quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Vaticano: Papa descarta cenário de renúncia no imediato

Vaticano: Papa descarta cenário de renúncia no imediato: Francisco assume dor pela morte de Bento XVI, que evoca como um «pai» Cidade do Vaticano, 25 jan 2023 (Ecclesia) – O Papa rejeitou cenários de uma eventual renúncia ao pontificado, em breve, numa entrevista publicada hoje pela agência norte-americana ‘Associated Press’ (AP). “Estou bem de saúde. Para a minha idade, estou normal. Posso morrer […]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

A VIVER EM TENDAS

Não, não se trata de campismo. Nem mesmo se trata de banhistas na praia para se abrigarem do Sol.
Há dias, um canal de televisão mostrava aos telespectadores a realidade de alguns emigrantes a viver em tendas junto à Igreja de Arroios, tendo apenas o sustento de uma refeição diária. Não encontram trabalho, só promessas de trabalho... Depois, gastos os euros que trouxeram do país natal, resta-lhes a caridade alheia.
Hoje pode ler-se no Correio da Manhã: "Nunca pensei estar a viver na rua. Tenho frio e medo. É desumano." O desabafo é de Amélia Ferreira, de 66 anos, que vive com o filho, Daniel Tato, 41, numa tenda, na praia de Matosinhos, desde setembro."
Apenas dois casos entre tantos e tantos que nos chegam a cada passo.
Ah! Isto não são casos e casinhos. São situações HUMANAS que nos deviam envergonhar  como povo, como sociedade. Pelo nosso silêncio cúmplice e pela maneira apática como reagimos com os governantes. 
Perante situações de animais maltratados, as pessoas reagem e manifestam-se - e bem. Perante situações de pessoas em enorme sofrimento, em deprimente carência, ninguém se junta, ninguém se manifesta, ninguém reage - e muito mal!
Mesmo quando não é inimigo do homem, muitas vezes o homem também não é amigo do homem.
Há tempos, o presidente da República, falava aos emigrantes para virem viver e trabalhar para Portugal onde seriam bem acolhidos.
Já sabemos que Marcelo fala muito e nem sempre acerta. 
Vir para Portugal  para viver como vivem tantos emigrantes no Alentejo? Vir para Portugal para viver na rua, numas tendas, à esperea da caridade alheia e sem trabalho?
E ser português e viver numa tenda, numa praia, com medo e frio, só porque não há rendimentos para pagar uma renda???
Não, nunca nos habituemos a estas situação degradantes! Levantemos a voz, exijamos! Partilhemos!
Que saudades de D. Manuel Martins! Donde vem esta saudade? Talvez porque os nossos bispos  "metem a profecia na gaveta" e perderam o "pio" , não sendo voz nem vez de quem não tem voz nem vez!

sábado, 14 de janeiro de 2023

SE PARA UMA MISSA BASTA UM PADRE, PARA UM PADRE NÃO BASTARÁ UMA MISSA?

 Um artigo do Prof. João Paiva - leigo, pai de família - que fui convidado a ler e no qual me revejo inteiramente… Há mais de duas décadas que ando a defender isto, consciente de andar a pregar no deserto e ser alvo de chacota e maus olhados de muitas “santas beatas” e de apessoados “doutores da(s) fé(s)”. E acredito piamente que não há alternativa… Leiam e digam da vossa santa e caridosa justiça. (P. António Magalhães Sousa)

«A minha intenção é pegar em alguns olhares e experiências de Igreja e dar largas a uma certa reflexão crítica, partindo de uma realidade que é inequivocamente complexa e com alguns contornos desoladores. Partindo da figura do padre, acabarei por redundar em alguma projeção de eventual visão futura (ou futurista…) da vida eclesial. Faço notar que nesta fase da vida, sou espectador/ator de dinamismos paroquiais rurais. Mas admito que muito do que se tece aqui possa ser extrapolável para realidades mais urbanas e para outras culturas.
1 – Se para uma missa basta um padre, para um padre não bastará uma missa?
Já há muito tempo que reclamo junto dos meus amigos padres que seria melhor celebrarem uma missa por dia, porventura também ao domingo. Entendo que os padres “turbomisseiros”, embora certamente agindo por bem, alimentam e perpetuam uma realidade insustentável.
2- Então e as pessoas ficam sem missa ao domingo?
Se for preciso, sim… Mas será a resposta que cada comunidade der, em cada lugar, aldeia, capela, que vai determinar as possibilidades e, principalmente, o futuro possível dessa vida eclesial que, em muitos casos, convenhamos, aparenta e poderá mesmo ser definhante e deprimente, principalmente no que diz respeito ao não rejuvenescimento. Mas avanço desde já atenuantes num sentido muito prático, com algum caráter prospetivo:
a) celebrações de palavra presididas por leigos, se significarem solidez, preparação, envolvimento, renovação, fidelidade à Igreja, unidade com o pároco, etc. (pode não haver recursos humanos para tal).
b) dinamismos de ‘boleias’ bem organizados para que os fiéis (incluindo, obviamente, os mais carenciados e com problemas de mobilidade) possam deslocar-se às celebrações em centros da paróquia (então em menor número mas certamente mais participadas). Esta atividade de fazer com que quem queira, possa ir, é, em si própria, vida cristã.
c) celebrações com a presença do padre noutros dias da semana que não ao domingo, em alguns locais mais distantes do centro paroquial.
d) sinergias em maior escala (arciprestados, etc), que otimizem ainda mais todos estes processos
3- Isto não seria uma desvalorização do sacramento da Eucaristia?
Na versão otimista seria o contrário, sob o lema “menos e de mais qualidade”. Seria, antes de mais, o possível e realista. Mas, porventura, mais pré-preparado, mais solidário, mais confortável, menos “a correr”, em suma, mais qualificado…
4- Então e o padre – se celebrar menos missas – o que tem para fazer?
Aquilo que este tempo de Igreja e cultura lhe pedem: que seja um dinamizador pastoral, um garante da unidade com o Bispo e a Igreja no seu todo, mas não mais o executor de tudo e por quem tudo passa. Em particular, nas celebrações e em muito mais, alguém que, rezando menos missas (e porventura reduzindo igualmente outras rotinas de “serviço religioso” questionáveis) tem mais tempo e disponibilidade para:
a) ter ele próprio – padre – “qualidade de vida”, precisamente para poder descansar, rezar, formar-se, refletir com a comunidade sobre o presente e o futuro, ter a sua vida comunitária cristã, estar com as pessoas sem agenda de pressa, etc.
b) revitalizar a ligação da prática religiosa à vida e ao Evangelho, dando mais relevância a outras atividades não necessariamente sacramentais como a lectio divina com partilha de vida, meditação e outras práticas de silêncio, o acompanhamento espiritual, outras atividades de abertura à cultura e à sociedade, etc.
c) apoiar as comunidades nos desafios – agora mais auto-responsabilizantes e auto-protagonizantes por parte dos leigos – que uma vida cristã menos padrocêntrica pode implicar.
5- E com isto não vamos ter ainda menos gente nas Igrejas? E muitas pessoas não vão ficar tristes?
Teria de se ensaiar para ver mas, se sim, se as pessoas se afastarem mais, será uma purga razoável, diminuindo porventura o grau de consumismo religioso, fenómeno que, em si próprio, é já pouco cristão e sinal de insustentabilidade. A eventual tristeza de algumas pessoas poderá perceber-se mas não pode ser matéria suficiente para não discernir e não agir. Poderão ser criadas alternativas mas a realidade impõe-se e isso tem muita importância. Ignorá-lo é esconder a cabeça na areia e o “medo de magoar” não justifica deixar andar…
6- E muitas igrejas e capelas não ficarão desertas e sem atividade?
Poderá ser que sim e isso deve assumir-se, redesenhando-se o espaço sem nunca optar pela tentação do fechar e guardar. Convém, ao contrário, abrir e partilhar. Algumas sugestões avulso sendo que o padre, mais uma vez, nunca poderá ser o ator omniactuante mas apenas um proponente e depois um ajudador daquilo que a comunidade, nos limites das suas possibilidades e motivações, desejar:
a) criar um subespaço nas capelas mais confortável (aquecido no inverno!) e acolhedor, para dinamismos de pequenas comunidades cristãs (voltar um tanto às origens) que confrontam a sua vida em partilha e se interajudam no viver a fé, em confronto com a Palavra.
b) dispor bancos, cadeiras, altar, etc., de formas inovadoras (porventura mais circulares e onde as pessoas se veem e se horizontalizam à volta de uma fé essencial). Poderá tratar-se de uma certa redecoração intencional de interiores, não necessariamente dispendiosa. Este reinvenção espacial, aliás, poderia ser implementada independentemente dos espaços religiosos estarem mais vazios.
c) mantendo a autonomia de um espaço mais reservado e de silêncio (com o sacrário, nomeadamente) recriar outros espaços no mesmo espaço, que possam abrir a Igreja a outros serviços à comunidade, de índole artístico, cultural, social e inter-religioso. De alguma forma, recriar a coreografia do espaço sagrado a um formato mais flexível, coerente com a não rigidez que este tempo, como todos os tempos, pede aos cristãos.
7- E os outros sacramentos e manifestações religiosas?
Também elas terão que ter os seus ajustes realistas e paulatinamente, haver algum filtro sobre tudo aquilo que se costuma fazer, dando mais importância ao que é essencial e relevando e subtraindo a presença do padre ao que não é crucial. A título de exemplo, em termos pessoais, prefiro um padre que priorize funerais, mesmo à custa de centralizações e sinergias de batizados e casamentos. Prefiro um padre que se vá ausentando de algumas procissões e outras não essencialidades cristãs e tenha mais tempo para ouvir os membros da comunidade e/ou para visitar a casa de cada um… A gestão de tensões entre a continuidade e a rutura, será o discernimento maior do sacerdote…
Sei bem da ousadia e do quase simplismo que acarreta o exercício de colocar numa folha A4 um conjunto de itens que dizem respeito a uma realidade complexíssima e que traz consigo desafios gigantes. Mas reconheço, ao mesmo tempo, uma evidência clara de que as coisas não poderão ficar como estão, com todos e cada um de nós a sermos espectadores (discutíveis alimentadores?) de um dinamismo (ou falta dele) insustentável. O traço mais marcante das ideias acima tem por base uma convicção forte de que a religiosidade mais massificada tem um perigo enorme de se banalizar. Sem resignificação criativa, fazendo-se porque sempre se fez, o perigo de afastar a religião cristã de uma vida verdadeiramente afetada pelos critérios do Evangelho é muito real. A prática religiosa, incluindo os sacramentos, parecem em inúmeras situações nada ter a ver com a vida das pessoas. A “crise das igrejas vazias” é, neste sentido, uma enorme oportunidade de requalificação da religião. Pode, a partir daqui, operar-se um certo renascimento, capaz de oferecer uma resposta coerente e integrada de uma espiritualidade que, alimentando-se também de rituais, os encara, prepara e vive como graça que se fecunda em vida-vivida num tempo que, à luz da Fé, será sempre um “tempo favorável” (2 Cor 6, 2). O padre? É um cristão, livre e feliz, com um serviço particular, centrado em animar e caminhar com outros tantos caminhantes, que queiram caminhar neste Caminho…»
Através de "Aopro e Vida", aqui

