sábado, 12 de agosto de 2023

 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

VER E SENTIR

 
No princípio era a verba. Depois a incapacidade de organização, seguida pela insegurança e os perigos da criminalidade.
E o" estado em que isto está" a patrocinar o evento.
Em cada dia, a contabilidade " eram não sei quantos mil" cálculos "talvez renais" sobre quantos por metro quadrado vezes x não pode ser um milhão e meio.
E a destruição dos espaços que essa "malta" ia pisar.
Entre muitos outros bitaites eram também os mortos e feridos sem assistência médica no local, ou nos hospitais.
E claro, as larachas , mesmo sendo o humor uma manifestação de fineza de espírito, algumas rondavam o achincalhamento, mas pronto, o humor, dizem, não tem limites nem fronteiras.
Amigos, não é nada disto que vos vou escrever porque não quero conspurcar o meu estado de tranquilidade e paz interior com as guerras de alecrim murcho e manjerona sem odor, mas com dor.
Só para vos dizer que vi, senti, e trouxe para dentro de mim, mais um pequeno valor acrescentado para o resto dos meus dias.
Da minha idade, ontem no Parque Tejo, estávamos em ampla minoria, mas com todo o direito a um acto de rejuvenescimento interior.
Da janela do autocarro em que seguia, às 3 da tarde, via ranchos de gente nova, bandeiras daquelas que nem sempre identificamos, a caminhar alegremente os quilómetros que ainda faltavam para lá chegar. E acenavam com sorrisos.
O "caos" para entrar foi uma caminhada em terra batida, saudados por "miudagem" de T-shirts amarelas que nos indicavam o caminho.
Não sei se uma hora depois já lá estava o milhão e meio das análises geográfico/matemáticas, mas quando a Sandra e eu chegámos, devemos ter feito a conta certa.
Fui sendo abordado por rádios de pequena , média e grande dimensão que me perguntavam sempre o que estava a sentir e porquê ali.
"Quero ver, viver e sentir mais de perto, a personagem mais notável do século XXI"... "Sei de cor algumas das suas frases, mesmo aquela que impressionou tanta gente, a da" única condição em que um homem pode olhar de cima para baixo para outro homem..." que não foi escrita pelo Papa , ( sim Johnny Welch, atribuída por engano a Gabriel Garcia Marquez, bendito seja o Google para tantos culturistas da cultura), e tomei nota de outras para me ensinar ainda mais qualquer coisa sobre a arte de viver.
Já sentado, tentava olhar em volta para um mar sem ondas alterosas que desaguava no rio ali em frente.
Esperar algumas horas dá para rememorar.
"Quando apertares a mão a um deficiente ou um pobre, isso não se contamina. Não vás a correr lavá-las"
" Mais vale sujar as mãos do que o coração".
Do lugar onde estávamos, via apenas de lado o palco das manchetes ,mas agora com desconto. Assim vi tudo pelo enorme ecrã ao nosso lado.
Quando os jovens de amarelo se começaram a alinhar num cordão já sabíamos que Francisco vinha aí.
E assim passou a três metros de nós, eu mais alto, consegui a foto que vos mostro e decidi que aquele aceno sorridente tinha sido só para mim.
A Vigília que se seguiu foi um momento de uma insondável espiritualidade e um acto cultural de rara qualidade.
A orquestra e coros em peças encantatórias, os bailados o canto de Carminho, e os momentos de silêncio do tal milhão e meio, foram para nós um privilégio, porque não estávamos em casa a ver pela televisão.
A música foi inteira e os silêncios esmagadores, respeitados.
E o Papa falou entre o texto escrito e o improviso.
Disse que podemos ser todos sementes de alegria, insistiu para que ultrapassemos os medos , que gosta de futebol mas que tal como o avançado que marca o golo resulta do seu treino, também nós devemos treinar muito esta dádiva de viver, e que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes.
A noite caía e no céu desenhavam-se em estrelas, mensagens de amor.
Após o Papa sair, a festa do encontro continuou. Fui fazendo selfies com gente que me abraçava e até um jovem me disse:- Esta foto é para a minha avó que também usa um aparelho nos ouvidos como o seu!
No caminho por onde Francisco tinha passado, desfilava agora um pelotão da Polícia. E não é que aquela "malta" os aplaudiu com entusiasmo. Devem ter sido os mesmos ou outros peregrinos, que ajudaram a limpar o Parque Eduardo VII que não ficou destruído como "preconizado".
De volta passámos pelos hospitais de campanha em actividade tranquila para casos de desidratação, cansaço ou até ansiedade. Tudo resolvido pelos médicos e enfermeiros sem tragédias de primeira página.
E agora? O Papa partiu e o mundo vai ficar diferente...já?! E Portugal que foi reportado por cinco mil jornalistas para todo o mundo terá amanhã os seus problemas resolvidos, o pão, a habitação, saúde e educação, porque paz até parece que vai existindo.
Francisco não resolve, alerta, desperta e nós temos que fazer o nosso papel.
Por isso, não contem comigo para polemizar sobre o que vi , senti e vivi.
Lisboa tem cheiros de flores e de mar como o papa também disse, sem assumir direito de autoria.
Pelo meu lado, confesso que só sei de orações, o Pai nosso e a Avé Maria aprendidos na escola há muitos anos. Não foi preciso repeti-las porque na Vigília a oração era um colectivo de silêncio inspirador.
Mas é nas pausas às vezes em noites de insónias, que falo com Ele porque preciso de quem me ouça.
Dei agora por mim a recordar uma frase de Elton John, que não é católico: - Francisco é um milagre de humanidade na era da vaidade.

