quinta-feira, 18 de abril de 2024

Igreja/25 de Abril: Falta de escuta entre progressistas e conservadores continuar a impedir «aplicação» do Concílio Vaticano II

 Jornalista recorda movimentos juvenis como «o espaço de liberdade» que juntavam todos «os homens de boa vontade», a «autenticidade» como marca dos assistentes espirituais e o papel «não submisso» de D. António Ribeiro perante o regime

Lisboa, 17 abr 2024 (Ecclesia) – O jornalista José António Santos disse à Agência ECCLESIA faltar hoje a capacidade de escuta, lacuna que conduz à rutura e impede que “progressistas e conservadores” se juntem para “aplicar os documentos do Concílio Vaticano II”.

“O ‘nós’ que se sentia na rua no 1.º de Maio, em que o Evangelho estava na rua, ficou refém de quem não tem a capacidade de escuta. Sem a capacidade de nos escutarmos entramos em rutura”, lamenta.

José António Santos, hoje aposentado, fez grande parte do seu percurso no Diário de Notícias e, a 25 de abril de 1974, estava no jornal, na secção dos correspondentes, tendo ficado ali retido até ao dia 1 de maio.

Jovem, juntamente com a esposa, participou no grupo ‘Circulo Juvenil’, um grupo de jovens que se reuniam na igreja paroquial do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, tendo como assistente o padre Albino Cleto, que viria a ser bispo auxiliar no patriarcado de Lisboa e em Coimbra.

Nós bebemos sofregamente os documentos do Conselho Vaticano II. Quando estudamos os documentos, queríamos pô-los em prática. Nós éramos contestatários porque o próprio movimento do Concílio Vaticano II foi um movimento contestatário da Igreja do seu tempo. E foi tão contestatário que a própria Igreja depois não aplicou o Concílio, a Igreja não estava preparada para acolher os ensinamentos do Vaticano II”.

Uma entrevista por ocasião dos 25 anos no patriarcado de Lisboa, D. António Ribeiro afirmava aos jornalistas José António Santos e Ricardo de Saavedra, que o Concílio Vaticano II não tinha sido posto em prática porque “progressistas e conservadores jogavam os documentos, uns contra os outros e não souberam ler e aplicar os documentos”.

O jornalista lamenta que hoje a situação persista.

Quando o Papa João XXIII convoca o Concilio Vaticano II e se dirige aos homens de ‘boa vontade’, os jovens sentem que a Igreja quer “abrir os braços ao mundo”.

“Estamos aqui dispostos a falar com todos. E a mensagem que temos para dar é para fazer caminho com todos desde que tenham boa vontade e queiram vir connosco. Não têm que pensar como nós. Temos que nos encontrar e conversar. E conversando podemos caminhar juntos”, sublinha.

José António Santos recorda que não esperavam apoio “explícito” da hierarquia – “Não estávamos à espera que o bispo fosse um porta-estandarte das nossas lutas”, recorda, porque o apoio dos assistentes dos movimentos juvenis ajudavam a fazer perceber que a exigência da fé que professavam se impunha na luta pela liberdade.

“Autenticidade é uma palavra que era muito própria da minha juventude e que agora se vê pouco. Autenticidade, revelada no pensar e no agir, que esteve na origem do gesto que levou a 106 subscritores escreverem ao Núncio apostólico a pedir que fosse D. Manuel Falcão a substituir o cardeal Cerejeira à frente do patriarcado de Lisboa”, recorda.

Os movimentos eram o “lugar de liberdade”, recorda o jornalista, um espaço plural de questionamento e procura.

Muitas pessoas aderiram aos movimentos da Igreja porque encontravam aí um espaço de liberdade. É verdade. O espaço onde eu me exprimi com muitos amigos e jovens da minha geração, aliás, essas pessoas não seriam o que foram se não tivessem esse espaço, se não fossem moldadas nesse ambiente. Er um ambiente de questionamento, um ambiente de procura, um ambiente de busca, um ambiente de grande ansiedade pela verdade. O interesse era comum, o objetivo era comum. Portanto, católicos, comunistas, agnósticos, extremistas, atuavam cada um ao seu jeito, mas com o objetivo comum que era, no fundo, libertação dos povos coloniais, fim à guerra colonial, democracia, liberdade”.

Apesar da carta dos 106 signatários, foi D. António Ribeiro que em 1971 substituiu o cardeal Cerejeira como patriarca de Lisboa, num pontificado que José António Santos indica “falar por si”, pois evidenciou em mais de 25 anos uma capacidade intelectual de leitura dos tempos e de fazer pontes.

O jornalista recorda o episódio em que o então cardeal patriarca de Lisboa se encontrou com Marcelo Caetano, pedindo-lhe que se retratasse quanto à existência do Massacre de Wiriyamu, em dezembro de 1972, que vitimou cerca de 400 pessoas, em Moçambique, e que o presidente do Conselho havia negado.

“D. António Ribeiro pediu uma audiência e perante as palavras de Marcelo que dizia que o Presidente do Conselho não se desmente, afirmou que os bispos portugueses poderiam escrever uma carta, para ser lida pelos párocos nas paróquias numa missa no domingo seguinte. Marcelo Caetano ficou enfurecido, disse que mandaria prender quem lesse as cartas e acabou abruptamente a reunião. Às vezes diz-se que a Igreja foi submissa e que andou de braço dado com o poder, mas com D. António Ribeiro não foi assim”, recorda.