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

O pato e o chefe

 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Política portuguesa em valsa louca


Ainda nem há um ano o governo tomou posse. Entretanto as saídas e entradas de governantes sucedem-se à velocidade da luz. Um espectáculo degradante. E isto num governo saído de uma maioria absoluta!
São casos e casinhos todos os dias. Um descrédito total desce, plúmbeo, sobre a vida política nacional.
Perante isto, que oferece a oposição? Os partidos à esquerda do governo, a cantilena de sempre. À direita, temos uma luta de galos pelo protogonismo político. Por exemplo, o maior partido da oposição que tem feito? "Ai, o seu presidente está em cima do governo como um leão!" - dirão alguns. Pois, mas para comentar os casos e casinhos, as muitas e diversas trabalhadas do governo, já temos os cafés e as redes sociais. Do maior partido da oposição espera-se muito mais do que o "deita-abaixo". Ideias, alternativas, estratégias, o diferente que atenda à situação real das pessoas. Uma ideia para Portugal, mesmo que polémica...
Quanto ao Presidente da República, ele não ajuda Portugal porque fala demais, a tempo e fora de tempo, sobre tudo e sobre coisa nenhum e diz o povo "quem muito fala...."
Além disso, porque está sempre a falar, torna os ouvidos dos cidadãos "malhadiços", isto é, não ligam.
Entretanto o Sistema Nacional de Saúde continua como qualquer utente sabe por experiência; a escola pública está ao rubro como as notícias sobre professores confirmam; o interior cada vez mais abandonado e despovoado; o investimento público e privado tarde em arrancar; a riqueza nacional que produzimos vai-nos atirando para a cauda da Europa; os jovens emigram ou ficam, sujeitando-se ao desempre e/ou a ordenados baixos; para muitos idosos, as reformam não chegam sequer para comer e para os medicamentos, etc, etc.
Que os governos não sirvam para resolver equilibrismos partidários, mas que busquem, com alma e com génio, o melhor para o Portugal de hoje e de amanhã. Que se investigue eficientemente o candidato a governante antes de entrar no governo para evitar a lástima a que temos estado sujeitos. Que a ligação aos cidadãos nunca seja quebrada ou abrandada; que a luta contra a corrupção, o compadrio e clientelismo seja franca e forte. Que, entre o filiado no partido e o competente, este passe sempre à frente.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Jesus não pode nascer em (alguns sítios de) Portugal.

