quarta-feira, 28 de setembro de 2022

O MENINO POBRE

Era uma vez, há muitos anos, um menino muito pobre que frequentava a igreja, levando sempre uma roupa muito remendada e uns sapatos gastos. Certo dia, um homem sem fé, que o via passar todos os domingos diante da sua casa, quis brincar com ele. Quando regressava da igreja, perguntou-lhe:
- Olha lá, menino, tu acreditas mesmo em Deus?
A criança respondeu:
- Sim, acredito que Deus existe e que nos ama muito.
- E achas que Ele é mesmo teu amigo, que gosta muito de ti?
- Sim. É o meu maior amigo.
- Então, se Ele é teu grande amigo, por que é que não te dá uma roupa melhor e não te ajuda a comprar uns sapatos novos?
O menino, com um olhar de tristeza, olhou bem para esse homem e disse-lhe:
- Certamente que Deus encarregou alguém neste mundo de fazer isso para mim. Mas esse alguém ainda não me viu ou não me quis ver…

Fonte: aqui

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Finanças "atam fardos pesados e insuportáveis e colocam-nos aos ombros dos outros, mas eles não põem nem um dedo para os deslocar" (Mt, 23,4)

Chegou-me ao conhecimento esta situação.
Manhã do dia 19 de setembro. Tudo havia sido antecipadamente marcado, tendo em vista a celebração da escritura no Cartório Notarial.
Todos compareceram à hora marcada. Chega então a informação frustrante: O Portal das Finanças continua a não funcionar. Deste sexta-feira última que está inoperacional. E nem se sabe quando estará operacional.
Nos responsáveis havia esta perspectiva: as Finanças vão aproveitar o fim-de-semana para pôr o seu Portal em ordem. Engano.
Só que havia pessoas envolvidas na escritura que tinham vindo expressamente do estrangeiro para este efeito. E com viagem de regresso marcada. Enquanto outros, igualmente envolvidos na escritura, tinham vindo do sul do país. 
E agora? Quem pagaria as despesas, as faltas ao trabalho, as alterações nas viagens,  a angústia, a revolta, a decepção?
As Finanças - e outros organismos  públicos - são de extraordinária exigência para com os cidadãos, mas são de um laxismo confrangedor em relação a eles mesmos. Se um cidadão não paga no dia marcado, está tramado, sujeita-se a todas as contrariedades e penalizações. As Finanças falham, "lixam" a vida de multidões de portugueses e nada assumem nem reparam. Nem um explicação! É a ditadura dos órgãos do Estado.
Falta democratizar os serviços do Estado, para que o cidadão seja devidamente respeitado.
Mas não são só os serviços públicos que, muitas vezses, desrespeitam os cidadãos. Também há empresas privadas.  Cito, por exemplo, EDP, Seguradoras, Telecomunicações, etc.
Para pagar o seguro, a seguradora envia comunicaçãos imenso tempo antes. A cobrança tem que ser no dia marcado. Mas para a seguradora cumprir a sua parte... Ui! Eternidades de tempo, faz tudo para "fugir com o rabo à seringa..."
EDP. Nunca percebi porque esta empresa não assume os estragos que causa com os cortes na luz, quando a exigência, os preços quebrados e a pontualidade na cobranças são "à inglesa".
É assim, dando razão ao povo: Há uma medida para o Estado e para os grandes e outra bem mais estreita para os cidadãos. 
Senhores políticos, comecem já a democratizar o funcionamente dos serviços do Estado e ponham os cidadãos no centro das grandes empresas.

O Modernismo e os tradicionalistas paranoicos

Leia aqui
 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

A FAZER FÉ NOS CHICOS-ESPERTOS: TEMOS MAUS PADRES E BONS FIÉIS

Dizia-se que, após a pandemia, as pessoas iriam sair diferentes (melhores) e, no que respeita a Deus, mais convencidas da sua impotência (finitude) ao ponto de voltarem de novo às igrejas. Havia quem assinasse de cruz esta profecia. Sempre fui dizendo ser uma esperança infundada, porque os nossos “pios crentes”, debaixo da desculpa cínica e intrujona de “católicos não praticantes” rapidamente arranjariam outros motivos para a sua “fezada à distância” e usada somente “à la carte”, segundo “os interesses e costumes pessoais e sociais”.
Alguns dos mais velhos dizem que têm medo de voltar e, por isso, satisfazem-se a “ver a missa na televisão”. É o famigerado medo seletivo: vão de autocarro à praia, passeios e peregrinações; passam manhãs e/ou tardes em centros de saúde e convívio para idosos; visitam feiras, hipermercados e restaurantes e só têm medo de ir à Igreja! A maioria dos adultos ocupa-se a servir outros deuses: trabalho, desporto, caminhadas, lazer, festas e convívios. Não têm tempo (nem vontade) para Deus. Os jovens há muito que não querem nada com Deus, por razões óbvias: “não cabem dois galos no mesmo poleiro”…
Santa paciência! Mandam Deus, a Igreja e os padres às favas – e fazem-no de peito feito! – mas quando precisam de algum serviço, papel ou sacramentos são capazes de tudo: mentir, enganar, deitar mão a testemunhos falsos, manipular, ocultar, usar todos os meios ilícitos e desonestos e até “invocar o santo nome de Deus em vão”. E exigem que os pastores (padres e bispos) - quando precisados - sejam acolhedores, respeitadores, disponíveis, serviçais, simpáticos, isto é, lacaios e bonecos sempre ao dispor das suas intentonas.
No pensar da maioria, os padres não passam de saloios (néscios, burros, limitados, retrógrados) facilmente levados na cantiga (enganados) com “duas de retórica”. Cruzo-me diariamente com isto, seja nas lides diárias, seja nas publicações (comentários, gostos e partilhas) das redes sociais. E, por incrível que pareça, há quem esteja convencido levar-me na cantiga: “Às vezes finjo-me de burro que é para não ser incomodado pelos que fingem ser inteligentes!”. E insistem na lengalenga: “vou à Missa ao Alívio, à Abadia, ao Sameiro, ali ou acolá, mas nunca à paróquia...”; “não preciso de ir à Missa para ser católico”; “não vou à Missa porque quem lá vai é pior que eu”; “não estamos a viver juntos, só ao fim de semana”; “são padres como o senhor que acabam com a fé”! Olhe que não… acha mesmo que posso acabar com aquilo que há muito não tem?
(P. António Magalhães Sousa, Sopro e Vida)

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Novos bispos para Angra, Bragança e Setúbal estão para breve

 Vinte por cento dos padres em todo o mundo estão a recusar ser nomeados para bispos. E em Portugal também já houve pelo menos três casos, nos últimos meses. Uma situação que pode ajudar a explicar o atraso na nomeação de novos bispos para Angra, Bragança e Setúbal – que, finalmente, estará para breve.

Imagem do Senhor Santo Cristo, Ponta Delgada

Imagem do Senhor Santo Cristo, em Ponta Delgada: os Açores deverão ter finalmente um novo bispo, após um ano sem o principal responsável da diocese de Angra. Foto © António Marujo/7Margens

  

Está para breve, finalmente e após largos meses de espera, a nomeação de novos bispos católicos para as dioceses de Angra (há um ano à espera, quando João Lavrador foi nomeado para Viana), Bragança (desde Dezembro, com a nomeação de José Cordeiro para arcebispo de Braga) e Setúbal (desde Janeiro, com José Ornelas a ser nomeado para Leiria-Fátima.)

A concretizar-se, esta informação, vinda de fontes eclesiásticas, porá fim a uma espera de meses, que padres das três dioceses consideram excessiva, atribuindo responsabilidades ao núncio do Vaticano em Portugal, Ivo Scapolo. Mas o 7MARGENS sabe que a razão pode estar também noutro lado: em todo o mundo, há cerca de 20% de presbíteros a recusar ser nomeados para bispos, conforme terá confidenciado o prefeito do Dicastério para os Bispos, o cardeal Marc Ouellet, a vários clérigos; e em Portugal, há já pelo menos três – dois de dioceses do Norte e um de uma do Centro – que também disseram que não ao convite para serem bispos.

De acordo com as informações recolhidas, Angra pode ser a primeira a ter novo responsável máximo da diocese. Talvez ainda este mês, é a expectativa de vários padres na diocese. Mas há quem diga que já não acredita na brevidade da resolução: “Nunca houve uma demora assim e não há razão para que tal aconteça, porque já houve processos a correr”, diz um presbítero de uma das dioceses ao 7MARGENS. “Não se percebe o que o núncio está a fazer para que haja esta demora toda”, acrescenta outro. Sobretudo, diz, sabendo-se que o bispo João Lavrador já manifestara nos Açores a sua vontade de ir para Viana do Castelo, antes de ser nomeado; que o actual arcebispo de Braga chegou a manifestar em privado, em Bragança, o seu desejo de, após meia dúzia de anos, transitar para outra diocese; e que José Ornelas saiu de Setúbal e foi para Leiria muito pelo empurrão do cardeal António Marto. Acrescenta aquele padre: “Se é para ter soluções das quais já se falava há muito, não era preciso esperar quase um ano em cada um daqueles casos e demorar outra vez este tempo todo com Angra, Bragança e Setúbal.”

Há mais de um mês, no dia 4 de Agosto, o 7MARGENS perguntou ao núncio, por correio electrónico, se seria possível ter uma perspectiva de até quando poderia haver novos bispos em cada uma das três dioceses, tendo em conta o ambiente de desânimo que reina entre boa parte do clero. Dias depois, ao insistir por telefone, uma das funcionárias da representação diplomática do Vaticano disse ao 7MARGENS que o núncio Ivo Scapolo dera instruções para que email não fosse respondido.

Para baralhar o problema, surgiu entretanto a questão de uma eventual mudança em Lisboa, conforme o 7MARGENS noticiou, caso o Papa decida antecipar a saída do patriarca, tendo em conta a proximidade da Jornada Mundial da Juventude, que decorre na capital de 1 a 6 de Agosto do próximo ano, aceitando a disponibilidade do cardeal para sair. 

Angra: “Temos fama de não sermos fáceis”
Nuno Almeida, bispo auxiliar Braga

Nuno Almeida, bispo auxiliar de Braga, um dos nomes de quem se fala para Bragança-Miranda. Foto: Direitos reservados.

Enquanto se espera pelas nomeações, faz-se a dança dos nomes que correm em conversas entre o clero ou entre alguns leigos com responsabilidade em dioceses.

Para Angra, tem aparecido o nome do actual administrador da diocese, Hélder Fonseca, mas um dos membros do clero açoriano diz que ele tem alguns “anticorpos” entre os padres da diocese. “Não é fácil ser bispo aqui nas ilhas”, diz um outro clérigo dos Açores. “A dispersão geográfica reforça os bairrismos, que infelizmente também existem na Igreja”. De qualquer modo, este presbítero está confiante que até final do mês surja a notícia da nomeação. “Talvez no dia litúrgico dos arcanjos”, a 29 de Setembro, diz.

Um outro padre diz que “a relação entre o clero e o bispo nunca é fácil”, mas que uma “condição essencial para se ser nomeado bispo deveria ser a de não o querer ser, ao contrário do que acontece com alguns que foram nomeados nos últimos anos”.

Outros dos nomes de que se fala nos Açores são os dos bispos das Forças Armadas, Rui Valério, e de São Tomé e Príncipe, Manuel António Mendes dos Santos – que é apontado também como hipótese para Setúbal. Mas comenta-se igualmente que poderá haver um jesuíta a ser nomeado ou António Manuel Saldanha, que trabalha em Roma, mas é visto por alguns padres como não estando na linha do Papa Francisco.

