quinta-feira, 19 de março de 2026

Meu pai - "há quem parta, ficando; há quem fique partindo..."

Também ficava contente quando o levavam a Santa Helena

Meu pai partiu, aos 95 anos, para a Casa do Pai. No domingo, dia 16 de março, parecia muito bem. Na quarta-feira de manhã, partiu. É a vida, que traz sempre consigo a fragilidade.

Partiu no pleno uso das suas capacidades. Aos médicos, no hospital, contou várias vezes, com pormenor, todos os sintomas que tinha experimentado nas últimas 24 horas.

Sabia de cor e salteado os dias em que os seis filhos, genros e noras, e os nove netos faziam anos. Sem computador, sem agenda. De memória.

Não tinha vícios. Não bebia — infelizmente para ele, nem água. Não fumava, não tinha desmandos morais. Vivia para a família.

Em família, enquanto os filhos eram novos, e conforme as circunstâncias daquele tempo, era algo rigoroso — o que não significa violência, nada disso. Com os netos, foi sempre um “avô babado”, louco por eles, preocupado, um bom conselheiro. Claro que todos os netos gostavam muito dele. Um deles, em trabalho na Suíça, fez tudo para chegar junto dos restos mortais do avô antes da Missa de Corpo Presente.

Nunca foi egocêntrico, mas “filhocêntrico”. Pensava nos filhos. Quando estes queriam fazer uma festinha de anos, por exemplo, encontrava sempre motivos para a evitar.

Sinal curioso: este ano aceitou comemorar os seus 95 anos, e com alegria. No dia 3 de janeiro, véspera do seu aniversário, alguns netos fizeram-lhe uma surpresa: levaram-no ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa, sem que ele minimamente contasse. Exultou com a experiência. Nos dias seguintes, os familiares que puderam almoçaram com ele.

No sábado de Carnaval, já com quase toda a família, fizemos a celebração aniversária completa: Missa de Ação de Graças na igreja onde fez todo o seu percurso cristão e almoço a seu gosto.

Era um homem profundamente crente. Uma fé simples, profunda, comprometida com a vida. Deus era tudo para ele. Nos últimos anos, em que já lhe custava imenso andar, sempre que o visitava à tarde, encontrava-o sentado a rezar o seu terço. Nesses encontros, gostava de fazer análises críticas às leituras que fazia.

Quando o visitava, normalmente jantava com ele e com a família do meu irmão, que vivia perto dele. No fim, em família, rezávamos sempre o terço e partilhávamos as intenções de oração. Encantava-me a sua abertura e a forma como confiava a Deus os problemas reais deste tempo. Não havia ali nada de “beatice a cheirar a mofo”.

Obrigado, Deus, pelo meu pai!
Obrigado, pai, por tudo e por tanto!

Tínhamos, junto do Coração de Deus, a interceder por nós e pelo mundo, a mãe. A partir de 18 de março, temos pai e mãe!

Obrigado, meus amores! Vós partistes, mas ficastes gravados, a letras de ouro, no coração de filhos e netos.

Colocai-nos bem pertinho do Coração de Deus!
Descansai os dois em paz, meus heróis, nos braços de Deus!

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