quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Combatam a pobreza! Não combatam os pobres!


Já não está entre nós pois faleceu há cinco anos mas não o devemos esquecer. Os franceses consideraram-no durante 17 anos o Homem mais querido e admirado do seu país – a França.
Conhecido como Abbé Pierre, ele foi um verdadeiro profeta. Sem papas na língua, incomodava os poderes instituídos quando os atacava duramente pela falta de apoio aos pobres e aproveitava todas as ocasiões para colocar o dedo na ferida da luta contra as desigualdades sociais e o desemprego.

«A vida ensinou-me que viver é usar o breve tempo dado às nossas liberdades para aprenderem a amar e a preparar-se para o breve encontro com o Eterno Amor. Essa é a chave da minha vida e dos meus actos.»
De seu nome de baptismo Henri Grouès, o "Abbé Pierre", era o quinto filho de uma família de cinco rapazes. Nasceu no dia 5 de Agosto de 1912 em Lyon. Quando tinha 15 anos, no decurso de um congresso de jovens cristãos em Assis, sentiu o chamamento divino. E aos 18 anos entrou nos Frades Franciscanos, tendo sido ordenado em 1938.
Trabalhou na catedral de Grenoble e na Alsácia, antes de se empenhar na Resistência durante a II Guerra Mundial – período em que ajudou muitas pessoas a fugir para a Suíça, sendo conhecido, na resistência, como "Abbé Pierre" para não ser identificado.
Em Novembro de 1949 fundou a associação Emaús, uma comunidade que se consagra à construção de casas provisórias para os sem-abrigo, financiada pela revenda de objectos de recuperação muitas vezes apanhados no lixo.

O Movimento de Emaús abarca hoje mais de cem comunidades em que vivem e trabalham mais de quatro mil pessoas, em quarenta países dos cinco continentes.
– «É um santo», afirma, em geral, a maioria dos franceses.
Velhinho e de barba branca poder-se-ia facilmente confundir com um Pai Natal, mas a dureza na expressão e o dedo acusador não casam com aquela simpática e artificial figura. Profeta denunciando as injustiças e a opressão dos pobres a par da vaidade e ineficácia dos governantes – era deste modo que ele entrava nas casas francesas quando aparecia nos ecrãs de televisão a atacar os políticos de Paris, sem distinguir se são da esquerda ou da direita.
A sua mensagem continua actual: – Combatam a pobreza! Não combatam os pobres! – dizia ele aos políticos.
Agora que celebramos o seu centenário, aqui fica mais uma vez a nossa homengem.
Fonte: aqui

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