“Também sabemos que a alguns não agrada vir para os Açores”, diz um outro padre. “Temos fama de não sermos um clero fácil e a dispersão não ajuda.” Mas este clérigo acrescenta outras razões, mais históricas e de fundo: “No pós-Concílio [Vaticano II, na década de 1960], apareceu uma grande divisão teológica, pastoral e moral em toda a parte, mas aqui ela foi extremamente aguerrida. Alguns dos melhores abandonaram o ministério, por causa da [encíclica do Papa Paulo VI] Humanae Vitae [sobre o planeamento familiar].”

Desde essa crise, acrescenta, vários dos que têm um pensamento crítico abandonam o ministério, e por isso também o panorama de uma parte da hierarquia e do clero é “sofrível”, diz outro dos padres açorianos. “Angra é a segunda diocese com mais pessoas a estudar fora, depois de Braga”, acrescenta o mesmo clérigo. “E tínhamos um seminário aberto, onde se ensinava Psicologia, Sociologia, Nietzsche, Erasmo – não era ler sobre eles, éramos incentivados a ler autores como esses.”

Já para Bragança-Miranda, o actual bispo auxiliar de Braga, Nuno Almeida, é um dos nomes apontados, a par dos padres Joaquim Dionísio e João Morgado, ambos de Lamego, António Jorge Almeida (de Viseu, mas com o cargo de reitor do Seminário Interdiocesano em Braga) e Delfim Gomes, de Bragança. 

Desconforto entre bispos

Pelos vistos, adiantam fontes eclesiásticas da diocese, o processo terá ido directamente para Roma depois de feita a auscultação inicial. Ou seja, a nunciatura (embaixada) do Vaticano em Lisboa, que coordena estes processos, reuniu informação e, em vez fazer a lista com três nomes que sujeita depois à apreciação dos padres da diocese, terá enviado directamente a lista para Roma. Nessa auscultação inicial, vários presbíteros e outras pessoas são chamados a pronunciar-se, a propósito de um questionário que tenta averiguar as qualidades morais e a disciplina eclesiástica do candidato, mas que nunca fala do Evangelho, como o 7MARGENS já contou, quando publicou o questionário na íntegra.

Entre pelo menos alguns bispos portugueses, este método provoca algum desconforto, por concentrar toda a decisão nas mãos de uma pessoa só – no caso, o núncio. “Ele pode consultar quem entender na diocese ou fora e mandar a lista para Roma, sem que se saiba se ela corresponde às pessoas mais consensuais”, lamenta um deles.

Em Setúbal, finalmente, no quadro de “uma diocese sem rosto, sem liderança, em que cada um neste momento faz o que entende”, há um sentimento de “orfandade”, diz um padre ouvido pelo 7MARGENS. Outro pensa que, pelo contrário, a diocese “vai funcionando”. Fala-se, também aqui, dos nomes do bispo auxiliar do Porto, Armando Esteves, e do de São Tomé, Manuel Mendes dos Santos.

Mas um membro do clero setubalense também admite que não é fácil para alguém aceitar ser bispo na diocese: caracterizada por ter um importante grupo de padres ligados ao movimento Comunhão e Libertação, de pendor mais conservador, o clero está “muito dividido”, diz.

Um outro padre açoriano confirma a observação, contando que há cerca de dois anos esteve com um grupo de padres de Setúbal que visitaram a região, acompanhados do bispo Ornelas: “Só havia dois sem cabeção e um deles era o bispo. Um deles andava de cabeção e calções, não percebendo sequer o ridículo.” Mas este padre não se admira: “O que atrai hoje mais muitos seminaristas e padres novos é uma estrutura psicossocial única, uma orientação sexual que não se entende bem e um estilo tridentino”, lamenta.

In 7 Margensaqui. O negrito é nosso

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Testemunho sem nome e sem medida

 A filha mais nova morrera com meningite. Tinha pouco mais de três anos quando o fatídico sucedeu. Os pais ficaram destroçados, como é de imaginar, e esqueceram que tinham outro filho, um pouco mais velho, com a idade suficiente para pensar estes acontecimentos e achar que os pais estavam perdidos e focados na morte da filha, esquecendo que eles próprios tinham uma vida e outro filho a precisar deles. 

Um dia, já lá iam vários meses da morte da irmã, o filho decidiu confrontar os pais com estes pensamentos, pedindo-lhes que não se esquecessem que ele existia, estava vivo e precisava deles. No seguimento da conversa, rogou-lhes que fossem ao jogo de futebol que ele tinha no dia seguinte, para o aplaudir e para o acompanharem num momento que lhe era muito importante. Os pais, caindo em si, decidiram acompanhar o filho. E lá estavam, naquele dia, na bancada do campo de futebol para se fazerem presentes na vida do seu filho, quando uma trovoada irrompeu pelo meio do jogo e um raio atingiu o filho que lhes restava, acabando por lhe tirar a vida. Ficaram sem chão, sem tecto, sem paredes, sem nada. 
A mãe contava tudo com os olhos lacrimejantes. Mas vivos. Haviam passado muitos anos. E ela não tinha deixado morrer a sua vida. A conversa que estava a ter com outras mães versava sobre a fé, sobre a sua necessidade, sobre os seus frutos e sobre a importância de Deus nas nossas vidas mesmo, e sobretudo, no meio das adversidades e afrontas. Quem a escutava perguntava como é que ela e o marido haviam conseguido ultrapassar e lidar com isto. E aquela mãe explicava que só a fé a ajudara a viver com esta dor. Ela que, antes da morte dos filhos, não tinha fé, passara a tê-la. Mais, dizia que não tínhamos nada e sabia que os filhos que trouxera ao mundo eram mais de Deus que dela. No entanto, sempre que rezava, os filhos voltavam a ela. Voltavam com Deus. E assim, em Deus, continuava a ter muito dos filhos.
Fonte: AQUI

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Não sou monárquico, mas simpatizo com a monarquia britânica

8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, partiu deste mundo Isabel II, a rainha do Reino Unido que reinou durante 70 anos.

