Portugal está cada vez mais diverso em matéria de religião: cresce o número de pessoas sem fé religiosa
Portugal está a mudar, e essa transformação também se faz sentir na forma como os portugueses vivem a sua espiritualidade. Cada vez mais pessoas dizem não ter qualquer religião, enquanto outras confissões religiosas ganham espaço numa sociedade que se revela progressivamente mais diversificada.
Esta é uma das principais conclusões do estudo «Um Atlas da Religião em Portugal», publicado pela Universidade Católica Editora, com base nos Censos de 2021.
O dado que mais chama a atenção é o crescimento daqueles que não se identificam com nenhuma religião. Em apenas dez anos, este grupo mais do que duplicou, ultrapassando já 1,2 milhões de pessoas.
Apesar desta mudança, o catolicismo continua a ser a religião predominante no país. Cerca de oito em cada dez residentes identificam-se como católicos, embora a sua presença tenha diminuído ligeiramente em relação a 2011.
Um país, diferentes formas de acreditar
A religião católica continua a ter uma presença particularmente forte nos Açores, na Madeira e na região Norte. Em contrapartida, o Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa apresentam uma menor expressão do catolicismo.
Mas Portugal já não é apenas um país de tradição católica. Outras comunidades cristãs têm vindo a ganhar visibilidade, nomeadamente protestantes, evangélicos, ortodoxos e Testemunhas de Jeová.
Também as religiões não cristãs estão cada vez mais presentes na sociedade portuguesa. Muçulmanos, hindus e budistas fazem parte de uma realidade cultural e religiosa que reflete, em grande medida, a diversidade das comunidades que escolheram Portugal para viver.
O Algarve e Odemira revelam uma nova realidade
Alguns dos exemplos mais interessantes desta diversidade encontram-se no Sul do país.
Lagos, Albufeira e Portimão destacam-se pela presença de diferentes comunidades cristãs, enquanto Odemira surge como o concelho onde as religiões não cristãs têm maior expressão.
Neste último caso, a presença de comunidades oriundas de diferentes países, sobretudo da Ásia, ajuda a explicar esta realidade. Hindus, budistas e muçulmanos contribuem para um mosaico religioso cada vez mais visível.
Albufeira, Lisboa, Odivelas e Amadora são também concelhos onde estas comunidades têm uma presença significativa.
Sines destaca-se pelo número de pessoas sem religião
Uma das revelações mais curiosas do estudo encontra-se em Sines. É neste concelho que se regista a maior proporção de pessoas que afirmam não professar qualquer religião.
Vila do Bispo e Grândola também se destacam por apresentarem uma percentagem elevada de residentes sem identificação religiosa.
No extremo oposto está Mesão Frio, no distrito de Vila Real, onde o catolicismo mantém uma presença extraordinariamente forte: praticamente todos os residentes se identificam como católicos.
Lisboa, o espelho da diversidade religiosa
Se há lugar onde a diversidade religiosa de Portugal se torna particularmente evidente, esse lugar é Lisboa.
A capital reúne comunidades de diferentes origens e tradições religiosas. Embora o catolicismo continue a ser maioritário, a cidade destaca-se pela presença de muçulmanos, hindus e seguidores de outras religiões.
Mais do que uma simples mudança estatística, esta realidade mostra como a sociedade portuguesa está a transformar-se, acompanhando os movimentos migratórios e as novas formas de viver a fé — ou de não a viver.
Uma sociedade em transformação
Os dados deste estudo revelam um Portugal onde a tradição religiosa continua a ter importância, mas já não representa a única realidade.
Há quem mantenha a fé dos seus antepassados, quem descubra outras tradições espirituais e quem prefira viver sem qualquer ligação religiosa.
No fundo, Portugal está a tornar-se um país mais plural, onde diferentes crenças, culturas e formas de pensar coexistem.
E talvez essa seja a mensagem mais importante deste retrato: a identidade religiosa dos portugueses está a mudar, e o país está cada vez mais longe de ser religiosamente homogéneo.
Fonte: aqui


