quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Está na hora do regresso!

 



Amigo, está na hora de regressares à amizade. Um tropeção, uma desilusão, uma incompreensão, um choque  não é derrota. Levanta-te! Regressa! Nada é superior à amizade. Vence-te e regressa à saudável amizade!

Católico, regressa a casa. Não deixes por mais tempo vazio o teu lugar na comunidade. Não te desculpes com os outros, porque quem abandona a Igreja por causa dos irmãos, nunca lá entrou por causa de Cristo. E Cristo ama-te e espera-te.

Familiar, regressa à tua família. Nenhum devaneio, nenhuma atração física, nenhuma paixoneta vale a tua família. Nenhum trabalho, nenhum desporto,  nenhuma desilusão, vício vale a tua família! Regressa! Já! Coragem. Vale a pena.

Regressa à bondade! Mesmo que a ingratidão te magoe a alma, mesmo que a incompreensão te desanime, mesmo que o ataque te fira, regressa! Quem manda em ti é o teu bom coração e não a língua ou as atitudes dos outros.

Regressa à esperança! A doença, o sofrimento físico ou psicológico, a solidão, as quedas no caminho, a ausência de resultados palpáveis, a tua limitação  não podem derrotar a esperança. O pessimismo e o derrotismo só aumentam a tua dor. Após as tempestades, o Sol continua a brilhar...

Na parábola do Filho Pródigo, a vitória da liberdade pelo caminho do regresso.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

CONHECE A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO? Olhe que vale a pena...

“Parábola do Filho Pródigo”

11Disse ainda: “Um homem tinha dois filhos. 12O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde’. E o pai repartiu os bens entre os dois. 13Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada. 14Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações.

15Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. 16Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

17E, caindo em si, disse: ‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! 18Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; 19já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros. 20E, levantando-se, foi ter com o pai.

Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. 21O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho’.

22Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. 23Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, 24porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado’. E a festa principiou.

25Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. 27Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’.

28Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. 29Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; 30e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo’. 31O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado’”.
( Lc 15, 11-32)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Tanta coisa sobre a Quaresma! E tanto que fica por dizer



Mensagem de D. António Couto para a Quaresma

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Por tudo e por tanto, obrigado, P.e Ramos, grande amigo!

