sexta-feira, 20 de julho de 2007

Humor episcopal

Certo sacerdote, muito zeloso da sua missão, dizia a todos os seus colegas não precisar de férias, para nada. O seu bispo, preocupado com este excesso de zelo, insistia então com o tão activo sacerdote, que reservasse algum tempo, fora das suas actividades comuns, para descansar. O pároco respondia, prontamente ao seu bispo:
- Não preciso de descansar, até porque não me sinto cansado.
Perante a santa teimosia do padre, o bispo deixou-lhe esta recomendação:
- Olhe, vá de férias, mesmo assim. Se não precisa o Senhor, por certo precisarão os seus paroquianos. Dê-lhes esse gosto!

Meus caros: não esperem pela demora. Eu vou descansar algum tempo. Não será tanto como os meus paroquianos mereciam, mas é o possível. Ahahahah

Apoio à natalidade e à família

O primeiro-ministro anunciou hoje um programa de apoio à família e à natalidade, aumentando o abono de família para as crianças e criando uma nova prestação de apoio à gravidez. As medidas de José Sócrates foram reveladas no seu discurso inicial do debate do Estado da Nação, a decorrer hoje no Parlamento.

Sócrates disse que será criada "uma nova prestação de abono de família, que será paga às futuras mães a partir do terceiro mês de gravidez".
"Garantido o acompanhamento médico, as mulheres grávidas, que preencham os requisitos para receber o abono, passarão a ter direito a seis meses de apoio financeiro adicional. Com esta prestação apoiaremos mais de 90 mil famílias e o valor do abono dependerá dos rendimentos. Mas para cerca de 32 mil famílias isto significará um novo apoio de 130 euros", sustentou.

Asegunda medida de apoio à natalidade, de acordo com Sócrates, destina-se a apoiar as famílias mais numerosas nos segundo e terceiro anos de vida das crianças - "período em que o acréscimo de despesas é mais relevante e onde o actual abono de família é substancialmente mais baixo". O Governo vai por isso "duplicar o abono de família, neste período de vida das crianças, para segundos filhos e vamos triplicá-los para os terceiros filhos e seguintes. Trata-se de envolver mais de 90 mil crianças e respectivas famílias num apoio social muito mais efectivo, durante um período em que isso é particularmente necessário", sustentou.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, nos últimos 20 anos, Portugal caracteriza-se pelo decréscimo da taxa de natalidade tendo passado de uma média de 12,2 para 10 crianças por cada mil habitantes. Por outro lado, entre 1987 e 2006 as mulheres portuguesas tiveram cada menos filhos e mais tarde. Com o decréscimo da taxa de natalidade e o aumento da longevidade a população portuguesa está a envelhecer tendo a proporção de jovens passado de 22 por cento em 1987 para 15 por cento em 2006.

Sic online

Estas medidas entram em vigor no dia 1 de Setembro.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Julho e Agosto: migrantes de volta à terra natal

Quero saudar os numerosos emigrantes que nesta altura do ano visitam a sua terra. Este tempo é para eles de particular importância, não só porque descansam como também reencontram a família e ambientes que lhes falam particularmente ao coração. Saúdo-os com amizade e partilho da alegria da família que os acolhe. É esfusiante o contentamento dos avós pela visita dos netos. Derretem-se todos. É bonito.

Nós, portugueses, temos o mau hábito de dizer sempre mal de Portugal. Em Portugal está sempre tudo mal, pois lá fora é que é. Lá fora é que há boas estradas, bons médicos, bons hospitais, bons professores, bons padres, boas repartições públicas, bom atendimento... Tudo bom. Aqui é uma miséria. Mas será mesmo assim??? Sé é, por que razão escolhem os emigrantes o pouco tempo que cá passam para tratarem da saúde, por exemplo? Claro que não me refiro de modo algum a doenças graves ou repentinas.

Uma das coisas que chama a atenção a muita gente e a deixa com menos boa impressão dos emigrantes é uma certa fanfarronice, que se revela em altas máquinas, algum querer dar nas vistas e chamar atenção, o tom crítico e superficial como se referam à nossa realidade, o uso da língua estrangeira para se "armar", a maneira como exigem tudo e não agradecem nada, etc. Mas, dizia-me há dias alguém, os que são daqui e vivem em Lisboa não têm comportamento diferente. E acrescentava que ainda são mais empertigados e exigentes...

