domingo, 17 de junho de 2007

NESTA COMUNIDADE SÃO DEZ


Ministros Exaordinários da Comunhão. Nesta comunidade são dez. Semanalmente visitam cerca de 50 doentes, sem contar o Lar e o Hospital.

Quanta paz me traz o serviço que estes 10 irmãos prestam aos que sofrem! Eles não vão em nome próprio, vão em nome da comunidade. Em Igreja ninguém se anuncia a si mesmo, mas somos sempre voz e vez da comunidade, coração, pernas, braços, língua da comunidade. E a comunidade existe por Cristo e para Cristo.


Os Ministros Extraordinários da Comunhão prolongam a Eucaristia pela paróquia fora, levando-a à queles que a ela não conseguem vir. Levam-lhes o Pão da Vida.


Eles são a presença da comunidade que ouve, atende, acolhe, conforta e ajuda os irmãos mais débeis, os nossos queridos doentes.


Eles desempenham um papel fundamental. Não dá nas vistas, mas é indispensável. E como o desempenham com alegria!


Os doentes anseiam por esta visita semanal. Acolhem-na com tanta satisfação. Não terá sido assim no princípio - pelo menos com muitos deles - mas agora não a dispensam. E como eu sei que este momento é tão importante para eles!


Senhor, Tu operas maravilhas.

Dia Mundial da Desertificação e da Seca


Hoje em todo o mundo celebra-se o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema «Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global».
A comemoração coincide ainda com o arranque em Sevilha do Fórum Internacional da Seca que até quarta-feira reúne mais de centenas de especialistas de dezenas de países, entre eles Portugal.

Portugal é um dos três países mais desertificados da Europa segundo as últimas análises realizadas pela Agência Espacial Europeia e pela Desert Watch.
A análise da AEE, feita com base em imagens obtidas pelo seu sistema de satélite e que destaca ainda a desertificação em Itália e na Turquia, insere-se num projecto que está a ser desenvolvido em conjunto com a Convenção das Nações Unidas para a Luta contra a Desertificação (UNCCD).

Segundo o projecto DesertWatch da AEE, o nível de desertificação nos três países - Portugal, Itália e Turquia - é dos mais elevados da Europa, sendo crucial melhorar agora os modelos de análise, que começou a ser feita em 2004.

Estimativas da AEE indicam que a desertificação, um processo de degradação da terra induzido parcialmente pela actividade humana, põe em risco a saúde e o bem-estar de mais de 1. 200
milhões de pessoas de mais de 100 países.

Neste XIº Domingo do Tempo Comum...

«Os teus pecados estão perdoados.» Lc. 7, 48

Pai Santíssimo;
Tu que abominas o pecado
Mas não abandonas
Nem marginalizas o pecador;
Te agradeço o poder recomeçar
O poder levantar-me!
De saber que,
Mesmo quando recuso o teu amor,
Tu continuas a amar-me…
Sem reserva…
Sem medida!

Quero descobrir-Te, bom Pai,
Como o Senhor mais que justo…
O Senhor Misericordioso!

Ensina-me a, como Jesus, acolher e perdoar;
Ensina-me a verdadeira humildade;
Para ter a coragem de não esconder ou justificar
Os meus erros e pecados
E apenas confiar na tua bondade,
Que sempre me auxilia a recomeçar
E me chama constantemente à santidade!
http://tocarlos.blogspot.com/

sábado, 16 de junho de 2007

Por uma Igreja não clerical nem clericalizada

"Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão.
Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em seu nome e com o seu poder. Mas os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, têm um papel próprio a desempenhar na missão do inteiro Povo de Deus, na Igreja e no mundo."

"E sendo próprio do estado dos leigos viver no meio do mundo e das ocupações seculares, eles são chamados por Deus para, cheios de fervor cristão, exercerem como fermento o seu apostolado no meio do mundo."
DECRETOA SOBRE O APOSTOLADO DOS LEIGOS, CAP. I, 2

Durante esta semana , dois Bispos portugueses enalteceran o trabalho dos leigos nas suas dioceses. Gostei.
Se queremos uma Igreja "casa e escola de comunhão" jamais devemos esmorecer na tarefa de cativar, formar, motivar os leigos para a missão. Eles são a maioria esmagadora dentro da Igreja. Eles também são Igreja!
Há que fazer tudo para que eles descubram a sua missão no interior da comunidade e, sobretudo, no mundo. Urge valorizar os ministérios laicais , dar-lhes espaço e autonomia dentro da comunhão da Igreja. Há que confiar neles. Sem os clericalizar. Respeitando a sua
idiossincrasia laical.
Não esquecer nunca que o campo específico do apostolado dos leigos é a secularidade. É na família, no trabalho, no sindicalismo, no patronato, na comunicação social, no desporto, no café, na escola, nas associações juvenis, no divertimento que os leigos são chamados a ser "sal, luz, fermento do Evangelho". Penso que ou Cristo chega aí pelo testemhunho e acção dos leigos ou não chegará...