Tinha 96 anos e cumpriu até ao fim o que prometera aos 21 anos de idade:  dedicar a vida — “seja longa ou curta" — a servir o país.

Então o que aprecio em Isabel II?

- Após o seu falecimento, os comentadores assinalam que esta rainha pôs sempre o país à frente dos seus interesses e da sua família. Não é isto que todos queremos que aconteça com os governantes?

- Nunca deu uma entrevista e sempre preservou a sua privacidade. Como que a dizer que o importante era o bem comum para o qual reservava a sua "voz".

- Os problemas que enfrentou - como qualquer mortal - nunca a afastaram da sua tarefa de magistrada suprema da nação. Ela chegou a referir-se a 1992 como o seu "annus horribilis", tantos os problemas familiares que a afectaram nesse ano.

- Embora não seja a minha opinião pessoal, compreendo a sua decisão de permanecer até ao fim em funções. Foi o que prometeu aos 21 anos, foi o que cumpriu até à morte.   Pessoalmente entendo que até aos setentas, somos nós que mandamos; a partir dos setentas, quem manda é a idade.  Há tempo para tudo. Tempo para o trabalho e tempo para a reforma; tempo para estar à frente e tempo para apoiar na retaguarda. 

- Era uma pessoa de fé profunda, que não escondia ou tinha vergonha da sua fé.  “Foi nas suas mensagens à nação que assistimos de forma crescente ao testemunho público da sua fé cristã. Fazia-o com naturalidade e elegância, sem imposição, prestando também nisso um serviço”, explica o padre Peter Stilwell. 

- O respeiro e carinho do seu povo, manifestados em vida e após a morte, que a rainha sempre soube conquistar e manter com o seu aprumo, dedicação, competência e espírito de serviço à causa pública.

- Se olharmos bem para a Europa, praticamente todas as nações que estão na linha da frente do bem-estar e do progesso social vivem em regime monárquico. Claro que também há repúblicas - sendo republicano, digo-o com satisfação - que vivem em avançado estado de desenvolvimento.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Governo aprova programa de 2400 milhões para apoiar rendimentos das famílias

 Ver aqui

A cadeira de rodas e o bispo de Roma

 "O papa claudicante que saudou os liturgistas italianos é a imagem do profeta no meio do povo. Eu gostaria que todos pudéssemos caminhar assim", escreve o teólogo italiano Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em artigo publicado no blog Come Se Non, 03-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini. 

Eis o artigo. 

Esta semana realizou-se em Roma, em Santo Anselmo, a 50ª Semana de Estudos da APL (Associação dos Professores de Liturgia). No último dia do encontro, os participantes foram recebidos pelo Papa Francisco em audiência privada. 

Um amigo me enviou o vídeo da chegada do papa na sala: o papa caminha com dificuldade, um pouco curvado, e tem dificuldade para subir o degrau em que está colocada a sua poltrona. Todos os comentários dos amigos destacaram o esforço que transpirava naquela entrada. No entanto, quem como eu que estou há mais de um mês privado do uso das pernas, pensei o contrário: “pudesse eu caminhar assim'! 

Dá espaço a muitas reflexões o ponto de vista muito diferente com o qual é possível julgar um mesmo gesto. Mas a ocasião pode nos fazer pensar melhor em como existe uma estreita ligação entre o exercício do ministério petrino do bispo de Roma e seu andar. 

Um papa em cadeira de rodas é uma espécie de papa na cadeira de gestatória reduzida aos mínimos termos. Ele é um papa que se faz conduzir. Isso não é necessariamente um mal, mas certamente constitui um forte limite à iniciativa do papa. Por outro lado, um papa que caminha, embora com dificuldade, sofrimento e dor, ainda escolhe ele mesmo para onde ir. E se, além disso, o papa superar seus problemas e voltar a caminhar livremente, eis que ninguém mais o segura. 

Essas três condições diferentes (na cadeira, claudicante ou em forma) correspondem a três posições do bispo em relação ao seu povo. Um bispo na cadeira de rodas está no fundo do povo de Deus e se deixa arrastar pelo sensus fidei. Um bispo claudicante, por outro lado, fica no meio da sua própria caravana, no meio do povo, e se apoia ora em um, ora no outro para ir adiante. 

Um bispo em forma está na frente, lidera, guia e discerne primeiro. O rei está na frente, o profeta está no meio e o sacerdote está no fundo. Talvez quando vemos o papa na cadeira de rodas esquecemos que ele não é apenas rei. Talvez quando o vemos em plena forma diante de todos, devemos lembrar que ele também é profeta e sacerdote. Ser conduzido pelo povo não é de modo algum um vício, como seria ser conduzido pela cúria. 

Assim, o papa claudicante que saudou os liturgistas italianos é a imagem do profeta no meio do povo. Eu gostaria que todos pudéssemos caminhar assim.

Fonte: aqui

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Férias, três anos depois...


Nos últimos anos não tive férias, a que não são estranhas situações como a pandemia, mudança dev casa, etc.

Este ano voltei ao Algarve na companhia de familiares. Nos primeiros dias, só os "kotas", depos foram aportando os mais novos. Chegamos a ser 10 pessoas em casa que, felizmente, era grande.

Porque férias são libertação de horas e horários, havia poucos compromissos que envolvesem o grupo todo: apenas almoço e jantar e uma ou outra saída combinada.

Quatro dos "kotas" levantávamo-nos cedo e passeávamos pela praia de Manta Rota até a Cacela e sua famosa Ria. Uma hora e pouco. De regresso, quase sempre já com presença de alguns mais novos, seguia-se o mergulho - ou como dizia em criança um dos meus sobrinhos, o "mi manho na quiaia". Depois de um tempo na toalha, seguia-se o regresso a casa, faseado, pois quem tinha o cuidado do almoço vinha mais cedo. Para os retardatários, lá chegava via telemóvel o pedido de socorro: passem pelo supermercado e tragam isto ou aquilo de que nos esquecemos.