JMJ 2023: Papa viveu «dias inesquecíveis», com mensagens para todos e desafios aos jovens

 Veja aqui: aqui



sexta-feira, 4 de agosto de 2023

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Francisco dançará connosco o seu último tango

 1.

O Papa chegará amanhã a Figo Maduro às dez da manhã.
Já tudo ou quase tudo se disse.
Francisco tem 86 anos e uma saúde frágil. É provável que não volte a Portugal, provável que a sua vida não se possa estender muito mais anos.
Amanhã, no final da madrugada, entrará num carro que o levará ao aeroporto. Duas horas depois aterrará neste nosso tão instável país.
2.
Tem sido a minha batalha, talvez inglória.
A de te dizer que será um privilégio aproveitar a vinda deste homem que nos ofereceu esperança, que nos soprou a palavra que, ao mesmo tempo, nos permite o milagre de voltar a acreditar e nos condena à inapelável desilusão do confronto com a realidade.
Temos de aproveitar Francisco enquanto aqui está.
De lhe agradecer a chispa de luz que continua a sair do seu corpo, do seu olhar terno, das suas desarmantes palavras.
Recordo-me de o ter visto a lavar os pés a um preso transsexual na Quinta Feira-Santa, noite em que se celebra a Última Ceia.
Lembro-me de o ter observado na visita que fez a um albergue de prostitutas. A maneira como as ouviu, como com elas trocou correspondência.
Lembro-me daquele homem deformado que nos obrigava a virar a cara, o modo como Francisco se aproximou e o abraçou e lhe beijou as feridas durante uns segundos que me pareceram a eternidade.
Lembro-me de Francisco celebrar a missa para uma Praça de São Pedro deserta pela força de uma pandemia que nos ameaçava com o holocausto.
Lembro-me de como convocou as vítimas de pedofilia para o palácio, de como incentivou os bispos em todo o mundo a abrirem as suas caixas de Pandora.
Lembro-me de o ver com crianças, a responder-lhes a todas as perguntas ou a pedir aos artistas para não se esquecerem dos pobres.
Lembro-me quando nos disse que era humano, que gostava de futebol e que adoraria poder voltar a passear incógnito nas ruas de Buenos Aires e a dançar um tango de Piazolla com uma mulher bonita.
3.
Sabes o que Francisco disse a Tolentino Mendonça quando o conheceu fora dos cumprimentos de circunstância?
“Senhor padre, acha que me pode conceder cinco minutos do seu tempo?”
Tolentino ficou atrapalhado, sem saber onde meter as mãos e o sorriso.
“Sua Santidade, o senhor é que me tem de conceder um bocadinho do seu tempo”.
E eles foram e encontraram-se no pequeno quarto de Tolentino, divisão que lhe fora destinada num retiro em Roma que, à última da hora, soube que teria a presença de Francisco.
Falaram quase uma hora.
E sabes do que falaram?
De Fernando Pessoa e de Jorge Luís Borges.
E no final da conversa, Francisco fez silêncio e perguntou a Tolentino se queria rezar com ele.
4.
Estas jornadas são decisivas para o que acontecerá após sua a partida.
Um homem que nos convoca para a ideia de pertença, para o martírio da esperança, para a urgência de questionamento, para a responsabilidade de estar à altura, para a vontade de combater por um mundo mais largo, para a constatação de que um ateu ou um agnóstico é também filho de Deus – mesmo que para ateus e agnósticos Deus continue a não existir.
E nele não há ponta de medo, já repararam? É como se levitasse por entre contrariedades, obstáculos, inimigos – que os tem e não tão poucos quanto isso.
4.
Impressionante como não se deixou corromper no olhar, a sua mais poderosa das armas. Um olhar capaz de devolver a dignidade aos que estão na cave do mundo, veremos isso quando o virmos rezar em Fátima ajoelhado e ao lado de alguns jovens a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Leiria.
Ou quando o virmos entre os miúdos de todo o mundo com os seus olhos de criança grande.
Teremos tempo para discutir as coisas más da Igreja e a relação com o Estado.
Mas amanhã chegará Francisco.
Um homem que tendo feito tanto, que tendo aberto tantas portas, continua a precisar do abraço do mundo para que a revolução não morra com ele.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Vaticano: Papa vai ligar celebração do III Dia Mundial dos Avós à JMJ 2023

Vaticano: Papa vai ligar celebração do III Dia Mundial dos Avós à JMJ 2023: Francisco preside a Missa com seis mil pessoas, que inclui entrega da «Cruz do Peregrino»

quarta-feira, 19 de julho de 2023

A Humanidade do Padre


Não pude deixar de refletir, por estes dias, na condição sacerdotal atual. Primeiro tolhido e abatido pelo número de padres que têm falecido. Não há semana em que a Ecclesia não noticie a morte de um sacerdote e há semanas em que temos um óbito de um padre todos os dias. Há uma geração de sacerdotes, que deixou uma marca indelével na Igreja e na sociedade, que está a partir. Não podia ser mais premente o apelo do Evangelho aqui há uns tempos atrás, não para se acordar Deus ou se dar um puxão de orelhas ao Espírito Santo, mas para despertar todos e cada um para a sua vocação e para a necessidade de dar mais: pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Em segundo, refletindo em dois apelos importantes: um vindo de D. Vitorino Soares, para que as comunidades cuidem dos seus pastores e os pastores também cuidem uns dos outros, e se rezasse pelos pastores que andam mais abatidos, desiludidos e cansados; outro vindo de D. António Luciano, pedindo aos padres que tenham uma vida interior séria e com profundidade espiritual.