Claro que não é tarefa muito fácil. A começar pelos próprios leigos. Durante séculos instalados numa mais ou menos tranquila passividade, revelam agora alguma resistência em assumir-se como Igreja. Em muitos, está mais marcada a ideia de "carroça" do que de "motor". Poucos se mostram disponíveis para a "sua" missão. Poucos procuram formação (tantas vezes a rejeitam!). Poucos estão disponíveis para o risco alegre do anúncio. Preferem, em geral, ficar na concha. É-lhes mais cómodo olharem para a Igreja como "supermercado de sacramentos" do que como comunidade a construir em Cristo, evangelizada e evangelizadora.
Claro que também há sacerdotes que lá no fundo mantêm uma certa desconfiança em relação aos leigos. "Os leigos podem colaborar desde que façam o que eu quero", ouvi certa vez a um colega. Ora isto também não é nada. Apenas clericalismo puro e bafiento.

A ideia, penso eu, é a celebração continuada da comunhão (comum união) entre todos: bispos, padres, leigos e religiosos. No respeito pelo múnos específico de cada um.

Dá que pensar! Por que será que em alguns foruns católicos se discutem muito mais as funções, atitudes e posturas dos sacerdotes do que dos leigos? E olhem que a maioria são leigos.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Uso-o como ventoinha de tecto!

Um cidadão morreu e foi para o céu. Enquanto estava em frente a São Pedro, nas Portas Celestiais, viu uma enorme parede com relógios atrás dele. Ele perguntou:
- O que são todos aqueles relógios?
São Pedro respondeu:
- São Relógios da Mentira... Toda a gente na Terra tem um Relógio da Mentira. Cada vez que alguém mente, os ponteiros movem-se mais rápido.
- Oh! - exclamou o cidadão. - De quem é aquele relógio ali?
- É o da Madre Teresa. Os ponteiros nunca se moveram, indicando que ela nunca mentiu.
- E aquele, é de quem?
- É o de Abraham Lincoln. Os ponteiros moveram-se duas vezes, indicando que ele só mentiu duas vezes em toda a sua vida.
- E o Relógio do Sócrates, também está aqui?
- Ah! O do Sócrates está na minha sala.
- Ai sim? - espantou-se o cidadão. - Porquê?
E São Pedro, rindo:
- Uso-o como ventoinha de tecto!
http://apostolosnavegantes.do.sapo.pt/

Nem todos são estadodependentes...

Ficou órfão de pai muito novo. Nos tempos livres da escola, enquanto os amigos jogavam à bola, ele, criança ainda, ia comercializar baga de sabugueiro para a sua subsistência e a da mãe. Já mas crescido, aproveitava as férias grandes para trabalhar em restaurantes de familiares e assim ganhar para as despesas da escola. Acabado o secundário, não pôde seguir para a universidade porque não tinha meios económicos.
Aos 19 anos, abriu uma livraria. Depois, seguindo a sua formação de base, entrou no ramo da contabilidade. Tudo com calma, com os pés no chão, sedimentando os processos que levam ao sonho. Fundou a Eurogestão que não pára de crescer e de irradiar. Mais tarde, como estudante nocturno, fez a sua licenciatura.

Hoje esteve comigo na rádio. Foi uma maravilha ouvi-lo.
A par da sua actividade empresarial, mantém uma vida familiar intensa e uma participação cívica digna de registo. Já foi preseidente da Junta de Freguesia; é actualmente presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tarouca.
Fala dos Bombeiros com enorme paixão e com muita razão. Frisa constantemente o elevado grau de profissionalismo dos "soldados da paz"; não aprecia protagonismos, porquem esses pertencem ao Corpo Activo e ao Comando; precupa-se que não faltem meios lógísticos e técnicos à actividade dos Bombeiros; fala com convicção daquela casa como espaço de vivência e de promoção da cidadania.

