quarta-feira, 1 de maio de 2013

1 de maio: dos “mártires de Haymarket” a tantas vozes caladas!

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UM POUCO DE HISTÓRIA
O dia 1 de Maio, com antigas raízes pagãs na tradição europeia, celebrando a Primavera, comemora o Massacre de Haymarket em Chicago em 1886 que ocorreu na sequência do lançamento e explosão de uma bomba de dinamite para a polícia que dispersava uma manifestação durante uma greve geral exigindo a jornada de trabalho de 8 horas. Como resposta a polícia abriu fogo contra a multidão tendo morrido dezenas de manifestantes e vários polícias.
Esse dia foi celebrado nos anos seguintes em honra dos “mártires de Haymarket” até que em 1904 a Conferência Socialista Internacional reunida em Amsterdão apelou a todos os partidos e movimentos socia...is-democratas e sindicatos de todos os países para usarem esse dia promovendo manifestações pela imposição legal da jornada de 8 horas de trabalho, pelas reivindicações de classe do proletariado e pela paz universal. Ao longo do século XX as classes trabalhadores ambicionaram fazer deste dia um feriado legal e obrigatório e foram, em geral, bem sucedidas. Curiosamente, nos Estados Unidos da América, o Labour Day não é a 1 de Maio, um dia normal de trabalho, mas na primeira segunda-feira de Setembro.

Palavras gritadas e vozes caladas!
Eis mais um feriado, um feriado ferido. Devia ser de festa este dia e é provável que algum ar de festa se venha a respirar. Mas o espírito de muitos mantém-se em apuros, dominado pela incerteza e sufocado pela ansiedade. É Dia do Trabalhador. E quem tem trabalho nos tempos que correm até terá motivos para celebrar. Os direitos do trabalhador são sagrados. Mas será que o trabalho continua a ser um direito? Importante é que (neste e em todos os dias) pensemos em quem procura trabalho, em quem foi despedido do trabalho, em quem procura e não encontra, em quem bate a portas que estão fechadas. É, pois, um feriado diferente. É, pois, um feriado ferido. Escutemos as palavras gritadas. Mas não deixemos de prestar atenção a tantas vozes caladas!

João Teixeira, in facebook

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