terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cinema: Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul de Bordéus

Com a invasão de França pelas tropas nazis, dezenas de milhares de refugiados começam a formar-se junto do consulado português em Bordéus, na esperança de aí obterem um visto para Portugal. Obrigado a respeitar a circular de Salazar que determinava a proibição expressa de concessão de vistos a quaisquer refugiados judeus, Sousa Mendes viveu, então, um terrível dilema: se concedesse vistos, arriscava a carreira diplomática e o sustento da sua família; se não o fizesse, todos aqueles milhares de pessoas teriam como destino os campos de concentração nazis.
Salvou mais de 30 mil vidas!!!

Vi o filme e gostei.Também se fazem filmes interessantes em Portugal.
Os homens são do tamanho dos valores que defendem. Aristides de Sousa Mendes foi, talvez por isso, um dos poucos heróis nacionais do século XX e o maior símbolo português saído da II Guerra Mundial. Em 1940, quando era cônsul em Bordéus, protagonizou a "desobediência justa". Não acatou a proibição de Salazar de se passarem vistos a refugiados: transgrediu e passou 30 mil, sobretudo a judeus. Foi demitido compulsivamente. A sua vida estilhaçou-se por completo. "É o herói vulgar. Não estava preso a causas. Estava preso a uma questão fundamental: a sua consciência", afirma o jornalista Ferreira Fernandes.
Nascido numa abastada família de antigos fidalgos de província, de Cabanas de Viriato, perto de Viseu.
Com a proibição de Salazar - que além de presidente do Conselho de Ministros era ministro dos Negócios Estrangeiros - de se passarem vistos a refugiados, sobretudo a "israelitas", Aristides de Sousa Mendes segue a sua formação humanista e católica e desobedece. Passa (com dois dos seus filhos mais velhos) milhares e milhares de vistos àqueles fugitivos, entre os dias 17 e 19 de Junho de 1940. Terão sido passados cerca de 30 mil, nesses escassos dias. "Concede vistos sem olhar a nacionalidades, etnias ou religiões. Graças a ele, Portugal ficou na história como um país que apoiou os refugiados durante a II Guerra Mundial", lembra a historiadora Irene Pimentel. "Aristides marca de forma indelével a história de Portugal porque permitiu reconciliar-nos com a nossa dignidade. Mais do que qualquer outra pessoa da sua época, dignificou o que era ser-se humano e ser-se português", diz Fernando Nobre, presidente da Fundação AMI.
 
No filme, contrastando com a dignidade altiva deste homem livre e perito em humanidade, fiel à sua consciência,  existem os "guardas-pretorianos", os "yes-men", os homens do chefe, mais papistas do que o papa, os engraxadores, os apegados à lei e à ordem, zelosos do seus postos e privilégios, sempre à procura de um lugar mais ao sol, mesmo que tal envolvesse a perda de milhares de vidas. Existem ainda os que, pouco a pouco, vão percebendo e aderindo à grande causa de salvar vidas.
 
É um filme para ver e analisar. Para nos interrogar.
É um filme óptimo para ser visto e discutido nas escolas.
Não percam se puderem.
Aristides Sousa Mendes é seguramente um "herói" a que a juventude deste tempo tem direito a ter acesso.
 

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