quarta-feira, 16 de março de 2011

'É um erro histórico não ouvir as multidões'

Na homilia da missa de abertura do ano judicial, que decorreu hoje de manhã, D. José Policarpo partiu da leitura do Evangelho das Bem-Aventuranças para traçar um retrato do estado actual do país, muito além do sistema de Justiça. Em alusão às manifestações da Geração à Rasca, que juntaram 300 mil pessoas, o cardeal-patriarca enviou mesmo um recado ao poder político: «É um erro histórico não ouvir as multidões. A reivindicação é clara: querem caminhos renovados de construção de justiça».
Perante as palavras proferidas durante a homilia, é inevitável pensar também na polémica que tem envolvido juízes responsáveis por alguns dos processos mais mediáticos, como é o caso do Face Oculta. «Bem-aventurados aqueles que sofrem, que são perseguidos, por causa da justiça. A todos os obreiros da justiça, no nosso país, eu digo: se estiverdes entre esses que sofrem, tende coragem, não desanimeis, porque está-vos destinado o Reino dos Céus», incitou D. José Policarpo.
Mas o cardeal-patriarca deixou claro que «um serviço judicial é apenas um meio nesta busca de justiça». Para D. José Policarpo, «um Estado de Direito é apenas uma dimensão de uma sociedade justa, onde a dignidade do homem seja respeitada e promovida». A justiça, reforçou, «exige renovação interior do homem».
Durante a celebração religiosa, o cardeal-patriarca mostrou que a realidade vivida por Jesus, há dois mil anos, não é muito diferente da actualidade portuguesa: «Povo sobrecarregado de impostos, limitado na sua identidade espiritual».
E perante a crise que o país vive, incentiva os portugueses a unirem-se para a construção de uma sociedade justa: «Este clamor colectivo tem de ser escutado, tem de nos mobilizar a todos para sermos justos».
Fonte: aqui

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