Todos estes apelos são bem-vindos e têm razão de ser, há que rezar pela santificação dos sacerdotes, mas, hoje, mais do que nunca, é preciso primeiro cuidar da humanidade do padre. O baixo número de vocações está a levar a que os padres assumam muitas paróquias e se multipliquem por um sem número de atividades e ações. Ainda vigora o “padrocentrismo” em muitas paróquias. Tudo se faz com o padre e nada se faz sem o padre. Exige-se a sua presença em todo o lado. Por outro lado, o estatuto do padre mudou. Já não tem a autoridade de outros tempos. Ainda é ouvido, mas depois cada um faz o quer e deixa o padre a falar sozinho. Parece que anda a pregar para surdos, salvo seja. No meio deste relativismo, o padre sente-se um pouco perdido e com um trabalho muito mais dificultado, o que não deixa de ser um grande desafio. Mas, por outro lado, muitas pessoas ainda procuram o padre, porque vivem num turbilhão de dúvidas, incertezas, angústias, dificuldades, vazio existencial e desnorte moral e espiritual, que a sociedade atual oferece, e a voz do padre ainda é valorizada.

Temos uma formação vincadamente humana, intelectual, moral e espiritual, centrada na liturgia e na pregação, mas quando chegamos às paróquias percebemos que temos de ter alguma plasticina, moldada pelo engenho e pela carolice de cada um: ser secretário, burocrata, empreiteiro, cozinheiro, dono de casa, sacristão, maestro, assistente disto ou daquilo.  Como se isto não chegasse, ultimamente ainda lhe arranjaram o cargo chique de ser presidente de centros paroquiais. Muitos párocos aceitam, porque assim também mandam as regras, dá poder e visibilidade social, mas acho que os padres não são ordenados para serem presidentes de centros paroquiais, para o qual não tiveram nenhuma formação ou muito pouca. É um cargo com alguma exigência. No meio desta azáfama toda, pergunta-se: o padre ainda terá tempo para ser padre? É ordenado para ser padre e depois é quase tudo menos padre. Certamente que deve dar o seu contributo no campo social e no serviço às instituições, mas não deve ser o padre a liderar. Há leigos com formação neste campo, que perfeitamente podem ocupar o cargo. O trabalho de «funcionário» das paróquias e da Igreja, infelizmente, traz muito prejuízo para a vida espiritual e para a disponibilidade que o padre deve ter para os outros como padre. Duvido que agendas sobrecarregadas, com muitas atividades, reuniões e ações, façam dos padres bons padres.  Há um excesso de preocupação pelo fazer e não pelo ser e estar, que é o fundamental da vida de um padre. Até o povo já se habituou a comentar que «o senhor padre tem muito que fazer e, coitado, anda tão cansado». Quem me liga para o telemóvel, já me vai dizendo muitas vezes “desculpe incomodá-lo, que o Senhor deve ter muito que fazer”. Se assim é, alguma coisa não está bem na vida do padre atual.

Ser padre exige alguma prudência, equilíbrio e humildade, para não se cair no vedetismo, que é sempre uma tentação. O padre indica, deve apelar sempre e ser ponte para algo muito maior do que ele: Jesus Cristo. Na Igreja, o centro das atenções é Jesus Cristo e não o padre. Mete-me alguma confusão e impressão ver padres armados em vedetas e nas paróquias grupos de pessoas alinhados com certos padres e com outros não, ou multidões dominicais com uns padres e desertos com outros. São sinais evidentes de grande superficialidade e imaturidade cristã. O padre que é vedeta, com agenda e objetivos pessoais, é um mau padre, e uma comunidade que se centra muito no estilo do padre, é uma má comunidade. Uns têm mais talentos do que outros e alguns serão mais apelativos do que outros, mas uma boa comunidade cristã e um bom cristão centra-se em Cristo e não no padre que tem.

Mas o que mais refleti, já embalado pela vintena de anos do meu sacerdócio, foi o encontro com a minha pobreza e a minha fragilidade no exercício do sacerdócio. Julgamos que vamos ser sempre jovens e que vamos ter sempre novidade, criatividade e frescura espiritual e pastoral para dar e vender, mas não é bem assim. O encanto por ser padre e servir Cristo e a Igreja não se perdeu, mas vive-se na fragilidade da nossa humanidade. Construímos a imagem de que o padre é quase o senhor todo perfeito, um anjo de Deus na terra, sem defeitos, sem dificuldades, sem problemas, sem angústias e sem dúvidas. Não tem dramas, nem complexos, muito menos vícios e manias. Tem bons conselhos para tudo e todos, possivelmente viverá sempre uma vida espiritual elevada, nunca perde o equilíbrio e nunca precisa de ajuda, está capacitado para ter uma performance quase perfeita. O padre é encarado como um ser extraordinário que vive quase incólume ao que os outros experimentam. Um padre sem humanidade. Lamento, mas este padre não existe. Aquela imagem faz até com o padre se sinta pressionado e passe algum tempo a esconder os seus medos, as suas fragilidades e as suas angústias, porque o padre tem de ser sempre imperturbável, forte e certinho, não pode ser fraco ou manifestar fraqueza. Nada mais ilusório e desumano. O padre também falha, erra, engana-se, chora, sofre, ri, cora, irrita-se, treme e distrai-se, adoece.

