terça-feira, 17 de julho de 2007

Acabar com os inimigos

Quem lida com muita gente sabe que não é fácil viver com as pessoas. Cada uma tem o seu modo de ser e às vezes descobrem-se feitios muito agrestes. Por isso sempre me admirei de ouvir dizer a certas pessoas – por vezes com muitos anos – que nunca tiveram inimigos nem sequer zangas dignas desse nome.

Aqui há dias fui visitar uma pessoa de idade e conversámos longamente. Trata-se de uma mulher que vive num lugar pequeno e onde são raras as pessoas que falam com toda a gente. Veio à baila também o assunto das inimizades. E ela disse-me:
- Sabe! Tenho muita pena de viver num lugar destes onde há tantas pessoas que se não falam. Outrora parece que não havia pessoas assim. Por exemplo: eu nunca me deitei zangada com ninguém. Até lhe posso contar um caso verdadeiro que se passou comigo.

Um dia disseram-me que fulana estava muito zangada comigo. Que lhe tinham dito que eu disse mal dela. Que isto, que aquilo... E eu disse diante de quem estava:
– Vou já acabar com essa minha inimiga!...
E as pessoas não me queriam deixar ir a casa dela. Pensavam que eu lhe iria fazer mal. Fui e comecei por lhe dizer com brandura:
– Ouvi dizer que estás muito brava comigo. Quero que me perdoes. Mas primeiro diz-me o que aconteceu. Eu não sei bem o que te foram contar. Se calhar, eu no teu lugar ficaria também chateada se ouvisse falar assim mal de mim. Mas conta-me o que te disseram.
E a rapariga quebrou. Disse-me que tinha sido doida em dar valor ao que lhe contou a outra. Até porque ela sempre gostou de intrigas. Que lhe perdoasse o ter desconfiado de mim.
As pessoas nem queriam crer! Daí a pouco já nos viam juntas e amigas como dantes.
– Então tu ainda há pouco dizias que ias dar cabo da tua inimiga e já andas de braço dado com ela?!
– E não dei?! Onde é que está a minha inimiga?! – retorqui a rir.

Há muitos modos de acabar com as inimizades e até com os inimigos. Essa é uma verdade sem contestação. Podemos destruir os inimigos pela força, pela violência, pelo desprezo. Mas ressurgirão outra vez. Eles e (ou) outros.
Todavia, quando se procura destruir a inimizade com gestos de amor, de compreensão e bondade, ganhamos muitos amigos que, por sua vez, também hão-de seguir o exemplo de amor e perdão em relação aos seus inimigos.

In "Amigo do Povo"

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