segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

MENSAGENS DE NATAL DOS NOSSOS BISPOS

“Sejamos realistas mas não nos deixemos atemorizar”
O bispo de Viana do Castelo pediu aos cristãos para não recearem as “perspetivas um pouco negativas” que se adivinham para Portugal, devido à “instabilidade económica” e à “incerteza” quanto ao “trabalho e à sua remuneração”.
“Sejamos realistas mas não nos deixemos atemorizar” porque “o Natal é, acima de tudo, um tempo de esperança e de celebração da vida nova”, afirma D. Anacleto Oliveira.
O responsável salienta que “tempos de crise são também tempos de solidariedade redobrada”, pelo que se exige “um sentido mais aprofundado da responsabilidade, nomeadamente em relação ao Estado, e de cooperação com todas aquelas obras que se preocupam em ajudar os mais carenciados”.
Bispo de Viana do Castelo
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Hábitos de consumo material desajustados à realidade
D. Manuel Felício escreve que “as pessoas sofrem e aumentam os casos de pobreza, sendo, com frequência pobreza envergonhada”.
“Diminuem os ordenados, cresce o número dos que perdem emprego, aumentam os impostos e taxas para níveis muito desconfortáveis, pondo em causa a própria sustentabilidade económica da sociedade; o poder de compra desce todos os dias, ainda que, em geral, de forma silenciosa”, assinala o prelado.
Para D. Manuel Felício, os recursos materiais são “suficientes” para os 7 mil milhões de habitantes mundiais, mas não podem chegar para “manter hábitos de consumo material desajustados à realidade, quer das necessidades verdadeiras das pessoas quer da disponibilidade dos bens criados”.
“Que a valorização das famílias, a sobriedade no consumo, a solidariedade dirigida à situação de cada um, na proximidade e atenção diárias sejam parte essencial da mudança de paradigma da nossa vida em sociedade tão apregoada nos atuais tempos de crise”, apela.
Bispo da Guarda
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Só a genuína Palavra é fonte de pobreza, alegria e esperança
D. Jorge Ortiga sublinha que é necessário manter a "esperança no futuro", mesmo em tempos de crise, elogiando quem “não se resigna a situações que parecem inevitáveis”.
“É possível acreditar num presente que respira a esperança de quem luta”.
O também presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social assinala que “o Natal pode e deve ser este envolver-se responsavelmente no emaranhado de problemas, para acreditar que é possível um amanhã melhor”.
“Que este Natal não seja só forte no amor, mas que mostre também a força renovadora que ele encerra, desmascarando uma sociedade que, de vários modos, teima em alimentar-se de outras palavras. Só a genuína Palavra é fonte de pobreza, alegria e esperança”, diz.
Arcebispo de Braga
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“solidários e fraternos”
“É preciso deixar que a luz da fé ilumine a nossa vida e nos guie, nas nossas opções, critérios e no modo como agimos”, afirmou o prelado, sublinhando que a “mensagem cristã faz muita falta em todo o lado”.
Lembrando as dificuldades económicas que vão marcar o Natal deste ano, o bispo algarvio pediu aos mais novos que sejam “solidários e fraternos”.
Bispo do Algarve
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Natal é  a resposta de Deus ao sofrimento do homem
“A celebração do Natal de Jesus Cristo tem sempre lugar. E mais ainda o tem, em tempos de crise, pois que o Natal é precisamente a resposta de Deus ao sofrimento do homem desempregado, preso, doente, em solidão, desorientado ou paralisado pelo egoísmo que o fecha aos outros e a Deus”, escreve D. Gilberto Reis.
Após agradecer “tantos e tão belos gestos de dedicação aos mais pobres” na diocese, o prelado propõe “um pequeno gesto de acolhimento fraterno, em ordem a um Bom Natal”.
“Há famílias, que na noite de Natal, abrem a mesa a outras pessoas. É um gesto belo. Convido-o, a fazê-lo, mesmo se não convidar alguém para a sua mesa, entregando na Caritas Diocesana de Setúbal o valor correspondente a esse gesto ou mais ainda”, escreve.