Há que assumir a nossa humanidade. As comunidades cristãs têm se habituar a gostar do padre que têm, um ser humano com as suas virtudes e os seus defeitos, a não se limitarem só a exigir, sem olhar à fragilidade e limitação do sacerdote que as serve. E o padre não ter medo de mostrar o que é e o que vive, confessando-se de vez em quando à comunidade, para também ser ajudado e não viver no drama de alimentar falsas imagens e recusar a sua humanidade, na unicidade e especificidade de cada um.

E, por favor, façam-me um obséquio: não me falem mal dos padres velhos por serem velhos. Quem não vai para velho? As comunidades cristãs, e a Igreja em geral, não podem querer só a parte melhor das pessoas, o seu tempo de maior vigor e criatividade, e depois quererem facilmente arrumá-las, como se já não tivessem qualquer valor. Os critérios da Igreja não são a produtividade e a eficácia, mas o amor e o serviço. As pessoas devem ser sempre amadas e respeitadas, acolhidas na sua mais pura humanidade, independente do que fazem e produzem. A igreja, primeiro que tudo, tem de ser uma casa de humanidade.

Padre Vítor Pereira, Diocese de Vila Real, aqui

terça-feira, 27 de junho de 2023

sexta-feira, 23 de junho de 2023

ORAÇÃO DO SACERDOTE - NUMA TARDE DE DOMINGO - (ou num qualquer outro dia…)

Esta tarde, Senhor, estou sozinho.
Na Igreja, pouco a pouco, os ruídos calaram-se.
Foi-se embora toda a gente,
E eu voltei para casa,
Passo a passo,
Sozinho.
Cruzei-me com gente que voltava de um passeio,
Passei pelo cinema: vomitava uma pequena multidão,
Vagueei ao longo de esplanadas de cafés onde, cansados,
Os domingueiros tudo faziam para esticar um pouco mais a
Alegria de viver um Domingo de festa.
Esbarrei nos miúdos que jogavam à bola na rua.
Os garotos, Senhor!
Os filhos dos outros, que não serão nunca os meus.
E aqui estou, Senhor,
Sozinho!
No silêncio que me dói
Na solidão que me oprime.
Tenho 33 anos, Senhor,
Um corpo feito como os outros corpos,
Braços moços para o trabalho,
Um coração reservado para o amor,
Mas tudo isto Te dei.
É verdade que de tudo precisavas,
Tudo Te dei, Senhor, mas é duro Senhor.
É duro dar o próprio corpo: ele queria dar-se a outro.
É duro amar toda a gente e não possuir ninguém.
É duro apertar a mão sem poder retê-la.
É duro fazer que brote uma afeição, mas para a dar a Ti.
É duro nada ser para mim mesmo,
a fim de ser tudo para eles.
É duro ser como os outros, entre os outros e ser um outro!
É duro dar sem cessar, sem procurar receber.
É duro alguém ir ao encontro dos outros, sem que jamais
alguém venha ao meu encontro.
É duro sofrer os pecados dos outros, sem poder recusar
acolhê-los e carregá-los.
É duro receber os segredos, sem poder compartilhá-los.
É duro arrastar os outros sem cessar e nunca poder, um
instante sequer, deixar-me arrastar pelos outros.
É duro sustentar os fracos sem poder apoiar-me sobre um
forte.
É duro estar sozinho.
Sozinho diante de todos,
Sozinho diante do mundo,
Sozinho diante do sofrimento, do pecado, da morte.
Não estás sozinho, meu Filho,
Estou contigo,
Eu sou teu,
Eu precisava, na verdade,
de uma humanidade a mais para continuar a minha
Encarnação e a minha Redenção.
Desde toda a eternidade, Eu te escolhi.
Eu preciso de ti:
Preciso das tuas mãos para continuara abençoar,
Preciso dos teus lábios para continuar a falar,
Preciso do teu corpo para continuar a sofrer,
Preciso do teu coração para continuar a amar,
Preciso de ti para continuar a salvar.
Fica comigo, meu Filho.
Senhor, eis-me aqui:
Eis o meu corpo,
Eis o meu coração,
Eis a minha alma.
Fazei-me bastante grande para atingir o mundo,
Bastante forte para carregar com ele,
Bastante puro para o abraçar, sem querer guardá-lo.
Fazei que eu seja um ponto de encontro, sim, mas ponto de passagem.
Caminho que não pende para si próprio,
porque nele não há nada de humano a encontrar, nada que não conduza a Ti.
Esta tarde, Senhor, enquanto tudo em volta está em silêncio,
dentro do meu coração sinto morder duramente a solidão.
Enquanto o meu coração uiva longamente a fome de prazer,
enquanto os homens me devoram a alma
e eu me sinto impotente para a saciar,
Enquanto sobre os meus ombros pesa o Mundo inteiro,
com todo o seu peso de miséria e pecado,
eu repito o meu Sim.
Não às gargalhadas, mas lentamente, lucidamente,
humildemente.
Sozinho, Senhor, sob o Teu olhar,
Na paz da tarde...
(in “Poemas para rezar”, de Michel Quoist)
Fonte: aqui

COERÊNCIA HUMANA


Admiro a extraordinária coerência dos humanos. De facto, toda a vida é única, inviolável e credora do uso de todos os meios em sua defesa. Fantástico, assim, o movimento de solidariedade e rápida mobilização de meios quando qualquer humano está em risco. Também no mar. Louvo, por isso, o investimento e envolvimento internacional na tentativa de salvar os cinco bimilionários, que se aventuraram, no pequeno submersível (Titan), para uma visita de cortesia ao falecido Titanic. Infelizmente, esforço inglório.

