quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Testemunho sem nome e sem medida
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
Não sou monárquico, mas simpatizo com a monarquia britânica
Tinha 96 anos e cumpriu até ao fim o que prometera aos 21 anos de idade: dedicar a vida — “seja longa ou curta" — a servir o país.
Então o que aprecio em Isabel II?
- Após o seu falecimento, os comentadores assinalam que esta rainha pôs sempre o país à frente dos seus interesses e da sua família. Não é isto que todos queremos que aconteça com os governantes?
- Nunca deu uma entrevista e sempre preservou a sua privacidade. Como que a dizer que o importante era o bem comum para o qual reservava a sua "voz".
- Os problemas que enfrentou - como qualquer mortal - nunca a afastaram da sua tarefa de magistrada suprema da nação. Ela chegou a referir-se a 1992 como o seu "annus horribilis", tantos os problemas familiares que a afectaram nesse ano.
- Embora não seja a minha opinião pessoal, compreendo a sua decisão de permanecer até ao fim em funções. Foi o que prometeu aos 21 anos, foi o que cumpriu até à morte. Pessoalmente entendo que até aos setentas, somos nós que mandamos; a partir dos setentas, quem manda é a idade. Há tempo para tudo. Tempo para o trabalho e tempo para a reforma; tempo para estar à frente e tempo para apoiar na retaguarda.
- Era uma pessoa de fé profunda, que não escondia ou tinha vergonha da sua fé. “Foi nas suas mensagens à nação que assistimos de forma crescente ao testemunho público da sua fé cristã. Fazia-o com naturalidade e elegância, sem imposição, prestando também nisso um serviço”, explica o padre Peter Stilwell.
- O respeiro e carinho do seu povo, manifestados em vida e após a morte, que a rainha sempre soube conquistar e manter com o seu aprumo, dedicação, competência e espírito de serviço à causa pública.
- Se olharmos bem para a Europa, praticamente todas as nações que estão na linha da frente do bem-estar e do progesso social vivem em regime monárquico. Claro que também há repúblicas - sendo republicano, digo-o com satisfação - que vivem em avançado estado de desenvolvimento.
terça-feira, 6 de setembro de 2022
A cadeira de rodas e o bispo de Roma
Eis o artigo.
Esta semana realizou-se em Roma, em Santo Anselmo, a 50ª Semana de Estudos da APL (Associação dos Professores de Liturgia). No último dia do encontro, os participantes foram recebidos pelo Papa Francisco em audiência privada.
Um amigo me enviou o vídeo da chegada do papa na sala: o papa caminha com dificuldade, um pouco curvado, e tem dificuldade para subir o degrau em que está colocada a sua poltrona. Todos os comentários dos amigos destacaram o esforço que transpirava naquela entrada. No entanto, quem como eu que estou há mais de um mês privado do uso das pernas, pensei o contrário: “pudesse eu caminhar assim'!
Dá espaço a muitas reflexões o ponto de vista muito diferente com o qual é possível julgar um mesmo gesto. Mas a ocasião pode nos fazer pensar melhor em como existe uma estreita ligação entre o exercício do ministério petrino do bispo de Roma e seu andar.
Um papa em cadeira de rodas é uma espécie de papa na cadeira de gestatória reduzida aos mínimos termos. Ele é um papa que se faz conduzir. Isso não é necessariamente um mal, mas certamente constitui um forte limite à iniciativa do papa. Por outro lado, um papa que caminha, embora com dificuldade, sofrimento e dor, ainda escolhe ele mesmo para onde ir. E se, além disso, o papa superar seus problemas e voltar a caminhar livremente, eis que ninguém mais o segura.
Essas três condições diferentes (na cadeira, claudicante ou em forma) correspondem a três posições do bispo em relação ao seu povo. Um bispo na cadeira de rodas está no fundo do povo de Deus e se deixa arrastar pelo sensus fidei. Um bispo claudicante, por outro lado, fica no meio da sua própria caravana, no meio do povo, e se apoia ora em um, ora no outro para ir adiante.
Um bispo em forma está na frente, lidera, guia e discerne primeiro. O rei está na frente, o profeta está no meio e o sacerdote está no fundo. Talvez quando vemos o papa na cadeira de rodas esquecemos que ele não é apenas rei. Talvez quando o vemos em plena forma diante de todos, devemos lembrar que ele também é profeta e sacerdote. Ser conduzido pelo povo não é de modo algum um vício, como seria ser conduzido pela cúria.
Assim, o papa claudicante que saudou os liturgistas italianos é a imagem do profeta no meio do povo. Eu gostaria que todos pudéssemos caminhar assim.