Pessoal, se alguém tiver o contacto do face ou whatsapp de S. José ou de Maria informem-Nos que, em Portugal, há várias maternidades fechadas. Esta Família, que tem o parto previsto para 25 Dezembro, deverá consultar o site do SNS para saber a que maternidade se pode dirigir. Há a hipótese de parto assistido no domicilio mas, encontrando-se em trânsito, não constitui uma alternativa, para além de, nesse caso, ser conveniente disporem de (um bom) seguro de saúde.
Será oportuno recomendar que usem o GPS e não se guiarem pelas estrelas, pois estas podem direcioná-los por caminhos inundados ou alagados. O melhor é mesmo usarem um bom GPS. Bom, se trouxerem Moisés pode ser que tenham sorte.
Ahh, avisem S. José para usar um casaquinho! Apesar de não estar frio, há muita humidade e como já não vai para jovem, pode apanhar um desses "birus" e ter que ir para a urgência, sujeitando-se a ficar 12h ou 16h com pulseira amarela. Alerto que, caso precise de internamento e a coisa se complicar, como a família não consegue dar reposta (nem tem rendimentos), será encaminhado para uma vaga da "rede" (pode demorar meses).
Acrescentem à nota informativa que Maria não deverá comer bacalhau, não vá encravar uma pequena espinha e nesse hospital não haver Otorrino de urgência.
Já agora, se tomam algum medicamento de forma crónica... tragam, poderá haver "ruptura de stock no hospital".
Eles não se preocupem, apesar de serem atendidos por profissionais cansados, desmotivados e sem reconhecimento... são pessoas altamente qualificadas para os cuidar.
Feliz Natal.
PS: texto escrito a 23/12/2022, não publicado nesse dia por cansaço do autor.
Pedro Miguel Pedrosa, Facebook

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

500 mil

Tenha a configuração jurídica que tiver, tenha a legalidade que tiver, tenha o acordo o que tiver, não há nada que justifique uma indemnização de 500 mil euros a quem trabalhou 2 anos na TAP e logo depois salta para novas funções de Estado.

Como pode a TAP pagar indemnização faraónica, quando está sempre a precisar de "injeções de capital" por parte do Estado? Como pode uma pessoas destas, com tal voracidade financeira, ainda ser Secretária de Estado do Tesouro?!
Não há "esperas estratégicas" para pronunciamentos politicamente corretos! Escusam de empurrar o problema com a barriga. Ou de dar tempo ao tempo para uma saída airosa.
Não há moralidade possível para uma coisa destas, num país como o nosso... cujas condições de vida não é aqui preciso descrever.
Por estas e por outras, a maior asneira do nosso Primeiro-ministro foi reverter a privatização da TAP! Que serviço público? Qual quê?! Que companhia de bandeira, qual quê? Que raio de empresa é esta de milhões de prejuízo a dar milhões em indeminizações e que parece ter mais tempo de greves do que trabalho?! Alguém pode aceitar isto?
Estes exemplos minam e arruinam a nossa esperança num país justo. Basta. 500 mil vezes "não", "não pode ser"!
Amaro Gonçalo, Facebook

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

A casa visitante e a cada amigo (a), Asas da Montanha deseja um Belo e Feliz Natal

 

TIRANIA, NÃO PASSARÁS!!!