Natural de Ferreirim, Sernancelhe, nasceu num domingo, 30 de março de 1952. Faleceu num domingo, 11 fevereiro de 2024.
Frequentou os Seminários Diocesanos e foi ordenado sacerdote em 8 de janeiro de 1977.
Depois do estágio pastoral, realizado com o P.e Zé Guedes na Paróquia de Salzedas, foi nomeado Pároco de Mondim da Beira, Dalvares e São João de Tarouca em janeiro de 1978. Em outubro deste mesmo ano, juntaram-se-lhe o P.e Matias, então à frente do Secretariado Diocesano da Juventude e o estagiário Carlos Lopes. Após a ordenação sacerdotal deste último, o senhor Arcebispo, D. António de Castro Xavier Monteiro, mantém a equipa sacerdotal, alargando espaço pastoral com as Paróquias de Vila Chã da Beira, Cimbres e Várzea da Serra. Pouco tempo depois, o espaço pastoral alarga-se às Paróquias de Ucanha e Gouviães.
Em outubro de 1988, em virtude de ter sido confiada à equipa sacerdotal a povoação de Vila Chá do Monte, até então com pároco próprio, o senhor Bispo aceita que a mesma equipa seja libertada das Paróquias de Vila Chã da Beira e de Cimbres.
Em 1991, o P.e Matias fica  com Várzea da Serra para onde vai residir e o P.e Carlos vai para a Paróquia de Tarouca. Desde então e até ao presente, o P.e Ramos ficou sozinho com a paroquialidade de Mondim da Beira, Dalvares e Ucanha.
O P.e Manuel Ramos tinha dons multifacetados. A música era uma área que sempre lhe mereceu muita dedicação. Os grupos corais das paróquias, o ensinar a tocar órgão, a elaboração de livros de cânticos para ajudar os corais  e as assembleias a participar, a animação através do acordeão  de "cantar os Reis" ou de peditórios e de festas populares. Embora apreciasse uma saudável discussão, era na vida muito prático. Quando se tratava de dar resposta aos problemas e necessidades das paróquias, ele definia claramente o que pretendia e as etapas a percorrer. 
Sabia escutar, tinha esse dom maravilhoso. Nele havia sempre uma palavra oportuna para a situação. As pessoas gostavam de falar com ele. Era um homem positivo, otimista, apreciador da alegria e de a transmitir.
Muito próximo das pessoas, fosse em sua casa, na Igreja, no café ou nas vistas às casas das famílias ou em encontros de grupos ou paroquiais. Sabia pôr-se à-vontade e pôr os outros à-vontade, sem que isso significasse menos respeito ou rebaldaria.
Não gostava de ocupar a "boca do palco", era discreto mas eficaz. Gostava de se sentir povo no meio do povo. Percebia muito bem quando estar e quando se retirar.
Foi um criativo e as obras nas  suas Paróquias aí estão para o testemunhar. Igrejas bem tratadas, Centros Catequéticos, Centro de Dia de Mondim da Beira, Capelas Mortuárias, restauro e conservação dos templos... E quando a morte  o veio buscar, tinha em mente algumas realizações visando o bem estar das pessoas e das comunidades. 
Amigo dos colegas, a todos acolhia com amizade. Desempenhou funções diocesanas: foi arcipreste e  integrou até ao presente o Conselho Presbiteral. Além disto, foram vários os seminaristas que passaram pelas suas paróquias, em amadurecimento vocacional e crescimento pastoral.
Sabia fazer o bem e ajudar as pessoas, mas sempre com a máxima do Evangelho "Não saiba a esquerda o que faz a direita". 
A preocupação pastoral, nas suas várias vertentes, era constante  e falava das suas três comunidades com enlevo, carinho e  paixão, salientando sempre o positivo e o desafiante.
Como cristão e como padre, Jesus Cristo era a sua paixão e a sua luz.
Dos três "padres capadócios", como dizia o D. Jacinto,   que residiram em Mondim, um acaba de falecer, o P,e Matias, desde 2019, está doente  dependente, resta apenas o "mais ruim dos três", o autor deste testemunho. Com as maleitas que a idade acarreta, mas ainda em serviço... até que Deus diga...
Tenho a certeza absoluta que o P.e Ramos, agora na Mão do Deus da alegria, não nos esquece junto do Eterno e a Ele intercederá  pelos familiares, pelos paroquianos, pelos amigos , pela Igreja e pelos antigos colegas de equipa.
Que descanses em Deus, amigo! 
Não te esquecerei!
Abraço

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Porto: Bispo alerta que agricultura «é uma arte de empobrecer tristemente», denunciando «crescimento económico à base de sugar o sangue dos outros»

 D. Manuel Linda interveio em Jornadas de Teologia sobre «o trabalho num mundo globalizado»

Foto: Diocese do Porto

 O bispo do Porto alertou para que agricultura “é uma arte de empobrecer tristemente”, lembrando o protesto dos agricultores, falando nas Jornadas de Teologia da Universidade Católica, dedicadas ao tema do trabalho.

“Há 100 anos que andamos a dizer em Portugal, em Espanha e inclusivamente noutros países da Europa que a agricultura é uma arte de empobrecer alegremente. O empobrecer subsiste e o alegremente desapareceu. E hoje poderíamos dizer que é uma arte de empobrecer tristemente”, disse D. Manuel Linda, esta segunda-feira, no Centro Regional do Porto da UCP.

O bispo do Porto, citado pelo jornal ‘Voz Portucalense’, destacou o protesto dos agricultores para criticar as “poderosíssimas cadeias de distribuição”, a partir do exemplo de um agricultor que “vendia as suas maçãs a 25 cêntimos o quilo” e, depois, “estavam no supermercado a 2 euros”, perguntando: “Quem ganha? É o agricultor? É o consumidor? Nenhum, nenhum deles”.

‘O trabalho num mundo globalizado: novas configurações e novos desafios’ é o tema das Jornadas de Teologia 2024 promovidas pela Faculdade de Teologia da CUP no Porto, em colaboração com a Diocese do Porto e a Irmandade dos Clérigos.

O bispo do Porto alertou também para o “sugar do sangue dos outros”, na exploração de migrantes, indicando que surgem “novos perfis de pobreza”, naqueles que são “explorados indecentemente”.

