Que caminhos seguir? De que maneira ajudar as pessoas a descobrirem a alegria do perdão de Deus? Será que este modelo de confissão se esgotou?
Preocupa-me o relativismo moral em que cada um traça uma moral à sua medida, o esvaziamento da consciência de pecado que leva ao declive para o despersonalização e o deserto interior, árido, esbatido, improdutivo.
Aflige-me esta falta de fome de Deus, este endeusamento das manias, preconceitos e interesses individuais.
Confio que o amor de Deus é maior. Acabará por conquistar o desamor das pessoas. Oxalá não desistamos de colaborar com Ele.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Um encontro muito especial

Das 20 às 24 horas, a comunidade esteve em Sagrado Lausperene. Depois da Eucaristia, seguiu-se uma hora de adoração presidida pelo pároco. Em seguida, os grupos, movimentos, associações, irmandades, conselhos tiveram o seu momento de oração. Vieram depois os jovens para o seu encontro com Jesus Eucaristia. Teve ainda lugar um espaço de silêncio para que cada um pudesse ouvi-l'O e falar-Lhe. Terminou com a Bênção do Santíssimo.
Em vésperas de celebrarmos o Sacramento da Reconciliação, certamente este foi um encontro muito especial para muita gente.
Lembrámos aqueles que queriam ter estado, mas não puderam. Lembramos sobretudo os que podiam ter estado, mas por preguiça, respeito humano, insensibilidade não o quiseram fazer.
Gostei muito. Soube-me bem. Senti que muitos também apreciaram este encontro.
Uma palavra para os jovens. Preparam e realizaram o seu momento de oração com muita dignidade. Foram em tudo edificantes.

A favor ou contra a greve?

Mais uma greve da Função Pública.
Numa democracia, é um direito irrenunciável, felizmente.
Claro que uma greve deve ser usada correctamente. Não se pode fazer greve por tudo e por nada. Mas não podemos exorcisar as greves.

Penso que também os sindicatos precisam de se modernizar. Até nas formas justas de luta. Uma greve à sexta-feira transmite para o exterior a ideia de quem alinhou quis prolongar o fim-de-semana. Nisso, a manifestação dos professores foi exemplar...

Sou dos que pensam que os trabalhadores têm razões para protestar. Também sou dos que pensam que o país não se decide no fofo dos gabinetes, contra os incondicionais do situacionismo que bradam que o país não se decide na rua.

"A rua é um espelho do país. A arte de governar consiste em escutar o que palpita na vida, em antecipar problemas e soluções, em apoiar quem precisa e quem carece."
Pode parecer um acto de coragem colocar-se ao lado de ministros que parecem insensíveis ao clamor popular. Eu diria que é um acto de pura temeridade. Pela minha parte, estou com quem sempre estive, com quem tenho a obrigação de estar: com os pobres (os anawim e os ptóchoi de que fala a Bíblia). Se Deus está com eles, como posso eu deixar de estar?" (Theosfera)