Toda a gente sabe que a vida não é fácil em parte nenhuma do mundo. E que também os emigrantes, para terem algum coisa, têm que lhe dar no duro. Muitas vezes, quem os vê por aí, está bem longe de imaginar como a vida lá lhes é custosa. É que se não pouparem não vão a lado nenhum, porque se ganham bem melhor, também a vida é mais cara. Então não há como cultivar a simplicidade de vida esteja-se onde se estiver. Nenhuma pessoa tem motivos para se "armar". A vida é tão frágil que, quando menos se espera, traz à tona a nossa pobreza.

Sem dúvida que Portugal deve muito aos seus emigrantes, pelas divisas que estes para aqui canalizam, pelo incremento económico das regiões, pelo rasgar de horizontes, pela valorização pessoal de tantos e tantos. Além disso, a cultura portuguesa tem-se infiltrado no mundo graças, em grande parte, aos emigrantes.

Boas férias, amigos! Na simplicidade de vida.

Este (des)governo é o máximo!!!

Uma senhora que esteja grávida e que se veja forçada a ficar de baixa antes do parto, sem este ser de risco, recebe um subsídio de 65% do seu ordenado; uma mãe que tenha de assistir na doença um seu filho menor recebe 65% do seu ordenado.

Mas...

A interrupção voluntária da gravidez dá direito a 30 dias de licença com 100% do ordenado!

Ah! E Portugal é o país da União Europeia com mais BAIXA taxa de natalidade!

Que tal???

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Celebrar na gratidão 48 anos de casados

Haviam telefonado na semana passada. "Olhe, antes de fazer a agenda, veja se lhe é possível celebrar no povo tal, na 4ªfeira. Fazemos 48 anos de casados e tínhamos imenso gosto de participar na Eucaristia nesse dia."
Nestas ocasiões é só se mesmo não puder. Lá estive. Celebrei pelas intenções que estavam no altar. Participou o grupinho que normalmente costuma estar. Tudo com muita simplicidade.
Falámos um bocadinho da beleza do Sacramento do Matrimónio, do encanto que é celebrar 50 anos menos dois de vida a dois. Louvámos a Deus, fonte de todo o amor. Agradecemos o dom dos filhos "um está no Céu, mas, tal como os outros 5, tem morada no nosso coração". Antecipando o dia 26 - Dia dos Avós - dissemos do enlevo que é ser avô/ó, e do papel cada vez mais importante que estes são chamados a desempenhar na educação cristã dos seus netinhos. Felicitei-os vivamento pelo muito que, ao longo destes anos, têm dado à Igreja. Casal apostólico, soube sempre abrir-se aos outros, encontrando aqui razões de crescer no amor a dois.
Depois, em sua casa, tomei com eles e outros familiares um refeição a que a amizade deu outro sabor.
QUEREMOS UM AMOR SEM PRAZOS DE DURAÇÃO. O MATRIMÓNIO NUNCA PODERÁ SER UM EGOÍSMO A DOIS. MAS ENTREGA AMOROSA DE UM AO OUTRO. À IMAGEM DE JESUS CRISTO...

Unidades Pastorais, sim ou não?

Há uns anos falava-se de "equipas sacerdotais"; hoje fala-se de "unidades pastorais".
Felizmente, estive durante 12 anos numa equipa sacerdotal nesta zona, que não nesta comunidade paroquial.
À distância de 16 anos, continuo grato ao Bispo que a possibilitou e aos colegas com quem trabalhei. Foi um experiência muito positiva para mim.
Continuo acérrimo defensor deste tipo de trabalho pastoral, desde que as equipas surjam com espontaneidade, tenham um projecto de acção pastoral e os sacerdotes que as integram estejam aí de corpo e alma, convictos, decididos, sentindo-se bem. Equipas impostas, não.
Numa Igreja "casa e escola de comunhão" compete à devida autoridade diocesana estar atenta aos sinais e, dentro de um quadro pastoralmente abrangente e contextuado, saber acolher o sentir e o pensar dos sacerdotes e as reais necessidades do povo de Deus. Penso que a colocação dos sacerdotes "para tapar buracos" pode ser pastoralmente ineficaz e pessoalmente contraproducente.

1. Uma equipa sacerdotal sedimenta-se na oração comunitária, que, de forma alguma, prescinde de um espaço individual de contacto com Deus.

2. Uma equipa sacerdotal exige um plano de acção pastoral, de modo a haver objectivos que a unifiquem e estratégias que a mobilizem.

3. Trabalhar em equipa exige humildade e capacidade de ultrapassar situações de alguma conflitualidade que são humanamente compreensíveis.

3. Trabalhar em equipa sacerdotal requer forte capacidade de amizade, tendo em vista evitar protagonismos que menosprezem os demais. O protagonista só pode ser Cristo.

4. Estar em equipa sacerdotal é saber dar o melhor de si mesmo, exponenciando dons e qualidades. Aqui, a diversidade, bem canalizada, é um serviço maravilhoso ao povo de Deus, contribui para a realização pessoal e de todo o grupo.

Equipas sacerdotais. Além de diminuir encargos e despesas, são especialmente um óptimo meio de evitar a solidão, que, tantas vezes, magoa demais.
Recordo com saudade aqueles momentos em que os três partilhámos experiências, vivências, actividades pastorais, sensações, alegrias, decepções. Então aquele almoço, aos domingos, era mágico.
Pastoralmente, as equipas podem ser de uma riqueza! Quando o padre trabalha sozinho, tem que "ser pau para toda a colher". Mas quando está em equipa, cada um pode dar o máximo naquilo em que se sente bem, para que tem mais jeito, em que vaza melhor os dons que Deus lhe deu. E quem lucra? Quem é melhor servido? O povo de Deus.
Até psicologicamente o trabalho de equipa é importante. As pessoas não ouvem sempre o mesmo ao domingo. A diversidade de sacerdotes responde melhor às diversas sensibilidades existentes na comunidade. Depois, se por um motivo ou outro, um sacerdote teve um choquezinho com uma comunidade, e porque no domingo seguinte aparece outro, dá tempo para que as coisas serenem, se ultrapassem e, quando voltar, esteja tudo normalíssimo.
As mudanças são sempre difíceis nas comunidades. Mesmo os que as desejam, quando surgem, normalmente terrincam os dentes. Se é sempre o mesmo a puxar, caem em cima, "lá está ele, sempre com a mania, só ele é que faz assim ou faz assado". Mas se um, dois, três, em momentos diferentes e com maneiras de ser e estar diferentes, dizem o mesmo, apontam a mesma direcção, então é tudo muito mais fácil.

Penso humildamente que será o caminho a repercorrer nesta diocese que julgo ter sido pioneira neste tipo de trabalho pastoral. Hoje vêem-se os Bispos de outras dioceses a apontar a necessidade unidades pastorais.

Daqui, do meu cantinho, quero deixar um abraço de gratidão aos grandes amigos, Padres Ramos e Matias. Pelo que aprendi convosco, pela partilha feita, pela amizade vivida, pela paciência que tivestes para comigo, pelo caminho percorrido, pela doação que fizemos às comunidades que servimos. Bem-hajam.

Veja. é importante!

Sempre em cima do acontecemento. Sempre com a reflexão oportuna.

Veja! É importante.

1. "PELO MENOS, FAZ PENSAR"

2. "QUEM CONTACTAR?"

http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt/

terça-feira, 17 de julho de 2007

Acabar com os inimigos

Quem lida com muita gente sabe que não é fácil viver com as pessoas. Cada uma tem o seu modo de ser e às vezes descobrem-se feitios muito agrestes. Por isso sempre me admirei de ouvir dizer a certas pessoas – por vezes com muitos anos – que nunca tiveram inimigos nem sequer zangas dignas desse nome.

Aqui há dias fui visitar uma pessoa de idade e conversámos longamente. Trata-se de uma mulher que vive num lugar pequeno e onde são raras as pessoas que falam com toda a gente. Veio à baila também o assunto das inimizades. E ela disse-me:
- Sabe! Tenho muita pena de viver num lugar destes onde há tantas pessoas que se não falam. Outrora parece que não havia pessoas assim. Por exemplo: eu nunca me deitei zangada com ninguém. Até lhe posso contar um caso verdadeiro que se passou comigo.

Um dia disseram-me que fulana estava muito zangada comigo. Que lhe tinham dito que eu disse mal dela. Que isto, que aquilo... E eu disse diante de quem estava:
– Vou já acabar com essa minha inimiga!...
E as pessoas não me queriam deixar ir a casa dela. Pensavam que eu lhe iria fazer mal. Fui e comecei por lhe dizer com brandura:
– Ouvi dizer que estás muito brava comigo. Quero que me perdoes. Mas primeiro diz-me o que aconteceu. Eu não sei bem o que te foram contar. Se calhar, eu no teu lugar ficaria também chateada se ouvisse falar assim mal de mim. Mas conta-me o que te disseram.
E a rapariga quebrou. Disse-me que tinha sido doida em dar valor ao que lhe contou a outra. Até porque ela sempre gostou de intrigas. Que lhe perdoasse o ter desconfiado de mim.
As pessoas nem queriam crer! Daí a pouco já nos viam juntas e amigas como dantes.
– Então tu ainda há pouco dizias que ias dar cabo da tua inimiga e já andas de braço dado com ela?!
– E não dei?! Onde é que está a minha inimiga?! – retorqui a rir.

Há muitos modos de acabar com as inimizades e até com os inimigos. Essa é uma verdade sem contestação. Podemos destruir os inimigos pela força, pela violência, pelo desprezo. Mas ressurgirão outra vez. Eles e (ou) outros.
Todavia, quando se procura destruir a inimizade com gestos de amor, de compreensão e bondade, ganhamos muitos amigos que, por sua vez, também hão-de seguir o exemplo de amor e perdão em relação aos seus inimigos.

In "Amigo do Povo"

segunda-feira, 16 de julho de 2007

As minhas 7 maravilhas

Ao encontrar-me hoje com um grupinho de pessoas amigas, falámos de muitas coisas. A conversa entrou nas "7 maravilhas do mundo" e nas "7 maravilhas de Portugal". Às tantas um dos presentes disparou: "Para si quais são as sete maravilhas do mundo?". Ripostei de imediato: "A primeira e dadora de sentido às outras eu sei qual é. É o amor misericordioso do Pai, revelado em todo o seu esplendor em Jesus Cristo, meu Senhor. As outras, preciso de pensar e de as organizar."
"Então faça isso e publique no seu blog - desafiou-me.
- Vou ver, vou ver - respondi.

Então, ei-las:

1. O amor misericordioso do Pai, revelado em todo o seu esplendor em Jesus Cristo. E Jesus Cristo é o meu mar, sem o qual sou como peixe fora de água.

2. A minha mãe. Velhinha, mouca, doente. Para mim, ícone do rosto materno de Deus. O silêncio acolher que sempre e melhor falou à minha vida.

3. A Igreja. Minha pátria e casa da comunhão, sinal e porta do reino. Sem ela nada saberia de Cristo, não teria Cristo.

4. A comunidade que sirvo. Com as suas pessoas, grupos, crianças, jovens, adultos e velhinhos. Com as suas alegrias e fracassos, os seus sonhos e deslusões.

5. Os amigos. Tesouro incalculável, presença indispensável, certeza inalienável.

6. João XXIII, Teresa de Calcutá, Óscar Romero. Fascina-me o modo como deixaram brilhar na sua vida a Luz e o Amor de Deus!

7. A democracia. Quando era jovem, antes do 25 de Abril, devorava as notícias sobre eleições e vida democrática de outros países. Sentia então fervilhar dentro de mim o sonho, a esperança, a liberdade. Jamais esquecerei o êxtase que foi para mim o 25 de Abril. E sonho que homens e mulheres livres hão-de construir a verdadeira democracia. Para todos. Com todos.

Pronto, cumpri a promessa. Com o coração. O meu coração.

Supressão de Paróquias?

Segundo D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, a Igreja está a reflectir sobre a possibilidade de uma nova reorganização territorial. E estima-se que mais ou menos um terço das paróquias deverão acabar....