“Na cidade do Porto, num caso testemunhado por mim, vi dentro de um baixo com 14 ou 15 metros quadrados que estavam a dormir 12 emigrantes. Cada um pagava 250 euros, sem fatura, sem recibo, sem nada. Vejam como há quem, de facto, retira do sangue dos outros o seu sustento e o seu crescimento como magnatas. É um crescimento económico à base de sugar o sangue dos outros”, desenvolveu D. Manuel Linda.

O padre Abel Canavarro, vice-diretor da Faculdade de Teologia, afirmou que “a Igreja não pode ficar alheada dos problemas do mundo”, mas tem que ajudar a refletir estes problemas “e sobretudo a ser capaz de congregar”, ao jornal diocesano.

Foto: Diocese do Porto

À ‘Voz Portucalense’, este responsável destacou que “o cristianismo é humanismo” e a Igreja deve ter “uma atitude de apresentar os valores humanos” ajudando a “encontrar soluções para os problemas dos jovens”.

“Os cristãos devem ser, não só portadores, mas também testemunhas dos valores; um cristianismo que não nos ensina a ser mais humanos, mais solidários e a estarmos próximos dos que sofrem, não é um autêntico cristianismo”, realçou o padre Abel Canavarro.

O coordenador da Faculdade de Teologia no Campus da UCP no Porto explicou que ao pensarem as Jornadas de Teologia 2024 estão “a olhar o mundo”: “O mundo muda muito e rápido e muitas vezes não há uma assimilação das descobertas ou da novidade tecnológica onde o Homem, muitas vezes, é despersonalizado”.

“Não é o Homem que deve estar ao serviço da tecnologia; é a tecnologia que deve servir o Homem”, acrescentou.

As Jornadas de Teologia 2024 estão a decorrer no Auditório Carvalho Guerra, do Centro Regional do Porto da UCP, de 5 a 8 de fevereiro, começaram esta segunda-feira e terminam quinta-feira,.

“Boa reflexão para que se consiga levar ao grande público ideias novas para estes tempos novos”, pediu D. Manuel Linda aos participantes, divulga o jornal ‘Voz Portucalense’.

Fonte: aqui

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Desafios para esta semana

Nunca tive vergonha de ter ajudado pessoas que se revelaram falsas.
Deixo que sejam elas a ter vergonha daquilo que são.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

«UMA AMIZADE QUE ACABA NUNCA FOI VERDADEIRA AMIZADE»

A amizade pode acabar? Não, não pode.
Se acaba é porque, na verdade, nunca tinha começado.
Amigo uma vez tem de ser amigo sempre, como lembrava Alexandre O'Neill.
Daí que Santo Aelredo de Rivaulx tenha concluído de forma assertiva:
«Uma amizade que acaba nunca foi verdadeira amizade».
O problema é que tudo isto só se consegue saber depois.
E é muito desconfortável perceber que algo que imaginávamos ter acontecido afinal não aconteceu.
Temos de estar preparados para tudo.
Mas ainda há amigos para sempre.
Ainda há quem demonstre que a amizade pertence ao que não passa!
João António Teixeira

domingo, 28 de janeiro de 2024

Há quem chegue e fique; há quem chegue e logo parta; há quem chegue, fique um tempo e depois parta.

Há quem chegue para ficar. É assim na vida social, afetiva, amical, familiar, política, associativa. Gente que chega de coração lavado e mente aberta. Gente que sabe que o outro também é humano, com falhas, defeitos, pecados, limitações, temperamento próprio, com sonhos e projetos, com momentos bons e menos bons.
Gente que fica porque aceita o outro e descobre nele o encanto de ser humano. Gente livre para ficar.

Há quem chegue e logo parta.
Chega de mansinho ou com com estrondo. Mas parte logo. Inconstante, superficial, volátil, dado a momentos, sem estofo interior. Borboleta saltitante.

Há quem chegue, fique um tempo e depois parta.  Fica pelas primeiras impressões e/ou por outros motivos:
por interesse (económico, social, solidão, mau momento vivencial, necessidade de desabafar, projeção na vida, segurança...)
- por ser instável. Tanto quer como não quer; tanto se entusiasma como se dececiona, tanto se endeusa como a seguir corre para o psiquiatria,  tanto atinge o céu como depois cai no fundo do poço, tanto se acha o melhor como depois sente que a vida não tem sentido,  tanto faz juras de amizade como desaparece. Tanto ama como despreza. Cansa-se de tudo e de todos. 
- por egocentrismo. Ele é  que conta e o mundo tem a dimensão do seu umbigo. Eu, eu, eu, eu, eu... O resto é paisagem que interessa ou deixa de interessar conforme acaricia ou não o ego.
"Eu e o meu projeto profissional"...
"Eu e a minha vida pessoal"...
"Eu é que sou o melhor em todo o lado por onde passo"...
"Eu é que sou a vítima"...
"Eu é que tenho razão"...
Tão egocêntrico que parece um eterno adolescente. Não tem raízes, por isso não cresce e cansa.
Não gosta de ninguém a não ser de si mesmo - se é que é capaz de gostar ao menos de si!
É um pobre diabo, digno do basismo da compaixão.