José António Santos conta ainda que o patriarca de Lisboa foi redator de uma carta pastoral, por ocasião do 10.º aniversário da encíclica ‘Pacem in Terris’ do Papa João XXIII, em 1973, onde fala da “missão e competência da Igreja, dos direitos humanos fundamentais, da participação política e social, da participação e pluralismo na vida política”.

“Os documentos da Igreja não iam à censura; se a carta tivesse sido à censura muitos parágrafos do texto teriam sido proibidos mas os bispos tinham liberdade e os documentos da Conferência Episcopal não eram sujeitos a exame prévio”, acrescenta.

A conversa com José António Santos pode ser acompanhada esta noite na Antena 1, pouco depois da meia-noite, ficando disponível no portal de informação e no podcast «Alarga a tua tenda».

In agência ecclesia

25 de abril: “Falta cumprir a Fraternidade”, “falta olhar para o outro como meu irmão”.

 O bispo de Setúbal participou nesta terça-feira, na 9ª edição do Colóquio Pensamento sobre a Revolução dos Cravos, em Linda-a-Velha (Lisboa).

Sublinhamos da sua participação:

“É perigoso que uma fatia significativa da população não esteja nem aí para os 50 anos do 25 de abril, pois não estamos livres de um pesadelo e de acordarmos para um mundo diferente” um destes dias.

(...) criticou ainda que, “no Parlamento, não seja normal a sã convivência de pessoas que pensam de maneira diferente” e questionou: “Há limite em o outro defender aquilo que pensa? Temos de ter um pacto social de linhas vermelhas?”.

É preciso parar para pensar e refletir sobre que forma podemos melhorar a nossa democracia, e não ter medo disso”, defendeu, justificando que “a ideia generalizada de que todos os políticos são ladrões ou corruptos a certa altura cria uma generalização que é perigosa”. “Hoje em dia, quando alguém aceita ser deputado, governante ou autarca, eu rezo por eles porque ou é loucura ou martírio”.

Sobre o porquê de a Igreja não ter sido tão afetada após a revolução como o foi no tempo da I República, D. Américo Aguiar recordou a figura de D. António Ferreira Gomes, antigo bispo do Porto, exilado pelo regime, e “os diferentes movimentos que falavam e refletiam sobre a liberdade”, assinalando como parte da razão que levou a que a transição fosse mais pacífica.
O cardeal elogiou também a posição da Igreja Católica em Portugal ao ter decidido ““não abençoar um partido católico, mas incentivar a presença dos católicos em todos os partidos com que se identificassem”.
“Isso eventualmente tirou alguma visibilidade à Igreja, mas foi uma opção com a qual concordo”, assumiu.

(...) uma nova geração de leigos menos ativa na praça pública e reconheceu que a Igreja “tem défice de salvar as costas aos leigos que dão a cara”. “Isso aconteceu e foi desgastando o laicado que, com a «vacina» do Concílio Vaticano II, era muito ativo.”

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Para onde vais, Europa?

 Eurodeputados aprovam decisão histórica de incluir aborto nos direitos fundamentais da UE

Resolução foi aprovada com 336 votos a favor, 163 contra e 39 abstenções. O Parlamento Europeu (PE) aprovou esta quinta-feira a decisão histórica de incluir todos os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, incluindo o direito ao aborto, na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (UE).

A resolução foi aprovada com 336 votos a favor, 163 contra e 39 abstenções e no documento os eurodeputados exigem que seja consagrado o direito ao aborto na Carta de Direitos Fundamentais da UE, uma exigência que é feita há muito tempo.

O PE condenou o retrocesso nos direitos das mulheres em vários países, incluindo nos 27, nomeadamente a imposição de restrições ao aborto e cuidados de saúde sexuais e reprodutivos.

Fonte: aqui

Que mais irá acontecer?

Onde ficam os direitos das crianças no ventre materno?

É assim que tratamos os mais frágeis?

Nesta Europa, podre de materialismo e hedonismo, vale tudo?

Que gente andamos a eleger para nos representar  nos Parlamentos (Nacional e Europeu)?

domingo, 31 de março de 2024

“Ele ressuscitou! ”

“Ele ressuscitou! Não está aqui!”


 
Comemoramos mais uma vez a Ressurreição de Jesus,                       nesta Missa soleníssima da Vigília Pascal.

Ele ressuscitou! Não está aqui!

Eis a afirmação que os dois homens fizeram às 3 Marias e que, nós cristãos, repetimos, como verdade fundamental de nossa fé.
Ele ressuscitou! Com ele, vamos ressuscitar também.

Ressuscite você, PADRE, que um dia abraçou a missão de anunciar sua boa-nova e celebrar seus augustos mistérios.
Ressuscite!
A Igreja Católica não pode ficar sem suas mãos que abençoam, que ungem e que batizam.
A Igreja precisa de seu ministério para absolver os que erram, unir os que desgarram e alimentar seu povo com o pão da vida que você torna diariamente partido, na mesa da Eucaristia.
Ressuscite você, padre!
A certeza do imenso amor, que Deus lhe devota, - o ajude a fazer, de seu celibato, um instrumento revolucionário de serviço, - o ajude a ser perseverante nos seus bons propósitos, incondicionalmente doado às coisas do Reino, alegre nos seus inúmeros gestos de renúncia,
- o ajude a ser pastor ao qual não falte a coragem do profeta e ser profeta, a quem não falte a bondade do pastor.
Jesus ressuscitou! Com ele, vamos ressuscitar também!

Ressuscite você, RELIGIOSA, você irmã.
Na sua congregação, você escolheu a pobreza, a obediência e a castidade, como seu tríplice caminho para chegar a Deus; você que teve a coragem de abraçar o Evangelho, na mais radical de suas formas que é a dos três conselhos evangélicos.
Jesus ressuscitou. Com ele ressuscitaremos também.

