segunda-feira, 22 de abril de 2013

"Esposas de Viseu"

Um grupo que se intitula como "Esposas de Viseu" divulga, através de um site, uma lista de matrículas e marcas de carros que pertencem, alegadamente, aos maridos que procuram prostitutas na Quinta do Grilo e na Quinta do Galo.
Fonte: aqui

 Não conheço nem sei onde ficam tais bairros na cidade de Viseu.
Penso que seria de mau tom tecer aqui comentários  e soltar moralismos sobre estas esposas, seus maridos e as pessoas que residem em tais bairros e que estão na origem da questão.
Penso, contudo, que vivem naqueles lugares pessoas que são cidadãos honestos e cumpridores e que têm todo o direito a um ambiente físico e moral saudável.

Mas, como no caso das "mães de Bragança", também devemos ver além da fatualidade e questionar a realidade do povo e dos cidadãos que somos.

1. O relativismo moral. Hoje tudo é permitido, porque cada pessoa fabrica a sua própria ética. É bom o que agrada a cada um, é mau o que lhe desagrada. A universalidade e perenidade dos valores não conta perante o relativismo.

2. O Individualismo e o egoísmo como bandeiras. "Ninguém tem nada com a minha vida. Faço o que eu quiser", ouve-se frequentemente. Para quem assim pensa e age, os outros só contam enquanto servem o seu ego.

3. A família como um espaço de descanso e de hotel. A família não é vista como comunidade de vida e de amor, onde se partilha, se acolhe e é acolhido, onde se ama e é amado, onde é humanizada a intimidade do casal, onde  se tem presente que ninguém ama a sério sem sacrifícios pessoais, onde os problemas se resolvem sem virem para a praça pública.

4. A dignidade da pessoa humana, tapete de interesses económicos. Perante as dificuldades económicas, psíquicas, sociais - de hoje e de sempre - muitas pessoas sentem-se muito frágeis e há quem se aproveite da situação. Na "indústria da prostituição", não faltarão imensos casos...

5. "A melhor defesa é o ataque", diz-se no mundo do futebol.  Nos vários campos da vida, há quem ataque para defender as suas fragilidades. O Nazareno não falou sem saber bem o que dizia: " Por que motivo reparas no cisco que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?"

6. A devassa da privacidade. O pior julgamento é o da praça pública, tantas vezes com consequências irreparáveis. O direito à privacidade é constantemente posto em causa, mesmo quando essa privacidade nada tem a ver com prevaricação.

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