quarta-feira, 27 de abril de 2016

As mulheres-mães


Contava-me, há dias, uma senhora com uma criança de quatro anos:
– Ontem o meu filho disse-me: "Hoje ficas todo o dia comigo, pois ontem estiveste sempre a trabalhar".
O trabalho com horário completo das mães com filhos pequenos e sem folgas para estarem e brincarem com eles é uma violência contra elas e os próprios filhos. E sabemos que muitas mulheres continuam a ter ainda que fazer sozinhas toda a vida de casa. Cozinhar, limpar, arrumar – tudo é com elas.
Todos gostaríamos que houvesse mais filhos. "Economias fortes e sistemas geríveis de pensões de reforma dependem simultaneamente de taxas de fertilidade e de taxas de emprego mais altas". É a OCDE, a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico, que o diz, ao apresentar a série "Bebés e Patrões".
O relatório daquela série sobre Portugal refere ser elevada a percentagem das portuguesas que trabalha: quase dois terços. Sublinha que mais de quatro quintos estão a tempo completo. É uma proporção muito elevada: na Suíça é 55 por cento. A OCDE diz ao Estado para dar mais dinheiro aos pais que tratam dos filhos em vez de o entregar a organizações. Sugere também que dê mais aos pais com menos dinheiro – através dos impostos ou da segurança social. A solução da OCDE para o trabalho feminino está no reforço do tempo parcial. A OCDE tem também uma palavra para os patrões. Como a maternidade encarece o trabalho feminino, ou o Estado compensa este encarecimento ou o empresário tem que discriminar as mulheres. Por isso esta organização manda-o dar mais benefícios às empresas que aceitam responsabilidade pela fertilidade. O relatório sugere ainda aos patrões que ofereçam horários mais flexíveis às mães ou aos pais que tomem conta dos filhos.
Outrora as mulheres trabalhavam em casa ou no campo, mas por conta própria. Assim, tinham mais disponibilidade para estar com os filhos. E as crianças ganhavam com isso. Hoje até há quem se esqueça de ir buscar o filho à creche ou tempos livres. De quem será a culpa?
Fonte: aqui

Sem comentários: