Este ano já tive notícia de cinco.
Cinco sacerdotes que morreram por suicídio.
9 de março de 2026
António José Seguro toma posse como 21.º Presidente da República.
O agora ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como qualquer pessoa que exerce funções públicas, teve momentos que agradaram e momentos que desagradaram. Muitos o elogiam e enaltecem, outros o criticam. É a vida.
Não tenho nada contra a pessoa em si. No entanto, como Presidente da República, confesso que nunca fui seu fã.
Claro que apreciei o seu lado humano: a presença junto das pessoas, o sorriso, os abraços e as selfies. Reconheço-lhe um estofo cultural fora do comum.
Mas, quanto ao seu exercício de funções, deixo algumas críticas:
Tentou fazer da redução do número de sem-abrigo um desígnio nacional, mas esse número continuou a aumentar ao longo dos seus dois mandatos;
Não aprecio Presidentes “tagarelas”, que falam constantemente sem acrescentar substância. Marcelo acabou por banalizar as palavras, tornando-as menos impactantes;
A sua necessidade de estar sempre em evidência, de manter popularidade elevada, revelou um certo egocentrismo sorridente, levando-o por vezes a contradizer afirmações anteriores;
Realizou muitas eleições durante os seus mandatos. Em democracia, os mandatos devem ser cumpridos até ao fim, respeitando a decisão dos eleitores. Uma das funções do Presidente é prevenir crises e atuar para evitá-las;
Demonstrou hiperatividade em política externa, visitando inúmeros países, com resultados pouco claros, e cujas viagens foram pagas pelos portugueses;
Interveio excessivamente no funcionamento do governo, pessoalizando frequentemente a ação em relação a determinados ministros. O funcionamento do governo é, na minha opinião, da responsabilidade do Primeiro-Ministro;
Passava a impressão de falta de consistência: anunciava prioridades, mas depois deixava-as cair sem retomá-las.
Em resumo, não apreciei de todo o seu exercício presidencial e considero que não foi o Presidente que o país precisava.
Espero e desejo um bom mandato ao novo Presidente António José Seguro. Parece ser um homem discreto, atento e conciliador. Com um bom mandato, todos nós sairemos a ganhar.
Sacramentos transformados em serviços
Sacramentos deixam de ser compromissos sérios e passam a ser serviços personalizados. Padres viram fornecedores de facilidades, e quem mantém coerência é visto como rígido ou distante. O valor do sacramento é medido pela conveniência, não pela fé.
A vontade individual acima da comunidade
No dia a dia das paróquias, vemos pedidos para moldar tudo às vontades pessoais: mudar músicas, escolher leitores, alterar/manter tradições, propor realizações de cunho mundano, escolher datas e templos, querer este padre ou aquela para a cerimónia... Tudo para agradar aos próprios desejos, ignorando quem participa regularmente e se dedica de verdade. E há quem aceite, tentando ser popular, esquecendo que a missão da Igreja não é agradar, mas formar e orientar.
O perigo da Igreja fácil
O resultado é claro: uma Igreja fácil. Sedutora no conforto, mas vazia no compromisso, no sacramento, na fé. Uma Igreja que cede a todos os caprichos perde o sentido do que é ser comunidade, do que é ser discípulo, do que é ser Igreja.
O desafio é resistir
Ser Igreja exige coragem. Coragem para dizer “não” quando necessário, para manter regras e princípios, para resistir ao “porreirismo” que valoriza apenas a popularidade. Ser Igreja não é servir desejos passageiros; é guiar, exigir, acompanhar e formar. É oferecer verdade, mesmo que doa, mesmo que não seja fácil.
O caminho da fé verdadeira
Viver a fé não é ter tudo ao alcance imediato. Ser Igreja não é fazer tudo para agradar. É caminhar juntos, exigir coerência e manter a porta aberta para o encontro genuíno com Deus. Só assim a Igreja permanece viva, relevante e transformadora — mesmo num mundo que só quer o “tudo fácil”.
Este voto expressa também uma preferência por um chefe de Estado que respeite o equilíbrio de poderes e o papel moderador da Presidência, num contexto político já marcado por tensão e fragmentação parlamentar.
Ao mesmo tempo, os portugueses rejeitaram uma Presidência de confronto permanente. Embora o candidato derrotado tenha consolidado uma base eleitoral significativa, essa base revelou-se totalmente insuficiente para convencer a maioria do país. O resultado mostra que o discurso mais agressivo e polarizador continua a ter limites claros quando está em causa o cargo mais alto do Estado.
Em suma, Portugal não escolheu uma rutura, mas uma travagem. Não apagou as mudanças políticas em curso, mas deixou claro que, para Belém, prefere prudência a risco — e consenso a conflito.
Preocupam-me as exibições do meu Porto nos últimos 2 meses... As vitórias têm, felizmente, aparecido, mas é "um tem-te-não-caias" aflitivo e que não deixa de ser muito preocupante. Que saudades do futebol que os Dragões apresentaram no princípio da época!
Pelas dificuldades financeiras que atravessa, o Clube não pode ter os jogadores de que precisa. Mas os que tem já demonstraram ser capazes de muito e muito melhor!
“A democracia é o pior dos regimes, à exceção de todos os outros”, lembrava Winston Churchill, com o realismo de quem conhecia bem as fragilidades e, sobretudo, a força desse sistema. A democracia não promete perfeição; promete algo mais exigente: escolha, responsabilidade e liberdade.