sábado, 27 de janeiro de 2024

R)Evolução

Fazem falta artigos como este.

Na minha humilde opinião, e na verdade, ao admitir-se a bênção para pessoas em determinadas situações, também se está implicitamente a reconhecer - e, a meu ver, bem - o que nelas há de humano (e, por isso de divino), de dramático e de exaltante, de abismo e de elevação, de pecado e de graça. E essas pessoas não são «os outros», somos nós, são nossos irmãos, irmãs, filhos, filhas, afilhados etc. Comem à nossa mesa.
Mas sobretudo, com a "bênção pastoral" está-se a reconhecer que não é mais sustentável uma certa visão desconfiada e repressora da sexualidade, que a confina a formas institucionalizadas de vida e parte de uma visão naturalista, que está bem longe de uma visão integrada e integradora, humanizada e humanizadora, da vida afetiva, cujo princípio ético fundamental é o do amor, que se dá ao outro e dele cuida.
Quando nos toca ter à mesa, em casa, em família, pessoas extraordinárias, diria mesmo, santas, mas que não cabem no estreito figurino do "ideal cristão" da nossa catalogação moral, somos, no mínimo, levados a repensar quanto a "ideia" está longe da realidade, quanto "os princípios", a partir dos quais, encaixamos os outros numa bitola de irregularidade, deverão ser repensados, à luz de uma visão antropológica e bíblica, cujos avanços nos têm aberto os olhos pelo menos para o mistério e para a complexidade da vida de cada pessoa, a quem não podemos simplesmente dizer que está fora da norma e por isso excluída dos bens da salvação. E não se pode simplesmente pedir "abstinência" dos gestos que exprimem a comunhão afetiva entre pessoas, a quem não foi dado poder viver assim.
Será preciso ser mais explícito no futuro e dizer bem e bendizer de quanto bem, de quantos sinais de Deus, há naquilo e naqueles em quem só vemos o mal ou a contradição com o nosso ideal. Neste sentido, concordo que à mudança pastoral, subjaz uma releitura dos princípios, a partir de uma hermenêutica, capaz de aprofundar e fazer evoluir a doutrina moral.
De resto, não é preciso ser muito erudito, para perceber quanto ao grande rio da Tradição da Igreja chegaram, ao longo da história, muitos afluentes (influentes), de matriz pagã, que envenenaram de suspeita, de rigidez, de maldição e pecado o prazer sexual que Deus criara para a nossa alegria e humanização.
Às vezes, interrogo-me onde foram buscar tantas "regras", quando a Revelação bíblica, e sobretudo os Evangelhos, parecem tão desinteressados e até omissos sobre questões que hoje constituem as grandes bandeiras da luta pela defesa do Magistério "imutável da Igreja", que, bem vistas as coisas, não é imutável, não disse nem pensou sempre o mesmo e desde sempre. O recursos às fontes históricas era capaz de nos surpreender. Às vezes, valia a pena recuar não até Trento, como se daí para cá o Espírito Santo nos deixasse órfãos, mas até Jesus Cristo, que nos revela o desígnio do Pai. Oh, quanta quinquilharia eclesiástica não seria relegada para o armazém dos acessórios teológicos!
Este artigo pode incomodar os que fizeram da Tradição e dos princípios um produto congelado.
Mas ajuda-nos a beber na água viva do Evangelho.

Fonte: Amaro Gonçalo, Facebook


sábado, 13 de janeiro de 2024

O que são relações irregulares?

