sábado, 22 de julho de 2017

O pão e o sinal vermelho

1. Uma pessoa chegou a casa e  trazia fome. Preparou o seu lanche e, no fim, reparou que não tinha pão nenhum a casa. Então dirigiu-se a uma família vizinha:
- Peço que me deem  pão. Tenho o lanche pronto, mas esqueci-me de comprar pão e não tenho nenhum em casa.
- Amável e sinceramente, da família vizinha escuta:
- Sim, senhor. Oferecemos com todo o gosto. E foram buscar um pão condignamente acondicionado.
- Oh! Não quero este. Quero pão de centeio.
- Mas o único pão que temos é o que lhe oferecemos. Aqui não usamos pão de centeio.
A pessoa que foi pedir devolveu o pão e debandou com cara de poucos amigos. Cá fora encontrou outros vizinhos e comentou:
- Aquela família é mesmo horrível! Imaginem que fui lá pedir pão e não mo ofereceu! Que família horrível! Não quero mais nada com aquela gente...
- Realmente! - concordaram os vizinhos, acenando para cima e para baixo.
 
Repare-se na ingratidão da pessoa que é de bradar aos céus. Repare-se igualmente como ela só disse aos vizinhos a parte que lhe interessava, porque se dissesse tudo, imediatamente os mesmos vizinhos lhe retiravam a razão. Repare-se como os vizinhos alinharam logo com a esta pessoa sem o cuidado de se informarem devidamente da situação...


2. Três cidadãos iam na estrada. A certa altura, apareceu, bem aberto, o sinal vermelho. O condutor da frente não ligou nada e continuou a circular. O condutor que vinha a seguir parou e esperou que o sinal virasse a verde, mesmo perante as apitadelas e protesto do carro que vinha atrás, que queria que o segundo cidadão não parasse, já que lhe convinha e não queria esperar.
Quem se respeitou a si mesmo e respeitou os outros? Não foi o condutor que cumpriu as normas, mesmo perante o mau exemplo do da frente e os protestos do que vinha atrás?
Quem, nestas circunstâncias, merece o elogio? Não é o segundo condutor que demonstrou conhecer as regras e respeitou as pessoas? A comunidade humana tem que ter regras, caso contrário, ninguém se entende.
 
Se quisermos, apliquemos estes dois casos à Igreja.
Quantas vezes se pede à Igreja aquilo que a Igreja não pode dar? A Igreja é para todos, mas não é para tudo.
E quantas vezes, na praça pública, fazemos alarme, nos queixamos e barafustamos porque a Igreja não fez o que pedimos, ocultando deliberadamente a verdade toda e salientando só aquilo que nos interessa?
E quantas vezes as pessoas que nos ouvem nos dão razão, sem terem o cuidado e a dignidade de se informarem devidamente da situação?
O que vale a dignidade da consciência para tanta gente?
 
Como comunidade, a Igreja, povo de Deus, tem que ter as suas normas. Não é em vão que Cristo disse a Pedro "Tudo o que ligares na terra será ligado no Céu..."
Parece  que muita gente só aprecia o porreirismo, quem não liga às normas, quem as transgride, quem não está para se chatear. Quem respeita a Igreja e as pessoas, cumprindo, é que é horrível, afasta, é retrógrado, impopular. Exatamente tudo ao contrário.
Bispo, padre, catequista, responsável que cumpram as normas é retalhado pela língua e pelo comportamento de muitos.
O que está a dar é ser bota de elástico... Que tristeza! Perdeu-se a consciência, a humildade, o respeito, a liberdade que o respeito oferece!
 
QUEM SAI DA IGREJA POR CAUSA DE PESSOAS, NUNCA ENTROU POR CAUSA DE JESUS.

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