sábado, 25 de fevereiro de 2012

Discordo, senhores estudantes de medicina!

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) considera que o "exagerado número de vagas em medicina põe em causa a qualidade da formação" dos futuros médicos, defendendo a diminuição do número de vagas. Em comunicado emitido na sexta-feira, a ANEM afirma que "o aumento do número de estudantes cria sérios riscos de deterioração do ensino tutorial, pela desadequação dos rácios tutor-aluno".
Reconhecendo que "as escolas médicas envidaram sérios esforços para se adequarem a este crescendo de estudantes", a ANEM entende que "esta reserva está esgotada".
Outra preocupação apontada pela Associação é a "incapacidade do Sistema de Saúde, com demonstrada saturação das suas capacidades formativas, em absorver os atuais estudantes de medicina", alertando que "não se justifica o investimento em formação que excede as necessidades do país e cria desemprego qualificado".
Por tudo isto, a ANEM considera que é necessária uma "redução do número total de vagas", uma vez que "só assim será possível garantir a excelência da formação médica, que se traduz na qualidade dos cuidados de saúde".
Fonte: aqui


POIS...
1. 9,3% dos médicos em Portugal são estrangeiros.
2. Temos 1,2 milhões de portugueses  sem médico de família.
3. A formação de um médico custa ao contribuinte perto de 100,000 euros (desde a primária até ao internato).
4. Estes estudantes aprendem muito bem as pisadas corporativas da Ordem dos Médicos. NÃO QUEREM CONCORRÊNCIA! Quando estavam cá fora gritavam pela abertura de mais vagas. Agora que estão dentro...
5. Diz o comunicado que"não se justifica o investimento em formação que excede as necessidades do país e cria desemprego qualificado".
Esta é boa! Então que hão-de dizer os estudantes de engenharia, arquitectura, enfermagem, cursos para a docência, etc??? Em último caso, teríamos que fechar as universidades...
6. Há uns tempos a esta parte, exige-se um média altíssima para entrar em medicina. Mas será que um aluno com 19 virá a ser melhor médico do que um aluno de 15? Conheço óptimos médicos que, com as exigências actuais no que toca a média de entrada, nunca seriam médicos. Não seria de usar antes testes psicotécnicos para escolha de candidatos? Não custa a admitir que há gente a entrar nas faculdades de medicina mais por estatuto, prestígio e dinheiro do que por vocação. (Posteriormente, o Director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto veio exactamente falar da necessidade de "haver sempre entrevista para se escolher os alunos pela personalidade, pela vocação" - ver aqui).
7. Sempre me impressionou a fragilidade dos decisores políticos diante do porder corporativo da classe médica. Aliás mantenho bem viva uma frase que ouvi em tempos a um político:  "Já viu o que aconteceria a um governo se os médicos fizessem greve durante 8 dias?..."
8. Existe uma mania, muito portuguesa, dos cursos de prestígio que se refecte depois na postura de alguns titulares de certos diplomas. Foi o que ouvi certa vez a um médico espanhol: "Em Portugal os médicos são doutores; aqui em Espanha, os médicos são médicos!" Sábia observação.
9. E a província, senhores doutores? Por que motivo se fixam obsessivamente nos grandes centros urbanos? Há mais clínicas privadas para ganharem ainda mais dinheiro?

Sem comentários: