quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"Sempre se esmorrou, sempre se há-de esmorrar"

Conta-se que em determinada paróquia havia o hábito de as pessoas, ao fim de um funeral ou de uma procissão, ao chegarem à sacristia, apagarem as velas esmurrando-as contra a parede.
Quando chegou àquela terra um novo pároco e vendo a sacristia imunda, informou-se das causas daquele estado miserável das paredes.
Procurou o sacerdote com toda a paciência e persistência convencer os paroquianos da nocividade de tal prática.
Quando tempos depois se realizou um funeral, o pároco assistiu consternado à repetição do mesmo acto. Com a paciência disponível, procurou ali mesmo chamar à atenção dos prevaricadores. Eis que ouve a resposta que o deixou prostrado:
- Ó senhor abade, aqui sempre se esmurrou, sempre se há-de esmurrar!

Penso que aquilo que está em causa nesta situação é a fé supersticiosa em que vivemos e que nos faz confundir tudo, até sujidade com limpeza. Ou como alguém diz, muita religiosidade e pouco cristianismo.
Muitas vezes, nos podemos perguntar: Onde fica Cristo no meio desta confusão de tradições e costumes, superstições, procissões, velas, promessas?
 
Para alguns, o seu "deus" são as tradições e as leis
Para os fariseus do tempo de Jesus, a lei, os costumes e tradições, estavam acima de tudo. De tal maneira que o acusam frequentemente de violar a lei do sábado (era o dia santo dos judeus e nada se podia fazer, nem milagres de cura).
Jesus disse que Ele era superior ao sábado, era o Senhor do sábado. Acusou os legalistas de terem um coração duro, de pedra.
Quando Jesus curou um doente em dia de sábado na presença de fariseus, estes, em vez de se alegraram por aquela pessoa ter saúde, estar livre da doença, saíram logo cá para fora a procurar aliados para acabar com Jesus.
Motivo?
Violara a lei do sábado!

E hoje?
Grupos fundamentalistas católicos, em nome da lei e das tradições, atacam sem qualquer pudor a linha de abertura do Papa Francisco, opõem-se ou torcem o nariz ao Concílio Vaticano II, às reformas.
Não são só os islâmicos que têm fundamentalistas, extremistas. Também existem no mundo católico. Só com uma diferença: os fundamentalistas católicos não usam armas nem bombas.
O FUNDAMENTALISMO CRISTÃO É O farisaísmo do SEC. XXI.
 
Mais...
Nas nossas comunidades há muita gente  mais preocupada com leis, costumes e tradições do que com Jesus Cristo.
"Porque sempre foi assim..."
"Porque é tradição..."
"Porque é costume..."
"Porque os padres mudam tudo e acabam com a religião..."
"Porque é lei..."
E sabem uma coisa?
Nesta questão de tradições, costumes e leis, os chamados "não-praticantes" são normalmente mais fundamentalistas do que aqueles que praticam! Sobretudo quando estão em causa as suas conveniências....
CRISTO ACIMA DE TUDO, TUDO, TUDO!
Só a ELE adoramos! Nunca adoremos as leis, tradições, costumes!

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