quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Igreja pede menos consumo

A Igreja Católica está a preparar os fiéis para um ano "extremamente difícil", apelando a uma vida mais austera, menos consumista e a uma atitude mais solidária e de partilha. Nas mensagens de Ano Novo, os bispos apelam à adopção de novos padrões de vida e a um maior empenho na prática da terceira virtude teologal: a caridade.

"A sobriedade deve abrir caminho a mais solidariedade", diz ao CM D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, que convida os católicos a "valorizarem o lado positivo da crise": "As épocas mais difíceis obrigam-nos a ter em conta o essencial, a recentrar a nossa forma de viver, subalternizando o consumismo e o material, e isso é muito importante."
Para o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, que é o responsável pela pastoral social, "é fundamental que cada cristão saiba como estão os seus vizinhos, em cada paróquia, evitando, dessa forma, que se assista a casos de fome e de abandono".
Antevendo "um mar de dificuldades" em 2013, D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco e presidente da Comissão Episcopal da Família, diz esperar que "se estreitem os laços familiares, uma vez que famílias mais fortes ultrapassam mais facilmente os problemas".
"O ano que vem anuncia-se sombrio, por isso, os cristãos têm de olhar ainda mais para o próximo. As famílias têm de ser mais fortes, mais coesas e mais solidárias", diz D. Antonino.
D. António Santos, bispo de Aveiro, apela a uma partilha diferente. "Todos nós devemos reflectir no que podemos fazer pelos outros. Em vez de dar dinheiro ou bens alimentares, apelo que, quem puder, dê emprego a quem não o tem, porque, mais do que a caridade, que também tem o seu lugar, as pessoas anseiam por oportunidades de trabalho", diz D. António Santos, que antevê o desemprego como o maior drama de 2013. "Em Aveiro são cada vez mais os sem-abrigo e, pior do que isso, cada vez mais novos", diz, lembrando que "o trabalho é a melhor forma de as pessoas reconquistarem a esperança".
Para D. António Couto, bispo de Lamego, "está na altura de as pessoas recuperarem as referências perdidas em épocas de consumo desenfreado, em tempos em que o materialismo ocupou o lugar de Deus". "Temos de viver com menos, isso é inevitável", diz D. António Couto.
 
PAPA SUGERE NOVA VISÃO DA ECONOMIA
"Cada ano novo traz consigo a expectativa de um Mundo melhor", disse ontem na bênção do Ângelus, na praça de S. Pedro, em Roma, o Papa Bento XVI, sublinhando o apelo à paz e à esperança feito na sua mensagem de Ano Novo.
O Papa diz que "a paz não é um sonho nem uma utopia", assegurando que "a paz é possível, assim os homens queiram". Sublinhando que é "incompreensivelmente" crescente a desigualdade entre ricos e pobres, Bento XVI condenou o agravar do egoísmo e do individualismo e preconizou "um novo modelo de desenvolvimento e uma nova visão da economia".
"A crise deve dar origem a um novo modelo e a actividade económica deve ser exercida com o sentido do bem comum, em compromisso como algo que ultrapasse o interesse próprio, beneficiando as gerações presentes e futuras", disse.
E nesse sentido, Bento XVI é duro com os especuladores, que fazem subir o preço das matérias-primas e dos produtos agrícolas. "O tema da segurança das provisões voltou a ser central na agenda política, por causa de crises relacionadas com as bruscas oscilações do preço das matérias-primas, com comportamentos irresponsáveis", disse.
 
DISCURSO DIRECTO
"RENEGOCIAR O MEMORANDO", Eugénio Fonseca, presidente Cáritas Portuguesa
Correio da Manhã – É possível suportar mais austeridade?
Eugénio Fonseca – Os portugueses já não têm condições para suportar mais medidas. As famílias atingiram o limite. É importante que haja medidas compensatórias, ao nível da Segurança Social, para que as medidas sejam atenuadas.
– A renegociação do memorando de entendimento seria uma forma de mudar o paradigma?
– Há muito que reclamo a renegociação. Conheço o país real e sei que estamos perante metas muito exigentes. Não teremos outra possibilidade para ultrapassar as dificuldades senão renegociarmos o memorando, desde que não venha aumentar mais os encargos com a dívida.
Fonte:  aqui

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