Claro, enquanto não chegaram os sobrinhos, tive que fazer o trabalho escravo de pôr a mesa. Que trabalheira! Felizmente, mal eles aportaram, fui isento desta canseira...

Pelas 16 horas, regresso ao areal. Tinha então lugar o meu passeio solitário pela praia. Sozinho no meio da multidão. Sendo uma praia muito familiar, as cenas de família encantavam-me. Famílias a jogar, a brincar, a realizar partidas, a passear, a conversar. O encanto divino das crianças envolvia o ambiente de ternura, beleza, elevação. Quanto vezes eu repeti para mim mesmo: "A prova de que Deus ama o mundo está no encanto das crianças."

Claro que não há férias sem peripécias. No primeiro dia de praia, perdi-me dos meus. Depois do passeio, não consegui dar com o lugar onde eles estavam. Depois de procurar e voltar a procurar, dirigi-me a um nadador salvador que, gentilmente, procurou ajudar. Volta e mais volta, eis que aparece um familiar à minha procura. Isto no momento que o nadador salvador telefonava pedindo uma moto de água para me levar a casa. Claro que eu sabia o camnho de regresso a casa, mas nem uns chinelos tinha para o regresso.

Notas:

1. A água esteve muito apetecivel, excepto um dia em que apareceu mais mal disposta.

2. Num dos dias, reunimos e convivemos com outros familiares que estavam noutros pontos do Algarve. Muito agradável.

3. Agora a Manta Rota tem uma Capela onde participámos na Eucaristia, lembrando e realizando o pensamento que diz: "Não faças férias de Deus; faz férias com Deus!"

4. Este ano, não realizámos grandes passeios. Eu gostei assim. Férias são para descansar. Ou será da velhice!? Mas fomos à bela cidade de Tarvira, Praia Verde, Aiamonte, alguns a Vila Real de Santo António. Neste momento, Manta Rora tem poucos pontos de diversão.

5. Ainda sobre o Algarve, duas impressões. No geral um pouco mais de simpatia não ficaria nada mal aos algarvios. O custo de vida é um exagero. Mas tem boas praias, Sol e boa água...

6. Como a gratidão é a memória do coração, um obrigado profundo ao P.e Bráulio que fez o favor de me substituir na paróquia.

Para os meus irmãos, sobrinhos e amigos, um abraço tão grande como a praia de Manta Rota. Obrigado pelo acolhimento, pela atenção, pelas brincadeiras, pela gratuitidade, pelas conversas e silên\cios que partilhámos. Tenho muito orgulho em vós.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

GOSTO DE GENTE SÉRIA E SÁBIA…

Cada vez gosto mais daquela gente séria, que não se ri e que, segundo o povo, “fica de trombas, troce as beiças, morde a língua ou range os dentes”, quando as coisas não são ao seu gosto. Cada vez gosto mais daquela gente séria que se enche de razão para defender os seus interesses e destila ódio, maledicências ou vitupérios quando alguém não lhe apara o jogo ou lhe descobre a careca.
Cada vez gosto mais de gente sábia que é capaz de arranjar todo o tipo de desculpas (mentiras, encenações) para faltar à Missa, mas não se coíbe de gastar horas a fio em bares e arraiais, em passeios e aventuras por rios e montanhas. Cada vez gosto mais de gente sábia que empoleirada em sandice afetiva e intrujice mental faz dos outros (padres incluídos) pacóvios, retrógrados, desprovidos de inteligência, porque desalinhados com modas e manias bacocas.
Na sabedoria popular diz-se que “com papas e bolos se enganam os tolos”. Os romanos, para controlar o povo, davam-lhe “circo e pão”. Hoje não é diferente. Dar um telemóvel para a mão, “comes e bebes” para a barriga e música para as pernas e a turba salta eufórica de terra em terra, de galho em galho, a regurgitar folia e liberdade. O resto passa pelas redes sociais, onde se deleita com comentários e partilhas, declarações de amor e felicidade eternas. Para quem quer palco, todos os meios servem; para quem não tem prioridades, tudo tem o mesmo valor; para quem não tem vida própria, vive à custa do que lhe põem à frente.
E Deus? Gente moderna! Cada um tem a sua fé, a sua devoção, as suas rezas e negócios santos. Gente tão séria e sábia até muda a Doutrina e transforma “santificar domingos e festas de guarda” em “ir a Fátima e São Bento ao menos uma vez por ano”, promover festinhas e graçolas com gastos e feitos claramente ofensivos para os santos ou “ir à Missa" (apenas) quando o padre puser os queridos defuntos nas suas rezas encomendadas. E assim, gente séria e sábia, até é feliz a “ensinar o Pai Nosso ao vigário” e a pensar que “o sabem levar na cantiga”. E até se esquecem que “graças a Deus, muitas, graças com Deus, poucas”. E é tão verdade: “não ter tempo para Deus é viver perdendo tempo”.


P. António Magalhães Sousa, aqui

terça-feira, 9 de agosto de 2022

‘Colégio católico maltrata aluno de 4 anos!’

 A Igreja não tem só deveres, também tem direitos. A sua firme atitude contra a pedofilia exige, por parte da comunicação social, respeito, que foi o que não houve em relação a D. Manuel Clemente

O ataque mediático contra o Cardeal Patriarca de Lisboa serviu para demonstrar que, neste caso, não houve, da sua parte, nenhuma negligência ou omissão. Pelo contrário, desde o primeiro momento o Senhor D. Manuel Clemente manifestou a sua preocupação pastoral pela vítima, indo ao seu encontro e disponibilizando-se para a ajudar, apesar do alegado crime não ser passível de denúncia, por já ter prescrito. Na sua actuação, observou as normas civis e canónicas pertinentes, como aliás o anterior Patriarca.

Apesar da comprovada inocência do actual Cardeal Patriarca de Lisboa, este escândalo mediático – não faltou quem pedisse a sua demissão! – foi possível. Assim se prova como, não obstante os abusos de menores que não foram devidamente denunciados pela hierarquia, é fácil manipular a opinião pública, quando se trata de difamar a Igreja. A presunção de inocência, que se deveria aplicar a todos os cidadãos, deu agora lugar a uma suspeição generalizada em relação aos bispos e sacerdotes católicos, criando um clima persecutório quase pidesco. É necessário que todos os crimes de pedofilia, dentro e fora da Igreja, sejam perseguidos até às suas últimas consequências, mas sem dar azo a que os justos paguem pelos pecadores ou, impunemente, se ataque a Igreja, que não responde pelos crimes dos seus fiéis, como o Estado também não é responsável pelos delitos dos seus cidadãos.

Corria a década de sessenta – não consigo precisar o ano – eu tinha uns 4 ou 5 anos e frequentava o Colégio de São José, no Restelo. Por sinal, como sou trigémeo, os três estávamos na infantil, que era mista, não obstante a escola ser então feminina. Tínhamos três irmãos mais velhos e ainda nasceriam mais dois. Nessa escola dava-se ainda a feliz circunstância de uma nossa tia, por sinal madrinha de uma das minhas gémeas, ser educadora infantil.

Um dia, a nossa mãe foi ao colégio, para tratar de algum assunto relativo às nossas irmãs mais velhas, que também lá estudavam, ou a nós os três. Não sei como, nem porquê, mas quando a vi, quis ir com ela para casa, sem esperar pelo fim das aulas. Sei que me procurou dissuadir desse capricho, mas não fiquei convencido com os seus argumentos, que acatei. Ou não, porque segundo conta a história, mordi a mão da religiosa que servia na portaria do colégio, quando procurava reconduzir-me para a minha sala, até que chegasse a hora de, na carrinha do colégio, voltar para casa.

Confesso que a mordidela na bondosa extremidade superior da pobre dominicana não atormentou a minha (in)consciência moral. Também não me vangloriei desse precoce acto de raivoso anticlericalismo. Ainda sou anticlerical – detesto o clericalismo! – mas, graças a Deus, menos violento: nunca mais mordi as piedosas mãos das esposas de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Para minha surpresa, no dia seguinte fui exemplarmente punido por esse meu acto carnívoro. Não sei se alguma vez soube o nome da vítima, mas nunca esqueci o da superiora, porque nos ocorria, instintivamente, mal a víamos: Socorro! Pois bem, nessa manhã, a boa da Madre Socorro teve por bem, ou por mal, contar do alto das escadas, a todas as professoras e alunas do colégio, que ocupavam totalmente os seus vários lanços, a minha façanha da véspera. Lembro-me que, depois da sua arenga, chamou-me à sua presença e, diante de todos, atou-me as mãos, como castigo pela minha má acção, que releva tanto no âmbito da ira, como da gula. Teria sido mais lógico que me tivesse amordaçado, mas a Madre Socorro preferiu manietar-me. Não sei quanto tempo permaneci de mãos atadas, mas a improvisada amarra não deve ter durado muito, pelo que, pouco depois, seguramente, recuperei a liberdade de movimentos.

Devo dizer que não só não fui expulso, embora talvez merecesse, como a minha permanência no colégio decorreu depois sem mais incidentes. Terminada a infantil, passei para o masculino Colégio Clenardo, também dominicano, e não voltei ao de São José, onde talvez tenha a cabeça a prémio, ou seja ainda persona non grata. Guardo uma excelente recordação dos meus tempos aí vividos, bem como, depois, no Clenardo, de onde transitei para o Liceu de Pedro Nunes, no qual concluí os meus estudos liceais, já depois do 25 de Abril.

Esta história real tem todos os ingredientes de um caso mediático que, devidamente ‘trabalhado’ por uma certa comunicação social, serviria perfeitamente para montar mais um escândalo contra a Igreja e, até, contra o Patriarca que, na altura, talvez ainda fosse o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, ou o seu sucessor, D. António Ribeiro. Para o efeito, bastaria que um jornalista pouco escrupuloso publicasse a notícia com um sensacionalista título: ‘Colégio católico maltrata aluno de 4 anos!’. Claro que, para o escândalo ser mais pungente, conviria que algum pedopsiquiatra garantisse, a pés juntos, que, como consequência do castigo que me foi aplicado, eu padecia desde então um profundo trauma. Um advogado pouco consciencioso, de preferência com experiência em chantagens a entidades de beneficência, poderia exigir, por irreversíveis danos morais, uma choruda indemnização. Talvez algum dos meus condiscípulos de então pudesse testemunhar a meu favor, já que a minha mãe e tia não estariam disponíveis para o fazer – por razões de decência moral que nem todos compreenderão – nem, pela mesma razão, as minhas gémeas, se é que ainda se lembram do episódio. E, na impossibilidade de agir contra a dita religiosa, cuja identidade desconheço, ou a referida Madre Socorro, há muito falecida, porque não proceder contra a sua Ordem religiosa, que bem poderia vender o colégio para me compensar?! Em última instância, poderia sempre recorrer para o Patriarcado de Lisboa que, como é óbvio, é o máximo responsável por toda a actividade católica na diocese e, portanto, pelos maus-tratos de que fui vítima! Que o Patriarca não sabia de nada?! Soubesse!! Não é para isso que existem os Patriarcas?!

