Até porque, no
vosso caso, parece que havia alguma pressa. Começaram a namorar e, 15 dias
depois, estavam casados.
Não sabemos se
isto foi amor à primeira vista ou simplesmente falta de tempo para pensar bem
no assunto.
Mas resultou.
E 50 anos
depois, aqui estamos nós.
E entretanto
veio uma vida inteira.
Houve França,
houve Paris, nasceram lá os nossos pais, e depois veio o regresso a Portugal e
uma nova fase da vida.
E dessa vida
nasceu também uma família que foi crescendo.
E nós, os
quatro netos, tivemos a sorte de crescer muito perto dos avós.
Passámos grande
parte dos nossos primeiros anos em casa deles. Foi a avó que nos viu crescer,
que cuidou de nós, que nos mudou as fraldas e que esteve presente em tantas das
pequenas coisas que, quando somos crianças, nem percebemos a importância que
têm.
Hoje
percebemos.
A avó sempre
foi aquela pessoa que conhece toda a gente. E quando dizemos toda a gente, é
mesmo toda a gente.
É quase
impossível ir a algum lado com ela sem aparecer alguém que ela conhece.
Acho que, se um
dia a deixássemos sozinha no meio de uma cidade qualquer, passado meia hora já
tinha feito amigos.
E depois temos
o avô, o nosso Pinto, o grande Gadanha.
O avô é uma
personagem completamente diferente.
É o homem das
piadas, dos conselhos e, sobretudo, dos conselhos que ninguém pediu.
Especialmente
quando o assunto é amor.
E lá vem ele
“Oh meu netinho, tu ouve os conselhos do teu avô.”
E nós ouvimos.
Nem sempre seguimos, mas ouvimos. Também temos de reconhecer uma coisa: o avô
sempre foi uma figura de proteção para nós. Aquela pessoa que está ali, que
toma conta, que se preocupa e que, se for preciso, aparece logo.
Mesmo quando
essa proteção vem acompanhada de uma piada ou de um conselho amoroso completamente
inesperado ou então de uma mini sagres.
Os avós também
nos ensinaram que uma família é estar juntos. E isso vê-se especialmente na
casa deles.
No dia de Santa
Tecla, por exemplo, parece que a casa deixa de ser uma casa e passa a ser um
restaurante.
Há sempre
imensa gente, comida, conversa e muita alegria.
E, de alguma
maneira, cabe sempre mais alguém.
Acho que isso é
uma das coisas mais bonitas que temos na nossa família: saber que há sempre
espaço para mais uma pessoa.
E claro que,
para alimentar tanta gente, também era preciso alguma criatividade.
O avô e a avó
tinham uma técnica muito própria para fazer o vinho chegar para todos quando
estavam em França, que passava por misturar vinho português com água para
oferecer aos franceses….
Não sabemos se
era uma receita tradicional, uma questão de economia ou simplesmente uma
maneira de garantir que ninguém ficava sem beber.
Mas funcionava.
E, olhando para
trás, talvez essa seja uma das melhores representações da vida que construíram,
fazer muito com aquilo que tinham, partilhar o que tinham com os outros e nunca
deixar ninguém de fora, nem ninguém com sede.
Porque, se há
uma coisa que reconhecemos nos nossos avós, é que nunca baixaram os braços.
Construíram uma
vida juntos, atravessaram mudanças, viveram em França, regressaram a Portugal,
criaram uma família e chegaram até aqui.
E fizeram tudo isto mantendo aquilo que sempre foi tão característico deles: a família reunida, a porta aberta e a vontade de estar sempre presente para os outros.
E nós tivemos a
sorte de crescer com isso.
Tivemos avós
que estiveram presentes quando éramos pequenos e que continuam presentes agora
que estamos a crescer.
E talvez seja
essa a melhor maneira de explicar o que estes 50 anos significam para nós.
Não são apenas
50 anos de casamento.
São 50 anos de
uma história que acabou por se tornar também a nossa história.
Uma história
que começou com duas pessoas que decidiram casar 15 dias depois de se
conhecerem, e que acabou por dar origem a quatro netos que hoje estão aqui, a
agradecer-vos por tudo aquilo que fizeram por nós.
Avó e avô,
obrigado por
nos terem dado uma família onde nunca faltou amor, comida, histórias, piadas,
conselhos e, aparentemente, vinho com água.
Esperamos poder
continuar a celebrar muitos momentos convosco.
Gostamos muito
de vocês.
Daniel: “Quero dizer que gosto muito dos meus avós e espero que eles façam mais 50 anos!”
