domingo, 1 de dezembro de 2013

Isto não era costume acontecer para os lados do Dragão...

Porque o Benfica e o Sporting  venceram hoje, o Porto caiu para o 3º lugar, a dois ponto dos líderes.
Ainda há quatro jornadas atrás, o Porto tinha 5 pontos de avanço sobre os mais diretos adversários.  Em 3 jornadas, perdeu 7 pontos!!! Dois empates (Belenenses e Nacional) e uma derrota (Académica).



Alguns dados:
- Apesar de estarmos no primeiro terço das provas, o Porto perdeu pontos em várias partidas em que esteve a vencer - Estoril, Atlético de Madrid, Belenenses, Nacional, Zenit (fora). Penso que em todas estas situações, a perda de pontos ficou-se a dever a graves erros defensivos, coisa que até à presente temporada era impensável. Aliás a equipa do Porto era conhecida pela enorme segurança defensiva que patenteava.
- Para a Liga dos Campeões, o Porto não ganhou um único jogo em casa.  O seu apuramento para os oitavos de final está seriamente comprometido, embora "enquanto há vida, há esperança". Realisticamente, o mais certo é a equipa cair para a Liga Europa. E o grupo que lhe calhau até era acessível!
- Tirando algumas partidas no início da época, o futebol praticado não vence nem convence, o que tem deixado em polvorosa a exigente massa adepta. Falta garra, futebol ligado, pressão, entusiasmo, inteligência. Falta equipa, restando um futebol aos repelões.

Algumas explicações explicitadas nas televisões e nos jornais:
- A venda dos passes de James e, sobretudo, Moutinho, deixaram um vazio que não é fácil de preencher devidamente.
- As aquisições não estão à altura das necessidades e exigências de um grande clube como o Porto.
- O treinador, Paulo Fonseca, não está ainda preparado para a assumir o comando técnico de uma equipa como o Porto. Pinto da Costa, que normalmente acerta nos treinadores que contrata, também se engana.
- O treinador não tem carisma, nem discurso, nem postura que o cargo de técnico do Porto exige.
- A estrutura do Porto já não é o que era e os erros sucedem-se. A blindada e eficacíssima estrutura portista tem cometido vários erros de casting, de gestão e de blindagem.
- O fim de ciclo. Os ciclos que até há poucos anos eram de vários anos, atualmente são mais curtos, devido à diferenciação crescente entre as agremiações muito ricas e as outras.  Os clubes ricos desencantam os melhores atletas dos outros clubes, criando-lhes instabilidade e desejo de mudança rápida pela procura de melhores condições salariais e de prestígio.
- Tirando o Sporting, as equipas Bês não estão a gerar mais valias para a equipa A. No Porto então ainda é mais evidente.
- Desequilíbrios na formação do plantel do Porto 2013/2014. Não há suplentes para as laterais, os extremos não estão à altura das necessidades e exigências, não chegou ninguém para o meio-campo, capaz de fazer esquecer Moutinho.
- O modelo de jogo posto em prática pelo treinador não está a resultar, mormente o triângulo invertido do meio-campo. A maioria dos comentadores insiste e persiste nesta tecla.
- Surgem protestos e lenços brancos. Habituados a ver o seu clube a ganhar, sentindo o afinco com que os seus jogadores se entregavam à luta, os adeptos protestam. E no Porto o protesto tem o calor do aplauso. É mesmo a sério.
Não aplaudo o lançamento de petardos, nem os insultos, nem qualquer forma de violência. O antidesportivíssimo é - e só pode - ser condenável.
Mas quem trabalha naquela casa, sabe perfeitamente diferenciar quando se perde e se perde. Recordo-me que há anos, no tempo de Mourinho, o Porto perdeu em casa num jogo europeu. No fim do encontro, os adeptos, de pé, aplaudiram a equipa. Porque os atletas "tinham comido a relva". Só que em futebol nem sempre ganha quem joga mais ou se aplica mais.
Sabem qual foi a reação de Mourinho no fim do jogo? Disse que apenas estava jogado meio tempo, faltava o outro meio. Que nada estava perdido. Resultado: o Porto foi ganhar a casa do adversário e passou a eliminatória. É desse tipo de treinadores que os adeptos gostam.

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