terça-feira, 10 de dezembro de 2013

No dia dos Direitos Humanos

"Hoje celebra-se o dia mundial dos Direitos Humanos. Veja aqui.

Um bom pretexto para falar aqui de  aspetos de elevada importância. Não cuidem que vou falar da fome no mundo, da guerra em alguns lugares da terra, do tráfico humano, da violação de crianças e da violência doméstica, da insegurança... Obviamente, que são assuntos que merecem o meu maior respeito e reflexão profunda. Não será para agora" (aqui).

 Assisti ontem ao programa de Fátima Campos Ferreira, Prós e Contra, «A Revolução do Papa Francisco». Confesso que não me encheu as medidas, pois esperava muito mais.
 "No referido programa, o professor Freitas do Amaral afirmou, estamos a regredir, já estamos ao nível do Estado Novo, daqui a dias estamos ao nível da Primeira República, a seguir à Monarquia e depois vamos chegar até à Idade Média? – De facto, estamos a regredir e a tratarmos as pessoas desta forma, temo que já estejamos ao nível da escravatura e a violar os Direitos Humanos de forma despudorada e com a maior das insensibilidades" (aqui) . 

1. Os idosos. Grande parte deles trabalhou imenso e durante muitos anos. Só muito poucos tem uma reforma condigna. A maioria usufrui reformas baixíssimas que a crise deixa mais baixas ainda. Alguns tiram à boca para poderem comprar os remédios; outros, já nem isso...
Esta gente que deu a este país tudo, recebe agora do país a dependência. Sim, dependência dos filhos e/ou da solidariedade social para poder sobreviver. E porque não têm voz nem vez, sofrem calados e sofredores a injustiça. 
Enquanto isto, um grupo privilegiado tem reformas de luxo, ofensa ao sofrimento rastejante da maioria!  Penso que nenhuma reforma deveria ultrapassar os dois mil euros. Assim os que têm menos poderiam receber um pouquinho mais. A um rico, cinco euros nem "aquenta, nem arrefenta", mas a um pobre...

2. Como é que a sociedade barafusta, insurge-se, exige, escreve, manifesta-se contra os maus tratos aos animais, mas permanece insensível, impávida, calada, indiferente aos milhares e milhares de pessoa que vivem na rua? Querem melhor exemplo de maus tratos? É lógica, compreensível, humana a preocupação com os animais. Mas é ilógica, incompreensível e desumana a indiferença perante a exclusão social de pessoas.
Como é que a sociedade, os sindicatos, os partidos, as associações patronais, ficam calados ao verem um velho ou uma criança a vasculhar no lixo algo para comer?
Se aparece um cão ou um gato abandonados, ui, gritaria imensa! Mas se aparece uma pessoa a dormir num contentor, num saco de cartão ou embrulhado num cobertor na rua, nem notícia é, nem comentário merece! Que miserável falta de humanismo! Parece que estamos a reviver o fim do Império Romano...

3. Gostei de ver ontem, no programa acima referido, o desejo de mais intervenção proféticas por parte da hierarquia da Igreja portuguesa. Vários assinalaram este facto.
Há muito me parece que a Igreja portuguesa meteu a "profecia na gaveta". E não mostra garra, audácia, para acompanhar o ritmo de Francisco. Continua agarrada a velhas temáticas, velhas linguagens, velhos interesses, muito fechada sobre si mesma, pouco disponível para as periferias. Mais reativa do que pró-ativa.
Já Bento XVI dizia que a Igreja não deve ficar só na prática da solidariedade, mas empenhar-se profundamente nas questões atinentes à justiça social. Isto exige profecia, saída da "caixa de comodidade", ousadia. E aqui os pobres só têm que ocupar o 1º lugar das suas preocupações.

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