Nada pode vencer a vontade de liberdade de um povo!
O sangue das crianças e inocentes que a tirania provoca tornar-se-á  semente de paz.
Tirania, 
podes bombardear infantários, hospitais e escolas;
podes destruir pontes, redes eléctricas  e prédios;
podes deixar um povo a tremer de frio e mergulhado na escuridão;
Podes impedir um povo de ter água putável  e pão para saciar o estômago;
podes desventar cidades, aldeias e vilas;
Podes encharcar valas comuns de corpos esfacelados e triturados;
podes escaqueirar um país...
Mas nunca calarás o grito de liberdade que brota do íntimo da dignidade humana.
Perderás, serpente infernal. A vida é sempre mais forte do que a morte.
Benditos os povos que não admitem ser governados por ditadores!
Rússia, já tinhas mais do que obrigação de não tolerares ditadores. Depois dos czares, os ditadores comunistas e agora o Putin? Um povo como tu, com tanta riqueza cultura, como continua a sujeitar-se a chicotes despóticos?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

HOSSANAS AO SANTO PAGODE [também a respeito do Natal]

 “Ser um pagode ou andar no pagode” pode designar uma situação confusa, mas também uma situação divertida, divertimento ruidoso, folia, andar na farra, fazer vida desregrada de leviandade. No Brasil, o pagode é designação de um ritmo musical parecido com o samba e com a música sertaneja. Também há quem chame pagode às reuniões de sambistas, onde tocam, cantam e dançam pagode e outros ritmos populares.

Diríamos, por isso, que a maioria dos católicos cultua o pagode: carnaval, páscoa, festas populares, romarias, halloween, natal, ano novo. Apesar de serem momentos (eventos) com origem e significado bem distintos, na prática, pouco ou nada os distingue. Uns de origem marcadamente pagã, outros intrinsecamente religiosos, unidos pelas mesmas motivações: cultuar o “santo pagode”.
Que tem sido o Natal para a maioria dos católicos? Um pagode. Alguns meses antes começa a azáfama: arranjar o pinheiro, iluminar casas e ruas, construir o presépio, comprar prendas, preparar refeições, escolher bebidas e músicas, organizar visitas e convívios. E, nos últimos tempos, escarrapachar tudo nas redes sociais, ávidos de louvores e massagens no umbigo. Certo. E o Outro, o Sujeito da festa?
Vou morrer sem entender – e Deus me mantenha lúcido – como alguém consegue celebrar/festejar uma efeméride (nascimento de Jesus) vivendo totalmente à margem d’Ele… Assisto diariamente a aberrações: pretensos católicos que não põem os pés na Igreja, não respeitam doutrina e orientações, totalmente alheios à vida da comunidade, consumidores de serviços segundo interesses próprios (entremeados com mentiras, encobrimentos, hipocrisia e malabarismos obscenos). Curiosamente (ou não…), são os primeiros a fazer pinheiros, iluminar as casas, montar presépios e até a postar nas redes sociais, vá-se lá saber porquê ou para quê!
Gosto de ver, pensar, registar. Antes da pandemia, diziam não “ir à Igreja” por não terem tempo, precisarem de trabalhar, e o domingo é importante para descansar e passear. Agora, dizem terem medo de ser contagiados, assistem pela televisão, só voltam quando isto passar. Falácias. Mentiras mascaradas. Fazer dos outros papalvos. Pior ainda porque empinados de razão, convencidos que facilmente levam os outros na cantiga com justificações e branqueamentos. O passado, não havendo “vontade” de conversão (mudança, inversão), clarifica o presente e adivinha o futuro.
Dá-me pena haver quem valorize mais bonecos e imagens que o encontro real com Ele na Palavra e no Pão. Dá-me pena a soberba mental não entender que «onde dois ou três se reúnem em Meu nome, Eu estou no meio deles». Dá-me pena que igrejas e santuários, sacramentos de Vida e Salvação, sejam trocados por modas e meios de consumo, alienação, libertinagem e arruinamento. Dá-me pena que o Vivente esteja a ser habilmente afastado da vida de pessoas e famílias nitidamente moribundas. Sinal dos tempos ou tempo de sinais? Hossanas ao santo pagode!
P. António Magalhães Sousa, aqui
Pode ser um desenho animado de texto que diz "PWHTLAVDES -No dia de Natal vamos todos à Missa -Não, mãe, vemos na TV. -Está bem... Também não preciso cozinhar.. Vemos o Masterchef."

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Os melhores jogadores? Os melhores treinadores? Um pouco mais de humildade só nos ficava bem...

 Grande decepção, Portugal eliminado frente a Marrocos. E toca a regressar a casa, sem sequer haver o bom senso de regressarem todos juntos, como se o povo português merecesse isto...


