quarta-feira, 6 de julho de 2022
Soluções para a falta de padres
Não conhecia o bispo alemão Fritz Lobinger, um bispo missionário aposentado, que está na África do Sul, até ler o que ele escreveu sobre as soluções para lidar com a falta de padres. Até hoje existem, na sua opinião, três soluções: a tradicional, a pragmática e a reformista. No entanto, ele acrescenta-lhe uma quarta solução, que designa de “solução comunitária”.
Na solução tradicional propõe-se o aumento de oração para que hajam mais candidatos, na esperança de que os seminários se encham ou para que, ao menos, venham padres de outros países ou continentes encher as vagas deixadas nas paróquias pelos sacerdotes que vão envelhecendo e morrendo.
Na solução reformista insiste-se na abolição do celibato obrigatório, na expectativa de que isso origine um aumento significativo de candidatos. Por princípio, esta solução até admite a ordenação de mulheres.
Na solução pragmática propõe-se a distribuição por diáconos ou leigos de tarefas que eram executadas por padres.
Já a “solução comunitária”, tal como refere Lobinger, baseia-se numa visão mais profunda da Igreja, seguindo a linha do Concílio Vaticano II e procurando a vivência das primeiras comunidades cristãs. Ele propõe que as comunidades assumam novamente a responsabilidade que tem estado centralizada no padre. Inspirado por S. Paulo, sugere ainda que se introduza um novo tipo de presbítero para trabalhar ao lado do clero atual, complementando-o. Seriam líderes comunitários “aprovados” (“probati”), eventualmente casados e com as suas profissões. Embora tecnicamente ordenados, não teriam formação no Seminário e só poderiam servir a sua comunidade.
Olhando para todas estas soluções, fico com a sensação de que nenhuma delas é a solução, e que talvez um misto delas o possa ser. Sou a favor de que se aumente a oração para que hajam mais candidatos ao sacerdócio ministerial e ao compromisso laical. Sou a favor de que se repense o celibato como condição sine qua non. Sou a favor de que a missão seja assumida corresponsavelmente por todas as vocações eclesiais. E sou a favor do caminho que nos leve a formar outros tipos de lideranças nas comunidades, mais participativas e menos clericalizadas.
Fonte: aqui
quinta-feira, 23 de junho de 2022
Assisti ao debate com o Primeiro-Ministro na Assembleia da República
Ontem pus de lado outras coisas e decidi acompanhar o debate com o Primeiro-Ministro na Assembleia da República através da TV.
Confesso que não tive coragem para ir até ao fim. Cansei mesmo.
Não gostei. Nem do governo, nem do partido que o apoia, nem da oposição. Fez-me lembrar mais uma feira de vaidades do que um debate democrático visando o bem da Nação. E percebi ainda melhor os motivos pelos quais os cidadãos se afastam da política como demonstra a abstenção crescente nos actos eleitorais. Sinceramente, não entendo a cegueira e surdez dos políticos aos sinais que os cidadãos lhes enviam. É que contonuam na mesma...
Os temas levantadas até que têm interesse para o país. Só que o que parece contar é quem fica por cima, quem vence, os argumentos que arranja. E tudo em detrimento do debate salutar, aberto ao contributo de todos.
Depois aquele tempo de arrufos e amuos entre o Primeiro-Ministro é um dos líderes partidários é de uma infantilidade, meu Deus!
Também achei inqualificável aquele estilo servil, lovaminhas, do partido do governo ao governo que apoia. Apoiar o governo mas com substância, com independência...
A oposição fica a meio da sua função. Criticar vai criticando o governo. Alternativas claras, precisas, exequíveis nem vê-las!
Os senhores deputados e governantes sabiam perfeitamente que o debate estava a ser transmitido para o público via TV. Portanto, para falarem para o público era precisa uma linguagem que o grande público entendesse. Às vezes parece que aqueles senhores falam para se ouvirem a si mesmos.
A dificuldade em comunicar estende-se para lá do Parlamento. Ainda há dias uma ministra deu uma entrevista a um canal de TV. Assiste, perguntando-me: "Esta senhora está a falar para quem? Para si mesma? Ou quer falar sem nada dizer?"
