sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sem o amor de Deus em nós, o outro nunca se torna o meu próximo, nem eu me torno próximo do outro.

Um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar:
«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?»
Jesus respondeu:
«‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’.
Este é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo, porém, é semelhante a este:‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.
Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».
( Mt 22, 34-40)


1. Na perspectiva de Jesus, o “amor a Deus” e o “amor aos irmãos” não são dois mandamentos diversos, mas duas faces da mesma moeda. «Os discípulos de Jesus nunca poderão separar estes dois amores. Tal como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa: quanto mais amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs; quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus» (C. Lubich).

2. Jesus não começou pelo mandamento do amor ao próximo, mas sim pelo mandamento do amor a Deus. Porque afinal, todo o amor vem de Deus! O amor a Deus e o amor ao próximo, a paixão por Deus e a compaixão pelo próximo bebem da mesma fonte: o amor de Deus, aquele Amor com que Deus primeiro nos amou (I Jo.4,10)! O amor que nos é pedido é, portanto, uma resposta ao Amor, que nos é dado. É pela graça deste único amor de Deus, que amamos a Deus e ao próximo! O amor a Deus é sempre prioritário, pois sem o amor de Deus em nós, o outro nunca se torna o meu próximo, nem eu me torno próximo do outro.

3. Temos pela frente tempos dificílimos, com a maior recessão económica, que se conhece, em tempos de democracia. Por isso, o amor, de que aqui se fala, “com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito” não é apenas o amor virtual ou sentimental dos beijos e dos abraços, mas é sobretudo o «esforço da caridade» (I Tes.1,3), o amor braçal, que conta com a força das minhas mãos: um amor traduzido em pedaços de proximidade e ajuda, em atenção concreta e partilha verdadeira!

4. Sejamos capazes de tecer uma vasta rede de proximidade e de solidariedade, a partir da própria família, onde a caridade é sempre mais secreta e discreta, mais próxima do mais próximo. Mas não há-de parar aí a corrente do amor, pois o próximo não é apenas a pessoa do meu sangue; é também o vizinho, o homem da rua, que perdeu o emprego; é o estrangeiro desorientado; é também aquele que já suporta, com a fome do essencial, o peso dos seus encargos! É aquele que está a meu lado e sobre o qual posso poisar a minha mão! Muitas vezes o nosso próximo é o mais «distante»!
Com base aqui

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