Gostei da maneira como repetidamente se referiu aos trabalhadores da empresa que dirige. Chamou-lhes sempre colaboradores. Afirmou que a sua empresa, tendo logicamente uma estrutura hierarquizada, é um espeço vertical, onde todos se sentem empresa, onde todos, cada um a seu modo, participam nos lucros. Referiu o empenho que coloca na promoção dos colaboradores, sempre instigados a cultivar-se, a saber mais, a continuar os estudos, a ter melhor preparação. Referiu ainda que, a par de uma grande atenção às situações humanas das pessoas, existe uma exigência profissional no sentido de cada uma dar o seu melhor, numa atenção permanente aos clientes e ao público.

No amigo Dr. Domingos Nascimento, quero homenagear todos os pequenos empresários honestos que, na agricultura, na indústria, no comércio, na construção e nos serviços lutam contra todas as adversidades actuais para manter a sua empresa e os postos de trabalho que gera.
Esta gente passa, tantas vezes, por dificuldades tremendas, vividas quase sempre num sofrimento que poucos ou ninguém conhece, mas que não deixam de lutar por construir o seu caminho.

Estou mais que convencido que urge uma educação para a criatividade, para a inovação. Teremos que lutar contra o velho vício português de sermos ums estadodependentes, uns camerodependentes. Até porque a tendência é para despedir funcionários públicos, não para os admitir.
Quanto mais livres forem as pessoas em relação aos políticos, mais liberdade têm de os "pôr nos eixos!" E não é disto que muitos precisam?

“Revesti-vos de Cristo”

O Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, celebra-se nesta sexta-feira.

Esta iniciativa - criada a 25 de Março de 1995 pelo Papa João Paulo II - tem contribuído "para alargar no Povo de Deus a estima e a oração pelos seus sacerdotes, particularmente necessárias quando eles envelhecem e escasseiam, não podendo aliás ser sempre substituídos onde estejam".

"Cada sacerdote é um dom de Deus à Igreja, que se agradece, acompanha e estimula pela oração de todos. E o mesmo se diga das vocações na sua origem, em que se aliam a iniciativa divina e a colaboração dos crentes", diz D. Manuel Clemente, Bispo do Porto.

Nesse sentido, D. Clemente deixa votos de que este Dia de Oração sirva para "que se renove em todas e cada uma das paróquias e comunidades da Diocese a oração quotidiana e fervorosa pelo dom do sacerdócio ministerial e pela sua realização em sacerdotes santos, onde se manifeste a caridade pastoral que ardia no coração de Cristo".

"Bem sabemos que aqui é diferente..."

Num dia desta semana, regressava da escola. Pelo caminho encontro um casal de velhos amigos. Amigos mesmo. Foi uma festa!
Disseram que vinham muitas vezes por estes lados, mas, embora gostassem, não me procuravam com receio de me ocupar o tempo, que bem sabiam que tenho muito que fazer. Procuravam e insistiam por que razão não aparecia lá por casa como antigamente. Bem, já sabiam que não está no meu feitio andar a cirandar por paróquias onde já estive. Mas que não percebiam... Não havia mal nenhum ... sentiam a minha falta. Que me ouviam, sempre que possível na rádio à sexta-feira, que liam o jornal. Mas que nada substitui a presença do amigo.

A conversa continuou. Falámos dos filhos, que felizmente só lhes têm dado alegrias, da saúde, que nem sempre é muita, da sua terra, da vida. Recordámos alguns episódios do passado, todos bem agradáveis. A determinada altura, solto uma gargalhada.
- Já tinha saudades do seu riso franco e aberto - disse ela. - Aliás parece-me agora mais pesado, mais tristonho, mas solitário do que antigamente. Será só da idade?...
- Lembra-se como gostava de ir ao café, de alegrar a "malta" com as suas histórias e piadas, de jogar as cartas, de aparecer nas festas? - continou ele. - Bem, jogador de cartas nunca foi grande coisa! Quando jogava consigo, fazia-me sempre perder a paciência... Era cada "calinada!"
- E dançar também nunca dançou - acrescentou ela.
- Pois...