Confesso que não tive coragem para ir até ao fim. Cansei mesmo.
Não gostei. Nem do governo, nem do partido que o apoia, nem da oposição. Fez-me lembrar mais uma feira de vaidades do que um debate democrático visando o bem da Nação. E percebi ainda melhor os motivos pelos quais os cidadãos se afastam da política como demonstra a abstenção crescente nos actos eleitorais. Sinceramente, não entendo a cegueira e surdez dos políticos aos sinais que os cidadãos lhes enviam. É que contonuam na mesma...
Os temas levantadas até que têm interesse para o país. Só que o que parece contar é quem fica por cima, quem vence, os argumentos que arranja. E tudo em detrimento do debate salutar, aberto ao contributo de todos.
Depois aquele tempo de arrufos e amuos entre o Primeiro-Ministro é um dos líderes partidários é de uma infantilidade, meu Deus!
Também achei inqualificável aquele estilo servil, lovaminhas, do partido do governo ao governo que apoia. Apoiar o governo mas com substância, com independência...
A oposição fica a meio da sua função. Criticar vai criticando o governo. Alternativas claras, precisas, exequíveis nem vê-las!
Os senhores deputados e governantes sabiam perfeitamente que o debate estava a ser transmitido para o público via TV. Portanto, para falarem para o público era precisa uma linguagem que o grande público entendesse. Às vezes parece que aqueles senhores falam para se ouvirem a si mesmos.
A dificuldade em comunicar estende-se para lá do Parlamento. Ainda há dias uma ministra deu uma entrevista a um canal de TV. Assiste, perguntando-me: "Esta senhora está a falar para quem? Para si mesma? Ou quer falar sem nada dizer?"
terça-feira, 21 de junho de 2022
O primeiro-ministro é mestre em dar a volta à situação
António Costa sabe que o Serviço Nacionnal de Saúde está num pântano. Apesar da infiltração crescente de dinheiro, o SNS piora de dia para dia.
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos pilares do Portugal democrático que urge aperfeiçoar e adaptar a cada tempo.
São muitos e preocupantes os problemas que afectam o SNS. Falta de profissionais, médicos, enfermeiros e outros agentes; consultas, exames médicos, intervenções cirúrgicas e especialidades com demoras quase "eternas"; falta de meios técnicos e materiais em alguns hospitais e Centros de Saúde; a administração na saúde, segundo entendidos, deixa mesmo muito a desejar... O interior, também na saúde, paga factura agravada. Quantos do interior têm de partir para os grandes centro do litoral para consultas, tratamentos intervenções, com custos agravados em todos os parâmetros!
É preciso olhar para a saúde sem talas ideológicas, apenas com a preocupação de atender bem os portugueses.
Para um bem primeiro e primário a saúde está cara. Que o diga quem recorre ao serviço privado sem apoio de algum subsistema de saúde. Que o diga qem tem de adquirir os medicamentos ou realizar os exames de diagnóstico.
Caros que sejam outros bens não essenciais. Bebidas, cigarros, bens de luxo, viagens de recreio, etc, etc. A saúde, produto de primeiríssima necessidade, deveria ser mesmo acessível a todos, fosse a pessoa tratada no público ou no privado.
A saúde afecta a todos. Por isso, pode deixar o governo sob "fogo intenso". Há que dar uma volta à situação. E nisso é perito o primeiro-ministro. Trouxe para a praça pública as pensões de reforma para as quais anuncia "um aumento histórico" a partir de janeiro próximo.
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos pilares do Portugal democrático que urge aperfeiçoar e adaptar a cada tempo.
São muitos e preocupantes os problemas que afectam o SNS. Falta de profissionais, médicos, enfermeiros e outros agentes; consultas, exames médicos, intervenções cirúrgicas e especialidades com demoras quase "eternas"; falta de meios técnicos e materiais em alguns hospitais e Centros de Saúde; a administração na saúde, segundo entendidos, deixa mesmo muito a desejar... O interior, também na saúde, paga factura agravada. Quantos do interior têm de partir para os grandes centro do litoral para consultas, tratamentos intervenções, com custos agravados em todos os parâmetros!