Fonte: aqui
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
Férias, três anos depois...
Nos últimos anos não tive férias, a que não são estranhas situações como a pandemia, mudança dev casa, etc.
Este ano voltei ao Algarve na companhia de familiares. Nos primeiros dias, só os "kotas", depos foram aportando os mais novos. Chegamos a ser 10 pessoas em casa que, felizmente, era grande.
Porque férias são libertação de horas e horários, havia poucos compromissos que envolvesem o grupo todo: apenas almoço e jantar e uma ou outra saída combinada.
Quatro dos "kotas" levantávamo-nos cedo e passeávamos pela praia de Manta Rota até a Cacela e sua famosa Ria. Uma hora e pouco. De regresso, quase sempre já com presença de alguns mais novos, seguia-se o mergulho - ou como dizia em criança um dos meus sobrinhos, o "mi manho na quiaia". Depois de um tempo na toalha, seguia-se o regresso a casa, faseado, pois quem tinha o cuidado do almoço vinha mais cedo. Para os retardatários, lá chegava via telemóvel o pedido de socorro: passem pelo supermercado e tragam isto ou aquilo de que nos esquecemos.
Claro, enquanto não chegaram os sobrinhos, tive que fazer o trabalho escravo de pôr a mesa. Que trabalheira! Felizmente, mal eles aportaram, fui isento desta canseira...
Pelas 16 horas, regresso ao areal. Tinha então lugar o meu passeio solitário pela praia. Sozinho no meio da multidão. Sendo uma praia muito familiar, as cenas de família encantavam-me. Famílias a jogar, a brincar, a realizar partidas, a passear, a conversar. O encanto divino das crianças envolvia o ambiente de ternura, beleza, elevação. Quanto vezes eu repeti para mim mesmo: "A prova de que Deus ama o mundo está no encanto das crianças."
Claro que não há férias sem peripécias. No primeiro dia de praia, perdi-me dos meus. Depois do passeio, não consegui dar com o lugar onde eles estavam. Depois de procurar e voltar a procurar, dirigi-me a um nadador salvador que, gentilmente, procurou ajudar. Volta e mais volta, eis que aparece um familiar à minha procura. Isto no momento que o nadador salvador telefonava pedindo uma moto de água para me levar a casa. Claro que eu sabia o camnho de regresso a casa, mas nem uns chinelos tinha para o regresso.
Notas:
1. A água esteve muito apetecivel, excepto um dia em que apareceu mais mal disposta.
2. Num dos dias, reunimos e convivemos com outros familiares que estavam noutros pontos do Algarve. Muito agradável.
3. Agora a Manta Rota tem uma Capela onde participámos na Eucaristia, lembrando e realizando o pensamento que diz: "Não faças férias de Deus; faz férias com Deus!"
4. Este ano, não realizámos grandes passeios. Eu gostei assim. Férias são para descansar. Ou será da velhice!? Mas fomos à bela cidade de Tarvira, Praia Verde, Aiamonte, alguns a Vila Real de Santo António. Neste momento, Manta Rora tem poucos pontos de diversão.
5. Ainda sobre o Algarve, duas impressões. No geral um pouco mais de simpatia não ficaria nada mal aos algarvios. O custo de vida é um exagero. Mas tem boas praias, Sol e boa água...
6. Como a gratidão é a memória do coração, um obrigado profundo ao P.e Bráulio que fez o favor de me substituir na paróquia.
Para os meus irmãos, sobrinhos e amigos, um abraço tão grande como a praia de Manta Rota. Obrigado pelo acolhimento, pela atenção, pelas brincadeiras, pela gratuitidade, pelas conversas e silên\cios que partilhámos. Tenho muito orgulho em vós.
sexta-feira, 12 de agosto de 2022
GOSTO DE GENTE SÉRIA E SÁBIA…
Cada vez gosto mais de gente sábia que é capaz de arranjar todo o tipo de desculpas (mentiras, encenações) para faltar à Missa, mas não se coíbe de gastar horas a fio em bares e arraiais, em passeios e aventuras por rios e montanhas. Cada vez gosto mais de gente sábia que empoleirada em sandice afetiva e intrujice mental faz dos outros (padres incluídos) pacóvios, retrógrados, desprovidos de inteligência, porque desalinhados com modas e manias bacocas.