Aliás, todos os meios canalisados e a publicidade envolvida, são infinitamente irrisórios se comparados com as descomunais armadas e avultados meios terrestres e aéreos mobilizados para o Mediterrâneo, onde um número ligeiramente maior de pessoas já morreu (cerca de 35 mil), por acaso numa situação até mais fácil de detetar pelos sofisticados meios tecnológicos, porque só conseguem navegar à superfície, muitos deles em barcos de borracha!
Cada vez mais encantado fico com os nossos líderes. A diferença entre os humanos só depende dos números: uns, porque têm muitos números na conta bancária, valem o esforço; outros, porque não têm conta bancária ou ainda não têm números, valem o desprezo. E sim… maldito seja quem ouse afirmar que "o homem é o lobo do homem" (Thomas Hobbes) se, afinal, nos comportamos como cordeirinhos adestrados e a barregar felizes em uníssono.
(P. António Magalhães Sousa), aqui

quarta-feira, 21 de junho de 2023

 

domingo, 18 de junho de 2023

“Sr. bispo e caros padres, a minha paróquia está morta. Para quê tantos discursos e reuniões quando a minha paróquia, volto a dizer, está morta.

 
Há dias, numa assembleia de vigararia( arciprestado) duma determinada diocese de Portugal, onde estava o bispo diocesano, alguns párocos e membros do povo de Deus, faziam-se grandes reflexões sobre como viver hoje a fé e como dinamizar a nossa Igreja. Entre bonitos discursos e palavras de ocasião, tentava-se olhar para o futuro e ver o que se podia melhorar.

Depois de quase duas horas de bons discursos e de algumas conclusões, há uma senhora da assembleia que pede a palavra, para, com voz forte, dizer o seguinte: “Sr. bispo e caros padres, a minha paróquia está morta. Para quê tantos discursos e reuniões quando a minha paróquia, volto a dizer, está morta.” Todos ficaram caladinhos por uns instantes e um silêncio gélido tomou conta da assembleia.

Leia aqui este importante artigo todo.

Bispos, responsáveis diocesanos, sacerdotes, religiosos e leigos. É tempo de menos discursos e de aterrarmos TODOS mesmo na realidade, porque "precisamos de deixar esquemas que já estão ultrapassados pelo tempo e pela actualidade. Precisamos de levar o altar ao mundo dos homens de hoje. Deixarmos os nossos palcos e mordomias clericais e não ter medo de sujar as mãos e os pés junto do povo que caminha."

segunda-feira, 5 de junho de 2023

PAGÃOS BATIZADOS? OBVIAMENTE…

 A administração do Batismo pressupõe a fé do candidato (se batizado em idade adulta) ou dos pais e padrinhos (se batizado ainda em criança) e a comunhão com a Igreja: «Para que a criança seja licitamente batizada, requer-se que haja esperança fundada de que ela irá ser educada na religião católica; se tal esperança faltar totalmente, difira-se o batismo, segundo as prescrições do direito particular, avisando-se os pais do motivo» (CDC 868).

Que esperança haverá de ser “educada na religião católica” uma criança cujos pais não põem os pés na igreja, não veem importância em “casar pela igreja” (“o amor basta”!), não acham piada à Missa ou defendem/seguem práticas e propostas ofensivas da fé católica (reencarnação, astrologia, cartomancia, bruxaria, reiki e outras filosofias orientais)?

É doloroso (intragável, doentio) assistir ao despudor com que muitos pais e padrinhos brincam com as “coisas de Deus” e enganam atrevidamente, logo nos procedimentos prévios, ao apresentar desculpas para tudo: “não temos tempo” (para Deus… porque têm tempo para desporto, caminhadas e passeios, jantares e fins de semana, viagens e festas à brava); “gostamos mais de rezar sozinhos, quando nos apetece” (se a fé se faz de apetites e gostos pessoais, porque precisam da igreja = “nós”?); “temos de batizar não vá acontecer alguma coisa”… Santa ignorância! O Papa Bento XVI teve o cuidado de escrever sobre o assunto (inexistência do “Limbo”), mas desconhecem ou não aceitam a sua doutrina (tão evoluídos intelectualmente!): “A esperança de salvação para as crianças que morrem sem batizar.” (19 de Janeiro de 2007)

A própria celebração não será um logro? Atendam ao diálogo entre o celebrante (em nome da igreja) e os pais: «Caríssimos pais: Pedistes o Batismo para o vosso filho (a vossa filha). Deveis educá-lo (educá-la) na fé, para que, observando os mandamentos, ame a Deus e ao próximo, como Cristo nos ensinou. Estais conscientes do compromisso que assumis?» Os pais respondem: “Sim estamos”. Ou seja, “somos católicos não praticantes, não concordamos com quase tudo na Igreja, não valorizamos os sacramentos da Eucaristia e/ou do Matrimónio, confessamo-nos diretamente a Deus, etc., mas queremos educar catolicamente na fé da Igreja! Uau! Assim mesmo! Magnífica coerência e honestidade!

Logo adiante, na renúncia ao pecado e na profissão da fé, é-lhes lembrado e perguntado: «Caríssimos pais e padrinhos: No sacramento do Batismo, a criança por vós apresentada vai receber do amor de Deus uma vida nova, pela água e pelo Espírito Santo. Procurai educá-la de tal modo na fé, que essa vida divina seja defendida do pecado que nos cerca e nela cresça de dia para dia. Se, guiados pela fé, estais preparados para assumir esta missão, recordai o vosso Batismo, renunciai agora, de novo, ao pecado e professai a vossa fé em Jesus Cristo, que é a fé da Igreja, na qual as crianças são batizadas.»