Ressuscite você, MARIDO! Ressuscite você, ESPOSA!
Vocês não se casaram para viver distanciados, para cobrar amor, mas para oferecê-lo, na certeza de que amor cobrado não é amor.
Vocês não se casaram para se cansar um do outro, mas para fazerem com que a pessoa de um 
sempre se apoie na pessoa do outro.
Vocês não se casaram para morar juntos, sem viver juntos, já que uma coisa é ser amigo declarado e outra coisa é ser inimigo íntimo.
Ressuscite você, marido! Ressuscite você, esposa!
Vivam a páscoa do casamento, morrendo para tudo que mata o amor e cultivando tudo aquilo que o leva à plenitude.
Jesus ressuscitou. Com ele aprendamos a ressuscitar também.

Ressuscite você, mulher VIUVA! Ressuscite você, homem, a viver a derradeira etapa do casamento, que é a viuvez.
Você possui todo o direito de ter saudade.
Você tem todo direito de banhar o rosto de pranto.
Você tem todo direito de falar mil vezes o nome do amado ou da amada que perdeu.
Só um direito você não tem.
É cultivar revolta. É viver na amargura.
É o de fugir de tudo e de todos. É o perder o sentido de viver.
É o abandonar a própria religião católica,  se prender a seitas, que se servem de sua angústia existencial para iludir a sua fé...
Respeite a crença dos outros, mas permaneça firme na prática da sua.
Ressuscite.
É ressuscitando que você caminha para ver sua pessoa amada, resplandecendo nas núpcias eternas do céu.
Jesus ressuscitou! Com ele ressuscitaremos também.

Ressuscite você, JOVEM!
E nada de vida fácil.
Não é suficiente participar em alguma procissão de sexta feira santa ou de alguma encenação da Paixão,
e nada de compromisso com Cristo.
Só digam que vocês pertencem a ele, se possuírem garra suficiente para que, na eterna alvorada da vida,
vocês sempre despertem, felizes, dispostos a caminhar com Ele.
A Igreja será dos jovens, na hora em que a juventude se tornar Igreja. Não tenho pena de exigir sempre mais de vocês.
Tenho pena do jovem, de quem nada se exige, porque ninguém confia nele.
Ressuscite, jovem.
É sobretudo, com sua luz que nós queremos iluminar o caminho para Jesus ressuscitado passar.
Não macule e não destrua seu corpo, nem com o uso de drogas, nem com tudo aquilo que o torna sem asas para voar.
Jesus ressuscitou! Com ele ressuscitaremos também.

Ressuscite você, CRIANÇA!
Ressuscite você menino! ressuscite você menina!
Aproxime-se ainda mais de Jesus.
Se alguém, se alguma coisas tentar impedir sua aproximação com Cristo, ele próprio dirá: “Deixem que os meninos venham a mim.”
Infelizmente a maldade do mundo em que vivemos não está lhes dando o direito de conservar a pureza ,
de que vocês são símbolo.
Na sociedade de hoje é difícil ser criança.
Ela abafa o seu sorriso, ela a leva a amadurecer muito cedo e lhe tira o direito de sonhar.
Ressuscite, menino. Ressuscite, menina!
As cidades podem ficar sem jardins. Os jardins podem ficar sem flores.
Mas nós outros não podemos ficar sem a inocência, sem a candura e sem a simplicidade de vocês.
Jesus ressuscitou! Anuncie isto a todo mundo.
E, quando alguém afirmar que esta conversa é invenção de menino, você então diga: Não. Não é conversa de menino.
Conversa de menino dura, quando muito, uma hora, e esta notícia já dura vinte séculos.
Jesus ressuscitou! Com ele ressuscitaremos também.

Ressuscite você, mulher ou homem da TERCEIRA IDADE.
Velhice não é oposto da existência. É uma de suas fases.
Como o ocidente, é uma etapa da vida cotidiana do sol.
Nunca se julgue inútil. E faça o que puder fazer: Raciocine e veja.
Se a você fosse dado continuar realizando tudo, o que os moços iriam realizar?
Logo, ser idoso não é viver lamentando a vida, mas dar à sua própria pessoa oportunidade de brilhar,
como o astro rei no arrebol, e deixar que outros brilhem como o astro rei no poente.
Jesus ressuscitou. Com ele ressuscitemos também.

Pe Antônio - 30.05.2024

segunda-feira, 11 de março de 2024

O Chega vai ter 48 deputados na Assembleia da República

 

O Chega elegeu 48 deputados. A CDU, Bloco, Pan, Livre, todos juntos,  elegeram 14 deputadosQue diferença! O Chega elegeu deputados em todos os círculos eleitorais, menos Bragança.
Vejam o crescimento do Chega! Penúltima eleição, 1 deputado; última eleição, 12 deputados; atual eleição 48 deputados. 
Só não vê quem não quer. E não leva a lado nenhum bater na estafada tecla do "protesto".  Como não tem levado a lado nenhum a colagem de rótulos taxativos: fascismo, xenofobia, homofobia, mentira (estilo, diz tudo e o seu contrário), vazio ideológico e programático, populismo, agitador popular e vendedor da banha da cobra, etc. Enquanto políticos, jornalistas, comentadores ficarem só por aí, não duvidem, o Chega continuará a expandir-se.
Reparem, quando Passos Coelho apareceu no Algarve, num comício da AD, a alertar para alguns perigos relacionados com e imigração, caiu o Carmo e a Trindade" nos cadeirões dos bem instalados comentadores! Que não, que Portugal era um país seguro, que não havia problemas relacionados com os emigrantes, que era xenofobismo de chinelo, que os país precisa de emigrantes. Sabem quem ganhou no Algarve, sabem? O Chega. O problema existe, não se resolve, penso eu, com os métodos do Chega, mas é preciso encará-lo de frente. Coisa que políticos em geral, comentadores e jornalistas não têm tido a coragem de fazer.
Sabe-se que muita gente mais adulta votou no Chega para protestar contra certa realidade na qual os políticos não têm a coragem de mexer para não perderem votos. Tem a ver com aqueles cidadãos que, podendo trabalhar, não o fazem, preferindo viver de subsídios estatais.  Vivem de costas direitas, enquanto outros trabalham e pagam impostos à grande e à francesa. 
Muita gente nova, dizem, votou no Chega. É natural e compreensível o espírito rebelde e contestatário da gente moça. Ainda mais quando o desemprego atinge em força e especialmente os mais novos,  faltam professores nas escolas, as perspetivas de futuro são escuras, os empregos e ordenados estão longe do perspetivado e a emigração se impõe como saída.
Num país onde a corrupção e o compadrio também têm arraiais entre o mundo da política, que admira o protesto dos jovens e menos jovens?
Não vejo ninguém falar do assunto, mas é a minha convicção. Posso estar enganado. Seria bom, entretanto que o caso fosse analisado. Penso que o Chega é filho legítimo da extrema esquerda. Já diz o povo "quem semeia ventos, colhe tempestades".  Quando, como vendaval imparável, a extrema esquerda se atira a tudo o que são valores queridos à sociedade portuguesa, a alma popular aguarda apenas a ocasião para manifestar a sua discordância.  Casos como o aborto, a eutanásia, o casamento homossexual, a ideologia do género  são "impostos" pelo poder legislativo, com a bênção da comunicação social onde a tal extrema esquerda tem um apoio incomparavelmente maior do que a sua realidade sociológica, que admira que os cidadãos manifestem, através do voto no Chega, a sua indignação e revolta?
O aspeto  securitário não é assunto politicamente correto para vir à tona nas campanhas eleitorais. Mas é um problema que deixa marcas em quem sente a insegurança. E que marcas! Depois... lá estão os votos. 
Mais uma vez, certas tendências políticas  esquerdistas e seus aliados na comunicação social têm aqui um papel tremendo. Isto de estar sempre a atacar as entidades policiais e a  a calar e/ou defender os criminosos leva certamente ao voto no Chega.
Isto de estar sempre a meter "grãos de areia" no funcionamento das famílias conduz a uma sociedade menos solidária, mais egoísta, menos correta e mais agressiva, onde os valores vão rareando. Com fuga para o Chega...
E depois, olhemos: a justiça funciona mal e tardiamente, tornando-se injustiça. O falado e refalado Serviço Nacional de Saúde funciona ao relenti - quando funciona, - obrigando quem pode a ter um seguro  de saúde para não ser chamado para uma operação pelo serviço público depois de ter falecido...
O Chega é solução para os problemas que nos afligem como povo? Na minha opinião, não e não. Nem pensar nisso. 
Mas é preciso que forças políticas, jornais e comentadores não fiquem na superficialidade e na rotulagem. Que motivos levam mais de um milhão de portugueses a votar no Chega?  Encontrem-se as razões e atalhem-se os motivos antes que chegue a hora do Chega chegar ao governo. 
Se tal momento chegasse, acreditem que não seria nada bom para todos nós.

André Villas-Boas, uma candidatura em que aposto

Sou um adepto incondicional do Futebol Clube do Porto, mas não sou sócio. Por isso, não poderei votar nas eleições que vão decorrer no dia 27 de abril próximo. 

Isso não me impede  de ter e manifestar a minha opinião. Neste meu cantinho, há muito manifestei que o atual presidente, Pinto da Costa, se deveria ter retirado há anos da liderança do Clube. Infelizmente a situação  tem-me dado razão. No aspeto económico, a realidade é assustadora; a nível competitivo, o Clube está longe dos êxitos que conheceu até 2010/11.  Para que se recorde: entre 2013 e 2017, títulos nem vê-los! E a partir daí, muito graças ao trabalho, carisma e dedicação de Sérgio Conceição, ganhamos alguns títulos.  Mas nestes últimos 7 anos, o Porto não conseguiu um único Bicampeonato.  

A ligação falada da direção de Pinto da Costa a alguns lobbies instados os quais lutam com unhas e dentes pela vitória de quem sentem que continuará a bafejá-los. A ausência do senhor nos momentos em que o Clube precisava de uma voz - só costuma aparecer quando há vitórias desportivas. Tantas vezes que a verdade anda ao sabor das conveniências... Uma direção velha e anquilosada onde não se percebe o papel de Vítor Baía. Um parar na História indiferente ao movimento contínuo da mesma. A falta de autoconvencimento de que a idade não perdoa. Etc, etc

Precisamos de sangue novo, pessoas novas, ideias novas, projetos novos. Mais verdade, transparência e sintonia com os adeptos.  Mais ousadia e muitíssima melhor gestão desportiva e, ainda mais, económica.

Continuar com nesta gente à frente dos destinos do Clube é escorregar, porventura em forma mais acelerada, para o abismo. 

Uma gratidão que nos impede de ver o presente e construir o futuro é escravidão. 

Agradecidos a Pinto da Costa? Sempre. Mas é exatamente em nome desse agradecimento que é pedida aos sócios a determinação de mudar de rumo. Agora!