Na sabedoria popular diz-se que “com papas e bolos se enganam os tolos”. Os romanos, para controlar o povo, davam-lhe “circo e pão”. Hoje não é diferente. Dar um telemóvel para a mão, “comes e bebes” para a barriga e música para as pernas e a turba salta eufórica de terra em terra, de galho em galho, a regurgitar folia e liberdade. O resto passa pelas redes sociais, onde se deleita com comentários e partilhas, declarações de amor e felicidade eternas. Para quem quer palco, todos os meios servem; para quem não tem prioridades, tudo tem o mesmo valor; para quem não tem vida própria, vive à custa do que lhe põem à frente.
E Deus? Gente moderna! Cada um tem a sua fé, a sua devoção, as suas rezas e negócios santos. Gente tão séria e sábia até muda a Doutrina e transforma “santificar domingos e festas de guarda” em “ir a Fátima e São Bento ao menos uma vez por ano”, promover festinhas e graçolas com gastos e feitos claramente ofensivos para os santos ou “ir à Missa" (apenas) quando o padre puser os queridos defuntos nas suas rezas encomendadas. E assim, gente séria e sábia, até é feliz a “ensinar o Pai Nosso ao vigário” e a pensar que “o sabem levar na cantiga”. E até se esquecem que “graças a Deus, muitas, graças com Deus, poucas”. E é tão verdade: “não ter tempo para Deus é viver perdendo tempo”.
P. António Magalhães Sousa, aqui
terça-feira, 9 de agosto de 2022
‘Colégio católico maltrata aluno de 4 anos!’
A Igreja não tem só deveres, também tem direitos. A sua firme atitude contra a pedofilia exige, por parte da comunicação social, respeito, que foi o que não houve em relação a D. Manuel Clemente
O ataque mediático contra o Cardeal Patriarca de Lisboa serviu para demonstrar que, neste caso, não houve, da sua parte, nenhuma negligência ou omissão. Pelo contrário, desde o primeiro momento o Senhor D. Manuel Clemente manifestou a sua preocupação pastoral pela vítima, indo ao seu encontro e disponibilizando-se para a ajudar, apesar do alegado crime não ser passível de denúncia, por já ter prescrito. Na sua actuação, observou as normas civis e canónicas pertinentes, como aliás o anterior Patriarca.
Apesar da comprovada inocência do actual Cardeal Patriarca de Lisboa, este escândalo mediático – não faltou quem pedisse a sua demissão! – foi possível. Assim se prova como, não obstante os abusos de menores que não foram devidamente denunciados pela hierarquia, é fácil manipular a opinião pública, quando se trata de difamar a Igreja. A presunção de inocência, que se deveria aplicar a todos os cidadãos, deu agora lugar a uma suspeição generalizada em relação aos bispos e sacerdotes católicos, criando um clima persecutório quase pidesco. É necessário que todos os crimes de pedofilia, dentro e fora da Igreja, sejam perseguidos até às suas últimas consequências, mas sem dar azo a que os justos paguem pelos pecadores ou, impunemente, se ataque a Igreja, que não responde pelos crimes dos seus fiéis, como o Estado também não é responsável pelos delitos dos seus cidadãos.
Corria a década de sessenta – não consigo precisar o ano – eu tinha uns 4 ou 5 anos e frequentava o Colégio de São José, no Restelo. Por sinal, como sou trigémeo, os três estávamos na infantil, que era mista, não obstante a escola ser então feminina. Tínhamos três irmãos mais velhos e ainda nasceriam mais dois. Nessa escola dava-se ainda a feliz circunstância de uma nossa tia, por sinal madrinha de uma das minhas gémeas, ser educadora infantil.
Um dia, a nossa mãe foi ao colégio, para tratar de algum assunto relativo às nossas irmãs mais velhas, que também lá estudavam, ou a nós os três. Não sei como, nem porquê, mas quando a vi, quis ir com ela para casa, sem esperar pelo fim das aulas. Sei que me procurou dissuadir desse capricho, mas não fiquei convencido com os seus argumentos, que acatei. Ou não, porque segundo conta a história, mordi a mão da religiosa que servia na portaria do colégio, quando procurava reconduzir-me para a minha sala, até que chegasse a hora de, na carrinha do colégio, voltar para casa.