É preciso olhar para a saúde sem talas ideológicas, apenas com a preocupação de atender bem os portugueses.
Para um bem primeiro e primário a saúde está cara. Que o diga quem recorre ao serviço privado sem apoio de algum subsistema de saúde. Que o diga qem tem de adquirir os medicamentos ou realizar os exames de diagnóstico.
Caros que sejam outros bens não essenciais. Bebidas, cigarros, bens de luxo, viagens de recreio, etc, etc. A saúde, produto de primeiríssima necessidade, deveria ser mesmo acessível a todos, fosse a pessoa tratada no público ou no privado.
A saúde afecta a todos. Por isso, pode deixar o governo sob "fogo intenso". Há que dar uma volta à situação. E nisso é perito o primeiro-ministro. Trouxe para a praça pública as pensões de reforma para as quais anuncia "um aumento histórico" a partir de janeiro próximo.
sexta-feira, 17 de junho de 2022
segunda-feira, 13 de junho de 2022
Uma Igreja que é "fim de via" para alguém, nunca será a Igreja de Jesus Cristo
É licenciada em Germânicas. Fora minha colega na escola onde ambos leccionámos. Acabou por efectivar numa escola no Centro do país. Por lá ficara e por lá acabou por casar e criar os filhos.
Ficámos amigos
e, sempre que nos é possível, entramos em contacto, sobretudo pelo Messenger.
Fora sempre uma
cristã convicta e dinâmica nas comunidades cristãs por onde passou.
E é dentro
desta vivência cristã que me contou esta situação. Fê-lo com enorme sofrimento
que eu partilho depois do que ouvi.
Há na paróquia onde
reside um rapaz que fora em tempos seu catequizando. Este jovem acabou por
entrar para o Seminário onde esteve até completar o 5º ano de Teologia, sempre elogiado
pelos seus superiores.
Até que no fim
do 5º ano, surgiu uma situação. Grave, como o jovem reconheceu. Foi chamado aos
superiores e expulso, sem apelo nem agravo.
O rapaz saiu,
na certeza de o motivo da expulsão ser grave. Não lhe foi dada qualquer
alternativa, a não ser sair e sair!
Veio para o mundo
com dois pesadelos: a expulsão como ferrete e a queda do sonho que sempre o
iluminou: ser padre!
Cá fora, meteu mãos
à obra e tirou um curso superior que lhe garante o pão de cada dia. Mas sempre
a mesma vivência: católico convicto, apóstolo, colaborador leal da Paróquia,
profissional empenhado e exemplar. Está no coração da comunidade cristã que
lhe reconhece o mérito de ser um dos principais intervenientes. Vida sempre
exemplar em todos os aspectos.
Muitas vezes,
mais velhos e mais novos lhe põem a questão: porque não vais para padre? Ao que
ele responde: estou disponível, falta que a Igreja me chame!
A minha amiga
manifestava-se escandalizada. Desde que mandaram o rapaz embora há 6 anos, nem mais um
telefonema, uma conversa, uma presença. Nem dos superiores do Seminário nem do
Bispo, nem da diocese. E acrescentava a minha colega: “Depois fala o Papa em ir
às periferias”. Como é possível se nem as periferias que existem na Igreja ou
que os que têm poder na Igreja criam, merecem qualquer preocupação?
Os seus superiores, tão rápidos e fulminantes a julgar e a condenar, mostram-se agora completasmente indiferentes face ao percurso de vida, à emenda e à forma exemplar como o rapaz está na vida. O pecado farisaico e indecente da indiferença! Diz o Papa: "A indiferença mata!"
Como posso ser feliz,
Se àquele meu Irmão
Eu fechei meu coração,
o futuro lhe proibi?
Diz o povo que “perna
quebrada e consertada já não é quebrada.”
A igreja NÃO pode ser fim de via para ninguém!!! A igreja, à semelhança
de Cristo, tem que ser sempre nova oportunidade. Todos chamados à conversão,
todos chamados a nova oportunidade.
Não queremos
uma “Igreja mundana”, orientada por um justicialismo mundanista, ao nível do “olho
por olho” do Antigo Testamento. Queremos uma Igreja do Novo testamento, que proclama
que o “melhor nome de Deus é misericórdia”. Uma Igreja que anuncia, vive e celebra
o perdão! “Se o meu irmão me ofender,
quantas vezes lhe deverei perdoar? Até 7 vezes? Não te digo até 7 vezes, mas
até 70 vezes sete.” (Evangelho)
Não é do "olho por olho" que o mundo está à espera. Isso já ele pratica à saciedade com as consequências que todos conhecemos. O mundo espera da Igreja a boa nova do perdão que implica a conversão. Perdão com o sabor genuíno que brota da vida e obra de Jesus Cristo.
Uma Igreja que é sempre notícia fresca pela perdão que vive!
Com a minha
colega, também pergunto: o que aconteceria a S. Pedro diante da Igreja de
hoje? Não cometeu ele um crime de alta traição
quando negou Jesus por 3 vezes?
Reparemos que
Jesus nem sequer um raspanete lhe deu. Olhou-o apenas e Pedro chorou o seu
pecado. Jesus não lhe tirou o lugar que tinha na comunidade cristã. Não o
demitiu, não o expulsou. Manteve-o como 1º Papa. Jesus não quer mesmo ser fim de via para
ninguém!
Que a Igreja
queira ao menos estar ao serviço da misericórdia! Se fizer isso, compreendeu o fundamental da Mensagem e da Vida de Cristo.
A idoneidade do padrinho
![]() |
| interrogação? |
Por isso não faz sentido que alguém venha pedir uma declaração de idoneidade para que um adolescente de 12 anos, sem maturidade e sem ter o sacramento da confirmação, com uma vida de fé que podemos designar de afastada, ainda que frequente a catequese, possa exercer a missão de padrinho. Mas a mãe do adolescente pede, quase exige, porque o pároco do local onde vai ser baptizado aceita, desde que apresente uma declaração de idoneidade, sabendo este colega, à partida, que o adolescente não possui a tal idoneidade. Passa a bola para canto. Lava as mãos como Pilatos. Sossega-se e à sua consciência, na esperança de que outros decidam por ele, a favor ou a desfavor. E lá vamos nós ao mesmo de sempre, desbaratando sacramentos. Na verdade, eu não sou ninguém para garantir ou não garantir a idoneidade de alguém. Nem as leis o podem garantir. Porém, ao menos que este sacerdote assumisse a decisão, por uma questão de assumir uma coerência. Por isso é que sou de opinião que, se não se consegue proceder com autenticidade nesta matéria, que se reveja a necessidade da figura do “padrinho”. Ao menos, deixamos de fazer de conta…
Fonte: aqui
segunda-feira, 30 de maio de 2022
Era da modernidade líquida
A era da modernidade líquida, onde a principal marca são as relações frouxas, flexíveis, sem um vínculo profundo com algo.
“Eles (os jovens) podem consumir uma música evangélica, comprar um terço católico, usar um incenso budista. Eles não têm uma religião oficial, mas podem ter sua religiosidade particular”, explica Gerson Leite de Moraes, teólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Num mundo onde se busca liberdade de pensamento, os jovens querem mais é viver longe de amarras, opressões e definições.
Fonte: aqui
Tanta vez que a vontade de viver "longe de amarras" é o caminho mais perto para formas de dependência mais subtis, mas terrivelmente tirânicas!
quinta-feira, 26 de maio de 2022
sexta-feira, 20 de maio de 2022
Porque está a Igreja a falhar no Ocidente?
Da próxima vez que tivermos uma discussão sobre o porquê de a Igreja estar a falhar, não convidem os teólogos; convidem sociólogos, psicólogos, artistas, músicos e as pessoas que deixaram a Igreja.
Existem inúmeros sinais de que a Igreja Católica está a falhar nos países ocidentais. Há poucas vocações, a participação na igreja está em baixo e os jovens estão a deixar a igreja em massa. Há tantas teorias que explicam esse declínio quanto há comentadores, mas as teorias podem ser reunidas em dois pontos principais: aqueles que culpam a cultura e aqueles que culpam a própria igreja.
A hierarquia católica tende a culpar a cultura contemporânea pelos problemas da Igreja. Consumismo, individualismo e secularismo encabeçam a lista de forças negativas. Os média bombardeiam as pessoas com imagens e mensagens que são antitéticas ao cristianismo: a felicidade vem do sexo, dinheiro e poder. A vida está muito ocupada com trabalho e lazer para haver tempo para a religião.
As estruturas sociais que sustentavam a religião também enfraqueceram.
Os bairros étnicos que dantes reforçavam as comunidades e os valores religiosos viram um declínio à medida que os seus moradores foram deslocados para os subúrbios. À medida que os católicos aderiram ao mainstream, perderam as suas raízes. Menos crianças vão para escolas católicas. Os casamentos inter-religiosos aumentaram à medida que os jovens católicos socializam com não-católicos. À medida que se tornavam mais instruídos, eram menos propensos a seguir o clero sem fazer perguntas.
Há muita verdade nesta explicação cultural para as falhas da igreja, mas culpar a cultura é como culpar o clima. Este é o mundo em que vivemos; aprendam a lidar com isso. Retirarmo-nos para um gueto católico não é uma opção.
A teoria de que a própria Igreja é a culpada pelo seu declínio apresenta uma versão conservadora e outra liberal. Ambas culpam a hierarquia por não lidar adequadamente com a crise dos abusos sexuais. Os liberais sublinham a falta de responsabilidade e o envolvimento dos leigos, enquanto os conservadores apontam o dedo aos padres homossexuais.
Os conservadores também culpam as mudanças na Igreja ordenadas pelo Concílio Vaticano II. Antes do concílio, a Igreja era uma rocha de estabilidade e certeza num mundo tempestuoso. A mudança minou a credibilidade da Igreja porque a mudança foi uma admissão de que a Igreja estava errada no passado. Numa semana iria para o inferno por comer carne na sexta-feira; na semana seguinte estava tudo bem. Num ano ano disseram que a missa seria sempre em latim; no ano seguinte seria em inglês.
Os conservadores também culpam os teólogos por confundirem o povo ao debaterem publicamente questões morais e doutrinárias que a hierarquia diz serem ensinamentos definitivos. Também acreditam que a mensagem de justiça social da igreja distrai dos seus dogmas tradicionais. Alguns argumentam que o diálogo ecuménico e inter-religioso levou à crença de que todas as religiões são igualmente válidas. Sublinhar o papel dos leigos na Igreja tirou o padre do seu pedestal e tornou o sacerdócio menos atraente.
Os conservadores acreditam que o Papa Francisco está a caminhar na direcção errada e rezam por um regresso às políticas dos Papas João Paulo II e Bento XVI.
A versão liberal, por sua vez, aponta o dedo à hierarquia.
Os liberais acreditam que o Vaticano II foi apenas o começo das reformas necessárias à Igreja. Eles acreditam que a hierarquia, especialmente João Paulo II, temia o caos na Igreja e encerrou qualquer reforma adicional. Os documentos do Concílio foram interpretados por uma lente conservadora, e os teólogos foram rotulados de dissidentes e silenciados se não seguissem a linha do Vaticano.
Comentadores como o Pe. Andrew Greeley acreditavam que a hierarquia perdeu os leigos quando o Papa Paulo VI reafirmou a proibição da Igreja contra o controlo artificial da natalidade. O ensino foi rejeitado tanto pelos teólogos morais, quanto pelos leigos.
Negar a comunhão a católicos divorciados e recasados também tem sido problemático para os casais e para os seus filhos.
Os liberais também culpam a hierarquia pela crise vocacional porque, argumentam, haveria muitos padres se pudessem casar, e ainda mais se as mulheres tivessem permissão para serem ordenadas.
Os liberais também argumentam que a oposição da hierarquia ao aborto e aos direitos dos homossexuais alienaram muitas pessoas, especialmente os jovens. As pessoas também foram alienadas por bispos que negam a Comunhão a certos políticos democratas.
