terça-feira, 31 de maio de 2016

Os médicos, o padre e o alcoolismo


Com a revolução do 25 de abril de 1974, instaurou-se em Portugal um período revolucionário, que atingiu o auge em 1975. Então a palavra "fascista" era um chavão que se usava para insultar todos aqueles que contrariavam ou não alinhavam com o espírito revolucionário em curso.

Num determinado concelho, havia uma freguesia onde o alcoolismo era uma chaga social. A esse mesmo concelho tinha chegado um grupo de jovens médicos, também eles imbuídos do espírito revolucionário da época.

Ao constatarem a chaga social pela qual passava a freguesia referida, falaram com o jovem pároco. E por mais esta razão e aquela, a Igreja tinha que fazer qualquer coisa por aquela gente, tão subjugada pelo álcool.

O padre disse aos médicos que eles é que podiam ajudar as pessoas pois tinham capacidades e conhecimentos para tal, referindo que faria tudo para que os paroquianos comparecessem às sessões de esclarecimento.

Combinada a 1ª sessão, com o salão à cunha, os médicos apareceram e falaram convictamente sobre os malefícios do álcool para a saúde, para a vivência pessoal, familiar e comunitária.

O público começa a mexer-se nas cadeiras e, às tantas, uma voz lá do fundo da sala fez-se ouvir:

- Fascistas! Os médicos são fascistas. Querem que o povo beba leite para dar o vinho aos ricos....

E, uns atrás dos outros, foram abandonando a sala.

Os médicos, completamente estupefactos com a cena que acabam de presenciar, comentam para o sacerdote:

- Realmente não fazemos o que devemos, fazemos só o que nos deixam fazer...

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