Confesso que a mordidela na bondosa extremidade superior da pobre dominicana não atormentou a minha (in)consciência moral. Também não me vangloriei desse precoce acto de raivoso anticlericalismo. Ainda sou anticlerical – detesto o clericalismo! – mas, graças a Deus, menos violento: nunca mais mordi as piedosas mãos das esposas de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Para minha surpresa, no dia seguinte fui exemplarmente punido por esse meu acto carnívoro. Não sei se alguma vez soube o nome da vítima, mas nunca esqueci o da superiora, porque nos ocorria, instintivamente, mal a víamos: Socorro! Pois bem, nessa manhã, a boa da Madre Socorro teve por bem, ou por mal, contar do alto das escadas, a todas as professoras e alunas do colégio, que ocupavam totalmente os seus vários lanços, a minha façanha da véspera. Lembro-me que, depois da sua arenga, chamou-me à sua presença e, diante de todos, atou-me as mãos, como castigo pela minha má acção, que releva tanto no âmbito da ira, como da gula. Teria sido mais lógico que me tivesse amordaçado, mas a Madre Socorro preferiu manietar-me. Não sei quanto tempo permaneci de mãos atadas, mas a improvisada amarra não deve ter durado muito, pelo que, pouco depois, seguramente, recuperei a liberdade de movimentos.
Devo dizer que não só não fui expulso, embora talvez merecesse, como a minha permanência no colégio decorreu depois sem mais incidentes. Terminada a infantil, passei para o masculino Colégio Clenardo, também dominicano, e não voltei ao de São José, onde talvez tenha a cabeça a prémio, ou seja ainda persona non grata. Guardo uma excelente recordação dos meus tempos aí vividos, bem como, depois, no Clenardo, de onde transitei para o Liceu de Pedro Nunes, no qual concluí os meus estudos liceais, já depois do 25 de Abril.
Esta história real tem todos os ingredientes de um caso mediático que, devidamente ‘trabalhado’ por uma certa comunicação social, serviria perfeitamente para montar mais um escândalo contra a Igreja e, até, contra o Patriarca que, na altura, talvez ainda fosse o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, ou o seu sucessor, D. António Ribeiro. Para o efeito, bastaria que um jornalista pouco escrupuloso publicasse a notícia com um sensacionalista título: ‘Colégio católico maltrata aluno de 4 anos!’. Claro que, para o escândalo ser mais pungente, conviria que algum pedopsiquiatra garantisse, a pés juntos, que, como consequência do castigo que me foi aplicado, eu padecia desde então um profundo trauma. Um advogado pouco consciencioso, de preferência com experiência em chantagens a entidades de beneficência, poderia exigir, por irreversíveis danos morais, uma choruda indemnização. Talvez algum dos meus condiscípulos de então pudesse testemunhar a meu favor, já que a minha mãe e tia não estariam disponíveis para o fazer – por razões de decência moral que nem todos compreenderão – nem, pela mesma razão, as minhas gémeas, se é que ainda se lembram do episódio. E, na impossibilidade de agir contra a dita religiosa, cuja identidade desconheço, ou a referida Madre Socorro, há muito falecida, porque não proceder contra a sua Ordem religiosa, que bem poderia vender o colégio para me compensar?! Em última instância, poderia sempre recorrer para o Patriarcado de Lisboa que, como é óbvio, é o máximo responsável por toda a actividade católica na diocese e, portanto, pelos maus-tratos de que fui vítima! Que o Patriarca não sabia de nada?! Soubesse!! Não é para isso que existem os Patriarcas?!
Desculpe-se o tom irónico desta fantasia, criada a partir de uma história real. Atenção: que ninguém se atreva a pensar que se trata de uma farsa aos gravíssimos – não exagero! – abusos de menores na Igreja! Desde a primeira hora, em múltiplas crónicas aqui publicadas, exigi justiça e verdade para estes casos. Seria de muito mau gosto referir com ligeireza ou, pior ainda, com troça, qualquer caso de abuso de menores. Não é legítima nenhuma cumplicidade com os agressores, sejam eles quais forem. A Igreja que, graças à tolerância zero, laicizou um cardeal, demitiu vários bispos e expulsou inúmeros padres, já demonstrou que está, como ninguém, seriamente empenhada na luta contra a pedofilia. Bom seria que o Estado, e outras instituições, onde este flagelo grassa mais do que na Igreja, lhe seguissem o exemplo.
Mas a Igreja não tem só deveres, tem também direitos. Esta firme atitude do Papa Francisco e da hierarquia exige que haja, por parte da sociedade e, mais concretamente, da comunicação social, respeito, que foi o que não houve no referido caso contra o Senhor Dom Manuel Clemente. Quem o atacou deve, pela sua imperdoável leviandade, ou manifesta má-fé, um pedido formal de desculpas ao Patriarca de Lisboa. Todos os católicos, sobretudo os fiéis diocesanos da capital, foram ofendidos por esta injusta difamação contra um dos seus mais ilustres e queridos prelados, que já foi várias vezes Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. Foi também uma inaceitável ofensa a um exemplar cidadão e homem de cultura – não em vão, é prémio Pessoa! – que honra Portugal com o seu saber, justiça e caridade.
segunda-feira, 1 de agosto de 2022
"O que sinto?..."