Bispo de Setúbal
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O esbanjamento “nunca é lícito” e torna-se “ainda mais desumano”
em “tempos de fome e de pobreza”
“Mais importante do que as tradições ligadas a esta quadra, e elas são muito ricas e expressivas entre nós, os cristãos hão de privilegiar as atitudes de fé, que transformam a vida pessoal, familiar e social”, aponta D. Virgílio do Nascimento na sua mensagem de Natal.
O esbanjamento “nunca é lícito” e torna-se “ainda mais desumano” em “tempos de fome e de pobreza”, realça o prelado, acrescentando que a “falta de condições materiais” afeta “muitas famílias, que não podem ver um futuro sorridente e promissor para as crianças e os jovens”.
Bispo de Coimbra
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Aceite o presente de Deus
e torne-se num presente para alguém, para toda gente!
Os cristãos sabem que, realmente, nunca estão sós, pois não há momento das suas vidas em que não possam acolher e sentir essa presença de Deus. – São ainda crianças? Jesus Menino nasce, chora, ri, brinca e cresce com eles! – São adolescentes? Jesus vai com eles ao templo, como foi a Jerusalém aos doze anos, para indicar a “casa do Pai”, do Pai que quis partilhar connosco! - São jovens a escolher um rumo, uma vocação? Jesus ensina-os que a verdadeira realização da vida está em descobrir e cumprir a vontade do Pai, ou seja, o que Deus quer de nós e quer realizar no mundo com a colaboração de cada um! – Sentimo-nos pequenos e fracos perante a imensidão de coisas a fazer, lutas a travar, objetivos a alcançar? – Jesus ensina-nos, juntando cruz a cruz, a sua à nossa, para nos transmitir aquela força que vence a própria morte!
Tudo isto é particularmente importante de acolher neste Natal e nas presentes dificuldades da vida de tantos. - Recebamo-lo então, a Jesus nas nossas vidas, para nos tornaremos em presépios vivos em que Ele nasça e sorria a todos, casa a casa, escola a escola, hospital a hospital, trabalho a trabalho!
- Aceite o presente de Deus e torne-se num presente para alguém, para toda gente!
Bispo do Porto
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Que o espírito cristão do Natal seja uma atitude diária
O bispo de Santarém, D. Manuel Pelino, quer que o espírito cristão do Natal seja uma atitude diária, para que o egoísmo dê lugar à solidariedade, moderação e divisão de bens com os mais pobres.
“A partir do presépio procuremos construir o Natal na vida”, pede o responsável na mensagem natalícia endereçada aos “diocesanos e a todas as pessoas de boa vontade".
“Vamos, portanto, esforçarmo-nos por nascer de novo, despojando-nos do individualismo, da autossuficiência, das dependências e comodidades para nos convertermos à sobriedade, à partilha, ao acolhimento, ao amor”, apela.
Bispo de Santarém
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“Estilo de vida mais sóbrio” e“solidário”
O bispo de Leiria-Fátima defendeu  a adoção de um “estilo de vida mais sóbrio” e “solidário”, para viver o Natal de “modo mais autêntico e a dar-lhe uma importância acrescida” num tempo de crise.
“Não são só as soluções técnicas, os ajustamentos adaptados que põem fim a esta crise. São precisas mudanças culturais profundas, conversão de mentalidades, novos modos de vida pessoal, familiar, social”, escreve D. António Marto.
“Como boa parte da Europa, também o nosso país é atingido por uma crise de tremendas consequências sobejamente conhecidas”, indica o prelado.
A mensagem natalícia aponta para a oportunidade que se apresenta a cada indivíduo e comunidade de “crescer” na partilha de bens e talentos, sobretudo junto “das pessoas e famílias mais fragilizadas”.
Bispo de Leiria-Fátima
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A justiça, a solidariedade e o bem comum
“A crise não pode servir de pretexto para a suspensão dos três critérios fundamentais que deverão orientar a construção do futuro: a justiça, a solidariedade e o bem comum” (Comissão Nacional Justiça e Paz, Vencer a crise e construir Portugal (…), Lisboa, 2011).
Uma inovadora perspectiva da ação e da competência de pessoas torna efectivo o improvável, estimulando-nos a viver a esperança, nunca como uma ilusão. A esperança é a arte, a honestidade e a coragem do possível, cumprindo, entre várias, a certeza de que a Terra é de todos e de que cada um tem jus ao trabalho, à estabilidade da família, à qualificação de um serviço profissional, ao respeito e à paz.