"A Igreja Católica portuguesa está a equacionar a fusão de paróquias para colmatar a falta de padres. Trata-se de uma revolução administrativa que pode levar à diminuição para cerca de um terço das 4300 paróquias actuais".

Uma paróquia para continua a existir deverá ter o minimo de condições?
Achas que a solução está na supressão, na fusão...?
Achas que esta é a solução para colmatar a falta de padres?
http://padre-inquieto.blogspot.com/

Saramago acha que Portugal acabará por tornar-se uma província de Espanha

O prémio Nobel português José Saramago prevê, numa entrevista publicada no "Diário de Notícias"(15-7-07), que Portugal vai acabar por tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que se chamaria Ibéria para não ofender "os brios" dos portugueses.

O escritor, que reside há 14 anos na ilha espanhola de Lanzarote, considera que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha.

Portugal tornar-se ia assim, sugere o Nobel português, mais uma província de Espanha: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal". "Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar", disse o escritor, membro do Partido Comunista Português desde 1986.

Questionado sobre a possível reacção dos portugueses a esta proposta, Saramago disse acreditar que aceitariam a integração, desde que fosse explicada: "não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. (...) Não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português". Na visão do escritor, Portugal não passaria a ser governado por Espanha, passaria a haver representantes de ambos os países num mesmo parlamento e, tal como acontece com as autonomias espanholas, Portugal teria também o seu próprio parlamento.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1299516&idCanal=14

Concorda com Saramago?

domingo, 15 de julho de 2007

Lei do aborto e eleições em Lisboa

1. Lei do aborto
"(...) Infelizmente, hoje (15-7-07) é o dia em que se assinala a agressão a esta cultura da proximidade já que entra em vigor a lei do aborto.
É verdade que algumas instituições, pressurosas, já começaram a aplicá-la, apesar de (isto é sempre bom reconhecer) haver um apreciável conjunto de profissionais de saúde que se recusam a aplicar tal lei.
Já aqui escrevi e repito: impressiona que o aborto seja pago por todos excepto por quem o pratica.
Se o estimado amigo tiver uma constipação ou sofrer um AVC, não é dispensado de uma taxa moderadora. Ou seja, um acto involuntário é cobrado.
Já o aborto, uma decisão voluntária, passa a ser gratuito.
Não desmoronemos, porém. Continuemos a porfiar por uma autêntica cultura da vida. Junto das pessoas!" - http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt

2. Eleições autárquicas em Lisboa
O socialista António Costa ganhou hoje as eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa (CML), mas sem maioria absoluta, garantindo seis dos 17 mandatos em jogo, correspondentes a 29,54 por cento dos votos.
Num sufrágio marcado pela forte abstenção, o independente Carmona Rodrigues, ex-presidente da CML, então apoiado pelo Partido Social Democrata, garantiu três lugares na vereação, com 16,70 por cento, suplantando mesmo a candidatura social-democrata, encabeçada por Fernando Negrão, que se ficou pelos 15,74, embora elegendo também três vereadores.
A outra independente entre as 12 listas candidatas, a ex-socialista Helena Roseta, conseguiu dois mandatos, com 10,21 por cento, à frente da Coligação Democrática Unitária, liderada por Ruben de Carvalho e agregando o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista "Os Verdes", que obteve 9,53 por cento e também dois postos na vereação.
No sexto lugar, conseguindo a reeleição para o lugar de vereador, surge José Sá Fernandes, do Bloco de Esquerda, com 6,81 por cento, enquanto o democrata-cristão Telmo Correia falhou a eleição, ficando-se pelos 3,70 por cento, seguido pelo cabeça-de-lista do PCTP/MRPP, Garcia Pereira, que atingiu 1,59.
As restantes listas, do Partido Nacional Renovador (0,77), do Partido Nova Democracia (0,61), do Movimento Partido da Terra (0,54) e do Partido Popular Monárquico (0,38), ficaram abaixo de um por cento de votos, enquanto os votos em branco ascenderam aos 2,31 por cento e os nulos cifraram-se em 1,53.
As eleições foram convocadas na sequência da "queda" do executivo municipal de Carmona Rodrigues, após o ex-edil lisboeta ter sido constituído arguido no denominado caso Bragaparques.


3. Que se pode concluir destas eleições?
  • Elevadíssima abstenção: A taxa de abstenção nas eleições intercalares da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que consagraram o socialista António Costa como presidente, cifrou-se hoje em 62,61 por cento, registando-se 2,32 por cento de votos em branco e 1,58 de nulos. Será que tamanha a abstenção terá só a ver com as férias, a praia e o Verão??? Não será também um enorme cartão vermelho mostrado à classe política??
  • Mau resultado para o PSD. «O resultado é mau. A responsabilidade é minha», assume Marques Mendes. O secretário-geral do PSD vai antecipar as eleições directas para a liderança do partido e anuncia que será candidato.
  • Vitória escassa para o PS. O PS jogou tudo nesta campanha, apesar disso não foi além dos 29,54%, claramente a milhas do resultado que obteve nas últimas eleições legislativas. Apesar das fragilidades várias da oposição. Claramente um castigo para quem (des)governa o país. E só prova que, com uma oposição séria e credível, que dê vazão ao descontentamente geral e apresente soluções viáveis e mobilizadores, tudo pode ser diferente.
  • Os independentes Carmona Rodrigues e Helena Roseta obtiveram bons resultados. O 1º ficou em 2º lugar, à frente do PSD e a 2ª, à frente das restantes forças políticas. Não terão os aparelhos partidários de reflectir? Não deverão romper o colete de sete forças em que se deixam prender para se espraiaram em direcção à sociedade civil da qual andam distraidamente distantes?

Só nos fazem bem!

Hoje de tarde fui ao encontro de um grupo de sacerdotes. Foi um momento muito bonito. Conversámos, partilhámos, rimos, passeámos um pouco, tomámos uma refeição juntos.
Se é sempre importantísiima esta experiência de comunhão sacerdotal, ela sabe ainda melhor nesta altura do ano em que o cansaço e o desgaste se fazem especialmente sentir.
Um sacerdote, meu mestre em tanto e tanto, costuma dizer frequentemente: "Só padre entende padre". Realmente, após estes momentos de partilha, sinto-me melhor, mas renovado, menos cansado, mais fortalecido.
É pena que encontros destes não se possam realizar com a frequência desejada, dados os muitos trabalhos que nos envolvem. Só nos fazem bem.

sábado, 14 de julho de 2007

Tempo Comum - 15º Domingo

«E quem é o meu próximo?»
Jesus, tomando a palavra, disse:
«Um homem descia de Jerusalém para Jericóe caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
«Então vai e faz o mesmo».
( Lc 10, 29-37)

Vinte e sete quilómetros de estrada, chegaram para mostrar duas direcções diferentes, no caminho entre Jericó e Jerusalém:
1. Primeiro, a direcção circular dos que giram e vivem a partir de si e para si, seguindo espontaneamente os seus desejos, projectos e instintos. É o caso dos ladrões que vêem no homem caído apenas um objecto a acrescentar à sua riqueza… ou o caso dos sacerdotes e levitas que vêem no homem meio-morto, pouco mais que um dejecto, com quem não vale a pena sujar as mãos. Todos estes vêem o pobre Homem a partir de si. E é porque vêem assim, que passam ao lado. Estes só conhecem o sinal de sentido único: o do seu próprio interesse e satisfação.
2. Ao contrário, há um homem que vai noutra direcção: a dos que se vêem e revêem, a dos que vivem, para o outro e a partir do outro. É o caso de um samaritano, que estava de viagem e, por sinal, não ia em peregrinação. Ele chega a Deus, desviando-se, para o próximo. O samaritano não vê primeiro, para só depois se aproximar. Ao contrário, ele aproxima-se primeiro, para depois começar a ver. É precisamente porque se aproxima, que vê e se compadece. Este homem cumpriu a regra principal do código da aliança: o “outro” goza sempre de prioridade, na estrada da sua vida.
O que é teu é meu, pensaram os salteadores. O que é meu é meu, pensaram o sacerdote e o levita. O que é meu é teu, pensou o Samaritano... que usou de compaixão... vai e faz o mesmo tu, também!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Baga de sabugueiro

Importante para o concelho de Tarouca!