Mas ainda podemos dizer o que sentimos, evitando riscos de leitura.
E o que eu sinto, com a sucessão de pedidos de perdão por parte da Igreja e a divulgação e notícias de escândalos a conta-gotas, é que precisamos de preparar cristãos e, sobretudo os padres (todos!) para o sofrimento e não para o sucesso, para a crise e não para o aplauso, para a cruz e não para a glória, para a vergonha e não para o pódio.
Ou temos a nossa vida centrada e enraizada em Cristo e partilhamos do Seu Amor à Igreja, sua Esposa (casta meretriz!), ou não há veste sagrada que nos proteja, nem campanha que nos lave a cara.
Cabe-nos abraçar o presente, este presente, que, em alguns casos, também é presente envenenado.
E saber que a hora que nos foi dada viver não é de triunfalismos, de apologética, de domínios. É de martírio. De testemunho. De purga. De purificação. De humildade e humilhação.
Deixo, em jeito de partilha, um breve recorte de um texto sentido do Pe. Edgar Clara, no Semanário "Sol".
Amaro Gonçalo Ferreira Lopes, aqui
sexta-feira, 29 de julho de 2022
Carta Aberta
Já contamos com a receita. Antes de um acontecimento marcante ou celebração importante na vida da Igreja, há-de aparecer sempre na imprensa um qualquer escândalo, caso ou casinho visando afastar atenções ou desacreditar a instituição.
Há gente que tem uma aversão visceral à Igreja e não liga a meios... Pena é que alguns cristãos se juntem à pândega!
A este prósito, veja aqui a Carta Aberta do Cardeal-Patriarca de Lisboa,
quarta-feira, 27 de julho de 2022
Varosa Fest, um festival de verão dedicado aos mais jovens.
A paisagem e a zona envolvente, o rio e
as margens, os equipamentos ali instalados e as condições disponíveis, fazem do
Parque Ribeirinho de Tarouca um local ideal para a realização deste tipo de
espetáculos, são fatores de diferenciação positiva que garantem a atratividade
dos amantes deste tipo de eventos.
O Varosa Fest nasce assim por vontade do
executivo da Câmara Municipal de Tarouca, nesta primeira edição de 2022, sendo
que já tinha sido pensado nos dois anos anteriores, mas a pandemia COVID-19
obrigou a que fosse adiado.
Ao contrário do que muitos podem pensar,
os índices de notoriedade de Tarouca são bastante reduzidos, sendo este índice
crucial para um concelho que pretende ter o turismo como um dos principais
setores de atividade, hoje com as novas tecnologias, os cidadãos marcam férias
através de pesquisas na internet, e se não conhecem o nosso concelho, a palavra
Tarouca nunca será pesquisada.
O Varosa Fest foi pensado e organizado
para melhorar a notoriedade de Tarouca, sendo um evento com mediatismo a nível
nacional, com capacidade para crescer e ser referência na área dos festivais de
verão, vai fazer, e já fez, com que muitos passem a conhecer Tarouca.
Para garantir estes objetivos era
necessário escolher um publico alvo que se predispusesse a arriscar e
participar nesta 1ª edição, tendo sido decidido que o grupo etário entre os 16
e 25 anos seria o mais fácil de convencer, tendo o cartaz/artistas sido
escolhido com este propósito.
E neste primeiro ano, o Varosa Fest
apresenta-se com os Wet Bed Gang como cabeça de cartaz, e o Rony Fuego e
Ivandro como artistas em fase de ascensão, são grupos para jovens, conhecidos
por eles e com milhões de seguidores. Na Sexta-feira, a presença dos Hybrid
Theory, considerado o melhor tributo a Linkin Park, foi a delícia para a
geração dos trintas e quarentas.
Em jeito de balanço, durante os 4 dias
de festival estiveram 16 bandas/DJ´s em palco, duas destas bandas são do
Concelho de Tarouca, Desalinhados e Ain’t Logic System, a quem foi dada a
oportunidade de viver uma nova experiência.
O Varosa Fest contou assim com a
presença de mais de quatro mil espectadores por dia e mais de uma centena de
campistas, sendo que apenas 44% eram do Distrito de Viseu. O impacto a nível
nacional foi muito positivo, tendo o Festival de Tarouca sido apresentado em
várias rádios locais e nacionais, onde se destaca a Rádio Comercial.
