sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Os ricos e a crise

Terminadas as férias, damo-nos conta da realidade. Os meios de comunicação falam-nos do aumento dos desempregados sem subsídio e dos que vêem a sua vida a andar para trás.
O número de pessoas que procura ajuda para comer está a aumentar e o principal motivo que as pessoas alegam para pedir refeições às organizações de solidariedade é o desemprego. Mas há pessoas que têm emprego e um tecto onde viver, mas o dinheiro que ganham vai todo para a casa ou para o quarto e acabam por não ter dinheiro para mais nada.
Muitos não têm rendimentos fixos nem certos, há famílias em que todos estão desempregados e a coisa complica-se.

Mas surgem também notícias inesperadas: há dias, Warren Buffet, o terceiro homem mais rico do mundo, desafiou o Presidente Obama a fazer os ricos pagar mais impostos. Antes já tinha tentado convencer Bush da justeza da ideia, apoiada pelo amigo Bill Gates. Mas se nos Estados Unidos há tradição de gente endinheirada a protestar com os políticos para que lhes cobrem mais, já do lado de cá do Atlântico isso também acontece. Conhece-se o caso dos 51 milionários alemães que escreveram em 2009 à chanceler Merkel a propor um imposto extraordinário
Nem todos os bilionários americanos (e são mais de 400, segundo a Forbes) alinham com Buffet, dono de 50 mil milhões de dólares e visto como um mãos-largas, que ainda há cinco anos fez a maior doação da história ao entregar 30 mil milhões à Fundação Gates. Contra estão figuras como Steve Ballmer, sucessor de Gates na Microsoft, ou Steve Forbes, o homem que dá nome à revista que se entretém a contar os magnatas do planeta e que chegou este ano à conclusão de que nunca foram tantos (1210) nem tão ricos no total (4,5 biliões de dólares). Ao lado de Buffet está, porém, Mark Zuckerberg, pai do Facebook e aos 27 anos dono de 13,5 mil milhões.
Também na Europa, representantes das dezasseis maiores fortunas de França pediram ao Governo para lhes impor um imposto especial de modo a puderem ajudar com a resolução da crise.
Isto não vai resolver a crise mas é uma ajuda e um grande estímulo. Não podem ser só os pequenos e a classe média a ser sacrificados.
In O Amigo do Povo

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