 
Muito se tem dito e escrito sobre a declaração “Fiducia Suplicans”, da Congregação para a doutrina da Fé (CDF), que permite a bênção informal e fora do contexto litúrgico, de casais em situação irregular. Não tenciono, nem me sinto capacitado, para analisar a legitimidade ou não dessa declaração. Deixo essa análise para os teólogos, especialistas em teologia dogmática e para aqueles que, não tendo essa formação específica, mandam “bitaites”, com a mesma certeza de que são especialistas e sabem tudo, sobretudo sabem mais que a Santa Sé e a CDF.

Tenciono analisar o que são casais em situação irregular, que é uma terminologia que me inquieta há muito tempo. A irregularidade de uma relação é vista com os olhos de Deus ou dos homens? Se tentarmos compreender o que é uma relação irregular aos olhos de Deus, não podemos esquecer que em todas as Quaresmas, aquando do primeiro escrutínio batismal, escutamos todos os anos que Jesus Cristo, ainda que não esquecendo a sua condição matrimonial, mas não a martirizando com isso, concedeu a graça a uma samaritana, que vivia em situação irregular, de ser a principal anunciadora do Messias na cidade de Sicar, na Samaria (Jo. 4, 1-41). Provavelmente, por ela ter uma situação afetiva e familiar complicada, necessitava mais desse encontro com o Messias do que todos os Fariseus, que eram judeus rigorosamente observantes e que viviam de acordo com a lei judaica, mas que causaram a morte de Jesus Cristo.

Em que consiste a irregularidade de determinada relação? Eu não consigo encontrar resposta! Dizer-se que determinada relação é irregular é, na minha opinião, algo, não só profundamente injusto, como muito subjetivo. E é isso que a dita declaração trata. A maioria das pessoas olharam para a declaração da CDF, unicamente pela possibilidade de um ministro da Igreja Católica executar uma bênção informal e fora do contexto litúrgico a casais do mesmo sexo, mas a Declaração é mais do que isso. Mas, uma vez mais, as análises se afunilaram no problema da sexualidade. Ao contrário do Jesus Cristo fazia, nós temos a tendência para olhar a genitália e sexualizar, desse ponto de vista, todas as relações, como se a união entre duas pessoas do mesmo sexo se cingisse, unicamente, à possibilidade de práticas sexuais. O mesmo acontece com duas pessoas divorciadas, que se uniram numa relação de amor sincero: a sua união não é unicamente uma relação sexual. Não há nenhuma relação verdadeira que se limite, apenas, à questão sexual, seja heterossexual ou homossexual. Quem defende o contrário, das duas uma: ou desconhece a realidade das famílias, ou, de facto, tem um problema com a sua própria vida sexual.

Por outro lado, todos nós temos famílias e vivemos no mundo atual. E não há famílias perfeitas. Muitos membros da Igreja Católica, sobretudo da sua hierárquica, que criticam esta declaração, surpreendentemente esquecem-se que também têm família. O Clero atual, ao contrário do que sucedeu em séculos e décadas anteriores, nos quais éramos oriundos de famílias nobres e cristãs, também é, no presente, proveniente de famílias em união de facto, com pais divorciados, recasados em segunda ou terceira união, é têm membros da sua família (por exemplo, irmãos), que são homossexuais casados, em união civil. Não podemos esquecer o sítio onde nascemos e a família a que pertencemos. Negar a nossa origem familiar é negar a nossa identidade. Para já não falar de negar o direito à misericórdia e ao amor divino, que Jesus nos mostrou, através da samaritana, que todos têm.

Por fim, está na altura de a Igreja se preocupar veementemente com a violência familiar e de género, em vez da vida sentimental e sexual das pessoas, que precisam e querem a graça de Deus. Neste momento, passo a maior parte do meu tempo num país, onde quase todos os dias há crimes de violência de género. Sei disso, porque em Espanha há uma autêntica consciência pública e nacional contra estes crimes. Ora, Espanha e Portugal têm quase o mesmo número desta tipologia de crimes, mas têm uma grande diferença entre o número de habitantes. Espanha tem cerca de 40 milhões; em Portugal temos os eternos 10 milhões. Logo, em Portugal a percentagem de crimes por habitante é muito mais elevada. Mas curiosamente não há, nem de longe nem de perto, o mesmo ênfase no debate e na consciência pública sobre esses crimes. Esse assunto, para mim, é muito mais importante do que saber se devo ou não ser uma barreira à bênção de Deus, a pessoas que a procuram e necessitam dela.