Bem sabemos que aqui é diferente. Tem que se proteger mais. E mesmo assim deve ter que mudar de roupa várias vezes, tal é o "corte" que por aí se ouve.
- Ó mulher, não sejas assim! Sei que tem cá grandes, grandes amigos. Pessoas que o estimam, apreciam o seu trabalho, colaboram e o defendem. E até muita gente que nem pratica por aí além...

Disse-lhes que, acima de tudo, era uma questão de idade. A idade, em princípio, torna-nos mais serenos, mais prudentes. E naturalmente, mais pesados, menos saltariquentos. Que gosto imenso da paróquia. Que problemas há em todo o lado, mas que as pessoas, por regra, são maravilhosas. E depois, " cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso"! Há que nos sabermos adaptar à maneira de ser da comunidade se queremos ajudá-la a crescer.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Uma obra que honra a Diocese


Acabo de regressar do Seminário, onde assisti à apresentação livro A finitude do Infinito. O itinerário teologal do Homem em Xavier Zubiri, da autoria do Cón. Doutor João António Pinheiro, Reitor do Seminário Maior.
Trata-se da tese com que o autor obteve, com a classificação máxima, o grau de Doutor em Teologia Fundamental.
O nosso Reitor escolheu este dia, porque, se o seu pai fosse vivo, faria 104 anos. Desta forma, quis nobremente homegear o seu progenitor.
A apresentação foi feita pelo Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, e pelo seu Orientador, Prof. Doutor Jacinto Farias. A presidência coube ao senhor Bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho. Houve ainda lugar para a canção e para a recitação de textos da obra. No final, o autor autografou o livro a quem lho solicitou.
Estava bastante gente, felizmente. Muitos sacerdotes e leigos amigos.
Felizmente, o Seminário vai proporcionando à Diocese belos momentos culturais. Que me recorde, foram pelo menos três. D. Manuel Clemente veio falar sobre o Conde de Samodãos, esse leigo que soube estar tão belamente no meio do mundo do seu tempo; sobre o grande Miguel Torga, que fora aluno do nosso Seminário; agora a apresentação desta obra, que no dizer do Prof. Jacinto Farias, honra Lamego, a Diocese e o Seminário.
Parabéns, bom amigo! Ficamos à espera de mais.

Condecoração Merecida

10 de Junho - Dia de Portugal - foi marcado por condecorações honrosas como reconhecimento de valores e obras de algumas pessoas, tantas vezes esquecidos, que merecem ser apresentadas para exemplo dos outros portugueses.

Entre as várias condecorações recorto a do Bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins.

O nosso Presidente da República esteve atento à vertente social do percurso de D. Manuel Martins quando Bispo de Setúbal: ao seu interesse pela causa dos desempregados e dos pobres, à denúncia que corajosamente fez dessas situações dramáticas, à sua luta perante os governantes de então para que a miséria de muita gente de Setúbal não fosse mais negra ainda.

D. Manuel, à semelhança de Jesus pregava o Reino de Deus e ajudava aqueles que precisavam de pão. "Tinha pena daquela multidão faminta".A sua luta contra a pobreza foi reconhecida sobretudo pelo povo de Setúbal e a condecoração honrosa da Ordem de Cristo agora concedida é expessão desse reconhecimrnto.

A condecoração deste extraordinário Bispo, de estilo de vida simples e humilde, tem uma projecção incalculável: enaltecea própria Igreja, que tantas vezes é alvo de ataques injustos, e repercute-se de algum modo no Episcopado e nos sacerdotes e é uma glória e estímulo para todos os cristãos católicos.

Mário Salgueirinho

Não saber entender, não querer entender...


Uma história

Ao pequeno almoço, a esposa olha pela vidraça da janela e comenta para o marido:
- Já viste a roupa da vizinha? Toda encardida, mal tratada, mal estendida... Uma vergonha! Não sei como pode haver gente tão descuidada.

O marido olha pela vidraça, mas não comenta.

Nos dois dias seguintes, repete-se a história. No terceiro dia, a esposa olha e, admirada, comenta para o marido:

- Parece que a vizinha ouviu o que eu disse. Olha como está a roupa estendida. Tudo bem arrumadinho, bem tratadinho... Vês, como fiz bem em falar!

O marido levanta os olhos, passeia o olhar pelo estendedoiro da roupa e responde:

- Hoje levantei-me antes de ti e lavei as nossas vidraças...


Não saber entender ... não querer entender...