Uma das coisas qie me incomoda no futebol de que gosto é a gabarolice como embrulho de uma clubite cega ou de exibicionismos balofos. 

Os melhores treinadores? Mas olhem que o Benfica está a ganhar e a  jogar bem com um treinador estrangeiro. Coisa que, nos últimos anos, os treinadores portugueses não conseguiram. E mais, os badalados  treinadores Conceição e Amorim veem, meste momento, o Benfica a comandar o campeonato à distância.  Dirão que os encarnados conseguiram mais e melhores reforços. Até compreendo. Mas os outros treinadores já estão nas suas equipas há anos, conhecem muito bem o campeonato português e têm a obrigação de terem construído rotinas de jogo que quem chega ainda não tem.

Há treinadores portugueses que se distinguém no Médio Oriente ou no Brasil? Sim. Mas quantos  brilham  em Inglaterra, França, Espanha ou Alemanha? José Mourinho já brilhou, mas atualmente que feitos extraordinários tem conseguido no campeonato italiano? 

Não, não somos o supersumo em treinadores. Por mais que isso se apregoe nalguns programos televisivos onde muitas vezes têm assento comentadores- treinadores. 

Mesmo Fernando Santos que conseguiu para a selecção portuguesa êxitos nunca alcançados, não é, atualmente, consensual. De forma nenhuma. Aliás nas últimas competições internacionais, Portugal tem ficado aquém do esperado. Na minha opinião, já se deveria ter demitido há dois anos. Saber sair a tempo é um virtude.

Não gostei do clima reinante na seleção e muito menos do intriguismo jornalista e advindo das novas tecnologias. Não ajudou à concentração e à união entre os elementos da equipa. Cristiano Ronaldo, que tanto deu à selecção e ao nome de Portugal, pareceu-me que não esteve à altura. É preciso aprender a saber "envelhecer", futebolisticamente falando. É preciso aprender a ser importante quer se esteja no campo quer se esteja no banco. O mais omportante , não é o exibicionismo pessoal, mas o bem da equioa. Sempre.

A selecção não pode ser um festival de vaidades. Vale para o Ronaldo, para o Cancelo, para todos e cada um.  Senhor seleccionado, não pergunte à selecção o que pode fazer por si; pergunte a si o que pode fazer pela selecção.

E depois é assim, temos bons jogadores, mas não temos jogadores geniais. Tivemos o Ronaldo, mas como em tudo na vioda, a idade não perdoa. 

 A selecção precisa de ideias novas, projectos novos, tácticas novas, dinâmicas novas, espírito novo. Que se evite até ao tutano quaquer vedetismo individual. Que o jogador brilhe pelo que dá e trabalha em prol da equipa.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

O Papa e a Guerra Justa. Volumes de teoria e uma frase de realidade


O Papa tem falado frequentemente de guerra desde que foi eleito. Por exemplo, tem tido a clarividência para dizer – e bem – que estamos a viver uma “Terceira Guerra Mundial às prestações”, apesar de na Europa central e ocidental estarmos no maior período de paz da nossa história.

Tem também insistido na necessidade da paz e apelado ao fim de múltiplos conflitos em todo o mundo, incluindo os que já foram esquecidos pelo resto dos líderes mundiais.

Mas o Papa tem sido também criticado por estar a pôr em causa a tradição cristã da Teoria da Guerra Justa. Na encíclica “Fratelli Tutti”, Francisco diz o seguinte:

Nas últimas décadas, todas as guerras pretenderam ter uma ‘justificação’. O Catecismo da Igreja Católica fala da possibilidade duma legítima defesa por meio da força militar, o que supõe demonstrar a existência de algumas ‘condições rigorosas de legitimidade moral’. Mas cai-se facilmente numa interpretação demasiado larga deste possível direito. Assim, pretende-se indevidamente justificar inclusive ataques ‘preventivos’ ou ações bélicas que dificilmente não acarretem ‘males e desordens mais graves do que o mal a eliminar’. A questão é que, a partir do desenvolvimento das armas nucleares, químicas e biológicas e das enormes e crescentes possibilidades que oferecem as novas tecnologias, conferiu-se à guerra um poder destrutivo incontrolável, que atinge muitos civis inocentes. É verdade que ‘nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma, e nada garante que o utilizará bem’. Assim, já não podemos pensar na guerra como solução, porque provavelmente os riscos sempre serão superiores à hipotética utilidade que se lhe atribua. Perante esta realidade, hoje é muito difícil sustentar os critérios racionais amadurecidos noutros séculos para falar de uma possível ‘guerra justa’. Nunca mais a guerra!

