terça-feira, 8 de setembro de 2015

Algumas inquietações sobre o acolhimentos dos refugiados

1. Refugiado/Emigrante
Muita gente pensa o refugiado como um simples emigrante.
Portugal é um país de emigração. As pessoas partem porque, muito justamente, desejam melhorar a vida e conquistar um futuro com outros horizontes. Emigram não porque sejam perseguidas, porque o país esteja em guerra ou porque tenham imensa fome... Partem para ter uma vida melhor.
O refugiado - mormente no contexto atual - parte da sua terra porque esta está em guerra, porque muitos já perderam tudo, porque têm fome, porque a miséria é sem limites...


2. Interrogo-me sobre os motivos porque tanta desta gente corre o risco de atravessar o Mediterrâneo quando têm ao lado países árabes muçulmanos ricos, alguns com um PIB muito superior ao de países europeus. Refiro-me a países como Arábia Saudita, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. Mais, até estão próximos de sírios e iraquianos, não só pela geografia como pela raça como, sobretudo, pela religião.
Confesso que já li várias explicações, mas nenhuma me satisfez plenamente.


3. A Rússia sempre apoiou o presidente da Síria, Bashar Hafez al-Assad, contra os insurretos. Mas na comunicação social não se fala de refugiados sírios que demandem a Rússia...
Os Estados Unidos estão no epicentro da situação insustentável que se vive no Médio Oriente, não só por causa da questão palestiniana como pela invasão do Iraque, fonte de problemas sem fim naquela zona.  E agora? Qual o papel dos Estados Unidos no enfrentar desta agudíssima crise dos refugiados?


4. Pelo que se lê e ouve, muitos europeus põem sérias reservas ao acolhimento da massiva onda de refugiados que entra na Europa. É o problema de terroristas infiltrados que podem pôr em causa a segurança europeia; é o problema da Segurança Social, já muito abalada em vários estados europeus, e, com esta onda de refugiados, pode entrar em rutura; é o problema da inculturação desta gente, maioritariamente muçulmana, que tem tendência a exigir todo o respeito pela sua maneira de ser, mas que não aceita a cultura dos outros; é a indignação de muitos portugueses perante a total disponibilidade do estado, entidades e pessoas para acolher esta gente, ao mesmo tempo que têm agido com certa indiferença perante os muitos pobres, desalojados e injustiçados da crise; é a muçulmanização da Europa...


5. Deve ser só a Europa a suportar o pesado fardo humanista dos refugiados? Penso que não. Países ricos como a Austrália, a China, a Correia, os Estados Unidos, o Canadá e o Japão deveriam sentir-se implicados na resolução da situação. Já para não falar naqueles que deveriam ser os primeiros e mais dinâmicos acolhedores: os países ricos do Golfo.


6. A Europa, cansada e velha, tem olhado para os países pobres como meros fornecedores de matérias primas, como o petróleo e outras. Esta Europa, tal como outros países ricos já referidos, nunca se importou verdadeiramente com o desenvolvimento desses povos.  Desde que as matérias primas lhe fossem chegando a bons preços, o resto parecia que não lhe dizia respeito. Agora sofre as consequências! Não é às portas do continente europeu que a situação tem que ser resolvida, mas na fonte, ajudando efetivamente o desenvolvimento desses povos. Oxalá que a presente crise dos refugiados abra os olhos dos países ricos para a necessidade de uma ajuda eficaz ao desenvolvimentos dos países do 3º mundo!


7. Mas há neste momento um problema humanitária gravíssimo e não adianta esconder a cabeça na areia. É preciso ajudar, acolher, dar pão, trabalho e dignidade a esta gente. Sem demoras.
Estando atentos à segurança? Sem dúvida. Procurando integrar sem criar mais dependentes da segurança social. É que destes já temos demais aqui.
Mas acolher, sem dúvida. Ou valores europeus ter-se-ão refugiado.

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