sábado, 19 de julho de 2008

16º Domingo do Tempo Comum

Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio? Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio? ’‘ Não! – disse ele –não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’“.
Jesus disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos”.
Disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado”.
Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: “Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo”.
Jesus deixou então as multidões e foi para casa. Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe: “Explica-nos a parábola do joio no campo”. Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demónio. A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos. Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, oiça”.
Mt 11,25

REFLECTINDO...

“Disseram-lhe os servos: «queres que vamos arrancar o joio»”?... Aqui temos a primeira versão daquilo a que bem podíamos chamar «tolerância zero». Uma tentativa verdadeiramente radical. A de cortar o mal pela raiz. É positivo o desejo, porque o mal é sempre mal. A intolerância peca por se convencer demasiado cedo sobre o autor do crime, ou se iludir muito depressa com a ideia de que o mal tem sítio certo! Porque não tem, de facto! O mal e o bem coexistem no mesmo espaço, convivem na mesma terra, misturam-se na mesma pessoa, disputam o mesmo coração.

“Deixai-os crescer ambos até à ceifa”. É a voz sábia do Senhor, que conhece os enganos das nossas verdades e os desenganos das nossas certezas. Como se o tempo fosse o grande «escultor»; só com o dobrar dos sinos e dos anos, aparecerá a imagem clara e definida do homem... que então há-de vir ao de cima na sua inteira verdade.
A tolerância é, pois, muito necessária, sobretudo no campo das relações com os outros. Ela é o meio caminho entre a justiça e o amor. Na certeza de que todos somos fracos, o mínimo que podemos fazer é suportar a fraqueza do próximo e aceitar a sua diferença. O justo deve ser humano! E ainda que a tolerância, seja uma forma imperfeita de amar, muito longe do amor aos inimigos e da caridade «que tudo suporta», é, mesmo assim, um primeiro passo...
Tolerância também no campo das convicções, das ideias e opiniões. Aqui a tolerância é a caridade da inteligência. Tenta persuadir pacificamente pela palavra. Rejeita o fanatismo, sem cair no cepticismo, segundo o qual, «a cada um a sua verdade e todos ficarão tranquilos». Se cada um se mantém calado na sua certeza, tolerar a dos outros é o mesmo que os desprezar. O Homem dignifica-se na procura da verdade. Pretender que se é neutro, que todas as opiniões são verdadeiras, é pressupor que todas são falsas. Para tentar unir os que pensam “diferente” é necessário pedir a cada um, não que renegue, mas que se aprofunde, que seja ainda mais e mais puramente ele mesmo.

São Paulo diria: «passem tudo pelo crivo e guardem o melhor»...

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