Os objetivos foram superados, e pode-se
afirmar que Tarouca melhorou os seus níveis de notoriedade e consequentemente
de atratividade, na certeza de que maior parte dos presentes voltarão para a
próxima edição e muitos virão mais cedo para conhecer melhor o concelho. Aqui
criaram-se memorias inesquecíveis e existe o desejo de voltar.
Afirmar também que durante o festival
esgotou o alojamento no nosso concelho e a aumentou a procura da restauração,
ou seja, o Varosa Fest deixa assim também impactos positivos na economia local.
Por fim, uma palavra de gratidão para
com todos os envolvidos nesta 21ª edição do Varosa Fest, GNR, Bombeiros
Voluntários de Tarouca, Finalistas do Agrupamento de Escolas de Tarouca,
empresários que demonstraram o interesse em marcar presença e patrocinar este
evento, e com certeza aos funcionários da autarquia que perceberam os objetivos
e a importância deste festival e deram o melhor de si para que tudo corresse ao
agrado de todos.
Este festival colocou mais uma vez
Tarouca no mapa, afirmando-se com o único festival desta natureza na região, na
certeza que será uma referência e uma marca no calendário de festivais a nível
nacional.
José Damião
sexta-feira, 22 de julho de 2022
Um portista faz uma análise lúcida, verdadeira, objectiva, frontal.
"""Só queria perceber a saída de Francisco Conceição, autêntico crime de lesa F.C.Porto"
Ver aqui
Sigo há muito o Blog "Dragão até à Morte", pois me identifico imenso com o pensamento e a postura do autor deste Blog que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente. Como portista, louvo e agradeço-lhe a clareza de pensamento , o apego ao nosso imortal Clube, a frontalidade de posições. Confesso que gostaria de ver a mesma postura aos comentadores ligados ao FCP presentes nos diversos programas televisivos. .
Já ouvi e li muito sobre a saída de Francisco Conceição para o Ajax. Encontrei neste blog a análise integral que a mim me satisfaz.
segunda-feira, 18 de julho de 2022
NOVO ANO PASTORAL: POR QUE NÃO OS JOVENS NO CENTRO?
Há uma diferença colossal e sinistra entre “falar” do protagonismo dos jovens na Igreja e “assumir” uma pastoral com os jovens como protagonistas. Não basta dizer-lhes que são “importantes e imprescindíveis”; é necessário mostrar-lhes, pelas ações, que estamos disponíveis para caminhar com eles. Afinal, não será este o sentido pleno (autêntico, real) do Sínodo?
Segundo o Papa Francisco, «precisamos de criar mais espaços onde ressoe a voz dos jovens: A escuta torna possível um intercâmbio de dons, num contexto de empatia. Ao mesmo tempo, estabelece as condições para um anúncio do Evangelho que alcance verdadeiramente, de modo incisivo e fecundo, o coração» (CV 38). «A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé. Nós temos necessidade disto! E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós» (CV 199).
«[Os jovens] fazem-nos ver a necessidade de assumir novos estilos e estratégias. Por exemplo, enquanto os adultos procuram ter tudo programado, com reuniões periódicas e horários fixos, hoje a maioria dos jovens sente-se pouco atraída por estes esquemas pastorais. A pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade, convidando os jovens para acontecimentos que, de vez em quando, lhes proporcionem um espaço onde não só recebam uma formação, mas lhes permitam também compartilhar a vida, festejar, cantar, escutar testemunhos concretos e experimentar o encontro comunitário com o Deus vivo» (CV 204).
Assim, faz-me uma enorme confusão que a Conferência Episcopal em uníssono ou as dioceses individualmente não dediquem o próximo ano pastoral exclusivamente aos jovens. Se queremos que sejam o coração da Igreja não os podemos colocar nas franjas da pastoral. Não seria um rasgo profético que, no próximo ano, a agenda dos pastores (padres e bispos) fosse preenchida por encontros com jovens? Não é preciso um programa formal, apenas vontade e disponibilidade para estar, ouvir, sentir, conhecer, partilhar, conviver, vivenciar. E pode ser promovido de tantos modos: encontros, saraus, acampamentos, retiros, atividades lúdicas e desportivas ou pequenos momentos de oração.