Os liberais dizem que a hierarquia está a seguir o mesmo caminho que escolheu na Europa, onde alienou as classes trabalhadoras no século XIX com a sua aliança com as classes altas. Durante grande parte do século XX, o anticlericalismo era inexistente na América porque os bispos estavam do lado dos sindicatos e das classes trabalhadoras. O anticlericalismo só floresceu quando os bispos se alinharam com o Partido Republicano contra o aborto e os direitos dos homossexuais.
Como cientista social, acredito que a preponderância de evidências apoia a explicação liberal do declínio da igreja, mas acho que os conservadores apontam alguns pontos positivos. Certamente que as mudanças após o Vaticano II não foram bem explicadas ou implementadas. O clero estava tão confuso quanto os leigos. E os liberais precisam de explicar o porquê de mais católicos se estarem a juntar a igrejas evangélicas do que a igrejas liberais.
Um dos problemas com todas essas teorias, no entanto, é que elas foram desenvolvidas por teólogos que acreditam que as ideias são o que motivam os humanos. As ideias são importantes, mas a experiência muitas vezes é mais importante.
Muitas pessoas permanecem na Igreja mesmo discordando de alguns ensinamentos da Igreja. Mas uma experiência má numa confissão, num casamento ou num funeral pode afastar as pessoas para sempre. Mais pessoas são expulsas da Igreja por padres arrogantes do que por divergências sobre teologia. É por isso que Francisco é tão crítico sobre o clericalismo.
E o facto é que perdemos mais pessoas por tédio do que por teologia. Agora que as pessoas não acreditam que vão para o inferno por faltar à missa ao Domingo, não irão a menos que beneficiem da experiência.
Se a pregação for monótona, se a música não os comover, se não se sentirem acolhidos, então não vão voltar. Se a Missa é vista como algo que o padre faz, se as Escrituras são de domínio do clero, se não há senso de comunidade, então porquê ir?
É por isso que muitos católicos são atraídos pelas igrejas evangélicas. As ideias são importantes, mas o catolicismo também deve ser uma experiência vivida que seja relevante para a vida dos fiéis. A igreja pré-Vaticano II proporcionou tais experiências nas devoções populares. Depois do Vaticano II, a liturgia deveria proporcionar essa experiência, mas muitas vezes isso não aconteceu.
Então, da próxima vez que tivermos uma discussão sobre o porquê de a Igreja estar a falhar, não convidem os teólogos; convidem sociólogos, psicólogos, artistas, músicos e as pessoas que deixaram a Igreja.
Artigo do Pe. Thomas Reese, sj, publicado no National Catholic Reporter a 13 de Maio de 2022.
Fonte: aqui
sexta-feira, 13 de maio de 2022
O sexo não é o centro do cristianismo
Jesus não nos disse nada sobre sexualidade, mas disse-nos que não devemos julgar os outros.
Rainha da paz, daí a paz ao mundo. Tocai e iluminai as mentes, os corações e as vontades dos homens para que cessem as guerras, e os conflitos sejam resolvidos pelo diálogo e a justa negociação. (Jorge Guarda)
Mãe do puro amor, ensina-nos que não devemos julgar os outros.
Por vezes, é muito cansativo assistir à consagração da ideia de que o sexo – em qualquer das suas variantes ou temáticas – é o centro da moral cristã. Não é. Não há nada na Bíblia e sobretudo no Evangelho que permita dizer que a sexualidade é o alfa da ética cristã.
Se lermos o Evangelho com atenção, vamos perceber que Jesus não está nem aí para o sexo; Ele nada nos diz sobre o tema, porque o tema é secundário, não é o centro.
Aliás, até se pode dizer que Jesus é bastante irreverente e alternativo na questão. Quem é que O vê ou sente pela primeira vez após a ressurreição? Madalena, prostituta. E o que dizer dos telhados de vidro e das pedras? É bom que se saiba que, para Jesus, um fariseu (isto é, um beato de coração frio) pode estar mais perto do inferno do que uma prostituta. Sim, é certo que convém não ser nenhuma das duas opções (prostituta e fariseu), mas convém perceber que os espíritos que se julgam virtuosos e sexualmente perfeitos do ponto de vista moral e que julgam os outros considerados “impuros” estão mais fundos no inferno do que uma call girl. Jesus não nos disse nada sobre sexualidade, mas disse-nos que não devemos julgar os outros.