Há gente que não é capaz de entender o que ouve ou lê, por mais clara e explicada que seja a mensagem. Tem as vidraças da inteligência sujas.

Se há, ao menos, um bocado de humildade, reconhece a sua limitação; se à limitação intelectual junta a arrogância, então nada a fazer. Nada mais insuportável que a arrogância do ignorante. Pronuncia-se sobre o que não sabe ou não entende, tece juizos a torto e a direito, ousa julgar toda a gente... sente-se o melhor. Nem sequer se apercebe do ridículo em que se movimenta. É como a esposa da história... Neste caso, estamos perante a evidência do "pobre coitado".



Mas há quem não queira entender. São os que têm as vidraças do coração sujas. Julgam o que ouvem ou lêm segundo a sua própria sujidade, os seus preconceitos, as suas manias, as suas perversidades. Como são, ouvem, lêem, analisam. Não é a mensagem em si que analisam, mas aquilo que eles lá projectam, ou que aí gostavam de ver para se poderem afirmar.

Cegos de coração, projectam na luz a sua própria escuridão.



Qual das duas situações é mais abominável? Qual delas denota maior escravidão?

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Para pensar...

  • Nem tudo o que luz é oiro...
  • Nem tudo o que se ouve é para se dizer.
  • Nem tudo o que parece é.
  • Nem só de pão vive o homem.

  • É o que sai do interior do homem que o torna impuro.

  • Quem não vive para servir não serve para viver.

  • Sê sempre o terminal da autoestrada de toda a má língua.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Santo António de Lisboa


Santo António nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa junto das portas da antiga cidade (Porta do Mar), que se pensa ter sido o local onde, mais tarde, se ergueu a Igreja em sua honra.
Tendo então o nome de Fernando, fez na vizinha Sé os seus primeiros estudos, tomando mais tarde, em 1210 ou 1211, o hábito de Cónego Regrante de Santo Agostinho, em São Vicente de Fora, pela mão do Prior D. Estêvão.
Ali permaneceu até 1213 ou 1214, data em que se deslocou para o austero Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde realizou os seus estudos superiores em Direito Canónico, Ciências, Filosofia e Teologia.
Segundo a tradição, talvez um pouco lendária, o Santo tinha uma memória fora do comum, sabendo de cor não só as Escrituras Sagradas, como também a vida dos Santos Padres.
As relíquias dos Santos Mártires de Marrocos que chegaram a Coimbra em 1220, fizeram-no trocar de Ordem Religiosa, envergando o burel de Frade Franciscano e recolher-se como Eremita nos Olivais. Foi nessa altura que mudou o seu nome para António e decidiu deslocar-se a Marrocos, onde uma grave doença o reteve todo o inverno na cama. Decidiram os superiores repatriá-lo como medida de convalescença.
Quando de barco regressava a Portugal, desencadeou-se uma enorme tempestade que o arrastou para as costas da Sicília, sendo precisamente na Itália que iria revelar-se como teólogo e grande pregador.
Em 19 de Março de 1222 em Forli, falou, perante religiosos Franciscanos e Dominicanos recém ordenados sacerdotes e, tão fluentemente o fez que o Provincial pensou dedicá-lo imediatamente ao apostolado.
Fixou-se em Bolonha onde se dedicou ao ensino de Teologia, bem como à sua leitura. Exercendo as funções de pregador, mostra-se contra as heresias dos Cátaros, Patarinos e Valdenses. Seguiu depois para França com o objectivo de lutar contra os Albijenses e em 1225 prega em Toloso. Na mesma época foi-lhe confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e seria custódio da Província de Limoges, um cargo eleito pelos Frades da região. Dois anos mais tarde instalou-se em Marselha, mas brevemente seria escolhido para Provincial da Romanha.
Assistiu à canonização de São Francisco em 1228 e deslocou-se a Ferrara, Bolonha e Florença. Durante 1229 as suas pregações dividiram-se entre Vareza, Bréscia, Milão, Verona e Mântua. Esta actividade absorvia-o de tal maneira que a ela passou a dedicar-se exclusivamente. Em 1231, e após contactos com Gregório IX, regressou a Pádua, sendo a Quaresma do ano seguinte marcada por uma série de sermões da sua autoria.
Instalou-se depois em casa do Conde de Tiso, seu amigo pessoal, onde morreu em 1231 no Oratório de Arcela.
O facto de ter sido canonizado um ano após a sua morte, mostra-nos bem qual a importância que teve como Homem, para lhe ter sido atribuída tal honra. Este acto foi realizado pelo Papa Gregório IX, que lhe chamou "Arca do Testamento".
Considerado Doutor da Igreja e alvo de algumas biografias, todos os autores destas obras são unânimes em considerá-lo como um homem superior. Daí os diversos atributos que lhe foram conferidos: "Martelo dos hereges, defensor da fé, arca dos dois Testamentos, oficina de milagres, maravilha da Itália, honra das Espanhas, glória de Portugal, querubim eminentíssimo da religião seráfica, etc.".
Com a sua vida, quase mítica, quase lendária, mas que foi passando de geração em geração, e com os milagres que lhe foram atribuídos em bom número, transformou-se num taumaturgo de importância especial.
in ecclesia

