terça-feira, 6 de maio de 2014

Todos os meses ficam por preencher 5737 ofertas de trabalho em Portugal

Desde o início de 2014 que têm ficado em média, por mês, 5737 ofertas de emprego por preencher. Os dados, do Instituto de Emprego e Formação Profissional, revelam ainda que, em 2013, das 137.456 ofertas de emprego criadas só 60% foram preenchidas.
A área da agricultura é uma das mais afetadas pela falta de mão-de-obra, razão pela qual muitos empresários recorrem a estrangeiros para trabalhar.
Na Hortomelão, que no pico das colheitas emprega 600 pessoas, 90% são estrangeiras, pela simples razão de que os portugueses não querem trabalhar nas tarefas disponibilizadas. 
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Pois!
E conhecemos as desculpas:
- Não foi para isto que estudei...
- Os ordenados são baixos...
- O emprego fica longe de casa

- Ganho mais se ficar em casa a usufruir dos subsídios
- Não me sujeito a qualquer trabalho
- Etc

A toda a hora somos martelados nas televisões, rádios, jornais com o problema do desemprego como a maior praga social que afeta o país. E é verdade.
Mas não tenho escutado ninguém a denunciar esta situação: cada mês há 5737 ofertas de emprego que ficam por preencher. Talvez multiplicar pelos 12 meses e poder-se-á tirar alguma conclusão...
Partidos políticos, sindicatos, Igreja, comentadores... Quem põe a mão na ferida? Quem tem a coragem da verdade total?

É certo que muitas destas ofertas de emprego estão ligadas a ordenados baixos. Mas é melhor ficar em casa?  É preferível beneficiar de subsídios estatais quando o Estado está na situação em que está? 
Não será a contribuição de todos que fará com que o país ande para a frente e então se possam pagar salários dignos?  E que haverá de dignidade quando uma pessoa pode trabalhar e prefere viver parasiticamente dos subsídos? Para quando  o retirar de "ordenados mínimos" a pessoas que podiam trabalhar e se negam a fazê-lo?

Depois surge a mania nacional das importâncias. Somos um país que dá todo o relevo às aparências. "Porque estudei, porque tenho um curso superior, não me sujeito a tal ou tal trabalho..."
Há pessoas formadas que no estrangeiro são capazes de lavar pratos , trabalhar na construção ou na agricultura. Mas cá dentro, credo!  Até lhe caía a cara ao chão! Eu sonho com outro país em que um agricultor, um carpinteiro, uma empregada doméstica possam ter a sua licenciatura. Precisamos da cultura para valorizar o trabalho, mais do que do trabalho para valorizar a cultura.

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