quinta-feira, 16 de junho de 2016

Para vencer a injustiça é preciso vencer o medo


Para vencer a injustiça é preciso, acima de tudo, vencer o medo. E preciso, com feito, vencer o medo de perder o lu­gar, o medo de perder o prestígio, o medo de perder o aplauso.
Muita gente me tem dito, certamente com o melhor pro­pósito, que não vale a pena incomodarmo-nos com o mun­do. Primeiro, porque somos poucos e pequenos para tarefa tão grande. E, depois, porque tudo acabará por melhorar.

Acontece que este é um grande equívoco. A injustiça não acaba por inércia. E preciso fazer muito para que ela termine. Já para que a injustiça continue, basta uma coisa: não fazer nada.
Nunca é demais lembrar a severa admoestação de Edmund Burke: «Tudo o que é preciso para que o mal triunfe é que as pessoas de bem nada façam».

Como referia Luther Kmg, o que dói não é só o grito dos maus; é também — e bastante — o silêncio dos bons, das pessoas de bem.
Para vencer a injustiça é preciso vencer o medo. O medo de falar, o medo de sofrer, o medo de ser criticado. Ninguém, por si, é capaz de acabar com a injustiça. Mas todos podemos contribuir, pelo menos, para que ela não fique no esquecimento.

Pertinente é, pois, o apelo de Shirin Ebadi: «Se não podeis eliminar a injustiça, pelo menos contai-a a todos».
A injustiça gosta do silêncio, da cumplicidade. Calar diante da injustiça é ser conivente com ela. Ergamos a voz contra a injustiça. Ergamos a voz pela justiça. E pelas ví­timas da injustiça!

In “Sempre em Mudança

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