terça-feira, 7 de maio de 2013

"Não se compreende o silêncio da Igreja Católica portuguesa"

"(...) tenho visto a Igreja portuguesa, que sempre foi mais aberta do que a espanhola, desde que houve as duas transições democráticas ibéricas, muito silenciosa em relação aos perigos que Portugal está a correr com a política inaceitável e irresponsável do atual Governo português, que está a destruir a nossa Pátria, que já fez um milhão de desempregados, que só defende e se interessa pelo dinheiro e ignora as pessoas, por piores condições em que estejam, como é o caso da grande maioria.
Porque tem estado tão calada a Igreja portuguesa, parecendo ignorar a destruição da nossa Pátria, o crescente desemprego, o impulso para a emigração a que submete as nossas melhores cabeças, o crescimento da miséria, que está a afetar os próprios bancos, a incapacidade da Justiça, a paralisação do Estado e a ruína da nossa classe média?

Não compreende a Igreja portuguesa as palavras de Sua Santidade? Ou está de novo, como nos ominosos tempos da ditadura, em silêncio com medo do que lhe possa acontecer? Esqueceu-se da generosidade com que a Revolução dos Cravos a tratou, ignorando então, consciente e propositadamente, o seu silêncio?

De qualquer modo não se compreende o silêncio da Igreja Católica portuguesa, excecionando algumas raras figuras eclesiásticas e alguns frades.

Será que o senhor cardeal-patriarca, em fim de carreira, teme ter problemas com o atual Governo, que está moribundo, ou teme que a Igreja possa perder alguns privilégios que o Estado democrático, nascido do 25 de Abril e da Constituição da República, que é laica, lhe trouxe? Seja como for, o silêncio da Igreja portuguesa parece contrariar o pensamento de Sua Santidade o Papa, o que para os verdadeiros católicos deve ser uma vergonha."
Mário Soares, aqui

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