sábado, 20 de novembro de 2010

Papa admite uso do preservativo em casos «isolados»

Bento XVI admitiu o uso do preservativo nalguns casos específicos, mas voltou a defender que este não é o “caminho”, mesmo quando se trata da erradicação da SIDA.
A declaração papal é pubilicada na edição dominical do jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", o qual avança com excertos de um livro-entrevista a Bento XVI, a ser apresentado no dia 23 de Novembro.
Falando com o jornalista alemão Peter Seewald, Bento XVI diz a respeito da polémica questão que “pode haver casos isolados justificados, como quando uma prostituta utiliza um preservativo”.
“Isto pode ser o primeiro passo para uma moralização, um primeiro acto de responsabilidade para desenvolver a tomada de consciência de que nem tudo é permitido e que não podemos fazer tudo o que queremos”, assinala.
Para o Papa, contudo, “esta não é a maneira correcta e verdadeira de vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade".
D. Carlos Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, diz que esta não é uma posição nova na Igreja. No entanto, referiu à RR que "talvez as pessoas estranhem" por ser o Papa a dizê-lo.
O também bispo auxiliar de Lisboa lembra que a Igreja defende a "moral do mal menor", ou seja, aceita a utilização do preservativo apenas para reduzir os risco da contaminação de inocentes.
Bento XVI afirma, na entrevista, que “concentrar-se no profilático quer dizer banalizar a sexualidade e esta banalização representa, precisamente, a perigosa razão pelas quais tantas e tantas pessoas não vêem na sexualidade a expressão do seu amor, mas apenas uma espécie de droga”.
“Por isso, tamtbém a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço para que a sexualidade seja valorizada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade”, acrescenta.
O livro “Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos” resulta de uma conversa entre Bento XVI e Seewald, que já por duas vezes tinha entrevistado Joseph Ratzinger, ainda cardeal.
Ao longo de 18 capítulos, o Papa aborda várias das questões mais inquietantes para a Igreja e a humanidade de hoje.
ecclesia

“A defesa da vida é direito fundamental”
D. Januário Torgal, Bispo das Forças Armadas aplaude posição favorável de Bento XVI sobre o preservativo.

Correio da Manhã – Pela primeira vez o Papa Bento XVI admite o uso do preservativo. Aplaude esta mudança de opinião?
D. Januário Torgal – Fico muito satisfeito por o Santo Padre pensar desta forma. Aprova uma doutrina que já é corrente na Igreja por pessoas que, pela sua experiência pastoral, consideram legítimo o uso do preservativo em determinadas situações.
– Bento XVI dá o exemplo positivo do uso do preservativo na prostituição para combater o vírus da sida. Penso que considera também legítima a sua utilização por casais em que um dos cônjuges esteja infectado.
– Não só legítima como obrigatória porque trata-se de um gesto cuja responsabilidade incide sobre a própria vida. Não se pode fazer, mesmo no matrimónio, dos métodos naturais um dogma.
– Qual a explicação da Igreja para o uso do preservativo?
– Do ponto de vista ético e moral, a explicação surge por a defesa da vida ser um direito fundamental. O Homem tem a obrigação de defender a sua vida do ataque dos outros. Uma situação que acontece caso o preservativo esteja ausente numa relação em que um dos parceiros é portador do vírus da sida.
– Esta mudança de posição do Vaticano irá produzir alterações profundas no modo
 de agir da Igreja em relação à sida?
– Entendo que não. Na prática existia já um grande número de pessoas, nomeadamente em Portugal, que, pela sua inteligência, adoptavam a recomendação das ideias agora apresentadas por Bento XVI.
– A questão do preservativo levou ao corte de relações no seio da Igreja?
– No mínimo, ao rever a sua posição, o Santo Padre deveria pedir desculpa àqueles que não partilhavam da sua opinião anterior e, por isso, foram marginalizados.
– No seu caso, foi marginalizado?
– Não. Sempre tive a graça de ser ouvido.
In Correio da Manhã

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