Em que consiste a irregularidade de determinada relação? Para mim uma relação irregular é toda a relação humana em que habita permanentemente um estado de tristeza e angústia. Em todas as relações é necessária uma bênção para levar um pouco de luz e graça de Deus. E quem se negar a isso, não só está a criar um cisma na Igreja Católica, como – e arrisco a dizer que é o mais importante! – está a criar um cisma entre a vida e as circunstâncias concretas em que vivem as pessoas e a hierarquia local da Igreja Católica. Por isso, faço o que a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, me pede. Grato a Deus, porque através do Seu Filho, Jesus Cristo, que derramou o seu sangue por todos, nos enche de Bênçãos.

P.e Miguel Neto, aqui

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

"A Igreja precisa de atualizar a sua linguagem"


Aproveitando as Novas Tecnologias, as legiões ultraconservadoras e fundamentalistas de inspiração  católica avançam como "Bando de Hunos" sobre os incautos leitores, semeando confusão, perplexidade, sofrimento, indefinição...
São grupos minoritários mas com uma dinâmica de seita.
Neste contexto, sabe bem a leveza, ar puro, novidade agradável a leitura de textos de gente que, nos tempos atuais, tem a "ousadia" de puxar para a frente.
Contaram-me que um doente no Hospital foi posto a oxigénio. A determinada altura, o médico mandou retirar o oxigénio para ver como reagiria. Logo a seguir o doente parecia perdido, desnorteado, confuso, alucinado. Reposto o oxigénio, a pessoa voltou ao seu normal, parecia outra...
Perante o ar gasto, poluído, doente, para que os tradicionalistas puxam constantemente e que os fundamentalistas querem impor, os católicos precisam da liberdade do "oxigénio" que é o Evangelho e das portas e janelas abertas que os que ousam ir em frente sabem abrir...
Claro que ao lermos, nem sempre concordamos com tudo. Muitas vezes lá surge um "atchim" advindo da alergia a certas afirmações. Mas fica a leveza, o ar puro, o belo desafio do caminho.
Então leia aqui

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

FELIZ 2024? VALE O QUE VALE…

Estes dias têm sido um chorrilho de votos, frases feitas, pré-formatadas, de gente feliz por bagatelas. Repetir à exaustão desejos não passa disso mesmo = intenções. Vou-me cruzando com verdadeiros atentados à seriedade afetiva, honestidade intelectual e verdade espiritual. Gente feliz sem Deus!
Quantos começaram o ano em ação de graças a Deus? Quantos participaram na Eucaristia no primeiro dia do ano civil? Católicos de encher pela boca! Rótulos belos sem qualquer conteúdo = típico mundanismo espiritual. Devotos do deus Baco, seguidores do santo Narciso, comensais fiéis do Demo que conseguem expelir pela boca profanações, travestidas de votos, tidas por “sagradas”, mesmo que há muito arredados de Deus! Que carregam no coração? Quem preside às suas escolhas e prioridades?!
Gente feliz ocupada em farras, brindes, fogo de artifício, lautos banquetes e fetiches de circunstância. Cada um dá o que tem e agarra-se ao que acredita. Espremido? Nada! Tanta hipocrisia! Tanto fogo de vistas! Tanta gente a desejar aos outros o que nem para si consegue! Votos de feliz 2024 sem Deus?! Sinceramente! Gozando com Deus e invocando o seu santo nome em vão? Então, mandam às favas a “santificação de domingos e dias santos de guarda” e ainda fazem votos de felicidade sem/com Deus? A soberba e sobranceria é tanta ao ponto de até se julgarem também cobertos de razão! De facto, quando se trata de ter lata, há-a para todos os gostos e tamanhos… Cada vez mais!
Para tantos, como reza a história, o fim está mesmo próximo: «Numa estrada, alguns metros antes duma curva, dois frades seguravam um cartaz que dizia: "O Fim Está Próximo! Arrepende-te e Volta Para Trás!". Nisto, passa um carro e eles mostram-lhe o cartaz. O condutor do automóvel dá uma gargalhada, insulta-os e segue em frente. Instantes depois ouve-se um grande estrondo para lá da curva. Diz um dos frades para o outro: “Olha lá... Se calhar já devíamos mudar o cartaz e escrever antes “A Ponte Caiu", não?»
A bênção é outra coisa, bem diferente…
“Que o Caminho seja brando a teus pés,
o Vento sopre leve em teus ombros.
Que o Sol brilhe cálido sobre a tua face,
as chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
Deus te guarde na palma da sua mão.”
(P. António Magalhães Sousa)

sábado, 30 de dezembro de 2023

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Boas Festas Natalícias! Que os "presépios" não sejam vistos só nesta altura...