Desculpe-se o tom irónico desta fantasia, criada a partir de uma história real. Atenção: que ninguém se atreva a pensar que se trata de uma farsa aos gravíssimos – não exagero! – abusos de menores na Igreja! Desde a primeira hora, em múltiplas crónicas aqui publicadas, exigi justiça e verdade para estes casos. Seria de muito mau gosto referir com ligeireza ou, pior ainda, com troça, qualquer caso de abuso de menores. Não é legítima nenhuma cumplicidade com os agressores, sejam eles quais forem. A Igreja que, graças à tolerância zero, laicizou um cardeal, demitiu vários bispos e expulsou inúmeros padres, já demonstrou que está, como ninguém, seriamente empenhada na luta contra a pedofilia. Bom seria que o Estado, e outras instituições, onde este flagelo grassa mais do que na Igreja, lhe seguissem o exemplo.

Mas a Igreja não tem só deveres, tem também direitos. Esta firme atitude do Papa Francisco e da hierarquia exige que haja, por parte da sociedade e, mais concretamente, da comunicação social, respeito, que foi o que não houve no referido caso contra o Senhor Dom Manuel Clemente. Quem o atacou deve, pela sua imperdoável leviandade, ou manifesta má-fé, um pedido formal de desculpas ao Patriarca de Lisboa. Todos os católicos, sobretudo os fiéis diocesanos da capital, foram ofendidos por esta injusta difamação contra um dos seus mais ilustres e queridos prelados, que já foi várias vezes Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. Foi também uma inaceitável ofensa a um exemplar cidadão e homem de cultura – não em vão, é prémio Pessoa! – que honra Portugal com o seu saber, justiça e caridade.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada, aqui

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

"O que sinto?..."

"Dizer o que pensamos sobre assuntos que desconhecemos, em todas as suas facetas, conhecidas e desconhecidas, é realmente um perigo que nos pode precipitar no julgamento sumário, na caça às bruxas (leia-se "clérigos").
Mas ainda podemos dizer o que sentimos, evitando riscos de leitura.
E o que eu sinto, com a sucessão de pedidos de perdão por parte da Igreja e a divulgação e notícias de escândalos a conta-gotas, é que precisamos de preparar cristãos e, sobretudo os padres (todos!) para o sofrimento e não para o sucesso, para a crise e não para o aplauso, para a cruz e não para a glória, para a vergonha e não para o pódio.
Ou temos a nossa vida centrada e enraizada em Cristo e partilhamos do Seu Amor à Igreja, sua Esposa (casta meretriz!), ou não há veste sagrada que nos proteja, nem campanha que nos lave a cara.
Cabe-nos abraçar o presente, este presente, que, em alguns casos, também é presente envenenado.
E saber que a hora que nos foi dada viver não é de triunfalismos, de apologética, de domínios. É de martírio. De testemunho. De purga. De purificação. De humildade e humilhação.
Deixo, em jeito de partilha, um breve recorte de um texto sentido do Pe. Edgar Clara, no Semanário "Sol".

Amaro Gonçalo Ferreira Lopes, aqui

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Carta Aberta

Falta cerca de um ano para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que terá lugar em Lisboa. Segundo afirmou recentemente o Cardeal Patriarca, a JMJ será uma experiência como “nunca” se viveu no país. Ora nestes últimos dias tem havido uma campanha tremenda contra o Patriarca de Lisboa a propósoto  de um caso de encobrimento.
Já contamos com a receita. Antes de um acontecimento marcante ou celebração importante na vida da Igreja, há-de aparecer sempre na imprensa um qualquer escândalo, caso ou casinho visando afastar atenções ou desacreditar a instituição.
Há gente que tem uma aversão visceral à Igreja e não liga a meios... Pena é que alguns cristãos se juntem à pândega!
A este prósito, veja aqui a Carta Aberta do Cardeal-Patriarca de Lisboa,

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Varosa Fest, um festival de verão dedicado aos mais jovens.


A paisagem e a zona envolvente, o rio e as margens, os equipamentos ali instalados e as condições disponíveis, fazem do Parque Ribeirinho de Tarouca um local ideal para a realização deste tipo de espetáculos, são fatores de diferenciação positiva que garantem a atratividade dos amantes deste tipo de eventos.

O Varosa Fest nasce assim por vontade do executivo da Câmara Municipal de Tarouca, nesta primeira edição de 2022, sendo que já tinha sido pensado nos dois anos anteriores, mas a pandemia COVID-19 obrigou a que fosse adiado.

Ao contrário do que muitos podem pensar, os índices de notoriedade de Tarouca são bastante reduzidos, sendo este índice crucial para um concelho que pretende ter o turismo como um dos principais setores de atividade, hoje com as novas tecnologias, os cidadãos marcam férias através de pesquisas na internet, e se não conhecem o nosso concelho, a palavra Tarouca nunca será pesquisada.

O Varosa Fest foi pensado e organizado para melhorar a notoriedade de Tarouca, sendo um evento com mediatismo a nível nacional, com capacidade para crescer e ser referência na área dos festivais de verão, vai fazer, e já fez, com que muitos passem a conhecer Tarouca.

Para garantir estes objetivos era necessário escolher um publico alvo que se predispusesse a arriscar e participar nesta 1ª edição, tendo sido decidido que o grupo etário entre os 16 e 25 anos seria o mais fácil de convencer, tendo o cartaz/artistas sido escolhido com este propósito.

E neste primeiro ano, o Varosa Fest apresenta-se com os Wet Bed Gang como cabeça de cartaz, e o Rony Fuego e Ivandro como artistas em fase de ascensão, são grupos para jovens, conhecidos por eles e com milhões de seguidores. Na Sexta-feira, a presença dos Hybrid Theory, considerado o melhor tributo a Linkin Park, foi a delícia para a geração dos trintas e quarentas.

Em jeito de balanço, durante os 4 dias de festival estiveram 16 bandas/DJ´s em palco, duas destas bandas são do Concelho de Tarouca, Desalinhados e Ain’t Logic System, a quem foi dada a oportunidade de viver uma nova experiência.

