sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Dia Mundial de Luta contra o Cancro


Marine Antunes, escritora, criou há três anos um blogue e uma página no Facebook em que propõe olhar para o ‘Cancro com Humor’, na sequência da sua própria experiência com a doença.
“Quando não há rede, quando a vida é tão crua, tão direta, tão frontal, faz algum sentido ter medo de rir? No final do dia, são desses risos que nos queremos lembrar”, escreve, num texto que vai integrar a próxima edição do Semanário ECCLESIA, dedicada ao Dia Mundial do Doente.
A experiência de Marine Antunes ganha visibilidade em datas como a de hoje, Dia Mundial de Luta contra o Cancro, mas é feita dia a dia nas redes sociais e em palestras, que começa “sempre nervosa”.
“Como é que se faz humor para uma plateia composta por pais, com um bebé de dois meses com cancro, ao colo, doentes oncológicos, a quem lhes foram dadas péssimas notícias, pessoas que perderam familiares? Como é que se brinca com o cancro, com a  morte?”, questiona.
Nesse sentido, a autora admite que por vezes se interroga se “faz sentido” falar em “Cancro com Humor”.
“Estou sempre tão nervosa. Tropeço em coisas e gaguejo. Tenho noção da responsabilidade. Fico com medo. Penso no meu ‘Careca Power’. Lembro-me de como ele se ria quando gozávamos com o cancro. Até ao último dia”, refere.
Marine Antunes precisa que não se trata de um “espetáculo”, mas da “vida real”, pelo que o humor é usado “com uma missão”.
“Tem de ser mais fácil encararmos o medo”, sustenta.
O relato na primeira pessoa ajuda a criar ligação com a plateia, antes de abordar o difícil tema da morte e falar de esperança.
“Os pesadelos crónicos tiveram de ser substituídos por palestras humorísticas. Foi o remédio que receitei a mim mesma”, confessa.
Palavras como “cancro, metástase, morte” são olhadas de frente para que, no fim, fique a certeza: “Espera lá, não morri por falar disto”.
A página ‘Cancro com Humor’ é seguida por mais de 18 mil pessoas na rede social Facebook.
Agência ecclesia

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