É por isso que concordo em absoluto com este belo artigo da Inês Teotónio Pereira. A ideia de que o sexo é o centro da ética cristã é uma confusão veiculada e mantida por boa parte dos cristãos, que perdem mais tempo com este tema do que com todos os outros juntos.
Como sair disto? Não temos aqui espaço para discutir a curva errada de Santo Agostinho, mas lá chegaremos. Por ora era importante que igreja e fiéis percebessem uma coisa: há que desenvolver uma abordagem à questão que seja realista em relação aos jovens de hoje e que seja sobretudo um eco da mensagem de Jesus. Não fazer isto é deixar os jovens cristãos num vazio.
OPINIÃO DE HENRIQUE RAPOSO, aqui
sábado, 7 de maio de 2022
Futebol Clube do Porto, Campeão Nacional 2021/2022
Vencendo o jogo com o Benfica no Estádio da Luz por uma bola a zero, os portistas confirmaram a vitória neste campeonato que termina no próximo fim-de-semana.
O F. C. Porto pode ainda conquistar a dobradinha se vencer o jogo da final da Taça de Portugal daqui a 15 dias.
Na minha modesta opinião, foi uma vitória justa, sem espinhos. Os portistas foram a melhor equipa no cômputo geral da época. Ora se tivermos em conta que em janeiro o Porto perdeu o considerado melhor jogador da Liga, o Diaz, além de S. Oliveira e Corona, percebe-se o enorme trabalho desenvolvido pela equipa técnica e pelos atletas, num quadro de grandes dificuldade4s económiucas pelas quais passa o Clube.
Saliento ainda o lançamento de um grupo de jovens vindos da formação: João Mário, Diogo Costa, Fábio Vieira, Vitinha, Francisco Conceição que singraram e deram qualidade à equipa.
Parabéns, Futebol Clube do Porto!
Parabéns a todas as outras equipas que deram o melhor que puderam em prol da dignidade da competição!
sexta-feira, 6 de maio de 2022
quarta-feira, 4 de maio de 2022
"os ‘voltares’ à Igreja"
"O Manuel e a Maria casaram pela Igreja. Escolhi-lhes estes nomes para significarem os outros nomes daqueles que ainda se casam pela Igreja e nunca mais foram vistos na Igreja. Não são assim tantos. São cada vez menos. Mas são quase uma maioria dentro daqueles que ainda se casam pela Igreja. Casam e voltam novamente para baptizar o filho que agora trazem ao colo. Acham que tem de ser assim e são honestos no seu achar. Voltam porque ainda há uma ligação com a Igreja, mesmo que seja como um supermercado. Isso é o que fazem no resto das suas vidas numa sociedade que fomenta o consumo de bens, de coisas, de pessoas, de vidas, de espiritualidades. E os que estão à frente das nossas comunidades cristãs, os padres, vamos aceitando estas intermitências e tentamos - ao menos eu tento - fazer destes ‘voltares’ um momento de acolhimento e de gestação. Contudo, por dentro, o que mais me apetecia era dizer umas palavras indignas de serem palavras, vociferar e gritar que Deus nos ama e que isso é muito mais forte e intenso que um baptismo, um casamento ou qualquer outra expressão sacramental ou ritual que a Igreja tem à disposição. O Deus que nos ama é o que a Igreja deveria ter para oferecer e o que as pessoas deveriam buscar quando se abeiram da Igreja."
Fonte: aqui
segunda-feira, 2 de maio de 2022
A FALÊNCIA DO DOMINGO (Do trabalho aos não praticantes)
Por que razão os deputados da Assembleia não votam o fim do trabalho ao domingo, mormente em hipermercados e centros comerciais? A cruzada contra o abuso do sal e açúcar ou do consumo de carnes não devia alargar-se à promoção do tempo e dignidade do ser humano? O descanso (lazer, convívio) é essencial para o bem-estar.
