terça-feira, 20 de março de 2012

Prova dos nove

É hora de alterar contratos, privilégios e subsídios que sorvem diariamente os recursos do país para servir um pequeno grupo que gravita em torno do poder político.A hora da verdade está a chegar para o Governo de Passos Coelho. Até aqui, goste-se ou não, o roteiro da “troika” tem sido cumprido à risca, com consequências evidentes para a maioria dos portugueses, que tiveram que mudar de hábitos e de vida.
Agora, é a hora de mudar o essencial, ou seja, de alterar contratos, privilégios e subsídios, que sorvem diariamente os recursos do país para servir um pequeno grupo que gravita em torno do poder político.
Se não mexer nisto, o Governo não reforma nada no país nem altera a substância do que é a despesa do Estado. Logo, a crise e a austeridade que agora sofremos não têm verdadeiramente nenhuma utilidade, porque, no fim, tudo volta a ficar na mesma.
Para já, os sinais que chegam do Governo não são os melhores: os processos de privatização em curso não são completamente transparentes e os casos recentes da Lusoponte e da substituição do secretário de Estado da Energia levantam as maiores dúvidas sobre a real determinação do Governo em tocar nos interesses instalados.
Sinais à parte, a verdade é que os prazos estabelecidos no memorando da “troika” são claros e estão quase a ser atingidos e, se o Governo persistir em dizer que faz sem, na verdade, nada fazer, rapidamente se acaba o teatrinho do bom aluno e, por ter medo de enfrentar o poder de alguns, o Governo arrisca-se a hipotecar o futuro de todo um país.

Raquel Abecasis, aqui

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