Segundo a tradição cristã os critérios para que uma guerra seja considerada justa são as seguintes:

  • Deve haver a certeza de uma ameaça duradora e grave por parte da entidade à qual se vai declarar guerra
  • Todos os outros meios para pôr fim ao conflito devem ter sido esgotados
  • Deve existir uma perspectiva séria de sucesso
  • O uso da força armada não deve produzir um mal maior do que aquele que pretende eliminar

A forma mais simples de entender o argumento do Papa Francisco é de que na era das armas nucleares estas condições nunca se cumprem, porque o risco de causar um mal maior do que aquele que se pretende evitar estão sempre presentes.

Francisco tem sido muito criticado por esta posição. Parece-me justa e equilibrada esta apreciação do jesuíta Francisco Sassetti da Mota, numa recensão que aparece nas páginas finais da edição de Novembro da revista Brotéria, a uma obra que reúne textos soltos do Papa sobre a temática da guerra:

É discutível que tudo o que o Papa Francisco afirma seja tecnicamente rigoroso. (…) o enamoramento por uma linguagem radicalmente pacifista é ingénuo, pouco fundado na tradição cristã e em muitos casos perigoso para o inocente oprimido. Mas essa falta de rigor em alguns pontos não pode condenar o que o Papa Francisco tem para dizer de mais fundamental: a violência perturba a ordem desejada por Deus.

Tem-se pensado muito nesta problemática desde que começou a guerra na Ucrânia. Em primeiro lugar, quantos de nós, quando a guerra começou, acreditavam que a Ucrânia tinha sérias perspectivas de sucesso no campo de batalha? Desse ponto de vista, devíamos ter defendido a rendição imediata. Uma das frases mais significativas desta década foi “não preciso de boleia, preciso de munições”, e com isso começou a desenhar-se o fantástico desempenho das forças armadas ucranianas que estão cada vez mais próximas de libertar o seu território todo.  

O Papa tem sido incansável a falar da guerra na Ucrânia, criticando sem margens para dúvidas a invasão russa. Tem sido por vezes criticado por recordar que do lado russo também há sofrimento, por exemplo, ou por apelar a negociações quando os russos não revelam qualquer intenção de devolver à Ucrânia a soberania sobre os territórios ocupados. Mas permaneceu sempre a dúvida. O Papa acredita que os ucranianos devem estar a fazer valer a sua posição pelo uso da força? Dito de forma mais simples: O ucraniano que parte para combater os russos nos territórios ocupados está a fazer bem, ou mal?

Depois de textos suficientes para encher um volume sobre a guerra e a paz, o Papa disse finalmente uma frase que parece dar-nos a resposta que procuramos. Na carta escrita ao povo ucraniano, por ocasião dos nove meses da guerra, Francisco diz: “Penso em vós, jovens, que, para defender corajosamente a vossa pátria, tivestes de pegar em armas em vez dos sonhos que nutríeis para o futuro”.

Reparem na escolha da palavra, nada acidental. “Tivestes”. Não “optastes”, não “quisestes”, mas “tivestes”. E mais, esse pegar em armas não é uma mera fatalidade, é um acto de coragem. 

É numa situação como a guerra da Ucrânia que toda a teoria sobre guerra, paz, justiça e injustiça cai por terra e temos de nos confrontar com a realidade. Uma nação poderosa, liderada por um tirano, invadiu uma terra estrangeira, sob falso pretexto, procurando subjugá-la, eliminar a cultura dos seus habitantes, espalhando terror, tragédia e morte. Perante isto não há teorias bonitas sobre espadas convertidas em arados, não há cálculos frios sobre se a defesa tem probabilidades de sucesso ou não, e daí ser ou não lícita. O que há é uma obrigação moral de defender o inocente, de travar o assassino, de fazer frente à injustiça.

Esteve bem o Papa em reconhecer a força desta realidade e de perceber quando escreve aos ucranianos – que tanto tem apoiado, e por quem tanto tem rezado – que eles precisam tanto de lições de guerra justa como precisam de boleias.

Fonte: aqui

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

sábado, 26 de novembro de 2022