O Varosa Fest contou assim com a presença de mais de quatro mil espectadores por dia e mais de uma centena de campistas, sendo que apenas 44% eram do Distrito de Viseu. O impacto a nível nacional foi muito positivo, tendo o Festival de Tarouca sido apresentado em várias rádios locais e nacionais, onde se destaca a Rádio Comercial.

Os objetivos foram superados, e pode-se afirmar que Tarouca melhorou os seus níveis de notoriedade e consequentemente de atratividade, na certeza de que maior parte dos presentes voltarão para a próxima edição e muitos virão mais cedo para conhecer melhor o concelho. Aqui criaram-se memorias inesquecíveis e existe o desejo de voltar.

Afirmar também que durante o festival esgotou o alojamento no nosso concelho e a aumentou a procura da restauração, ou seja, o Varosa Fest deixa assim também impactos positivos na economia local.

Por fim, uma palavra de gratidão para com todos os envolvidos nesta 21ª edição do Varosa Fest, GNR, Bombeiros Voluntários de Tarouca, Finalistas do Agrupamento de Escolas de Tarouca, empresários que demonstraram o interesse em marcar presença e patrocinar este evento, e com certeza aos funcionários da autarquia que perceberam os objetivos e a importância deste festival e deram o melhor de si para que tudo corresse ao agrado de todos.

Este festival colocou mais uma vez Tarouca no mapa, afirmando-se com o único festival desta natureza na região, na certeza que será uma referência e uma marca no calendário de festivais a nível nacional.

José Damião






sexta-feira, 22 de julho de 2022

Um portista faz uma análise lúcida, verdadeira, objectiva, frontal.

"""Só queria perceber a saída de Francisco Conceição, autêntico crime de lesa F.C.Porto"

Ver  aqui

Sigo há muito o Blog "Dragão até à Morte", pois me identifico imenso com o pensamento e a postura do autor deste Blog que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente. Como portista, louvo e agradeço-lhe a clareza de pensamento , o apego ao nosso imortal Clube, a frontalidade de posições. Confesso que gostaria de ver a mesma postura aos comentadores ligados ao FCP presentes nos diversos programas televisivos. .
Já ouvi e li muito sobre a saída de Francisco Conceição para o Ajax. Encontrei neste blog a análise integral  que a mim me satisfaz.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

NOVO ANO PASTORAL: POR QUE NÃO OS JOVENS NO CENTRO?

Sem rasgos proféticos e pastorais a Igreja não resiste. A confiança na ação do Espírito não pode servir para indultar a intervenção humana inoperante. Nem a proliferação de diagnósticos e estudos, programas e teorias pastorais – talvez muito úteis para promover os autores – devem servir para branquear (iludir) a triste falência pastoral. Sobretudo no que respeita aos jovens e tendo em vista a Jornada Mundial da Juventude.

Há uma diferença colossal e sinistra entre “falar” do protagonismo dos jovens na Igreja e “assumir” uma pastoral com os jovens como protagonistas. Não basta dizer-lhes que são “importantes e imprescindíveis”; é necessário mostrar-lhes, pelas ações, que estamos disponíveis para caminhar com eles. Afinal, não será este o sentido pleno (autêntico, real) do Sínodo?

Segundo o Papa Francisco, «precisamos de criar mais espaços onde ressoe a voz dos jovens: A escuta torna possível um intercâmbio de dons, num contexto de empatia. Ao mesmo tempo, estabelece as condições para um anúncio do Evangelho que alcance verdadeiramente, de modo incisivo e fecundo, o coração» (CV 38). «A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé. Nós temos necessidade disto! E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós» (CV 199).

«[Os jovens] fazem-nos ver a necessidade de assumir novos estilos e estratégias. Por exemplo, enquanto os adultos procuram ter tudo programado, com reuniões periódicas e horários fixos, hoje a maioria dos jovens sente-se pouco atraída por estes esquemas pastorais. A pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade, convidando os jovens para acontecimentos que, de vez em quando, lhes proporcionem um espaço onde não só recebam uma formação, mas lhes permitam também compartilhar a vida, festejar, cantar, escutar testemunhos concretos e experimentar o encontro comunitário com o Deus vivo» (CV 204).

Assim, faz-me uma enorme confusão que a Conferência Episcopal em uníssono ou as dioceses individualmente não dediquem o próximo ano pastoral exclusivamente aos jovens. Se queremos que sejam o coração da Igreja não os podemos colocar nas franjas da pastoral. Não seria um rasgo profético que, no próximo ano, a agenda dos pastores (padres e bispos) fosse preenchida por encontros com jovens? Não é preciso um programa formal, apenas vontade e disponibilidade para estar, ouvir, sentir, conhecer, partilhar, conviver, vivenciar. E pode ser promovido de tantos modos: encontros, saraus, acampamentos, retiros, atividades lúdicas e desportivas ou pequenos momentos de oração.

Não seria mais sensato (sinodal) suspender as visitas pastorais oficiais (geográficas) e reservar a agenda para estas visitas etárias (pessoais = jovens)? Os fazedores de pastoral ainda não intuíram que “os mesmos caminhos só levam aos mesmos lugares” e, nitidamente, não nos levam aos jovens? É indecente (demagogo, hipócrita) “declarar amor” a quem apenas é tratado como sobras ou apêndice. Os jovens não podem ser “pretexto” dos trejeitos dos adultos. Eles querem (e merecem) ser o “texto” das opções, ações e prioridades.

Sem este rasgo profético e pastoral as JMJ 23 não passarão de um megaevento com jovens como tantos festivais e raves onde eles são protagonistas. Entretanto, “passou o dia, passou a romaria” e hão de regressar aos mesmos lugares e práticas, talvez agradecidos pelo momento, mas não convertidos ao Senhor; talvez encharcados nas palavras, mas não convencidos da Palavra; talvez admiradores (cultores) dos agentes, mas não seguidores do Mestre.


(P. António Magalhães Sousa), aqui