Natal é quando um homem quiser... ENXERGAR!
Nesta altura do ano, é tudo muito melífluo, muito macio ... Muita paz, muita harmonia, muito afeto, muitas mensagens de Natal carregadas de boas e agradáveis palavras... Parece um campeonato para ver quem faz o melhor arranjo gráfico ou verbal.
Mas Natal é algo muito mais sério e vital. É Deus que nasce num curral de animais! É Deus que desce ao fundo da nossa miséria e limitação! É Deus que nos leva muito a sério para nós levarmos a sério a sua proposta de libertação da humanidade!
Na esperança de que as belas palavra de circunstancia desta época natalícia se transformem em compromisso sério e vivencial em prol da libertação de todas as espécies de pobreza,
desejo-lhe um Santo e Feliz Natal!

sábado, 16 de dezembro de 2023

MÁSCARAS HÁ MUITAS!


Se dúvidas houvesse… as máscaras vieram para ficar. Já não para proteger de algum coronavírus, mas para facilitar, legitimar e entronizar a hipocrisia (falsidade, cinismo, oportunismo, perfídia) que grassa na maioria das relações (humanas, sociais, eclesiais…) e aproveitar o momento/oportunidade para chular ou xingar os outros. Tudo acontece numa estratégia desenhada ao pormenor, onde cada ator desfila com a máscara mais apropriada ao lugar e ao momento, aos presentes e às conveniências.

Transparência? Há-a aos rodos a envolver e revelar corpos (pre)formados ou (de)formados em solários e salões de beleza ou em ginásios e clínicas. O que realmente importa é cuidar da montra, pavonear bugigangas e títulos, e anunciar aos quatro ventos: “Estás linda! A idade não passa por ti! Que brasa! Um corpo de comer e chorar por mais! Que pão! Adoro o teu vestido! Tem tudo no sítio! Não se vê nenhuma ruga! Que músculos e abdominais!” Fantástico!
Verdade? Coerência? Depende sempre das pessoas e circunstâncias. Uns dias convém dizer bem, outros nem tanto; uns dias somos amigos de peito, outros vendem-nos nas praças e fóruns trauliteiros; uns dias juram a pés juntos verdades eternas, noutros juram que não juraram; uns dias salpicam simpatia e cortesia, noutros empestam o ambiente de tramoias, mentiras e chungarias. Sempre assertivos no uso de frases feitas e lugares comuns, repetindo à náusea encenações de gratidão ("muito obrigado de antemão") ou pedidos de desculpa ("peço desculpa, não quero ofender"). Tão santinhos e tão educados!
Altruísmo e solidariedade? Sempre, desde que partilhado nas redes sociais ou reconhecido e divulgado por quem de direito. A preocupação com o bem alheio veste contornos de autêntica heroicidade: tudo são causas e há causas para tudo, até em favor dos ditos humanos. Do incómodo de suas poltronas ou da rudeza das banheiras de massagens ressoam vozes de desagrado pela fome, injustiça, pobreza, exploração, falta de recursos e medicamentos e tanta miséria pelo mundo fora. Fica tão bem sentir à distância a dor dos outros e mandar terceiros cheirar as próprias fraldas ou as de outrem. Querer o bem dos outros é bem diferente de fazer bem aos outros, mesmo que alertados pela sabedoria popular: “Algumas pessoas querem ver-te bem, mas nunca melhor do que elas.”
Divirto-me à brava a juntar as cenas deste pungente e pujante festival de máscaras. É incrível a ginástica na encenação de papéis, sentimentos, amizades, afinidades, concordâncias, modéstias ou compaixões. É horrível darmo-nos conta da facilidade e astúcia com que muitos fazem e desfazem amizades, usam sentimentos e momentos, dizem e se desdizem, procuram se precisam e descartam se servidos, anunciam-se os melhores amigos e lambuzam-se à mesa dos piores inimigos. E então? Máscaras há muitas!
(P. António Magalhães Sousa), in Sopro e Vida - aqui

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

13 de dezembro de 2023: COMEÇARAM AS OBRAS DA CAPELA DE SANTA APOLÓNIA


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terça-feira, 12 de dezembro de 2023