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A Igreja deve vir para a praça pública

“... a Igreja não tem sabido entender este mundo e acompanhá-lo”. “... deve vir para a praça pública, porque mesmo que lhe criem dificuldades ou lhe tirem o seu lugar, como acontece, deve assumir corajosamente e sem medo o seu papel”.

A Igreja descura e cala os valores humanos, “e a situação do trabalho em Portugal é disso exemplo”. A Igreja tem de pronunciar-se “mas de forma a ser ouvida, não é com papeis ou documentos” de forma a que “o desenvolvimento seja acompanhado de solidariedade e manifeste a preocupação de considerar o homem como elemento responsável na construção da história”.

A situação actual do país “merece uma atenção tão grande que nos devíamos pronunciar de uma forma mais visível”.

O trabalho, a economia “acente numa filosofia neo liberal”, a flexisegurança “considera cada vez menos o homem”, conferindo-lhe uma posição “exclusiva de produtor” e acrescente ser “repugnante ouvir falar em flexisegurança e na mobilidade, quando sabemos que o essencial não é garantido”.

As questões da vida são outra preocupação para o Bispo emérito. Em contexto da lei do aborto, D. Manuel Martins ironiza a importância “vital de uma lei, quando 80% dos médicos vão invocar objecção de consciência”, destaca. A cultura da morte toma conta da sociedade “mesmo quando uns quantos se reúnem para apregoar o valor da vida e para discutir questões ambientais”, evidencia, referindo-se ao encontro do G8.

Mas a Igreja é essencialmente política na medida em que prega os grandes valores humanos e a dignidade do homem”, porque considera que a dignidade humana “se situa numa posição política que não tem nada a ver com a forma como actualmente é encarada”.

A política “que é tão nobre tornou-se em algo evitável”. Porque a verdadeira está “só ao serviço do homem, coisa que agora não acontece”, pois os direitos e valores estão “ausentes”, afirma.

D. Manuel Martins, ecclesia, hoje

domingo, 10 de junho de 2007

E se continuasse a ter púlpito...

O Bispo Emérito de Setúbal, D. Manuel Martins afirmou hoje que o povo de Setúbal é um dos mais interventivos e que não se deixa comer, ao recordar o tempo em que barafustava com o governo.
"O povo de Setúbal é considerado o povo de Portugal mais interventivo, porque não se deixa comer. Uma das marcas da cidadania é não se deixar comer, não se deixar manipular, não se deixar gozar", disse D. Manuel Martins.

"O Bispo D. Óscar Romero dizia aos seus fiéis: por favor nunca andem a pedir de chapéu na mão aquilo a que têm direito. E D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, que foi exilado, dizia: diante dos homens sempre de pé; de joelhos só diante de Deus", disse D. Manuel Martins, acrescentando que esta é a grande mensagem da Igreja.

O Bispo Emérito de Setúbal falava aos jornalistas pouco depois de ter sido agraciado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Grande Cruz da Ordem Militar de Cristo, durante as comemorações do 10 de Junho, em Setúbal.
D. Manuel Martins mostrou algumas reservas em relação a este tipo de homenagens, mas acrescentou que não se sentia no direito de recusar a distinção que lhe foi atribuída, prometendo que a Grande Cruz da Ordem Militar de Cristo ficaria na cidade do Sado.