Aliança Democrática vence Legislativas/2024

 10 de março. Os portugueses foram às urnas para eleger a nova Assembleia da República donde emergirá o novo Governo. 

 Ainda faltam apurar os votos da emigração. Na noite eleitoral, eram estes os resultados nacionais apurados:  Aliança Democrática – AD – 29,6% e 77 deputados; PS 28,7% e 75 deputados; Chega 18% e 46 deputados; Iniciativa Liberal 5,1% e 8 deputados; Bloco de Esquerda 4,5% e 5 deputados; CDU 3,3% e 4 deputados; Livre 3,3% e 4 deputados; PAN 1,9% e 1 deputado.. 

No Concelho de Tarouca, a AD venceu com 35,44%, seguindo-se o PS com 25, 54% e o Chega com 22,52%.

O líder do PSD e da AD, Dr Luís Montenegro, deverá ser convidado pelo Presidente da República a formar Governo, uma vez que preside à coligação vencedora.

Sublinhe-se a diminuição da abstenção e o alto civismo em que decorreu o ato eleitoral.

Que os eleitos estejam à altura da vontade democrática do povo português.

quinta-feira, 7 de março de 2024

Em direto no YouTube, padres católicos dizem rezar “muito pelo Papa, para que possa ir para o céu o quanto antes”

 O escândalo do tradicionalismo!
Polémica envolve dois sacerdotes espanhóis, um norte-americano e um mexicano, protagonistas de uma tertúlia semanal online

É sabido que o Papa Francisco não reúne consenso na Igreja Católica, devido às suas posições progressistas. Uma ala mais conservadora e tradicionalista lida mal com a atitude inclusiva do Sumo Pontífice argentino, por exemplo em relação a oferecer a bênção a casais do mesmo sexo, prática recentemente autorizada pelo Vaticano. Mas daí a desejar-lhe a morte, ainda mais numa “montra” global como é o YouTube – à vista, portanto, de todos quantos quiserem ver -, vai uma grande distância.
Veja aqui a reportagem completa.

Se também quer observar a reacção de muita gente a esta publicação, pode fazê-lo aqui (Actualidade Religiosa). 

Transcrevo alguns comentários:
"É um arrepio para, e dos, cristãos. Não percebo como é que se pode dizer que se segue Cristo e se faz isto." - Miguel Lopes Neto

"Sacerdotes da Igreja Católica desejarem a morte do Santo Padre porque o odeiam não têm de ser respeitados." - Joana Freudenthal

Sim, muitos padres destas gerações mais recentes dizem isso e muito pior do Papa, ouvi eu, bem ouvido, e tenho lido o que eles se atrevem a publicar nas redes sociais, imagine-se o que dizem em círculos mais fechados de ultraconservadores." - Bernardo Bleck

"Oxalá eles rezem tanto que se convertam !" - Emilia Nadal

O tradicionalismo, mesmo quando diz brincar, é tremendo e deve-nos colocar alerta! Batinas, rendas, cabeções, o preto e o mais que lhe venha à gana...
A última desta gente é "salvar almas"! E o corpo não é imagem de Deus também? Deus não Encarnou? É mais fácil pegar no chicote da lei e da tradição para sentenciar ao Inferno do que cuidar do irmão ferido...
Foi em nome da lei e da tradição que os fariseus pediram a morte de Jesus! 
Estes tradicionalistas cheiram a farisaísmo até ao tutano!!!
Livra-nos, Senhor do terrível flagelo que é hoje o tradicionalismo na tua Igreja!
E já agora, que os responsáveis pelos Seminários estejam muito atentos a esta gente que se infiltra como piolho em costura...

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

O senhor "Não Me Apetece"

 O sr. "Não me Apetece" é o Imperador dos tempos modernos. E tem multidões de apaniguados seguidores.

- Porque não foste à escola ontem? - Porque não me apeteceu

- Porque estiveste calado toda a reunião? - Não me apeteceu falar

- Porque estiveste até tão tarde no café? - Porque me apeteceu

- Porque faltaste à catequese no sábado? - Porque não me apeteceu ir

- Porque tinhas a música naquelas alturas ontem no teu apartamento? - Porque me apeteceu

- Porque deixaste a tua namorada pendurada no café? - Porque não me apeteceu ir ter com ela

- Porque faltas tantas vezes à Missa? - Porque nem sempre me apetece

- Tinhas prometido ir para a apanha da fruta naquela semana. Porque faltaste? - Porque não me apeteceu trabalhar

- Tinhas uma reunião importante e faltaste. Passou-se alguma coisa? - Não me apeteceu comparecer

Podíamos continuar....

Muitas pessoas portam-se como a rolha à tona da água. Ela vai para a frente e para trás, para a esquerda e para a direita conforme a água a leva. A rolha é uma escrava da sua fraqueza.

Lembre-se: quem manda em si não são os apetites, você não é nenhuma rolha. Quem o conduz é a sua vontade iluminada pela inteligência.

Não seja escravo(a) dos APETITES!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Está na hora do regresso!

 



Amigo, está na hora de regressares à amizade. Um tropeção, uma desilusão, uma incompreensão, um choque  não é derrota. Levanta-te! Regressa! Nada é superior à amizade. Vence-te e regressa à saudável amizade!

Católico, regressa a casa. Não deixes por mais tempo vazio o teu lugar na comunidade. Não te desculpes com os outros, porque quem abandona a Igreja por causa dos irmãos, nunca lá entrou por causa de Cristo. E Cristo ama-te e espera-te.