“Se, guiados pela fé, estais reparados”? Claro! Preparadíssimos. Aliás, até se dispõem a renunciar ao pecado, a Satanás, às suas obras e seduções… E embalados (entusiasmados) nesta renúncia até acabam por renunciar também às perguntas sobre a fé em Deus: “Credes em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra?” “Sim, renuncio”, a talho de foice… Também pouco importa que a oração conclusiva lhes fale da fé no plural: “Esta é a nossa fé. Esta é a fé da Igreja, que nos gloriamos de professar, em Jesus Cristo, Nosso Senhor”. Entrou a cem, saiu a duzentos: “eu cá tenho a minha fé”, retrucam interiormente.

E a veste branca? “Sr. Padre, não pode ser um fatinho “à marinheiro” ou um vestidinho mais colorido? Ficava bem mais engraçado…” Pois… Ponha lá o que quiser… afinal já há muito que a sua palavra e as palavras de Deus são desprovidas de conteúdo, palavras mortas a enfeitar tão-só uma encenação social. Mesmo assim, não deixe de pensar no que diz a oração sobre a veste branca, a palavra, o exemplo: «Filhinho, Agora és nova criatura e estás revestido de Cristo. Esta veste branca seja para ti símbolo da dignidade cristã. Ajudado pela palavra e pelo exemplo da tua família, conserva-a imaculada até à vida eterna.»

Em muitos batismos, como em outras celebrações, lembro-me muitas vezes das palavras de Jesus: «Não deis o que é santo aos cães, nem lanceis as vossas pérolas aos porcos, não aconteça que eles as espezinhem com as suas patas e, voltando-se, vos destrocem» (Mt 7, 6). Não andaremos a brincar, (gozar, abusar) com/de Deus?

É engraçado assistir à antipatia/simpatia (até revanchismo, anticlericalismo) à volta de padres e bispos em virtude de serem melhores ou piores facilitadores de serviços, satisfazerem ou não os mais (a)variados gostos, caprichos, interesses dos clientes do sagrado. A Igreja está a tornar-se numa loja de conveniências, Jesus (o Evangelho, os valores, a Fé enquanto relação/encontro de amor plural) um produto caído em desuso e os padres os novos merceeiros. Quanto mais solícitos, melhores. E alguns, curiosamente, até faturam bem e com a aprovação dos benditos fregueses.

O mandato de Jesus foi outro: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado.» (Mc 16, 15-16)

(1) Proclamar o Evangelho. A vocação (prioridade, missão) será sempre o Evangelho: dar a conhecer (divulgar, espalhar) ações, pensamentos, modo de viver, critérios, verdades, valores e opções de Jesus. Anúncio por palavras e obras. Anúncio que não é feito ao sabor dos interesses do mundo, para satisfazer caprichos ou gostos pessoais, mas por fidelidade à missão.

(2) Quem acreditar será batizado. O Batismo – administração – é consequência da adesão pela fé: “quem acreditar (aceitar, aderir a Jesus) seja batizado”. Ora, se hoje a grande maioria não acredita (não se identifica com Cristo, não aceita/vive o Evangelho), por que razão a Igreja continua obcecada em administrar sacramentos a pessoas sem fé? Só por interesse (humano, material, mundano): sem clientela não há receitas; sem soldados não há generais; sem organização empresarial não há dividendos e encómios para repartir.

Se evangelizar é colocar o Evangelho no centro da ação pastoral, pastorear tem levado a colocar o pastor em vez do Evangelho. O evangelizador procura servir Cristo e levar as pessoas a Cristo; o pastoralista (mestre de cerimónias) usa o Evangelho como trampolim; o evangelizador, como João Baptista, tudo faz para que “Ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30), o pastoralista tudo faz para crescer à custa d’Ele.


(P. António Magalhães Sousa, aqui)

quinta-feira, 1 de junho de 2023

O roteiro do Vaticano para o uso das redes sociais

O Dicastério para a Comunicação do Vaticano expôs suas ideias sobre o uso cristão das redes sociais em um documento intitulado "Rumo à presença plena", publicado em 29 de maio de 2023. Afirmando que "todo cristão é um microinfluenciador", o texto convida todos - inclusive os bispos - a se absterem de escrever ou compartilhar conteúdo que possa provocar mal-entendidos ou exacerbar divisões.

Resultado de uma reflexão coletiva envolvendo especialistas, professores, leigos, padres e religiosos, esse documento de 20 páginas, traduzido em 5 idiomas, tem como objetivo dar sentido à presença dos cristãos nas redes sociais. "Muitos cristãos estão pedindo inspiração e conselhos", diz o texto, assinado por Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação, e Dom Lucio Ruiz, Secretário do mesmo Dicastério.

Os autores começam fazendo uma retrospectiva da desilusão gerada pela era digital, que "deveria ser uma 'terra prometida' onde as pessoas poderiam confiar em informações compartilhadas com base na transparência, na confiança e na experiência". Em vez disso, os ideais deram lugar às leis do mercado, e os usuários da Internet foram transformados em "consumidores" e "mercadorias", com seus perfis e dados sendo vendidos.

Outra armadilha identificada pelo departamento é que, no mundo digital, um grande número de pessoas continua marginalizado devido à "exclusão digital". As redes que deveriam unir as pessoas, em vez disso, "aprofundaram várias formas de divisão". Paolo Ruffini e Monsenhor Ruiz apontam para a criação de "bolhas de filtro" por algoritmos que impedem que os usuários "encontrem o 'outro' que é diferente", mas incentivam pessoas semelhantes a se encontrarem. No final, "as redes sociais estão se tornando um caminho que leva muitas pessoas à indiferença, à polarização e ao extremismo".