Não seria mais sensato (sinodal) suspender as visitas pastorais oficiais (geográficas) e reservar a agenda para estas visitas etárias (pessoais = jovens)? Os fazedores de pastoral ainda não intuíram que “os mesmos caminhos só levam aos mesmos lugares” e, nitidamente, não nos levam aos jovens? É indecente (demagogo, hipócrita) “declarar amor” a quem apenas é tratado como sobras ou apêndice. Os jovens não podem ser “pretexto” dos trejeitos dos adultos. Eles querem (e merecem) ser o “texto” das opções, ações e prioridades.
Sem este rasgo profético e pastoral as JMJ 23 não passarão de um megaevento com jovens como tantos festivais e raves onde eles são protagonistas. Entretanto, “passou o dia, passou a romaria” e hão de regressar aos mesmos lugares e práticas, talvez agradecidos pelo momento, mas não convertidos ao Senhor; talvez encharcados nas palavras, mas não convencidos da Palavra; talvez admiradores (cultores) dos agentes, mas não seguidores do Mestre.
terça-feira, 12 de julho de 2022
Pregar noutra freguesia
Não é fácil ser padre e, talvez ainda menos, ser pároco.
quarta-feira, 6 de julho de 2022
Soluções para a falta de padres
quinta-feira, 23 de junho de 2022
Assisti ao debate com o Primeiro-Ministro na Assembleia da República
Confesso que não tive coragem para ir até ao fim. Cansei mesmo.
Não gostei. Nem do governo, nem do partido que o apoia, nem da oposição. Fez-me lembrar mais uma feira de vaidades do que um debate democrático visando o bem da Nação. E percebi ainda melhor os motivos pelos quais os cidadãos se afastam da política como demonstra a abstenção crescente nos actos eleitorais. Sinceramente, não entendo a cegueira e surdez dos políticos aos sinais que os cidadãos lhes enviam. É que contonuam na mesma...
Os temas levantadas até que têm interesse para o país. Só que o que parece contar é quem fica por cima, quem vence, os argumentos que arranja. E tudo em detrimento do debate salutar, aberto ao contributo de todos.
Depois aquele tempo de arrufos e amuos entre o Primeiro-Ministro é um dos líderes partidários é de uma infantilidade, meu Deus!
Também achei inqualificável aquele estilo servil, lovaminhas, do partido do governo ao governo que apoia. Apoiar o governo mas com substância, com independência...
A oposição fica a meio da sua função. Criticar vai criticando o governo. Alternativas claras, precisas, exequíveis nem vê-las!
Os senhores deputados e governantes sabiam perfeitamente que o debate estava a ser transmitido para o público via TV. Portanto, para falarem para o público era precisa uma linguagem que o grande público entendesse. Às vezes parece que aqueles senhores falam para se ouvirem a si mesmos.
A dificuldade em comunicar estende-se para lá do Parlamento. Ainda há dias uma ministra deu uma entrevista a um canal de TV. Assiste, perguntando-me: "Esta senhora está a falar para quem? Para si mesma? Ou quer falar sem nada dizer?"
terça-feira, 21 de junho de 2022
O primeiro-ministro é mestre em dar a volta à situação
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos pilares do Portugal democrático que urge aperfeiçoar e adaptar a cada tempo.
São muitos e preocupantes os problemas que afectam o SNS. Falta de profissionais, médicos, enfermeiros e outros agentes; consultas, exames médicos, intervenções cirúrgicas e especialidades com demoras quase "eternas"; falta de meios técnicos e materiais em alguns hospitais e Centros de Saúde; a administração na saúde, segundo entendidos, deixa mesmo muito a desejar... O interior, também na saúde, paga factura agravada. Quantos do interior têm de partir para os grandes centro do litoral para consultas, tratamentos intervenções, com custos agravados em todos os parâmetros!
É preciso olhar para a saúde sem talas ideológicas, apenas com a preocupação de atender bem os portugueses.
Para um bem primeiro e primário a saúde está cara. Que o diga quem recorre ao serviço privado sem apoio de algum subsistema de saúde. Que o diga qem tem de adquirir os medicamentos ou realizar os exames de diagnóstico.
Caros que sejam outros bens não essenciais. Bebidas, cigarros, bens de luxo, viagens de recreio, etc, etc. A saúde, produto de primeiríssima necessidade, deveria ser mesmo acessível a todos, fosse a pessoa tratada no público ou no privado.
A saúde afecta a todos. Por isso, pode deixar o governo sob "fogo intenso". Há que dar uma volta à situação. E nisso é perito o primeiro-ministro. Trouxe para a praça pública as pensões de reforma para as quais anuncia "um aumento histórico" a partir de janeiro próximo.
sexta-feira, 17 de junho de 2022
segunda-feira, 13 de junho de 2022
Uma Igreja que é "fim de via" para alguém, nunca será a Igreja de Jesus Cristo
É licenciada em Germânicas. Fora minha colega na escola onde ambos leccionámos. Acabou por efectivar numa escola no Centro do país. Por lá ficara e por lá acabou por casar e criar os filhos.