Veja em:

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=45127

O meu condiscípulo Adriano Alberto

Dos 56 garotos que em 1963/64 entraram no Seminário Menor, dois estão no exercício do sacerdócio ministerial: o P.e Dr Adriano Alberto e a minha humilde pessoa.
Uma grande amizade nos une, apesar de alguma distância que nos separa. Aliás essa amizade estende-se às nossas famílias. Várias vezes nos encontramos e já participámos e organizámos viagens ao estrangeiro juntos.
A convite seu, algumas vezes estive nas suas paróquias, mormente ao serviço da proclamação da Palavra. E sempre vim edificado. As paróqias a que preside são comunidades crentes, bem estruturadas, participativas, onde senti um laicado empenhado.
Aprecio sobretudo a sua relação com a comunidade. Próximo, acessível, atencioso, delicado, conciliador. Mas vê ao longe. Com uma postura calma, sabe orientar a sua comunidade, avançando para as reformas que se impõem. Não tem de forma alguma um estilo populista, evitando naturalmente o "porreirismo" tão em voga em alguns casos. Sabe estar para ajudar a caminhar.
Pessoa sensata, não avança segundo impulsos do momento. Gosta de refectir, medir bem as coisas, para descobrir o caminho certo. É assim em tudo na vida. Nem que seja a compra de uma roupa ou de um carro.
Deus ornou-o de muitas qualidades e capacidades. Além de uma maneira de ser estupenda, é um músico por excelência. Licenciado em Música e Teologia, exerce a docência da disciplina de Educação Musical na escola pública. Procura sempre estar actualizado, recorrendo à leitura e aos muitos cursos que tem frequentado. É um organizador nato e uma pessoa atenta. Como prova, aí está o Centro da 3ª Idade que se encontra já na fase final (internato), respondendo assim a carências graves patenteadas polos idosos da Serra do Montemuro.
Arcipreste de Cinfães há dois mandatos, por vontade do Bispo e por aceitação unânime dos colegas que aí trabalham, tem desenvolvido um óptimo trabalho quer na coesão do clero quer na dinamização pastoral do arciprestado.
Dou comigo muitas vezes a pensar se o meu condiscípulo - e outros sacerdotes como o grande amigo, P.e Dr Armindo da Costa Almeida, não precisariam de outra largueza de trabalho para melhor poderem "dar corda aos sapatos". Claro, sem qualquer desprimor para com as comunidades que servem. Parece-me que precisariam de outros horizontes e outros desafios para melhor vazarem as enormes potencialidades que o Senhor lhes deu. Mas Deus, a Igreja e eles é que saberão. Que a Luz do Espírito a todos ilumine e seduza.
Aquele abraço, Adriano Alberto!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Sabe quem foi Gil Vicente?

Hilariante

"A obra dramática de Gil Vicente"

"A obra dramática de Gil Vicente" - Os alunos que temos para vergonha de 30 anos de ensino que o Estado fornece e nós pagamos .

«Eu não tenho dúvidas que o Gil Vicente é muito importante, apesar de nunca ter ganhado o campionato de futebol. É importante porque ás vezes ganha ao Benfica, otras ao Sporting e otras ao Porto, tirando a eles o primeiro logar. E também por isto é que a sua obra é dramática porque é um drama para os benfiquistas, os sportinguistas e os portistas quando ganha.»

Esta foi a a resposta de um aluno do secundário a uma pergunta sobre a obra dramática de Gil Vicente, transcrita no Público de 11.8.2004.

En viado por email

Missa em Latim...

Passados 40 anos...!!!???

A Missa tridentina é um termo usado para designar a Missa celebrada, em Latim, de acordo com as formas sucessivas do Missal Romano tal como foi promulgado em 5 de Dezembro de 1570 por São Pio V, implementando a decisão do Concílio de Trento, (Tridentina é a forma adjectival de Trento), e posteriormente revista por outros papas em 1604, 1634, 1888, 1920, 1955 e 1962. A Missa tridentina é também conhecida por Missa tradicional, Missa de São Pio V ou "Missa de Sempre", embora houve muitas diferências entre a Missa de 1570 e a Missa dos primeiros séculos em Roma, antes do Papa Gregório I - para não falar das formas da Missa em ritos que não são o romano. O missal de 1962 é utilizado pelas principais comunidades católicas tradicionais. O Missal Romano de 2002 é a forma actual do Rito Romano da Missa, modificada segundo as instruções do Concílio Vaticano II.