Mas o documento não é fatalista. "A rede social não é imutável. Nós podemos mudá-la", dizem os autores, que esperam que os cristãos possam se tornar "impulsionadores da mudança" e "incentivar as empresas de mídia a reconsiderar seu papel e permitir que a Internet se torne um espaço público genuíno".

Em uma escala diferente, o usuário cristão da Internet também deve ser capaz de realizar um "exame de consciência", para mostrar "discernimento" e "prudência". Nas redes, trata-se de garantir que "transmitamos informações verdadeiras, não apenas quando criamos conteúdo, mas também quando o compartilhamos", insiste o documento, que nos convida a fazer a nós mesmos a pergunta "Quem é meu próximo?" na Internet.

"Todos nós devemos levar a sério nossa 'influência'", adverte o dicastério, assegurando-nos de que "todo cristão é um microinfluenciador". Quanto maior o número de seguidores, maior a responsabilidade. Eles alertam contra a publicação ou o compartilhamento de "conteúdo que possa provocar mal-entendidos, exacerbar divisões, incitar conflitos e aprofundar preconceitos".

Os autores não hesitam em expressar sua tristeza pelo fato de que "bispos eminentes, pastores e líderes leigos" às vezes também se entregam a uma comunicação "polêmica e superficial". Diante disso, "o melhor curso de ação é, muitas vezes, não reagir ou reagir com o silêncio para não dar peso a essa falsa dinâmica", apontam.

Sobre o tema do silêncio, o texto reconhece que a cultura digital, "com a sobrecarga de estímulos e dados que recebemos", está desafiando os ambientes educacionais e de trabalho, bem como as famílias e as comunidades. O "silêncio" pode, portanto, ser comparado a uma "desintoxicação digital", que não é simplesmente "abstinência, mas sim um meio de estabelecer um contato mais profundo com Deus e com os outros".

Outros conselhos incluem não fazer "proselitismo" na internet, mas sim ouvir e dar testemunho. A comunicação não deve ser simplesmente uma "estratégia", diz o documento, e a busca por um público não deve ser um fim em si mesma. O texto lembra a atitude de Jesus, que não hesitou em se retirar e fugir das multidões para descansar e orar. "Seu objetivo […] não era aumentar sua audiência, mas revelar o amor do Pai", analisa o dicastério.

E quanto à liturgia digital?

"Não se pode compartilhar uma refeição através de uma tela". Reconhecendo que as redes sociais desempenharam um papel essencial e reconfortante na divulgação das celebrações litúrgicas durante a pandemia, o Dicastério para a Comunicação acredita que "ainda é necessária muita reflexão […] sobre como aproveitar o ambiente digital de uma forma que complemente a vida sacramental". De fato, "questões teológicas e pastorais foram levantadas", particularmente em relação à "exploração comercial da retransmissão da Santa Missa".

A era digital não deve apagar a atenção à "Igreja doméstica", insiste-se, a "Igreja que se reúne em casa e ao redor da mesa". Em outras palavras: a Internet pode complementar, mas não substituir, porque "a Eucaristia não é algo que podemos simplesmente 'assistir', é algo que realmente nos nutre".

In Aleteia

sábado, 27 de maio de 2023

Um justo vencedor

Eu sei que estou a ser "politicamente incorreto" em relação ao que pensa a maioria dos apaniguados do meu clube, o Futebol Clube do Porto. Para muitos  as arbitragens empurraram definitivamente o Benfica para o título. Não penso assim.  Seja quem for o clube que enraíze o seu insucesso nas arbitragens, está apenas "a enterrar a cabeça na areia."

O Porto perdeu este campeonato por culpa ou por debilidades próprias.  Especialmente pela dificuldade em ganhar aos chamados "mais fracos", já que quanto aos quatro primeiros classificados foi quem mais pontos ganhou. De maneira nenhuma esta situação se pode manter para a próxima época. É "crime" perder tantos pontos contra "os mais pequenos..."

O treinador Sérgio Conceição tem sido um gigante, como treinador e como portista, já que, não "tendo cão, tem caçado com gato".

Quem tem estado mal, muito mal é a estrutura dirigente do Clube e da SAD que ganhando loucuras, tem o Clube pelas ruas da amargura no especto económico e na falta de reforços condignos e à altura dos pergaminhos do Clube.

O Porto precisa de se reforçar muito em todos os sectores da equipa. Como não tem dinheiro, tem que ser muito cirúrgico.

Este ano desportivo, o Benfica mostrou melhor plantel, foi mais regular e praticou melhor futebol. Por isso, é justo vencedor.

    Podia não ter chegado? Podia. Bastava que o Porto cumprisse o seu dever e tivesse ganho ao Gil Vicente no Dragão...