Familiar, regressa à tua família. Nenhum devaneio, nenhuma atração física, nenhuma paixoneta vale a tua família. Nenhum trabalho, nenhum desporto,  nenhuma desilusão, vício vale a tua família! Regressa! Já! Coragem. Vale a pena.

Regressa à bondade! Mesmo que a ingratidão te magoe a alma, mesmo que a incompreensão te desanime, mesmo que o ataque te fira, regressa! Quem manda em ti é o teu bom coração e não a língua ou as atitudes dos outros.

Regressa à esperança! A doença, o sofrimento físico ou psicológico, a solidão, as quedas no caminho, a ausência de resultados palpáveis, a tua limitação  não podem derrotar a esperança. O pessimismo e o derrotismo só aumentam a tua dor. Após as tempestades, o Sol continua a brilhar...

Na parábola do Filho Pródigo, a vitória da liberdade pelo caminho do regresso.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

CONHECE A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO? Olhe que vale a pena...

“Parábola do Filho Pródigo”

11Disse ainda: “Um homem tinha dois filhos. 12O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde’. E o pai repartiu os bens entre os dois. 13Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada. 14Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações.

15Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. 16Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

17E, caindo em si, disse: ‘Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! 18Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; 19já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros. 20E, levantando-se, foi ter com o pai.

Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. 21O filho disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho’.

22Mas o pai disse aos seus servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. 23Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, 24porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado’. E a festa principiou.

25Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. 27Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo’.

28Encolerizado, não queria entrar; mas o seu pai, saindo, suplicava-lhe que entrasse. 29Respondendo ao pai, disse-lhe: ‘Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos; 30e agora, ao chegar esse teu filho, que gastou os teus bens com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo’. 31O pai respondeu-lhe: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; estava perdido e foi encontrado’”.
( Lc 15, 11-32)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Tanta coisa sobre a Quaresma! E tanto que fica por dizer



Mensagem de D. António Couto para a Quaresma

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Por tudo e por tanto, obrigado, P.e Ramos, grande amigo!

Natural de Ferreirim, Sernancelhe, nasceu num domingo, 30 de março de 1952. Faleceu num domingo, 11 fevereiro de 2024.
Frequentou os Seminários Diocesanos e foi ordenado sacerdote em 8 de janeiro de 1977.
Depois do estágio pastoral, realizado com o P.e Zé Guedes na Paróquia de Salzedas, foi nomeado Pároco de Mondim da Beira, Dalvares e São João de Tarouca em janeiro de 1978. Em outubro deste mesmo ano, juntaram-se-lhe o P.e Matias, então à frente do Secretariado Diocesano da Juventude e o estagiário Carlos Lopes. Após a ordenação sacerdotal deste último, o senhor Arcebispo, D. António de Castro Xavier Monteiro, mantém a equipa sacerdotal, alargando espaço pastoral com as Paróquias de Vila Chã da Beira, Cimbres e Várzea da Serra. Pouco tempo depois, o espaço pastoral alarga-se às Paróquias de Ucanha e Gouviães.
Em outubro de 1988, em virtude de ter sido confiada à equipa sacerdotal a povoação de Vila Chá do Monte, até então com pároco próprio, o senhor Bispo aceita que a mesma equipa seja libertada das Paróquias de Vila Chã da Beira e de Cimbres.
Em 1991, o P.e Matias fica  com Várzea da Serra para onde vai residir e o P.e Carlos vai para a Paróquia de Tarouca. Desde então e até ao presente, o P.e Ramos ficou sozinho com a paroquialidade de Mondim da Beira, Dalvares e Ucanha.
O P.e Manuel Ramos tinha dons multifacetados. A música era uma área que sempre lhe mereceu muita dedicação. Os grupos corais das paróquias, o ensinar a tocar órgão, a elaboração de livros de cânticos para ajudar os corais  e as assembleias a participar, a animação através do acordeão  de "cantar os Reis" ou de peditórios e de festas populares. Embora apreciasse uma saudável discussão, era na vida muito prático. Quando se tratava de dar resposta aos problemas e necessidades das paróquias, ele definia claramente o que pretendia e as etapas a percorrer. 
Sabia escutar, tinha esse dom maravilhoso. Nele havia sempre uma palavra oportuna para a situação. As pessoas gostavam de falar com ele. Era um homem positivo, otimista, apreciador da alegria e de a transmitir.
Muito próximo das pessoas, fosse em sua casa, na Igreja, no café ou nas vistas às casas das famílias ou em encontros de grupos ou paroquiais. Sabia pôr-se à-vontade e pôr os outros à-vontade, sem que isso significasse menos respeito ou rebaldaria.
Não gostava de ocupar a "boca do palco", era discreto mas eficaz. Gostava de se sentir povo no meio do povo. Percebia muito bem quando estar e quando se retirar.
Foi um criativo e as obras nas  suas Paróquias aí estão para o testemunhar. Igrejas bem tratadas, Centros Catequéticos, Centro de Dia de Mondim da Beira, Capelas Mortuárias, restauro e conservação dos templos... E quando a morte  o veio buscar, tinha em mente algumas realizações visando o bem estar das pessoas e das comunidades. 
Amigo dos colegas, a todos acolhia com amizade. Desempenhou funções diocesanas: foi arcipreste e  integrou até ao presente o Conselho Presbiteral. Além disto, foram vários os seminaristas que passaram pelas suas paróquias, em amadurecimento vocacional e crescimento pastoral.
Sabia fazer o bem e ajudar as pessoas, mas sempre com a máxima do Evangelho "Não saiba a esquerda o que faz a direita". 
A preocupação pastoral, nas suas várias vertentes, era constante  e falava das suas três comunidades com enlevo, carinho e  paixão, salientando sempre o positivo e o desafiante.
Como cristão e como padre, Jesus Cristo era a sua paixão e a sua luz.
Dos três "padres capadócios", como dizia o D. Jacinto,   que residiram em Mondim, um acaba de falecer, o P,e Matias, desde 2019, está doente  dependente, resta apenas o "mais ruim dos três", o autor deste testemunho. Com as maleitas que a idade acarreta, mas ainda em serviço... até que Deus diga...
Tenho a certeza absoluta que o P.e Ramos, agora na Mão do Deus da alegria, não nos esquece junto do Eterno e a Ele intercederá  pelos familiares, pelos paroquianos, pelos amigos , pela Igreja e pelos antigos colegas de equipa.
Que descanses em Deus, amigo! 
Não te esquecerei!
Abraço