Numa segunda volta presidencial, essa exigência torna-se ainda mais clara. Já não se trata apenas de preferências, mas de uma decisão consciente entre caminhos distintos para o país. A democracia vive desse momento: quando os cidadãos, informados e livres, assumem o peso do seu voto não como um gesto emocional, mas como um compromisso com o futuro comum.
Defender a democracia é defender instituições fortes, respeito pelas regras, pela Constituição e pelo pluralismo. É acreditar que o poder deve servir, unir e representar, e não dividir ou enfraquecer. É reconhecer que o Presidente da República deve ser um garante da estabilidade, do diálogo e da confiança, sobretudo em tempos de incerteza.
A segunda volta é, por isso, menos sobre slogans e mais sobre carácter. Menos sobre ruído e mais sobre serenidade. A democracia precisa de líderes que compreendam os seus limites, respeitem o seu espírito e saibam colocar o interesse coletivo acima de ambições pessoais.
Votar é mais do que escolher um nome: é afirmar que acreditamos num país governado pela razão, pela moderação e pelo respeito democrático. E, nesse sentido, cada voto consciente é também uma defesa ativa da própria democracia.
Casos de cidadãos convocados para intervenções cirúrgicas depois de já terem falecido não são apenas falhas administrativas isoladas; são sinais de um sistema desarticulado, onde a informação não circula de forma eficaz e onde a gestão parece incapaz de acompanhar a realidade clínica e humana. Estes episódios, além de chocantes, revelam uma desumanização involuntária: o doente transforma-se num número, num processo atrasado numa base de dados que ninguém atualizou a tempo.
Ainda mais inquietante é a normalização de situações que deveriam ser absolutamente excecionais. Estradas transformadas em salas de parto improvisadas e ambulâncias a funcionar como maternidades revelam não apenas falta de recursos, mas falhas graves de planeamento e resposta. O problema não é apenas a inexistência de serviços em determinados territórios, mas a incapacidade de garantir que eles funcionem quando são mais necessários. Quando uma grávida entra em trabalho de parto, o tempo não é negociável — e o Estado deveria saber disso melhor do que ninguém.
A atuação do INEM, frequentemente apontada como salvadora em momentos críticos, também tem sido marcada por atrasos dramáticos. Pessoas que morrem à espera de socorro levantam questões difíceis, mas inevitáveis: faltam meios, faltam profissionais, faltam condições de trabalho — ou falta coordenação eficaz entre todos estes fatores? Qualquer que seja a resposta, o resultado final é o mesmo: vidas perdidas onde deveria ter havido resposta rápida e eficaz.
Nos serviços de urgência, o cenário repete-se com outras formas de sofrimento. Esperas de horas intermináveis, doentes em macas nos corredores, profissionais exaustos e cidadãos que deixam de saber se devem insistir ou desistir. A urgência, em muitos casos, deixou de ser sinónimo de rapidez e passou a ser apenas o último recurso de quem não encontra resposta noutro ponto do sistema.
Paralelamente, cresce o número de pessoas sem médico de família, fragilizando a base do SNS: os cuidados de saúde primários. Sem acompanhamento regular, a prevenção falha, as doenças agravam-se e a pressão sobre os hospitais aumenta. Trata-se de um círculo vicioso que penaliza sobretudo os mais vulneráveis, aqueles que não têm alternativas fora do sistema público.
Neste contexto, a medicina privada surge como uma solução para quem pode pagar, mas também como um sintoma de desigualdade crescente. O acesso à saúde começa a depender cada vez mais da carteira e menos da cidadania. Não se trata de demonizar o setor privado, mas de reconhecer que a sua expansão descontrolada pode transformar um direito universal num privilégio progressivo.
A expansão da medicina privada em Portugal não pode ser analisada apenas como resposta à falência do sistema público. Em muitos casos, ela alimenta-se ativamente dessa falência. O sofrimento, a angústia e o medo tornam-se oportunidades de negócio, exploradas através de preços incomportáveis, seguros cada vez mais seletivos e práticas que transformam a necessidade em urgência paga. Quando alguém recorre ao privado não por escolha, mas por desespero, já não estamos perante mercado livre — estamos perante aproveitamento. Há aqui uma lógica de lucro que prospera sobre a incapacidade do Estado em garantir cuidados atempados, criando uma saúde a duas velocidades onde quem pode paga e quem não pode espera, adoece ou morre. Chamar-lhe apenas “alternativa” é insuficiente; em muitos casos, trata-se de um negócio construído sobre a fragilidade alheia.
Nada disto invalida o esforço diário de milhares de profissionais de saúde que continuam a sustentar o sistema com competência e dedicação. O problema não reside neles, mas nas opções políticas, na gestão de recursos e na falta de uma visão estratégica de longo prazo. A saúde não pode ser tratada como um custo a conter, mas como um investimento essencial numa sociedade justa e funcional.
Em suma, a situação da saúde em Portugal exige mais do que indignação episódica. Exige diagnóstico sério, responsabilidade política e compromisso com soluções estruturais. Porque quando um sistema de saúde falha, não falha apenas um serviço público — falha um contrato social inteiro.
"Há quem parta, ficando"
A Daniela Félix, a amiga Daniela, partiu para os braços do Pai.