sexta-feira, 26 de maio de 2023

P. Joaquim Dionísio nomeado bispo auxiliar do Porto

Papa nomeou D. Joaquim Dionísio como bispo auxiliar para a Diocese do Porto.
O bispo auxiliar foi nomeado com o título simbólico de Parténia, diocese histórica na atual Argélia.
A ordenação episcopal de D. Joaquim Dionísio vai ser celebrada no dia 16 de julho, na Catedral de Lamego, às 16h00.
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O cónego Joaquim Proença Dionísio nasceu em São Martinho de Cimbres, concelho de Armamar, na diocese de Lamego, a 11 de setembro de 1968, e frequentou o Seminário Maior de Lamego e foi ordenado sacerdote na Catedral de Lamego em 31 de julho de 1993.
Enquanto sacerdote, desempenhou várias missões como pároco, foi capelão das comunidades de língua portuguesa em Frankfurt, na Diocese de Limburgo, e acompanhou as comunidades de língua portuguesa presentes na Diocese de Evry-Corbeil-Essones, em França.
Foi professor no Seminário Maior de Lamego e no Instituto Superior de Teologia em Viseu, diretor do semanário diocesano “Voz de Lamego”, diretor da Comissão Diocesana para as Vocações e Ministérios, diretor pedagógico e diretor da Escola Profissional de Lamego e diretor do Centro de Estudos Fé e Cultura (CEFECULT) para a formação de agentes da pastoral.
O novo bispo estudou Teologia Sistemática na Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas do Institut Catholique de Paris, onde obteve, em 1 de julho de 2002, o grau de mestre em Teologia.
De 2013 a 2020, foi reitor do Seminário Maior de Lamego e de 2020 até ao presente é reitor do Santuário de Nossa Senhora da Lapa e pároco de São João Baptista, em Quintela da Lapa, no município de Sernancelhe.
Em 2021, foi também nomeado pároco de Nossa Senhora das Neves, em Granjal, e de Nossa Senhora da Conceição, em Lamosa, ainda em Sernancelhe.
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O P. Joaquim foi meu aluno na Escola Secundária de Moimenta da Beira e foi igualmente meu paroquiano no tempo em que, juntamente com os padres Matias e Ramos, fui pároco da sua terra natal - Cimbres.
Mais tarde, nos seus dois primeiros anos de sacerdócio, trabalhámos em equipa nas paróquias que então nos estavam confiadas: Gouviães, S. João de Tarouca e Tarouca.
Homem de forte personalidade, intelectualmente brilhante, fé sólida, brincalhão e próximo das pessoas sem ser populista, comprometido com as tarefas que lhe eram pedidas, pessoa de trabalho, sabendo estar disponível, mas sabendo igualmente o momento de partir, demonstrando desapego e liberdade.
Parabéns, Joaquim!
Desejo e rezo para venhas a ser um Bispo feliz. Irradiando a graça, a alegria e a profecia do Evangelho.
Abraço de parabéns, amigo!

quinta-feira, 18 de maio de 2023

SELEM, POR FAVOR, AS ALBARDAS

 Cada cavadela sua minhoca”: Tudo o que envolva a Igreja tem de dar polémica. Não adianta a boa-fé ou a presunção de inocência. A trupe dos zeladores e delatores não dorme em serviço. Agora o cavalo de batalha é o selo da JMJ 23. Assim, os bentos paladinos da ética e moral da “res publica” – sem qualquer respeito pela liberdade criativa – disparam em todas as direções.

Talvez eu seja retrógrado, insensível, desinformado ou malformado, mas continuo a pensar que anda por aí, à solta, muito jerico sem albarda. Numa sociedade plural, onde a massa encefálica não servisse apenas para preencher o espaço físico do crânio, a leitura/interpretação do dito selo (sem malvadez ou freios ideológicos) poderia ser um belo exercício de pasmo estético.

Pelos vistos, veio despertar em virgens puritanas os seus traumas e fantasmas hibernados do antanho. Por certo, nada que um bom divã ou uma estadia em clínica de psiquiatria não resolva... Uma leitura ideologicamente despoluída da “informação/explicação oficial” poderia ser um belo começo, um sinal de esperança, augúrio de melhorias mentais.

«O selo comemorativo do Vaticano é inspirado no "Padrão dos Descobrimentos", o monumento que retrata a expansão além-mar de Portugal que fica às margens do rio Tejo, no bairro de Belém, em Lisboa. A estilizada caravela tem na proa o Infante D. Henrique, impulsionador da expansão marítima do país e outros protagonistas do império marítimo português. O monumento - de 56 metros de altura e 46 metros de comprimento - foi construído em 1960, 500 anos após a morte do Infante, para celebrar a Era dos Descobrimentos portugueses, como por exemplo, a chegada ao território brasileiro em 22 de abril de 1500, considerado um dos momentos mais marcantes das grandes navegações realizadas por eles durante todo o século XV.

Da mesma forma como o timoneiro D. Henrique lidera a tripulação na descoberta do novo mundo, assim também no selo do Vaticano o Papa Francisco conduz os jovens e a Igreja, representada pela barca de Pedro, na descoberta desta “mudança de época” - como afirmou o Pontífice por ocasião da Conferência Eclesial de Florença, sem se resignar a navegar apenas em águas rasas a ponto de ignorar a realidade do porto que os aguarda.

Desenhado pelo artista Stefano Morri, o selo retrata, assim, o Papa na proa de um barco, inspirado na caravela do Padrão dos Descobrimentos, que conduz os jovens para o futuro. No canto superior esquerdo encontra-se o logotipo do encontro feito pela jovem designer portuguesa Beatriz Roque Antunez. Este delineia, sobre o fundo de uma grande cruz, o dinamismo de Maria ao visitar Isabel, segundo o tema escolhido para o evento: “Maria levantou-se e partiu apressadamente”.

Numa mensagem em vídeo dirigida aos jovens em preparação para a JMJ de Lisboa, o Papa exortou: “neste encontro, nesta Jornada, aprendam sempre a olhar para o horizonte, a olhar sempre para além. Não levantem uma parede diante da vida de vocês. As paredes te fecham, o horizonte te faz crescer. Olhem sempre para o horizonte com os olhos, mas olhem sobretudo com o coração. Abram o coração a outras culturas, a outros rapazes, a outras moças que vêm também a esta Jornada.”»


(P. António Magalhães Sousa), aqui