Questionado sobre os motivos que levaram o Presidente da República a agraciá-lo, D. Manuel Martins admitiu que poderia ter sido a "ajuda que deu ao governo" nos tempos em que era Bispo de Setúbal.
"Se analisar profundamente, era capaz de descobrir como razão a contribuição que dei ao governo daquela altura, barafustando, discordando, mostrando o meu desacordo em tantas e tantas coisas. E se continuasse a ter púlpito, eu continuava porque há tanta coisa mal a nível do emprego", disse D. Manuel Martins, que considerou o desemprego como um dos maiores flagelos das famílias portuguesas.

Lusa

Peregrinação das crianças

Espectacular!
Em Fátima, um mundo de crianças...
No interior do recinto, estiveram 20 mil crianças vindas de todo o país para participar nas cerimónias em peregrinações de autocarros organizadas pelas respectivas paróquias e Dioceses.

Os doentes, os pobres, os padres e a cultura

O jornal "Correio do Vouga" apresenta uma retrospectiva dos primeiros seis meses de D. António Francisco como Bispo de Aveiro. Parece-me que a frase que melhor define o perfil do Bispo é esta:

"... quem se encontra com D. António Francisco experimenta: serenidade, afabilidade e também firmeza do Pastor."

D. António falava muito de serenidade. E, entre muitas coisas, ficou-me esta palavra. Sobretudo porque nele assenta como uma luva. Não é uma figura de retórica. É algo que nasce de dentro, que se sente, que lhe é conatural.


"Se pudermos resumir no mínimo de palavras, são estas as prioridades do Bispo de Aveiro: os doentes, os pobres, os padres e a cultura." - refere o citado jornal.
Dentro da mundivalência que absorve a atenção de um Bispo, penso humildemente que D. António "acertou na mouche". A caridade, como vínculo da perfeição; a comunhão presbiteral; a evangelização do mundo da cultura, tantas vezes tão afastado...
"... o Bispo de Aveiro percorreu toda a diocese, encontrando-se com todos os padres, pelo menos a nível arciprestal..."
Fantástico, D. António! E apenas em seis meses.
Penso que é esta a melhor forma de fazer e fazer crescer a comunhão entre o presbitério. O Bispo que desce, que sai, que aparece, que ouve, que partilha, que acolhe, que motiva, que estimula...
Penso que valerão de muito pouco os "sermões" de Quinta-Feira Santa se depois o Bispo for uma ausência continuada na vida dos seus padres.
Pelo que pude ler na "espuma das palavras" do artigo citado, há um carinho muito grande e uma aceitação agradável do novo Bispo de Aveiro. Esta Diocese sempre foi apresentada como vanguarda na actualização pastoral, graças não só a um clero muito interessado mas nada acrítico, como também ao empenho, dedicação e serviço do seu laicado.
Claro que uma plêiade de grandes Bispos tem puxado pela Diocese. D. Manuel, D. Marcelino e agora D. António, só para falar nos últimos.
Fico feliz por si, amigo D. António.

sábado, 9 de junho de 2007

O exterminador implacável

Salvador Dali era conhecido pela sua modéstia. Que era pouca. José Sócrates, muito provavelmente leu as palavras do pintor espanhol: "aos seis anos queria ser um cozinheiro. Aos sete queria ser Napoleão. E a minha ambição continuou a crescer ao mesmo nível deste então". Não se duvida que Sócrates seja o Dali português. Sem os bigodes.

O primeiro-ministro português quer que cada português tenha um computador. Como se isso fosse o seu passaporte para a tecnologia e o tornasse o homem socrático perfeito. Mas quem é este habitante que Sócrates quer criar em Portugal? Um robot perfeito, capaz de enviar sms, e-mails e de combater no mundo da globalização tecnológica. Sócrates acredita que, com um computador na mão e um telemóvel na outra, o português será o "exterminador implacável" do futuro. Será mais frio, incansável e competente do que um indiano ou um chinês. No Parlamento ele vendeu isso como a sua cartilha de futuro. Isso é o que é, na sua óptica, importante para tornar o país a "matrix" do futuro. Para que é que os portugueses precisam de saber escrever na sua língua para lá do linguarejar que vemos num sms enviado por um "teenager" e que ninguém com mais de 25 anos entende? Para que será necessário os jovens portugueses aprenderem filosofia? Isso é uma chatice, até porque na sociedade do homem socrático, aprender a questionar, a reflectir ou a pôr em causa é algo que não nos torna competitivos no mercado. O homem socrático já está a ser testado: na DREN.

fsobral@mediafin.pt