Em 7 de Julho de
2007, o Papa Bento XVI promulgou o Motu Proprio "Summorum Pontificum", em que liberaliza o uso do Missal Romano editado em 1962 como forma extraordinária do rito romano, sendo a forma ordinária o Missal Romano publicado por Paulo VI.

Esta decisão de Bento XVI pretende satisfazer a exigência de uma facção tradicionalista de padres e bispos, a Fraternidade de S. Pio X, fundada pelo bispo Marcel Lefèbvre, excomungado por João Paulo II por ter ordenado bispo sem autorização de Roma, além de negar a autoridade papal.
Ultimamente, aquela associação teve diversos contactos com Bento XVI que se mostrou disponível a permitir a celebração da missa de S. Pio V, como forma de aproximação aos padres tradicionalistas, no sentido de eles retomarem a comunhão com a Igreja de Roma.
Analistas no Vaticano consideram que esta é uma vitória das facções tradicionalistas católicas.
A chamada missa de S. Pio V (século XVI) vigorou até 1965, quando o Vaticano II decidiu permitir rezar a missa em latim, mas segundo a fórmula actual: o padre voltado para o povo e uma participação mais plena dos fiéis na celebração, como a leitura de textos bíblicos.
Na missa de S. Pio V o padre realiza o culto de costas voltadas para a assembleia, as orações da missa são na sua maioria ditas em voz baixa, as leituras bíblicas são apenas feitas em latim e os fiéis não podem acercar-se do altar para qualquer tipo de participação, como por exemplo, a "oração dos fiéis", que não existia na missa tradicionalista.
Para o especialista em liturgia Pereira da Silva, enquanto, na missa de Pio V, assiste-se; no rito actual, participa-se.

Insistir no rito tridentino significa, na maior parte dos casos, não o simples voltar à Liturgia tridentina, mas sim o negar a legitimidade do Concílio Vaticano II. A questão não é meramente litúrgica, mas teológica e, particularmente, eclesiológica.


QUESTÕES PERTINENTES:

  • Irão os lefebvrianos reconciliar-se com a Igreja Católica com esta mudança? Suspeito que não.
  • Irá o regresso ao rito tridentino significar o regresso ao calendário litúrgico (incluindo o Santoral) pré-conciliar? Espero que não.
  • Estender-se-á o rito tridentino à celebração de todos os sacramentos, incluindo a Ordem, e com a terminologia pré-Conciliar?
  • Com esta decisão, agora a missa passa a ter quorum mínimo? Mínimo de 30 fieis e um padre que queira celebrar. É estranho, porque andámos tanto tempo a dizer que Eucaristia não é exclusivo de nenhum grupo é de todos, andamos a ensinar que não há Missa das crianças mas sim Missa com Crianças e agora vamos ter a Missa dos latinistas, dos tradicionalistas???
  • Muda também o conceito de comunidade paroquial em que os diversos movimentos tem que estar inseridos. Agora quem quiser, de forma bastante democrática pode organizar a sua própria paróquia e ganha grátis um relíquia pré conciliar, o Missal de Pio V.
  • Muda por fim a visão da Igreja/Hierarquia de ver o mundo. Face aos problemas em vez de procurar soluções, volta-se para trás para tentar ver se tudo volta a ser como era.
  • E já agora que é que está a dividir não serão aqueles que durante 40 anos colocaram tantos obstáculos à unidade, refugiaram-se na medievo, renegaram o concílio e tentaram semear a divisão na igreja? E não agora são os mesmo a falar de obediência à hierarquia, da defesa da íntegridade da fé católica?

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Que fique totalmente claro que ninguém é obrigado a celebrar a Missa em Latim! Felizmente! Com o exotismo que se vê por aí em tantos actos religiosos, mormente casamentos e baptizados, não faltaria quem, para aumentar o exotismo, quisesse a Missa em Latim! Como diz o povo, por mim "podem tirar o cavalinho da chuva"!