Ficámos amigos
e, sempre que nos é possível, entramos em contacto, sobretudo pelo Messenger.
Fora sempre uma
cristã convicta e dinâmica nas comunidades cristãs por onde passou.
E é dentro
desta vivência cristã que me contou esta situação. Fê-lo com enorme sofrimento
que eu partilho depois do que ouvi.
Há na paróquia onde
reside um rapaz que fora em tempos seu catequizando. Este jovem acabou por
entrar para o Seminário onde esteve até completar o 5º ano de Teologia, sempre elogiado
pelos seus superiores.
Até que no fim
do 5º ano, surgiu uma situação. Grave, como o jovem reconheceu. Foi chamado aos
superiores e expulso, sem apelo nem agravo.
O rapaz saiu,
na certeza de o motivo da expulsão ser grave. Não lhe foi dada qualquer
alternativa, a não ser sair e sair!
Veio para o mundo
com dois pesadelos: a expulsão como ferrete e a queda do sonho que sempre o
iluminou: ser padre!
Cá fora, meteu mãos
à obra e tirou um curso superior que lhe garante o pão de cada dia. Mas sempre
a mesma vivência: católico convicto, apóstolo, colaborador leal da Paróquia,
profissional empenhado e exemplar. Está no coração da comunidade cristã que
lhe reconhece o mérito de ser um dos principais intervenientes. Vida sempre
exemplar em todos os aspectos.
Muitas vezes,
mais velhos e mais novos lhe põem a questão: porque não vais para padre? Ao que
ele responde: estou disponível, falta que a Igreja me chame!
A minha amiga
manifestava-se escandalizada. Desde que mandaram o rapaz embora há 6 anos, nem mais um
telefonema, uma conversa, uma presença. Nem dos superiores do Seminário nem do
Bispo, nem da diocese. E acrescentava a minha colega: “Depois fala o Papa em ir
às periferias”. Como é possível se nem as periferias que existem na Igreja ou
que os que têm poder na Igreja criam, merecem qualquer preocupação?
Os seus superiores, tão rápidos e fulminantes a julgar e a condenar, mostram-se agora completasmente indiferentes face ao percurso de vida, à emenda e à forma exemplar como o rapaz está na vida. O pecado farisaico e indecente da indiferença! Diz o Papa: "A indiferença mata!"
Como posso ser feliz,
Se àquele meu Irmão
Eu fechei meu coração,
o futuro lhe proibi?
Diz o povo que “perna
quebrada e consertada já não é quebrada.”
A igreja NÃO pode ser fim de via para ninguém!!! A igreja, à semelhança
de Cristo, tem que ser sempre nova oportunidade. Todos chamados à conversão,
todos chamados a nova oportunidade.
Não queremos
uma “Igreja mundana”, orientada por um justicialismo mundanista, ao nível do “olho
por olho” do Antigo Testamento. Queremos uma Igreja do Novo testamento, que proclama
que o “melhor nome de Deus é misericórdia”. Uma Igreja que anuncia, vive e celebra
o perdão! “Se o meu irmão me ofender,
quantas vezes lhe deverei perdoar? Até 7 vezes? Não te digo até 7 vezes, mas
até 70 vezes sete.” (Evangelho)
Não é do "olho por olho" que o mundo está à espera. Isso já ele pratica à saciedade com as consequências que todos conhecemos. O mundo espera da Igreja a boa nova do perdão que implica a conversão. Perdão com o sabor genuíno que brota da vida e obra de Jesus Cristo.
Uma Igreja que é sempre notícia fresca pela perdão que vive!
Com a minha
colega, também pergunto: o que aconteceria a S. Pedro diante da Igreja de
hoje? Não cometeu ele um crime de alta traição
quando negou Jesus por 3 vezes?
Reparemos que
Jesus nem sequer um raspanete lhe deu. Olhou-o apenas e Pedro chorou o seu
pecado. Jesus não lhe tirou o lugar que tinha na comunidade cristã. Não o
demitiu, não o expulsou. Manteve-o como 1º Papa. Jesus não quer mesmo ser fim de via para
ninguém!
Que a Igreja
queira ao menos estar ao serviço da misericórdia! Se fizer isso, compreendeu o fundamental da Mensagem e da Vida de Cristo.