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Porto: Bispo alerta que agricultura «é uma arte de empobrecer tristemente», denunciando «crescimento económico à base de sugar o sangue dos outros»

 D. Manuel Linda interveio em Jornadas de Teologia sobre «o trabalho num mundo globalizado»

Foto: Diocese do Porto

 O bispo do Porto alertou para que agricultura “é uma arte de empobrecer tristemente”, lembrando o protesto dos agricultores, falando nas Jornadas de Teologia da Universidade Católica, dedicadas ao tema do trabalho.

“Há 100 anos que andamos a dizer em Portugal, em Espanha e inclusivamente noutros países da Europa que a agricultura é uma arte de empobrecer alegremente. O empobrecer subsiste e o alegremente desapareceu. E hoje poderíamos dizer que é uma arte de empobrecer tristemente”, disse D. Manuel Linda, esta segunda-feira, no Centro Regional do Porto da UCP.

O bispo do Porto, citado pelo jornal ‘Voz Portucalense’, destacou o protesto dos agricultores para criticar as “poderosíssimas cadeias de distribuição”, a partir do exemplo de um agricultor que “vendia as suas maçãs a 25 cêntimos o quilo” e, depois, “estavam no supermercado a 2 euros”, perguntando: “Quem ganha? É o agricultor? É o consumidor? Nenhum, nenhum deles”.

‘O trabalho num mundo globalizado: novas configurações e novos desafios’ é o tema das Jornadas de Teologia 2024 promovidas pela Faculdade de Teologia da CUP no Porto, em colaboração com a Diocese do Porto e a Irmandade dos Clérigos.

O bispo do Porto alertou também para o “sugar do sangue dos outros”, na exploração de migrantes, indicando que surgem “novos perfis de pobreza”, naqueles que são “explorados indecentemente”.

“Na cidade do Porto, num caso testemunhado por mim, vi dentro de um baixo com 14 ou 15 metros quadrados que estavam a dormir 12 emigrantes. Cada um pagava 250 euros, sem fatura, sem recibo, sem nada. Vejam como há quem, de facto, retira do sangue dos outros o seu sustento e o seu crescimento como magnatas. É um crescimento económico à base de sugar o sangue dos outros”, desenvolveu D. Manuel Linda.

O padre Abel Canavarro, vice-diretor da Faculdade de Teologia, afirmou que “a Igreja não pode ficar alheada dos problemas do mundo”, mas tem que ajudar a refletir estes problemas “e sobretudo a ser capaz de congregar”, ao jornal diocesano.

Foto: Diocese do Porto

À ‘Voz Portucalense’, este responsável destacou que “o cristianismo é humanismo” e a Igreja deve ter “uma atitude de apresentar os valores humanos” ajudando a “encontrar soluções para os problemas dos jovens”.

“Os cristãos devem ser, não só portadores, mas também testemunhas dos valores; um cristianismo que não nos ensina a ser mais humanos, mais solidários e a estarmos próximos dos que sofrem, não é um autêntico cristianismo”, realçou o padre Abel Canavarro.

O coordenador da Faculdade de Teologia no Campus da UCP no Porto explicou que ao pensarem as Jornadas de Teologia 2024 estão “a olhar o mundo”: “O mundo muda muito e rápido e muitas vezes não há uma assimilação das descobertas ou da novidade tecnológica onde o Homem, muitas vezes, é despersonalizado”.

“Não é o Homem que deve estar ao serviço da tecnologia; é a tecnologia que deve servir o Homem”, acrescentou.

As Jornadas de Teologia 2024 estão a decorrer no Auditório Carvalho Guerra, do Centro Regional do Porto da UCP, de 5 a 8 de fevereiro, começaram esta segunda-feira e terminam quinta-feira,.

“Boa reflexão para que se consiga levar ao grande público ideias novas para estes tempos novos”, pediu D. Manuel Linda aos participantes, divulga o jornal ‘Voz Portucalense’.

Fonte: aqui

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Desafios para esta semana

Nunca tive vergonha de ter ajudado pessoas que se revelaram falsas.
Deixo que sejam elas a ter vergonha daquilo que são.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

«UMA AMIZADE QUE ACABA NUNCA FOI VERDADEIRA AMIZADE»

A amizade pode acabar? Não, não pode.
Se acaba é porque, na verdade, nunca tinha começado.
Amigo uma vez tem de ser amigo sempre, como lembrava Alexandre O'Neill.
Daí que Santo Aelredo de Rivaulx tenha concluído de forma assertiva:
«Uma amizade que acaba nunca foi verdadeira amizade».
O problema é que tudo isto só se consegue saber depois.
E é muito desconfortável perceber que algo que imaginávamos ter acontecido afinal não aconteceu.
Temos de estar preparados para tudo.
Mas ainda há amigos para sempre.
Ainda há quem demonstre que a amizade pertence ao que não passa!
João António Teixeira

domingo, 28 de janeiro de 2024

Há quem chegue e fique; há quem chegue e logo parta; há quem chegue, fique um tempo e depois parta.