O medo de afrontar os tubarões do capital (subsidiários dos partidos) ou de baixar a colheita de impostos tolhe-os. O domingo, em vez de facilitar a convivência e paz familiares, é uma máquina de tortura: desespero pela vinda de uns, diligência na partida de outros. Verdadeiro corrupio de agentes laborais.
A solução, numa sociedade culta e madura, poderia passar pelo boicote dos cidadãos = consumidores. Se o domingo, em vez de ser dia de “ir às compras” ou “passear no shopping”, fosse empregue para visitar familiares e amigos ou jardins e espaços de lazer, dormir a sesta ou “pôr a conversa em dia”, não haveria necessidade de legislar. Mas, mudar mentes e hábitos em Portugal, só mesmo por decreto.
O domingo foi, na história do cristianismo, um pilar da sua identidade, por celebrar o descanso após a criação e a vitória pascal de Jesus sobre a morte. Os cristãos, fiéis aos Mandamentos, guardavam-no para ir à missa (reunir-se à volta da Mesa) desfadigar e reunir a família.
Todos os papas têm insistido no sentido, lugar e importância do “Dia do Senhor”. No entanto, alguns cristãos preferem curtir a noite de sábado e dormir no dia seguinte. Outros ocupam-no com caminhadas, passeios de bicicleta, futebol e iniciativas diversas. E há quem faça dele mais uma jornada de trabalho.
Invertidas as prioridades, falta tempo (vontade?) para o essencial: missa, convívio familiar, descanso. Sem a comunhão das mesas (igreja e família), arrefecem os afetos, esbanja-se o simbólico e a fé definha. Uma militância lúgubre, sem deferência pela doutrina e tradição, vergada a modas e ambições, dando de barato que “santificar domingos e festas de guarda” é cantilena de sacristia… E até ousam uivar, de peito feito e insultando a inteligência, “sou católico não praticante”, numa confissão sublime de hipocrisia e demagogia.
(P. António Magalhães Sousa, Facebook)
segunda-feira, 25 de abril de 2022
Sondagem indica que a maioria dos portugueses tem como importante o 25 de Abril
Os portugueses mantêm uma perceção muito positiva do 25 de Abril, 48 anos após a Revolução: segundo uma sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF, 83% consideram que esse acontecimento foi importante ou muito importante para o país, contra 5% que o veem como irrelevante. Há ainda 78% de inquiridos que o consideram importante ou muito importante para a democracia atual. Já a situação do país oferece mais reservas: a percentagem de satisfeitos não passa dos 57% e há 21% de descontentes. No que toca à importância do 25 de Abril para o país, os mais novos (18-34 anos) são os que atribuem maior relevância a esse acontecimento.
As Forças Armadas (FA), a Presidência da República (PR) e as Forças Policiais (FP) são as instituições em quem os portugueses mais confiam, de entre as nove consideradas na sondagem da Aximage. Do total de inquiridos, 50% disseram ter uma confiança grande ou muito grande nos militares, 49% em Marcelo Rebelo de Sousa e 42% na polícia. No polo oposto estão os tribunais e juízes (46% de desconfiança), os sindicatos (43%) e os média (38%).
Metade dos portugueses que responderam à sondagem refere que reduzir o fosso salarial seria a melhor forma de reforçar a democracia.
Militares, presidente e polícia no topoAs Forças Armadas (FA), a Presidência da República (PR) e as Forças Policiais (FP) são as instituições em quem os portugueses mais confiam, de entre as nove consideradas na sondagem da Aximage. Do total de inquiridos, 50% disseram ter uma confiança grande ou muito grande nos militares, 49% em Marcelo Rebelo de Sousa e 42% na polícia. No polo oposto estão os tribunais e juízes (46% de desconfiança), os sindicatos (43%) e os média (38%).
Fonte: aqui
sábado, 16 de abril de 2022
segunda-feira, 11 de abril de 2022
Subscrever:
Mensagens (Atom)















