domingo, 2 de outubro de 2011

Bocejos na Missa e ... outros casos

É uma pessoa atenta e participativa. Mas em certas homilias, não resiste a uns bocejos.
Quando vejo essa pessoa bocejar, digo para os meus botões: "Ei, que já te estás a alongar!" Ou quando o bocejo começa nos inícios da homilia, penso: "Uhm! Não devo estar a explicar-me correctamente!"
Por vezes, o bocejo não surge, mesmo em homilias mais longas. E é interessante. Tal acontece quando me sinto mais empolgado, mais vibrante. Quando exteriorizo melhor o que sinto e comunico.
O bocejo é contagiante. Há dias, um pouco depois da pessoa habitual ter começado a bocejar, várias pessoas que estavam ao pé começam a imitar-lhe o gesto. Uma vez, quando me apercebi, todos os que estavam no mesmo banco do habitual bocejante, começaram a abrir a boca uns a seguir aos outros. Ao regressar a casa, perguntava-me: "Seria andaço? Seria algum vazio de oxigénio que momentaneamente atingiu aquela bancada?  Ou seria eu que estava a ser demasiado chato?"
Nem sempre a homilia sai como a havia preparado. Nem sempre me é possível manter a mesma envolvêncoa afectiva na comunicação, devido às Missas sucessivas. Consequências da limitação humana...

Na semana passada, encontrei-me casualmente com um colega em Lamego. Conversávamos, quando chegou um paroquiano do meu colega. Como era agricultor, a conversa lá foi parar às vindimas e, como muitos nesta zona, também este senhor se queixava da sua quase nula colheita. Às tantas dispara para o seu pároco:
- Senhor abade, para o ano não pode haver Missa na nossa freguesia!
- Porquê? - pergunta, surpreso, o meu colega.
- Porque quem tem oferecido o vinho para a Missa sou eu. Como como este ano não tenho, está a ver...
Mas logo a seguir, acrescenta:
- Graças a Deus. Ainda tenho bastante da última colheita e olhe que não é nada mau, como o senhor bem sabe. Deus dá-nos sempre mais do que aquilo que merecemos. Se este ano  a produção falhou, para o ano será melhor...

Ele é benquista ferrenho, eu portista convicto. Brincamos imenso com o facto. Ao sabor dos êxitos ou fracassos dos nossos clubes, as conversas e as posturas mudam de tom.
Hoje, ao fim da Eucaristia, aparece na  sacristia com um ar maroto, fingido de preocupação:
- O senhor tenha cuidado na estrada, ande com cautela...
Claro que eu percebi o sentido da música, mas fingi:
- O que passa? Não notei nada de especial...
- Pois - acrescentou ele - rebentou um tenebroso  furacão lá para os lados da Europa de Leste, mais propriamente na Rússia e pode estender-se para estes lados. Há até quem diga que atingirá Coimbra neste domingo...
- Não me diga! E causou danos na Rússia!?
- Ui, nem lhe conto!... Era tão violento que derrubou vários dragões...
Sorri, pensando para mim mesmo: "Agora é a minha vez de encaixar as tuas ironias como encaixaste as minhas na última época."
Criar conflitos por causa do futebol, inimizar-me com alguém por causa do futebol, está completamente fora de parte e não cabe na minha concepção de vida. Agora brincar, isso sim.

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