Há quem chegue para ficar. É assim na vida social, afetiva, amical, familiar, política, associativa. Gente que chega de coração lavado e mente aberta. Gente que sabe que o outro também é humano, com falhas, defeitos, pecados, limitações, temperamento próprio, com sonhos e projetos, com momentos bons e menos bons.
Gente que fica porque aceita o outro e descobre nele o encanto de ser humano. Gente livre para ficar.

Há quem chegue e logo parta.
Chega de mansinho ou com com estrondo. Mas parte logo. Inconstante, superficial, volátil, dado a momentos, sem estofo interior. Borboleta saltitante.

Há quem chegue, fique um tempo e depois parta.  Fica pelas primeiras impressões e/ou por outros motivos:
por interesse (económico, social, solidão, mau momento vivencial, necessidade de desabafar, projeção na vida, segurança...)
- por ser instável. Tanto quer como não quer; tanto se entusiasma como se dececiona, tanto se endeusa como a seguir corre para o psiquiatria,  tanto atinge o céu como depois cai no fundo do poço, tanto se acha o melhor como depois sente que a vida não tem sentido,  tanto faz juras de amizade como desaparece. Tanto ama como despreza. Cansa-se de tudo e de todos. 
- por egocentrismo. Ele é  que conta e o mundo tem a dimensão do seu umbigo. Eu, eu, eu, eu, eu... O resto é paisagem que interessa ou deixa de interessar conforme acaricia ou não o ego.
"Eu e o meu projeto profissional"...
"Eu e a minha vida pessoal"...
"Eu é que sou o melhor em todo o lado por onde passo"...
"Eu é que sou a vítima"...
"Eu é que tenho razão"...
Tão egocêntrico que parece um eterno adolescente. Não tem raízes, por isso não cresce e cansa.
Não gosta de ninguém a não ser de si mesmo - se é que é capaz de gostar ao menos de si!
É um pobre diabo, digno do basismo da compaixão.

sábado, 27 de janeiro de 2024

R)Evolução

Fazem falta artigos como este.

Na minha humilde opinião, e na verdade, ao admitir-se a bênção para pessoas em determinadas situações, também se está implicitamente a reconhecer - e, a meu ver, bem - o que nelas há de humano (e, por isso de divino), de dramático e de exaltante, de abismo e de elevação, de pecado e de graça. E essas pessoas não são «os outros», somos nós, são nossos irmãos, irmãs, filhos, filhas, afilhados etc. Comem à nossa mesa.
Mas sobretudo, com a "bênção pastoral" está-se a reconhecer que não é mais sustentável uma certa visão desconfiada e repressora da sexualidade, que a confina a formas institucionalizadas de vida e parte de uma visão naturalista, que está bem longe de uma visão integrada e integradora, humanizada e humanizadora, da vida afetiva, cujo princípio ético fundamental é o do amor, que se dá ao outro e dele cuida.
Quando nos toca ter à mesa, em casa, em família, pessoas extraordinárias, diria mesmo, santas, mas que não cabem no estreito figurino do "ideal cristão" da nossa catalogação moral, somos, no mínimo, levados a repensar quanto a "ideia" está longe da realidade, quanto "os princípios", a partir dos quais, encaixamos os outros numa bitola de irregularidade, deverão ser repensados, à luz de uma visão antropológica e bíblica, cujos avanços nos têm aberto os olhos pelo menos para o mistério e para a complexidade da vida de cada pessoa, a quem não podemos simplesmente dizer que está fora da norma e por isso excluída dos bens da salvação. E não se pode simplesmente pedir "abstinência" dos gestos que exprimem a comunhão afetiva entre pessoas, a quem não foi dado poder viver assim.
Será preciso ser mais explícito no futuro e dizer bem e bendizer de quanto bem, de quantos sinais de Deus, há naquilo e naqueles em quem só vemos o mal ou a contradição com o nosso ideal. Neste sentido, concordo que à mudança pastoral, subjaz uma releitura dos princípios, a partir de uma hermenêutica, capaz de aprofundar e fazer evoluir a doutrina moral.
De resto, não é preciso ser muito erudito, para perceber quanto ao grande rio da Tradição da Igreja chegaram, ao longo da história, muitos afluentes (influentes), de matriz pagã, que envenenaram de suspeita, de rigidez, de maldição e pecado o prazer sexual que Deus criara para a nossa alegria e humanização.
Às vezes, interrogo-me onde foram buscar tantas "regras", quando a Revelação bíblica, e sobretudo os Evangelhos, parecem tão desinteressados e até omissos sobre questões que hoje constituem as grandes bandeiras da luta pela defesa do Magistério "imutável da Igreja", que, bem vistas as coisas, não é imutável, não disse nem pensou sempre o mesmo e desde sempre. O recursos às fontes históricas era capaz de nos surpreender. Às vezes, valia a pena recuar não até Trento, como se daí para cá o Espírito Santo nos deixasse órfãos, mas até Jesus Cristo, que nos revela o desígnio do Pai. Oh, quanta quinquilharia eclesiástica não seria relegada para o armazém dos acessórios teológicos!
Este artigo pode incomodar os que fizeram da Tradição e dos princípios um produto congelado.
Mas ajuda-nos a beber na água viva do Evangelho.

Fonte: Amaro Gonçalo, Facebook