domingo, 25 de maio de 2014

Eleições Europeias: só cerca de 34% de votantes


3085 freguesias apuradas num total de 3092
 (Fonte  aqui)

1. Assina-se o baixo número de votantes que coloca Portugal entre os países europeus onde a abstenção foi maior.
2. Somando os brancos e os nulos, temos uma percentagem superior à quarta força política mais votada.
3. Existe um forte desencanto com os políticos que só aparecem na altura das campanhas eleitorais e que prometem uma coisa e depois fazem outra. Nota-se que, cada vez mais, os cidadãos confiam menos nos políticos.
4. A reforma do sistema político está por realizar. Interesses políticos instalados permanecem surdos aos apelos dos cidadãos que, de múltiplas formas, se fazem ouvir. Parece que só não os quer ouvir quem devia fazê-lo.
5. A campanha eleitoral é demasiado maçadora, repetitiva e enfadonha. Como dizem os mais novos, "não há pachorra!"
Ataques e mais ataques. Parece um lavadoiro! Confunde-se tudo e mais parecia uma campanha para as legislativas do que para as europeias. Ora se os portugueses pouco sabem sobre a Europa e os políticos não elucidam, que se quer depois? Indiferença...
6. A derrota do PSD/CDS era espectável, dadas também as medidas impostas pela troika e que o governo destes partidos teve de aplicar.
7. O PS ganhou as eleições, mas quer a vitória quer a diferença para a atual maioria são muito curtas, sinal de que o país ainda não esqueceu a "herança de Sócrates" e a atual direção do partido não dá  grande confiança aos eleitores. Face à austeridade e ao desemprego, era suposta uma vitória folgadíssima.
8. O BE continua a descer nas eleições. Parece esfumar-se cada vez mais a ideia do BE como a voz da contestação. Parece que, em cada ato eleitoral, a gente lusa se afasta do projeto político bloquista.
9. Contestação por contestação, pensarão os eleitores, é preferível o PC, mais organizado, mais enraizado, com uma história de alguma coerência, goste-se ou não do projeto comunista. Além disto, não sendo um partido assumidamente europeísta, recolhe votos de muita gente descontente com a Europa.
10. O Partido da Terra beneficiou imenso com o seu cabeça de lista, Dr Marinho e Pinto, figura mediática em cuja contestação muitos cidadãos se reviram. Falar claro e olhos nos olhos tem os seus frutos. Não alinho com os que acusam este eleito de populismo. Ele apenas deu voz ao descontentamento popular, sem papas na língua, para dizer o que devia ser dito. Resta agora saber qual o seu projeto político e como se bate por ele. Contestar assertivamente é bom, mas construir é ótimo e desejável.

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