quarta-feira, 12 de julho de 2017

Eliminar os padrinhos e madrinhas de Batismo e Crisma?


O Bispo de Melfi-Rapolla-Venosa, Dom Gianfranco Todisco, surpreendeu com a drástica decisão de eliminar por rês anos, mediante um decreto ad experimentum, os padrinhos e madrinhas de Batismo e Crisma. O decreto indica como motivo que, muitas vezes, falta a “responsabilidade de transmitir a fé com o testemunho de vida” entre os escolhidos.
No decreto, assinado em outubro de 2016 mas divulgado nos últimos dias, o Bispo explica que os párocos de sua jurisdição não podem garantir a idoneidade dos candidatos a padrinhos que os paroquianos apresentam.


Ora aí está um gesto profético de um bispo. Precisamos demais de gestos destes.
1. Os padrinhos são uma das maiores fontes de problemas nas paróquias.
Concordando plenamente com os critérios que a Igreja apresenta para quem vai ser padrinho/madrinha, deparamo-nos, a cada passo, com a necessidade de dizer "não" a quem não apresenta as condições necessárias para o ser, com o consequente cortejo de incompreensões, quezílias, revoltas, abandonos, agressividades...
2. Os pais não se escolhem. Mas os padrinhos escolhem-se!
Ao escolher, devem ser escolhidos de acordo com a orientação da Igreja à qual se pede o batismo para a criança.
Mas onde está o critério? O da Igreja? O dos interesses dos pais? O da conveniência? O do familiar que quer ser?
No geral, neste tempo paganizado em que se quer mundanizar a Igreja, tudo conta, menos os critérios da Igreja.
3. Os padrinhos são representantes da comunidade cristã e, como tal, têm de viver de acordo com a fé da comunidade.
Os padrinhos têm por "missão assistir na iniciação cristã ao adulto batizado [no caso de adultos], e, conjuntamente com os pais, apresentar ao batismo a criança a batizar [no caso de crianças] e esforçar-se por que o batizado viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes." (Cânone 872)


Agora perguntamos:
- Se os padrinhos "não ligam patavina" à vida cristã, como podem eles ajudar a que o batizado "viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes"???
- Se os padrinhos vivem à margem da lei cristã, como podem eles representar a fé da comunidade?
- Ser padrinho por causa do folar, da prenda, do prestígio, da festa, é motivo cristão? Não é. Para essas coisas têm o aniversário da criança.
- Quantos padrinhos, pela vida fora, se preocupam minimamente com a formação cristã do afilhado?  Muito, muito poucos.
- Então será de manter os padrinhos, que tantos problemas causam na comunidade e tão pouco proveito cristão acarretam???
Penso que não.
Estou completamente de acordo com a posição do bispo de Melfi-Rapolla-Venosa. Oxalá que mais bispos enveredem por esta atitude pastoral. Quanto bem fariam à Igreja!!!
 
Acabar com os padrinhos é atualmente, no meu entender, uma atitude de coerência, de verdade, de paz.
 
Obs.
É certo que a Igreja já deu um salto. Neste momento até já basta um padrinho/uma madrinha, desde que reúna os requisitos apontados pela Igreja.

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