Conforme o Concílio Vaticano II: “Cumpram-se, antes de mais, as exigências da justiça para que se não ofereça como solidariedade o que é devido a título de justiça” (Decreto sobre o apostolado dos leigos, n.º 8).
Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança
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“Não há cristianismo verdadeiro se não se descobre,
no encontro pessoal, a pessoa de Jesus”
“Convido-vos, em conjunto com a Igreja diocesana, neste Natal, a aprofundarmos esta nossa pertença ao povo de Deus [Igreja]”, diz D. José Policarpo numa mensagem, em vídeo, divulgada pelo site do Patriarcado.
“É prioritário sermos parte desse todo que Deus ama”, acrescenta.
O patriarca de Lisboa destaca que o Natal é “uma festa litúrgica que celebra o nascimento de Jesus e toda a liturgia que o preparou durante este tempo do Advento insiste imenso no desejo de um encontro com Deus, em Jesus Cristo”.
“Não há cristianismo verdadeiro se não se descobre, no encontro pessoal, a pessoa de Jesus”, precisa.
O também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinha a “ternura, a intimidade, o conhecimento mútuo entre Cristo e o seu povo, que hoje é a Igreja”.
“Que neste Natal, a alegria e a certeza de sermos membros deste povo nos desafie, na nossa vida concreta, sobretudo na abertura ao encontro pessoal, na beleza da ternura, a sermos as joias vivas do ornamento da Igreja”, apela.
Cardeal-patriarca de Lisboa
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Natal: "uma oportunidade de procura de Deus
e uma experiência de encontro com a Humanidade"
“Acredito que neste Natal mais solidário, ainda que vivido com menos, vamos todos reacender a luz da esperança em muitos lares, sobretudo naqueles que precisam de trabalho, que procuram a paz e que buscam a harmonia da felicidade”, escreve o bispo de Aveiro.
D. António Francisco dos Santos frisa que “neste tempo de crise prolongada e de austeridade implacável para tantas famílias, o Natal não pode ser apenas um oásis no deserto ou um momento de tréguas frente à inclemência injusta de tantas provações para os mais pobres”.
A festa do nascimento de Jesus “deve ser caminho para quantos procuram Deus e luz para todos os que esperam dos cristãos respostas concretas e compromissos corajosos de comunhão solidária e de fraternidade efetiva com os que mais sofrem”, aponta o bispo na mensagem.
“O Natal será tanto mais autêntico quanto mais o centrarmos em Jesus Cristo e quanto melhor soubermos fazer deste tempo, ao jeito dos pastores de Belém e a exemplo dos magos, sábios vindos do Oriente, uma oportunidade de procura de Deus e uma experiência de encontro com a Humanidade”, acrescenta.
Bispo de Aveiro
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“Não sejam apenas treinadores de bancada”
O bispo de Viseu pede aos cristãos que “não sejam apenas treinadores de bancada”, mas que apontem também soluções para a resolução da crise que se vive no país.
D. Ilídio Leandro disse  que é “extremamente importante que os cristãos passem da palavra à ação”.
Para o prelado, o cristianismo “não pode ser apenas de prática religiosa, nem apenas de boas intenções”, visto que é urgente a passagem “da doutrina para a concretização” e acrescenta que os cristãos são “pouco práticos” no sentido de se “comprometerem e sujar as mãos”.
Os cristãos são convidados e desafiados “a encarnar na vida e no mundo” a palavra que, “tantas vezes, quase excede a de Deus em bons propósitos e em sonhos e utopias irrealizáveis”, refere o bispo de Viseu.
Ao olhar a “sociedade atual em crise”, D. Ilídio Leandro sublinha que se diagnostica “de forma excessivamente perfeita”, os erros que condenam, “sem qualquer contemplação, e as soluções que, sem dúvida, resolveriam todos os problemas humanos, sociais, culturais e eclesiais”.
Segundo o prelado, as pessoas ficam “nas belas teorias” e apresentam “muitas teses e sentenças”, mas falta-lhes “percorrer o caminho do Natal”.
Bispo de Viseu

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